domingo, 13 de dezembro de 2015

ALDEIAS PORTUGUESAS



Sinto felicidade por conhecer a quase totalidade das aldeias históricas de Portugal. Pelos menos as dos roteiros mais aconselhados. Tantas vezes procuramos lá fora tesouros que estão cá dentro. Há cidades por toda o Mundo que nos esmagam pela deslumbrante imponência do património histórico-cultural. Mas do Sul ao Norte de Portugal, encontramos espaços encantadores que remontam ao Século II a.C e seguintes, desde fortalezas, templos, conventos, aquedutos, pontes, calçadas, casas de xisto, atmosferas absolutamente contagiantes e deslumbrantes que não diria serem únicas, mas que também nos esmagam. Obviamente, para além das formas que a natureza nos proporciona. Gosto de fotografar a pedra no seu estado de pureza. A primeira, em cima, à esquerda, as volumosas pedras parecem duas caras encostadas. A última preciosidade que visitei foi a Aldeia da Pena, a 20 km de S. Pedro do Sul, com pouco mais de dez casas de habitação. Verdadeiramente espantosa.
Espreitei os meus registos fotográficos e aqui partilho um breve apontamento.

sábado, 12 de dezembro de 2015

POLÍTICA EDUCATIVA. CUIDADO COM OS RANKING'S DAS ESCOLAS


Não deixam de constituir um indicador e, no quadro deste sistema educativo, errado de raiz, sublinho, qualquer classificação entendida por muito boa, merece reconhecimento. Estão em causa, fundamentalmente, professores e alunos. Mas, atenção, isto pouco significa. O sistema não deveria funcionar por picos de rendimento, mas pela regularidade ao longo dos anos. Apenas um exemplo, entre vários: em 2008-2009, um estabelecimento de ensino da Madeira obteve a média mais alta do país no exame nacional de Matemática de 9º ano, com 4,53 valores em 43 provas realizadas. No ranking publicado ontem (2015) aparece em 43º da classificação! O estabelecimento a que me refiro já foi terceiro no global e primeiro na Matemática. Como agora uma do sector público surgiu em 26.º lugar (menos de 50 provas realizadas). Tal como neste ranking aparece uma escola da Madeira na posição 1.176 em 1.237 estabelecimentos de ensino básico no todo nacional. Depende de variadíssimos factores. Mas vou ao que interessa, embora, em síntese.


Do ponto de vista da importância da formação básica, os exames pouco ou nada revelam. Dentro do sistema, os ranking's são um indicador, mas apenas isso. Um para juntar a muitos outros. Cada vez mais, não me interessam, porque sou frontalmente contra um sistema que se preocupa com a avaliação e não com o conhecimento. E o conhecimento está muito para além das respostas concordantes com os programas sectoriais explanados no manual. A ditadura (obsessiva) da avaliação tomou conta do lastro cultural que todo o sistema básico deveria comportar. O conhecimento é muito mais vasto e transferível para o futuro, ao contrário de muitas respostas tidas por certas que são para esquecer. Li em Alvin Toffler que os analfabetos do século XXI não são aqueles que não sabem ler nem escrever, mas aqueles que não sabem aprender, desaprender e reaprender. Esta escola não está preparada para isso. Está preparada para dar sempre a mesma resposta mesmo que os quadros sejam distintos. É por isso que, perante a vida que é sempre diferente, esta escola esteja condenada porque assenta no modelo absoluto, tipo pronto-a-vestir, quando precisamos de alta-costura e por medida. Vive e explora uma classificação pontual e mostra-se incapaz de ver o sistema no seu todo, na sua relação e inter-dependência com todos os outros. E se não é assim, procurem, então, realizar uma análise aos resultados de todas as escolas ao longo de todo o tempo. Terão desagradáveis surpresas.
Tantas vezes estive contra as posições da ex-Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues. Todavia, agradou-me ler um seu texto, hoje publicado (Público), do qual saliento a seguinte passagem: "(...) A experiência demonstra também que os resultados escolares não se melhoram com os rankings nem sequer com os exames. Nos últimos três anos, não faltaram rankings nem exames, mas o insucesso escolar aumentou em todos os anos de escolaridade. A melhoria dos resultados escolares exige mudanças e investimentos continuados em três planos. Primeiro, otimização da capacidade técnica e de inovação dos professores e de outros profissionais da educação. Segundo, reforço da inserção das escolas nas comunidades enquanto serviço público de proximidade sujeito à participação e escrutínio das famílias e das instituições locais. Terceiro, atribuição às escolas de instrumentos de organização adequados. A autonomia e melhoria da liderança e da gestão das escolas, nos planos científico, pedagógico e organizacional, devem traduzir-se na possibilidade de decidir sobre o tempo de trabalho-tarefa dos alunos, sobre as práticas pedagógicas e sobre a gestão dos currículos, dos programas e da diferenciação das ofertas formativas. (...)". Eu não ficaria por aí, mas é um caminho.
Ilustração: Google Imagens.

A HORA DA VERDADE


O PS-M não é, nem será, a bengala do PSD-M para esconder as insuficiências de governação ou as incongruências políticas que têm norteado os dirigentes reciclados de um PSD-M cheio de vícios e incapaz de se adaptar aos tempos de colaboração e cooperação inter-partidária, em prol da Região, que o PS-M tem construído ao longo dos últimos meses. Não é preciso esperar mais para compreender que o caminho deste PSD-M recauchutado, depressa se cruzará com as práticas conhecidas do PSD-M original. Esta frase, aparentemente surpreendente, nada tem de surpresa. Nunca esperei nada de novo de um PSD-M que escondeu alguns dos seus principais protagonistas, mas manteve a base de apoio que se reorientou descaradamente em direcção ao cheiro do poder, não sem, pelo caminho, aplicar facas nas costas de muitos lutadores sociais democratas por uma autonomia aprofundada e responsável.


Os actuais dirigentes sociais democratas voltaram ao vale tudo. Primeiro, mostraram uma peculiar e anormal vontade de estabelecer plataformas de consenso lançadas pelo PS-M mas, à primeira oportunidade, mataram o trabalho concretizado. Um esforço genuíno, que defendia a Madeira em torno do novo hospital e a forma de o concretizar. Sabemos hoje que a aparente atitude de colaboração e consenso não era uma vontade genuína mas um truque partidário. Mas, os sinais do regresso ao passado não ficaram por aqui. Andaram cegos, surdos e mudos durante um longo período de ajustamento das contas da Região e permitiram que todas as atrocidades fossem cometidas aos madeirenses, incluindo deixar, sem discussão, que a coligação PSD-CDS tenha ficado com 60 milhões de euros da sobretaxa de IRS cobrada na RAM , numa clara violação à filosofia do Estatuto da Região . Estiveram, sobre este tema ( e muitos outros) calados 4 anos, incluindo os 7 meses em que o PSD-M de Albuquerque partilhou a governação com a coligação PSD-CDS, o que representa, só neste assunto, uma perda de quase 9 milhões de euros para os cofres da Região. Mas, de repente, sem mais delongas, e logo que em Lisboa passou a governar o PS, reaparece o PSD-M esquecido mas agora reforçado de energia. Assim, cheios de convicções e idealismos autonomistas, pedem responsabilidades ao PS-M. Querem que seja o PS-M a resolver o que não resolveram, ou sequer colocaram na agenda política. Em 4 longos anos que partilharam a governação com a coligação PSD-CDS só se ouviram desculpas e encolher de ombros, perante as sucessivas acções contra a Madeira. Aliás, os que dentro do PSD-M destoaram desta concordância até tiveram a falta de solidariedade da actual liderança do PSD e total falta de solidariedade.
Na prática pelo que vi e ouvi, querem que o PS-M assuma as responsabilidades do PSD-M e têm a ousadia de afirmar tudo isto num formalismo que tem tanto de anedótico como de descredibilizacão da seriedade política . Mas vão mais longe. Além da sobretaxa também querem que a solução para o hospital fique nos ombros do PS-M. Da parte do PSD-M parece bastar esta dialéctica de passa culpas e responsabilidades, porque nem sequer tentaram disfarçar a convicção, que hoje já tenho, que nada farão para a construção do novo hospital. Se dúvidas existisse, a ausência de referências, ou cabimento orçamental, no orçamento regional, demonstra esta triste constatação. 
Mas ao que vejo a procissão ainda vai no adro. Por isso, estou à espera que o PSD-M apresente o menu completo das exigências: deverão querer que o PS-M resolva a negociação da dívida, o aumento das transferências do Do fundo de coesão, o pagamento da saúde e da educação e por aí fora, numa afirmação displicente e irresponsável.
Posto isto, quero informar, os senhores em causa, que o PS-M estará sempre ao lado dos madeirenses e contribuirá com as suas iniciativas para a defesa dos dossiers que interessam a Madeira. Mas isto não significa que permitimos que o PSD-M se encavalite no PS-M para disfarçar as suas insuficiências e contradições. Não somos o recurso alternativo do PSD-M, não estamos no governo e nem concordamos com o programa aprovado na ALRAM. Por isso, aconselhamos a encontrarem outro poiso para distribuírem a lista de pedidos para Lisboa. Se são incapazes e não têm estratégia de compromisso ou negociação, conforme têm demonstrado, esclareçam os madeirenses que não estão à altura dos desafios.
NOTA 
Artigo de opinião (DN-Madeira), da autoria do Dr. Carlos Pereira, líder do PS-Madeira e Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PS na Assembleia da República.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS - "GATO ESCALDADO DA ÁGUA FRIA TEM MEDO"


É curioso. Os partidos são assim ou assado. Os políticos, genericamente, corruptos, palavra esta no sentido mais abrangente do seu significado. Por isso, doravante, dizem, importantes são os movimentos de cidadania que congreguem as vontades do povo que nem sempre são as dos poderes tradicionalmente instituídos. Nada tenho contra esta vaga ou leitura do exercício da política. Sei e defendo que a verdadeira Democracia não começa e não se esgota na via partidária, embora entenda que seja mais profícuo os eleitores mudarem os partidos do que fragmentarem a sociedade. Porém, em abstracto, e isto é que aqui me traz, os mesmos que vilipendiam os políticos, são os mesmos que na hora da eleição de um Presidente da República, de um presidente nascido fora dos corredores normais da politiquice e do seu bas-fond, apareçam a dizer, ah... mas ele não tem passado político, falta-lhe experiência, por onde andou, só agora é que aparece, enfim, mil e uma historietas da treta apenas para descredibilizá-lo, na tentativa de abrir alas, a quem, pergunto? Exactamente àquele que percorreu os tais corredores da política, que concorreu e nunca nada ganhou, que é uma figura partidária desde que o PSD é PSD e que, pasme-se, tenta, agora, passar por um imaculado independente. De uma pressuposta virgindade política própria de altar. A comunicação social anda a fazer-lhe a caminha de tal forma que, segundo se sabe, nem um cêntimo gastará em cartazes! Espantoso, não é?


Falo de Marcelo Rebelo de Sousa vs Sampaio da Nóvoa. O primeiro é, para muitos, "o Professor"; o segundo, apesar de Professor Catedrático e ex-Reitor da Universidade de Lisboa, portador de dois Doutoramentos, um em Ciências da Educação e outro em História Moderna e Contemporânea, para a comunicação social não passa de um quase intrometido em matéria de presidenciais. Parece não interessar a pessoa, o conteúdo, o que significam os valores que defende, o facto de brotar da tal sociedade não partidária, tudo isso, pelo que tenho assistido, é remetido para plano secundaríssimo, pois o que interessa, agora, é o homem partidário, mesmo que desse político ressaltem situações passadas que não abonam em seu favor. Que o diga Paulo Portas que o considerou "filho de Deus e do diabo. Deus deu-lhe a  inteligência e o diabo a maldade"(ver aqui). Depois de tantas cenas pouco edificantes, é vê-los, hoje, tão casados nesta candidatura, ao ponto de ter escutado, esta manhã, uma declaração de Paulo Portas a enaltecer Marcelo como um político "abrangente e caloroso". Que hipocrisia e que sentido oportunista.
Não confio na sondagem hoje publicada que dá uma folgada vitória, logo à primeira volta, ao candidato Marcelo Rebelo de Sousa. Será possível, como foi divulgado, que Marcelo conquiste votos junto do eleitorado do Bloco de Esquerda, do Partido Comunista e do Partido Socialista? Não acredito e parece constituir uma passagem de uma qualquer anedota. Cheira-me, por isso, a grosseira manipulação. Que uma certa comunicação social esteja a levá-lo ao colo, por razões empresariais, partidárias e ideológicas que bem se percebem e que são públicas e notórias, compreendo, mas esta de assumir que uma parte dos eleitores do PCP votarão no candidato da direita, bom, essa é por demais fantasiosa. Logo um eleitorado que é dos mais politicamente esclarecidos no plano das opções eleitorais. Daí que, repito, embora estejam a fazer a caminha a Marcelo, não acredito nesta intenção do eleitorado. Aliás, será que nada significa o facto de Sampaio da Nóvoa ter o apoio explícito de Mário Soares, Ramalho Eanes e Jorge Sampaio, três ex-presidentes da República? Tem significado zero o facto de tantas referências públicas, de todos os quadrantes políticos, económicos, sociais e culturais estarem ao lado de Sampaio da Nóvoa? Ora bem,  exige-se decência e rigorosa independência dos órgãos de comunicação social. Que eu, no meu blogue ou no FB, demonstre a minha intenção de voto, é uma coisa, sou eu e apenas eu, porém, à comunicação social exige-se distanciamento, esclarecimento e rigor. Quando tal não acontece, ora bem, só há uma palavra para caracterizar: manipulação. 
Termino, deixando aqui as declarações de um outro académico, hoje ministro, Doutor Augusto Santos Silva: "(...) António Nóvoa apresentou-se sem subterfúgios nem tacticismos. Quero um Presidente que contribua para consciencializar os Portugueses das dificuldades por que passam, mas também para exortá-los a que as ultrapassem, valorizando o território, a língua, a educação, o conhecimento, a iniciativa e o talento. Quero um Presidente orientado para o futuro, que projete esperança".

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

DESEMPREGO ASSUSTADOR


"O número de desempregados inscritos no Instituto de Emprego da Madeira voltou a aumentar em Novembro passado, havendo agora 22.808 pessoas disponíveis para trabalhar mas que não encontram uma oportunidade no mercado. São mais 482 desempregados do que no mês anterior, um agravamento de 2,2 por cento" (DN-Madeira). Isto sem contar com os que emigraram e todos aqueles que se encontram em programas temporários de formação ou em estágio profissional. No entanto, quem vagueia pela cidade, no meio de tanta cor e animação, parece que se vive no melhor dos mundos; quem entra nos centros comerciais e perpassa um atento olhar pelos corredores e lojas, imagina que esta é uma terra de bem-estar. A realidade, porém, é bem diferente. Atesta-a os arrepiantes números. Diz o governo regional que não lhe compete criar empregos, que essa é tarefa das empresas. Embora sendo verdade, a questão é outra: não cria empregos, certo, mas tem o dever de gerar políticas económicas que conduzam à criação de empregos. E isso é coisa que não é perceptível a avaliar pelo crescente número de desempregados. 


Mas há qualquer coisa que me parece não bater certo entre a aparência e a realidade e que deveria ser motivo de profunda reflexão, até porque a situação não seja nova. É evidente, pelo que tem sido público, que as instituições de solidariedade social não têm mãos a medir relativamente ao esbatimento das carências. Sabe-se, também, que existem muitos gestos de solidariedade dentro das próprias famílias. Há muita gente que, mutuamente, se ajuda. E também parecem ser evidentes dois outros aspectos: desde logo, que por aí fora, a pobreza é atenuada pela agricultura de subsistência (há mais campos agricultados); depois, prolifera a economia paralela. O biscate. É o pedreiro que desenrasca, o electricista, o carpinteiro, o pintor, o jardineiro, o mecânico, enfim, tantos, sem recibo, que vão aqui e ali, ganhando algum que proporciona esse aparente bem-estar, mas com reflexos muito negativos no futuro. Virão, mais tarde, as pensões e reformas de miséria e a manutenção da pobreza. 
Ora, perante isto, não é sensível uma actuação ao nível de políticas integradas que, face a uma região estruturalmente pobre, dependente e assimétrica, alimente um projecto de esperança no sentido de uma sociedade mais equilibrada e justa. Eu diria que o governo "funciona"! A máquina está velha, ultrapassada, portanto, incapaz de produzir no quadro das actuais necessidades, mas funciona, isto é, também desenrasca! 
Aos mecânicos da velha máquina, incapazes, resta-lhes cruzar os braços e alinhar no folclore político, nas coisas menores, isto é, no rodopio das visitas, na presença em sessões disto e daquilo, nas declarações de circunstância que, ou são óbvias ou já conhecidas, mas nada que potencie uma visão de futuro. A máquina parece uma velha caterpílar. Mais a sério,trata-se de um filme visto e revisto durante muitos anos, que não traz nada de novo, com cenas repetidas e desesperantes. Falta capacidade para ver para além do horizonte, porque há uma clara ausência de referências. É, por isso, um drama assistir a este arrastar político, onde muitas vezes a ideia que resta é a de uma grande preocupação pela imagem do que propriamente pelo futuro dos madeirenses e portosantenses. Ah, e pagar as dívidas da megalomania. 
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

BEM PREGA FREI TOMÁS... FAÇAMOS O QUE ELE DIZ E NÃO O QUE ELE FAZ (FEZ)


Não posso precisar, transcrevendo "ipsis verbis" as declarações, à RDP-Madeira, do Bispo Emérito Teodoro de Faria. Tais declarações não estão, infelizmente, disponíveis no sítio da internet. Mas, no essencial, referindo-se à situação, publicamente turbulenta, na Santa Casa da Misericórdia de Machico, D. Teodoro de Faria referiu-se àqueles que se eternizam no poder. Salientou que é da natureza "humana" as pessoas, depois de alguns anos, (repito, palavras minhas) julgarem-se insubstituíveis e que há sempre um tempo para estar e um para sair. E que a sociedade deveria estar atenta a isso, não permitindo tais situações. 


Absolutamente de acordo. Caso para dizer "palavras santas"! Mas estava eu a escutar esta declaração e, em simultâneo, na minha cabeça giravam pensamentos diversos, do tipo, oh diacho, então por que não assumiu essa posição durante todo o tempo de governação do ex-Presidente do Governo Regional, Dr. Alberto João Jardim? A que se deveu tanto silêncio e tanta cumplicidade política? Porquê tanta reverência, tanto agachamento durante 25 anos de responsabilidade na Diocese, compaginados com tanto atropelo social dos sucessivos governos do PSD? Porquê tanto silêncio relativamente ao Jornal da Madeira, endividado até ao tutano, vivendo à custa dos nossos impostos, quando a pobreza crescia a olhos vistos? E já que falou de Machico e da Santa Casa da Misericórdia, porquê o silêncio sobre a suspensão (claramente política) "ad divinis" do Senhor Padre Martins?
Explicações que não foram nem serão dadas, porque aí o silêncio parece ser melhor que a verdade. Mas este é tempo de Natal... tempo também de perdão!
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

SÓ BLÁ, BLÁ, NÃO CHEGA PARA RESOLVER PROBLEMAS!


No âmbito da Semana Europeia da Segurança e Saúde no Trabalho, a Secretaria Regional da Inclusão e Assuntos Sociais promoveu o seminário “Gestão do Stress e dos Riscos Psicossociais no Trabalho”. Título interessante! Na oportunidade, a secretária da Inclusão e Assuntos Sociais referiu: “(...) Hoje são bem conhecidos os factores causadores do risco de stress e de outros problemas na Saúde no Trabalho. Exigências excessivas, apoio inadequado de superiores e colegas e estar sujeito a comportamentos inaceitáveis como assédio e violência verbal e física, são alguns dos exemplos". A secretária regional, Rubina Leal, disse, ainda: "a ordem jurídica de Portugal exige que o empregador assegure aos trabalhadores condições de segurança e de saúde em todos os aspectos do seu trabalho, incluindo os factores de risco psicossociais". Na sua intervenção não faltou um extenso rosário de números estatísticos. Do que li e ouvi tratou-se de paleio muito pouco consequente.


Ora bem, não chega disparar números. Essa é a atitude mais fácil. Basta os serviços recolherem e elaborarem um conjunto de dados que, aliás, qualquer pessoa pode fazer, uma vez que estão disponíveis. Mais difícil é a partir dos números (ponto de situação da realidade, já conhecida, disse a secretária), definir um conjunto de objectivos futuros e determinar todos os passos a dar no sentido de tornar a situação real em uma situação ideal. Quantos, interrogo-me, secretários com a pasta do trabalho, na Assembleia, no governo e em outras circunstâncias, ao longo de todos estes anos, procederam da mesma maneira? Repetiram números e a lengalenga discursiva? Lembro-me de um secretário que, caricatamente, quase repetia, todos os anos, no debate do Plano e Orçamento, o discurso do ano anterior, apenas com algumas alterações de números e percentagens! Assisti a uma sessão em que os deputados da oposição leram, em voz alta, as palavras que o secretário iria pronunciar. Portanto, aquele tipo de discurso da secretária, apenas caracterizador, mas que nada de novo acrescenta, todos estão fartos. Importante, já não é a descrição de elementos, mas as vias que estão ou vão ser seguidas no sentido de uma reorganização da sociedade que, a prazo, venha a esbater ou mesmo eliminar todos aqueles aspectos que corroem o bem-estar desde trabalhadores a empregadores. E isso tem a ver com a economia, com as finanças, com as leis laborais, com as políticas educativas, com a cultura, enfim, com uma série de sectores e áreas que devem trabalhar de forma integrada e transversal. Só blá, blá, não chega!
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

IRRITA-ME "A SÉRIO"? OU "À SÉRIA"?


Desde há algum tempo que virou "moda", sobretudo através de muitos comunicadores, aplicarem "à séria" e não "a sério". Por exemplo: "agora, é à séria" e não "agora, é a sério". Confesso que de Português nada sei ou sei muito pouco, mas não me soa bem talvez porque não foi assim que aprendi. Como não me encaixa ouvir "periodo" em vez de "período", isto é, acentuar a palavra como se fosse grave, quando é esdrúxula. Mas, volto a repetir, se por aí alguém me explicar, ficarei reconhecido. A verdade é que se ouve, repetidamente, entre muitas outras palavras, alterações que merecem reflexão por parte de quem tem por função comunicar. Trago, em memória, o jornalista Fernando Pessa, que, em uma entrevista, sublinhou o facto de, quando chegou a Londres, no tempo da II Grande Guerra, ter questionado sobre a melhor forma de falar e pronunciar, correctamente, o inglês. Responderam-lhe: oiça, todos os dias,  a  BBC!


Bom, "a sério" ou "à séria" eis a questão. Vasculhei vários sítios na internet. Encontrei este texto: "Recebemos da colega Rosário Simões a seguinte mensagem e questão, colocada ao Consultório de Língua Portuguesa: (...) o que me traz aqui hoje é o seguinte: sempre utilizei a expressão "a sério". Nos últimos tempos tenho ouvido, por vezes, nos órgãos de comunicação social, utilizar a expressão "à séria". A minha dúvida é esta: Será que está correta a utilização das duas formas?
A nossa resposta:
À séria é um modismo perfeitamente INADEQUADO. O que deve dizer-se é a sério.
A locução a sério significa seriamente, com ponderação, com gravidade, sem gracejos ou deveras, realmente, seguramente e, claro, é também antónimo de a brincar. (Ex.: Estás a falar a sério ou a brincar?) É cada vez mais comum ouvirmos à séria. Esta locução é, afinal, mais um exemplo de uma moda que se instalou em Portugal, e da qual se usa e abusa, independentemente do contexto. É que não é a mesma coisa utilizar uma determinada expressão entre amigos, ou na comunicação social. Parece ter-se perdido a noção de que à séria é de uso familiar - e também um modismo associado a um certo estatuto social -, que não pode substituir-se à locução adverbial a sério, que sempre se usou na nossa língua. (...) A locução à séria segue a construção de outras tantas que são comuns na nossa língua (junção da contração à com uma substantivação feminina de um adjetivo, formando locuções com valor adverbial): à antiga, à portuguesa, à grande, à francesa, à moderna, à larga, à justa, à doida, etc. (...) Em jeito de conclusão: no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa vem registado a sério como locução adverbial com o sentido de: 1. Francamente, sem fingir; 2. Realmente, de modo efetivo, deveras; 3. Com empenhamento, com todo o cuidado. No mesmo dicionário, só aparecem as expressões levar a sério com o sentido de dar importância a, prestar atenção a e a expressão tomar a sério que tem o mesmo sentido que levar a sério".
A SÉRIO... cuidado com a nossa Língua. Eu não sigo o AO, mas essa é outra história. A quem comunica peço cuidado. É altura dos órgãos de comunicação social disporem do apoio de quem domina a Língua Portuguesa, já que ficamos na mesma se ouvirmos a televisão pública. O que o Pessa não diria se fosse vivo!
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 5 de dezembro de 2015

HIPERACTIVIDADE E DÉFICE DE ATENÇÃO. OS GOVERNOS E A ESCOLA É QUE DEVERIAM TOMAR "RITALINA!


ESCOLA DOENTE
Um artigo de Luís Goucha
"Há milhares de crianças – e todos os dias o número aumenta – que iniciam o seu dia a tomar um comprimido para poderem assistir às aulas, a estar sossegados nas aulas, a estar com atenção nas aulas, a estar na Escola sem reacção, apenas para puderem lá estar! Devia isto ser um sinal de alarme, mas os pais e os professores fazem orelhas moucas como bons entendedores que são. Genericamente, as crianças tomam «ritalina» (palavra curiosa e duplamente feminina: Rita e Lina), medicamento caríssimo e de consequências devastadoras, que ao deixar de ser tomado deixa reaparecer toda a sintomatologia e um conjunto de efeitos secundários daí decorrentes: medo, pânico, insónias, tensão... A «ritalina» é prescrita para uma doença inventada: a PHDA, Perturbação de Hiperactividade e «Deficit de Atenção». Deu nome a esta «doença» um famoso psiquiatra americano, Eisenberg, que acabou por se retratar antes de morrer, por todos os males que provocou sem intenção, pois imediatamente a ter enunciado o «mal» os laboratórios apressaram-se a dizer que já tinham medicina para a cura. 


O negócio estava montado: uma doença nova e já um medicamento! Os diagnósticos, difíceis neste caso, quase nunca eram (são) fiáveis, e o ónus recai sobre os rapazes, pelos sinais mais evidentes e marcantes de agitação e agressividade, que são parte normal do seu desenvolvimento, e que passaram pois, a ver tratado química e selvaticamente no seu processo de desenvolvimento. Tudo para que alguns neurónios funcionem melhor. Referem os números que nos EUA (pátria de mais esta desgraça) que entre 1989 e 2001 os número de «casos» aumentou 400 vezes. Só os laboratórios Novartis, em 2012, produziram 1.800 toneladas desta substância, facturando 464 milhões de dólares! Um excelente negócio, à custa da saúde milhares de crianças, futuros doentes e clientes de mais fármacos, outras doenças e lucros de laboratórios... Eisenberg, ainda teve tempo de dizer no seu «testamento», que nunca tinha tido conhecimento de que as crianças, sofrendo da «doença» que ele definira, tivessem pelo menos sido questionadas pelos seus comportamentos, ou tido outra forma de acompanhamento nas escolas para além dos comprimidos. A Escola tornara-se dispensável, em todo este processo, que deveria assumir como seu. Depois de ter aceitado esta situação e observando as suas consequências, muitos paí- ses europeus começaram a «arrepiar caminho», fazendo marcha atrás na utilização desta medicação assassina. Por acaso, ou talvez não, Portugal foi líder europeu em 2013 no consumo de psicofármacos por parte de crianças e adolescentes: termos sido mais eficaz na detecção dos sintomas? A tentação de controlar a personalidade através de medicamentos foi um desejo de todos os poderes, políticos e outros. Nos anos 50, João dos Santos dizia, na sua bonomia e desdém, que aqueles comprimidos que davam às crianças, para puderem estar melhor na Escola, só eram eficazes na queda do cabelo ou nos calos. Hoje é o neuropediatra Pedro Cabral que nos diz que «ao aumentarmos a capacidade de concentração, com estas substâncias, estamos a diminuir às crianças a capacidade que têm em viajar no seu mundo inteiro e a limitar-lhes a criatividade... podendo o remédio robotizar a criança transformando-a numa simples marioneta, não as ajudando em nada no seu crescimento». Na Suíça, em Novembro de 2011, a Comissão de Ética para a Medicina Humana, manifestou-se publicamente contra a utilização destas substâncias por "influenciarem os comportamentos das crianças, sem que elas para tal tivessem sido convocadas. É a sua liberdade que fica reduzida e o desenvolvimento da sua personalidade limitado". Depois conclui, criticando o facto de não existirem resultados sobre os efeitos desta medicação. A falta de emprego, a falta de habitação, a falta de felicidade, não se resolve com nenhum comprimido, apesar de algumas «aflições» puderem ser atenuadas, com eles. É urgente que a «teia» que envolve as crianças e implica os professores, que muitas vezes são parte deste processo errado de diagnóstico, seja desmantelada. É urgente que nos envolvamos, num processo educativo consistente, na resolução de um problema que estas substâncias agressivas apenas disfarçam, numa cura apenas ilusória. A nada ser feito, continuaremos a assistir ao «sucesso» e à «eficácia» de todas estas pastilhas mágicas, devastadoras, que todos procuramos para tudo, em detrimento da procura de solução do problema que, a maior parte das vezes porque tão simples e tão à vista, não conseguimos ver. E o «mundo» seria melhor, e viveríamos felizes, quase sempre …"
Fonte
https://sites.google.com/site/agoragaia/opiniao-artigos

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

AGORA COMEÇO A PERCEBER O PORQUÊ DE TANTO INTERESSE DA DIREITA EM GOVERNAR


Preocupa-me saber, depois dos "cofres cheios", da tal almofada financeira que até o Presidente da República referiu, insistentemente, se o défice ficará nos 3% ou abaixo disso. "O governo da coligação PSD/CDS gastou em Novembro 278,3 milhões de euros da almofada financeira de 945,4 milhões de euros prevista no Orçamento do Estado de 2015, segundo o relatório da execução orçamental da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) que apoia o Parlamento. Com a redução de um terço do montante, a meta do défice está comprometida", Expresso. Querem ver que o culpado será o actual Primeiro-Ministro e os partidos que formam a maioria na Assembleia da República? Ou a culpa será, ainda, do Sócrates?


"Quando ao défice público, a UTAO estima que tenha ficado nos 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB), no fim de setembro, um valor acima da meta do anterior Governo para a totalidade do ano. Este é o valor central da estimativa da UTAO que aponta para um défice no intervalo entre 3,4% e 4% do PIB que, corrigido de medidas extraordinárias poderá reduzir-se para 3,5%. (...)" - Expresso.
Toda a notícia, aqui:
http://expresso.sapo.pt/economia/2015-12-04-Defice-em-risco.-Governo-gastou-em-novembro-um-terco-da-almofada-financeira-diz-a-UTAO
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

CARLOS CÉSAR, MOTA AMARAL E ALBERTO JOÃO JARDIM


Segui uma grande parte do debate do programa de governo. A páginas tantas, talvez pela intervenção do Deputado Carlos César, presidente do PS e líder da bancada parlamentar, dei comigo a cruzar os nomes e percursos de três personalidades: o citado Carlos César, Mota Amaral e Alberto João Jardim. Todos ex-presidentes dos governos das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira. Nos Açores, Mota Amaral e Carlos César repartiram 35 anos de governação e seguiram para os patamares superiores do exercício da política. O social-democrata Mota Amaral chegou a Presidente da Assembleia da República, isto é, a segunda figura do Estado; Carlos César, mais novo, é Presidente do PS e líder da bancada parlamentar. Fácil será prognosticar que atingirá outros patamares. Por seu turno, Alberto João Jardim, depois de 36 anos e oitenta e cinco dias de governação, alojou-se no alto do Quebra-Costas em uma casa da Fundação Social-Democrata, onde escreve uns artigos e pouco mais. 


Os dois primeiros são figuras respeitadas na sua região e no espaço nacional. Alberto João Jardim, no mínimo, não goza de simpatia dentro do seu próprio partido, nem no espaço nacional. Independentemente dos posicionamentos político-partidários, qualquer cidadão gosta de reconhecer aqueles que pelas suas atitudes e pelos princípios e valores políticos que transportam, atingem o reconhecimento dos seus pares e dos eleitores em geral. Quando se constata a situação contrária, tal constitui o exame do que andaram a fazer durante uma parte da vida política. Enfim, relativamente a estas três figuras, os leitores que concluam. 
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

"RENOVAÇÃO"(?) SÓ SE FOI DE VESTUÁRIO!


São factos, não são histórias de mesa de café. Confronto-me perante as seguintes peças da comunicação social: 1. não há dinheiro para pôr em marcha um novo hospital, por isso, toca a engonhar; 2. não há dinheiro no SESARAM (o governo promete pagar as despesas de 2014 em 2016) para reembolsar os doentes com fracos recursos, pelo que desistem "(...) de prosseguir os tratamentos de rádio e quimioterapia no Instituto Português de Oncologia (IPO) em Lisboa devido aos sucessivos atrasos nos pagamentos das despesas de alojamento, alimentação e transporte pelo Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira (SESARAM)"; 3. a "Campanha Saco" do Banco Alimentar Contra a Fome, conseguiu um total de 33 toneladas e 520 quilos de alimentos para matar a fome a muita gente; 4. Miguel Albuquerque, presidente do governo regional "vai pagar a dívida de 6,6 milhões de euros da Empresa Jornal da Madeira, em dois empréstimos, até ao ano de 2024, revela o Jornal Oficial da Região". O Executivo pretende privatizar esta empresa, assumindo o passivo de 52 milhões de euros e investir 1,1 milhões de euros em 2016"; 5. a Justiça aplicou € 240,00 de multa a pessoas que protestaram durante a visita do ex-primeiro-ministro Passos Coelho ao Porto Santo (reclamavam melhores transportes); 


Isto é, come e cala-te. Não te manifestes porque pode ser pior. É o silencioso MEDO que anda por aí a fazer o seu percurso. Ninguém pode negar a fome, porque se ela não existisse não fazia sentido o Banco Alimentar e tantas outras instituições que mitigam as carências, mas há dinheiro para pagar 52 milhões de euros de passivo do Jornal da Madeira. Não há dinheiro para pagar, atempadamente, as despesas dos doentes deslocados (nos Açores os pagamentos são antecipados), mas há dinheiro para pagar às sociedades anónimas desportivas (são empresas) para andarem na competição nacional. Em síntese, não há dinheiro para o que é prioritário, mas há dinheiro para o despesismo; não há dinheiro para o subsídio de insularidade, mas há dinheiro para o supérfluo; não há dinheiro para devolver a dignidade de vida aos mais vulneráveis concedendo-lhes um complemento à magríssima pensão que auferem, mas há dinheiro para as megalomanias de que se alimenta o regime. Come e cala-te ou, então, terás uma multa para pagar. É a "renovação"... estúpido, dizem-me. 
Nota final. Li que o projecto "Grita que eu escuto" de Responsabilidade Social, ligado à Quality Business, empresa de que Alan Borges é proprietário, irá proceder à doação de duas cadeiras de rodas ao Hospital Dr. João de Almada, no dia 17 de Dezembro, às 15 horas, aproximadamente, e que terá como principal objectivo chamar a atenção para a importância da solidariedade" (DN-Madeira). Ainda bem que há gestos de solidariedade perante o vazio solidário de quem, em primeiro lugar, deveria pautar a sua actividade política pela SOLIDARIEDADE. Que raio de sociedade esta que continua a encolher os ombros e a aceitar o come e cala-te!
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

PRESIDENTE DO GOVERNO DA MADEIRA COM FALTA DE PONTARIA


Afirmou o Presidente do Governo Regional da Madeira que "o problema é o PS/M não saber ler os orçamentos". Um tiro político distante do alvo ou, na nossa linguagem informal, mais um pontapé para as bananeiras! É que se alguém, desde 2007, na Assembleia Legislativa, tem vindo a denunciar a grande fraude política dos orçamentos, tem sido, exactamente, o Deputado Carlos Pereira, hoje Presidente do PS-Madeira. Foi este Deputado que, ao contrário de toda a bancada parlamentar do PSD-M e dos governos liderados pelo Dr. Alberto João Jardim, disse, abertamente, continhas feitas, que a Madeira registava uma dívida superior a 6,3 mil milhões de Euros. E, por algum motivo, ainda decorre o processo "Cuba Livre" por atitudes lesivas dos interesses da Região. O actual presidente, Dr. Miguel Albuquerque, parece querer continuar a esconder a realidade, neste caso, a situação do novo hospital. Deixo aqui o contraponto do Dr. Carlos João Pereira.


O PS-Madeira realizou, hoje, as Jornadas Parlamentares sob a temática da saúde, onde o tema principal foi a construção do novo hospital do Funchal.O líder do PS-M, Carlos Pereira, desafia o Presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, que clarifique os madeirenses e porto-santenses, "o que quer e como quer fazer sobre esta matéria". O socialista madeirense estranha a passividade do Governo Regional, numa obra entendida de prioritária e vital para a região. Assista às declarações.
Publicado por PS Madeira em Segunda-feira, 30 de Novembro de 2015

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O TEMPO E OS ÓDIOS


Um texto do Professor Santana Castilho*
Já se disse muito sobre o fanatismo religioso, que reduz a zero séculos de civilização. A barbaridade que Paris acaba de viver, mais uma, fez-nos retomar o tema, mantendo-se, na maior parte das análises, o foco apenas apontado ao fanatismo religioso: de um lado os “maus”, do outro os “bons”. Talvez devêssemos ampliar o campo das análises, para responder a perguntas que deveríamos estar a formular, com o intuito de intervirmos, de modo mais eficaz, nas nossas escolas e na nossa sociedade.

Comecemos por recordar algumas, apenas algumas, de tantas outras barbaridades recentes, cujos autores pertenciam às comunidades que atacaram:
A 20 de Abril de 1999, aconteceu no instituto Columbine o massacre que viria a dar filme. Eric Harris, de 18 anos, e Dylan Klebold, de 17, ambos estudantes, atacaram alunos e professores, ferindo 24 e matando 15.
A 26 de Abril de 2002, na Alemanha, Robert Steinhäuser, de 19 anos, voltou à escola donde fora expulso e matou 13 professores, dois antigos colegas e um polícia.
Em Setembro de 2004, dissidentes chechenos assaltaram uma escola em Beslan, na Ossétia do Norte, onde sequestraram 1200 reféns, entre crianças e adultos. Tomada de assalto por forças russas, morreram na escola 386 pessoas e foram feridas 700.
Em 2005, Cho Seung-Hui, estudante sul-coreano de 23 anos, há 15 emigrado nos Estados Unidos, descrito como perturbado e solitário e referenciado por importunar colegas com telefonemas e mensagens, trancou com correntes as portas da universidade Virginia Tech e matou, uma a uma, 32 pessoas.
A 22 de julho de 2011, ocorreu uma violenta explosão na zona dos edifícios do governo, em Oslo, a que se seguiu o massacre na ilha de Utoya, com um balanço de 77 mortos, a maioria jovens que participavam numa espécie de universidade de verão, organizada pelo Partido Trabalhista Norueguês. Anders Behring Breivik, de 32 anos, o autor, foi descrito como nacionalista de extrema-direita, inimigo da sociedade multicultural e defensor do anti- islamismo.
Em Dezembro de 2012, Adam Lanza, jovem de 20 anos, protegido com um colete à prova de balas e vestido de negro, depois de ter assassinado a própria mãe, entrou na escola primária de Sandy Hook, em Newtown, também nos Estados Unidos da América, e matou 20 crianças e seis adultos.
Posto isto, as perguntas:
Como nasceu o ódio que levou os jovens protagonistas citados, nascidos no ocidente “civilizado” ou educados nas suas escolas, a fazerem o que fizeram?
Como se justifica que jovens europeus abandonem a cultura e os valores em que viveram para se envolverem voluntariamente, com dádiva da própria vida, em acções extremistas, de culturas fanáticas? Que atracção os motiva, que desilusões os catapultam, que ódios os animam, que desespero os alimenta? É o quê? É porquê?
Que ódios bombardeiam hospitais, assaltam escolas e assassinam em salas de concerto?
As constituições dos estados democráticos têm teoricamente acolhido a educação como componente nuclear do bem-estar social. Mas nem sempre a têm promovido, na prática, a partir do enraizamento sólido dos valores civilizacionais herdados. A substituição da visão personalista pela utilitarista tem empobrecido a nossa filosofia de ensino e aberto portas a desesperos e fanatismos. A solidão e o abandono, tantas vezes característicos desta via, podem ser compensados com o aliciamento fácil para pertencer a grupos fanáticos, dotados de cativantes espíritos de corpo, sejam eles religiosos ou políticos.
Talvez fosse tempo de roubar tempo ao tempo, ao tempo dedicado às chamadas disciplinas estruturantes, para termos algum tempo para olhar o modo como empregam o seu tempo os jovens para os quais nem a Escola, nem as famílias, nem a sociedade, têm tempo.
Talvez seja tempo de todos, particularmente os que definem as políticas de educação, relerem uma carta a um professor, transcrita no livro Saberes, Competências, Valores e Afectos, Plátano Editores, Lisboa, 2001, de João Viegas Fernandes: 
“… Sou sobrevivente de um campo de concentração. Os meus olhos viram o que jamais olhos humanos deveriam poder ver: câmaras de gás construídas por engenheiros doutorados; adolescentes envenenados por físicos eruditos; crianças assassinadas por enfermeiras diplomadas; mulheres e bebés queimados por bacharéis e licenciados…
… Eis o meu apelo: ajudem os vossos alunos a serem humanos. Que os vossos esforços nunca possam produzir monstros instruídos, psicopatas competentes, Eichmanns educados. A leitura, a escrita e a aritmética só são importantes se tornarem as nossas crianças mais humanas". 
Porque, digo eu, parece não termos aprendido com a História. Porque, insisto eu, podemos policiar ruas e caminhos, estádios e salas de concerto, mas só pais, professores, tolerância, justiça e amor moldam consciências.
* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)

domingo, 29 de novembro de 2015

EXAMES. QUANDO NÃO SE SABE, CONVÉM INVESTIGAR...


Apenas uma nota. Li, na edição de hoje do DN-Madeira, "A semana vista por...", os comentários de Gabriel Pereira, Presidente da Junta de Freguesia do Estreito de Câmara de Lobos. Como má notícia, destacou o "fim dos exames de 4º ano" sublinhando: "(...) Esta medida do novo governo, certamente acarretará prejuízos na educação dos mais novos, não dignificando o ensino português". Discordo, em absoluto. Poderia aqui deixar uma longa justificação baseada em inúmeros investigadores e autores que se pronunciaram sobre a existência de exames face à importância de uma avaliação contínua. Vou, apenas, pela enésima vez, deixar aqui um texto, que já aqui publiquei, e que reproduz o posicionamento de uma investigadora.


Trata-se de um estudo elaborado por Deborah Stipek, docente da Faculdade de Educação da Universidade de Stanford, que trabalhou o seu estudo ao longo de 35 anos. As referências a esse estudo foram publicadas na revista A Página da Educação, pelo Professor José Pacheco. A autora denuncia o facto de os jovens serem treinados para obterem bons desempenhos em testes e afirma que é aberrante uma educação centrada em resultados mensuráveis e em rankings. E acrescenta que a preparação para exames sufoca a formação de uma personalidade madura e equilibrada. (...) Questiona o Professor José Pacheco: Irá o senhor ministro contrariar dados científicos? E prossegue: (...) Deborah sublinha o facto de o sistema de exames produzir especialistas em provas enquanto prejudicam vidas que poderiam ser promissoras. Em suma, sublinha o Professor José Pacheco, "um ambiente escolar competitivo, voltado para testes e exames é prejudicial à aprendizagem. E quem o afirma é a revista Science que tem por título "Educação não é uma corrida". Escutemos a pesquisadora: "O sistema actual baseado no desempenho em testes, pode prejudicar muito a formação de grandes pensadores. Esta forma de ensino promove um verdadeiro extermínio de grandes mentes. A maneira como a educação é organizada na actualidade faz com que potenciais vencedores do Prémio Nobel sejam perdidos mesmo antes da educação básica, já que o modelo de ensino massacra qualquer outro interesse que não seja o cobrado nos exames. É importante desenvolver talentos. Isso sim tem um papel importante no futuro de alguém". "(...) A maioria dos grandes pensadores que deixaram um legado para a humanidade seguiram caminhos muito diferentes do convencionalmente estabelecido".
Ilustração: Google imagens.

sábado, 28 de novembro de 2015

PERTURBANTE AUSÊNCIA DE RIGOR E INDEPENDÊNCIA


Sento-me frente ao televisor. Não prescindo do controlo remoto. Há assuntos que não me interessam. Vagueio por entre a larga oferta de entrevistas, debates, comentadores e analistas ditos residentes. Pela manhã, habitualmente, leio o essencial da comunicação social nacional. Passo os olhos pelo que escrevem, mormente, os jornalistas. Mais tarde confronto posições, produzo as minhas sínteses e fico, muitas vezes, a pensar se não serei eu o ignorante! Talvez seja. Fico, confesso, apalermado quando leio ou assisto a posições contraditórias, em tempo recorde, isto é, os mesmos que malhavam, forte e feio, no governo que andou a maltratar o povo durante quatro anos, os mesmos que andaram, por vezes, a aparar o jogo que víamos estar viciado, são os mesmos que agora olham para o novo governo e que, genericamente, nem o benefício da dúvida concedem. Dizem, há boas novidades neste governo, mas, sempre aquele mas, porque alguns estão ligados a Sócrates (isto onde vai!), depreciativamente, porque há uma cega ou um de origem cigana, porque, se calhar Sócrates gostou da indicação da Magistrada Van Dunem para a Justiça, porque tem muitos ministros, porque vários pertencem à Maçonaria, porque não vão conseguir cumprir as promessas, um novo resgate está já no horizonte e, cuidado, aí vêm mais impostos, porque este parece um acordo não para quatro anos, mas para quatro meses, porque parece existir aqui um 25 de Novembro mas ao contrário, porque são radicais, olhem para o PREC de há 40 anos, porque os mercados vão reagir negativamente (afinal, parece que não), porque não há volta a dar à continuação da austeridade, porque este é um governo para ir governando, enfim... a equipa de António Costa entrou, ontem, em funções, mas têm um escrutínio sobre os seus movimentos como não há memória, pelo menos durante todo o tempo que Passos Coelho/Paulo Portas irritaram o país de norte a sul. 


O facto da dívida ter aumentado de forma assustadora; a gravosa situação do desemprego compaginada com os 485.000 que tiveram de emigrar; os perturbantes sinais de crescente pobreza; a aflição dos empresários; o que se passa na assistência na doença, onde milhares não dispõem de pleno direito aos medicamentos; os indicadores do abandono e do insucesso escolar; o esbulho que fizeram aos reformados; as penalizações aos funcionários públicos; a austeridade que foi além da necessária, ora bem, parece que, em um ápice, há gente que se esquece de tudo isto e prefere alinhar pela ilusão da mentira, diariamente repetida, que estávamos no caminho certo, que tínhamos saído da bancarrota e que temos os "cofres cheios". São os dados e são os factos que são ignorados. Intencionalmente. As causas e o estado do país não interessam, porque há que vender o anormal, gerar o confronto, esconder a aldrabice e promover de cara séria os grandes desígnios da engrenagem política internacional.
O que se está a passar perturba por ausência de rigor e independência. Não é Portugal que está em causa, mas os interesses empresariais que comandam, onde se juntam comentadores com evidentes lacunas em História, da globalidade da política mundial e tudo quanto enaltecem aqueles que não alinham na ordem existente. Repetem-se uns aos outros. O filão é por ali, toca a segui-lo. Não é que deseje ouvir ou ler o que se compagina com o meu pensamento e posicionamento político. Não é isso que critico, até porque aprecio quem me faz ver o outro lado das situações, tudo aquilo que só uma boa informação consegue detectar. Deleito-me a ouvir o Professor Adriano Moreira e outras referências que, infelizmente, estão já no outono da vida. Mas quando o prato servido é o da repetição, o da superficialidade e com ingredientes fora de prazo, aí torna-se, pelo menos para mim, intragável. Quando a mentira é detectável, quando se percebe onde querem chegar, quando é perceptível, como vulgarmente se diz, pelo bulir dos beiços o que estão apostados em vender, aí, regresso ao princípio deste texto. Viva o controlo remoto, que grande e tão simples invenção!
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

POLÍTICA EDUCATIVA: "UM ATRASO QUE FAZ GANHAR TEMPO"


"Adiar a entrada do seu filho na Escola pode não ser um drama. É até a melhor opção, revela um estudo recente da Universidade de Sandford, na Califórnia, que aponta para fortes evidências da melhoria da saúde mental das crianças. O estudo realizado na Dinamarca,registou uma redução de cerca de 73% de problemas de défice de atenção e hiperactividade na escola. E estes efeitos positivos parecem persistir nas crianças até aos onze anos. Uma das teorias dos investigadores é que brincar durante mais tempo em detrimento de estudar, é benéfico para o desenvolvimento infantil ao estimular a imaginação, melhorando a auto-regulação intelectual e emocional" - Revista VISÃO, de 18 de Novembro de 2015, página 34.


AS CRIANÇAS FINLANDESAS PASSAM, NA ESCOLA, MENOS 40% DO TEMPO RELATIVAMENTE A PORTUGAL. E, EM PORTUGAL, OS RESULTADOS SÃO PIORES.

Nada de novo naquela investigação. Estes assuntos estudei-os a partir de 1969. A questão é saber se há consciência política para alterar, profundamente, a estrutura da organização da sociedade, particularmente a dos horários de trabalho. E se aquela alegada investigação visa suprimir mais postos de trabalho nos estabelecimentos de educação. Independentemente destes aspectos,escrevi a 02 de Maio de 2012 o seguinte texto:


"A escola do meu tempo não pode servir de referência em múltiplos aspectos, mas a verdade é que entrávamos a 7 de Outubro, a 7 de Janeiro e as férias ditas grandes eram mesmo grandes. Havia tempo para o jogo em um sentido lato, tempo para brincar de forma muito séria. Como sublinhou Jean Chateau (1961), "se o jogo desenvolve as funções latentes, compreende-se que o ser mais bem dotado é aquele que mais joga" (...) "para ela quase toda a atividade é jogo, e é pelo jogo que ela descobre e antecipa as condutas superiores". Para Claparède, in Psychologie de l'enfant e pédagogie expérimentale, "o jogo é o trabalho, o bem, o dever, o ideal de vida. É a única atmosfera em que o seu ser psicológico pode respirar, e, consequentemente, pode agir" (...) Perguntar por que joga a criança, é perguntar por que é criança". (...)
Assume um estudo europeu que as crianças portuguesas, do primeiro ciclo de estudos, são as que mais tempo passam na escola. Em Portugal são 936 horas por ano; em Espanha 875; em Inglaterra 798 e, na Finlândia, apenas 569 horas. Isto é, a Finlândia, que tem servido de paradigma (pelo menos em alguns aspectos) no debate político sobre o sistema educativo, as crianças passam na escola, em média, menos 367 horas por ano. Apesar disso, sabe-se que, em Portugal, os resultados da aprendizagem não são os melhores, isto é, mais escola não significa melhor escola.
É evidente que se trata de um problema muito complexo, com imensas variáveis, e que, tal como já o referi em um outro texto aqui publicado, a sua correção levará, no mínimo, quatro a cinco legislaturas. Ora, a ETI surge como uma boa resposta para um problema errado. A organização social é que está errada; a organização do mundo do trabalho é que deve ser corrigida tendo em atenção, inclusive, a entrada e consolidação da mulher no mundo laboral; as políticas de família é que são frágeis e quase inexistentes; a qualificação profissional das pessoas é que é baixíssima; nos titulares das empresas também, e, por isso, a ETI (Escola a Tempo Inteiro) surge para responder a esta desestruturação global. Dir-se-á que umas coisas não se encaixam nas outras, daí que a escola esteja transformada, na palavra do Psiquiatra Daniel Sampaio, em um "armazém de crianças". Depois, andam, por aí, a escolarizar o que deve ser do domínio do lazer e da opção individual, enchendo a escola com horas e mais horas de disciplinas.
Ora, é aquela desestruturação social que conduz a uma certa escravização do mundo da criança, levando-a a passar horas a mais num mundo que não deve ser o seu. Os adultos (políticos) não perceberam que "o jogo é a fonte comum de todas as actividades superiores". Daí escolarizarem tudo, o que é contranatura para a criança, porque os pais estão, também, sujeitos à escravização do mundo do trabalho. Temos, assim, pais a meio tempo e escola a tempo inteiro. Um absurdo. Mas o debate só agora começou, embora, as mudanças a operar só sejam possíveis com outros actores políticos. Estes já demonstraram que não sabem pela via do conhecimento científico, quer pela via do pensamento político".
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

GOVERNO EMPOSSADO COM O PRESIDENTE DA REPÚBLICA EM SUBTIL AMEAÇA


Não pode dissolver a Assembleia da República porque a Constituição não permite. Mas ficou o toque, de mau gosto, em uma cerimónia de tomada de posse do XXI Governo Constitucional. Não havia necessidade de utilizar palavras que denunciam crispação. O Presidente não tem de gostar ou não de um governo, apenas tem  o dever de cumprir a Constituição da República. António Costa respondeu e bem que "não é altura de salgar as feridas, mas de sará-las".

A RIQUEZA E A MULTIPLICAÇÃO DOS OVOS. A HISTÓRIA DA ISABELINHA!

ORÇAMENTO DA REGIÃO DA MADEIRA. A SEGUNDA GRANDE DESILUSÃO DESTE GOVERNO.


“Este orçamento é a segunda grande desilusão deste governo e representa o fim do estado de graça de Miguel Albuquerque. Depois de um programa de governo totalmente jardinista, surge agora um orçamento que representa o prolongamento do PAEF. O PSD-M quer mais um ano de PAEF porque não tem nenhuma sensibilidade para com o sofrimento dos madeirenses. Quem lê o ORAM para 2016 não encontra nenhuma distinção substancial para com os anteriores, atestando de forma clara a continuidade do mesmo caminho que encurralou a Madeira num atoleiro de sacrifícios, incoerentes e inconsequentes para o bem do desenvolvimento da Região . Não deixa de ser uma surpresa que um governo que tem um líder, aparentemente, tão hostil ao seu antecessor, apresente uma orientação governativa para 2016 recheada de tiques jardinistas e oca de uma visão de mudança, baseada na alteração efectiva de políticas .


Tudo o que é essencial não tem resposta: o crescimento económico, o futuro da Zona Franca ( cuja concessão acaba em 2017), a reestruturação dos portos, a estratégia para o turismo ( continua sem existir ), a visão certa para a continuidade territorial ( o que conhecemos foi o favorecimento ao estado) , uma reforma no sistema educativo, as soluções para as deficiências profundas no sistema regional de saúde , entre outras. Não se vislumbra o arranque de uma única reforma consistente face ao passado tenebroso do PSD-M. Até as privatizações parecem manter o mesmo registo, a avaliar pelos mais de 22 milhões de receitas previstos. O governo meteu a cabeça na areia e é hoje uma marioneta da Secretaria das Finanças. A mesma que tem às costas o legado pouco nobre de ter falido a região, além de ter escondido mais de duas mil facturas.
No documento que tivemos acesso há uma supremacia orçamentalista, um défice estratégico e uma deficiência aguda na accão para o crescimento económico. Isso é facilmente demonstrável pela recusa na redução de impostos, pela intransigência na consideração do aumento de salários à função pública, mesmo sabendo que serão obrigados pela lei do PS que será aprovada na assembleia da república na próxima sexta feira estando a ser discutida hoje mesmo, pela ausência absoluta de medidas relevantes para o dinamismo empresarial.
É por isso um orçamento que revela tudo sobre este governo: prometeu sol e dá chuva e refugia-se no descalabro financeiro do passado para manter tudo como estava. Talvez fique agora claro que este PSD-M não tinha nada de novo para oferecer aos madeirenses. Era apenas mais uma luta pelo poder, pelas benesses governativas. Estou certo que perante este orçamento que indica um seguidismo às práticas da coligação psd-cds, que já nem governa Portugal, há uma larga franja do PSD-M que não se revê neste caminho.”
NOTA
Análise do Deputado, na Assembleia da República, Carlos Pereira, publicada na edição de hoje do DN-Madeira.
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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

UM PRESIDENTE DA REPÚBLICA CAPAZ


FIM DOS EXAMES NO 4º ANO DE ESCOLARIDADE


Nuno Crato, outro de triste memória na política educativa nacional, nunca percebeu que a escola deve centrar a sua orientação no despertar para o conhecimento e não para a avaliação. Sempre foi um erro crasso preocupar-se, primeiro, com a avaliação e, só depois, com a atitude de fazer pensar! Já aqui escrevi que para os “cratos” que infernizam a nossa vida, os exames estão certos, os professores é que estão errados; a política social do governo está certa, os portugueses é que não querem trabalhar. Vivemos, assim, anos de uma ininteligível obsessão pelos exames como se eles constituíssem a peça fundamental do processo ensino-aprendizagem. Obrigaram os professores, mormente a partir de Janeiro, a centrar baterias para os exames de Maio, com o ano escolar a terminar em finais de Junho, repetindo até à exaustão, "resmas" de exercícios de Português e de Matemática, como se o despertar para o mundo do conhecimento aí começasse e terminasse. Conjugar o verbo avaliar tornou-se uma fixação, uma mania em detrimento do que deve ser o grande lastro sobre o qual, mais tarde, se edificam os pilares que suportam outros conhecimentos mais elaborados. 


A compulsão pelos exames, onde sempre estiveram nessa avaliação, não apenas os alunos, mas também os professores, destruíram aquilo que de mais essencial tem o ensino básico, a total abertura ao questionamento. A resposta tornou-se prioritária ao acto de questionar. A idade dos porquês, da leitura e da cultura foi, paulatinamente, substituída pela resposta certa concordante com o manual. O professor, esse construtor do conhecimento, que deveria avaliar de forma contínua e actuar na promoção do interesse pelo saber, foi empurrado para uma subjectiva escala de 0% a 100%, decomposta em variadíssimos e arrepiantes itens. Apesar de exaustivos relatórios, destinados, tarde ou cedo, ao arquivo morto, pouco ou mesmo nada tem vindo a interessar ao sistema, concretamente, as razões por que é "fraco", "insuficiente", "suficiente", "suficiente mais" e por aí fora, as causas eventualmente consideradas menos boas nas "atitudes e valores", inclusive, a resposta à pergunta "eu ensino… ele não aprende", pois o importante resume-se a poucas palavras: sabe ou não sabe! E assim surgem os "chumbos", o insucesso e o abandono.
Disse e bem o futuro primeiro-ministro, Dr. António Costa: "tal como um raio x não cura um doente também um exame não faz a aprendizagem dos alunos". O mais curioso, ou talvez não, é que há já algum tempo li a paradoxal posição de Hélder de Sousa, director do organismo responsável pelos exames nacionais (IAVE), que, em entrevista ao Público, assumiu que os exames não estão a gerar melhorias das aprendizagens. Isto é, o próprio responsável pela dinamização dos exames concluiu o que tantos investigadores já o sabiam e denunciaram. Porém, obediente a Crato (finalmente fora), manteve-os o que demonstra uma ausência de inteligência do decisor político, incapaz de se deixar fecundar pelo conhecimento trazido pelos investigadores e autores
Com regularidade diária vou buscar os meus netos à escola. Pergunta sacramental: então, que tal foi o dia? Eles sabem que não gosto que me digam: "foi uma seca, avô". Um dia, um deles disparou dessa maneira e eu contrapus dizendo que a escola é sempre um lugar de saudade diária. Dizem-no, agora, de outra maneira, mas descubro nas suas palavras que desejavam que tivesse sido outra coisa. Talvez porque com eles falo, sobretudo com o mais velho (7º ano), sobre a escola que tem e a escola que deveria ter. Sempre com o cuidado de lhe sublinhar, como contraponto, que é, infelizmente, nesta escola do século XIX, sendo ele do século XXI, que tem de viver, embora com sentido de análise crítica. Os dois mais novos andam por essas andanças dos exames do 4º ano de escolaridade. Estamos em Novembro e aquilo que designam por "trabalho escolar" (trabalho?) já começa a ser dirigido nesse sentido. Disse-lhes que não iriam realizar exames. Todos os dias questionam-me se já está aprovada a decisão. Obviamente que lhes incuto que o facto de não haver exames é exactamente para que tenham a possibilidade de saber mais. Para descobrir muitos outros temas, observá-los, questioná-los e percebê-los. Que um ambiente de cultura na escola, nas suas idades, é muito mais importante do que resolver uma determinada equação matemática com alguma complexidade, ou não tendo gosto pela leitura e pela escrita, todavia, tenham, na ponta da língua, os "quantificadores indefinidos" da nova terminologia gramatical. Digo-lhes muitas outras coisas, sempre naquele sentido que é preferível perceberem o porquê do que fazem, à situação de "come e cala-te". Mas fica-me sempre uma certa e compreensível angústia que, mesmo sem exames, não sinta que a velha escola venha a dar lugar a uma escola portadora de futuro. Uma escola de todo o ensino básico, onde não existam exames, mas sim uma avaliação contínua de base formativa rigorosa, inclusiva, não punitiva e de exclusão. Porque os meus netos, certamente, não vão ler este post, digo eu agora, em síntese, só para si, que desejo que a cultura, em sentido muito lato, invada a escola para que ela não seja "uma seca".
Ilustração: Google Imagens. 

terça-feira, 24 de novembro de 2015

6.000 PROFESSORES EM SILÊNCIO


Os silêncios sempre me incomodaram, ainda mais os silêncios dos membros das diversas classes profissionais de qualquer sector de actividade. Reclamar à mesa do café, assumir posições à boca pequena, no grupo restrito, pelos corredores, na mesa da sala de professores, manter o silêncio nas reuniões quando apetece o contrário, nunca fez o meu jeito e, defendo, não deveria ser comum na vivência democrática. E se assim me posiciono é porque, no sector a que pertenço, lamentavelmente, assisto a mais de seis mil silêncios. Na Madeira trabalham mais de seis milhares de professores e contam-se aqueles, desde sindicatos até aos estabelecimentos de educação e ensino, que assumem, publicamente, concordâncias ou discordâncias relativamente ao estado do sistema educativo. Ao toque, de acordo com o horário, comparecem, "dão as aulas", assinam os livros de ponto, participam nas reuniões para as quais são convocados, preenchem aquela parafernália de documentos, avaliam, atribuem notas e dizem-se, no pequeno grupo, sempre ao colega do lado, que estão fartos, exaustos e que se pudessem mudariam de profissão.



Conheço como funcionam. Por vezes por medo, outras, porque a instabilidade profissional os "obriga", outras, ainda, porque consideram que entre sofrer e assumir a defesa integral do que gostariam de fazer, neste contexto, optam pelo sofrimento em silêncio. "Engolem" o síndrome de Burnout esse estado de exaustão física, emocional ou mental devido à pressão e responsabilidade, aguentam até ao limite as dores de cabeça, as alterações no sono, os problemas digestivos, mas preferem sofrer do que dizer basta. Os sindicatos que resolvam! "Engolem" todas as provocações, o corte de salários, os exames de acesso à carreira, as avaliações desprovidas de qualquer sentido, o congelamento da carreira, a indisciplina, eu sei lá, aguentam e aguentam e só no pequeno grupo desabafam e choram. Há assustadores níveis de violência no meio familiar e na sociedade, de causas múltiplas, todos condenam essa vergonha, mas não assisto à defesa dos professores que são vítimas de violência, não apenas por parte de alguns alunos, mas daqueles que têm a responsabilidade de governar e de os defender. Há "bullyingpsicológico em estado puro. Demonstrável. E vêm falar de ética, como o secretário regional da Educação o fez ainda há dias, na sede do Sindicato de Professores da Madeira, ignorando que a aplicação do conceito deveria partir e ser substantivo nos serviços que ele próprio dirige.
Poucas vezes vemos os professores dizerem basta. Lembro-me daquela grandiosa e justificada manifestação que reuniu mais de 100.000 professores contra as medidas da ministra Maria de Lurdes Rodrigues. Foi importante, porque o poder foi abalado pelo descontentamento patenteado na rua. E alguma coisa mudou. Pouco, muito pouco, é certo, mas a classe dos professores deu um sinal de vida. Hoje, a sensação que transporto é a de que, pensam, não valer a pena. Há braços caídos e um pavoroso deixa andar. Regressaram ao coma profundo. 
O sistema está morto, não evidencia sinais de mudança, o desrespeito campeia, a incompetência governativa é atroz, no Continente como por aqui o motor está engatado, umas vezes em primeira, outras, claramente, em marcha atrás, e os professores, em silêncio, continuam a dar para este peditório. Esquecem-se que nem o ministro nem o secretário regional são patrões de coisa alguma, apenas desempenham uma função política temporária. Nós somos funcionários públicos, não somos empregados do governo. Eles desandarão daqueles lugares e nós por cá continuaremos. É esta percepção que não existe e que eu lamento. É por isso que os professores têm o dever de se indignarem, de chamarem os bois pelo nome, de serem participativos no processo de construção de um novo sistema que propicie felicidade para quem o frequenta e satisfação plena para quem tem por mister o ensino-aprendizagem. Os professores têm o dever não apenas de cumprir horários, regras e de possibilitar a descoberta, mas a superior obrigação de, ao nível do conselho de turma, de departamento, de escola, formal ou informalmente, de participar, não segundo o que a hierarquia quer e impõe, mas, democraticamente, para gerar as dinâmicas propiciadoras de uma nova Escola. Os professores são sobretudo fermento, não são apenas farinha!
É evidente que há sempre quem não esteja para maçadas, quem goste de despachar o manual e pouco mais, pessoalmente preferiria verificar a existência de duzentos em silêncio e seis mil a ajudar a construção das bases do nosso futuro colectivo. É um erro esperar pelo ministério ou pelas palavras mansas, inócuas e sem futuro da Secretaria Regional da Educação. Por aí, nada feito, porque apenas têm um velho disco de 33 rotações, comprado há 40 anos, que tem passado de mão em mão, mas que toca sempre a mesma música.
Ilustração: Google Imagens.  

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

OS GOVERNANTES PRECISAM DE IR AO PSICÓLOGO


A posição que, sumariamente, aqui deixo, nada tem a ver com a Ordem dos Psicólogos Portugueses, organismo que, tal como todas as organizações de classe, nutro respeito. Considero, até, importante a sua luta para criar respostas profissionais para quem se licencia. O problema que aqui me  traz não é esse. Tem sim a ver com o facto do "Ministério da Educação e Ciência (MEC) investir cerca de 30 milhões de euros, provenientes de fundos comunitários, "na contratação, formação e aquisição de materiais no âmbito do trabalho dos psicólogos em contexto escolar". O objectivo, é, até 2020, "atingir um psicólogo por cada 1.100 alunos" de acordo com declarações do governante, Pedro Cunha, à Lusa, na sexta-feira passada. A questão tem a ver com o facto do sistema educativo arrastar-se atrás dos problemas, ao jeito de um penso rápido em uma ferida que sangra, abundantemente.


Os psicólogos não vão resolver os graves problemas que se colocam a montante do sistema e que desembocam na escola. Não serão, com toda a certeza, os psicólogos que vão resolver, no caso concreto da Madeira, o aumento do número de desempregados que atingiu a cifra de 22.326 pessoas em Outubro passado,  com todo o rol de consequências que daí derivam. Da mesma forma que não serão os psicólogos que vão contrariar as péssimas linhas orientadoras do sistema educativo nacional, absolutamente desconformes com o mundo que vivemos e com as respostas que os alunos e muitas famílias desejam encontrar. Tal como não serão os psicólogos a esbater os défices culturais de uma grande parte da população com influência directa na escola. Neste contexto, eu diria que quem necessita de consultar os psicólogos são todos aqueles que têm responsabilidades políticas governativas e que não conseguem perceber e estruturar, de forma integrada, uma sociedade com futuro, onde a Escola se afirme como ponto de partida do entusiasmo pelo conhecimento. 
A via que o ainda governo da República segue é a da ausência de lucidez e da falta de coragem para alterar, desde logo, paulatinamente, toda a organização da sociedade e o sistema educativo que serve essa sociedade. Não serão os psicólogos que irão combater, com sucesso, um sistema que conduz as crianças a passarem mais de cinquenta horas na escola, enquanto os seus pais, os que têm trabalho, são escravizados pelas leis laborais, pelas pressões conducentes a depressões, pelos recibos-verde, pelos objectivos a cumprir e pelo número de horas em busca de uma melhoria dos baixos salários. Não serão, ainda, os psicólogos a combater essa perversa "escola a tempo inteiro" que escolariza aquilo que deveria constituir o sentido mais lato da palavra jogo. Em tudo isto, sobre uma generalizada presença de psicólogos na escola, eu diria que constituirá a melhor resposta para um problema errado. Não tarda e se houver disponibilidade, teremos um médico por escola e um enfermeiro por escola. Será, por aí, que conseguirão melhorar a saúde no âmbito do conceito da Organização Mundial de Saúde? (bem-estar físico, mental e social? Não creio. 
Mas, atenção, apesar de todas estas minhas considerações, reconheço, que da acção profissional dos psicólogos, em função da capacidade científica da sua intervenção, poderão resultar alguns ganhos. Mas não é essa visão global que o sistema educativo, para já, necessita. Se um conjunto de mudanças de paradigma estivessem em curso, aí sim, não me restariam dúvidas que a presença do psicólogo constituiria mais um elemento potenciador do acompanhamento, gestão de conflitos e intervenção, até, no campo das dificuldades de aprendizagem. Como tudo o resto falha, parece-me estarmos no domínio do penso rápido!  
Ilustração: Google Imagens e Youtube