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sábado, 31 de março de 2018

PEDRO CALADO, O VICE, ASSUME QUE SOMOS PORTUGUESES DE SEGUNDA!


Li e fiquei estupefacto. De uma Portaria considerada e propagandeada pelo governo regional como a melhor e a que mais garantias oferecia a todos os insulanos da Região Autónoma da Madeira (provou-se exactamente o contrário) parece estar em preparação uma revisão que, a se concretizar, coloca-nos, claramente, no patamar de portugueses de segunda. Limitar o número de viagens por ano/passageiro? Não, obrigado. Viajar às 6/7 horas da manhã ou depois das 20 horas para ter direito ao subsídio de mobilidade? Não, obrigado. Esperar dois meses pelo subsídio caso o pagamento seja feito com cartão de crédito? Não, obrigado. Não ter direito à compra de um bilhete corrido (por exemplo, Funchal-Porto-Paris-Porto-Funchal)? Não, obrigado. E mais, e mais e mais!


Nós somos portugueses que residem nas ilhas. Sendo assim, há um preço justo a aplicar, pago no acto da compra e sem mais burocracias empurradas para os correios. E deixem-se dessa treta que o mercado funciona. Para os residentes, de longa data se sabe que NÃO FUNCIONA. As companhias aéreas e não só, andam, claramente, a sacar dinheiro ao Estado. São tantos os exemplos (públicos) de rotas para tão longe da Região que custam menos que uma ligação de Lisboa ou do Porto para as ilhas. 
Será que este anúncio, ainda meio escondido, corresponde, por antecipação, a uma peta de 1 de Abril? Talvez. Porque é mau de mais para ser verdade. E se é verdade, irá dar muita confusão.
Por tabela sofrem os madeirenses e porto-santenses que têm de possuir o dinheiro que exigem no acto de aquisição do bilhete. O trigo é limpinho, sobretudo em determinadas épocas do ano. De seis milhões de subsídios (2014) já vai em 53,7 milhões orçamentados para 2018. Alguém está a aproveitar-se e esses não são os consumidores. 
Ataquem o problema na raiz , porque o tal "despesismo intolerável" tem uma ou mais causas. E na raiz não estão os residentes. Com toda a certeza.
Ilustração: Arquivo próprio.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

O CAUSADOR QUE QUER PASSAR POR VÍTIMA


Afinal, quem foi o responsável pela Portaria? Quem apoiou e considerou ser este o melhor sistema de sempre? Quem propagandeou e, sistematicamente, combateu aqueles que puseram em causa a política do subsídio de mobilidade? Ora bem, o causador da situação, o péssimo negociador (governo regional) quer agora passar por vítima. Estranho? Não. Apenas o habitual.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

O SUBSÍDIO DE MOBILIDADE E A CEGUEIRA POLÍTICA


"(...) A Madeira tem, neste momento, o melhor sistema de apoio aos residentes que alguma vez experimentou (...) Não há razão para descontentamento face à solução em vigor (...) mesmo no Natal e fim-de-ano transacto, o valor mais elevado que vigorou foi substancialmente mais baixo ao verificado nos anos em que não havia este subsídio". 


Estas são declarações do Secretário Regional da Economia, Dr. Eduardo Jesus. Ora bem, repetir o extenso rol de argumentações contrárias ao que foi assumido, equivale a "chuva do molhado". De resto, são as "cartas do leitor", é a voz dos estudantes, é longa e desesperante fila nos correios e, muitas vezes, a incerteza de não pagarem porque falta qualquer coisita, é, ainda, para muitas pessoas, a impossibilidade de disporem, no momento da compra, do dinheiro necessário, é a questão do cartão de crédito, enfim, pergunto, quem não tem uma história para contar. 
Só mais um pormenor. Os madeirenses e portosantenses não querem SUBSÍDIOS. O subsídio enquadra-se no favor e na dependência. O que nós precisamos, por vivermos no Atlântico, é de um preço de viagem adequado e que corresponda aos factores decorrentes da continuidade territorial. Pago no momento da compra e ponto final. Entendeu Senhor Secretário? Ponha de lado a cegueira partidária!
Ilustração: Arquivo próprio.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

NÃO É O MERCADO A FUNCIONAR. É O ROUBO DESCARADO E IMPUNE QUE ACONTECE!


A situação tornou-se insuportável. Está cada vez pior. Que o digam, por exemplo, neste período, os pais dos estudantes: são as deslocações caras, os alojamentos, as matrículas e as propinas, os livros e sebentas, a alimentação e o vestuário. Para muitos um sufoco. E quando não é apenas um, mas dois e três filhos!


Ligar-se da Madeira aos aeroportos de Lisboa ou Porto, para todos, em alguns dias e períodos do ano, custa quase o valor de uma viagem "promocional" ao Brasil. Há muito que descobriram a mina, perante a passividade do governo regional, em geral, e do secretário da Economia, em particular. Mas há mais. Enerva-me, a lata, dos senhores TAP, lata que não conhece limites. Leio no sítio da internet:
"DOAR MILHAS À MADEIRA
Ninguém fica indiferente às imagens que fomos acompanhando pela comunicação social nos últimos dias. A Ilha da Madeira foi assolada por violentos incêndios que, não lhe tirando o encanto, roubaram a confiança e a esperança das suas populações. (...) A TAP está empenhada nesta missão e conta com a sua ajuda, porque ser Cliente Victoria é também ser solidário.
Se tem milhas a expirar é tudo o que precisa para poder ajudar! Transforme essas milhas em milhas solidárias e doe-as para a conta que criámos para o efeito (...)". 
Oh meus senhores quem tem milhas aproveitá-las-á, se puder, para tentar minorar o preço que impõem nas viagens. Por isso, não brinquem com a palavra solidariedade. Sejam solidários respeitando os madeirenses e portosantenses através do valor justo das viagens. Porque não é o mercado que está a funcionar, mas sim o ROUBO DESCARADO E IMPUNE que acontece.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 29 de março de 2016

SUBSÍDIO DE MOBILIDADE E A INCAPACIDADE DE OUVIR OS UTENTES


O secretário regional da Economia, Turismo e Cultura continua a defender as vantagens do subsídio de mobilidade. Na sua opinião é tão fantástico que, agora, qual paradoxo, culpa o governo da República pelo atraso na revisão do modelo. Cheguei a pensar que o erro de avaliação seria meu, tanta foi a propaganda feita. Calei-me, até porque não tenho viajado com regularidade. Mas tenho seguido os comentários, as "cartas do leitor", as peças jornalísticas, os textos nas redes sociais e tantos desabafos com quem me cruzo, desde agentes de viagens a pessoas do meu círculo de amizade. Porém, o discurso já não é substancialmente o mesmo, o secretário que, em nome do governo, só via maravilhas, assumiu, hoje, que o regime é "francamente positivo". Parece que já não é indiscutível e, daí, toca a atirar a batata quente para Lisboa. Pergunto, então, por que não ouviu, atempada e serenamente, aqueles que duvidaram e colocaram em causa as fragilidades do regime em vigor? 


Governar implica ter uma enorme humildade e capacidade de auscultação. Não é que tudo o que por aí possam dizer seja correcto, até porque as pessoas não dominam todas as variáveis, mas existe uma vivência e conclusão derivada da utilização de tal regime. E essa é a melhor percepção que se pode ter. Parece-me muito pouco sensato insistir na defesa de uma posição quando, de forma generalizada, as queixas são muitas. As tarifas foram inflacionadas e a pouca-vergonha dos preços praticados em épocas festivas demonstram que, afinal, este regime deveria ter sido melhor pensado, quer na vertente dos custos para o utilizador, quer para o Estado. Ainda hoje um leitor deixou escrito no online do DN em resposta ao secretário: "(...) Positivo para quem? Para mim e para a maioria dos viajantes madeirenses de certeza que não foi. (...)" - Daimex
Mas este governo parece-me que segue peugadas do anterior. Diz-se dialogante, mas a prática é outra. Talvez seja por inexperiência política e governativa, porque por soberba talvez não seja. Concedo o benefício da dúvida.
Ilustração: Arquivo próprio.