terça-feira, 6 de maio de 2014

PARTIU UM HOMEM BOM: CELSO CAIRES



CELSO CAIRES (1958-2014)
"Faleceu o artista plástico e professor Celso Emílio Silva de Caires, do Centro de Competência de Artes e Humanidades da Universidade da Madeira. 
Celso Caires iniciou a sua carreira académica no antigo Instituto Superior de Arte e Design (ISAD), tendo sido integrado posteriormente nos quadros da Universidade da Madeira.
Dedicou especial atenção ao Desenho e à Fotografia enquanto domínios de representação, expressão e criação artística (Lonarte, 2011).
À sua Família e amigos, sentidas condolências".
Texto da autoria do Doutor Nelson Viríssimo, retirado da sua página de facebook.

QUAL A SAÍDA LIMPA NESTE CONSPURCADO LABIRINTO?


Não há "saída limpa" quando o labirinto está completamente conspurcado e cheio de minas. E ouvem-se todos os centros de decisão, do FMI, aos vários sectores da União Europeia, passando por vários países e até comentadores sem pensamento estruturado, os aplausos de uma vitória que não existe. Raios os partam todos, porque mentem, porque aldrabam, porque tentam passar uma mensagem falaciosa da realidade. Como podem congratular-se com os resultados de um programa de assistência quando três anos depois, a dívida aumentou para os 130% do PIB, a taxa de desemprego é assustadora, quando é preciso recuar aos anos 60 do século passado, para estabelecer a comparação com as vagas maciças de emigração, quando a pobreza disparou para valores inimagináveis, quando o tecido empresarial está em completo esgotamento, quando os sistemas de saúde, educação e de protecção social encontram-se em ruptura, quando o país vai continuar sob controlo externo de seis em seis meses, pergunta-se, num quadro destes, de agravamento das desigualdades, se a dita saída não é suja? Muito suja, obviamente! Vários anos de sacrifício, de roubo nos salários, nas pensões de aposentação, de um substancial agravamento de todos os impostos e de um gravoso ataque sem precedentes aos trabalhadores do nosso País, terá alguma verdade aquela conferência de imprensa do primeiro-ministro?

Que trio!
Estamos entregues a gente sem escrúpulos, MENTIROSA e subjugada aos interesses externos da alta finança. Todo o português vê, claramente, que está a ser enganado. E o tempo o dirá. A direita política, a todo o custo, porque há eleições europeias a 25 de Maio, quer fazer passar a ideia de um enorme sucesso das políticas de austeridade impostas nos países sujeitos a ajuda externa, mas essa não corresponde à realidade. Não há um, apenas um indicador económico que prove tal sucesso. Bem pelo contrário, o país está exaurido, sem defesas e sem esperança. Foram três anos perdidos para gáudio da alta finança que aqui encontrou mais um espaço para esmagar e sugar a pouca riqueza do nosso povo. Bastará que passe a euforia das eleições europeias e, eventualmente, a direita política conserve os seus lugares-chave na política económica, e lá aparecerão de novo, os esfaimados do costume, com a benção interna da dupla Passos/Portas, a corroer ainda mais as nossas parcas riquezas. 
Passos Coelho sussurrou que o dia 17 de Maio corresponderá a um novo 25 de Abril. Merecia uma bolachada (em sentido figurado). Saberá o que foi a luta durante dezenas de anos pela verdadeira libertação do povo, amarrado que estava a uma ditadura que marcou e condicionou o seu futuro? Saberá quantos portugueses morreram às mãos dos agentes da polícia política, quantos foram torturados, quantos viveram a tragédia do exílio e do campo de concentração do Tarrafal? Saberá quantos portugueses morreram ou ficaram estropiados numa guerra colonial sem sentido? Saberá o que foi o analfabetismo e os condicionamentos sociais ao longo de meio século de obscurantismo? Saberá o que foram as vagas de emigração forçada? Saberá o que significou de esmagamento pela fabricada trilogia "Deus, Pátria e Família"? Passos Coelho, enfim, não consegue enganar. Nem ele nem Portas. Ambos passam com facilidade a linha vermelha que antes seria inultrapassável, teimam em afirmar que não haverá mais aumentos de impostos e, dias depois, aumentam-nos, ambos são políticos que dizem coisas enquanto mantêm a sua fome de poder, mesmo que esse poder seja efémero e muito pequenino! Não os designo por palhaços pela consideração que tenho à profissão. Apenas por isso. Revolta-me, porque ao contrário deles, eu e muitos milhares de portugueses arriscámos a vida numa guerra estúpida.
É tempo de o povo acordar e acreditar que existem alternativas. Que a Europa precisa de uma substancial mudança que coloque as pessoas no centro das preocupações e não os movimentos financeiros especulativos que trituram os povos. O povo tem essa oportunidade no dia 25 de Maio. Não votar significa, apenas, a possibilidade de mais austeridade e de mais sacrifícios. 
Ilustração:  Google Imagens.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

NINGUÉM É JULGADO... NINGUÉM É RESPONSABILIZADO PELA UTILIZAÇÃO INDEVIDA DOS DINHEIROS PÚBLICOS


O Professor Doutor José Vieira de Carvalho foi presidente da Câmara Municipal da Maia. Antes assumiu o lugar de Deputado na Assembleia da República. Foi, inclusive, Deputado antes do 25 de Abril, de 1969 a 1973, e depois do 25 de Abril, após 1983, em várias legislaturas. A seguir ao 25 de Abril o Professor Vieira de Carvalho teve  um papel destacado na vida política e partidária, primeiro, como militante e dirigente do CDS-PP; depois, como elemento destacado do PSD. Faleceu em 2002. A questão que está em causa é a obra demolida para dar lugar a um grande espaço de jardim. Não coloco em causa a figura de prestígio nacional que foi José Vieira de Carvalho, mas os casos concretos de natureza política que custaram, na Maia, mas, por decisões semelhantes, em todo o País, muitos milhões pagos pelos impostos dos portugueses. Recebi uma mensagem com algumas pertinentes questões com resposta fácil:


1) Quanto custou construir esta megalomania? Muitos milhões do nosso bolso.
2) Quem ganhou com a obra incompleta? Alguns empreiteiros "falidos" no Brasil e outros "pobres".
3) Para que serviu? Patrocínio de campanhas eleitorais e outros "jeitos".
4) Quem usufruiu dela? Ninguém, ou melhor, durante anos foi a "casa" dos sem abrigo e viveiro de animais vadios.
5) Quanto custa demolir? Com a subida dos custos, deverá custar mais do que a "meia obra" feita.
6) Quem foi responsabilizado, espoliado ou preso pelo roubo? Que se saiba, NINGUÉM. Possivelmente alguns dos responsáveis continuam comodamente "instalados" na Câmara.
7) Poderíamos não estar na taxa máxima de IMI, recolha de lixo, esgotos e outras taxas municipais?
Claro que sim, se não houvesse tanta roubalheira e corrupção.
8) Acertou em todas as respostas?
Claro que sim, era fácil e elementar, meu caro contribuinte. Mas, nunca se esqueça, "SORRIA, está na Maia", a capital do desporto!
Pois é. Em 2003, a Câmara da Maia desistiu de construir aquela piscina, tal como estava programado pela autarquia desde a década de 1990, pelas mãos do então presidente Vieira de Carvalho. "Entre martelos pneumáticos, esmagadoras, britadeiras e giratórias, as máquinas, em 2012, deitaram abaixo cerca de 50 mil toneladas de betão".
Se trago este assunto à memória é porque, por aqui, também existem muitas obras que me parecem condenadas. Algumas já estão abandonadas, outras em degradação progressiva e outras, ainda, vão custar muito dinheiro para recuperá-las. A impunidade é total, quando é notório o desrespeito pelo planeamento, a utilização abusiva dos dinheiros públicos em gastos absolutamente supérfluos (gastos, sim, porque o conceito de investimento envolve outras variáveis), quando é  sensível o esbanjamento de um recurso (dinheiro) que é sempre escasso. Na Maia, como em tantos outros locais, cometem-se CRIMES à luz de um falso interesse público e do desenvolvimento. É assim que o dinheiro público se esvai. A par da pouca-vergonha dos mercados financeiros que nos esmagam, a corja política deve ser julgada e punida. O facto de desempenharem funções políticas não pode esconder ou constituir motivo de perdão pelos erros cometidos.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 4 de maio de 2014

DIA DA MÃE



A ADSE É DOS BENEFICIÁRIOS, NÃO É DO GOVERNO


Numa altura que se sabe que os funcionários públicos vão ter de pagar mais 1% para a ADSE (3.5%), convém reler o artigo do Juiz Alberto Pinto Nogueira que se posiciona contra este autêntico saque aos bolsos dos portugueses. Antes, porém, uma nota que me chegou: "(...) é claro o desfalque praticado na Caixa Geral de Aposentações e na ADSE. A Caixa Geral de Aposentações e a ADSE pagam-se a si próprias e ainda sobra para o Estado. Os Governos, com especial ênfase no actual, fazem passar a mensagem que não há dinheiro na Segurança Social e na Caixa Geral de Aposentações e que tem que cortar nas pensões. Esta é uma história MAL CONTADA. Durante anos e anos, quando havia necessidade, o Governo desviava milhões da SS e da CGA. E NÃO OS VOLTAVA A REPÔR o que é um ABUSO DE CONFIANÇA. Ora o dinheiro desviado não é do Governo - é, sim, dos trabalhadores que fazem os seus descontos para esses fundos de pensões. Também a ADSE - para quem os beneficiários descontam todos os meses uma taxa de 2,5% e que passará para 3,5% em 2014 - dá LUCRO ao Estado. A ADSE paga as despesas todas e ainda SOBRAM LARGOS MILHÕES que o Governo transfere para o Orçamento do Estado. Por exemplo, em 2012 sobraram 60 000 000 EUROS (e a taxa da ADSE era, nesse ano, de 1,5%). Agora que a taxa já vai nos 3,5% será de prever um LUCRO de 140 000 000 EUROS. E o Governo continua a ENVENENAR a OPINIÃO PÚBLICA contra os Funcionários Públicos, os Aposentados da CGD e os reformados da Segurança Social, como se a culpa do défice fosse dos trabalhadores".


O artigo:
"Sou beneficiário da ADSE há dezenas de anos. Pago, como os outros, as minhas contribuições. Para que se saiba de que lado estou. O que sucedeu com a Caixa Geral de Aposentações (CGA) é indício bastante do que se está a passar com a ADSE. O PÚBLICO de 6/12/2013 anunciava importantes dados de que toda a gente suspeitava e outros tantos afirmavam com conhecimento da matéria. Com fonte no Partido Socialista e sua declaração na Assembleia da República, o jornal dizia que, durante anos e anos, sucessivos governos exauriram os cofres da CGA em milhares de milhões. A mesma fonte acrescentava que "por imperiosas razões de interesse público”, o Estado tinha “optado” por não entregar as contribuições para a CGA que, como entidade patronal, devia ter entregado.
Fica-se esclarecido: durante dezenas de anos, o Estado andou a gastar o dinheiro dos seus funcionários que estava nos cofres da CGA. Em Direito Penal, isso tem uma designação: abuso de confiança. Não entregou as percentagens que devia ter entregado como entidade patronal. Delapidou tudo. Em “imperiosas razões de interesse público"! Os velhos não fazem parte deste. Nunca repôs tão volumosas quantias. Com cinismo, apregoa a insustentabilidade da CGA. Agora responsabiliza os pensionistas. Mingua-lhes as pensões. Sempre pronto a meter a foice nestas com os mais diversos pretextos. As instituições e sociedades são administradas e geridas pelos detentores do capital. Isto é o que “eles” pregam. 
Na ADSE, os trabalhadores pagam. O Governo gere como demonstrou: desvia o capital. Como se este fosse dele. Tem em mira afectar tais recursos ao financiamento do Orçamento do Estado (OE). Confessadamente, querem a ADSE a servir para o dito défice. Depois, apontam para a levar ao “mercado”, como dizem. Privatizam tudo.
Hoje, a ADSE basta-se a si própria. Dispensa as migalhas do OE. Mas também dispensa ser pagadora da dívida pública. Não é função de um serviço de apoio na doença. Para isso, os funcionários e pensionistas pagam impostos.
ADSE e CGA estão integradas no Ministério das Finanças. Sob tutela do ministro respectivo. Essa “tutela” tem permitido ao Ministério das Finanças usar abusivamente o capital que não é do Estado. Como fez ultimamente com os Fundos de Reserva da Segurança Social. Vários mil milhões de euros aplicados em compra de dívida.
Os funcionários públicos e pensionistas dispensam tutelas. Não são inimputáveis. Nem lavraram procuração a favor do Governo. Nem padecem de “capitis deminutio”.
Não correrão o risco de ver o capital que descontam há dezenas de anos delapidado nas dívidas que a política irresponsável contrai. Nem de ver a ADSE no jogo especulativo da bolsa e ser adquirida pelos “investidores institucionais”. Ou negociada entre hospitais privados, seguradoras ou outros grupos privados de saúde que já em muito vivem à sua custa.
Não existe qualquer razão para que o Estado administre o capital que é dos beneficiários da ADSE. Muito menos agora que a inscrição e manutenção nesta é de carácter facultativo.
A César o que é de César. A Deus o que é de Deus.
Alberto Pinto Nogueira
Procurador-geral adjunto
Ilustração:  Google Imagens.

sábado, 3 de maio de 2014

FESTA DA FLOR (II)


FESTA DA FLOR (I)


CÂMARA DO FUNCHAL... ENTÃO OS OUTROS É QUE SÃO DEMAGOGOS?


A Câmara do Funchal deve mais de € 94.000.000,00. Já se sabia, só que a maquilhagem das contas, sobretudo nos últimos anos, "possibilitaram" o discurso do lucro. E neste quadro, o Dr. Miguel Albuquerque, ex-presidente da Câmara, na edição de ontem do DIÁRIO, em sua defesa, fugiu a falar de um único número e não ficou por aí, considerou o actual presidente "demagogo", adiantando: "(...) Alguém devia lembrar ao homem que as eleições terminaram no passado mês de Setembro e que lhe cabe assumir as responsabilidades inerentes ao cargo, sem desculpas ou bodes expiatórios de circunstância. É evidente que para administrar uma Câmara como a do Funchal, não basta os exercícios de retórica balofa". Retórica balofa? O seu dever é explicar como é que chegou a saldos positivos. Apenas isso. Os funchalenses não querem saber se as dívidas são de curto ou de longo prazo, se estão consolidadas ou não. O que querem saber é se, no conjunto, a Câmara deve ou não € 94.000.000,00 e que se esse montante estrangula ou não a actividade da autarquia e os projectos definidos para o Funchal. Querem saber mais, se houve ou não engenharia financeira e se, tal como sublinhou o Dr. Paulo Cafôfo, estamos ou não perante "erros, empolamentos e um embuste político". Isso é que interessa saber. Porque, quanto ao resto, parafraseando Vasco Santana, auditorias há muitas!


O Dr. Miguel Albuquerque parece que segue aquela estratégia do sujeito que tem, apenas como património, uma casa avaliada em € 200.000,00, apresenta, mensalmente, receitas ligeiramente superiores às despesas, tem um saldo positivo no final do ano de € 10.000,00, mas tem dívidas "consolidadas" na banca no valor de um milhão. Para mim está falido! Ora, este mero e comezinho exemplo parece adaptar-se às contas do Dr. Miguel Albuquerque. Contenta-se com € 10.000,00 de saldo teórico, dorme bem e quem fica a olhar para ontem são os bancos e, no caso em apreço, o actual executivo que herdou uma situação de nítido estrangulamento. A dívida é a dívida e ponto final. Os truques e as engenharias financeiras não escondem os 94 milhões em dívida. Quer ele queira ou não, trata-se de um EMBUSTE dizer que a Câmara deu lucro, pois isso gera uma falsa ideia junto da população. E a prova que está comprometido são as suas declarações marginais a roçar a zona primária da política: "(...) Paulo Cafôfo, cuja obra pública até agora foi trocar o carro preto pelo carro azul, numa tentativa de disfarçar a sua notória incapacidade executiva (...)". Ora a questão é muito mais grave e complexa e não permite fait-divers, conversa de treta e distrações na tentativa de levar a que as pessoas olhem para o acessório e não para o essencial.
Aliás, tudo isto, para mim, não é estranho. Fui Vereador da Câmara durante doze anos e sei tudo quanto deixei escrito em sucessivas actas, no que concerne ao Plano e Orçamento e às Contas de Gerência. Muito escrevi sobre esta matéria de forma inconsequente. Mas deixei escrito. A maioria absoluta do PSD votava e pronto, restava-nos a hipótese de deixar escrito o produto das análises. Os tempos são outros. Perderam a Câmara e estou convencido que os funchalenses não conhecem missa-meia.
Ilustração: Google Imagens.
NOTA
Li, na edição de hoje do DN-Madeira, declarações do Dr. Pedro Calado, ex-vereador do PSD com a responsabilidade das Finanças da Câmara Municipal do Funchal. Fala de "desculpas infantis" e de "desconhecimento da realidade da cidade", face ao anúncio de uma dívida de € 94.000.000,00. Outra coisa não seria de esperar de quem deixou o município atolado em dívidas. Mas diz uma coisa certa: É que "o povo está com os olhos abertos". Eu diria, desde que colocou a milhas quem por lá andou trinta e tal anos.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

MENTIROSOS


Não há outra designação possível: O primeiro-ministro é um mentiroso político compulsivo. Já não me refiro sequer às promessas eleitorais de 2011 e tudo o que ao contrário fez (ouvir montagem de declarações na coluna ao lado), mas ao facto de ainda há pouco mais de uma semana ter dito que, em 2015, não haveria aumento de impostos e zás, aumenta o IVA em 0,25% (passa para 23,25%), a TSU 0,2% sobre os salários brutos dos trabalhadores dos sectores privado e público (passa para 11,2%). E aqui vamos. O primeiro-ministro fala na suavização e até reposição do esbulho que andaram a fazer desde que aceitaram a troika em Portugal, mas vai buscar a diferença pela via do agravamento dos impostos. Não pagamos de uma maneira, pagamos de outra. O que era provisório ou extraordinário passa a definitivo, embora com outras designações. Mas não é só ele que mente. A ministra das Finanças, em 15 de Abril, disse: "as medidas duradouras não implicam sacrifícios adicionais"; Marques Guedes, no mesmo dia sublinhou: "não haverá aumento de impostos". E já antes o mentiroso mor, o que desempenha as funções de primeiro-ministro, enalteceu: "não são medidas que incidam em matéria de impostos, salários ou pensões". Viu-se!



Para ele não há saturação de impostos, um limite há muito ultrapassado, para ele, "aumentar o IVA e a TSU é uma solução amiga da economia". A este propósito, João Vieira Pereira (Expresso) enquadra o problema desta maneira: "1- A actual taxa de IVA já asfixia várias actividades em Portugal. Casos como o da restauração ou da indústria do golfe são apenas dois exemplos. Aumentar mais o IVA, mesmo que seja 0,25 pontos percentuais é uma aberração económica. 2- Numa altura em que o consumo e a confiança dos consumidores já voltaram a crescer, esta subida pode travar esse ímpeto económico e em nada contribuiu para a recuperação da economia. 3-Justificar uma possível subida do IVA com a insustentabilidade do sistema de pensões é uma falsa questão. (...) Não faz sentido que seja o consumo a pagar a sustentabilidade das pensões. O sistema tem de ser sustentável por si só. O que é cobrado através das taxas sobre o rendimento do trabalho tem que ser suficiente para pagar as pensões. (...)" Ainda no Expresso, Bernardo Ferrão complementa: "(...) Falaram-nos no milagre económico, apontaram-nos os sinais de melhoria e alguns arriscaram mesmo declarar o fim da crise mas, afinal, o que temos, se não é mais do mesmo, anda lá perto. Mais IVA, mais TSU, mais impostos. Foi esta a resposta de Passos, Portas e Maria Luís depois dos vários encontros a discutir o famoso DEO onde a "arte e o engenho" dos ministros se resume a mais austeridade. E digo austeridade porque é mesmo disso que se trata mesmo que o spin governamental nos fale de "boas notícias". Os pensionistas continuam a ser taxados e não se vislumbra nesta nova contribuição, substitutiva da CES, um passo firme para a ampla reforma da segurança social, tão necessária, e pedida pelo Constitucional. A ver vamos o que dirão agora os juízes desta solução que na prática é um novo remendo que vem para o lugar do remendo que já lá estava. (...)".
Não sei por quanto tempo a paciência dos portugueses vai suportar esta permanente mentira, este colossal roubo, quando os indicadores testemunham que esta não é a solução. O sentimento que tenho é que estamos num círculo vicioso do qual este governo não sabe como sair. E quando um governo demonstra que não sabe, o melhor é pô-lo na rua. Quanto antes.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

O 1º DE MAIO NÃO É PARA BRINCAR AO LENÇO. É PARA LUTAR CONTRA OS DESMANDOS DE QUEM GOVERNA MAL.


Estamos a viver um período que, no essencial, está muito próximo das lutas que os trabalhadores desencadearam em Chicago, em 1886. Os tempos históricos são diferentes, é certo, mas a essência dos quadros é semelhante. Isto é, os tempos são outros, as dinâmicas sociais diferentes, as almofadas que esbatem o peso do esmagamento estão adaptadas aos tempos modernos, mas que os trabalhadores estão, alegremente, ou quase, encostados à parede, penso não subsistirem grandes dúvidas. Atente-se nas taxas de desemprego, nas facilidades do despedimento, na emigração forçada, nos salários de miséria, nas horas extraordinárias que não são pagas, no banco de horas, no número de horas semanais de trabalho, na estrutura e cadência horária do trabalho que não deixa espaço para a família e para o lazer, na pressão feita sobre as pessoas obrigadas a absurdos planos de objectivos, na precarização dos postos de trabalho, na angústia que invade quem, teoricamente, é efectivo, na penosa carga fiscal, na retirada dos direitos sociais, enfim, o dia de hoje é, sem margem para dúvidas, de LUTA intensa contra um sistema altamente sufocante. 


Hoje é o dia dos trabalhadores. Não é o dia do governo. Embora assim sendo, com uma incomensurável lata, o governo regional da Madeira organiza a "festa", disponibiliza autocarros ao preço da uva mijona para as zonas de potencial convívio, promove umas corridinhas e umas homenagens, tudo com o sentido de desviar as atenções do que realmente é importante. Enquanto estiverem a brincar ao lenço, a comer uma espetada, a tomar uns canecos ao som da música pimba, distraem-se da cruz que carregam no dia-a-dia. Quem assim se porta não tem a mínima noção do sofrimento das pessoas. E o pior disto é que o organizador chama-se Jaime de Freitas, Professor, ex-sindicalista e agora secretário da Educação e dos Recursos Humanos. Segue os passos do seu antecessor Brazão de Castro. Está no livrinho das acções partidárias que lhe compete, pelo que não há que pensar, muito menos inventar. Provavelmente será a última vez que o governo tenta esconder a acção dos sindicatos a quem compete organizar todas as manifestações de luta. Simplesmente porque a MUDANÇA anda aí e o 1º de Maio, Senhor secretário, não é para brincar ao lenço, é para lutar contra os desmandos de quem governa mal. Serve para chamar à atenção, para reivindicar, para dizer em alto e bom som que nos estão a esmagar, que têm de adoptar outras políticas, para afirmar a desproporção entre os deveres que incumbem a quem trabalha, perante a sonegação dos direitos constitucionalmente consagrados. O 1º de Maio não se resolve com um ramo de flores no monumento aos trabalhadores ou com um tiro de partida para uma prova desportiva. A isso chama-se aldrabice, provocação, engano e mentira. O 1º de Maio envolve princípios, valores, respeito pelos outros e sobretudo, para quem governa, um sentimento que se exprime em uma única palavra: humanismo. Significados que demonstram desconhecer e, então, jogam com o folclore, a ignorância como se a vida não fosse mais do que um dia passado fora de casa.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

NOVINHA MAS COM TODA (IN)CULTURA PARTIDÁRIA


A candidata do PSD/CDS às Eleições Europeias de 25 de Maio, começou muito mal esta pré-campanha. Dou de barato a visita a Bruxelas para traduzir uma imagem "que já trabalha", mesmo quando ainda não foi eleita. Isso faz parte do folclore eleitoral e, portanto, tal propaganda, em  termos operacionais futuros, vale zero. Refiro-me a um outro aspecto, muito mais grave, por um lado, pela sua juventude que deveria ser pautada por um espírito aberto e democrático; por outro, os laivos de arrogância que tem vindo a demonstrar. Disse a candidata do PSD/CDS, Cláudia Aguiar: Antes um bom deputado da Madeira do que vários eleitos da Região ao Parlamento Europeu. (...) "Acho que se nós tivermos uma pessoa aplicada, empenhada e sobretudo a puxar sempre pela sua Região, neste caso pela RAM, por ser ultraperiférica e por ter tanta dependência dos fundos europeus, acho que podemos ir por aí (...)". Ir por onde? Pense lá bem no que disse. Na Madeira, existem vários candidatos, obviamente dois deles bem posicionados para garantirem a eleição, e candidata do PSD/CDS ignora todos os outros, coloca-se no pedestal quase dizendo mais vale só que mal acompanhada? Eu diria que se trata de um caso de "presunção e água benta...". Enquanto cidadão, se já estava, agora, estou totalmente esclarecido. Apenas pela avaliação política que faço do que tem sido esta Senhora, enquanto Deputada, na Assembleia da República. Os eleitores que digam se conhecem alguma medida emblemática que tivesse sido proposta e aprovada com repercussões na vida dos madeirenses. Só uma! E já lá vão três anos e tal!


Ainda por cima, diz aquilo quando não sabe se será eleita. Com tantos candidatos de diversos partidos, será que já lhe passou pela cabeça que a candidata do PS, indicada pela Federação da Madeira, Doutora Liliana Rodrigues (8ª) poderá estar mais próxima de ser eleita do que a sexta do PSD/CDS? E digo isto porque a situação não está nada, absolutamente nada, favorável ao PSD/CDS na governação nacional, e o povo, no dia 25 de Maio pode dizer BASTA a esses dois partidos! O que vulgarmente se designa por um cartão vermelho. Para além disso há o ambiente europeu contra as políticas ultraliberais que os partidos da direita têm vindo a seguir. Portanto, manda o bom senso que, politicamente, cada um, no contexto do programa da lista nacional pela qual concorre, se apresente ao eleitorado, respeitando os outros que também são dignos de representar o País.
Poderão alguns dizer que a candidata não estava a se referir a outras figuras, concretamente à candidata do PS. Não me parece, até porque, se ela, Cláudia Aguiar, aceitou a candidatura é para lutar pela  eleição, logo, a ela não deveria estar a referir-se. O mais óbvio é que aquelas palavras se dirigissem à sua concorrente directa. Para além do mau gosto da declaração, que define a pobreza política e democrática da candidata, no Parlamento Europeu, digo eu, quantos mais madeirenses lá estiverem de pleno direito melhor. São mais vozes, multiplicam-se os contactos e, apesar da nossa limitada dimensão, é sempre possível intervir no âmbito das nossas necessidades de região ultraperiférica. Mas, infelizmente, a natureza de algumas pessoas e sobretudo da matriz partidária do PSD acaba por trazer à tona situações que de todo deveriam ser evitadas. Começa mal, muito mal, esta candidata do acaso!
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 29 de abril de 2014

71 COMO SE TIVESSE 19 OU SERÁ O DESEJO DE MAIS 19!


Caso a "regra da unidade" não seja seguida depois das eleições internas do PSD-M, regressarei "como se tivesse 19 anos", afirmou o Dr. Alberto João Jardim a um grupo de jovens. Hilariante. Não sei se se trata de 71 como se tivesse 19 ou um inconfessado desejo de manter-se mais dezanove anos, isto é, até aos 90! Um discurso dirigido aos vários candidatos, ao jeito de portem-se bem, se não o avô cantigas vai castigá-los. Mas um discurso também para os rapazes e raparigas dos vinte e tal anos que o ouviram e começam a ver a sua vida política a andar para trás até aos 40 e tal! A fome de poder é tal que não consegue ver que já ultrapassou o seu tempo político. Que deveria dar outro sentido à sua vida, simplesmente porque ninguém aqui fica para semente. E há tanto para fazer, desde voluntariado nas instituições de solidariedade social até andar por aí, sem rumo, gozando o outono da vida ou, ainda, de passeio em passeio pelas "obras" degradadas e abandonadas...


Qualquer político com algum bom senso sentiria vergonha de dizer coisas daquelas, próprias de um rambo, super-homem, homem-aranha, hércules, tarzan, eu sei lá... Mas ele diz, o que leva à gargalhada e ao seu próprio desprestígio. A ideia que fica, agora mais do que nunca, é que ele gosta que lhe venham comer o milho à mão. Se nunca teve noção do tempo, agora, pior ainda, o tempo esfumou-se portando-se com um jovenzinho à beira do recrutamento para a tropa (19 anos). Eu diria mais, que há jovens pós-adolescentes com mais juízo. 
Por tudo isto, 2015 será um ano importante para a Madeira. Já aqui o disse e mantenho, provavelmente a Madeira terá eleições legislativas antecipadas. Tudo agora parece mais claro, isto é, ele não aguentará governar não sendo líder do partido. E como a ressaca das eleições internas será naturalmente explosiva, o avozinho regressará(?) para ditar a sua lei, juntando em seu redor quem muito lhe deve e toda a "brigada do reumático". E tentará, de novo, mais 19 anos, até não poder mais, vergado pelo peso dos anos. O insólito aviso foi feito à navegação. Pode não ser como, especulativamente, aqui desenvolvo, mas que a sua cabeça não está preparada para sair de cena, lá isso não está! Entretanto, partidos da oposição, a hora é de MUDANÇA. Conjuguem esforços, unam o essencial com qualidade e deixem-se de politiquices. O povo espera e desespera pela unidade para acabar com esta teia liderada por alguns "neros" dos nossos tempos.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

A MENTIRA DA CANDIDATA DO PSD/CDS


O cartaz do PSD às eleições europeias (Madeira) é muito significativo. Por dois motivos: primeiro, pelo slogan: "Uma Nova Europa - a das pessoas e não do capital". A lata é tanta que os mesmos que fazem parte do grupo maioritário europeu que defende as lógicas do capital e que tem vindo a esmagar os povos, são aqueles que se apresentam contra o capital. Ao mesmo tempo que, politicamente, é interessante, é repugnante porque traduz a colossal mentira em que assenta a candidatura. Mas existe um segundo ponto, subtil, mas que o cartaz de candidatura enaltece: fazem parte de uma coligação nacional que junta o PSD e o CDS, mas aqui ignoram o símbolo do CDS. Hipocrisia levada ao extremo. 


É por estas e por muitas outras que os cidadãos se afastam da política. Porque descobrem os sinais que conduzem ao engano e à aldrabice. Estão na coligação e não estão. Estão por interesse, mas na primeira curva, porque não lhes interessa conotações locais, querem transmitir um sinal de independência e de uma força que não têm. Espero que o povo descubra esses sinais, que descubra que foi esta direita retrógrada, favorecedora de uma Europa desequilibrada, que rompeu com os laços da solidariedade, da fraternidade e da irmandade entre as nações, que transformou a economia num casino a céu aberto, que gerou gritante pobreza e desemprego ao lado do crescimento de milionários, espero, dizia, que o povo, no dia 25 de Maio, nas urnas, saiba castigá-los pelas acções e pelas omissões. Do meu ponto de vista, a Europa precisa de um novo rumo, precisa de uma esquerda solidária que inverta as políticas, coloque travão, custe o que custar e doa a quem doer, nesta onda especulativa ultraliberal a que o PSD/CDS estão vinculados e com bastas culpas pelo percurso que tomaram. 
Vir agora sublinhar e enaltecer uma Europa pelas pessoas e não pela capital só tem uma palavra caracterizadora: HIPOCRISIA, sobretudo quando aquelas palavras são ditas por quem está atolado de porcaria até ao pescoço.
Ilustração: Google Imagens.       

domingo, 27 de abril de 2014

SOCIEDADES DE ENDIVIDAMENTO E OS POBRES


Através do blogue fenixdoatlantico tomei conhecimento dos salários do Conselho de Administração das Sociedades  de Desenvolvimento. Vale a pena ir ao blogue assinado por Luís Calisto e verificar toda a história que se encontra publicada no Jornal Oficial da Região. O presidente aufere € 11.157,00 (base), mais € 2.910,00 despesas de representação, mais € 1.617,00 de subsídios de férias e de Natal, mais € 1,06, por dia, de subsídio de refeição. Os dois vogais, dada um, € 9.702,00, mais € 2.910,00 de despesas de representação, mais € 1.617,00 de subsídio de Natal e de férias, mais € 1,06 de subsídio de refeição. 


Não discuto o valor das pessoas envolvidas e se aqueles são ou não um valor ajustado. Não entro por aí, porque nunca fiz nem faço contas à vida dos outros. Mas não sou cego. O que sei é que as sociedades estão FALIDAS e somos todos nós que estamos a pagar aqueles salários que saem fora da média. O que sei é que há fome, desemprego e famílias desesperadas. O que sei é que os trabalhadores da função pública têm as suas carreiras congeladas, que são convidados a deixarem os seus postos de trabalho a troco de uma miserável compensação. E sei, também, que os reformados e pensionistas são espoliados todos os meses até ao tutano. O que sei é que aqueles são salários superiores ao de Presidente da República e de toda a hierarquia principal do Estado. 
No mesmo dia que tomei conhecimento desta história, acompanhei uma peça  na RTP-Madeira onde foi dito que 50% dos titulares de fogos de habitação social solicitaram revisão das rendas sociais, nos blocos da responsabilidade da Investimentos Habitacionais da Madeira. Isto é, metade dos inquilinos olharam para a folha de salário, de pensão ou de subsídio de desemprego e concluíram que não podem cumprir os seus deveres. É isto que eu sei. Cada um que retire as suas conclusões.
Ilustração: Google Imagens.

RESERVA MUNDIAL DE SURF


Reserva Mundial de Surf. É difícil, obviamente, mas é possível. O que é ridículo é o facto dos mesmos que perseguiram a modalidade desportiva, que se colocaram bem longe daqueles que consideravam ser turistas de "pata rapada", que fizeram obras abusivas ao longo da costa prejudicando, segundo os especialistas, as necessárias ondas, os mesmos que (des)governam venham agora assumir que vão desencadear os trabalhos necessários no sentido de garantir que a Madeira fique enquadrada em um dos roteiros mundiais de surf. Pessoa amiga que ouvia a notícia, com declarações do secretário Manuel António, de imediato exclamou: "vai mas é dar banho ao cão". 


De facto, já não há pachorra face a tanto desnorte e incoerência. Depois de todos os avisos, de tanto que foi escrito, inclusive, em revistas internacionais, teimosamente, a necessidade de venda de cimento rebentou com uma potencial fonte de riqueza e, agora, toca a desfazer e a tentar recompor os erros cometidos. Atenção, para que não chova crítícas, Manuel António adiantou que será a custo baratinho!
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sábado, 26 de abril de 2014

ASSEMBLEIA CONTRA O POVO


Ontem, a Assembleia Legislativa da Madeira agrediu o povo ao permitir que um estranho ao primeiro órgão de governo próprio tivesse substituído a voz dos deputados eleitos. A atitude significou um ataque à Autonomia por parte de quem, no plano das palavras, diz defendê-la. O Professor Viriato Soromenho-Marques aceitou o convite para, qual paradoxo, leccionar ao “povo superior”. Esqueceu-se que o 25 de Abril não é deste nem daquele partido. É de todos e na Assembleia estão representados. Esqueceu-se que há momentos para palestras e momentos eminentemente políticos. Esqueceu-se que viria legitimar a vergonha, a ausência de princípios e de valores democráticos e ajudar a esconder a verdade da Madeira em múltiplos patamares de natureza política. Ao aceitar passou uma esponja sobre um passado negro de contradições, abusos, aviltamentos, insultos e violações democráticas. 


O palestrante não teve em consideração que, por estratégia do Senhorio, manifestamente contra o debate político, quase duas centenas de projectos jazem na Assembleia; que até os votos de pesar ou são negados ou emendados; que, ainda há dias, um Deputado da oposição (não foi a primeira vez) foi arrastado pelos funcionários da Assembleia; que o Presidente do Governo não presta contas em regular debate com os deputados; que existe um Jornal da Madeira, para propaganda do poder, pago pelos impostos dos madeirenses e que viola as regras do mercado; esqueceu-se dos atentados ambientais aqui produzidos, tendo ele sido presidente da QUERCUS. O conferencista ignorou que, por falta de fiscalização séria da Assembleia, não foram reportados mais de mil milhões de facturas e que os madeirenses e portosantenses carregam uma dupla austeridade devido a uma dívida que ultrapassa os seis mil milhões de euros, que torna a Região cada vez mais pobre, dependente e assimétrica. Enfim, continhas de um extenso rol de quase quarenta anos de governação absoluta que o douto Soromenho-Marques legitimou com a sua presença.
Finalmente, Viriato não percebeu que só existe uma justificação para o convite: o medo, naquela que sendo uma data de vital importância para os madeirenses, as diversas intervenções colocassem a nu, mais uma vez, as debilidades da governação no quadro da construção do futuro. Ontem, o intermitente e capturado 25 de Abril voltou a não ser comemorado no primeiro órgão de governo próprio. E Abril é do Povo, não dos novos colonos!
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sexta-feira, 25 de abril de 2014

GENTE QUE DETESTA ABRIL, MAS QUE PROSPEROU COM ABRIL


Disse o Presidente da República: "É difícil compreender que agentes políticos responsáveis não consigam alcançar entendimentos". Ora, Cavaco Silva ainda não percebeu, no mínimo, três coisas essenciais: primeiro, a democracia representativa assenta, exactamente, na possibilidade de divergência de opinião e, portanto, não faz sentido insistir no consenso, naquilo onde se sabe existirem caminhos políticos diferentes e alternativos; segundo, que é um político que parece alheio à teia promíscua internacional que varre o Mundo, onde a política de casino esmaga povos, gera pobreza, desemprego e desesperança; terceiro, que é Presidente de todos os portugueses e, neste quadro, deve deixar à porta as suas convicções ideológicas ultraliberais e guiar-se pelos sinais sensatos vindos da rua. 


Cavaco deveria perguntar a António José Seguro, líder da oposição, que razões o levam a dizer que: a “democracia, o Estado Social, a matriz do ideal europeu, estão hoje ameaçados” por governantes que “não assumem as suas verdadeiras intenções” e por “um pensamento que se pretende único”.
É, claramente, um Presidente que não simpatiza com esta data histórica. Aliás, circula na NET a sua ficha de inscrição na PIDE/DGS. Para ele, o símbolo "cravo" não tem qualquer significado. E se não tem, obviamente, os princípios e os valores que emanaram da Revolução, não fazem sentido. Neste contexto, interessante não deixa de ser o "cravo" na lapela de Passos Coelho. Das duas, uma: ou não percebeu o que significa, ou, então, quer provocar-nos. Enquadro-o na segunda hipótese. São tantas as maldades feitas ao povo, tantos os roubos que o seu governo tem feito, tanta a supressão dos direitos sociais que só pode estar a gozar connosco e a querer parecer aquilo que não é. A lata é tanta que até disse que a "democracia e a liberdade têm de ser regadas todos os dias". Estou cada vez mais farto desta gentalha política hipócrita que detesta Abril, mas prosperou com Abril.
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SÓ HÁ LIBERDADE A SÉRIO QUANDO HOUVER... PAZ, PÃO, HABITAÇÃO, SAÚDE, EDUCAÇÃO...

quinta-feira, 24 de abril de 2014

A AFIRMAÇÃO DE UMA ALTERNATIVA CREDÍVEL

A NECESSIDADE DE CANTAR ABRIL



Que regressem as canções de intervenção política. Há, hoje, uma necessidade de voltar a contrariar o banditismo político internacional que a todos nos faz escravos. Por razões diversas importa fazer acordar o povo face aos mecanismos de agressão. Simplesmente porque a pobreza não é uma fatalidade. 

ECONOMISTA QUE SÓ SABE DE ECONOMIA... NEM DE ECONOMIA SABE!


Lamentavelmente, uma vez mais, ficou claro que não temos Presidente da República. Em Belém temos um faz-de-conta envolvido em uma capa irritante aos olhos e à palavra. Confesso que não o suporto e questiono-me como foi possível o povo deixar-se enganar, pela segunda vez, elegendo-o para a mais alta função do Estado? As suas últimas declarações em Oliveira de Azeméis mereceram o repúdio da generalidade dos jornalistas e comentadores. Dois aspectos ressaltaram: por um lado, a assunção, embora não verbalizada, que não é político sendo, paradoxalmente, a sua função POLÍTICA; segundo, a sua leitura enviesada e menor da ECONOMIA. Parafraseando o médico e Professor Abel Salazar, patrono do Instituto de Ciências Biomédicas, "Economista que só sabe de Economia nem de Economia sabe". O Professor falou para os médicos, eu reporto-me ao economista Cavaco Silva. Mas a melhor caracterização é aquela que o Professor Carlos Paz elaborou no seu blogue e que merece ser (re)lida (aqui). Cavaco é o homem que um dia disse: "eu nunca me engano e raramente tenho dúvidas".


O Presidente fala de acordo com a oportunidade e sempre em defesa própria. É um político timex, nem adianta nem atrasa. Por isso, as suas declarações, são de mau gosto quando fala que Portugal dispensa "as intrigas, as agressividades, as crispações, os insultos entre agentes políticos, que promovem o crescimento económico" quando está em causa "a criação de emprego e a conquista de novos mercados". Ele não percebe que ao defender-se do baixo índice de popularidade que desfruta, a culpa é única e exclusivamente dele. E desde há muito tempo. "Não há nenhuma comparação entre as dificuldades de hoje e as facilidades que Cavaco encontrou nos seus dez anos de governação e que desperdiçou lamentavelmente", disse Miguel Sousa Tavares/Expresso. Concordo. Se, nos dez anos que liderou o governo, tivesse arquitectado e lançado um Portugal com futuro, hoje, teríamos uma situação completamente diferente. Mas essas são outras contas.
Cavaco é, notoriamente, um político sem visão, no desempenho político é estruturalmente fraco e, no plano das relações inter políticos é uma pessoa de maus fígados. Tenho presente o seu discurso na noite eleitoral e que mereceu o seguinte texto de Henrique Sousa: "Um discurso ressabiado e vingativo, coisa nunca vista em noite eleitoral, a ajustar contas com todos os outros cinco candidatos, acusados de terem descido como nunca à “vil baixeza” de uma campanha feita de “ataques” e “calúnias” à sua pessoa – ele, o candidato da “dignidade” que venceu -, e desafiando a comunicação social a revelar os que estariam por detrás da montagem dessa operação de calúnias. Nem sequer esqueceu a demagogia barata, já usada na campanha, de se afirmar como o primeiro candidato a vencer umas eleições sem usar cartazes. Mas claro que se “esqueceu” de explicar aos portugueses por que foi a sua campanha a mais cara, comparativamente com as dos restantes candidatos. Ou seja, Cavaco Silva atirou a pedra e mostrou a mão quando os outros candidatos já não se podiam sequer defender, feitos os discursos finais para as televisões e encerrados os seus “tempos de antena”. Isto depois de ter passado toda a campanha a recusar esclarecer como devia, por razões reforçadas sendo candidato a um cargo político unipessoal, os factosindiciadores das suas ligações perigosas. Que diferença da dignidade manifestada no discurso de Manuel Alegre em que este assumiu a sua derrota política, mas também com clareza o seu compromisso combatente pelo Estado Social!"
Cavaco é assim, politicamente oco, ideologicamente situado numa direita desrespeitadora dos valores sociais, que tem um discurso de frases ou conceitos feitos e muitas vezes contraditórios, que tenta apanhar a onda, mas, sobretudo, distante de uma necessária independência que se exige a um Presidente da República. Às vezes mais parece um membro do governo. Dou razão a Mário Soares quando afirmou: "(...) A Constituição manda que o Presidente aceite a Constituição, respeite a Constituição e faça o que deve. Ora, não é o que está a acontecer" (...) "Naturalmente eu acho que o Presidente da República devia demitir-se porque está numa situação impossível". Enfim, que 2016 fosse já amanhã.
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quarta-feira, 23 de abril de 2014

MAIS IMPORTANTE QUE OS SEIS MESES PASSADOS, SÃO OS PRÓXIMOS SEIS MESES!


Sobre aquilo que se conhece julgo que pouco há a dizer do presidente do governo da Madeira. Do que não se conhece, aí sim, certamente que a História revelará muita coisa. Politicamente, é sensível que existem muitas sombras na governação, muitos dossiês por esclarecer, muita teia por desvendar. Talvez, presumo, o processo "Cuba Livre" em investigação, cujas conclusões demoram, venha a levantar um pouco a ponta do véu. É que isto pode se tornar num saco de cerejas! Não sei, só o tempo e a paciência é que conduzirão a um ponto de compreensão sobre os contornos do exercício da política desta gente. Talvez, por isso mesmo, ainda ontem, este homem que já ultrapassou os setenta anos e trinta e seis de poder absoluto, ignorando a falência que gerou, pediu que o seu sucessor "siga a mesma filosofia" política. Pergunta-se, com que intenção? Por teimosia? Por uma questão meramente partidária? Ou existe, para além do que transparece, muita história mal contada, arrumada em armários confidenciais? Não sei. Normal é que não me parece.

Entre o conhecido

e o desconhecido há peças
que precisam de ser desvendadas.

Perdeu as eleições autárquicas porque o povo se fartou. Tal facto não constituiu um sinal de alerta, antes levou a colocar-se numa posição de estúpido ataque. Seis meses depois das diversas tomadas de posse, ontem teve o desplante de dizer que o "povo está perante um grande embuste" (...) pois "essa gente disse que iria mudar, não mudou coisa nenhuma, deixou tudo na mesma. Não fez nada e ainda crítica quem fez". Como se fosse possível, em seis meses, com milhões em dívida, vivendo de aparências e não da realidade, mudar estruturalmente aquilo que provou estar errado. Permanentes ataques desta natureza não são normais. A História encarregar-se-á de revelar as sombras de tudo o que se encontra para além do cenário construído.
Obviamente que estas últimas posições do presidente do governo regional, centradas na política autárquica, têm muito a ver com o processo em curso, genericamente, do agrado das populações. Elas sabem ou começam a perceber, o estado financeiro lastimável que os autarcas eleitos foram encontrar. E antes que se acomodem à ideia que não existem insubstituíveis, toca a "vomitar" palavras centradas na lógica que "a melhor defesa é o ataque". Ou estou enganado ou, não se sabendo missa-meia, os próximos seis meses serão esclarecedores. Teremos eleições europeias, eleições no interior do PSD, resultado das auditorias mandadas fazer por vários autarcas, a possibilidade de uma coligação alargada na Madeira e até a possibilidade de eleições antecipadas na Região, pois não estou a ver Jardim continuar à frente do governo com uma outra figura ao leme  do partido. Aguardemos.
Ilustração: Google Imagens.  

terça-feira, 22 de abril de 2014

AQUI ESTÁ A SAÍDA SUJA EXIGIDA PELA TROIKA



Trata-se de uma saída muito suja, porque se baseia em reduzir salários, facilitar despedimentos, chegar a acordo na disciplina orçamental, passos (passos!) que o FMI quer ver para uma saída bem sucedida da troika; Aguiar-Branco e Portas falam em "saída limpa".

GOVERNO REGIONAL DA MADEIRA EM DESESPERO


ALBERTO JOÃO JARDIM
ESTRANHA QUE A POPULAÇÃO
"NÃO PEÇA CONTAS A QUEM AS ENGANOU"



Discursa como se todos os que estão à sua frente fossem uns tontos, uns incapazes, uns desmiolados incapazes de perceberem o seu jogo. Há quase quarenta anos que é assim. Um homem a vender a sua verdade, enfim, um político que todos os dias distorce a realidade no sentido de se manter no poder. Só que há muitos milhares que já compreenderam a espécie de político que ele é. Já entenderam que tentou, e de certa forma conseguiu, moldar o povo de acordo com os seus interesses políticos. Só que todos os ciclos têm um fim e este resvala para um "estampanço" final. Ontem, depois de uma monumental derrota autárquica, teve a lata de dizer que estranha que a população "não peça contas a quem as enganou". Digo eu, mas vai pedir, tenha o presidente do governo a certeza! 
Já pediu em sete câmaras municipais e vai pedir contas pelos € 6.300.000.000,00 de dívidas fruto de uma governação tresloucada. Vai pedir contas pela taxa de desemprego, pela gritante pobreza e pela austeridade em dose dupla. As populações dos sete concelhos que mudaram o sentido de voto não estão piores, apesar de continuarem a encontrar BURACOS. Em S. Vicente apareceram, segundo li no DN, € 3.500.000,00. Na Câmara do Funchal, uma autarquia, disseram, com resultados positivos, descobriram que, afinal, a dívida ronda mais de € 90.000.000,00. E aqui vamos. Portanto, as pessoas sabem quem as enganou e em 2015 vai pedir continhas.
Deixo aqui a frase de Abraham Lincoln: “Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo, mas não se pode enganar a todos todo o tempo...”. Ele sabe que é assim, mas, como sempre, tenta jogar para os outros as suas responsabilidades políticas.

JOÃO CUNHA E SILVA
SE UM DIZ MATA, O OUTRO MANDA ESFOLAR!


O ainda presidente falou da maneira que referi, mas o seu vice não ficou atrás. Sobre a política desportiva regional assumiu: "É preciso rever no futuro da política desportiva não para mudá-la mas sim melhorá-la em termos funcionais e organizacionais (...)". Ora, sabendo-se que a política desportiva foi um desastre facilmente explicável através dos níveis da dívida contraída, da baixíssima taxa de participação desportiva escolar, da baixíssima taxa de participação em actividades físicas e desportivas entre os 15 e os 65 anos, aferida por estudos europeus, o vice-presidente o que tem a dizer é que "(...) é preciso rever no futuro a política desportiva não para mudá-la mas sim melhorá-la em termos funcionais e organizacionais. Isto é, uns pequenos acertos marginais e pronto, tal como o slogan do "chefe"... "prà frente sempre".
Queira o vice desta desgraça regional saber que a política desportiva tem de ser revista de uma ponta à outra. Manter o que sempre esteve errado significa completo desconhecimento do que deve ser uma política desde a educação desportiva ao alto rendimento, para mais ainda, em uma terra assimétrica, pobre e dependente. Mas sobre esta matéria abstenho-me de mais comentários, tantos foram os alertas, durante anos, feitos por mim e por tantos que disseram que este não era o rumo certo. Apenas lamento que o vice, uma cópia política do "chefe" tivesse mandado o recado aos dirigentes desportivos de uma maneira que não fica bem: "(...) fica o sublinhado que é um contra-senso todos os presidentes de clubes criticarem o Governo apesar de receberem apoios". O vice deveria saber que quando o governo assina um contrato-programa, existem obrigações de ambos os lados, pelo que os prazos devem ser respeitados. E neste aspecto há gente à espera há dois, três e quatro anos pelo cumprimento da parte respeitante ao governo. Antes deveria pedir desculpa aos dirigentes.
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segunda-feira, 21 de abril de 2014

A REDE GLOBAL DE CONTROLO FINANCEIRO


Karen Hudes, demitida do Banco Mundial por ter revelado informações sobre a corrupção na instituição e domínio dos media pela Elite Financeira mundial, explicou com detalhes os mecanismos bancários para dominar o nosso planeta.


Karen Hudes, graduada pela escola de Direito de Yale, trabalhou no departamento jurídico do Banco Mundial durante 20 anos. Na qualidade de 'assessora jurídica superior', teve suficiente informação para obter uma visão global de como a elite domina o mundo. De acordo com a especialista, citada pelo portal Exposing The Realities, a elite usa um núcleo hermético de instituições financeiras e de gigantes corporações para dominar o planeta. Citando um explosivo estudo suíço de 2011, publicado na revista 'Plos One' a respeito da "rede global de controlo corporativo", Hudes enfatizou que um pequeno grupo de entidades, na sua maioria instituições financeiras e bancos centrais, exerce uma enorme influência sobre a economia internacional nos bastidores. "O que realmente está a acontecer é que os recursos do mundo estão a ser dominados por esse grupo", explicou a especialista com 20 anos de trabalho no Banco Mundial, e acrescentou que os "capturadores corruptos do poder" também conseguiram dominar os meios de comunicação social. "Isso é-lhes permitido", assegurou. O estudo suíço que mencionou Hudes foi realizado por uma equipa do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Zurique. Os pesquisadores estudaram as relações entre 37 milhões de empresas e investidores de todo o mundo e descobriram que existe uma "super-entidade" de 147 megacorporações muito unidas e que controlam 40% de toda a economia mundial.
Contudo, as elites globais não controlam apenas essas megacorporações. Segundo Hudes, também dominam as organizações não eleitas e que não prestam contas, mas, sim, controlam as finanças de quase todas as nações do planeta. São o Banco Mundial, o FMI e os bancos centrais, como a Reserva Federal Norte Americana, que controla toda a emissão de dinheiro e a sua circulação internacional. 
A cúpula desse sistema é o Banco de Pagamentos Internacionais: o banco central dos bancos centrais. "Uma organização internacional imensamente poderosa da qual a maioria nem sequer ouviu falar controla secretamente a emissão de dinheiro do mundo inteiro. É o chamado Banco de Pagamentos Internacionais [Bank for International Settlements]. Trata-se do banco central dos bancos centrais, localizado na Basileia, Suíça, mas que possui sucursais em Hong Kong e na Cidade do México. É essencialmente um banco central do mundo não eleito, que tem completa imunidade em matéria de impostos e leis internacionais (...). Hoje, 58 bancos centrais a nível mundial pertencem ao Banco de Pagamentos Internacionais, e tem, em muito, mais poder na economia dos Estados Unidos (ou na economia de qualquer outro país) que qualquer político. A cada dois meses, os banqueiros centrais reúnem-se na Basileia para outra 'Cimeira de Economia Mundial'. Durante essas reuniões, são tomadas decisões que atingem todos os homens, mulheres ecrianças do planeta, e nenhum de nós tem voz naquilo que se decide. O Banco de Pagamentos Internacionais é uma organização que foi fundada pela elite mundial, que opera em benefício da mesma, e cujo fim é ser uma das pedras angulares do vindouro sistema financeiro global unificado". Segundo Hudes, a ferramenta principal de escravizar as nações e Governos inteiros é a dívida. "Querem que sejamos todos escravos da dívida, querem ver todos os nossos Governos escravos da dívida, e querem que todos os nossos políticos sejam adictos das gigantes contribuições financeiras que eles canalizam nas suas campanhas. Como a elite também é dona de todos os principais meios de informação, esses meios de comunicação social nunca revelarão o segredo de que há algo fundamentalmente errado na maneira como funciona o nosso sistema", afirmou.
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domingo, 20 de abril de 2014

A TODOS OS QUE POR AQUI PASSAREM... BOA PÁSCOA.



Não gostaria que estas fossem palavras de circunstância. Desejaria que a palavra Páscoa fosse sinónima de celebração da vida, do amor, da tolerância, da solidariedade, da partilha e da libertação em sentido amplo. Infelizmente, esta quadra fica marcada, uma vez mais, por um conjunto de sinais que não possibilitam a plena concretização dos desejos que aqui deixo. Mas não deixa de constituir um tempo de reflexão para todos nós, na responsabilidade colectiva que temos em darmos sentido à vida, ultrapassando tudo aquilo que impede a concretização dos valores maiores transmitidos por Cristo.

sábado, 19 de abril de 2014

A RAZÃO E A LUCIDEZ DO DEPUTADO CARLOS PEREIRA


Apoio sem quaisquer reticências o essencial da posição do Deputado Dr. Carlos Pereira (PS) cujas declarações acabo de ler na edição de hoje do DN-Madeira. Ele está certo quando salienta a necessidade de criação "de um núcleo de trabalho, para dar início a contactos inter-partidários, de modo a retirar todos os obstáculos ainda existentes e assim determinar a definição de uma agenda, com um calendário específico". E complementou ao sublinhar que está na hora da oposição unir esforços para banir, de uma vez por todas, a "gestão caótica, irresponsável e comprometedora para o futuro, realizada nos últimos 12 anos" (...) "O momento não é para ficarmos à espera que o PSD-M dê cabo do que resta de esperança dos cidadãos" (...) "é altura de apressar a saída do PSD-M da gestão dos destinos da Madeira" (...) "que a luta seja intensificada e que o espaço político não seja preenchido por aqueles que sempre disseram que este era o caminho". (...) "Está na hora de construir uma solução a partir da oposição na Madeira" (...) “Os madeirenses precisam de se rever numa alternativa limpa" (...) "com todos aqueles que defendem e sempre defenderam um caminho diferente com olhos colocados nas pessoas" (...) "É o momento certo para começar a limar arestas entre os partidos da oposição", e, neste aspecto "o PS-M deve dar esse passo, tem essa responsabilidade". E assumiu: "Nada pode impedir a construção desta solução, sejam interesses pessoais, sejam de ordem táctica seja partidários". Carlos Pereira não esconde as diferenças entre partidos, mas acredita que "não existem barreiras inultrapassáveis" (...) "Pelo que conheço do trabalho parlamentar as propostas de mudança da oposição estão todas na mesma linha de actuação e há uma espécie de acordo tácito com o essencial, com o que é relevante". Por isso, "ninguém deve ficar de fora".


Os dados estão lançados a partir desta proposta vinda de um membro da direcção do Partido Socialista e líder do grupo parlamentar. Gostei do que li, sobretudo porque estas declarações, no essencial, enquadram-se no que aqui escrevi a 05 de Novembro de 2013. O texto que publiquei sublinhava: "Ninguém poderá esquecer-se que, politicamente, Jardim está morto, mas o jardinismo ainda mexe e de que maneira! É verdade que o polvo estrebucha porque foi ferido com um potente arpão (autárquicas), pode perder vários braços e muitos tentáculos, todavia, há que ter em atenção que continua a largar muita "tinta". Daí todo o cuidado ser pouco. A confusão, os tiros de partida em falso, a ambição que não tenha em conta todas as variáveis, a marcação do terreno que coloque em estado de choque todos os parceiros, pode, entre outros aspectos, tornar-se numa arma de autodestruição. Depois de 43 anos de Abril e 41 após as primeiras legislativas regionais, 2015 poderá ser o ano de uma certa consolidação da democracia, se em conta tivermos que todo este tempo foi de mil e um enganos. Por isso mesmo, estamos a pagar uma dupla e severa austeridade. Entendo que nenhum partido político da oposição deve excluir-se do objectivo central que é o de mudar o governo da Região. Os egoísmos, as atitudes bizarras e incompreensíveis, aliás como aconteceram nas últimas autárquicas, devem ser postas de lado em função de um objectivo maior. E esse desiderato é o de colocar o jardinismo a léguas da responsabilidade governativa. Chega. Portanto, qualquer situação que não parta do pressuposto que a vitória só é possível através da bipolarização e não da fragmentação de candidaturas, penso que, à partida, estará condenada. O jardinismo é muito maior que Jardim. A teia de interesses e a vulnerabilidade cultural pode acabar com o sonho. Significa isto que, primeiro, há que consolidar a democracia e a consequente alternância, para depois, cada partido, no tempo certo, propor e impor-se com projectos próprios. Não seguir este caminho pode significar a entrega de bandeja do poder aos mesmos de sempre".
As eleições legislativas regionais são ali ao virar da esquina. A oposição tem de se juntar, com bom senso e respeito pelos eleitores, tem de fazer um esforço para definir um programa, encontrar uma equipa e um candidato a presidente do governo. Isso é possível e desejável. Constituirá um erro histórico os madeirenses e portosantenses não aproveitarem esta oportunidade, na esteira do que sublinhou o Deputado Carlos Pereira: "temos de impedir que a Região mantenha "os protagonistas do passado, de cara lavada, a ditar as linhas mestras da governação para a Madeira" (...) "Esses candidatos não têm a credibilidade para construir uma alternativa limpa" (...) eles andam por aí em "uma manifesta e desesperada tentativa de salvar o poder, os lugares e os negócios públicos orientados para uma elite oportunista". Tão óbvio, quando, sempre foi para o PS o slogan : "PRIMEIRO AS PESSOAS".
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sexta-feira, 18 de abril de 2014

"UMA IGREJA MAIS CRISTÃ E MENOS CATÓLICA"



Estou certo que este não é o dia mais adequado face à solenidade Pascal, mas porque sou cristão não consigo ceder aos meus princípios. Simplesmente porque li o que o chefe da Igreja madeirense referiu na homilia de ontem: "(...) Caros sacerdotes, é necessário e urgente escutar o espírito de Deus que nos ungiu e consagrou para a missão. Ele suscita em nós um desejo sincero de renovação e maior atenção à realidade humana e social do tempo presente" (...) "Queria pedir uma atenção particular à presente conjuntura económica e social na descoberta das carências, necessidades e problemas do povo que vos está confiado. Nesse sentido, seria bom que, juntos, pudéssemos descobrir novos projectos e dar novo vigor àqueles que já existem e às vezes não são suficientemente valorizados". Tiro fora do alvo. Ainda mais, Senhor Bispo? Não fossem as instituições particulares de solidariedade social onde associo o notável trabalho de muitos párocos, que reúnem à sua volta centenas de pessoas que ajudam na solução dos problemas das famílias e teríamos uma catástrofe social. Ao invés, o grande recado não deveria ser para a generalidade dos senhores Padres, mas para um governo regional que não tem em atenção o que se está a passar na comunidade. O tiro do Senhor Bispo foi, repito, para fora do alvo. Ao não querer ser político acabou por sê-lo ao branquear a acção governativa. De resto, não é a primeira vez. A questão da pobreza e dos excluídos, obviamente que o Senhor Bispo sabe, não se resolve com atitudes de caridade, mas indo ao centro do problema e incentivando os poderes criados a terem em atenção as gravíssimas assimetrias sociais. É aí que se encontra o centro do alvo, doa a quem  doer!


A política visa isso mesmo. Não me levem a mal, porque não vou ser politicamente correcto, mas olho para o Papa Francisco e vejo o futuro, alguma esperança; olho para o Bispo Carrilho e vejo nele o passado. Mesmo que tente as peugadas de Francisco, com algumas citações, não chega lá. Eu compreendo a dificuldade. Há muita pedra no sapato, entre outras, três que são públicas e notórias: o Jornal da Madeira, que retira cerca de € 11.000,00 por dia que poderiam ser de apoio aos marginalizados; os défices de várias comissões fabriqueiras que edificaram um excessivo número de templos face ao quadro social em que vivemos; finalmente, a suspensão a divinis, assunto claramente político, que envolve o Padre Martins Junior e que não há maneira de ser resolvido. Nem o julga em Tribunal Eclesiástico nem o reintegra. Está ali, em lume brando, talvez à espera que Jardim saia do poder. São assuntos que impõem enervantes silêncios. Um Bispo deve, na minha opinião, assumir-se pela Palavra e ter essa capacidade de colocar os poderes políticos em sentido. Mas compreendo que assim não seja. Houve alguém que disse que teve sempre os Bispos que interessavam à Madeira. Pois, tal como o "omo", mais branco não há! 
Já tem uns anos, cruzei-me e mantive um diálogo com um Bispo que considero notável. Um Homem que teve o condão de mexer comigo, pelas sábias palavras e conceitos que me transmitiu. Simples, afável, directo, com um sentimento da importância da Igreja no contraponto com o poder político, disse-me, com palavras sem rodeios, aquilo que dizia no púlpito. A páginas tantas foi muito claro quando, olhando-me nos olhos, me disse que os madeirenses e portosantenses precisavam de "um bispo de cultura". Eu percebi a palavra cultura, no contexto em que falávamos, muito para além do significado da palavra. Entendi-a como a capacidade de alguém, que não dependendo de ninguém, sabe cruzar todos os dados, sabe elaborar sínteses e dizer em alto e bom som as fragilidades de que a sociedade padece. Mais tarde, telefonei-lhe no sentido de convidá-lo para um debate. Falámos de questões sociais, da Missão da Igreja, da importância desse encontro para ouvir e participar nos desencontros. Ficou de acertar a data em função da sua disponibilidade. Não chegou a realizar-se, mas tive pena. Nós precisamos disto, de uma "Igreja mais cristã e menos católica", frontal e envolvente, na esteira do que me disse um Padre desta Região, a quem me ligam laços de respeito,  consideração e Amizade, ele também apostado na solidariedade e na Palavra e que não precisa, como tantos outros, de ouvir recados de  apelo à caridade. Ademais, o povo não precisa de lengalengas que a nada conduzem, porque o disco está velho demais para um tempo que precisa de gente que não bata no peito ao Domingo e infernize a vida das pessoas ao longo da semana.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

AS PROMOÇÕES NAS FORÇAS ARMADAS EVIDENCIAM MEDO


Mais de quatro mil militares dos três ramos das forças armadas vão ser promovidos. Segundo o ministro da Defesa, as promoções são uma "condição fundamental da cadeia de comando e especificidade que justifica a diferença de tratamento" dos militares, face a outros servidores do Estado. O assunto vinha a ser trabalhado há já algum tempo, mas não deixa de ser curioso o facto desta situação ser concretizada a poucos dias das comemorações dos 40 anos de Abril. Coincidência? Não. Trata-se de um facto politicamente óbvio e relevante, se tivermos em consideração o crescente mal-estar nas Forças Armadas, com sucessivas reuniões das associações representativas e, ainda, as declarações do General Garcia Leandro que manifestou, numa entrevista à Antena 1: (...) a inquietação pelo estado de espirito dos militares. É a desesperança, classificou. Na origem do descontentamento no seio das Forças Armadas, referiu questões como a saúde da família militar e as horas extraordinárias. "Os militares sentem que não se lhes dá a devida importância". E disse mais, referindo-se ao governo: "(...) "Caiu-lhes ao colo o Estado, que não conhecem". (...) "Se fosse ministro da Justiça era mais fácil (…) mas ao mesmo tempo é muito bom, porque eu não percebendo nada disto tenho mais capacidade para fazer reformas", terá dito o ministro da Defesa Aguiar-Branco ao General Garcia Leandro.


Daí que entenda que exista, na oportunidade destas promoções, um quadro de algum receio, ainda para mais quando a Associação 25 de Abril está desde há muito em rota de colisão com o governo e, particularmente, com a Assembleia da República. Mas, atenção, vejo com bons olhos as promoções dos quadros militares. O que não entendo é a "especificidade" dos militares relativamente a outros sectores da sociedade. Alguns exemplos: pela Lei de Bases do Sistema Educativo, os professores são considerados "um corpo especial da Administração Pública" e, no entanto, continuam com as suas carreiras congeladas. E a pouca-vergonha que andam a fazer aos médicos, aos enfermeiros e a todos os funcionários públicos? Logo, estas justas promoções dos militares trazem água no bico e podem estar associadas a uma palavra: MEDO. E, neste aspecto, pensará o governo, mais vale prevenir do que remediar. Trata-se de um doce revestido de matéria que acalma as tensões. Não sei por quanto tempo. Todavia, de uma coisa estou certo, é que os outros sectores também vão saltar e irão questionar: porquê os militares e não também nós?
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

UMA LIMPEZA AO CÉREBRO


A foto diz tudo. É o que nos andam a fazer: uma tentativa de limpeza ao cérebro. Todos os dias, através dos meios de comunicação social e, sobretudo, pelas posições de alguns comentadores que não sabem ou, intencionalmente, ignoram a conjugação de todas as variáveis, os portugueses estão a ser levados a acreditar que não existe alternativa à austeridade, que é este o doloroso calvário que conduzirá ao paraíso terrestre, onde os pobres deixarão de o ser e o trabalho com direitos regressará, possibilitando a felicidade qb aos desesperados que emigram. Pode levar vinte a trinta anos, dizem, não interessa, pois importante é manter essa miragem no deserto de ideias. É o domínio da ideologia ultraliberal e do dinheiro sem pátria, contra a ordem natural de uma vida com deveres, mas também com direitos. Assiste-se a algumas entrevistas, ainda ontem acompanhei, na SIC, a entrevista a Pedro P. Coelho, da qual resultou a imagem de um ignorante altifalante, outras vezes a debates com pessoas arvoradas em economistas de ponta, outras, ainda, com comentadores a debitarem meias-verdades ou a verdade que lhes interessa, normalmente, em redor do óbvio e não das questões fundamentais que se escondem a montante. E existem muitas... muitas. Assiste-se a governantes sempre com uma palavra onde se adivinha, facilmente, a mentira que a envolve. O dia 25 de Abril e, sobretudo, o 1º de Maio, serão datas determinantes na encruzilhada em que nos meteram. Ontem, Passos Coelho, foi a imagem da mentira grosseira. Espero, ou melhor, desejo que o Povo se manifeste e diga BASTA a esta política que está a esmagá-lo. Já chegaram ao desplante de dizer: "A vida das pessoas não está melhor, mas a do País está muito melhor". Como se o País não fossemos todos nós! Espantosas cabecinhas. Há  que travá-las!

Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 15 de abril de 2014

"O POVO AGUENTA, AGUENTA, ATÉ REBENTAR"


Salário mínimo mais baixo que em 1974; descarado e continuado roubo nas pensões de aposentação a que o Estado se obrigou a pagar; substancial corte na responsabilidade constitucional nos direitos à saúde, educação e protecção social, em benefício do sector privado; trabalho, não como um direito libertador, mas como uma possibilidade sem vínculo; despedimento extremamente facilitado e com compensações miseráveis; privatizações em série, sem questionar se é bom para o privado, por que não será para o sector público; economia subterrânea em crescimento por razões de oportunidade e sobrevivência; carga fiscal insuportável situando-se no quadro do confisco; milionários em crescimento, penalizações que prescrevem e milhares de pobres em desespero; emigração a nível de há cinquenta anos; substancial défice entre a natalidade e a mortalidade; desertificação do interior, enfim, vivemos, subjugados, aterrorizados, em constante dúvida, num país retalhado, assimétrico e de coutadas financeiras onde proliferam os grandes especuladores à custa dos indefesos. É este, em síntese, o País que nos oferecem. Um país mais interessado em curvar-se às imposições externas do que em defender os interesses do povo que o enquadra. Uma vergonha pensada, fabricada e organizada fora do país e à qual os cordões umbilicais de interesses seguem no escrupuloso respeito pelo deus mercado. Tudo com a benção do Presidente da República. 

A qual deles mais cresce o nariz!
Só falta aqui o de Belém... o padrinho.

Depois, cada vez mais, é notória a impreparação dos membros do governo, onde faltam muitas referências e muitos de cabelo branco, metáfora que pode significar experiência, capacidade, visão, pessoas que inspirem respeito. O que se assiste é à persistente mentira e a uma conjugada aldrabice. Por lá e por aqui. Há uma crescente degradação do exercício da política. Atente-se, por exemplo, nestas declarações tão próximas de nós, insulanos: "(...) Governar é ter coragem, rigor absoluto, respeito pelos que pagam os sacrifícios, os contribuintes. Aqueles que pagam os impostos, e que pagarão menos se forem bem governados. Pagar impostos não é uma fatalidade. (...) É preciso acabar com a aprovação de orçamentos só de despesa. Passar a ter de justificar e também aprovar a receita. Coisa para verdadeiros governantes. Que se precisam". (opinião do Dr. Miguel de Sousa, candidato do PSD-M às eleições partidárias internas - edição de ontem do DN-Madeira). Estou, totalmente de acordo. Quem não estará? O problema é saber por que não fizeram ou por que não clarificou a sua posição desde o tempo que teve funções governativas? Que razões levaram a alinhar naquilo que hoje considera errado? 
Ora bem, é esta política que descredibiliza, que ofende e não pode ser levada a sério, porque as circunstâncias e os interesses pontuais e de grupo conduzem a dizer coisas não sentidas, na lógica do aforisma "com a verdade me enganas". Miguel de Sousa falou daquela maneira, mas, por lá, não é melhor. Atente-se na síntese do que Passos Coelho dizia antes das eleições e o que fez e faz aos portugueses (declarações que podem ser escutadas na coluna ao lado). Declarações que, lamentavelmente, conduzem os portugueses a assumirem que os políticos da ditadura eram mais honestos que os actuais (título do Jornal I de 14 de Abril).
Repito, há uma ausência de referências, de gente sã, de políticos com pensamento estruturado e visionário, de políticos face aos quais sintamos que cada palavra tem um peso histórico e é portadora de futuro. Miguel Relvas e outros não são fruto de erros  de "casting". Encanta-me ouvir Adriano Moreira, Mário Soares, Jorge Sampaio, Freitas do Amaral, regressar a Álvaro Cunhal, entre alguns outros do nosso tempo, e absorver o que de sinceridade e profundidade neles existe. Não se trata de saudosismo, mas de referências sérias, embora possa não estar de acordo com tudo o que dizem ou disseram. Vi, por mais de uma vez, Jorge Sampaio comover-se perante as situações de gritante injustiça, enquanto hoje vejo Passos Coelho descartar-se e exprimir-se com um leve sorriso hipócrita nos lábios. A questão, em contraponto, entre a necessidade de referências sérias e esta cambada que nos governa, resume-se a algumas perguntas: quem pode levar a sério um Passos Coelho, um Paulo Portas e todos os outros que, no fundo, são o espelho de quem os convidou para a governação? Como respeitar, no plano pessoal e institucional estes políticos de aviário, sujeitos obedientes a vários patrões, a quem lhes falta a base, a cultura, não apenas a política, a honestidade e o sentido de serviço público à comunidade? Como respeitar um governante a quem um colega de faculdade, em texto publicado, disse que ele era o pior da turma? Estamos entregues a medíocres graduados em funções que deveriam pertencer à excelência. Os medíocres nunca se importam de fazer o trabalho sujo, porque sabem que esse é o caminho certo da promoção. Razão tem um dos capitães de Abril, Vasco Lourenço: "Estou convicto que vai haver fortes convulsões. O Povo aguenta, aguenta, até rebentar".  
Ilustração: Google Imagens.