quinta-feira, 24 de março de 2016

QUINTA-FEIRA SANTA - "FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM... O QUE É ISTO?"


É esta uma noite ímpar, pela soma de contrastes que a vestem. Por um lado, os galopantes ventos cruzados que derrubam árvores e travam aeronaves. Por outro, a lua cheia, viajando fagueira “como a alma de um justo”, entra-nos em casa e na mente em acenos de paz e cânticos de Páscoa. Dormem no mesmo berço nocturno, as bombas suicido-assassinas dos aeroportos e os prenúncios de uma Ceia, em cuja mesa pão e vinho se misturam com o sabor do abraço e do perdão. E é nesta Ceia, chamada a Última, que debruço hoje o meu olhar para descobrir-lhe a ementa e desvendar-lhe o significado. Espero não ferir susceptibilidades e arquétipos interpretativos que sucessivas gerações nos transmitiram ao ritmo imponderado do tradicionalismo religioso.



No derradeiro adeus aos amigos mais próximos, J.Cristo pôs a mesa e sobre a toalha dispôs pão e vinho da terra, dizendo: “Isto é o Meu Corpo, Isto é o Meu Sangue”. E como quem acentua o núcleo ideológico daquela estranha despedida, mandatou-os com este aviso: “Fazei Isto em memória de Mim”. 
Que sentido maior terá o demonstrativo “Isto” no contexto da narrativa?
O conhecido e abalizado teólogo Bento Domingues refere, na sua crónica de domingo passado, que a Última Ceia fica toda iluminada com o gesto simultâneo de J.Cristo quando decidiu lavar os pés aos comensais, pescadores e pecadores, seus amigos desde a primeira hora – uma atitude de intensa carga afectiva e de partilha igualitária entre todos, sublinhando a moralidade global daquela Ceia: “Também é Isto que deveis fazer uns aos outros”. (Mt.26,26; Jo.13,1-17). 
Os primeiros cristãos traduziram à evidência o mandato do Mestre: “Partiam o pão em casa e comiam juntos com alegria e singeleza de coração…Tinham tudo em comum: até vendiam as suas propriedades e fazendas e repartiam com todos, conforme as necessidades de cada um”.(Act.2, 44-46). Eis a genuína interpretação da Ceia do Senhor e do subsequente Lava-pés, fielmente vivenciada pelos que receberam em primeira mão a narrativa do Cenáculo. Para eles, interessavam menos os rituais do que as acções concretas de solidariedade no terreno, demonstração dinâmica da sua fé na Eucaristia – a “Boa Graça”, etimologicamente.
Assim não entenderam os séculos posteriores e os cristãos, doutrinados e dominados por uma hierarquia crescente em poder, luxo e majestade. Passou-se a privilegiar o rito em prejuízo da seiva interior que lhe dava sentido e actualização. Fechou-se a Ceia no círculo apertado do formalismo litúrgico da “Consagração”. Depois, ergueram-se camarins e baldaquinos, cinzelaram-se sacrários, âmbulas e custódias, algumas delas de ouro precioso (lembremo-nos da sumptuosa custódia do ourives quinhentista Mestre Gil Vicente) e guardou-se o “Senhor do Universo” numa perfeitinha hóstia circular, bem segura numa prisão que, por ser dourada, não deixa de ser prisão. E chegou-se a esta obtusa contradição: enquanto o Mestre e os primeiros cristãos tomavam o pão da Eucaristia para abrirem caminho ao exterior, aos que viviam nas periferias, a Igreja usa prioritariamente a Ceia do Senhor para prendê-lO nas áureas teias do solenes rituais.
Não está em causa o fenómeno da “transubstanciação” (um vocábulo dogmático que os crentes pouco entendem) mas a inversão dos factores-valores da equação entre os meios e os fins, entre o ritualismo e vida. Se alguém houve que repudiou o verniz dos cerimoniais e defendeu acerrimamente os valores da fé viva e actuante, esse alguém foi o nosso Líder e Mestre, atraindo, por isso, contra si a fúria dos sumos-sacerdotes sentinelas da religiosidade formalista oficial.
Em síntese, todo o equívoco resume-se à frágil distinção entre significante e significado. Quanto menos evoluído é um povo, mais necessidade tem de significantes - repetidos, redundantes, asfixiantes até. Pelo contrário, um povo de olhos límpidos, não afectados por sombrias cataratas ideológicas, depressa intui o significado essencial dos gestos e tradu-lo em expressões factuais, prova transparente da sua crença.
Quinta-feira Sã e Santa, porque criadora de solidariedades necessárias, dos perdões consensuais, embora tantas vezes doridos e sofridos, mas no fim sempre geradores de prazer e militância face ao futuro!
Não há Eucaristia sem Abraço!
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Seria “divertido” e produtivo se alguém quisesse desenvolver um tema que tivesse mais ou menos este título: “Ao fim de 50 anos de embargo a Cuba, o presidente adventista Obama visitou aquele Povo. Na Madeira, faltam só oito anos para a Diocese levantar o embargo decretado desde 1974 à comunidade cristã e católica, chamada Ribeira Seca”.
Viva Quinta Feira Sã, Saudável, Santa!
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23.Mar.16
Martins Júnior

NOTA:
Texto publicado pelo Padre Martins Júnior no seu blogue Senso e Consenso.
http://sensoconsenso.blogspot.pt/2016/03/o-que-e-isto-pao-e-vinho-sobre-mesaem.html#gpluscomments

quarta-feira, 23 de março de 2016

TUDO MUDO COMO EM OUTROS TEMPOS...

Já tinha visto esta foto. Agora, chegou-me, novamente, através de um amigo. Dá conta da revolta contra a austeridade manifestada por deputados no Parlamento Europeu. Curiosamente, ou talvez não, na imprensa portuguesa não constituiu matéria de interesse. Não é de estranhar. Os últimos quatro anos, esta é a minha leitura, serviram, também, para exercer um certo controlo sobre a informação publicada. Todos os dias tal é notório através de peças e dos comentários de muitos "avençados".  







terça-feira, 22 de março de 2016

QUE MUNDO TÃO PERIGOSO! UM DESABAFO AO INÍCIO DA MANHÃ


Agora, logo ao início da manhã, foi em Bruxelas, mas as tensões andam por todo o lado. O sentimento que cresce é que não estamos seguros em sítio algum. Viajar, por razões profissionais ou, simplesmente, pelo prazer de conhecer, está a tornar-se uma quase aventura. Dizem, uns, que é preciso ser determinado para denunciarmos que não temos medo, mas isso não passa de uma balela dita boca fora. Na realidade, fugimos com o receio de estarmos no sítio errado na hora errada. Acordamos ao som das explosões e deixamos o dia com as imagens e os comentários do desespero e da morte. Para quê tudo isto? 


Já não bastam as angústias provocadas pelos desequilíbrios económico-financeiros, já não basta olharmos para este Mundo de pobres, de sessenta milhões de refugiados, de seca, de analfabetismo, de continuada exploração do homem, de falência das instituições, de roubo aos mais vulneráveis para deleite dos ricos e muito ricos, de corrupção a todos os níveis, de clara insustentabilidade do planeta motivada pela ganância? Como se tudo isto não bastasse ou por causa disso mesmo, caminhamos, diariamente, com medo e em pânico, nesta curta passagem pela vida. 
Hoje, em Bruxelas, no coração das instituições europeias, aconteceu mais um sinal dos tempos. E nós, completamente impotentes e frágeis, condenados a conviver com a incerteza. Que Mundo tão perigoso! Onde estão as referências do ser humano, os Homens e Mulheres estadistas capazes de inverterem este doloroso caminho para o abismo, quando sabemos que o recurso à bomba não resolve...

segunda-feira, 21 de março de 2016

COMPLEXO BALNEAR DO LIDO. O QUE FOI E O QUE É!





Amanhã é inaugurado o Complexo Balnear do LIDO, depois de alguns anos de obras na sequência do estado em que ficou após o fatídico 20 de Fevereiro de 2010. Deixo aqui três fotos que pertencem à História. As duas primeiras de 1935, a terceira, já nos anos 60.
Na primeira foto podemos ver algumas particularidades: ao lado direito, os três andares de cabinas para mudança de roupa; no primeiro plano, dois campos, um de Madeira-Ball e outro de Deck-Tennis; na piscina, praticava-se a natação desportiva e o pólo aquático; no solário podemos ver dois postes com argolas (ginástica); à esquerda, os saltos para a água. 
Na segunda foto são visíveis as cabinas para mudança de roupa e, na piscina um jogo de pólo aquático que atraia centenas de espectadores.
Na terceira foto, uma partida para uma prova de natação.
As duas primeiras fotos pertencem à colecção Perestrellos (Museu Vicentes) e foram publicadas no livro "História Lúdico-Desportiva da Madeira, escrita pelo Dr. Francisco Santos (1989). A terceira foto pertence ao meu arquivo pessoal (sou o nadador do meio). 

domingo, 20 de março de 2016

SECRETARIA DA EDUCAÇÃO DA MADEIRA NEM APROVEITAR SABE OS BONS PROJECTOS


A docência foi a vida profissional que escolhi. Por vocação e não porque deu jeito. Vivi quarenta anos em concordância com essa vocação, o que me obrigou a um permanente estudo, formação contínua e muita leitura de outros que construíram as suas vida no âmbito da investigação produzindo pensamento. Talvez, por isso, porque não sou de aviário, cada vez mais me deixa apreensivo o rumo do sistema educativo na Região que, por ser Autónoma, poderia e deveria seguir o seu próprio caminho. Continuo a defender um país, três sistemas educativos, sem que isso coloque em causa a matriz identitária nacional. E esse caminho é possível, tal como um puzzle que necessita paciência, ou de um jogo de xadrez que obriga à reflexão e interligação das jogadas. Aliás, deixar-se conduzir-se pelos outros, no caso de permanecerem na asneira, apenas leva à repetição do erro. E eu, por essa estrada, não vou. 


Li um trabalho do jornalista Márcio Berenguer (Público) sobre a Escola Básica 123 do Curral das Freiras (Madeira). Apesar de eu não ser favorável à existência de ranking's não deixo de os analisar, enquanto mero indicador, no quadro, repito, do actual sistema. Aquela escola que se encontrava no lugar 1207 do ranking saltou, no último ano, para as da frente, com a melhor média entre os estabelecimentos públicos no exame nacional de 9.º ano. O interessante é que "tem 300 alunos, não tem campainha, nem trabalhos de casa e os horários das aulas batem certo com os do autocarro". Esta uma síntese, certamente, compaginada com muitas outras que tornaram possível um melhor conhecimento, apesar 92% dos alunos terem Acção Social Educativa (pobreza) e a internet não fazer parte das prioridades da maioria das famílias". Significa isto que o estabelecimento de educação e ensino procurou o seu próprio caminho, apesar das regras apertadas da hierarquia, sempre avessa a quaisquer mudanças, e, portanto, que é possível um outro paradigma que entusiasme as comunidades educativas para o sucesso. 
Enquanto isto acontece, a secretaria da Educação, promoveu uma conferência de imprensa, claramente, no quadro do combate POLÍTICO, para dizer às escolas da Madeira, enquanto recomendação, sublinhe-se, que "não deverão realizar as provas de aferição do 2º, 5º e 8º anos, bem como as provas finais do 4º e 6º anos que o Ministério da Educação tornou facultativas, no presente ano lectivo" (...) deixando, no entanto, "às escolas a decisão final no quadro da sua "autonomia". E porquê? Porque não quer provas de aferição feitas "em cima do joelho". Disse ainda o secretário que "o sistema educativo carece de elementos fiáveis de avaliação, cruzando o rendimento dos alunos com o desempenho dos professores e a avaliação das escolas". Isto é, recomenda que não é desejável, mas, no essencial, mostra-se como uma figura política que não consegue libertar-se das amarras do passado, através de uma posição estrutural para o futuro. Ao invés de aproveitar o momento para dizer, em alto e bom som, um rotundo NÃO a um sistema que vive da paranóia da avaliação e de um ambiente pedagógico retrógrado, que deixa os alunos no redemoinho do abandono e do insucesso, preferiu a insensatez do combate político com o ministério da Educação. Para quê, pergunto? Poderia e deveria ter aproveitado para se vangloriar do que acontece, por exemplo, no Curral das Freiras, ainda que de uma forma insipiente, abrindo espaço de incentivo a que outros façam o caminho pelo corredor da diferença e do sucesso, mas não, continua esta secretaria a demonstrar que a sua atitude face ao sistema educativo se encontra aí pelo Século XIX. Lastimo! Razão tem o director daquele estabelecimento de educação e ensino: "(...) Estes alunos têm sonhos, têm direito a ter todos os sonhos do mundo e cabe a nós ajudá-los”.
Ilustração: Google Imagens.

INTERVENÇÃO POLÍTICA DO PRESIDENTE DO PS-MADEIRA NO DECORRER DO CONGRESSO DO PS-AÇORES

sábado, 19 de março de 2016

SOLUÇÃO PARA A OPERAÇÃO PORTUÁRIA SÓ EM 2019? O SECRETÁRIO EDUARDO JESUS SÓ PODE ESTAR A BRINCAR COM OS MADEIRENSES


Há que anos os custos da operação portuária constituem assunto de debate político!!! Há que anos? Vir agora dizer, na abertura da conferência “A importância dos Portos em Economias Insulares”, que “(...) Estamos a trabalhar numa nova solução, que acima de tudo tenha como único objectivo reduzir a factura portuária, o que significa que a Madeira passará a ter maior competitividade, terá outra atractividade internacional e, simultaneamente, que a população da Madeira passe a despender de menos recursos para a sua actividade, que é maioritariamente dependente desta ligação marítima (...)”, é caso para dizer que o secretário regional da Economia, Dr. Eduardo Jesus, só pode estar a brincar com os madeirenses, quando arrasta, para o fim do mandato, uma solução para o problema de um descarado monopólio encapotado pela palavra concessão atribuída em 1991 (25 anos). 


Entre muitas e sobretudo o que consta do Diário das Sessões da Assembleia Legislativa, li uma peça do jornalista Miguel Fernandes Luís (DN-Madeira/2014): "(...) Algumas tarifas chegam mesmo a ser quase o triplo das praticadas em Ponta Delgada, o maior porto do outro arquipélago português. Por exemplo, a descarga e movimentação de um contentor de 20 pés cheio no porto açoriano pode custar 90 euros, quando no Caniçal a mesma operação custa 237 euros (177 euros para a OPM e 60 euros para a APRAM-Administração de Portos), ou seja, mais 163 por cento. Pela operação de um contentor de 40 pés cheio são cobrados 130 euros em Ponta Delgada e 303 euros (208 euros para a OPM e 95 euros para APRAM), o que representa um agravamento de 133 por cento".
O que deduzo é que são muitos os interesses em jogo e os madeirenses e portosantenses, na lógica do banqueiro, "ai aguentam, aguentam...". À trapalhada com as ligações aéreas no que concerne ao subsídio de mobilidade, junta-se, agora, a ausência de coragem política para colocar um basta em uma área que prejudica, seriamente, quem vive na Região Autónoma da Madeira. Já percebi... é a "renovação".
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 18 de março de 2016

E SE O ORÇAMENTO DE ESTADO FOR, INTEGRALMENTE, CUMPRIDO?



Ser contra apenas por ser contra constitui uma atitude de credibilidade reduzida. Há assuntos face aos quais o voto contra se justifica em toda a sua extensão. Em outros, embora não concordando, no mínimo, parece-me politicamente não comprometedor, a via da abstenção. Um país que foi sugado até ao tutano nos últimos anos, onde o desemprego é preocupante, onde meio milhão teve de fazer malas e emigrar, com jovens licenciados ou não com o credo na boca, com pobreza, idosos a pagar a factura, pensionistas que sentem que em cada mês há mais mês, pergunto, como se pode ser contra o complemento solidário para idosos, contra o rendimento social de inserção, contra o abono de família, contra o pavoroso IMI, etc.? Ser contra isto denuncia, publicamente, que se é contra o povo e que se apoia a pobreza. Respeito todas as outras posições político-partidárias, mas este não é o meu entendimento da democracia e sobre o que está em causa no plano interno e externo. Mais, ainda, porque se verificou que todos os constrangimentos impostos pela severa austeridade não se traduziram na palavra ESPERANÇA e no sentimento de que hoje estamos melhor! Pelo contrário, a situação piorou na relação entre a dívida e o PIB.

quinta-feira, 17 de março de 2016

ORÇAMENTO DE ESTADO PARA 2016. PSD-MADEIRA VOTOU CONTRA!

DEPOIS DE 40 ANOS DE GOVERNO ININTERRUPTO O GOVERNO DA MADEIRA, NO QUADRO DA AUTONOMIA, AINDA NÃO PERCEBEU ISTO?


"(...) só 11% dos rapazes e 14% das raparigas de 15 anos dizem que gostam muito da escola (...) se se tenta ensinar “nativos digitais” de uma forma semelhante àquela que “existia há 50 anos”, como acontece, dificilmente os "nativos digitais" gostarão muito das aulas (...) só 35% das raparigas e 50% dos rapazes consideram que têm bom desempenho escolar, quando a média dos 42 países é de 60% (...)"



Motivado pelo destaque que o Colega e Amigo Dr. Francisco Sidónio Figueira concedeu na sua página de FB, li o texto que muito me agradou. Saliento aqui, uma vez mais, o que um meu professor de Psicopedagogia (Doutor Paula Brito) nos disse no decorrer de uma aula (1969): "como pode uma escola sempre igual competir com a vida que é sempre diferente? O desencontro é inevitável". Pois é, o problema é que muitos ainda não perceberam que é um erro, como salientou Toffler, "(...) Velhas maneiras de pensar, velhas fórmulas, velhos dogmas e velhas ideologias, por muito queridos ou úteis que tenham sido no passado, já não se coadunam com os factos. (...) Não podemos meter à força o mundo embrionário de amanhã nos cubículos convencionais de ontem”.
E vem o secretário regional da Educação da Madeira, ainda ontem, que a "partilha", "parceria", “inovação” e a “criatividade” ajudarão a construir um "futuro de qualidade". Qual partilha e quais as parcerias e que inovação e criatividade são possíveis, se assobia para o lado quando tantos investigadores assumem que o "rei vai nu"? 
Não bastam frases feitas do tipo (...) “a vida é o que queres, aprende a querer”, porque as “opções conscientes” de cada aluno, “terão implicações no desempenho futuro”, uma vez que a “sociedade” é cada vez mais “competitiva e exigente”, e, assim sendo, há a necessidade de adquirir “novas ferramentas e novas competências” (DN-Madeira). Como? Com um sistema alicerçado nos princípios da Sociedade Industrial? Que,grosso modo, funciona com as mesmas lógicas de há dois séculos? Fico por aqui.
NOTA
Ler, neste endereço, o texto publicado no Público:

quarta-feira, 16 de março de 2016

DA "GUERRA TOTAL" DO SÉCULO XX, PASSÁMOS À "GUERRA DA INSEGURANÇA" NO SÉCULO XXI


É um sofrimento diário, já aqui escrevi. Assistir, pontualmente, às 20 horas, ao contínuo êxodo de muitos milhares, oriundos de países inseguros, martirizados pela guerra e pela fome, é assunto que constrange, dói e nos massacra pela impotência de uma solução. Olhar para aquelas tendas, para aquele chão enlameado, para a chuva que persiste, já não bastasse as doenças que proliferam entre adultos e crianças, parte qualquer coração, mesmo os mais insensíveis. Olhar para aquelas crianças, de olhar terno, muitas de colo, vê-las em um sofrimento permanente, com pais sem meios para a necessária assistência, todos estamos de acordo que é doloroso em pleno Século XXI. É a falência das instituições internacionais, dos políticos e das políticas que dizem desenvolver, no seu mundo feito de palavras e de poucas acções concretas.


Com que raio de políticos temos de lidar e aturar, com as suas posições muitas vezes contraditórias, claramente subjugados a uma mancheia de interesses, entre muitos, os geoestratégicos, os da droga e os do próprio negócio das armas que alimenta a guerra que, curiosamente, dizem negar. Diplomacia? Qual diplomacia? Confrontamo-nos, sim, com a falência das instituições internacionais, que funcionam, claramente, atrás dos problemas. Gente com acrescida responsabilidade que dorme bem face aos conflitos que por aí proliferam. 

A miséria anda à solta e ainda falam em direitos do Homem e, insistentemente, nos direitos da criança. Espantoso. Atentemos no texto de Matilde Pereira (Renascença): "O conflito na Síria, que dura há mais de cinco anos, já resultou em 2,4 milhões de crianças refugiadas, provocou a morte de muitas e levou ao recrutamento de crianças para o combate armado. Algumas destas crianças-soldado chegam a ter apenas sete anos, segundo o relatório da UNICEF divulgado esta segunda-feira.

Cerca de uma em cada três crianças sírias nasceram depois do início do conflito há cinco anos, o que significa que as suas vidas têm sido moldadas pela violência, pelo medo e pelas deslocações, descreve o relatório “No Place for Children” (Um local que não é para crianças). Este número inclui mais de 306 mil crianças nascidas como refugiadas desde 2011. A UNICEF estima que mais de 80% da população infantil síria esteja a ser afectada pelo conflito. “Na Síria, a violência tornou-se uma prática comum, atingindo casas, hospitais, escolas, centros de saúde, parques, jardins infantis e locais de culto”, afirma, no relatório, Peter Salama, director regional da UNICEF para o Médio Oriente e Norte de África. “Perto de sete milhões de crianças vivem na pobreza – uma infância marcada pela perda e pela privação.” Este relatório da UNICEF verificou 1.500 violações graves praticadas contra crianças, incluindo mais de 60 casos de morte e mutilação resultantes do uso de explosivos em zonas de habitação. Destas crianças, mais de um terço foram mortas na escola ou a caminho da escola".


Isto, na Síria. E nos outros 414 conflitos identificados, quarenta e cinco dos quais "altamente violentos"? Perante o drama mundial, os senhores(as) da aldeia global  engravatados ou com lenços Channel, pouco têm passado das palavras. O dramatismo é sensível e a impotência da Europa, do "Velho Continente", como a História catalogou, é um facto. Da "guerra total" do século XX, hoje vivemos a "guerra da insegurança" e do medo. O nuclear assusta, o conflito entre etnias e religiões tornou-se dramático, as ideologias xenófobas preocupam, a luta pelo domínio dos combustíveis é assustador, enfim, são tantas as razões que conduziram a mais de 60 milhões de pessoas em todo o mundo deslocadas devido aos conflitos armados e perseguições diversas. Que Mundo este!

Ilustração: Google Imagens e Folha de S. Paulo

terça-feira, 15 de março de 2016

ADN MADEIRENSE OU UMA VERSÃO DE "POVO SUPERIOR"?


Foram ontem empossados (reconduzidos) os Representantes da República para a Madeira e para os Açores. O presidente do Governo Regional açoriano, recebido pelo Presidente da República, deixou clara a extinção, após revisão constitucional, do cargo de representante. Já o Dr. Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional da Madeira, segundo o DN local, "pediu, publicamente, que o representante da República tivesse ADN madeirense e mostrou-se satisfeito pela continuidade de Ireneu Barreto". Ora bem, ADN madeirense? O que é isso? Uma versão de "povo superior"? Talvez. 


No plano estritamente político, ter ADN madeirense pode significar que os naturais da Região são diferentes, que se distinguem dos demais no Portugal do Minho ao Corvo. E daí a subtileza da chamada de atenção, cuidado Senhor Representante, Ireneu Barreto, não seja olheiro e fiscal da República, antes um madeirense que respeita e se curva aos dignitários das instituições regionais. Mesmo que as opções estejam erradas, dance, com flexão do tronco à frente, o tradicional "baile pesado".
Não existe ADN madeirense, como não existe ADN açoriano ou continental. Somos portugueses. O que existe é uma Autonomia perdida, por culpa de quem há quarenta anos governa. O que existe(iu) é uma guerra de palavras e de atitudes vãs, que denominaram por "contencioso das autonomias", que colocaram em situação de desconfiança as relações institucionais entre a Madeira e a República. O que existe é uma dívida pública impagável, pobreza, desemprego, abandono e insucesso escolar comprometedores do futuro colectivo. O que o presidente do governo da Madeira deveria salientar, embora com toda a delicadeza, é que os madeirenses, tal como os açorianos, entendem que este lugar institucional não faz sentido, deve terminar logo que possível, não apenas pelos seus encargos, mas porque as regiões não precisam de quem fiscalize as acções políticas. Para isso, existe o Tribunal de Contas e o Tribunal Constitucional e, quando à produção legislativa, a assessoria da Presidência da República pode verificar as eventuais ilegalidades ou inconstitucionalidades dos diplomas aprovados na Assembleia. Ir além disto, ou são palavras a mais ou disparates com segundo sentido.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 14 de março de 2016

AINDA A PROPÓSITO DOS CONTRATOS SWAP... QUE JUSTIFICAÇÃO TÃO ESFARRAPADA!


Ponto prévio: sou muito conservador nas minhas relações com a banca. Sempre fui. Nunca gostei de arriscar em função do cruzamento da informação que tento acompanhar. Prefiro não ganhar uns trocos do que perder o que foi conquistado. Considero prudente cortar nas despesas do que andar à espera que a banca me venha oferecer vantagens. Simplesmente porque a banca não se funda na premissa de dar "prendas" aos depositantes. A banca tem uma inteligência, muitas vezes, até, perversa. Quem nela embarca normalmente perde. A prova está nos lesados deste e daquele!


Ora, neste pressuposto, a justificação que é publicamente dada pelo ex-Vereador da Câmara do Funchal, Dr. Pedro Calado, relativamente aos contratos "swap" (2008) que originaram um prejuízo de 961 mil euros, do meu ponto de vista é esfarrapada. Até porque se aproximava uma crise à escala internacional. Assumiu: “(...) Não podemos ganhar sempre” (...) “É como jogar no Totoloto: umas vezes ganhamos, outras não”. Só que há aqui uma pequena grande diferença: no totoloto o cidadão investe com dinheiro próprio, enquanto, no caso do município, em um contrato "swap", o risco tem grandeza maior e envolve o dinheiro que é público. E aí, pergunto: foram ou não solicitados pareceres, devidamente fundamentados e credíveis, face a diversos cenários, desde os mais negros aos mais cor-de-rosa? E se existem, o que diziam?
Assume o Vereador da Câmara então liderada pelo Dr. Miguel Albuquerque: “(...) Sabíamos que a operação tinha um risco”. Face a tal exposição ao risco, questiono, não teria sido mais prudente cortar nas despesas correntes, onde sempre houve tanto por onde cortar? Assume, ainda: “(...) Pegámos em contratos de empréstimo de longo prazo e trocámos para uma taxa de juro fixa” (...) “Era o que toda a gente dizia para fazer e fazia”. Trata-se, aqui também, de uma posição gestionária que não acompanho, porque não fundamentada e muito próxima de "Maria-vai-com-as-outras"! E um gestor da coisa pública não deve ir por aí, defendo eu. 
Um exemplo: a contratualização de um empréstimo para habitação. No meu caso, podia ter contratualizado em função do preço do dinheiro (Euribor) a três ou seis meses. Preferi negociar uma taxa fixa, porque sou conservador, repito, tendo por base as minhas receitas e despesas fixas, baseadas no longo prazo, e, portanto, à não sujeição aos bons e aos maus humores do "mercado". Se isto é válido, saliento, em ambiente familiar, também o é no plano das finanças públicas, salvaguardadas as proporções. A Câmara deveria ter seguido, por segurança, a estratégia do que podia contar, relativamente ao labirinto que se esgota na lógica do totobola defendida pelo ex-Vereador. Aliás, o mercado do dinheiro sabe engodar para depois pescar de forma substancial. Foi o que aconteceu. Eles possuem uma informação e uma inteligência face à qual manda o bom senso que nos interroguemos: que razões substantivas levam a que proponham um contrato, alegadamente benéfico, quando eles, obviamente, estão ali para ganhar e distribuir dividendos pelos accionistas?
Finalmente, Senhor ex-Vereador, o Senhor foi responsável pelo pelouro das Finanças, mas sob a presidência do Dr. Miguel Albuquerque. Não é fazer "chacota política" trazer o nome do actual presidente do governo para esta situação. O Senhor pode assumir a sua "responsabilidade”, fica-lhe bem, mas a maior é a de quem liderou todo o processo municipal e deu o seu aval. É o meu ponto de vista enquanto cidadão. 
Ler neste endereço:

domingo, 13 de março de 2016

GOVERNO REGIONAL DA MADEIRA - A COERÊNCIA E A TRANSPARÊNCIA


Na edição de hoje do DN-Madeira duas peças destacam-se pela sua complementaridade. Por um lado, leio que o "Governo colocou ex-gestores do JM sob investigação (...) A gestão dos ex-administradores da Empresa Jornal da Madeira está a ser alvo de uma auditoria por parte da Inspecção Regional de Finanças e foi igualmente remetida para o Ministério Público, com o intuito de investigar uma situação denunciada por um dos administradores, Nuno Bazenga. Em causa está a contratação de 260 toneladas de papel e respectivos custos de transporte no valor de cerca de 165 mil euros, cujo procedimento concursal, liderado por Rui Nóbrega, suscitou dúvidas na óptica de Nuno Bazenga. (...)"; por outro, o PS-Madeira exige que o presidente do governo explique "os contratos swap feitos na Câmara do Funchal no tempo em que era o presidente da autarquia" porque, segundo o "semanário Expresso a CMF perdeu quase um milhão de euros com um contrato feito em 2008".


Avança o DIÁRIO que "de acordo com a notícia do Expresso, a Câmara do Funchal assinou em Novembro de 2008, contratos com o Barclays e o BES com base num empréstimo fictício e perdeu 961 mil euros nessas duas operações financeiras. Os contratos foram assinados dois meses depois da polémica falência do banco Lehman Brothers e terminaram em 2011. Foi uma auditoria do Tribunal de Contas à Câmara do Funchal, iniciada em Janeiro deste ano, que detectou o prejuízo. A actual vereação, presidida por Paulo Cafôfo, também quer saber mais deste negócio. O vereador com o pelouro das finanças, Miguel Silva Gouveia, disse ao semanário que a Câmara espera pela conclusão do relatório do Tribunal de Contas (...)".
Ora, quem manda investigar um caso de 165 mil euros (não fez mais do que o seu dever, independentemente das querelas partidárias) também, por coerência, para já, deve explicar, pormenorizadamente, decisões políticas que, segundo o Expresso, conduziram a um prejuízo de 961 mil euros. 
No exercício da política ninguém pode andar entre os pingos da chuva sem se molhar. Tudo tem de ser transparente. No caso em apreço, por dois motivos: primeiro, porque o que ficou na opinião pública sobre a anterior vereação social-democrata na Câmara do Funchal, presidida pelo Dr. Miguel Albuquerque, é que os últimos exercícios no município funchalense tinham gerado "lucro", quando a dívida apurada pela actual equipa, segundo o que foi divulgado, era superior a 100 milhões de euros: segundo, porque os eleitores da Madeira, em geral, e os do Funchal, em particular, têm o direito de saber todos os contornos dessa operação bancária, concretizada após falência do banco Lehman Brothers e do correspondente colapso financeiro de muitas economias. O presidente do Governo não pode fugir ao cabal esclarecimento desta situação. E o local próprio para, politicamente, se explicar é na Assembleia Legislativa. 
Entretanto, pasme-se, sob a capa de uma "reestruturação", continua o regabofe do financiamento ao Jornal da Madeira. Foram autorizados mais 927 mil euros para manter a propaganda do governo, enquanto, por exemplo, nos hospitais as insuficiências continuam gritantes e a Câmara do Funchal paga dívidas e vê-se limitada na consecução do seu projecto político!
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 12 de março de 2016

FALECEU O AMIGO E CAMARADA ÂNGELO PAULOS (PS)


Faleceu um Homem singular. Um Homem do Povo, defensor de causas muito nobres. Faleceu um Homem culto. Que mais dizer?


AFINAL, COMO É, DEPUTADOS DO PSD-M? VOTAR CONTRA O ORÇAMENTO DE ESTADO É VOTAR CONTRA OS INTERESSES DOS MADEIRENSES!


Respeito, obviamente, o sentido de voto. Lá saberão porquê. Só que, enquanto cidadão, não encontro resposta plausível para tal. Talvez o problema seja meu, mas gostaria de perceber. Será com receio de novas atitudes punitivas por parte da estrutura política nacional? Neste caso, onde se situa a defesa dos interesses do povo da Região da Madeira? E onde se situa o refrão da autonomia da estrutura regional relativamente aos órgãos partidários nacionais?

Deputado na Assembleia da República
e líder do PS-Madeira

Tenho como plenamente assumido que o exercício da política deve ser feito de coerência, de bom senso, de coluna bem vertical, olhos nos olhos, distante de interesses políticos comezinhos concretizados nas costas dos eleitores. Ora, quando o povo da Região Autónoma da Madeira passa por significativas dificuldades, enfrenta o desemprego, a pobreza e as famílias se debatem com tantos cortes nas suas receitas, pergunto, sendo a devolução de rendimentos ainda que muito limitada, que razões justificam um voto contra? 
Daí que, as perguntas que o Deputado do PS e presidente do PS-Madeira, Dr. Carlos Pereira, endereçou ao presidente do governo, Dr. Miguel Albuquerque, tenham toda a oportunidade e a merecerem um cabal esclarecimento. 
Ficam aqui as perguntas:
1 - Por que razão deu instruções para votar contra o OE, que introduz um aumento do rendimento das famílias?
2 - Apoia a redução dos rendimentos das famílias?
3 - Apoia os cortes nas pensões?
4 - Está de acordo com um IVA de valor insuportável na restauração?
5 - Mantém o apoio à manutenção da sobretaxa no IRS?
6 - Acha que se deve congelar do Salário Mínimo Nacional?
7 - Concorda com o aumento das prestações sociais para os mais desfavorecidos?
8 - Concorda com a cláusula travão para impedir aumentos descontrolados no IMI?
9 - Está ou não de acordo com a subida extra de 2% para a maternidade e paternidade para quem reside na Madeira?
10 - Concorda com as alterações ao Rendimento Social de Inserção que permitam alcançar mais pessoas pobres e crianças?
11 - Está de acordo com um novo sistema contributivo para a agricultura familiar?
Assume o Deputado socialista: "se concorda, deveria votar a favor do Orçamento de Estado e implementar decisões idênticas na Região" (DN).

quinta-feira, 10 de março de 2016

PAREM DE "BRINCAR" COM A SAÚDE. RESOLVAM OS PROBLEMAS. CHEGA!


Leio (DN): "falta material indispensável a médicos e enfermeiros, o programa de recuperação de cirurgias está suspenso; a Direcção de Enfermagem pede a demissão (...)". Parem de brincar com a saúde. Resolvam os problemas deste sector, direito Constitucional e prioridade absoluta da população. Já não há paciência. Passam governos, secretários, muito paleio e nada é resolvido. O dinheiro anda por aí, no supérfluo, aos milhões e milhões, e exemplos não faltam. Quando o princípio da prioridade estrutural não é respeitado, obviamente que falta onde é necessário. 


E a culpa não é dos profissionais de saúde. Nunca foi. A culpa é de quem governa. Basta ler as "cartas do leitor" para verificar os sucessivos agradecimentos de quem foi hospitalizado e tratado, com humanidade, por aqueles que lutam, diariamente, contra tanta e tanta carência. Basta falar com os profissionais para nos apercebermos do caos. Basta analisar como aqui chegámos. Ora, os culpados, genérica e historicamente, estão no exterior dos hospitais e dos centros de saúde. Parafraseando o que alguém disse relativamente ao sistema educativo (se a educação é cara, experimentem a ignorância): "se a saúde é cara, experimentem a doença". É isso que há muito a população experimenta.
Isto chegou a um ponto que necessário se torna que as pessoas se revoltem e peçam responsabilidades. A começar pelos profissionais de saúde, mas também pelos utentes. Porque o acto de governar é muito mais do que andar por aí a deixar transparecer aquilo que não é. O acto de governar é muito mais do que visitas, fotografia, propaganda, controlo biométrico (assiduidade) e "imposição" do silêncio. O exercício da governação implica rigor, transparência, total respeito do utente pelos serviços, mas também, por parte do serviço público, qualidade e compromisso com este direito basilar. Parem de brincar com a Saúde e com a Educação. Chega!
Ilustração: Google Imagens.

O "EMÉRITO COELHO"


"Em tempos, Santana Lopes, após ser PM, quando lhe perguntaram o que ia fazer, disse: vou andar por aí. Passos decidiu que, depois de ser PM, ia andar por todo o lado. Passos faz inaugurações, visita escolas, fábricas e exposições. O mesmo Passos que desapareceu dos cartazes de campanha nas legislativas, agora, é omnipresente. No fundo, Passos ainda se julga PM. O ex-primeiro-ministro parece a ex-namorada que ainda continua a ir visitar os "sogros". O pin de Portugal é o sinal do seu estado de loucura - acabou, filha, desanda. Passos vai ter de ser operado para remover o pin de Portugal. O uso do pin, com a nossa bandeira, tornou-se uma teimosia. Quanto mais insistirmos que é ridículo usar aquilo, mais ele o vai usar. Quem tem filhos adolescentes, sabe do que estou a falar. Aposto que o ex-PM nem tira o pin no banho. Pode sofrer mas não o vão apanhar sem o último símbolo do que já foi. Se, por acaso, lhe cai o pin, é como se lhe tivesse caído uma lente de contacto - "Ninguém se mexa! Caiu-me o pin. Não o pisem, a não ser que estejam descalços". 

João Quadros

Eu acho que Passos deve ter uma gaveta cheia de pins de Portugal. Não ia arriscar perder o que tem e, de manhã, ir para a rua sem ele. Não pode ter só aquele ou já estaria enferrujado e Passos podia picar-se, apanhar tétano e ficar com um sorriso forçado. 
Resumindo, o ex-líder do PàF vê-se como uma espécie de Dalai Lama, neoliberal, que continua a ser o líder do governo tibetano no exílio após a invasão do país pelos comunas da China. Ou um Bento XVI que não se confina a Castel Gandolfo e que usa aqueles sapatos vermelhos Prada, que só o verdadeiro Papa pode usar e que, quando pode, gama o Papamóbil para ir sair. Passos sente-se um PM emérito mas por pouco tempo. 
Pedro Passos Coelho
No fundo, Pedro tem esperanças em poder voltar ao Governo após intervenção de Marcelo. Sonha fazer o XXII Governo constitucional, chamar-lhe XX-B e voltar a empossar Calvão da Silva. Está por tudo. Reza à Comissão Europeia para que chumbem o OE. Admite assumir Governo sem se submeter a novas eleições, porque não é bom para o país andar sempre em eleições, meses depois de ter proposto alterar a Constituição para se poder ir outra vez a eleições. Na verdade, o ex-PM não consegue aceitar a realidade. A realidade e Passos sempre foram cão e gato.
Nota:
Texto da autoria de João Quadros publicado no "Negócios", a 04 de Março,
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 9 de março de 2016

FINALMENTE... LIVRES DE CAVACO SILVA


Parecia que não chegava a hora de Cavaco Silva deixar Belém. Terminou o que nunca deveria ter começado. Parte e não deixa saudades enquanto Presidente. Aliás, a generalidade da comunicação social é peremptória na análise extremamente negativa destes dez anos, de um político que não soube gerar qualquer empatia e respeito do povo. Andou sempre na berlinda, com aquele ar austero, mas, politicamente bacoco. Lembrar as peripécias destes dois mandatos é pura perda de tempo, já que os níveis de baixíssima popularidade falam por si. 


De um palácio cor-de-rosa (Belém) muda-se para uma parte (10%) de um convento dominicano, também cor-de-rosa, em Alcântara. Ele preparou o seu futuro "lar" cujas obras custaram, aos contribuintes, cerca de meio milhão de Euros (Observador).
Não votei no Professor Marcelo Rebelo de Sousa, mas é o presidente eleito. Daí que espere um comportamento político abrangente, isto é, aquilo que tem vindo a dizer que será a sua marca, cumpra com todo o rigor. Portugal precisa de um Presidente que deixe a costela partidária bem longe de Belém, para que possa actuar com isenção, distanciamento partidário, ideológico e com um olhar sensato face à delicadeza do momento aos níveis nacional e europeu. Precisamos de um Presidente atento e moderador, respeitado, coisa que Cavaco Silva nunca soube interpretar. Felicidades ao novo Presidente da República.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 8 de março de 2016

UNIÃO EUROPEIA E OS VAMPIROS DO NOSSO TEMPO


Eles não descansam. Armados em fiscais com carta branca, em conluio com outras instituições, escudados em um Tratado, anunciam e invadem os países mais vulneráveis, com palavras e atitudes que ofendem a independência nacional. São os dentes vampirescos de uma roda dentada que faz girar a máquina trituradora dos povos. Alguns deles, dizem-se, até, pertencentes à família socialista europeia, como é o caso do presidente do eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem (centro esquerda) ou do comissário para os assuntos económicos e financeiros, Pierre Moscovici. São políticos "vendidos" relativamente aos princípios e aos valores humanistas. Entre outros, politicamente, não os suporto, pela forma como agem e como decidem do alto da sua cadeira do poder. Estão ao serviço dos interesses do tal deus mercado, do capitalismo selvagem, pouco lhes importando como vivem os povos, as suas debilidades, os sacrifícios que fazem e a falta de esperança que os envolve. Ouvi-los a falar de um "plano b" ou de novas medidas de austeridade face ao Orçamento de Estado de Portugal (2016), cria uma espécie de vómito, isto, para mim, que entendo que o exercício da política deve estar ao serviço do Homem. 



Uma Europa que caminha para o abismo (se já não está!), que não consegue, pela via diplomática, resolver os seus problemas, os dos migrantes, por exemplo, que se apresenta fraquíssima e de joelhos com os mais fortes, tenhamos em consideração as imposições da Grã-Bretanha e os silêncios com a Espanha, França e Itália, torna-se altiva e de nariz empinado com os mais vulneráveis. O que fizeram e continuam a fazer, por exemplo, à Grécia e o que teimam relativamente a Portugal. Porque estes países entenderam seguir caminhos diferentes da orientação política draconiana. Lamentavelmente, em Portugal, há quem acompanhe esta deriva aos princípios basilares da comunidade europeia, quando sabem que a crise teve uma origem externa na qual fomos envolvidos tal como os restantes.
Continuo, por múltiplas razões e em nome do futuro, a defender a necessidade de Portugal estudar uma eventual saída do eurogrupo. Simplesmente porque, mesmo considerando todas as desvantagens, e são muitas, tal estudo terá o mérito de, por um lado, equacionar esta complexa problemática e, por extensão, colocar em sentido os directórios europeus. Atente-se no caso da Islândia, cujo presidente, Olafur Ragnar Grimsson, em Fevereiro do ano passado, atribuiu parte do sucesso da recuperação da Islândia "ao facto de o país não ter dado ouvidos aos organismos internacionais, especialmente à Comissão Europeia, que recomendavam a aplicação de medidas de austeridade. O colapso da banca em 2008 arrancou mais de 10% da riqueza da Islândia em apenas dois anos e mais do que duplicou a taxa de desemprego para o nível recorde de 11,9%. No entanto, a Islândia foi um dos países europeus que mais depressa sacudiu a poeira da crise, tendo a economia regressado ao crescimento em 2011 (...) a taxa de desemprego oscila, actualmente, entre 3% e 4% e o Governo antecipa um crescimento de 3,3% do PIB este ano" - Negócios."
A receita da UE e a do FMI é sempre a mesma: aplicar o chicote, o sofrimento dos povos, mesmo que estes pouco ou nada tivessem contribuído para o desastre. Muitos já se esqueceram que a crise começa com a queda do Lehman Brothers. O presidente Olafur Ragnar Grimsson sublinhou, ainda, o que é muito esclarecedor, que, "no caso da Islândia, a União Europeia se equivocou. "Porque deveriam ter razão noutros casos?" E a pergunta surge, naturalmente: o que vem Pierre Moscovici fazer a Portugal na próxima Quinta-feira? Acalmar os mercados? Exigir mais sacrifícios? É tempo de sacudirmos a canga e demonstrarmos a nossa honradez secular.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 7 de março de 2016

O CAPITALISMO SELVAGEM E A FALÊNCIA DAS POLÍTICAS SOCIAIS


Do semanário Expresso (jornalista Joana Bastos). 
Os que por aqui passarem atentem nesta síntese e nos números dramáticos:
"Estamos a gerar crianças mais sofridas e com maior necessidade de exteriorizar o SOFRIMENTO através da agressividade".


"933 embalagens de psicofármacos, incluindo tranquilizantes, antidepressivos e antipsicóticos são receitados todos os dias, em média, a crianças e jovens até aos 18 anos em Portugal" (...) 20% das crianças e adolescentes apresentam sinais de perturbação mental (...) cerca de metade das doenças psiquiátricas persistentes têm início antes dos 14 anos e 75% antes dos 24".
Estamos já a pagar a factura da ausência de protecção à família, a mais completa desestruturação da sociedade na forma como está organizada sectorialmente, os efeitos do trabalho escravo ao serviço do grande capital, a ausência de pensamento do que deve ser a ESCOLA (Sistema Educativo), o intencional afastamento do Homem para as periferias, a liturgia da caridade ao contrário dos direitos, enfim, a ganância de uns, semeou, abundantemente, e, agora, é o tempo de colher. Ora, ou mudamos o paradigma onde devem assentar os princípios e os valores de toda a organização social, ou a cada dia que se passe os números vão continuar a disparar. Para reflectir...


domingo, 6 de março de 2016

"CONTEMPLAÇÃO, O TEMPO DO NADA"


Um excelente artigo da Drª Manuela Parente, que, desde logo, coloca em causa todo o sistema educativo e que chama à atenção para governantes, pais e encarregados de educação. Eu, assino por baixo.

"Vivemos numa sociedade híper estimulada que exige constantemente adaptações constantes e capacidade de reatualizar informação e alterar esquemas de análise e de pensamento. O que hoje parecia ser amanhã já se alterou. Para além disso, a necessidade de responder a todos os estímulos e exigências do quotidiano exige uma gestão de tarefas, onde as 24 horas são muitas vezes insuficientes para respeitar as necessidades de reposição de energia, fundamentais ao equilíbrio biopsicoemocional, proveniente dos momentos de descanso, quer em vigília quer no tempo de sono. Assim sendo, é cada vez mais frequente a necessidade dos adultos praticarem atividades de relaxamento como forma de se ausentarem da hiperestimulação externa descansando o corpo e a mente. Outros procuram em diversas atividades de lazer, a mesma abstração tentando corrigir o stress acumulado ao longo do tempo.


As crianças e os jovens resultam do mesmo sistema e começam desde bem cedo a ter que se adaptar aos mais variados estímulos, quer por necessidade das famílias quer por imposição da sociedade de consumo, onde pertencem. Passam muito pouco tempo em casa, em ambiente familiar, e quando enfim a ela chegam, continuam a ser estimulados por hábitos de abstração que, se facilitam a dinâmica das tarefas caseiras, não facilitam a sua necessidade de descanso. Entenda-se como descanso o tempo dedicado a não fazer nada, ter simplesmente a oportunidade de estar em contacto consigo com as suas sensações e emoções. Ver televisão, jogar videojogos, frequentar redes sociais, não são momentos de descanso são respostas a mais estímulos que apesar de desenvolverem competências especificas não permitem a expressão individual da capacidade de criar e refletir no abstrato. É um facto que existem atividades organizadas que ajudam e facilitam este processo mas não deixam de ser mais uma atividade somada a tantas outras que, apesar dos benefícios, continuam a roubar tempo ao tão precioso momento do nada.
Sinto o dever, pela minha profissão, no confronto com tantas crianças e jovens em sofrimento psíquico, resultante de stresses constantes, em chamar à atenção para a facilidade com que os adultos exigem dos mais novos competências que eles próprios, na sua maioria, não apresentam.
A maioria das crianças que nos chegam, cada vez com mais frequência, com rótulo de hiperativos, ou com deficit de atenção, não correspondem aos parâmetros que os colocaria no diagnóstico e que exige intervenção médica e psicológicas específicas. Estas crianças e jovens são apenas o resultado dos contextos em que se encontram usando-os algumas vezes a seu desfavor como forma de se abstraírem e descansarem no nada, digamos que são momentos de contemplação/ação fundamentais ao seu equilíbrio.
As 24 horas são igualmente curtas para as crianças e jovens que obrigados a permanecer horas em espaços fechados ou semifechados, obedecendo a regras e atividades pré-definidas, tendo em vista quase sempre uma qualquer avaliação, ficam cansados, fartos e desmotivados. Como resultado distraem-se, ou na abstração (muitas vezes confundido com deficit de atenção) ou na continuidade de uma ação permanente (muitas vezes confundido com hiperatividade).
É preciso ter muito cuidado com os diagnósticos caseiros ou elaborados em contextos educacionais próprios sem uma avaliação cuidada e precisa. Ninguém gosta de rótulos porque de facto não acrescentam nada, e não esqueçam que as crianças são muito sensíveis às características que lhes atribuem e facilmente assumem a forma como os adultos as definem.
Educar é também respeitar a personalidade de cada um e só é possível conhecer se houver espaço para observar, no tal tempo de abstração. Quando as crianças são respeitadas nas suas características particulares aprendem rapidamente a tirar partido delas usando-as a seu favor. O benefício é sistémico e o crescimento muito mais saudável. Educar também é deixar contemplar".
Ilustração: Google Imagens.
Nota: 
Artigo de Opinião,  publicado na edição de  ontem do DN Madeira.

sábado, 5 de março de 2016

A REALIDADE TROCADA POR MIÚDOS

GOVERNO REGIONAL DE CABEÇA PERDIDA


Li o essencial da iniciativa da Deputada no Parlamento Europeu, Liliana Rodrigues. Fez uma reunião em Bruxelas com várias personalidades, fundamentalmente, para despertar o interesse da Ryanair pelo destino Madeira. O seu texto no Press News é muito claro sobre os objectivos do evento. Na oportunidade, em Bruxelas, questionado sobre a política de transportes da Região, o Presidente da Câmara do Funchal teceu alguns reparos que deram origem a um descabelado e totalmente desproporcional ataque político-partidário do secretário regional da Economia, Turismo e Cultura do Governo Regional da Madeira. Ora bem, li o texto da Deputada e li ambas as entrevistas. A do secretário foi uma lástima, muito semelhante aos desabafos do anterior presidente do governo, Dr. Alberto João Jardim. Um ataque fortuito, sem nível político e do qual concluí que o secretário anda de cabeça perdida. Enquanto o presidente da autarquia colocou em destaque alguns aspectos que, aliás, constituem a síntese do que outros, em diversos espaços têm vindo a colocar em causa, já o secretário não optou por um discurso, legítimo, é certo, mas sereno dando a sua versão do problema dos transportes. Não, optou pelo ataque, pelo insulto, em alguns aspectos, de conteúdo partidariamente ofensivo. 


O Dr. Eduardo Jesus, secretário, acabou por transmitir a ideia que não percebeu, ainda, a diferença entre a dinâmica dos posicionamentos meramente políticos e o respeito e reverência que devem existir entre actores políticos. Falar de "leviandade", "amadorismo", "impreparação", "sede de protagonismo", "abordagem demagógica", entre outras palavras e expressões menos próprias para um governante, leva-me a questionar o que tem sido, publicamente, a trapalhada da Portaria definidora dos procedimentos para apuramento do valor do subsídio social de mobilidade nas ligações aéreas, a questão do ferry, ou uma outra, a do avião cargueiro. Daí que aquelas palavras e expressões eventualmente também lhe possam ser aplicadas. Quando estava em causa a discussão sobre a política de transportes, o secretário foi longe de mais, de forma deselegante deu respostas desta natureza: "(...) Desconheço em absoluto qualquer projecto desta Câmara com relevante interesse para o turismo. Só tive conhecimento de um grande projecto que passa pela instalação de uma nova e bem dimensionada ETAR na zona histórica do Funchal…. mais do que isto, só o cemitério para cães ou a instalação de um parque para skates a construir no Jardim do Almirante Reis, que impermeabilizará mais de mil metros de zona verde, transformando-a numa mancha de betão. Estes são os únicos contributos que são públicos (...)". A isto se chama desconversa! A minha leitura política, repito, política, que nada tem de crítica pessoal, é que o governo anda aos papéis e claramente perturbado. Ainda ontem o próprio presidente do governo, na presença da presidente do IVBAM, Paula Cabaço, indirectamente, acusou-a de "dormir na forma". Ora, quando o líder de um governo entende que é benéfica a substituição de alguém, primeiro, reúne com a pessoa em causa e, depois, substitui sem provocações na praça pública. Extremamente deselegante. E o que dizer do permanente show-off diário da secretária dos Assuntos Sociais, os gravíssimos problemas no sector da Saúde, a paralisação na Educação, cujo marcar passo é aflitivo e preocupante, enfim, para além do paleio, pergunto, Dr. Eduardo Jesus, que fez este governo que o anterior não tenha feito?
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 4 de março de 2016

OS "VAMPIROS" DE ZECA AFONSO CONTINUA ACTUAL...


Teodora Cardoso, Presidente do Conselho de Finanças Públicas, voltou a referir que a execução deste Orçamento de Estado "vai necessariamente envolver medidas adicionais que ainda não estão tomadas porque ainda não houve tempo para as tomar". Que raio, já não discuto se necessárias ou não, o que a economista Teodora Cardoso não se interroga é sobre o absurdo de vários anos de medidas de austeridade, pelo que se vê, sem resultados, e, segundo ela, previsivelmente, voltar a ser necessário um novo apertão no povo. Ela não fala do desnorte da Europa, não fala da pouca-vergonha da banca, não tece considerações sobre esse pavoroso "tratado orçamental" europeu, intencionalmente gerado para espezinhamento dos povos, não se interroga sobre as causas de, após quatro anos a ferro e fogo, verificar-se um agravamento da dívida portuguesa em percentagem do PIB. 


Mais. Não se interroga sobre a pobreza, o desemprego e a precariedade laboral, apenas diz que serão necessárias mais "medidas adicionais". A economista, Teodora Cardoso, vê a árvore mas é incapaz de ver a floresta do desencanto, da amargura e os porquês do novo colapso financeiro que pode estar a caminho. Então, pergunto, por que não tem um discurso atacando as verdadeiras causas? Então, pergunto, ainda, por que não se atira a esta manhosa Europa, conceptualmente corrupta nos princípios, valores e ideologicamente perversa? A economista não se questiona sobre a roda dentada que mata sonhos e que torna os povos membros obrigatórios de uma seita que domina e que nos conduz ao círculo vicioso da pobreza, da angústia e da infelicidade. Que raio, pare para pensar. Esta Senhora tem idade para outro tipo de análises, mais profundas e intelectualmente honestas. É tempo de trazer-nos o novo e a esperança, porque o velho bem conhecemos nós!
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 3 de março de 2016

"ERRATAS" MADEIRENSES AO LONGO DE 40 ANOS E UM COELHO TODOS OS DIAS FORA DA TOCA


O Senhor Deputado Jaime Filipe Ramos (PSD-M) é um brincalhão no discurso e com a memória. O Orçamento de Estado corresponde a um "Outubro vermelho" (...), é soma de erratas "que vai de errata em errata" e mais, constitui "uma tentativa da esquerda de tomar conta da Autonomia". A brincadeira política parece não ter limites. Será uma questão de memória ou apenas fumo? Talvez! Porque, dirá o cidadão, mais vale uma errata(s) a tempo de ser corrigida, do que quarenta anos de persistentes erros políticos que conduziram a Madeira à falência financeira. Depois, obviamente que percebo a picardia política, a história do "Outubro vermelho", paleio esfarrapado e despido de qualquer sentido democrático. É tão legítimo, Senhor Deputado, encontros à direita como acordos à esquerda. Qual é o problema? A democracia tem limites para o Senhor Deputado? Só são legítimos os "Outubros laranja" e os casamentos por conveniência? Gosto muito de música, confesso, mas evito o mesmo CD todos os dias. Já não digo cassete, mas os mesmos sons e o mesmo refrão, toda a semana, convenhamos que embrulha!


Mas não é só por aqui. A propósito de música, no Continente, parece-me, repito, parece-me, que muitos órgãos de comunicação social apostam no sofrimento do povo. Umas vezes subtilmente, outras, descaradamente, Passos Coelho surge como o bonzão e, associado a Portas, ainda melhor. É vê-los como nunca aconteceu, a apadrinhar o líder social-democrata que, na sua própria expressão, resolveu "bombar" em tudo o que mexe no actual governo. São entrevistas com pose de primeiro-ministro, são peças e mais peças jornalísticas porque esteve ali e porque foi acolá, são comentadores e avençados dos vários programas de televisão no dá-lhe que dá-lhe, é a Drª Teodora Cardoso, qual vidente, a apontar para derrapagens em tudo, é o Conselho Económico e Social, é essa "lixeira" das agências de rating, é a frente da União Europeia a funcionar na "perfeição", imiscuindo-se na política portuguesa, é a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), enfim, o "barítono" Passos Coelho, para além de cantar a solo, conta com um coro afinado. Poucos são aqueles que puxam o país para cima, poucos concedem o benefício da dúvida a um governo que surge de uma maioria parlamentar (estabilidade), antes preferem gerar um ambiente negativo, de medo e falta de confiança. E todos sabem que, em 2008, se assistiu a uma das maiores crises financeiras internacionais, que a causa foi muito mais externa do que interna, facto que arrastou os países para situações complexas. Sabem, mas não dizem.
Passos Coelho, também sabe disso, deveria estar agora em um "período de nojo político", para além do mais, após tanta promessa não cumprida, depois da vergonhosa submissão aos directórios europeus, após ter castigado os portugueses com duras medidas de austeridade que afectaram a economia, as finanças e que conduziram o País ao desemprego, à emigração, à pobreza, à privatização de tantos recursos nacionais e ao aumento da dívida pública em percentagem do PIB. Deveria andar discreto, mas não, repito, utilizando a sua própria expressão, anda aí a "bombar". Há um frenesi entre quem gosta do poder e do "pote". Ora, se isto é democracia, se isto é de gente de confiança, vou ali e já volto. Será que a tal comunicação social ainda não percebeu o jogo? Ah, eu sei, está escrito, os "gestores dos media tornaram-se gestores das mentes". Lamento.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 2 de março de 2016

UM VOTO DE CONGRATULAÇÃO PARA QUEM CONSIDEROU A MADEIRA UMA "GRANDE AUTARQUIA"


O CDS/PP apresentou, ontem, na Assembleia Legislativa da Madeira, um "Voto de Congratulação" pela eleição do Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa para Presidente da República. A páginas tantas do respectivo voto lê-se: "(...) a sua vitória na Região Autónoma da Madeira, com o apoio explícito dos dois maiores partidos, o PSD e do CDS/PP, é também um TRIUNFO DA AUTONOMIA (...)". Obviamente que não coloco em causa a oportunidade do voto. Faz parte do respeito institucional e do respeito pelo vencedor, pelo que compete à Assembleia a dignidade de o cumprimentar. No entanto, outras deveriam ser as palavras porque é necessário ter memória política. Em 2010, o agora eleito Presidente da República, não esqueço as suas palavras, considerou a Madeira uma "grande autarquia" e o presidente do governo regional uma espécie de "líder autárquico em grande". Uma gravíssima desconsideração política em função da dignidade de uma Região Autónoma. Deixo aqui o texto que assinei a 19 de Maio de 2010.


"As recentes declarações do Professor Marcelo Rebelo de Sousa que comparou a Madeira a uma grande autarquia e o seu presidente uma espécie de "líder autárquico em grande", não deixa de constituir uma matéria de alguma relevância e peso político. No programa “Sinais de Fogo” da SIC, o Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa referiu-se à Região Autónoma da Madeira como uma grande autarquia e o seu presidente como um líder autárquico em grande. Declarações que não acompanho não só pela dignidade jurídico-constitucional que uma Região Autónoma assume, como pelo seu próprio contexto histórico, político e organizacional.
Do Professor e habitual comentador político, pela sua formação académica e docência universitária, exactamente no âmbito do Direito, conhecedor do processo autonómico enquanto autor de pareceres encomendados e, provavelmente, pagos pela Assembleia Legislativa da Madeira, era expectável uma posição de rigor e de respeito pela histórica luta do Povo da Madeira. Pelo contrário, a atitude assumida acabou por cifrar-se em uma desconsideração à Autonomia, aos órgãos de governo próprio e, por extensão, a todo o Povo da Madeira.
É evidente que subsiste, também, neste processo, uma cultura que a Região Autónoma da Madeira não soube gerar, no plano Nacional, no sentido do reforço dos princípios e valores que enformam a Autonomia Político-Administrativa. As sucessivas declarações proferidas ao longo dos anos pelos representantes do poder regional têm, lamentavelmente, dado azo a comentários pouco abonatórios que conduziram ao desprestígio da Região, mas que de forma alguma justificam posições como aquelas que foram proferidas.
Quem melhor esteve na interpretação dos princípios em que  a AUTONOMIA se funda, foi o Bastonário dos Advogados portugueses, que assumiu que a Autonomia é “património moral da República”.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 1 de março de 2016

O GOVERNO REGIONAL E O DINHEIRO QUE VOA


Regresso ao mesmo. Quem tem responsabilidades governativas gasta (significado muito diferente de investir) e nada lhe acontece. O empresário ou o cidadão mais anónimo, por razões até do próprio mercado, entre outras, vê a sua vida andar para trás quando as receitas não chegam para liquidar as diversas obrigações mensais. Quantos estão na insolvência e quantos vivem, hoje, com problemas judiciais e, naturalmente, familiares! Porém, o governante, pode dar-se ao luxo de esbanjar, e desde que o dinheiro tenha "enquadramento legal", como vulgarmente se diz, "o seu mal é batatas". E vem isto a propósito da peça publicada hoje no DN que teve apenas o condão de situar os números, uma vez que a situação há muito que é conhecida. A Representação Permanente do Governo Regional (REPER) em Lisboa, sublinha o DN, tem uma "renda de 7000 euros mês" (...) "ou seja, em oito anos, 672 mil euros" voaram, só em rendas. "A isto acrescem as obras de remodelação realizadas por uma empresa do grupo Tâmega e o valor do projecto de arquitectura do Atelier Caires, no Funchal, bem como as despesas de manutenção, que nem sempre foram pagas". É caricato, mas, em 2011, "a casa ficou sem água, luz e telefone por falta de pagamento".


E ninguém foi, é ou será responsabilizado. Durante anos assistiu-se a um silêncio quase absoluto sobre esta matéria. O actual governo, sublinha o Diário, "acabou com uma espécie de embaixada da Região, inaugurada em clima de festa, em 2007, por Alberto João Jardim, no Restelo, para servir de escritório ao Governo Regional e albergar a casa da Madeira na capital, que estava despojada de instalações". Assumo eu, já o devia ter feito, há muito, e o próprio secretário regional das Finanças, que teve responsabilidades no anterior governo, também há muito deveria ter tido a frontalidade política de dizer não àquela pouca-vergonha paga com o dinheiro dos nossos impostos. Nem o actual presidente do governo, ao longo de muitos anos, se posicionou, no plano político, nem outros governantes o fizeram. Chegado ao limite não teve outro remédio. E ainda passa como figura que teve a coragem de colocar um ponto final na triste história. Espantoso. E ninguém foi, é ou será responsabilizado!
O que custa aceitar é o facto da Região andar com o credo na boca, com "paletes" de facturas por liquidar, e sabermos destas megalomanias que nem os ricos se dão ao luxo. O povo paga. Paga nos impostos. Paga retirando-lhe apoios sociais. Paga retirando o subsídio de insularidade. Paga sendo sócio, mesmo sem querer, do JM, dos clubes profissionais de futebol e de outras sociedades anónimas desportivas. Paga as despesas de uma Administração Pública claramente desproporcional às necessidades. Paga as obras desajustadas e muitas ao abandono. O povo paga. Que remédio? É claro, dirão alguns, que isto se resolve nos actos eleitorais. É verdade. Mas, o conhecimento de todas estas embrulhadas de milhões chegará à maioria do povo eleitor? Obviamente que não chega. Amanhã, no turbilhão das notícias, este assunto já não constitui tema de reflexão.
Ilustração: Google Imagens.