quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

ESCOLA A TEMPO INTEIRO E PAIS A MEIO TEMPO. ESTÁ NA HORA DE DIZER NÃO. CHEGA! ANTES (RE)ORGANIZEM A SOCIEDADE.


Em Outubro de 2010, apresentei, na Assembleia Legislativa da Madeira, um Projecto de Decreto Legislativo Regional sobre a Escola a Tempo Inteiro na Região Autónoma da Madeira. O diploma visava o estudo das causas e consequências de tal opção. Foi literalmente chumbado pela maioria política. Desde que foi criada que sou um público opositor às escolas a tempo inteiro. Hoje, o assunto está, novamente, na ordem do dia, com o governo da República a querer estendê-la até ao 9º ano (08:30/19:30). Um perfeito disparate sejam quais forem as circunstâncias. É caso para dizer, pensem, já agora, na possibilidade dos alunos e professores levarem a cama para a escola, porque a FAMÍLIA é dispensável. Deixo aqui a proposta que foi chumbada e que nem mereceu a possibilidade de  um estudo sério e profundo. 


"A Escola a Tempo Inteiro constitui uma boa solução para um problema errado. Muitos têm sido os investigadores que sobre este tema se têm debruçado. O Professor Doutor Santana Castilho, da Escola Superior de Educação de Santarém, investigador, sublinhou, recentemente, que as Escolas a Tempo Inteiro são uma “aberração pedagógica e social que nacionalizou crianças e legitimou a escravização dos pais”. Por seu turno, o Dr. Eduardo Sá, Psicólogo Clínico, salientou em uma entrevista publicada na Revista Focus: "As crianças estão em vias de extinção (...) cada vez mais as crianças estão a passar por um conjunto de situações que não são muito razoáveis (...) Cada vez mais as crianças não são crianças. As crianças têm hoje uma relação com o brincar que é cada vez mais uma relação de fim-de-semana e brincar é uma actividade muito séria para que seja feita apenas ao fim de semana. Passam cada vez mais horas na escola, o que não é adequado... aquilo que me preocupa é que mais escola, sobretudo como ela está a ser vivida, signifique menos infância e quanto menos infância, mais nos arriscamos a construir pessoas magoadas com a vida. Quanto mais longa e mais rica for a infância mais saudável será a adultez (...) os pais estão muito enganados ao pensarem que mais escola significa mais educação (...) neste momento a infância começa a ser perigosamente a escola e, de repente, há toda uma vertente tecnocrática como se o que estivesse em primeiro lugar fosse toda a formação e depois viver a vida. Isto é um absurdo".
O Dr. Daniel Sampaio, psiquiatra e estudioso das questões educativas, sublinhou em um dos artigos: “(…) não estaremos a remediar à pressa um mal-estar civilizacional, pedindo aos professores (mais uma vez) que substituam a família? Se os pais têm maus horários, não deveriam reivindicar melhores condições de trabalho, que passassem, por exemplo, pelo encurtamento da hora de almoço, de modo a poderem chegar mais cedo, a tempo de estar com os filhos? Não deveria ser esse um projecto de luta das associações de pais? (…) Gostaria, pois, que os pais se unissem para reivindicar mais tempo junto dos filhos depois do seu nascimento, que fizessem pressão nas autarquias para a organização de uma rede eficiente de transportes escolares, ou que sensibilizassem o mundo empresarial para horários com a necessária rentabilidade, mas mais compatíveis com a educação dos filhos e com a vida em família".
O Doutor Paulo Guinote, clarifica: "(...) Por isso, a Escola a Tempo Inteiro é apenas algo que se destina a apaziguar as “famílias” que, cada vez mais, são obrigadas a trabalhar em condições mais precárias e vulneráveis. Que não podem faltar, sob pena de perda do posto de trabalho no final do contrato. Que são obrigadas a cumprir horários incompatíveis com uma vida familiar harmoniosas. Numa altura em que, cada vez mais, as famílias são menos do que nucleares. A Escola a Tempo Inteiro é um óptimo contributo para todos os empresários e empregadores que defendem a desregulação - pelo abuso - do horário de trabalho dos seus empregados. Se é isso que vai desenvolver o país? Abrindo mais umas dezenas de centros comerciais para as “famílias” tentarem desaguar as frustrações ao fim de semana? Quem defende as “famílias” deveria defender, em coerência com os seus princípios, que o Estado protegesse a vida das ditas “famílias” a partir da melhoria das suas condições de vida. A defesa da Escola a Tempo Inteiro é a admissão de um fracasso, de uma derrota e não o seu contrário (...)".
Finalmente, o Frei Fernando Ventura, numa entrevista à SIC, sobre a sociedade hoje, assumiu: “(…) estamos a pagar facturas altíssimas (…) estamos a criar gerações de “monstros”. Estamos a criar gerações de jovens sem memória. Estamos a criar gerações de pessoas sem história. E quando a memória e a história não se encontram, nós temos os cataclismos sociais. As nossas crianças desde os três meses estão nos berçários, nos infantários, porque têm de estar porque os pais precisam, desesperadamente, de ter dois e três empregos para sobreviverem (…) a história dos novos e dos velhos não se encontra, as crianças não têm voz, as crianças não têm sequer pais, porque têm de trabalhar “25 horas por dia” se for preciso. (…) É esta estrutura por dentro que precisa de mudar (…)”.
Estas cinco posições devem ser assumidas como reflexões importantes, oportunas e de necessidade absoluta de estudo e debate aberto. É absolutamente inacreditável que uma creche, recentemente inaugurada na Madeira, disponibilize serviços até às 23 horas e temos presente a reivindicação da Confederação Nacional das Associações de Pais que sugeriu que as escolas estivessem abertas 12 horas por dia. Trata-se de uma resposta social à desorganização da sociedade, mas que reflecte a mais completa desumanização do processo educativo e responsabilidade dos pais e encarregados de educação. Não deixa de ser curioso que uma Dissertação de Mestrado concluiu, recentemente, “que a escola a tempo inteiro é a grande culpada do aumento de casos disciplinares. Impor oito horas de permanência no mesmo espaço escolar, em actividades de ensino formal, é um abuso”, concluiu a mestranda no seu estudo.
É evidente que reverter todos os sistemas implicados e a mentalidade que lhe está subjacente não constitui tarefa simples. Pelo contrário, é muito complexo e, por isso mesmo, exige uma profunda reflexão, até porque são múltiplas as variáveis que estão em jogo: da organização familiar, à organização do trabalho, passando pela co-responsabilização de toda a sociedade no processo educativo.
Dir-se-á que a Escola não conseguiu se assumir como o motor da sociedade, não puxou por ela, não soube colocar-se na dianteira estruturante, pelo que hoje é a sociedade que lhe exige e impõe o comportamento de resposta às dinâmicas que ela, por contágio, gerou. As causas são, obviamente múltiplas: permitiu-se que o sistema social e de valores resvalasse; aceitou-se a desregulamentação do mundo do trabalho, a pressão no local de trabalho directamente relacionado com o aumento do suicídio; seguiu-se a lógica atraente mas falaciosa de "nada mais certo no futuro que o emprego incerto"; espremeu-se o trabalhador; o Homem esqueceu as lutas de Chicago, desorganizou e aplaudiu as regras laborais de base; não foi considerada a entrada e consolidação da mulher no mundo do trabalho e a respectiva alteração do rendimento familiar que altera a própria organização familiar e, agora, baseado no facto consumado, o capitalismo selvagem, à boleia dessa desregulação e da fraqueza das pessoas, incapazes de lutarem pelos seus direitos, na Região, transformaram a escola, na palavra do Dr. Daniel Sampaio, em um “armazém de crianças”, enquanto lá fora os pais labutam por uns euros.
Desta forma estão a crescer as famílias a meio tempo, em contraponto à Escola a Tempo Inteiro! E os mesmos que a implementaram enquanto resposta possível, são os mesmos capazes de dizer que as famílias são as células da sociedade, que elas constituem a base da aprendizagem, o alicerce dos princípios e dos valores sociais, da Educação geral e específica. Pergunta-se, mas como? Com pais a recolherem os filhos tardiamente que mal dá, em muitos casos, para o banho, os "deveres da escola" (outra coisa a rever), o jantar e cama? Como é que se pode educar neste completo divórcio entre filhos e pais ou vice-versa? Pais que o são, muitas vezes, apenas ao fim de semana! Que construção familiar é possível? Safam-se, neste processo, aqueles que dispõem de Avós a Tempo Inteiro, que ajudam, mas, atenção, não substituem.
Deduz-se que os políticos apresentam um défice de conhecimento sobre estas matérias. Deveriam visitar outros espaços, ler um pouco mais a profundidade destas questões que, sublinhamos, são muito mais complexas que publicar histórias para crianças. Há uma absoluta necessidade de tomar consciência da necessidade de uma nova (re)organização social capaz de uma maior produção e distribuição da riqueza, mas que salvaguarde os aspectos determinantes na construção equilibrada do edifício humano. Países há que não embarcam na “benesse social” das ETI e nesses "regimes cruzados" que constituem um ataque aos direitos das crianças e das famílias.
A confirmar, a Portaria nº 110/2002, de 14 de Agosto, que enquadra as ETI, na Madeira, prevê no seu Artigo 3º: “A Escola deverá organizar o seu funcionamento de forma a assegurar as actividades das crianças/alunos, em dois períodos diários, não sobrepostos, cada um com duração nunca inferior a 5 horas, durante todos os dias úteis”. Um total de 10 horas (cinquenta horas semanais) que conduz a investigadora Maria José Araújo, que lançou o livro "Crianças Ocupadas… Como algumas opções erradas estão a prejudicar os nossos filhos", a questionar: "(…) Fará sentido que, na sociedade contemporânea, as crianças trabalhem mais do que as 40 horas que achamos razoáveis para os adultos? Fará sentido prolongar de tal modo as suas ocupações que não lhes deixamos tempo para brincar e descansar? Será que temos o direito de ocupar e condicionar o tempo livre das crianças depois de um dia de Escola?" (…) "A angústia dos pais para que as crianças trabalhem muito para ser alguém, como se as crianças não fossem já hoje alguém, pode comprometer tanto o seu presente como o seu futuro", sublinha.
Ora, em todo este processo existem engenharias que nem sociais são, como se as crianças fossem números ou meros materiais de construção. Daí a necessidade de um estudo que clarifique as causas e consequências da Escola a Tempo Inteiro.
Assim:
A Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira decreta, ao abrigo da alínea a) do n.º 1 do artigo 227.º da Constituição da República Portuguesa, e alínea c) do Artigo 37º, conjugados com a alínea o) do artigo 40º do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma da Madeira, aprovado pela Lei n.º 13/91, de 5 de Junho, na redacção dada pela Lei n.º 130/99, de 21 de Agosto e 12/2000 de 21 de Junho, o seguinte:
Artigo 1º
Âmbito e Definição
O presente Decreto Legislativo Regional tem por âmbito o sistema educativo regional da Região Autónoma da Madeira e visa gerar as condições no sentido de estudar as causas e consequências da Escola a Tempo Inteiro na Região Autónoma da Madeira.
Artigo 2º
Princípio orientador
1. No prazo de 45 dias a partir da publicação deste diploma, competirá ao Secretário Regional de Educação e Cultura convidar e nomear uma Comissão que promova o estudo e debate da temática Escola a Tempo Inteiro.
2. A Comissão terá autonomia total sobre a metodologia a implementar no estudo, mas beneficiará de todos os elementos necessários ao mesmo, através de solicitação directa às correspondentes entidades públicas privadas.
Artigo 3º
Organização
1. Da Comissão referida no Artigo 2º, obrigatoriamente, farão parte:
a) Um representante da Secretaria Regional da Educação e Cultura;
b) Um representante de cada grupo parlamentar da ALRAM;
c) Um professor do Departamento das Ciências da Educação da Universidade da Madeira;
d) Um professor do Departamento de Educação Física e Desporto da Universidade da Madeira, especialista em Desenvolvimento Motor e Cineantropometria;
e) Um professor do Departamento de Psicologia da Universidade da Madeira;
f) Um representante da Federação das Associações de Pais da Região Autónoma da Madeira;
g) Um representante na Madeira da União Geral dos Trabalhadores;
h) Um representante na Madeira da Confederação Geral Trabalhadores (CGTP);
i) Um representante do Sindicato de Professores da Madeira;
j) Um representante do Sindicato Democrático dos Professores;
k) Um Sociólogo;
l) Um representante da Ordem dos Médicos;
m) Um representante da Ordem dos Economistas;
n) Um representante da Associação de Comércio e Indústria do Funchal;
o) Um representante da Associação de Comércio e Serviços da Madeira.
2. Os representantes dos grupos parlamentares não poderão ser Deputados pertencentes ao actual quadro parlamentar.
3. Na primeira reunião, entre os presentes, será eleito o Presidente da Comissão e dois vogais que o coadjuvarão.
4. A Comissão beneficiará de um apoio de secretariado, composto por um educador, um professor do 1º Ciclo e um administrativo, pelo período correspondente ao estudo, facultado pela Secretaria Regional de Educação e Cultura, segundo a figura de destacamento.
Artigo 4º
Funções
1. Competirá à Comissão nomeada, que tomará posse formal, no prazo de 60 dias após a publicação deste diploma, as seguintes funções:
a) Estudar o percurso de 15 anos desde que a Escola a Tempo Inteiro foi implementada na Região Autónoma da Madeira, o seu enquadramento geral e específico, a ligação à família e respectivos encargos.
b) Estudar a correlação entre o investimento nas ETI e os resultados da aprendizagem, concretamente, o insucesso escolar, no 2º, 3º Ciclo e Secundário.
c) Proceder à recolha e sistematização da documentação existente sobre as Escolas a Tempo Inteiro e/ou configurações semelhantes;
d) Proceder à recolha e sistematização de sistemas de organização do trabalho e respectivos horários laborais;
e) Proceder a audições, por sectores, áreas e domínios da actividade económica, educativa e social, sobre o tema em causa;
f) Endereçar convites a personalidades de reconhecida produção literária nos campos da Educação, Psicologia, Sociologia, da Economia e do Trabalho, entre outros, visando a realização de fóruns de debate;
g) Visitar sistemas educativos e de organização social de referência;
h) Enquadrar e quantificar, do ponto de vista da gratuitidade da educação, os efeitos futuros de tal medida;
i) Estudar o enquadramento dos educadores e professores hoje colocados no âmbito da Escola a Tempo Inteiro.
2. A equipa nomeada poderá organizar-se, de acordo com a metodologia que venha a definir, em grupos especiais de estudo.
3. A Comissão de Estudo terá autonomia para proceder à recolha de meios logísticos, no sentido do esbatimento dos encargos de funcionamento, mormente, no que concerne à organização de debates.
Artigo 5º
Periodicidade das reuniões
1. A Comissão reunirá, obrigatoriamente, três vezes por mês.
2. Competirá à Secretaria Regional da Educação e Cultura definir o espaço habitual de reunião bem como todo o apoio logístico à concretização do estudo.
Artigo 6º
Prazos
1. Nomeada a Comissão, esta disporá de doze meses a contar da data de publicação deste diploma, para apresentar um relatório e uma proposta, de forma circunstanciada, sobre todas as variáveis que se colocam relativamente às designadas Escolas a Tempo Inteiro.
2. O relatório final será entregue pelo Presidente da Comissão ao Secretário Regional da Educação e Cultura, no decorrer de uma apresentação pública do documento.
3. Do relatório será dado imediato conhecimento a todos os partidos com representação parlamentar.
Artigo 7º
Senha de presença
1. Será atribuída uma senha de presença a cada elemento da equipa, por reunião efectuada, no valor de € 30,00.
2. Os encargos de organização dos debates, deslocação de convidados e visitas da Comissão que se tornem necessárias, são da responsabilidade da Secretaria Regional da Educação e Cultura.
Funchal, 14 de Outubro de 2010
O Grupo Parlamentar do PS-Madeira"
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

CONSTRUINDO O FUTURO

Carlos Pereira | Conselho Estratégico | 15 FEV 16

Ontem, na Sala do Empreendorismo - Reitoria da Universidade da Madeira, o Presidente do PS-M, Carlos Pereira, apresentou o Conselho Estratégico. Nesta fase, o CE é composto por 4 coordenadores e reúne 60 elementos das diversas áreas do saber. Assista às declarações.

Publicado por PS Madeira em Terça-feira, 16 de Fevereiro de 2016

A IGNOMÍNIA EUROPEIA


A "União" Europeia é uma fraude, diariamente provada, e a última prova tem sido o êxodo de milhares e milhares de refugiados. A Comissão Europeia tem feito tudo o que há de mais sórdido para dificultar a vida ao Governo português. Há dias, na SIC Notícias, o comentador do programa Opinião Pública, da manhã, revelou o que o sorridente preopinante de economia nunca o fez: denunciou a "cilada" e as "armadilhas" (expressões usadas) que aquela Comissão estendera a António Costa, para o derrubar e ao seu legítimo Governo. Sabe-se que quem domina a "União" Europeia é uma casta de Direita, cujas decisões implicam, de imediato, a imposição de uma linha doutrinária assente no mais atroz capitalismo. O cerco e o esmagamento feitos ao Syriza, na Grécia, e a claudicação do Governo saído daquela experiência política, é um dos mais repugnantes aspectos da orientação imposta pelos dirigentes da "União".


O Partido Popular Europeu reúne organizações de Direita, as mais extremadas e da "extrema" pura e dura. A esse agrupamento político, extremamente influente, pertence Pedro Passos Coelho, que tem sido apoiado, por vezes sem discrição nem pudor, por quem, na realidade, dirige esta Europa iníqua, e que me parece sem arranjo político nem moral.
A pouca-vergonha das "ciladas" e "armadilhas" colocadas no projecto político de António Costa atingiu a sua expressão mais imunda por estes dias, com a delonga do Orçamento do Estado. Costa e Centeno têm conseguido "driblar", com grande astúcia política, as manobras daqueles senhores, que não são mais do que "factotuns" do "sistema", o qual possui como sentinela vigilante a senhora Merkel e o sinistro Wolfgang Schäuble.
Para quem não estiver dentro das baias, eles são implacáveis. Apesar das torpes ameaças, pequenas plataformas de resistência e de desafio têm surgido, um pouco por todo o lado. As pessoas, milhões e milhões, já não suportam o peso esmagador desta fase do capitalismo, e demonstram a sua indignação das maneiras e com os processos mais diversos. A "União" Europeia é uma fraude, diariamente provada, e a última prova tem sido o êxodo de milhares e milhares de refugiados. E a forma com que esta Europa os acolhe e trata. A Europa é alemã, na expressão mais belicosa que o nacionalismo possa envolver. Não ganhou nos campos de batalha, legou um cortejo de mortes e de indignidades, e, com a cumplicidade de muitos dirigentes políticos europeus, parece estar a vencer nas manigâncias. Digo "parece" porque as resistências surgem, e de que maneira!, até nos Estados Unidos, criando novas barricadas com um "sistema" que tende a destruir o nosso modo civilizacional de viver.
A comunicação social portuguesa queda-se em pequenos jogos de "economês" (de que a SIC é monumento), sem explicar a natureza do que está a acontecer. Ocasionalmente, como aconteceu na última quarta-feira, no Opinião Pública, lá aparece um colaborador que vai esclarecendo a massa ignara das manobras ocorridas nos bastidores. Ocasionalmente.
Entretanto, vamos vivendo neste lodaçal de cumplicidades e de conivências: a Europa dissolve-se em uma miséria ética e de princípios onde os valores são esvaziados com displicente indiferença. O que se pretende fazer com o Governo de António Costa é inominável. Aqui fica o registo da ignomínia.
NOTA:
Um artigo de BAPTISTA BASTOS  
b.bastos@netcabo.pt

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O DESMEMBRAMENTO DA UNIÃO EUROPEIA, INFELIZMENTE, ESTÁ A CAMINHO



O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, considerou, ontem, em Bucareste, que o risco de um desmembramento da União Europeia é "real" e apelou à coordenação europeia para impedir a saída do Reino Unido da UE. Uma hipótese muito provável apesar dos esforços no sentido de travar o designado "Brexit". Donald Tusk é um político polaco filiado na Plataforma Cívica, partido de ideologia democrata-cristã. 
Não foi um "perigoso esquerdista" que assumiu o desastre europeu. Foi um Democrata-Cristão. Facto que vem dar razão a Yanis Varoufakis, que lançou, em Berlim, um novo partido pan-europeu, que pretende "fazer regressar a democracia" a uma Europa "dominada por burocratas e banqueiros não eleitos". Lembram-se, face à crise grega, o que disseram a Varoufakis? - "Você até tem razão, mas vamos esmagar-vos à mesma". Para reflectir, sobretudo nestes conturbados tempos que se avizinham, com uma nova recessão à vista e face aos discursos marcados pelo regresso da "guerra fria".
Ilustração: Google Imagens. Donald Tusk.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A POLÍTICA EDUCATIVA PRECISA DE UMA BÚSSOLA


A Região da Madeira continua a apresentar altíssimas taxas de abandono escolar. A Madeira confronta-se com 23,6% quando no Continente, a taxa é de 12,9%. Pior que os madeirenses estão os açorianos. Face a estes trágicos números o secretário da Educação do Governo Regional da Madeira sublinhou: "(...) Considero que a Educação deve ser alvo de consensos alargados, no todo nacional, na sociedade e nos meios de decisão política, de modo a que se evitem sobressaltos constantes e se possam definir políticas educativas que sirvam efectivamente os jovens, isto é válido também no caso do abandono” (...) “É uma preocupação constante, que no caso do ano lectivo em curso teve expressão no apoio a projectos pedagógicos apresentados pelas escolas com a finalidade de combater o insucesso e, por consequência, o abandono” (...) “cada jovem que não cumpre com sucesso o seu percurso educativo e de formação, constitui um problema para a sociedade, que terá de lidar com o mesmo ao longo da vida desse indivíduo, e de igual modo um revés pessoal e familiar que sempre deixa marcas (...)”. Isto é, com toda a frontalidade, nada disse de importante. Qualquer pessoa, minimamente informada, teria outra acutilância discursiva. Assim, a Madeira afundar-se-á cada vez mais.


Sou totalmente contra a partidarização da Educação. A Educação é um desígnio nacional e, no caso específico da Região Autónoma, deve constituir um desígnio regional de prioridade primeira. Portanto, alto aí, a minha posição não é partidária, antes de processo que conduza a esse combate absolutamente determinante na construção do futuro. A situação hoje vivida é a consequência de gravíssimos erros de política educativa e de política social. As duas correm a par, aliás, como tantas vezes tenho fundamentado. Falar em consensos, em projectos pedagógicos, em um qualquer "instituto para a qualificação" é, claramente, um blá, blá que não adianta nem atrasa. É paleio inconsequente. As causas estão bem definidas e o que se espera de um governo é que actue nas causas e que fuja de andar atrás do prejuízo acumulado ao longo de quarenta anos! Mais, ainda, é fácil e até demagógico enaltecer que "(...) precisamos do esforço e competência de todos para erradicar o problema", quando não é, minimamente, sensível da parte do governo um qualquer projecto sério nesse sentido. A culpa não é dos professores, não é das direcções executivas, não é, em síntese, da comunidade educativa, mas de quem tem o dever de definir as políticas. A questão da Educação, tal como outros sistemas, tem uma natureza política e é essa definição política que urge. Ninguém sabe, nem o secretário regional, o que se pretende que seja esta sociedade daqui por dez, quinze anos, muito menos a escola que a serve. Se não existe um objectivo claro, parece-me óbvio que a escola continuará a funcionar por impulsos momentâneos. O planeamento elabora-se da frente para trás. Nunca ao contrário, isto é, indiscriminadamente, de agora para o futuro. Determinada a situação "ideal" que se deseja atingir, criam-se, então, do futuro para o presente, repito, os pontos (passos) determinantes na consecução desses objectivos. 
Um em cada quatro jovens madeirenses, entre os 18 e os 24 anos, abandonou, em 2015, a sua formação. Portanto, basta de paleio e mãos à grande obra da Educação. E quando não se sabe, das duas, uma: ou pergunta-se ou deixamos os lugares a outros com outra visão.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

DURÃO DE CABEÇA


"Não coloco no catálogo do impossível uma guerra generalizada" (...) por força da globalização, "os Estados já não controlam os acontecimentos", havendo um "problema de legitimidade e de efectividade." (...) mas deve-se evitar "o regresso à guerra fria (...)", disse Durão Barroso. Entretanto, não sei se como resposta, o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, afirmou, ontem, sobre as relações entre a Rússia e o Ocidente "podemos dizer as coisas claramente: deslizámos para um período de uma nova Guerra Fria". Ora bem, o discurso de Durão Barroso, personalidade detentora de informação privilegiada, nunca deveria ser aquele. Antes de apaziguamento das tensões, de chamada de atenção para os perigos e de conjugação de esforços. Coisa que nunca o fez, desde o tempo de Primeiro-Ministro de Portugal, quando abriu as portas dos Açores para a reunião que viria a despoletar a guerra no Iraque. A guerra que, porventura, está na origem de muita instabilidade. Mas não entro por aí porque não estudei nem sou especialista nestas matérias.


Mas tenho direito a questionar: como é que pode agora falar de "guerra generalizada", um eufemismo de "guerra mundial", quando ele próprio (indirectamente, claro) tem as mãos manchadas de sangue? Como pode dizer que "os Estados já não controlam os acontecimentos", quando esteve dez anos à frente da União Europeia e o comum dos cidadãos europeus não deu conta de posições serenas, equilibradas e de estadista, no sentido de travar o "regresso da guerra fria"? Foi durão de cabeça! Mas percebo a engrenagem. O que se passa por detrás da cortina escapa ao comum dos cidadãos. Durão Barroso pertence ao Clube Bilderberg, um governo oculto do mundo, como é (re)conhecido. Por detrás das palavras, de Durão e de outros, existe um mundo escondido, secreto e misterioso que conduz e impõe as regras deste jogo viciado. Leio e reflicto:
"Mais de um terço dos comissários que fizeram parte do segundo executivo de Durão Barroso na Comissão Europeia aceitaram empregos em empresas e organizações que os colocam numa posição em que podem fazer lóbi à Comissão Europeia. Durão Barroso é quem acumula mais postos neste período pós-Comissão, pelo menos notificados, com 22 cargos em diferentes organizações:
Membro do Institute of Public Policy de Belgrado; Chairman da UEFA Foundation for Children; Professor visitante da Universidade de Princeton; Membro do conselho consultivo da McDonough Shool of Business, da Universidade de Georgetown; Membro do conselho internacional da Ópera de Madrid; Membro da administração do The Europaeum; Membro do Steering Group das Conferências de Bilderberg; Atividades no Fórum Económico Mundial; Professor honorário do Instituto Politécnico de Macau; Membro do conselho consultivo do Women in Parliament; Membro honorário da administração da Fundação Jean Monnet para a Europa; Seminários e palestras na Universidade Católica de Leuven; Professor Visitante da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa)
Eventos com o Speakers Bureau in Londres e Washington; Professor visitante da Universidade de Genebra; Seminários e palestras na Universidade de Genebra; Professor visitante do Graduate Institute of International and Development Studies de Genebra; Professor visitante na Universidade da Califórnia; Co-Presidente honorário do Centro Europeu para a Cultura; Presidente honorário do comité honorário da European Business Summit; Presidente emérito do Teneo Leadership Institute da Universidade de Cornell; Presidente da Fundação do Palácio das Belas Artes de Bruxelas". 
É esta engrenagem, muitas, dizem, "pro bono", a par de muitas outras, que arquitectam o pensamento político que desejam ou o comportamento que esperam por parte das populações. Como sair desta sofisticada engrenagem é a questão central.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

"AJUSTAMENTOS NO GOVERNO" OU "CRISE NO GOVERNO"?



Do meu ponto de vista, ressalvando o meu desconhecimento sobre as razões mais profundas que conduziram às demissões de membros do governo regional, o que existe é uma "crise no governo" da Região Autónoma da Madeira. Começou na secretaria da Saúde, nunca devidamente explicado, e continua, entre outros casos de claro desconforto vividos em silêncio. Não há "ajustamentos", há sim sinais de crise política. Os ajustamentos acontecem a partir da tomada de posse do governo; depois, parece-me óbvio, que as saídas, mesmo a pedido dos próprios, politicamente, espelham ou podem espelhar muitas outras coisas. O que se passou e o que se passa não constitui motivo de análise, quando é muito estranho este dito "ajustamento". Ou será que estamos em presença de "ajustamento de contas"?
Olho para esta foto e, individualmente, encontro várias debilidades que têm sido do domínio público. 
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

POLÍTICA EDUCATIVA - O MINISTRO TEM RAZÃO


O Conselho de Escolas, órgão de consulta do Ministério de Educação, posicionou-se, favoravelmente, à existência de exames no ensino básico. Não aceita o novo modelo de avaliação dos alunos aprovado na Assembleia da República. Isto é, o dito Conselho quer exames e o ministro quer uma avaliação rigorosa mas de base contínua. Assunto, aliás, sobre o qual várias vezes me pronunciei. Trata-se de uma posição, a do Conselho, absolutamente abstrusa, tendo em consideração o que a investigação científica já produziu sobre esta matéria. E a verdade é que, no mesmo dia (ontem) foi publicada a posição do Conselho, a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) veio aconselhar Portugal a mudar a sua política educativa no sentido de uma substancial redução do número de retenções dos alunos. 


Ora, como facilmente se prova, não é pelo exames que se melhora o sistema, mas sim alterando, estruturalmente, a orientação de todo o sistema. O Ensino Básico é de abertura ao conhecimento e não só de resposta, alegadamente, correcta à pergunta do professor e de acordo com o manual. Diz-nos Luis Etevaldo da Silva: "(...) O conceito de “conhecimento poderoso” para M. Yong significa aquele que possibilita ao indivíduo, a partir de objectivos claros, atingir níveis de compreensão mais amplos do mundo. Implica apresentar hipóteses e instigar a discussão, repensar as próprias ideias, sob a luz das teorias. Deste modo, aprender a constituir representações sociais, culturais e políticas. Segundo ele, esse conceito não se refere a quem tem mais acesso ao conhecimento ou quem legitima, embora ambas sejam questões importantes, mas se refere ao que o conhecimento pode fazer, como, por exemplo, fornecer explicações confiáveis ou novas formas de se pensar a respeito do mundo. Em face de tal concepção, conhecimento poderoso se entende por conhecimento teórico, aquele que capaz de configurar múltiplos aspectos e argumentar o suficiente para o entendimento do tema em estudo (...)". É exactamente isto que é inviável no actual sistema educativo. Tal como há duzentos anos, salvo raras excepções, hoje, o professor continua a transmitir, o aluno a receber um dado conteúdo e, no dia x, obrigado a debitá-lo ou em um teste ou em um exame formal. Este tipo de ensino está, genericamente, desadequado, é pobre e inconsequente. Neste quadro o Conselho de Escolas não percebeu que há duas grandes mudanças a operacionalizar: a primeira, a montante da escola (espaço físico) ao nível da sociedade, reorganizando-a e tornando-a mais equilibrada a todos os níveis de análise; a segunda, ao nível do sistema educativo capaz de dar resposta a gerações que de todo não são as de ontem, consequência até, da proliferação dos meios tecnológicos e da informação que corre ao segundo. O Conselho de Escolas se não enquadra o seu pensamento nestes dois vectores, obviamente que não constitui bom conselheiro do ministério. Parece-me óbvio que o problema é muito mais profundo do que curricular e programático. É de pensamento, é organizacional, e pedagógico!  
Mas há aqui um dado marginal e muito curioso: o presidente do Conselho de Escolas, Professor José Eduardo Lemos de Sousa, foi o docente que, em 2011, em audição parlamentar na Assembleia da República, se mostrou contra a avaliação de desempenho dos professores e hoje, mostra-se favorável à avaliação dos alunos através de exames. Não é que a avaliação de desempenho dos docentes não deva ser outra, claramente que sim, de base formativa e não classificativa e punitiva, mas o que está aqui em causa é a dualidade da sua posição. Para nós uma coisa; para os outros... Não estou em condições de assumir que a atitude do Conselho de Escolas tenha pendor partidário, mas deixa transparecer isso, à luz do que foi a política de Nuno Crato e do que agora o governo pretende, no quadro de um sistema educativo portador de futuro. 
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

ULTRA TRAIL E A PRESERVAÇÃO DA SAÚDE


Ultimamente, a Madeira, tal como está a acontecer por todo o lado, tem sido palco de provas de longa distância. A "moda" do trail pegou e a superação individual parece não conhecer limites. Nada tenho contra esse tipo de desafio individual, apenas muitas reservas. Não vou aqui comentar ou expressar o que penso sobre este tipo de provas no quadro da prática do desporto, bem cultural, mesmo considerando distâncias (percursos) adequadas às idades, à preparação atempada e aos ritmos diferenciados de participação, mas quero deixar uma preocupação, sobretudo aos madeirenses, praticantes e organizadores: cuidado, muito cuidado, não apenas com a preparação, mas com o acompanhamento médico. Os "aparentemente saudáveis" e sem "factores de risco" podem não o ser e lá vem o dia que qualquer circunstância inesperada se torna fatal. Oxalá nunca aconteça. E em defesa de todos não basta, aos participantes, assinar um "documento de responsabilidade" por qualquer situação inesperada. 

Chamonix e Mont Blanc (fotos do mês de Agosto)

Constou-me que alguns madeirenses vão participar no ultra trail do Mont Blanc. Conheço Chamonix, o Mont Blanc e toda a zona envolvente. De Chamonix subi até aos três mil e setecentos metros através do teleférico. Absolutamente, deslumbrante. Só que uma coisa é ver toda a envolvência enquanto turista, outra é participar. Leiam isto, por favor:
"A sigla UTMB é das que mais faz sonhar o corredor de trail amador. Só o nome da prova que representa, em si mesmo, já impõe respeito: Ultra Trail du Mont Blanc. Do ponto de vista técnico, o UTMB é uma prova de carácter competitivo, com um percurso circular de 168 Kms a partir de Chamonix (França) e que passa por três países à volta da montanha mais alta da Europa ocidental, tendo cerca de 9.800 m de acumulado positivo. A prova tem um tempo limite de 46 horas, mais do dobro do tempo tipicamente realizado pelo primeiro (20 horas e alguns minutos) e quem chegar a meio do pelotão demorará cerca de 41 horas" (ler aqui). 
Para lá se dirigem milhares que experimentam esse desafio. E quando ouvi a notícia, logo a minha pergunta, que há muito faço, sublinho, mesmo no quadro das provas locais, que acompanhamento médico têm todos aqueles que se submetem a esforços de uma intensidade que de forma alguma pode ser considerada moderada? Estarão todos os aspectos salvaguardados? De alguns contactos fiquei com o sentimento que não, que existe muita aventura e ausência de cuidados que são basilares para quem se predispõe, porque gosta, a este tipo de actividade. Não estou a dizer que é nula a preocupação por parte de todos, mas que o provável rigor de uns não corresponde ao da generalidade. Repito: cuidado, muito cuidado, porque tudo decorre com normalidade até um dia! 
Sei do que falo por formação académica. Que ninguém brinque com a vida.
Ilustração: Arquivo pessoal (primeira foto) e Google Imagens (segunda foto).

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

REGIÃO DA MADEIRA COM A MAIOR TAXA DE DESEMPREGO ENTRE AS SETE REGIÕES DE PORTUGAL



FACTO:
"Situa-se, agora, nos 14,7%! Os Açores conseguiu baixar a taxa de desemprego para 12,8%. Há três trimestres consecutivos que a Madeira tem a mais alta taxa de desemprego das regiões". Para além dos que emigraram, os enquadrados em acções de formação, os estágios profissionais e os que "desistiram" de procurar emprego, sublinho eu.
COMENTÁRIO E PERGUNTAS:
Curiosamente, quase todos os dias, a propaganda política, dá conta de milhões para o empreendedorismo e para as empresas ("o Instituto de Desenvolvimento Regional (IDR) concedeu mais de 6,3 milhões de euros em subvenções e benefícios públicos a várias entidades madeirenses em 2015" - fonte: DN-Madeira de hoje. Na edição de Segunda-feira, a secretária regional Drª Rubina Leal assumiu que, em 2015, o Instituto de Emprego da Madeira, IP-RAM (IEM, IP-RAM) aprovou um “total de 695 Prémios” de Emprego no âmbito de “13 programas” do género, tendo pago mais de “3,2 milhões de euros” (...) "criadores líquidos de postos de trabalho destacando-se os programas de Incentivos à Contratação, de Estímulo ao Empreendedorismo de Desempregados e os Estágios Profissionais”). 
Há aqui qualquer coisa que não bate certo. Várias perguntas podem e devem ser colocadas. Entre outras, os estímulos à empregabilidade por que não funcionam em termos reais? 
Há que dar explicações políticas sobre esta situação, sob pena de tudo não passar de mera propaganda.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

"QUANDO OS JORNALISTAS SÃO O CENTRO DO PROBLEMA"


José Vítor Malheiros assina, na edição de hoje do "Público", um artigo que eu subscrevo na íntegra. De facto, chega a ser penoso e angustiante, sobretudo para quem acompanha, faz um esforço de estudo e de cruzamento dos vários aspectos das situações políticas, escutar tanta mediocridade, superficialidade e descarada preferência política. Ressalvo que há gente (jornalistas e comentadores) de muito bom conhecimento, profundos, de manifesta independência e que são capazes de nos fazerem reflectir sobre dados que nos escapam. Deixo aqui um excerto desse artigo:


"(...) Entendamo-nos: a imprensa, seja um jornal ou uma televisão, tem espaços de opinião e espaços de informação. Nos espaços de opinião, existem pessoas que são livres de defender as suas opiniões, quaisquer que elas sejam. Nos espaços de informação, da responsabilidade de jornalistas, espera-se uma abordagem isenta. Repare-se: isenta. Não uma abordagem que mostre “os dois lados da história” - porque uma história tanto pode ter dois lados como dez e porque dois sectarismos não são a mesma coisa que isenção - mas uma abordagem que explique o que está a acontecer, as consequências do que está a acontecer e que desmonte a propaganda.
Para desgraça de todos nós, o jornalismo é caro e o bom jornalismo mais caro ainda (porque exige profissionais de qualidade, equipas multidisciplinares com meios e tempo) e, por isso, a informação tem vindo a ser substituída com prejuízo por espaços com opinadores. O problema é que, não só a cobertura jornalística da política em geral é de um enorme sectarismo (muitos jornalistas são de direita e fazem propaganda das suas preferências políticas ou são maus e limitam-se a repetir o discurso hegemónico do poder, de direita) como os espaços de opinião estão invadidos por comentadores de direita ou do “centro” - alguns apresentados sob uma roupagem técnica como “economistas”, “politólogos” ou mesmo “jornalistas” - e estão praticamente desprovidos de uma visão alternativa. Qualquer jornalista sabe isto e sabe que isto é desonesto. (...)"
O texto pode ser lido neste endereço:
https://www.publico.pt/politica/noticia/quando-os-jornalistas-sao-o-centro-do-problema-1722761?frm=opi

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

A "ESCOLA NOVA" DA RIBEIRA BRAVA E A NECESSIDADE DE UMA "NOVA ESCOLA"!


Facto:
Foi anunciada a construção de uma escola nova cujo investimento rondará os sete milhões de euros, beneficiando de uma comparticipação comunitária de 85%. Há muito identificada a necessidade, depois de várias polémicas, finalmente, os decisores políticos da Região Autónoma da Madeira decidiram-se. Ainda bem.
Comentário e perguntas:
Os sistemas educativos estão em mudança. É irreversível, apesar das resistências que as mudanças de paradigma sempre transportam. Tendo origem na ignorância de muitos políticos, onde se incluem os decisores, é sintomático que o mundo que estamos a viver, em todos os aspectos, como escreveu Alvin Toffler há muitos anos, já não cabe nos cubículos convencionais de ontem. É óbvio que só resta ao sistema educativo mudar de paradigma. E a propósito da construção de uma escola nova (Ribeira Brava) a questão que, desde logo, deve ser colocada é se o edifício está projectado de acordo com a tipologia do passado ou se acompanha a mudança que está a acontecer. Este aspecto não é de somenos importância. Ele é fulcral.


Na Catalunha, por exemplo, nos colégios jesuítas estão a transformar os edifícios, deitando paredes abaixo para implementar uma nova dimensão do processo ensino-aprendizagem. "Educar não é só transmitir conhecimentos", disse o director-geral do FJE, Josep Menendez. Hoje, estão em causa projectos que promovam "as inteligências múltiplas e extrair todo o potencial" dos alunos (...) "nós transformamos a educação para que o aluno seja o protagonista, para que haja verdadeiro trabalho de equipa e os alunos a descubram qual é o seu projecto de vida, o que querem fazer na vida e ensiná-los a reflectir, porque vão viver numa época que os vai desconcertar". "O problema do ensino é que é muito aborrecido. Nós mudámos o olhar" disse, em entrevista Pepe Menéndez, director adjunto da Fundació Jesuïtes Educació, da Catalunha. "A dificuldade essencial é o aborrecimento, a falta de ligação. "Isto não me interessa." A escola é uma obrigação, não é um sítio que me apaixone. Os adolescentes não têm de estar sempre a divertir-se, mas a escola estava a tornar-se uma prisão. Eu ainda fiz o serviço militar obrigatório e digo que a escola obrigatória é igual. Igual! Todos têm de ir porque os pais trabalham, porque a lei obriga, mas o direito à educação não é fechar os miúdos numa escola. É provocar as suas emoções, as suas paixões, potenciar os seus talentos tão diferentes... os talentos dos alunos são muito maiores do que o currículo. (...) A mudança está em olhar para as coisas de forma diferente: o que queremos? Nós, jesuítas, dizemos: queremos alunos competentes, compassivos, conscientes, comprometidos e criativos. Que sejam capazes de construir o seu projecto de vida, é esse o centro do nosso projecto educativo. É preciso fazer coisas no colégio para que o aluno se vá construindo, e todos os conhecimentos têm de ser metidos dentro do projecto. Não é: "A minha vida é isto e os meus conhecimentos estão noutro lado (...) Tenho de integrá-los!"
Sendo assim e estando o paradigma educativo em mudança, pergunto, qual a posição do governo regional? Manter as tipologias dos edifícios que já não se adequam às necessidades? No caso da Ribeira Brava, questionaram os professores sobre como é que desejam o edifício? Pediram algum estudo, por exemplo, ao Departamento das Ciências da Educação, da Universidade da Madeira? Oxalá esteja enganado, mas pressuponho que o projecto de arquitectura nasce do actual conceito de escola (há uma diferença entre "escola nova" e "nova escola") e não assente em um conceito de inovação portadora de futuro. E tem uma razão de ser. Este governo regional, tal como os anteriores, nunca, repito, nunca, manifestou, publicamente, uma preocupação de mudança do sistema educativo. Perguntarão, pressuponho, para si próprios: eles dizem que a escola é uma seca? Que seja! Eles (crianças e jovens) têm de adaptar-se ao que queremos e nunca o contrário. O erro reside aqui e em uma nova e adequada leitura do Mundo!
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

A LATA DE PEDRO PASSOS COELHO


"O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, acusou ontem o Governo socialista de promover um grande aumento de impostos para "dar com uma mão a uns aquilo que está a tirar a todos os outros" (...) Espero não ser chamado outra vez com a casa em chamas". Sinceramente, se a política é isto, vou ali e já volto. Quem assim age manifesta ausência de vergonha, de sensatez e de respeito por si próprio. Pedro Passos Coelho esquece-se que aconteceu uma crise, fabricada externamente, e que arrastou quase toda a Europa. Países que chegaram a apresentar superavit (caso da Espanha) mergulharam em uma profunda crise. A crise não ficou a dever-se apenas aos erros de governação, mas às ondas de choque externas. Pedro Passos Coelho sabe que assim foi, mas continua a apresentar-se como o "salvador da Pátria" e a julgar-se como homem providencial.

Há uma comunicação social que já se esqueceu!
Ou será que não se esqueceu?

E sabe que assim foi e é, por isso mesmo, relembro, que na campanha eleitoral de 2011 prometeu mundos e fundos e, durante quatro anos bateu forte e feio nos portugueses. Ou não estava preparado, como chegou a dizer Marcelo Rebelo de Sousa, ou aldrabou sabendo ao que vinha. Não há uma terceira hipótese. 
Deixo aqui algumas frases ditas por Pedro Passos Coelho que contrastam com o seu comportamento: (...) o orçamento apresentado na Assembleia na República este ano (2010), de alguma maneira vai buscar a quem não pode fugir que são os funcionários públicos e, portanto, precisamos de um governo não socialista em Portugal (...) não faz sentido andar a pedir às pessoas, às famílias portuguesas para pagarem mais a crise (...) na prática estão a preparar-se (anterior governo) para aumentar a carga fiscal. Como? Reduzindo as deduções que podemos fazer em sede de IRS (...) significa sempre o mesmo esforço de tratar os portugueses à bruta (...) os sacrifícios não têm sido distribuídos com justiça e equidade (...) não contarão (comigo) com mais ataques à classe média em nome dos problemas externos (...) nós não olhamos para as classes de rendimento a partir dos mil euros dizendo aqui estão os ricos de Portugal que paguem a crise (...) nós hoje obrigamos as pessoas a pagarem com aquilo que não têm (...) para que o caminho que têm pela frente não seja ainda de mais impostos, mais desemprego e mais falências de empresas (...) não dizemos hoje uma coisa e amanhã outra (...) não basta a austeridade (...) não se pode cortar cegamente (...) as medidas agora anunciadas traduzem uma incompreensível insistência no erro, porque se volta a lançar exigências adicionais sobre aqueles que sempre são sacrificados, porque se atacam alicerces básicos do estado social (...) se eu fosse primeiro-ministro não estávamos hoje com as calças na mão, a pedir e a impor um plano de austeridade (...) o que o país precisa para superar esta situação de dificuldade não é de mais austeridade (...) o IVA, já ontem o referi, não é para subir (...) temos hoje pessoas que deixaram de ter subsídio de desemprego (...) eu não quero ser primeiro-ministro para dar empregos ao PSD e para proteger os que são mais ricos em Portugal" (...) "(...) Estar desempregado não pode ser um sinal negativo (...)".
Por tudo isto e pela sua prática política, da qual destaco o substancial aumento da pobreza e da emigração forçada, Pedro Passos Coelho deveria estar a passar um momento de grande contenção nas palavras. Só que o desejo de ir ao "pote" é muito grande. Lamentável, pelo menos do meu ponto de vista. Respeito quem tenha uma outra leitura do processo.
Ilustração: Arquivo próprio.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

POLÍTICA DE SAÚDE: 40 ANOS DEPOIS DE ABRIL OS NÚMEROS SÃO ARRASADORES E CONFIRMAM QUE A POLÍTICA BRINCA COM O SOFRIMENTO


A edição de hoje do DN-Madeira apresenta um conjunto de números absolutamente dramáticos. O Sistema de Saúde está em um caos. Quarenta anos depois de Abril, com o sistema regionalizado, nesta região com Estatuto próprio, Assembleia Legislativa própria, governo próprio e orçamento próprio, as perguntas que se colocam, entre outras, são estas: como foi possível chegar a esta situação, apesar da Madeira ter cerca de 250.000 habitantes (menos 100.000 que o concelho de Sintra)? Quais as causas e respectivos responsáveis pelo dramatismo da situação a que se chegou? 


Afinal, a tal "renovação" política não passou de paleio, uma vez que se verifica um exponencial aumento mensal de doentes em lista de espera? Os números hoje apresentados envergonham o sistema, direito constitucional inalienável, e colocam em causa todas as políticas seguidas. Concluo: há muito que os madeirenses deveriam ter procurado uma alternativa política. É o que se chama continuar a apostar no cavalo errado, manco, magro e velho. Também será caso para dizer, qual metáfora, que o sistema de Saúde precisa de "cuidados paliativos" para alívio do sofrimento, compaixão pelo doente e seus familiares.
Ficam os números para reflexão:
"19.200 - Número de doentes na lista de espera para a realização de uma cirurgia no sistema de saúde público da Região, no final de 2015.
16 - Anos que aguardam os doentes há mais tempo nas listas de espera de Ortopedia e Neurocirurgia.
150 - Ritmo médio do crescimento mensal do número de doentes nas listas de espera para cirurgia, em 2015."
Ilustração: Google Imagens.

A DEPUTADA NO PARLAMENTO EUROPEU LILIANA RODRIGUES(PS) DÁ A CONHECER A SUA IMPORTANTE ACTIVIDADE



A Press News representa mais um instrumento para dar a conhecer aos cidadãos o trabalho da Eurodeputada Liliana Rodrigues, no âmbito das comissões e delegações que integra no Parlamento Europeu. Neste espaço, todos os meses, os cidadãos poderão acompanhar todos os projetos desenvolvidos possibilitando uma maior aproximação com os assuntos europeus.

Consultar aqui
http://www.gabineteeuropeudamadeira.com/files/Press%20News/PRESS%20NEWS%20Liliana%20Rodrigues_n01%20(1)%20Final.pdf

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

POLÍTICA EDUCATIVA E A OBSESSÃO PELA AVALIAÇÃO DOS ALUNOS



Curiosamente, os finlandeses, que se apresentam no topo, dizem: "É possível prepará-los ou para as provas ou para a vida. Escolhemos a segunda opção". Pois é, a grande diferença talvez esteja no facto de andarmos à procura do que os alunos não sabem e não do que sabem! Enquanto uns ensinam a PENSAR e educam para a independência (os alunos finlandeses são os que mais lêem no planeta) por aqui a preocupação tem sido a obsessão pelos exames e não pelo verdadeiro conhecimento. Volto a citar Ana Benavente: “A favor dos exames basta o senso comum e a ignorância”.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

"A FAVOR DOS EXAMES BASTA O SENSO COMUM E A IGNORÂNCIA" - ANA BENAVENTE


Por: Daniel Lousada
"Ouço Medina Carreira (1) chegado à educação por influência, talvez, das conversas com Nuno Crato [ex-ministro da educação], no tempo do “Plano inclinado da TVI24”, a defender do alto da sua sabedoria os exames, e dou por mim a citar Ana Benavente: “A favor dos exames basta o senso comum e a ignorância”. (2) “Uma dona de casa sabe – diz Medina Carreira – que a criança espontaneamente não vai trabalhar, não vai estudar. E se não vai estudar não vai aprender. E para que haja «pretexto» [a indicação das aspas é dele] para que a pessoa estude, há um exame”! [a exclamação é minha]. Não sou “dona de casa”. Não sabia que, tratando-se de estudo ou de trabalho, a espontaneidade não existe na criança! − azar meu. Mas sei que há duas coisas que podem levar uma criança a estudar: a curiosidade que lhe é inata e a leva, espontaneamente [Ah! afinal consegue ser espontânea], a procurar saber “o que é”, “porque é”... e por aí adiante; ou a promessa de um prémio ou castigo, a única forma de levá-la a estudar, contrariada, coisas que considera aborrecidas. E sei ainda que, se não vier a gostar do objecto que considera aborrecido e no qual não vê qualquer utilidade, dificilmente este virará assunto de que venha a saber o bastante. 


É por isso que António Nóvoa, parafraseando Alain, (3) diz que os “melhores professores são aqueles que conseguem que, no fim, o aluno goste daquilo que, no princípio, não gostava nada”. Um aluno até pode estudar apenas porque há exames, a fugir do castigo ou atrás da recompensa,(4) mas se não encontrar um sentido maior no decurso do trabalho de aprendizagem, esquecerá tudo na primeira oportunidade.
Eu domino um determinado conhecimento a partir do momento em que consigo demonstrar a mim mesmo e aos outros que domino, através dos usos que faço dele, falando e escrevendo sobre ele. A avaliação dos alunos, colocada nestes termos, é apenas e tão só a verificação de um facto: o aluno sabe [e ele e os outros sabem que sabe] ou não sabe. É claro que os testes [tipo de provas com que se fazem os exames] podem ser úteis para ajudar verificar este facto [para ajudar, insisto]. E podem igualmente ser úteis no desenvolvimento de competências que necessitam de treino para serem dominadas – como é que um aluno aprende a dominar o algoritmo da multiplicação? Treinando, testando a sua habilidade. (5) Mas se eu juntar estes testes a outros testes num exame, para saber quem responde acertadamente a mais perguntas num determinado espaço de tempo, não é saber, se o aluno sabe ou não, que eu quero: quero é saber quem consegue fazer melhor o percurso, nas condições que eu imponho! Colocado desta o forma, o exame assemelha-se a um concurso onde o “rigor”, expresso em pontos, se mede com o cronómetro na mão. E qual é o mal? Nenhum. As crianças até gostam de concursos. Gostam de comparar, com colegas e amigos, algumas das suas habilidades. Aliás, os professores das “classes” dos mais pequenos tiram partido do gosto que as crianças têm por estes jogos, e ensinam-nas a jogá-los, a superar os seus limites, colocando-lhes desafios. Mas ver quem consegue dar rapidamente a resposta ou chegar ao resultado mais depressa, não é o mesmo que querer saber se sabem ou não sabem, para ajudá-las a superar as dificuldades que, eventualmente, sintam.
António Nóvoa, em entrevista concedida a “Carta Educação” [www.cartaeducacao.com.br] defende que as avaliações padronizadas, aplicadas para que os conhecimentos entre estudantes, ou os resultados das escolas, ou países, possam ser comparados, “são instrumentos muito pobres que pouco dizem sobre a vida escolar e o trabalho dos alunos. Mas não os podemos ignorar, por duas razões. Primeira, porque apesar da sua pobreza, têm uma grande visibilidade e podem ajudar a desencadear uma reflexão útil. Segunda, porque influenciam profundamente a maneira como a sociedade e os próprios alunos, vêem a escola e os professores, o que é importante para a criação de um melhor ambiente educativo”. Contudo, desencadear uma reflexão útil e promover um melhor ambiente educativo, não significa promover a separação de uns quantos, quando não é útil fazê-lo.
Os primeiros anos de escolaridade correspondem a uma fase muito exigente – é verdade! E decisiva, também, para o êxito das aprendizagens futuras. Daqui o rigor que deve acompanhar o ensino nesta fase [acompanhar o ensino – insisto], só possível com uma avaliação que se aproxime o mais possível do retrato das aprendizagens dos alunos. Quer dizer, avaliação serve a aprendizagem e o ensino; quando não, apenas serve para fazer comparações ao serviço de falsos conceitos de exigência. À avaliação basta-lhe ser o que é: verificação de factos, como ficou dito atrás. E quando se ouve falar de rigor, igualdade, justiça... [tudo termos que o senso comum gosta de associar aos exames e seus instrumentos de medida!], o mais certo é porque alguém quer saber quem está na frente e merece chegar aos lugares que dão direito a taças e medalhas! A exigência de rigor, do ponto de vista do exame de avaliação, não é determinada pela necessidade de saber o que o aluno sabe, mas pela necessidade de impor barreiras. E eu só encontro uma situação em que este tipo de avaliação pode ser útil: quando é preciso seleccionar [porque as vagas naquela faculdade não dão para todos e é preciso fazer escolhas] e não temos outro instrumento para fazê-lo com critérios mínimos de justiça. (6) Ora, nada disto é necessário com as crianças mais novas. E seleccionar ou excluir não serve a sua educação, bem pelo contrário. Não coloquemos barreiras num tempo em que o que importa é abrir horizontes.
Sabemos que é nestas idades que as crianças estão mais despertas para aprender. Só temos, então, que aproveitar essa disponibilidade para fazê-las crescer, não contaminando o seu trabalho de aprendizagem com repelentes, como penalizar os seus erros com “avaliações” de que nada aproveitam [apenas ensinam que errar é errado e o melhor é não arriscar], em vez de aproveitar os seus erros para fazê-las avançar no conhecimento. “Imagine-se uma mãe a sujeitar o seu filho a um exame de linguagem, que castigasse as suas dificuldades de pronúncia... Com medo de arriscar, que criança aprenderia a falar?”(7)
Não sou dos que embarcam no argumento de que as crianças stressam com exames. “Os miúdos de hoje, salvo algumas exceções que confirmam a regra, não stressam com estas coisas. Mas stressam os seus professores, qual treinador que se sente responsável pelos ‘desaires’ da sua equipa. Vai daí, corre o risco de se comportar como tal: vai atrás de saber como joga a equipa contrária (informa-se sobre a história das perguntas de exame) para treinar os seus jogadores (alunos) a marcar e a fugir das marcações (a responder à letra). Ensina a jogar, é certo, mas ensina a jogar daquela forma que o adversário lhe impõe que jogue. Ensina a responder a perguntas mas, pressionado pelos ‘resultados’, relega para segundo plano o desenvolvimento da capacidade de fazê-las”, (7) e com as quais desenvolve o seu sentido crítico e espírito inventivo. Sejamos exigentes, não neste ou aquele saber, mas na apresentação da criança ao mundo, iniciando-a no que o mundo tem para lhe oferecer: na pintura, na música, nas ciências, nas artes dramáticas, na leitura e na escrita por prazer. Sejamos exigentes sim, mas não condicionemos a aprendizagem das crianças com perguntas de exame, que dizem muito pouco do aluno e do trabalho da escola, num tempo em que o que mais importa é não deixar morrer o prazer de aprender. Mas isto, como defende Ana Benavente, exige-nos que pensemos um outro tipo de escola, e que tardamos em pensar.
NOTAS:
1. Programa “Olhos nos olhos” de 19.01.2016, da TVI24, so- bre “Avaliações no ensino bá- sico”, com a presença do ex- ministro da educação e presi- dente do CNE, David JUSTINO.
2. in “Exames para que te quero” [www.Publico.pt] Estou ten- tado em defender que o senso comum anda ao arrepio da opinião pública [hoje tenden- cialmente a única publicada] e vice-versa.
3. Diz ALAIN que “difícil é conduzir os homens a agradarem-se no fim com aquilo que no princípio não lhes agradava nada” [citado por António NÓVOA em “Pedagogia: a terceira margem do rio”. CNE 2010
4. Será este o efeito mobilizador dos exames, de que fala o ex- ministro da educação, e presidente do CNE, David JUSTINO, no debate com Medina CARREIRA?
5. Neste caso, estes testes não são apresentados apenas como testes: testam a nossa habilidade neste ou naquele tipo de conhecimento, ao mesmo tempo que nos ensinam, pelo treino, a dominá-lo.
7. Daniel LOUSADA, “Exame da 4a Classe: evitar um debate armadilhado”. https://sites.google.com/site/agoragaia/opiniao-artigos/sobre-a-escola-da-nossa-saudade 2 www.agoragaia.blogspot.pt

Artigo de opinião publicado por Daniel Lousada no blogue "agoragaia", aqui transcrito pela importância da sua reflexão.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

EUROPA FORTE COM OS FRACOS E OS "MUROS" POR DERRUBAR


Querem cada vez mais medidas de austeridade. A cartilha dessa gentalha europeia, que usa e abusa do seu quase infinito poder, perdida no labirinto do dinheiro, humilha, claramente, os mais fracos e ajoelha-se perante quem lhe faz frente. Os "ingleses" não se puseram com meias medidas, colocaram sobre a mesa as regras e fortaleceram as suas convicções. Porque a Europa "tem medo, como o diabo da Cruz", do referendo que vem a caminho na Grã-Bretanha sobre a manutenção ou saída da União. Seria o início do descalabro. De um outro modo, mas tendencialmente convergente, anda essa gentalha a "piar fininho" com a Itália e até mesmo com a França. Relativamente a Portugal e outras economias mais débeis, ficam enfurecidos porque a exploração tem de continuar. De todo, não é nesta Europa que acredito. Esse é o caminho que, paulatinamente, me conduz a situar-me no campo dos eurocépticos. Mas, porque raio um país tem de, antecipadamente, subordinar-se ao controlo externo, perdendo a sua independência e autoridade? 


Apeteceu-me escrever umas linhas sobre esta matéria e sobre alguns "socialistas" do topo europeu rendidos ou, melhor, vendidos nas suas convicções. Mas não. Não sou economista e, portanto, julgo de bom senso guiar-me por aqueles que admiro pelas suas sustentadas posições. Li o artigo do Dr. João Abel de Freitas, economista, (http://www.dnoticias.pt/impressa/diario/opiniao/566259-orcamento-de-estado-2016) hoje publicado e que aconselho a sua leitura. Aqui fica um excerto:
"(...) Pode-se questionar, mas vai “gerar” o diferencial de 0,4%?
Penso que o montante a injectar é de tal maneira vigoroso (acima de 1000 milhões de euros) que até pode gerar mais. A resposta precisa é, no entanto, mais complexa. Só mesmo na posse de ensaios em modelo robusto se poderá dar uma resposta aproximada: os “tais ensaios de sensibilidade”.
Mas a minha resposta de tanta contestação às projecções do Governo não decorre destes graus de incerteza. Não há fundamentação técnica para isso. A situação é bem outra. Este governo é mal visto. Não é da cor dominante. Saiu dos padrões da Troika. E, mesmo após o “chumbo” pelo Tribunal de Contas Europeu de que a austeridade em Portugal e outros países foi mal gerida, de que a Troika não só não soube detectar as razões da crise como não soube lidar com ela, ainda assim continua arrogante e na mesma linha de actuação - a da austeridade e empobrecimento.
Outras propostas orçamentais como as de França e Itália não cumpriram o que está nos tratados e a UE fechou os olhos. Em 2015 e nos anteriores o Governo Passos/Portas não cumpriu e não foi apertado. Só mesmo uma razão estritamente política leva a tanto alarido e alarme".
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A SENHORA DEPUTADA VÂNIA DE JESUS (PSD) TEM MUITA PIADA...



Esta manhã, no parlamento regional, arengou: "(...) O Carnaval começou bem mais cedo no cenário político nacional" (...) o documento (Orçamento de Estado) parece uma cópia das propostas socialistas que "sempre geraram défice e endividamento público". Ora bem, a piada está no facto de ela própria, durante vários anos, com o seu voto, ter ajudado a viabilizar os orçamentos da Madeira que geraram, exactamente, "défice eendividamento público", ao ponto de ter sido necessária uma dupla austeridade face a uma dívida de mais de seis mil milhões de euros! Baseado no pressuposto que os "indígenas" têm memória curta, deu o tiro político, o paleio fez ricochete e "matou-a" no plano político. 
Estão as câmaras municipais a pagar monstruosas dívidas do passado, está o governo regional hipotecado até ao pescoço e a população assiste à continuidade de uma guerrilha que não ajuda nada a pacificar as relações entre a Madeira e o governo da República, com vários dossiês pendentes. Daqui a dias, não me admira nada, que o tiro seja para os Açores.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

ISTO NÃO VAI COM "REZAS" NEM COM COLUNAS DE PLASTICINA


"A Europa é gerida por uma ideologia dominante que não aceita alternativas" (...) Porfírio Silva (PS) ao Jornal I. A questão é saber como operacionalizar as mudanças políticas, com sensatez, equilíbrio e responsabilidade, quando os grandes meios de comunicação social se encontram nas mãos de quem não deseja a mudança ("os gestores dos media tornaram-se gestores das mentes"). A questão é saber, também, como chegar ao povo esclarecendo-o que não pode continuar a dar o chicote (entenda-se voto) àqueles que o maltratam com voz aparentemente doce. Novos equilíbrios são necessários.
Assunção Cristas, candidata a líder do CDS/PP, assumiu: "Rezo todos os dias, mais do que uma vez por dia". A declaração, absolutamente respeitável, que tem uma óbvia componente política (não havia necessidade, porque as convicções desta natureza devem ficar com cada um), espero que não seja no sentido da escravização a que temos vindo a assistir. É que a família europeia a que o CDS/PP pertence também "reza" para que nada mude.
Ilustração: Google Imagens.