sábado, 7 de junho de 2014

O ERRO DE ANTÓNIO JOSÉ SEGURO. E PORQUE NÃO UMA SONDAGEM NA MADEIRA?


Já me pronunciei sobre a decisão do Dr. António José Seguro. Considero-a péssima para o PS e sobretudo para o país. Digo-o, abertamente, apesar de ser seu Amigo há muitos anos. Desde os anos 90! Depois destes três anos de esforço contínuo pela recuperação da credibilidade eleitoral perdida, sublinho, por factores externos ao país, é verdade que António José Seguro, depois de duas vitórias, merecia conduzir o partido até às legislativas. Repito, merecia! Tratou-se de um esforço notável, pela antecipação que fez dos problemas e  pela consecutiva negação das medidas de austeridade que só viriam a tornar mais complexa a situação do país. O tempo passou e deu-lhe razão: a dívida aumentou substancialmente, o desemprego não diminuiu (os portugueses é que emigraram), a economia paralisou e a pobreza atingiu níveis altamente preocupantes. António José Seguro combateu, diariamente, o monumental roubo à carteira dos portugueses, defendeu os reformados e pensionistas e apresentou medidas visando o crescimento. São factos que podem ser demonstrados não só através das propostas, mas também no contraponto do que defendeu relativamente à situação actual. É verdade que não gostei de alguns acenos ao PSD, quando deveria ser a esquerda a levá-los. De qualquer forma, globalmente, dir-se-á que não foi compreendido. As pessoas, influenciáveis que são, formaram uma ideia menos positiva, que ele não era a solução, que outro existia melhor colocado para defrontar e ganhar as legislativas do próximo ano. E sendo assim, apesar de todo o seu labor, eu julgo que deveria ter saído. Constitui um monumental erro pessoal, para o PS e para o país, a sua decisão em querer continuar, pelo menos até Setembro. Estou convencido que perderá as "primárias" para António Costa (as primeiras sondagens são claras) e acabará por sair por uma porta estreita, quando as circunstâncias proporcionaram-lhe a oportunidade de uma saída pacífica, com grandeza e humildade política. Lamento.


Ainda anteontem participei em um almoço de amigos de longa data. Fui convidado e lá estive no meio de trinta pessoas que muito considero. No final, deixei-me ficar em cavaqueira com um grupo restrito. Falaram-me da política regional e a páginas tantas colocaram o problema de quem estaria melhor colocado para responder aos problemas do país. Foi unânime: António Costa. Reconheceram o esforço de Seguro, mas para o confronto político com a actual coligação PSD/CDS e, com possibilidades de ganhar com maioria absoluta, Costa seria o mais indicado. Confesso que joguei à defesa, isto é, não me expus, fui de parcas considerações, exactamente, para perceber o sentimento das pessoas, embora aquele fosse um pequeno grupo e dali não fosse sensato partir para o universo dos eleitores. Mas foi um indicador a juntar a outros.
Daí a minha dificuldade em compreender a posição de António José Seguro, por maiores que sejam as pressões, a correlação de forças internas e a sua mágoa pelas situações criadas após a vitória eleitoral europeia. Para uma figura politicamente experiente, com capacidade para perceber os sinais externos, inclusive, a sua cotação junto dos jornalistas e comentadores, não deixa de ser esquisito que não tivesse colocado o país acima de tudo e de todos. Atrasar o processo, gerar esta história das primárias, permitir que se instale alguma perturbação no eleitorado, consequentemente, admitir algum fulgor(!) na coligação por ausência de uma clara e consistente alternativa, parece-me que constitui já não digo um tiro no pé, mas na própria cabeça. 
Pela amizade e pelo trabalho político gostaria que Seguro chegasse a Primeiro-Ministro, porque se trata de um Homem íntegro e politicamente verdadeiro e honesto, só que as circunstâncias políticas muitas vezes não são aquilo que desejamos. Os ventos (públicos) não estão a seu favor e, sendo assim, melhor teria sido que saísse e mantivesse um estatuto de grandeza que falta a muitos fazedores de política. Para já, nestas circunstâncias, Primárias, NÃO, OBRIGADO.
E, já agora, como gostaria eu de ler uma sondagem, na Madeira, a fim de perceber quem estará melhor colocado no PS-M para ganhar as legislativas regionais do próximo ano na Madeira!
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

A REALIDADE NESTE MUNDO CÃO


O seguinte texto foi publicado, em Agosto de 2012, no El País, tendo-se tornado absolutamente viral em Espanha. Reflecte sobre o terrorismo financeiro e a captura económica. Chama as coisas pelos seus nomes e faz uma análise sobre o capitalismo actual, o que veio a incendiar não só Espanha como todo o mundo. O título é "Um canhão pelo cu", e foi escrito por Juan José Millas. Passaram-se dois anos e a situação agrava-se. Todos sabemos o que se passa. Reli este artigo e decidi aqui deixá-lo para que possamos cruzar toda a informação disponível. É que há situações que a velocidade dos acontecimentos não permite que possamos trazê-los em memória activa. A linguagem pode ferir algumas pessoas mais sensíveis.

"Um canhão pelo cu"


"Se bem entendemos - e não é fácil, porque somos um bocado tontos -, a economia financeira é a economia real do senhor feudal sobre o servo, do amo sobre o escravo, da metrópole sobre a colónia, do capitalista manchesteriano sobre o trabalhador explorado. A economia financeira é o inimigo de classe da economia real, com a qual brinca como um porco ocidental com corpo de criança num bordel asiático.
Esse porco filho da puta pode, por exemplo, fazer com que a tua produção de trigo se valorize ou desvalorize dois anos antes de sequer ser semeada. Na verdade, pode comprar-te, sem que tu saibas da operação, uma colheita inexistente e vendê-la a um terceiro, que a venderá a um quarto e este a um quinto, e pode conseguir, de acordo com os seus interesses, que durante esse processo delirante o preço desse trigo quimérico dispare ou se afunde sem que ganhes mais caso suba, apesar de te deixar na merda se descer.
Se o preço baixar demasiado, talvez não te compense semear, mas ficarás endividado sem ter que comer ou beber para o resto da tua vida e podes até ser preso ou condenado à forca por isso, dependendo da região geográfica em que estejas - e não há nenhuma segura. É disso que trata a economia financeira.
Para exemplificar, estamos a falar da colheita de um indivíduo, mas o que o porco filho da puta compra geralmente é um país inteiro e ao preço da chuva, um país com todos os cidadãos dentro, digamos que com gente real que se levanta realmente às seis da manhã e se deita à meia-noite. Um país que, da perspetiva do terrorista financeiro, não é mais do que um jogo de tabuleiro no qual um conjunto de bonecos Playmobil andam de um lado para o outro como se movem os peões no Jogo da Glória.
A primeira operação do terrorista financeiro sobre a sua vítima é a do terrorista convencional: o tiro na nuca. Ou seja, retira-lhe todo o caráter de pessoa, coisifica-a. Uma vez convertida em coisa, pouco importa se tem filhos ou pais, se acordou com febre, se está a divorciar-se ou se não dormiu porque está a preparar-se para uma competição. Nada disso conta para a economia financeira ou para o terrorista económico que acaba de pôr o dedo sobre o mapa, sobre um país - este, por acaso -, e diz "compro" ou "vendo" com a impunidade com que se joga Monopólio e se compra ou vende propriedades imobiliárias a fingir.
Quando o terrorista financeiro compra ou vende, converte em irreal o trabalho genuíno dos milhares ou milhões de pessoas que antes de irem trabalhar deixaram na creche pública - onde estas ainda existem - os filhos, também eles produto de consumo desse exército de cabrões protegidos pelos governos de meio mundo mas sobreprotegidos, desde logo, por essa coisa a que chamamos Europa ou União Europeia ou, mais simplesmente, Alemanha, para cujos cofres estão a ser desviados neste preciso momento, enquanto lê estas linhas, milhares de milhões de euros que estavam nos nossos cofres. E não são desviados num movimento racional, justo ou legítimo, são-no num movimento especulativo promovido por Merkel com a cumplicidade de todos os governos da chamada zona euro.
Tu e eu, com a nossa febre, os nossos filhos sem creche ou sem trabalho, o nosso pai doente e sem ajudas, com os nossos sofrimentos morais ou as nossas alegrias sentimentais, tu e eu já fomos coisificados por Draghi, por Lagarde, por Merkel, já não temos as qualidades humanas que nos tornam dignos da empatia dos nossos semelhantes. Somos simples mercadoria que pode ser expulsa do lar de idosos, do hospital, da escola pública, tornámo-nos algo desprezível, como esse pobre tipo a quem o terrorista, por antonomásia, está prestes a dar um tiro na nuca em nome de Deus ou da pátria.
A ti e a mim, estão a pôr nos carris do comboio uma bomba diária chamada prémio de risco, por exemplo, ou juros a sete anos, em nome da economia financeira. Avançamos com ruturas diárias, massacres diários, e há autores materiais desses atentados e responsáveis intelectuais dessas ações terroristas que passam impunes entre outras razões porque os terroristas vão a eleições e até ganham, e porque há atrás deles importantes grupos mediáticos que legitimam os movimentos especulativos de que somos vítimas.
A economia financeira, se começamos a perceber, significa que quem te comprou aquela colheita inexistente era um cabrão com os documentos certos. Terias tu liberdade para não vender? De forma alguma. Tê-la-ia comprado ao teu vizinho ou ao vizinho deste. A atividade principal da economia financeira consiste em alterar o preço das coisas, crime proibido quando acontece em pequena escala, mas encorajado pelas autoridades quando os valores são tamanhos que transbordam dos gráficos.
Aqui se modifica o preço das nossas vidas todos os dias sem que ninguém resolva o problema, ou mais, enviando as autoridades para cima de quem tenta fazê-lo. E, por Deus, as autoridades empenham-se a fundo para proteger esse filho da puta que te vendeu, recorrendo a um esquema legalmente permitido, um produto financeiro, ou seja, um objeto irreal no qual tu investiste, na melhor das hipóteses, toda a poupança real da tua vida. Vendeu fumaça, o grande porco, apoiado pelas leis do Estado que são as leis da economia financeira, já que estão ao seu serviço.
Na economia real, para que uma alface nasça, há que semeá-la e cuidar dela e dar-lhe o tempo necessário para se desenvolver. Depois, há que a colher, claro, e embalar e distribuir e faturar a 30, 60 ou 90 dias. Uma quantidade imensa de tempo e de energia para obter uns cêntimos que terás de dividir com o Estado, através dos impostos, para pagar os serviços comuns que agora nos são retirados porque a economia financeira tropeçou e há que tirá-la do buraco. A economia financeira não se contenta com a mais-valia do capitalismo clássico, precisa também do nosso sangue e está nele, por isso brinca com a nossa saúde pública e com a nossa educação e com a nossa justiça da mesma forma que um terrorista doentio, passo a redundância, brinca enfiando o cano da sua pistola no rabo do sequestrado.
Há já quatro anos que nos metem esse cano pelo rabo. E com a cumplicidade dos nossos".
Juan José Millas
http://resistir.info/ .

O TRIBUNAL CONSTITUCIONAL "É O MELHOR MINISTRO DA ECONOMIA DO GOVERNO"

quinta-feira, 5 de junho de 2014

E OS CIDADÃOS PORTUGUESES É QUE VIVERAM ACIMA DAS SUAS POSSIBILIDADES



Apenas mais uma achega para a compreensão dos problemas. São 43’ de informação detalhada e bem documentada. É pena que ainda não tenha passado num canal televisivo português. Quem assina a peça é um jornalista que se chama António Cascais, por isso ele editou o programa em língua lusa. Deixa claro que a compra foi combinada no governo de Barroso, que é o primeiro a dar o seu acordo ao negócio, que passa a ser seguido pelo ministro da defesa, Portas. No final deixa a informação de uma cláusula contratual que obriga a que a revisão dos submarinos seja anual, pelo preço de € 5 milhões e pelo período de 30 anos, e feita nos estaleiros que construiu o submarino.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

A CADEIA ALIMENTAR PARTIDÁRIA


O exercício da política começa a cansar-me. Olho em redor e questiono-me não apenas sobre as atitudes de quem governa, mas também sobre o que fazem algumas figuras de quem deveria partir o exemplo. Olho e identifico: os que não aprenderam com as experiências de vida, inclusive, políticas; os que fazem do exercício da política a sua profissão e não um serviço à comunidade; os que arregimentam votos que permitem alcandorar "amigos" de circunstância a posições de destaque; os que na "cadeia alimentar" partidária vendem a sua consciência a troco de qualquer coisita; os que funcionam como eminências pardas, que estão mas não estão, que trabalham longe e na sombra, que contactam, influenciam, tipo escoteiros "sempre alerta", mantendo a ilusão sebastiânica; os que alinham na lógica do "agora somos nós" e que se danem os outros; os que não têm sensibilidade para perceber que lhes falta cultura política, alicerçada no conhecimento da História, da Sociologia, da Economia, das Finanças, entre um vasto leque que deve constituir a base dos posicionamentos. Olho e apercebo-me da mentira todos os dias passada como verdade. Olho e leio, com desagrado, textos em jornais satíricos, que valem o que valem, mas que narram o basfond das ruelas e dos cordões umbilicais. Bom, dirá quem me lê que estou desencantado! Estou. Tantas vezes apetece-me fechar, definitivamente, este blogue ou a página do facebook, porque aprendi que o Homem não tem sentidos, apenas é sensível.  E eu sou sensível ao que vejo por aí de poderes com pés de barro, de gente que não consegue perceber que lhes falta competência política e idoneidade social e que, por isso mesmo, deveriam perceber que uma coisa é sentar-se em uma qualquer cadeira, outra, ser reconhecida para um dado desempenho. É o egoismo a prevalecer que atravessa desde aqueles que nunca fizeram outra coisa se não exercer o poder, até aos aspirantes a tais funções.

Por si e pelos outros...

E assim os vejo em jogos de poder, tentando afastar quem eles pensam fazer-lhes sombra, reunidos segundo os seus interesses, conhecedores das cartas dos outros, mas jogando tudo por uma liderança, fragmentando o seu próprio partido, numa luta pela sobrevivência que ultrapassa o quadro político. Uns, habituados à grandeza do "negócio político", outros, que se contentam com as migalhas caídas do grande banquete das misérias políticas. Uns mostrando-se sempre esfaimados por mais e mais; outros, contentando-se, apenas, com um lugar atrás de uma pequena mesa e de uma cadeira. Ficam-se por aí, esquecendo-se que o objecto da acção política está muito para além de meia-dúzia de palavras ditas no parlamento, em encontros, jantares ou em comícios de circunstância. Arrastam-se na vida e acabam de infernizar a vida dos outros que olham e acabam por se sentir em um labirinto de interesses e no meio de um ninho de vespas. 
Apesar disso, apesar deste desencanto múltiplo, que provém de análises e sínteses ao que se passa nos grandes areópagos do debate político internacional, à constante mentira vendida como verdade nacional, até à política caseira, julgo que continuará a valer a pena meter o pauzinho nas engrenagens, pela via da denúncia ou pela via da análise no quadro de mais uma opinião a juntar a tantas outras. Lamento que a humildade ande distante, que a febre de um poderzito qualquer cegue ao ponto de a todos prejudicar por um mero capricho ou ambição pessoal. Tal como no "Lago dos Tubarões":  i'm out! 
Ilustração: Google Imagens.
NOTA
Em Abril de 2013 deixei aqui um texto sobre o que Galbraith diz sobre o poder. "O poder cumpre, há séculos, uma regra de três instrumentos: "o poder condigno, o poder compensatório e o poder condicionado". O primeiro refere-se à capacidade de "impor às preferências do indivíduo ou do grupo, uma alternativa suficientemente desagradável ou dolorosa para o levar a abandonar essas suas preferências" (...) " o poder condigno obtém a submissão, infligindo ou ameaçando consequências adequadamente adversas"; o poder compensatório, em contraste, conquista a submissão oferecendo uma recompensa positiva, proporcionando algo de valor ao individuo que assim se submete" (...) na economia moderna a mais importante expressão do poder compensatório é sem dúvida a recompensa pecuniária" (...), isto é, "a submissão aos objectivos económicos ou pessoais dos outros". Finalmente, o poder condicionado "é exercido mediante a convicção e uma crença" (...) a persuasão, a educação ou o compromisso social com o que parece natural, apropriado ou correcto, leva o indivíduo a submeter-se à vontade alheia" (...) a submissão reflecte o rumo preferido" pelo que "a submissão não é reconhecida".

terça-feira, 3 de junho de 2014

UM TEXTO DE AMOR E MEMÓRIA


Batalhámos por mais salários. Foste tu quem impulsionou a aplicação do primeiro salário mínimo (3.300 escudos) na Madeira. Lutámos pelo direito à reforma para todos(as) os(as) que trabalhavam, pelo direito à habitação e pelo fim das furnas e das barracas, por melhores acessos e estradas, por um serviço regional de saúde ao serviço do utente que dele necessitasse, por uma segurança social mais solidária com os mais necessitados, por um melhor ambiente contra a especulação imobiliária e pela proteção do nosso litoral, pela defesas de políticas de igualdade onde a mulher ocupasse o espaço que é seu por direito, etc, etc… Acreditámos sempre que a nossa intervenção na política era uma missão por causas públicas para melhorar sempre as condições de vida das pessoas. Ao defender estas e outras causas nunca perguntámos aos beneficiados(as) qual era o partido em que votavam. Sabemos mesmo que a maioria votava em partidos opostos ao nosso. Mas sentíamos que estávamos a fazer o nosso dever e a nossa consciência estava sempre muito tranquila. Gostávamos de andar na rua de cabeça levantada.

Senhora D. Guida Vieira

Conheço o Paulo Martins há muitos anos. Tenho por ele uma grande consideração e estima, embora  a nossa convivência tivesse ficado por encontros pontuais e pela nossa participação enquanto deputados na Assembleia Legislativa da Madeira. Em Dezembro último visitei-o quando ele se encontrava hospitalizado e em recuperação. Disse-me que dali não saía sem estar recuperado. Espero que rapidamente aconteça. Entretanto, ontem, li um texto de amor e de memória política, escrito pela Guida Vieira, sua companheira de sempre e grande lutadora pelas causas sociais. Não fiquei insensível ao texto e aqui o deixo:
"Faz precisamente este mês 36 anos que legalizámos a nossa relação de casal. Agora que estás doente, acho que te devia dedicar este artigo porque sei que a situação política que estamos a viver sempre te preocupou, talvez demasiado, e que, se conseguisses escrever, continuarias a ser aquele Paulo que todos(as) aprendemos a respeitar e a ouvir e a ler com muito respeito e atenção. Lutámos toda uma vida, mais de 40 anos, para que as pessoas no nosso País e na nossa Região tivessem direito a viver com a dignidade que lhe tinha sido negada pelo fascismo. Agora que tudo começa a ruir, com a ação destes governos sem escrúpulos e sem consideração pela luta desencadeada ao longo de décadas, é bom relembrar, e tu mereces isso, que muita gente trabalhou e batalhou para que o futuro fosse mais feliz para as novas gerações.
Lutámos e conquistámos muitos direitos que dignificaram quem trabalhava e quem se reformava. Sei o quanto lutaste pelos direitos cívicos e políticos e que sempre te bateste para que a Assembleia Regional, onde foste um digno Deputado durante 26 anos, tivesse uma lei de incompatibilidades, que separasse claramente a atividade política de outros interesses económicos. Sempre foste contra a promiscuidade de interesses e dedicaste-te de corpo inteiro ao exercício da política na defesa de causas públicas.
Lutámos juntos por direitos políticos para todos(as), por uma Autonomia regional ao serviço dos(as) madeirenses, com impostos mais baixos que compensassem os custos da insularidade. Combateste ao lado dos Caseiros pelo fim da colonia, e tiveste uma intervenção social nessa luta da qual, ainda hoje, há gente que se recorda. Foste pioneiro em levar ao Parlamento regional as leis das bordadeiras de casa, que lhes deram muitos direitos que, até então, nunca tinham tido. Convenceste, com os teus argumentos para estas causas, todos os restantes parlamentares, que mesmo sendo adversários políticos, reconheciam o mérito dos teus argumentos.
Batalhámos por mais salários. Foste tu quem impulsionou a aplicação do primeiro salário mínimo (3.300 escudos) na Madeira. Lutámos pelo direito à reforma para todos(as) os(as) que trabalhavam, pelo direito à habitação e pelo fim das furnas e das barracas, por melhores acessos e estradas, por um serviço regional de saúde ao serviço do utente que dele necessitasse, por uma segurança social mais solidária com os mais necessitados, por um melhor ambiente contra a especulação imobiliária e pela proteção do nosso litoral, pela defesas de políticas de igualdade onde a mulher ocupasse o espaço que é seu por direito, etc, etc…
Acreditámos sempre que a nossa intervenção na política era uma missão por causas públicas para melhorar sempre as condições de vida das pessoas. Ao defender estas e outras causas nunca perguntámos aos beneficiados(as) qual era o partido em que votavam. Sabemos mesmo que a maioria votava em partidos opostos ao nosso. Mas sentíamos que estávamos a fazer o nosso dever e a nossa consciência estava sempre muito tranquila. Gostávamos de andar na rua de cabeça levantada.
 A política sempre esteve em ti, tão natural e legítima, que, quando todo o mundo dos direitos começou a ruir, tu sofreste como poucos, e desta vez em quase silêncio. Apenas te restavam os artigos de opinião, que agora ainda não consegues recomeçar a escrever, mas que o DN, gentilmente, te continua a indicar datas.
Quem viveu a política como uma causa pública e nunca dela se serviu para seu interesse pessoal, como tu o fizeste, merece estar presente nas nossas recordações, até porque são fontes inspiradoras para não desanimar e continuar a pensar que o futuro pode ser sempre melhor. Mesmo para ti, pois a esperança ainda se mantém de que nos poderás voltar a brindar com as tuas lúcidas análises.
Um dia pedi no meu mural no facebook que se formasse uma forte corrente de apoio, para te transmitir energia positiva para saíres da situação de perigo em que te encontravas. Essa corrente foi enorme e fez-me pensar que muita gente, felizmente, ainda se recorda que tu serás sempre um digno representante da verdadeira intervenção política, ao serviço das pessoas e das suas causas. Peço que essas pessoas continuem a te transmitir energia positiva, para te dar força neste momento difícil."
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

CONTINUAM A CONJUGAR O VERBO ROUBAR


Ontem foi Dia da Criança. Um dia onde continuam a subsistir mais direitos do que justiça! Trouxeram-nas para a rua, organizaram festas e disponibilizaram convívios de que tanto gostam. Hoje, tudo regressou à enervante normalidade, onde um quarto delas vive e continuará a viver no meio da pobreza. Acompanhei duas excelentes peças na RTP 1 que me tocaram, profundamente, que me deixaram com um nó na garganta e uma pergunta sem resposta: porquê? Porquê tanta miséria, tanta carência, tanto ausência de cuidado por aqueles seres frágeis que apenas precisam de alimentação, amor, carinho e formação? Rostos tristes, não sei se assustados ou se de maturidade fabricada à pressa, dizendo o que presenciam e o que lhes vai na alma: "meus pais, às vezes choram"; "minha mãe está desempregada" (...) "antes era melhor"; "estudo música, mas o meu pai já disse que se ficar desempregado não tenho hipótese de continuar". Quando a jornalista os questionou se sabiam quem era Pedro Passos Coelho, a resposta veio célere: o  primeiro-ministro que "rouba". Pois, rouba aos pobres para dar aos mercados, aos senhores de rosto tapado e sem nome, que por aí andam a infernizar a vida de todos nós e de muitos povos europeus. Vi crianças desalentadas, sem esperança, caras exprimindo sofrimento como o daquela mãe que sobrevive com trezentos euros. Certamente, no meio de muitas cujas receitas mensais nem chegam a esse valor. E eles querem que, neste quadro, as crianças  tenham sucesso escolar, que não abandonem a escola, passem o crivo do Português e da Matemática, não adoeçam e sejam felizes! Politicamente, são uns bandidos!


Perante isto, o Soares da Mota, aquele arregalado que é ministro da Solidariedade esquivou-se, não quis ser ouvido. Ele, Mota Soares (CDS/PP), o responsável por tantos cortes, desde os abonos de família ao subsídio de desemprego, passando por todos os outros, por uma sequência absolutamente obscena,  nada tem a dizer, exactamente, no Dia da Criança. Ele sabe, mas assobia para o lado, que estamos no início da tragédia, da degradação social, de um futuro incerto onde a pobreza será paisagem. Ele sabe que retrocedemos mais de dez anos e  que a recuperação deste tempo levará mais de trinta! Ele sabe que tudo isto está pelas pontas, que são as instituições de solidariedade social que esbatem a fome de muita coisa. Neste fim-de-semana foi o Banco Alimentar, uma vez mais, pedir a solidariedade dos portugueses. Nas próximas semanas serão outros voluntários a tentarem remendar um tecido social completamente esfarrapado. 
Compra-se quatro pães, pagamos a totalidade,
mas um é pertença do Estado!
E no meio disto, vociferam contra a Constituição da República. Ela a culpado dos males. Ela que não deixa ir mais longe. Ela que não permite a felicidade do povo. Não é a incompetência destes senhores que governam ao serviço de outros que está em causa, mas sim a Constituição. E vai daí, certamente, a caminho vem um novo castigo sobre toda a população que atingirá, ainda mais, as populações frágeis. Vão carregar no IVA, vão, certamente, impôr mais taxas extraordinárias sobre aos subsídios de Natal e de férias, enfim, vão continuar a roubar a quem pouco ou nada tem. 
As famílias ficarão mais pobres, a natalidade vai continuar a decrescer, a mortalidade a aumentar, o défice público que já vai nos 130% do PIB tenderá a crescer, o abandono e o insucesso escolares vão ter novas e vergonhosas taxas, a saúde ficará cada vez mais periclitante e esta gente continuará, delirantemente, a dizer que não podemos regressar ao passado. Finalmente, para quê este Presidente da República? Ele que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição da República, perante um governo que, por três vezes, apresenta um Orçamento de Estado INCONSTITUCIONAL, pergunto, de que está à espera? Só poderia demitir o governo, mas não, manterá esta vergonhosa política porque, é farinha do mesmo saco.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 1 de junho de 2014

UM PROBLEMA DE GRANDEZA


O Dr. Carlos Pereira decidiu sair da vice-presidência do PS-Madeira. Aplaudo essa decisão e explico porquê. Mas antes quero separar a questão política da questão pessoal. Tenho pelo Dr. Carlos Pereira uma profunda amizade alicerçada em poucos mas bons anos de convivência, troca de experiências e de conhecimentos. Nele vejo um dos melhores quadros da nossa Região, pela sua inteligência, capacidade técnica, hábitos de estudo, visão global dos problemas e um sentido prospectivo que poucos podem vangloriar-se de ter. Aliás, durante muitos anos de actividade política conheci muitas pessoas capazes, que sustentavam o que diziam pelo conhecimento, conheci gente apaixonada que fez da política um serviço à comunidade, amigos que me convidaram e com quem tive o prazer de trabalhar e de colaborar, mas não me lembro de um com as qualidades do meu Amigo Carlos Pereira. Esta é, em síntese, a minha leitura no quadro pessoal. No quadro específico do exercício da política o Dr. Carlos Pereira é um parlamentar de mão-cheia. Que o digam os seus adversários políticos. Rápido no raciocínio, acutilante, um produtor de notáveis sínteses, com humor qb e ironia que apaga qualquer outro se lhe apresente. Habituei-me a ver no Carlos uma cabeça arrumada, com os números da verdade e não os que interessam à verdade conveniente, um conhecimento que está muito para além das ilhas e que, por isso, sempre que fala provoca uma generalizada urticária nas outras bancadas. 


Ora, muitas vezes, perguntam-me, mas quando é que "vocês" têm um candidato no qual possamos acreditar? Muitas vezes, também, respondo a essa questão de duas maneiras: não podemos ir à olaria fazer uma candidato à medida de cada um dos interesses, ou, não se pode estar à espera da última moda para fazer o fato novo. É isso. As pessoas, às vezes, colocam-se nessa área de comodidade, ou porque não vão com a cara, ou com o tom discursivo, ou porque a imagem global não é geradora de credibilidade e, por isso, mandam logo um candidato para a lista dos que não interessam. Se é verdade que nem sempre é assim, eu sei, também é verdade que não é fácil contrariar o sentimento que a sociedade adquiriu e consolidou. Por razões diversas existem, fabricado ou por falta de jeito, pessoas cujas característica pessoais, históricas, de comunicação e outras, por mais que se esforcem, não chegam lá. E, neste caso, é preciso ter noção disso, eu diria espelho, e do que este reflecte, ter a GRANDEZA de abrir espaço para quem esteja mais bem colocado. A "grandeza" de colocar de lado os interesses pessoais e de grupo e a "grandeza" de admitir que a Região e os seus 260.000 habitantes merecem melhor do que têm tido ao longo de quase quarenta anos. Se o sujeito A não consegue, por maior que seja a sua determinação, mandará o bom senso e a humildade política que crie as condições para que tal venha a acontecer. 
Ademais, um partido político só tem razão de existir para ser governo e nunca para gerir espaços que não vão além de um metro quadrado (mesa da Assembleia). Essa dimensão maior, essa dimensão de ver a Região e não a mesa, não se confina a uma lista candidata a isto ou àquilo, porque podem cair, fruto do trabalho, uns cobres na algibeira. O exercício da política é muito mais do que isso, implica ver longe, ter sentido de responsabilidade, conhecimento sustentado na investigação, capacidade de leitura histórica local, nacional e universal, princípios e valores democráticos e humanistas.
Espero que haja "GRANDEZA" suficiente para que a "Mudança" que se apregoa para fora, comece por uma "Mudança" interna. Não de exclusão, até porque todos não são de mais, mas de colocação das peças nos sítios certos de onde resultem ansiadas vitórias.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 31 de maio de 2014

TERMINA HOJE O PRAZO




São intervenções destas, sustentáveis, tecnicamente conhecedoras, que credibilizam um partido que quer ser poder. O Dr. Carlos Pereira é a única via que o PS-Madeira dispõe para defrontar o poder que governa há quase quarenta anos.

VÍTOR BENTO PENSA QUE FALTA DAR RELIGIÃO À ECONOMIA



Então, o "Deus Mercado" o que é? Não é o "senhor" de tudo, o caminho da salvação, depois de a todos nos crucificarem? O que penso, ao contrário deste Bento, Amigo de Cavaco Silva e membro do Conselho de Estado, é que estamos nas mãos de uma seita que nos rouba e imola, sempre com a palavra que o céu está mesmo ali ao virar da esquina!
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

SE EU ESTIVESSE NO LUGAR DE SEGURO...


(...) Mas, se lá, um vitorioso, provavelmente sairá, pergunto, na Federação da Madeira, um líder que perdeu as eleições europeias, o que deverá fazer quando, também no horizonte, estão as legislativas regionais? Quando é sintomática a dificuldade em juntar os partidos políticos para uma coligação sob a égide do actual líder do PS? Quando o seu nível de aceitação popular não permite acalentar a hipótese de "mudança" no próximo ano? Regresso ao princípio: se eu estivesse nesse lugar convocaria um congresso. Já. E pelas mesmas razões não concorreria. Finalmente, li a edição de hoje do DN-Madeira. Apesar de não ter qualquer responsabilidade política no PS-Madeira, a quem apenas pago as quotas, desde já anuncio que votarei no Dr. Carlos Pereira, caso venha a candidatar-se, por entender que é a única solução na construção de uma alternativa, inclusive, com possibilidades de acordos com outras forças políticas.


Se eu estivesse no lugar de Seguro, perante duas eleições vitoriosas e depois de três anos a credibilizar o partido, no próximo Sábado, na Comissão Nacional, por paradoxal que pareça, colocaria o lugar à disposição dos militantes e convocaria eleições. Uma posição, esta sim, irrevogável". E mais, não concorreria à liderança. Apenas saía, em alta, apesar de, naturalmente, contar com muitos apoios. Seguro deveria assumir esta posição, magoado, é certo, mas, em nome do PS e do futuro do país, sair pela porta grande e no momento certo. Esse constituiria um acto político que não está ao alcance de muitos, porque é necessária uma alta dose de desprendimento político. Sejam quais forem as causas e as pressões exercidas. Não se trata de fraqueza nem de calculismo, trata-se apenas de uma resposta para não perturbar e prolongar uma crise interna quando as legislativas nacionais estão no horizonte. 
Seguro é vítima, também, de uma comunicação social que, desde a primeira hora, não o entendeu. Eu diria que Seguro não caiu em graça. Com poucas excepções, jornalistas e comentadores alinharam pelo mesmo diapasão, mas a verdade é que ganhou as autárquicas e as Europeias. Mesmo assim, a cabeça dos eleitores está feita: este não... venha outro. Costa, neste caso, gera empatia com o eleitorado, vá lá saber-se porquê! Aliás, o mesmo aconteceu com Sócrates. Foi visado, maltratado e responsabilizado, quando se sabia e hoje confirma-se que a crise foi externa, não teve origem no governo da República, que foi uma crise que varreu e continua a varrer a Europa, agravado pelo chumbo do PEC IV que veio a determinar a entrada da Troika em Portugal. Mas a cabeça do povo eleitor foi feita!
Ora, quando isto é tão evidente, julgo, no caso em apreço, que,a Seguro, só lhe restará a saída com a noção do dever cumprido. Envolver-se na questiúncula interna poderá resultar, entre outras, uma de três consequências: primeira, uma sua vitória, por pouco, deixando o partido internamente dividido. Perguntar-se-á, à posteriori, para que serviu o congresso? Se a situação já não era famosa tenderá a degradar-se; segundo, uma vitória tangencial de Costa não favorecerá a necessária unidade interna; terceiro, em qualquer dos casos, dificuldades acrescidas nas eleições legislativas nacionais do próximo ano. Portanto, não vejo outra saída para António José Seguro que não a sua "saída limpa" deste processo.
Mas, se lá, um vitorioso, provavelmente sairá, pergunto, na Federação da Madeira, um líder que perdeu as eleições europeias, o que deverá fazer quando, também no horizonte, estão as legislativas regionais? Quando é sintomática a dificuldade em juntar os partidos políticos para uma nova coligação sob a égide do actual líder do PS? Quando o seu nível de aceitação popular não permite acalentar a hipótese de "mudança" no próximo ano? Regresso ao princípio: se eu estivesse nesse lugar convocaria um congresso. Já. E pelas mesmas razões não concorreria.
Finalmente, li a edição de hoje do DN-Madeira. Apesar de não ter qualquer responsabilidade política no PS-Madeira, a quem apenas pago as quotas, desde já anuncio que votarei no Dr. Carlos Pereira, caso venha a candidatar-se, por entender que é a única solução na construção de uma alternativa, inclusive, com possibilidades de acordos com outras forças políticas.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

CÂMARA MUNICIPAL DO FUNCHAL, TOCA AO TRABALHO EM UNIDADE, PORQUE NÃO EXISTE MARGEM PARA ERROS.


No início da crise escrevi: "(...) Desconheço as causas mais profundas da situação. Daí que não emita qualquer juízo de valor. Sei do essencial que tem sido veiculado pelos órgãos de comunicação social. Enquanto cidadão gostaria de perceber o que se encontra por detrás deste quadro negro. Simplesmente porque acho esquisito, desbaratar em pouco mais de seis meses, o capital de MUDANÇA saído da lotaria dos votos. Esquisito, porque cinco pessoas foram eleitas de acordo com um excelente PROGRAMA, e bastaria que por aí se guiassem, com rigor e determinação. Apenas isso. Tal não está a acontecer e daí que, politicamente, ninguém possa ignorar a realidade". Escrevi e mantenho esse posicionamento. Disse, na altura, que, naquele quadro, repito, naquele quadro, porque houve uns senhores de crítica mal intencionada, a solução seria partir para eleições intercalares. Hoje, porém, a situação parece ser diferente com a renúncia ao mandato de três vereadores, facto que abriu espaço para a recomposição da equipa inicialmente eleita. Isto significa que o Dr. Paulo Cafôfo ganhou, na expressão do DN-Madeira, um novo "fôlego". É evidente que desconheço os meandros desta crise, as suas causas, não as difundidas através de comunicados, mas a que se aproximam da realidade. A história parece-me ser mais complexa. Tudo isto entristeceu-me, deixou-me e deixa-me, ainda, irritado porque, parece-me óbvio, que os munícipes do Funchal e a Madeira em geral estavam e estão de olhos postos na "MUDANÇA" visando outras inadiáveis mudanças. Oxalá que, depois da tempestade, este seja um tempo de bonança.


A renúncia aos mandatos foi uma solução prestigiante para os três vereadores que, insatisfeitos, fizeram tal opção, garantindo, dessa forma, a governabilidade da Câmara. Independentemente das suas razões, trata-se de uma atitude de grande elevação democrática e, sobretudo, de sentido de responsabilidade perante a ansiada "MUDANÇA". Espero, doravante, se, entretanto, não existirem outros desenvolvimentos negativos, duas coisas: primeiro, que os elementos chamados ao executivo, em pelouros tão sensíveis quanto os que estão em causa, cumpram, técnica e politicamente, de forma irrepreensível; em segundo lugar, que ninguém se esqueça que os eleitores são capazes de perdoar uma vez, mas não perdoarão uma segunda crise. Eu diria que não existe margem para erros. 
Os novos vereadores executivos gozarão, inclusive, de um período muito curto de benefício da dúvida, de "estado de graça", pelo que, todos terão de fazer "horas extras" para garantirem a normalidade de funcionamento e a concretização do programa da "MUDANÇA". Desde já, felicidades.
Ilustração:  Google Imagens. 

terça-feira, 27 de maio de 2014

DEBATE SOBRE O ESTADO DA REGIÃO

PORTUGAL NO CAMINHO DA SOPA COMUNITÁRIA!


"No período pós-25 de Abril de 1974, a mistificação política nunca atingiu os níveis que hoje atinge. Mistificação consiste em fazer alguém acreditar numa mentira. A mentira é que o processo da troika terminou com êxito, que Portugal tem hoje melhores condições para se desenvolver como país europeu e que a reforma do Estado proposta garante a criação de uma sociedade mais equitativa. Que o sucesso da troika seja o outro lado da hecatombe social que se abate sobre os portugueses empobrecidos; que as novas condições de desenvolvimento sejam as típicas de um país subdesenvolvido (emigração, trabalho e velhice sem direitos) que tínhamos deixado de ser; que a reforma do Estado proposta seja aquela que os países latino-americanos rejeitaram nos últimos 15 anos precisamente para construir sociedades mais equitativas — nada disso é relevante para a mídia ou entra no discurso político. No momento em que o país vive um momento político idêntico ao do Verão quente de 1975, só que de sentido político oposto, o Partido Socialista (PS), sem a coragem de então, pede que seja tornado público o conteúdo da carta de intenções com que se concluem os trabalhos da troika. Não se trata de enfrentar a mentira com a verdade, mas antes de certificar que a mentira é verdadeira. Com razão, o primeiro ministro Passos Coelho responde que a carta não contém nada de novo nem de extraordinário. Basta consultar a letter of intent da Irlanda de 29 de Novembro de 2013. A carta é a expressão do compromisso do país a aceitar como verdades as mentiras que acima referi e de agir em conformidade nas próximas décadas. (...)"


"(...) Portugal sai da Europa seguro pela trela curta do euro e do tratado orçamentário. Não pode ir muito longe. Arranjará um lugarzito na soleira da porta da Europa, um país sem-abrigo por onde passarão regularmente as carrinhos da sopa humanitária. É digno de nós, como portugueses e como europeus, que não haja alternativas a este estado das coisas? Claro que não. Estará o atual sistema político-partidário em condições de explorar essas alternativas? Claro que não. Como em democracia há sempre alternativas, o regime atual é democrático? Claro que não. Haverá então alternativas democráticas, quer a nível nacional, quer a nível europeu, a este regime autoritário? Claro que sim. Para isso, é necessário que a jangada de pedra, tão premonitória, se afaste o suficiente para romper com a trela ou para forçar que ela seja refeita de modo a dar mais margem de liberdade ao movimento da jangada. Não esqueçamos que os cães são os melhores amigos dos homens. O cão de Saramago, Constante, no momento crucial de ter de decidir, optou pela Península Ibérica".
NOTA:
Dois excertos de um recente artigo do Professor Doutor Boaventura Sousa Santos.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

PÉROLAS POLÍTICAS


A pobreza e a exclusão social, sejam quais forem os meritórios objectivos da organização em causa, não se combatem com o futebol de rua. O futebol não combate a fome de muita coisa. Essa chaga combate-se com políticas educativas sérias, estabelecendo prioridades, através de uma escola de natureza inclusiva, centrada no aluno e não na burocracia que rodeia o aluno, com uma outra visão organizacional, curricular e programática capaz de eliminar o abandono e o insucesso, combate-se com políticas sociais integradoras a montante, com políticas de emprego que libertem as pessoas da pobreza e, simultaneamente, com uma outra atenção à cultura em sentido lato.


Foi notícia a realização de um Torneio Regional de Futebol de Rua, promovido pela Associação da Madeira de Desporto para Todos, pela Direcção Regional de Juventude e Desporto e pela Câmara Municipal do Funchal. Da conferência de imprensa de apresentação retive duas pérolas: primeiro, que a competição “promove a prática desportiva como estratégia inovadora de intervenção social, no combate à pobreza e exclusão”; segundo, as declarações do secretário regional da Educação e dos Recursos Humanos que foi muito mais longe: “(...) Esta manifestação desportiva é muito importante, no combate à pobreza, exclusão e marginalização. Por isso está de parabéns a organização, a quem lanço o desafio de não só pensar em trazer a fase final do Torneio Nacional de Futebol de Rua, como também em pensar na realização do Mundial na Madeira. O desafio é colocar a cidade do Funchal no centro das atenções, realçando as boas práticas que por aqui se vão fazendo e que muitas vezes não têm a visibilidade merecida”.
Ora, a pobreza e a exclusão social, sejam quais forem os meritórios objectivos da organização em causa, não se combatem com o futebol de rua. O futebol não combate a fome de muita coisa. Essa chaga combate-se com políticas educativas sérias, estabelecendo prioridades, através de uma escola de natureza inclusiva, centrada no aluno e não na burocracia que rodeia o aluno, com uma outra visão organizacional, curricular e programática capaz de eliminar o abandono e o insucesso, combate-se com políticas sociais integradoras a montante, com políticas de emprego que libertem as pessoas da pobreza e, simultaneamente, com uma outra atenção à cultura em sentido lato. Depois, senhor secretário do estado a que isto chegou, quando os cofres da Região estão no vermelho, quando o governo não cumpre a calendarização dos contratos-programa assumidos com o associativismo, quando pede um desconto sobre o que foi prometido, quando ressalva que a atribuição de subsídios está dependente da retirada de queixas na Justiça contra o governo (chantagem), quando não há dinheiro para subsidiar iniciativas com história, pergunto, como pode vir falar da internacionalização de uma competição? Patético! Deveria preocupar-se, primeiro, com tudo o que falta nas escolas, com o crescente desespero dos professores e com as enormes carências sociais. Começar por aí, convenhamos, é bem mais difícil.
NOTA: 
Artigo de opinião da minha autoria publicado na edição de hoje do DN-Madeira.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 25 de maio de 2014

HÁ BOMBA POR PERTO!


Nunca Alberto João Jardim escreveu um artigo politicamente tão acutilante como o de hoje. Apenas isto: "Pschiu! Hoje não há conversa. Vamos votar!" Sublime. Fantástico. Ele que até em dia de eleições costumava inaugurar obras públicas e privadas, desta vez, decidiu não encher colunas de habituais vómitos políticos. Das três, uma: ou tomou juizinho, ou já não tem nada para dizer, muito menos para inaugurar! Ou um misto das três, se bem que juizinho político é coisa que nunca apresentou, nem na montra nem no armazém. De qualquer forma, no plano do debate político, foi uma atitude de higienização mental para muitos que passam os olhos pelos seus escritos. Seria fastidioso, no dia de hoje, ler historietas da maçonaria, da "perseguição" da família Blandy e dos que pertencem à Madeira Velha. Se não lhe desse para outra coisa, para pegar na esferográfica e despachar meia dúzia de tiros contra os que tentam retirar-lhe o tapete da quintinha onde diz trabalhar pela Madeira. 


No entanto, este silêncio, politicamente, pode ter um outro significado. Será um passo atrás para dar dois em frente? Ás vezes os silêncios são ensurdecedores. E neste caso, que jogadas estará a desenhar para mais um qualquer xeque-mate? E a quem? Naquele saco de gatos no qual o PSD-Madeira está transformado, onde a ninhada cresce e  se arranha por desespero, se esta atitude de "Pschiu! Hoje não há conversa",  à cautela, transporta o significado do receio pelos resultados que venham a se verificar fechadas as urnas? Nem uma palavra contra a abstenção, na perspectiva de, pelo menos os seus, darem corda aos sapatos e comparecerem. Estranho. Ou há "gato escondido..." ou perdeu a seu retrato de "único importante"! Seja como for, repito, no jornal pago pelos nossos impostos, desta vez esteve muito bem, pelo menos não incomodou! Mas há bomba por perto!
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 24 de maio de 2014

A IMPORTÂNCIA DE VOTAR


Por maiores que sejam os atropelos, por mais evidente que seja o facto desta Europa não servir as populações que a integram, a verdade é que, por enquanto, estamos nela e, por isso mesmo, necessário se torna votar contra os interesses dos directórios que nos espezinham com palavras muitas vezes doces. Esta gente tem de ser corrida. 




Li,do Antropólogo e Historiador Panagiotis Grigoriou (Le Monde Diplomatique) um importante artigo sobre a Grécia. A páginas tantas, destaca: "(...) Num jornal de Atenas, esta oferta de emprego:em Creta procura-se "criada de quarto, sem salário, em troca de alojamento e comida". 
Esta é a consequência das troikas que por aí andam e dos tiros de Bruxelas contra o direito ao trabalho, todos apostados naquilo que se designa por "dumping social". Uma vergonha. Votemos contra esta gente.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

FICOU CHORAMINGÃO COM O DÓI, DÓI...




O Dr. Jardim ficou choramingão com o "dói, dói..." do cartaz do PND. Interessante, aquela força toda manifestada, durante anos, pela boca fora, aquele ar altivo, aquela crítica sistemática às instituições que deveriam acabar, perdeu-se pelo caminho. Agora, um simples cartaz (Dói, não dói? Vota nos mesmos) motivou uma queixinha a Lisboa. Foi-se o sentido de humor e emergiu, tal como o "azeite" do Bloco de Esquerda (de uma campanha passada) a verdadeira face do "chefe". Quando é de ataque aos outros, tudo bem; quando os outros, subtilmente, pisam-lhe onde dói, alto e parem o baile. Sofre tanto com as dores.
É evidente que dói e é evidente que este governo anda a azedar desde 1978. Imagine ele perante tanto enxovalho feito a tantos adversários e ao longo de tantos anos, a capacidade que não tem sido necessária para aguentar e resistir quase sem pio! 
O que me leva a pensar que a recente reclamação junto da Comissão Nacional de Eleições, constitui um momento politicamente interessante, pois é revelador que a ave perdeu penas, estão velhas e gastas, já não sendo capaz de grandes voos. Anda de ramo(s) em ramo(s). Agora pede socorro por um simples cartaz cheio de humor, politicamente acutilante mas que não ofende, pois sugere que os madeirenses, se não lhes tem doído, pois então, "votem nos mesmos".  

quinta-feira, 22 de maio de 2014

GLENN MILLER

25 DE MAIO - ELEIÇÕES EUROPEIAS. NÃO TRANSFORMAR O SONHO EM PESADELO!


"NÃO faça nas URNAS o que costuma fazer na sanita, pois na sanita você faz a descarga e não vê mais, mas nas urnas você leva 4 anos a ver a merda que fez".


Aproxima-se o dia das eleições europeias. Domingo, temos o dever de reservar um tempo para cumprir o que a Democracia exige de todos os cidadãos. Dizer que são todos os mesmos, que a trafulhice anda por aí, que o descrédito dos políticos é evidente e que nada melhorará com novos protagonistas, não constitui solução. Não votar significa entregar o poder, de bandeja, a quem não gostamos, ou porque nos roubaram, saquearam ou diminuíram direitos sociais conquistados com muita luta; não votar significa dizer sim à transformação do sonho europeu num pesadelo europeu. E nós estamos a viver esse pesadelo consubstanciado numa clara agressão aos povos, onde deixou de existir solidariedade no âmbito do sentido de comunidade, mas espezinhamento para favorecimento dos grandes interesses financeiros. Não falo de igualdade entre as nações, mas de solidariedade comunitária, o que é bem diferente. É perverso que os directórios europeus, liderados por grupos que sabem de onde vêm, o que pretendem e para onde seguem, entrarem no país para nos dominarem a seu bel-prazer. Tenhamos presente o texto de Frédéric Panier, Economista na Universidade de Stanfort, Califórnia, a propósito dos "arranjos contratuais, que pretende fragmentar as solidariedades nacionais (in Le Monde Diplomatique): "(...) Os arranjos contratuais, igualmente conhecidos pelo nome "Instrumentos de Convergência e Competitividade" assentam num princípio simples: em troca de incentivos financeiros, os estados europeus serão convidados a assinar contratos de reformas macroeconómicas com a Comissão. Estes compromissos incidirão sobre os sectores social, económico ou fiscal, independentemente das competências transferidas para as instituições europeias. Assim, tendo em conta as prioridades actuais da Comissão, é fácil imaginar que a concessão de "vantagens financeiras" pode vir a ser condicionada à eliminação de medidas de protecção do emprego, a reduções das despesas sociais, ou a benefícios fiscais às empresas... ". Isto, segundo o Partido Socialista Europeu (PSE), Sergeï Stanichev, que assegura que ele poderá "fazer desaparecer as disposições sociais em todos os Estados Membros, um atrás do outro, medida atrás de medida". 
É pois contra esta vergonhosa teia de interesses europeus que devemos lutar. A única arma que dispomos é a do voto. Domingo temos o dever de dizer NÃO a estes senhores que dominam politicamente a Europa. Eu irei votar.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

O DESESPERO DE PAULO PORTAS E A CAMPANHA ELEITORAL NEGATIVA


Não foi José Sócrates que chamou a Troika, mas sim Passos Coelho e Paulo Portas, ávidos que estavam para chegar ao poder. Foram estes senhores que chumbaram o PEC IV e abriram as portas a uma crise política gerada externamente. O PEC IV, já foi explicado, constituía a solução, no caso português, negociada em Berlim, com o BCE e com Angela Merkel. Daí que, não fosse o chumbo ao PEC IV, o FMI não entraria em Portugal. Se alguém lutou para que Portugal não ficasse sob o domínio da troika, esse político chama-se José Sócrates. Dos outros, reza a História, pela fome de poder, chumbaram essa negociação, aliás, idêntica àquela que Espanha seguiu. Em síntese, a História é esta. E se não tivessem derrubado o governo, provavelmente, não teria sido necessária tanta austeridade e tanta ausência de respeito pela população. Mas ele (Paulo Portas), descaradamente, atira-se a José Sócrates falando de tentativa de "glorificação". 

Políticos que não falam a verdade.

Paulo Portas pediu aos eleitores: "Usem democraticamente o direito à indignação. O que é que isso quer dizer? Domingo não fiquem em casa, vão votar serenamente e travem o caminho desta glorificação de José Sócrates" (...) "Eu apelo aos eleitores para pensarem bem quando virem José Sócrates, o homem que chamou a ‘troika', o homem que assinou o memorando, o homem que nos levou ao precipício financeiro e que nos custou toda esta austeridade, na próxima sexta-feira, ser levado em ombros pelo PS. Pensem bem". Esta é a campanha negativa de Paulo Portas, com uma declaração que não corresponde à verdade. Não foi José Sócrates que chamou a Troika, mas sim Passos Coelho e Paulo Portas, ávidos que estavam para chegar ao poder. Foram estes senhores que chumbaram o PEC IV e abriram as portas a uma crise política gerada externamente. O PEC IV, já foi explicado, constituía a solução, no caso português, negociada em Berlim, com o BCE e com Angela Merkel. Daí que o FMI não entrava em Portugal. Se alguém lutou para que Portugal não ficasse sob o domínio da troika, esse político chama-se José Sócrates. Dos outros, reza a História, pela fome de poder, chumbaram essa negociação idêntica àquela que Espanha seguiu. Em síntese, a História é esta. E se não tivessem derrubado o governo, provavelmente, não teria sido necessária tanta austeridade e tanta ausência de respeito pela população. Mas ele, descaradamente, atira-se a José Sócrates falando de tentativa de glorificação. 
De facto, ninguém olha para uma árvore que não dá frutos. E se fala da glorificação de José Sócrates é porque, no essencial, tem presente que o caminho seguido pela direita foi de total irresponsabilidade, que redundou em frustração e que o povo já se apercebeu que foi enganado. Paulo Portas tem, assim, medo da presença de José Sócrates, ao mesmo tempo que adivinha que o "direito à indignação" manifestar-se-á num voto contra o PSD/CDS, enquanto primeira etapa das legislativas nacionais a terem lugar em 2015. Faz, portanto, do ataque a sua defesa. Ele sabe que as maldades contra o povo perpetradas nos últimos três anos, maldades bem expressas na destruição de postos de trabalho, no aumento da dívida externa, apesar dos pesadíssimos sacrifícios e de uma austeridade que roubou milhões de portugueses, pagam-se nas urnas. E estou convencido que vai pagá-las com juros.
Por tudo isto, não dou muita relevância àquelas declarações. Enquadro-as numa atitude de desespero eleitoral. Todavia, pergunto, como pode ser tão mentiroso! É que sobre Passos Coelho não havia dúvidas. Este, já ultrapassou a cena do "irrevogável" e do "cisma grisalho", colocando-se, agora, no patamar da mentira grosseira.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 20 de maio de 2014

CAVACO E AMÉRICO - TÃO PARECIDOS QUE ESTÃO!


Estão cada vez mais parecidos. A recente declaração do Presidente da República Cavaco Silva, no regresso da sua visita à China ("Eu bem tentei, mas ainda não foi desta que consegui grandes progressos a comer com pauzinhos"), trouxe-me à memória outra triste figura do Estado, o Almirante Américo de Deus Rodrigues Thomaz, último presidente do Estado Novo, que a Revolução de Abril depôs. Américo ficou conhecido pelas suas declarações patéticas ditas, ainda por cima, com um tom quase monocórdico e irritante. Cavaco segue-lhe o rasto, mastiga e mastiga, enrola e não sai nada. Se o Almirante, conhecido, também, pelo corta-fitas, era exímio a fugir dos assuntos que, politicamente, não interessavam abordar, Cavaco segue-lhe o rasto. Os tempos são diferentes, os contextos também, mas ambos são expoentes no exercício de funções que não coloquem em causa a “Causa”. Ambos, repito, em tempos diferentes, mas “A bem da Nação”, são figuras a tempo inteiro do circo montado, são contorcionistas, malabaristas, trapezistas e até “palhaços” sem graça alguma. Muito pouco os separa. Cavaco, até, inscreveu-se na PIDE/DGS (os documentos circulam na NET) e perfila uma ala claramente ultraliberal, onde o capital vale muito mais que as pessoas. Américo era uma figura decorativa do Estado, subordinado ao governo; Cavaco segue-lhe o rasto ao permitir que a dupla Passos/Portas faça o quer e entende. Américo tinha uma mulher, Gertrudes, que andava à sua beira por tudo quanto era sítio e solenidade; Cavaco tem uma Maria intrometida que não conhece o seu papel secundário. Também aqui não existem diferenças substanciais. Américo foi ridicularizado pelos portugueses; Cavaco segue-lhe o rasto, bastando para tal que se leia o desencanto dos portugueses, bem patente nas redes sociais. Américo foi corrido e Cavaco será.

Fiz uma busca através do Google e, tal como esperava, encontrei frases de ambos que testemunham o que acabo de escrever. Seleccionei algumas:
Cavaco Silva: “Ontem, reparava no sorriso das vacas que estavam satisfeitíssimas, olhando para o pasto e verificando aquele que começava a ficar mais verdejante”.
Cavaco Silva: “Como nos vamos livrar deles (funcionários públicos)? Reformá-los não resolve porque deixam de descontar para a CGA e diminui as receitas de IRS. Só resta esperar que acabem por morrer”.
Cavaco Silva: “Quando, no dia 13 de Maio, surgiu a notícia de que finalmente a 7.ª avaliação (Troika) tinha sido mandada para trás das costas e que estava aberto o caminho para a extensão das maturidades, a minha mulher disse-me: 'Ó meu caro – ela [Maria Cavaco Silva] trata-me de outra forma – isto é com certeza influência de Nossa Senhora de Fátima, porque hoje é dia 13".

segunda-feira, 19 de maio de 2014

PARA O SECRETÁRIO DA EDUCAÇÃO O CONHECIMENTO ENTRA A 100 E SAI A 200!


Hoje começa a tortura dos exames. O ano lectivo escolar termina no final de Junho, mas a paranónia dos exames do 4º e 6º anos aí está! Repito aqui a declaração do Professor Sérgio Niza que disse que "o ministério da Educação é de uma ignorância que faz medo". Concordo, totalmente, não apenas pelo essencial daquela declaração, mas sobretudo quando se cruzam as preocupações do ministro com tantos investigadores e professores que, para além da formação inicial, revelam a experiência acumulada da sua prática pedagógica. É claro que do ministro não há nada a esperar e com ele os educadores e professores da Região Autónoma da Madeira passam bem. O que já não é tolerável é que a Madeira disponha de um governo regional que aceita uma política que contraria tudo quanto está estudado sobre esta matéria. 


Em 2013 deixei aqui um texto que, no essencial, sublinhava: "(...) É preciso redescobrir o signicado de ir à escola, de estudar. Mercado de trabalho e status social são questões que devem deixar de nortear as políticas educacionais. A sociedade valoriza muito mais o trabalho cooperativo, mas a escola forma alunos muito mais focados no trabalho individual" (...) A maioria dos grandes pensadores que deixaram um legado para a humanidade seguiram caminhos muito diferentes do convencionalmente estabelecido". Portanto, a questão central não pode circunscrever-se aos exames, mas à mudança do sentido de Escola. Mudança de paradigma que é difícil, sublinho, não só porque os políticos não se interrogam, mas porque há uma mentalidade formatada e encaixotada que impede desde logo a discussão séria dos assuntos. E se os centros universitários de formação e investigação bem lutam por uma mudança, a verdade é que se trata de uma luta desigual, simplesmente porque, por ignorância altifalante, os decisores não querem ouvir". E o secretário da Educação não quer ouvir. Pior, ainda, quando são realizados encontros, seminários, conferências, enfim, tantas iniciativas onde são assumidas posições que contrariam as actuais directrizes, todavia, ao secretário, eu diria que tais reflexões entram a 100 e saem a 200! Regressarei a este assunto.
Outros textos sobre esta matéria em:
http://comqueentao.blogspot.pt/2013/01/exames-no-ensino-basico-nao-obrigado.html
http://comqueentao.blogspot.pt/2013/05/os-exames-que-nunca-deveriam-ser.html
http://comqueentao.blogspot.pt/2013/05/exames-de-1-ciclo-e-ereccao-da_2.html
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 18 de maio de 2014

AI JUNKER... JUNKER...



Li: "O candidato do Partido Popular Europeu (PPE) à presidência da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, defendeu que Portugal fez "um excelente trabalho", com uma "impressionante" "saída limpa", afirmando que os resultados vão chegar à vida das pessoas (...) "sei que o plano de resgate foi fortemente criticado, mas os resultados agora estão aí, ainda não estão aí tão rapidamente no que às pessoas diz respeito, mas vão chegar. O desemprego está a diminuir, as trocas comerciais com o estrangeiro estão a melhorar, as exportações estão a melhorar, todos os indicadores apontam para uma melhor situação (...)". Em poucas palavras: a direita política, quase radical, é assim. Pouco se rala com a pobreza, com o desemprego e com a emigração forçada. O que interessa é abrir as portas ao grande capital, privatizar tudo o que cheire a dinheiro e permitir a especulação dos mercados. Da felicidade dos povos a direita tem um entendimento muito limitado. Basta olhar para Portugal e aquilatarmo-nos do que este governo Passos/Portas fez em três anos. Foram alguns meses de campanha a prometer o Céu e mil dias a roubar, descaradamente, quem vive do seu trabalho. Os indicadores estão também aí: aumento da mortalidade, diminuição da natalidade, salários em queda, carga fiscal insuportável, pobreza e falta de esperança. E continua este Junker a prometer o Céu! 
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 17 de maio de 2014

O FUTURO QUE QUEREMOS


É notória a perda de rendimentos dos visitantes europeus. Não interessam se são franceses, se portugueses, os alemães e holandeses terão perdido menos, mas mesmo assim, já se nota na Madeira que os que nos visitam já não são quem eram. E se esta mudança se nota na forma como os turistas gastam, nota-se ainda mais no que fazem, no que querem fazer, e ainda mais no que sabem e no que querem saber.


Li e aconselho a ler este importante artigo (DN-Madeira) do Guia de Turismo Roberto Loja. Ao longo da sua leitura há que relacionar as suas palavras com tudo o que nos rodeia e que nos leva, certamente, a dizer NÃO a esta Europa. 
"Nestas últimas semanas tenho tido, como guia intérprete, oportunidade de trabalhar com vários grupos distintos, de várias nacionalidades e de vários estratos sociais. Reformados (muitos, franceses, ingleses, alemães, holandeses, portugueses, israelitas,…), famílias em férias (menos, portugueses, americanos, franceses, …), médicos (poucos). Tive de tudo um pouco, oriundos de maior parte do primeiro mundo, poucos do “segundo” mundo e ainda menos do terceiro. Os interesses destes visitantes eram tão variados quanto as suas origens e como as suas bolsas.
É notória a perda de rendimentos dos visitantes europeus. Não interessam se são franceses, se portugueses, os alemães e holandeses terão perdido menos, mas mesmo assim, já se nota na Madeira que os que nos visitam já não são quem eram. E se esta mudança se nota na forma como os turistas gastam, nota-se ainda mais no que fazem, no que querem fazer, e ainda mais no que sabem e no que querem saber.
E é por achar que esta mudança é má para nós, e porque é resultado de alterações substanciais na maneira de ser e de estar europeias, que acho que é importante que todos os europeus se reúnam para fazer das próximas eleições europeias uma enorme manifestação de cidadania, com participações recorde em toda a Europa. E que o novo Parlamento Europeu que vai sair destas eleições se reja por princípios mais solidários e mais democráticos que o mero fluxo de capitais.
A minha utopia? Que se dêem passos decisivos para assegurar mais justiça, mais e melhor democracia, mais e melhor cidadania, mais e melhor participação, mais emprego, mais igualdade, mais solidariedade, e mais liberdade, numa Europa que seja acima de tudo integradora e equitativa do que tem sido. Duma Europa que acabe com as diferenças entre pequenos e grandes, pobres e ricos, fracos e poderosos. Duma Europa menos Durão Barroso e mais Jacques Delors. Duma Europa mais social e mais socializante".

sexta-feira, 16 de maio de 2014

ESTEJA DESCANSADO SENHOR VICE-PRESIDENTE NINGUÉM ESQUECERÁ O 20 DE FEVEREIRO


Em visita a uma obra, o vice-presidente do governo regional da Madeira, Dr. João Cunha e Silva, disparou: “(…) Há quem se esqueça muito rapidamente do que aconteceu no dia 20 de Fevereiro, há quem se esqueça dessa tragédia, há quem se esqueça que morreram 50 pessoas e que nós precisamos de trabalhar muito para evitar tragédias dessa dimensão”. Ora bem, ninguém se esquece ou esquecerá. Todos estão lembrados e guardam em memória activa esse trágico dia. O problema, por isso, é outro, não é de esquecimento, mas sim de avaliação da incúria de um governo que, ao longo de trinta e tal anos, desrespeitou os instrumentos de planeamento e que se permitiu, de braço dado com as autarquias locais, fechar os olhos ou assobiar para o lado, relativamente à necessidade de um rigoroso controlo no que concerne à defesa de pessoas e bens. 


Foram trinta e tal anos de ofensas aos movimentos ecologistas, aos geólogos, aos geógrafos, aos académicos e aos políticos da oposição, que tantas vezes chamaram à atenção para os erros que estavam a ser cometidos. Disso, Senhor vice, ninguém se esquece. Se outra tivesse sido a responsabilidade política, possivelmente, não teriam morrido tantas pessoas; se outra tivesse sido a responsabilidade política do governo, as sucessivas chamadas de atenção tinham tido eco e as obras de protecção há muito estariam concretizadas. É disso que ninguém se esquece. Ninguém se esquece que andam a mudar, radical e perigosamente a baía do Funchal, quando a necessidade primeira seria, com o dinheiro da Lei de Meios, acudir as pessoas que vivem em zonas de risco ou que ainda se encontram desalojadas. Esteja descansado que, politicamente, ninguém se esquecerá da incúria, do laxismo, dos discursos ocos, da inversão das prioridades e do “planeamento directo” realizado nos adros das igrejas em tempo de campanha eleitoral. Foram anos que bastava pedir, porque, para os senhores, estava em causa, não a defesa das pessoas, mas a eleição seguinte. Portanto, de nada valerá passar uma esponja sobre o passado, mascarar as situações, sacudir as responsabilidades, porque as pessoas conhecem as razões que conduziram a que a tragédia não fosse atenuada.
Ilustração: Google Imagens.

CIDADES E LUGARES 747 - LEIDEN/HOLANDA



Catedral de St. Peters, em Leiden - Holanda.
"A história do Pieterskerk começa por volta de 1100. A construção da actual Pieterskerk começou em 1390 e continuou por cerca de 175 anos. O coro foi concluído e consagrado em 1412. Construção na nave e laterais corredores seguido pouco tempo depois, e em 1450 foram acrescentados corredores laterais adicionais. A igreja foi concluída em sua maioria em 1500".
Foto de arquivo pessoal.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

ELEIÇÕES INTERCALARES


A situação política a que a Câmara do Funchal chegou, determina uma absoluta necessidade de partir para eleições intercalares. Vou por partes: não é a MUDANÇA política no Funchal e na Região que está em causa, mas sim os recentes protagonistas dessa viragem histórica. A MUDANÇA constitui uma NECESSIDADE absoluta, porque quase quarenta anos de poder monocolor deixaram um rasto de mais de seis mil milhões de dívidas (estamos a pagar uma dupla e penosa austeridade devido a esses senhores), pobreza, desemprego, conluios, ofensas, perseguições, utilização indevida dos dinheiros públicos (Jornal da Madeira, por exemplo) governamentalização das instituições públicas e privadas, um governo a contas com a Justiça (processo Cuba Livre) e permanentemente sujeito a críticas por parte do Tribunal de Contas. Ora, se isto não é motivo de MUDANÇA urgente, pergunto, o que necessário será para concluir que, quem esteve, de forma absoluta no governo e nas autarquias, deve ser claramente afastado? Daí que, “MUDANÇA” seja uma coisa e protagonistas outra.


Desconheço as causas mais profundas da situação. Daí que não emita qualquer juízo de valor. Sei do essencial que tem sido veiculado pelos órgãos de comunicação social. Enquanto cidadão gostaria de perceber o que se encontra por detrás deste quadro negro. Simplesmente porque acho esquisito, desbaratar em pouco mais de seis meses, o capital de MUDANÇA saído da lotaria dos votos. Esquisito, porque cinco pessoas foram eleitas de acordo com um excelente PROGRAMA, e bastaria que por aí se guiassem, com rigor e determinação. Apenas isso. Tal não está a acontecer e daí que, politicamente, ninguém possa ignorar a realidade. 
Escrevo revoltado porque não admiti, como hipótese, um cenário como o que tem vindo a público. Revolta porque milhares de funchalenses souberam dizer basta; revolta porque uma situação destas poderá comprometer o futuro pelo qual tantos milhares ansiaram. E sendo assim, manda a minha dignidade democrática e a minha LIBERDADE que eu assuma a necessidade do povo ser consultado em eleições intercalares. Não há outra saída possível. Mas, repito, não é a MUDANÇA que está em causa, mas sim um processo que falhou. E há que tentar novamente. Os do passado, esses, não são a solução para o futuro. São apenas passado.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

CURVADOS AO JEITO DO BAILE PESADO


Há personagens, não é que me revoltem, mas pelas quais acabo por sentir alguma pena. Se, em matéria de política, podemos ou devemos ter pena! Seja como for digito ao correr do pensamento. Tenho-me cruzado com muitas figuras. Umas por amizade nascida após Abril de 1974, outras que determinadas circunstâncias vieram a “corrigir” os seus azimutes políticos. Algumas diziam do PSD o que “Maomé não disse do toucinho”; outras, que consideraram que as convicções político-ideológicas não se coadunavam com as verdades primeiras. Destas últimas rigorosamente nada me opõe. Seguiram o seu trajecto, sem interesses e sem jogadas pré-idealizadas no tabuleiro do xadrez político. Do outro grupo são tantos aqueles que mandaram as convicções às malvas, silenciosamente e com mil e um cuidados foram mudando de cor e mudando a carapaça até ao momento de espreitarem uma oportunidade de algum poder por mais ínfimo que fosse. 


Não me refiro aos de meia tabela para baixo que, por necessidade ou porque, por exemplo, um familiar precisava de emprego e o cartão constituía um importante passaporte (houve tempos assim), subjugaram-se a esse aceno do “vem por aqui”, refiro-me aos outros, àqueles que não precisavam, nem do exercício da política nem dos favores, que inicialmente eram uma voz crítica independente ou situada no espaço da esquerda política, que zurziam forte e feio “no senhor governo” e nas trapaças que se adivinhavam, que por mim passavam e diziam entre outras coisas: “a luta continua”, que apregoavam princípios e valores sociais, que se mostravam intolerantes para com certos políticos, esses, sim, porventura acabo por ter pena. Venderam-se aos bocados como bem explicou Sttau Monteiro no capítulo “O homem vende-se”, no livro “Angústia para o Jantar”: "(...) O homem vende-se aos bocados, a prestações, dia a dia. Muitos, ao fim dum tempo, já nem sabem que estão a vender-se: atingem uma posição que os obriga a defender interesses contrários a tudo o que sempre sustentaram, e são comprados por essa posição (…)”.
Quando leio determinados artigos de opinião, quando os vejo na passerelle do poder ou por aí próximos, lutando pelo dinheirinho ou espreitando uma posição, sinceramente, sinto pena. Muita pena, vê-los rastejar ou simplesmente curvados ao jeito do baile pesado.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 13 de maio de 2014

O DR. MIGUEL DE SOUSA SABE QUE, EM CONFLITOS INTERNOS E PAZ PODRE, O PSD DÁ 10-0 À "MUDANÇA"


O Dr. Miguel de Sousa é um homem político com muita lata ou então de memória política muito curta. Li a parte inicial do seu texto de ontem: "Desintegra-se a coligação que lidera a Câmara Municipal do Funchal. Como previsto e anunciado. Sem respeito pelos eleitores que, por uma ou outra razão, resolveram dar confiança a quem parece não merecer (...)". Esta a frase inicial do seu texto. Confesso que desisti do resto. Não sei o que escreveu. Nem me interessa, sobretudo porque o Dr. Miguel de Sousa, demonstrou, uma vez mais, uma ausência de memória, repito, política. Eu, sinceramente, prefiro esta realidade da Câmara do Funchal, com possibilidades de solução, porque não existem organizações perfeitas, do que um governo que anda há trinta e tal anos em paz podre e em sucessivos equívocos. O Dr. Miguel Sousa sabe, ora se sabe, porque é que o governo ainda não caiu. Hoje, por exemplo, e este é apenas um exemplo, posiciona-se contra o Jornal da Madeira, mas sabe o que tem significado o JM na permanente campanha em favor de gente que, também hoje, não lhe merece consideração e respeito. Nem pessoal. E o Dr. Miguel de Sousa também sabe, porque é vice-presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, o que tem sido a governamentalização do primeiro Órgão de Governo Próprio. A vergonha em que se transformou, com quase duzentos projectos agendados e não discutidos, para além da captura de uma casa de todos por um único partido. 


Quando se jogam pedras à casa do vizinho, diz a sabedoria popular que devemos olhar para os nossos telhados de vidro. E o PSD no poder, sabe o Dr. Miguel de Sousa, que os telhados estão todos esburacados. Não foi eu que escrevi, também por exemplo, que "Jaime Ramos, no jornal pago pelo PSD, fala em candidatos que agora cospem no prato que lhes deu e dá de comer. AHAHAH. Nada seria mais cómico se não fosse sério. Quem será que comeu do orçamento ao longo de todos estes anos de fartura financeira? Porque não denunciou? Ou se auto-denunciou? Se calhar o Sr. Ramos gostaria que tudo continuasse na mesma, debaixo do seu controlo. Engana-se" (Miguel de Sousa). Não fui eu que falei, desprezando o povo eleitor, seja ele qual for, de "um povo com um palito nos dentes e a boca a cheirar a bacalhau" (presidente do governo). E não fui eu que assumi que "(...) devem tudo a Jardim" (Deputada Ana Serralha). E estas são apenas frases que trago quase de memória. O historial de conflitos internos e de paz podre, muito podre, o Dr. Miguel Sousa, sabe que o PSD dá 10-0 à "MUDANÇA". 
A política faz-se com acutilância mas com seriedade. E no campo da seriedade, sabe o Dr. Miguel de Sousa que quem colocou o Funchal com uma dívida de noventa e quatro milhões de euros não foi a "MUDANÇA". Que a actual equipa deve merecer crítica pelo facto de não ter sabido garantir a desejada união, obviamente que sim. Todavia, rejeito, quando fala de desintegração "como previsto e anunciado. Sem respeito pelos eleitores (...)". Porque no outro lado da barricada a desintegração é pública e notória a avaliar pelas declarações políticas.
Ilustração: Google Imagens.