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segunda-feira, 14 de março de 2016

AINDA A PROPÓSITO DOS CONTRATOS SWAP... QUE JUSTIFICAÇÃO TÃO ESFARRAPADA!


Ponto prévio: sou muito conservador nas minhas relações com a banca. Sempre fui. Nunca gostei de arriscar em função do cruzamento da informação que tento acompanhar. Prefiro não ganhar uns trocos do que perder o que foi conquistado. Considero prudente cortar nas despesas do que andar à espera que a banca me venha oferecer vantagens. Simplesmente porque a banca não se funda na premissa de dar "prendas" aos depositantes. A banca tem uma inteligência, muitas vezes, até, perversa. Quem nela embarca normalmente perde. A prova está nos lesados deste e daquele!


Ora, neste pressuposto, a justificação que é publicamente dada pelo ex-Vereador da Câmara do Funchal, Dr. Pedro Calado, relativamente aos contratos "swap" (2008) que originaram um prejuízo de 961 mil euros, do meu ponto de vista é esfarrapada. Até porque se aproximava uma crise à escala internacional. Assumiu: “(...) Não podemos ganhar sempre” (...) “É como jogar no Totoloto: umas vezes ganhamos, outras não”. Só que há aqui uma pequena grande diferença: no totoloto o cidadão investe com dinheiro próprio, enquanto, no caso do município, em um contrato "swap", o risco tem grandeza maior e envolve o dinheiro que é público. E aí, pergunto: foram ou não solicitados pareceres, devidamente fundamentados e credíveis, face a diversos cenários, desde os mais negros aos mais cor-de-rosa? E se existem, o que diziam?
Assume o Vereador da Câmara então liderada pelo Dr. Miguel Albuquerque: “(...) Sabíamos que a operação tinha um risco”. Face a tal exposição ao risco, questiono, não teria sido mais prudente cortar nas despesas correntes, onde sempre houve tanto por onde cortar? Assume, ainda: “(...) Pegámos em contratos de empréstimo de longo prazo e trocámos para uma taxa de juro fixa” (...) “Era o que toda a gente dizia para fazer e fazia”. Trata-se, aqui também, de uma posição gestionária que não acompanho, porque não fundamentada e muito próxima de "Maria-vai-com-as-outras"! E um gestor da coisa pública não deve ir por aí, defendo eu. 
Um exemplo: a contratualização de um empréstimo para habitação. No meu caso, podia ter contratualizado em função do preço do dinheiro (Euribor) a três ou seis meses. Preferi negociar uma taxa fixa, porque sou conservador, repito, tendo por base as minhas receitas e despesas fixas, baseadas no longo prazo, e, portanto, à não sujeição aos bons e aos maus humores do "mercado". Se isto é válido, saliento, em ambiente familiar, também o é no plano das finanças públicas, salvaguardadas as proporções. A Câmara deveria ter seguido, por segurança, a estratégia do que podia contar, relativamente ao labirinto que se esgota na lógica do totobola defendida pelo ex-Vereador. Aliás, o mercado do dinheiro sabe engodar para depois pescar de forma substancial. Foi o que aconteceu. Eles possuem uma informação e uma inteligência face à qual manda o bom senso que nos interroguemos: que razões substantivas levam a que proponham um contrato, alegadamente benéfico, quando eles, obviamente, estão ali para ganhar e distribuir dividendos pelos accionistas?
Finalmente, Senhor ex-Vereador, o Senhor foi responsável pelo pelouro das Finanças, mas sob a presidência do Dr. Miguel Albuquerque. Não é fazer "chacota política" trazer o nome do actual presidente do governo para esta situação. O Senhor pode assumir a sua "responsabilidade”, fica-lhe bem, mas a maior é a de quem liderou todo o processo municipal e deu o seu aval. É o meu ponto de vista enquanto cidadão. 
Ler neste endereço:

domingo, 13 de março de 2016

GOVERNO REGIONAL DA MADEIRA - A COERÊNCIA E A TRANSPARÊNCIA


Na edição de hoje do DN-Madeira duas peças destacam-se pela sua complementaridade. Por um lado, leio que o "Governo colocou ex-gestores do JM sob investigação (...) A gestão dos ex-administradores da Empresa Jornal da Madeira está a ser alvo de uma auditoria por parte da Inspecção Regional de Finanças e foi igualmente remetida para o Ministério Público, com o intuito de investigar uma situação denunciada por um dos administradores, Nuno Bazenga. Em causa está a contratação de 260 toneladas de papel e respectivos custos de transporte no valor de cerca de 165 mil euros, cujo procedimento concursal, liderado por Rui Nóbrega, suscitou dúvidas na óptica de Nuno Bazenga. (...)"; por outro, o PS-Madeira exige que o presidente do governo explique "os contratos swap feitos na Câmara do Funchal no tempo em que era o presidente da autarquia" porque, segundo o "semanário Expresso a CMF perdeu quase um milhão de euros com um contrato feito em 2008".


Avança o DIÁRIO que "de acordo com a notícia do Expresso, a Câmara do Funchal assinou em Novembro de 2008, contratos com o Barclays e o BES com base num empréstimo fictício e perdeu 961 mil euros nessas duas operações financeiras. Os contratos foram assinados dois meses depois da polémica falência do banco Lehman Brothers e terminaram em 2011. Foi uma auditoria do Tribunal de Contas à Câmara do Funchal, iniciada em Janeiro deste ano, que detectou o prejuízo. A actual vereação, presidida por Paulo Cafôfo, também quer saber mais deste negócio. O vereador com o pelouro das finanças, Miguel Silva Gouveia, disse ao semanário que a Câmara espera pela conclusão do relatório do Tribunal de Contas (...)".
Ora, quem manda investigar um caso de 165 mil euros (não fez mais do que o seu dever, independentemente das querelas partidárias) também, por coerência, para já, deve explicar, pormenorizadamente, decisões políticas que, segundo o Expresso, conduziram a um prejuízo de 961 mil euros. 
No exercício da política ninguém pode andar entre os pingos da chuva sem se molhar. Tudo tem de ser transparente. No caso em apreço, por dois motivos: primeiro, porque o que ficou na opinião pública sobre a anterior vereação social-democrata na Câmara do Funchal, presidida pelo Dr. Miguel Albuquerque, é que os últimos exercícios no município funchalense tinham gerado "lucro", quando a dívida apurada pela actual equipa, segundo o que foi divulgado, era superior a 100 milhões de euros: segundo, porque os eleitores da Madeira, em geral, e os do Funchal, em particular, têm o direito de saber todos os contornos dessa operação bancária, concretizada após falência do banco Lehman Brothers e do correspondente colapso financeiro de muitas economias. O presidente do Governo não pode fugir ao cabal esclarecimento desta situação. E o local próprio para, politicamente, se explicar é na Assembleia Legislativa. 
Entretanto, pasme-se, sob a capa de uma "reestruturação", continua o regabofe do financiamento ao Jornal da Madeira. Foram autorizados mais 927 mil euros para manter a propaganda do governo, enquanto, por exemplo, nos hospitais as insuficiências continuam gritantes e a Câmara do Funchal paga dívidas e vê-se limitada na consecução do seu projecto político!
Ilustração: Google Imagens.