terça-feira, 12 de julho de 2016

ODE AO DESPORTO... "TU ÉS A PAZ"


Através da página online, do DN-Madeira, vi este vídeo. Segui e fui-me comovendo. Lembrei-me da "Ode ao Desporto" do Barão Pierre de Coubertin, pedagogo e historiador francês, que ficou para a história como o fundador dos Jogos Olímpicos da era moderna: "Ó Desporto, tu és a paz! Estabeleces relações felizes entre os Povos (...)". Aqui fica o vídeo da criança que, de forma sublime, aconchega um adepto francês, ao ponto deste abraçá-lo. Que gesto tão belo, quando se assiste, diariamente, a tanto "comentário incendiário" que tornam o desporto naquilo que nunca deveria ser. 



Barão Pierre de Coubertin
I "Ó Desporto, prazer dos Deuses! Essência da vida (...)
II Ó Desporto, tu és a beleza! És o arquitecto deste edifício que é o corpo, que pode tornar-se abjecto ou sublime, se degrada na vileza das paixões, ou saudavelmente se cultiva no esforço. (...)
III Ó Desporto, tu és a Justiça! A equidade perfeita, em vão perseguida pelos Homens nas instituições sociais, estabelece-se, por si própria, à tua volta. (...)
IV Ó Desporto, tu és a audácia! Todo o sentido do esforço muscular se resume numa única palavra: ousar. (...)
V Ó Desporto, tu és a Honra! Os títulos que tu conferes não têm qualquer valor se adquiridos por meios diferentes da lealdade absoluta. (...)
VI Ó Desporto, tu és a alegria! Ao teu chamamento o corpo alegra-se, os olhos sorriem e o sangue circula. (...)
VII Ó Desporto, tu és a fecundidade! Por vias indirectas e nobres, encaminhas ao aperfeiçoamento. (...)
VIII Ó Desporto, tu és o progresso! Para bem te servir é necessário que o Homem se aperfeiçoe no corpo e na alma. (...)
IX Ó Desporto, tu és a paz! Estabeleces relações felizes entre os Povos, aproximando-os no culto da força dominada. (...)"
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

EUROPEU DE FUTEBOL... QUE BOFETADA DE LUVA BRANCA!


Obviamente que fiquei feliz com a vitória portuguesa no Europeu de futebol. Diria mais, fiquei muito feliz. Confesso, porém, que não sou daqueles que vão para as praças para viver, colectivamente, estes momentos. Sou assim, nada a fazer. O que não significa que, por exemplo, não me comova quando oiço o nosso hino nacional ou a bandeira que sobe o mastro quando alguém atinge o mais alto lugar do pódio. Simplesmente porque os atletas são as extensões do nosso orgulho pátrio. Todavia, há um mas, há sempre um mas...


Milhares e milhares em praças, milhares no aeroporto para saudarem os campeões, televisões e rádios em directo para outros milhões, eu próprio estou aqui a escrever com os olhos colados à televisão, enfim, compreendo tudo isto, compreendo a força do futebol que é universal, compreendo, no que a Portugal diz respeito, perante tanta desilusão na vida de tanta gente, uma alegria faça explodir sentimentos profundos. Compreendo o entusiasmo de todos os emigrantes porque aquela vitória acaba por ajudar a mitigar a distância e, muitas vezes, os olhares distantes nos países onde trabalham. Mas há um aspecto que me encheu de felicidade: a bofetada de luva branca de um povo a todos quantos andam a brincar com a nossa infindável paciência, considerando-nos uns pobres coitados onde a austeridade tem de ser exemplo para os demais. A Alemanha e a França, entre outros, Juncker, Shäuble, Lagarde e quejandos que nos deixem da mão e que nos respeitem.
Por outro  que lado, agora no plano interno, que felicidade também sentiria se este nosso povo, que se movimenta pletórico de energia, de entusiasmo e de felicidade, também soubesse sair à rua aos milhares, com superior disciplina, para dizer não a esta Europa que espezinha, maltrata, impõe regras vergonhosas conducentes à pobreza. O povo não vive de futebóis e de ídolos, vive do seu emprego, dos direitos ao trabalho, à educação, à saúde e à segurança social. E todos esses direitos estão cada vez mais ameaçados por essa gentinha política que, rigorosamente, nada tem de estadistas, antes de políticos oportunistas ao serviço de interesses que a esmagadora maioria da população não descortina. 
Parabéns Portugal, mas não fiquemos por um dia histórico. Há mais vida para além do futebol.
Ilustração: Arquivo próprio e Google Imagens.  

DURÃO BARROSO PRESIDENTE DO GOLDMAN SACHS, O GRANDE "SUPERMERCADO DA ESPECULAÇÃO E RISCO"


Disse Durão Barroso que é "preso por ter cão e por não o ter". Não é isso que está em causa. Fundamental é perceber como é que as aranhas deste sistema político se movimentam, criando teias e esmagando os mais vulneráveis. Durão Barroso é mais uma aranha venenosa nesta teia gigantesca de corrupção política e financeira. Deveria ter um pouco de vergonha. Vale a pena seguir este vídeo de 2012.

 
GOLDMAN SACHS - O BANCO QUE DIRIGE O MUNDO / La Banque qui Dirige le Monde (2012) from fimda estrada on Vimeo.

domingo, 10 de julho de 2016

DOIS IMPORTANTES TEXTOS




"(...) É extremamente preocupante a ausência da comunicação social portuguesa ante o descalabro europeu. É preciso acentuar que a União Europeia já o não é. O egoísmo sobrepôs-se aos grandes princípios do humanismo e da solidariedade que fundamentaram o seu nascimento, e, hoje, o nosso continente mais não é do que um condomínio fechado e cercado de arame farpado. As "reportagens" apresentadas pelas televisões portuguesas são gemidos mal-enjorcados em que a verdadeira natureza dos factos fica encoberta pelo horror dos acampamentos de refugiados, com miúdos a olhar-nos já sem lágrimas, mulheres cobertas de espanto e de medo, e homens encerrados na sua própria tragédia. 
A matança de inocentes não pára, enquanto senhores muito consideráveis discutem, nos areópagos internacionais, banalidades e ineficácias. Já o disse e repito: não preciso desta falaciosa União para ser europeu; mais: não quero ser europeu desta União, mandada pela Alemanha da finança e dos negócios. Não quero ser alemão. Estou preocupado, na minha velha pele portuguesa, pelo descalabro moral, político e económico em que o continente todos os dias se apresenta. (...)"


"(...) Numa estratégia indireta, Berlim escolheu Portugal como o elo mais fraco para reafirmar a sua hegemonia, mostrando que depois do brexit o cilício do Tratado Orçamental ainda aperta mais fundo. Como num crime friamente premeditado, sabendo o poder aterrorizador das suas palavras, Schäuble e Regling assobiam para que a matilha dos especuladores de mercado identifique Portugal como uma presa. A subida dos juros da dívida reflete que o alvo foi claramente identificado. O objetivo será sancionar Lisboa por défice excessivo. Se isso acontecer, Berlim arranjará maneira de livrar Madrid, para que o castigo não provoque demasiadas contracorrentes.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 9 de julho de 2016

DURÃO BARROSO UM DOS "GATOS GORDOS" DA UNIÃO EUROPEIA


Se esta Europa está como está, desprestigiada e sem rumo, a Durão Barroso se deve. Foram dez de presidência da Comissão Europeia, onde teve tudo para corrigir o que há muito vinha sendo desenhado. Escrevi em 10.11.2013: "(...) do que é conhecido, porque a História divulgará muito mais, a Europa tem, como Presidente da Comissão, um pau mandado. Serve os interesses ideológicos instalados". Razão tinha Henry Kissinger, um membro permanente de Bilderberg, aquando da assunção de responsabilidades de Durão Barroso na Comissão Europeia: é "indiscutivelmente o pior primeiro-ministro na recente história política. Mas será o nosso homem na Europa". E foi. Barroso é um político que segue a verdadeira estratégia do Clube Bilderberg que tem o propósito de criar um governo totalitário mundial. Sobre Durão Barroso, diz Estulin, estudioso de Bilderberg: "(…) é tido, nas altas esferas da governação europeia e mundial, como o perfeito instrumento do Clube Bilderberg". Ele e tantas "personalidades" são jogadoras neste tabuleiro de interesses mundiais. Uns protegem os outros. Juntos formam uma seita política. Uns ocupam determinadas cadeiras de poder ao mais alto nível, outros são correias de transmissão desse poder avassalador.

A "elite" europeia vale zero e não tem vergonha

Portanto, não é de estranhar que a Goldman Sachs International (GSI) tivesse anunciado ontem a nomeação de Durão Barroso para seu presidente não executivo e consultor do banco de investimento. "A sua perspectiva, capacidade de avaliação e aconselhamento irão acrescentar muito valor ao Conselho de Administração da Goldman Sachs International, à Goldman Sachs, aos seus accionistas e trabalhadores", referiu a instituição com sede em Nova Iorque, através de comunicado. De facto eles sabem quem recrutar e sabem também que todo o trabalhinho político sujo tem de ser compensado. Após um breve período de teórico afastamento, lá está o "pagamento" político pelos serviços prestados. 
É óbvio que Durão Barroso e tantos outros têm de viver e que há mais vida para além do exercício da política. Porém, leio na página da TVI de 27.10.2014: Durão Barroso vai receber uma pensão vitalícia de 132 mil euros por ano, o equivalente a 11 mil euros por mês, avança o "Daily Mail" (...) No regresso a Portugal, Durão Barroso vai receber, ainda, um subsídio de «transição» e de «reintegração» durante os próximos três anos, que pode chegar aos 200 mil euros, por cada ano. Para além disso, o antigo primeiro-ministro vai ganhar também um salário extra de 25 mil euros, mais despesas de deslocação". Este facto levou a uma condenação pelos deputados conservadores britânicos por causa da "ganância e arrogância dos gatos gordos da UE". Segue-se, agora, a Goldman Sachs International. Portanto, questiona-se, a nós, cidadãos, o que fazer em função da existência de uma engrenagem que permite a existência de "gatos gordos" no xadrez político internacional? Afinal, percebe-se agora, para quem é que ele esteve a politicar durante dez anos. Aliás, acompanho a posição de Jorge Costa, dirigente e deputado do Bloco de Esquerda, que assumiu que "em vez de responder pelo crime da guerra do Iraque, Barroso recicla-se no gangsterismo financeiro global”. Está tudo dito. Pelo menos para mim.
Nota
Texto a consultar AQUI.
http://comqueentao.blogspot.pt/2009/06/nao-ha-qualquer-interesse-nacional-na.html

sexta-feira, 8 de julho de 2016

OS EMIGRANTES MADEIRENSES PRECISAM DE ACÇÕES, NÃO DE PALAVRAS!


É o que me dizia, em função do contexto, sem qualquer ofensa, um dirigente associativo, se bem me recordo, em Maracay, centro-norte da Venezuela. Após um almoço com a direcção da "Casa Portuguesa", em amena e simpática cavaqueira, esse dirigente disse-me mais ou menos isto: não façam como os outros que vêm aqui, "mamam" um almocinho e nada feito. Passados tantos anos, o disparo desse dirigente encaixa no centro do alvo. É essa a leitura que faço. Infelizmente. 

Imagens da visita à Venezuela em finais de 1998
O secretário regional, Dr. Sérgio Marques, regressou da Venezuela. Há dias escutei-o na TSF sobre os resultados de tal visita. Pelos emigrantes madeirenses que lá vivem, alguns milhares em dificuldades extremas, mesmo antes desta revoltante crise governativa, sinceramente, senti tristeza, porque os nossos conterrâneos mereciam melhor. Em missão política estive na Venezuela duas vezes. Na primeira, decorria a campanha que conduziu Hugo Chavez ao poder. Na segunda, uma semana depois da tragédia de Vargas, onde fui portador, em nome do Grupo Parlamentar do PS, de um cheque de três mil contos entregue à Missão Católica Portuguesa, dirigida pelo Padre madeirense Alexandre Mendonça. Na primeira visita acompanhei o Dr. Mota Torres, na altura presidente do PS-Madeira. Percorremos todos os pontos fundamentais, de Caracas até Valência. Do extenso programa visitámos e reunimos, desde a embaixada ao ministério dos negócios estrangeiros, candidatos à presidência, às instituições de solidariedade social, clubes, associações e academias. Ouvimos as pessoas, os professores, os empresários, entre outros, com o falecido Agostinho Macedo, fundador da Central Madeirense, escutámos, de todos, as suas angústias e os seus anseios. Momentos houve de comoção pela narração das dificuldades, mas também de exaltação pelo trabalho abnegado e de grande sucesso. Dessas visitas foram elaborados relatórios e entregues às entidades. 
Tragédia em VARGAS
Entretanto, passaram-se mais de quinze anos e a lengalenga do governo continua, daí a tristeza que senti e sinto. Tantos congressos realizados na Madeira, amiudadas visitas a todo o lado, almoços e jantares, discursos no "Dia da Região", festins e a verdade é que, exceptuando um tal "plano de emergência" em função do caos político, económico e social agora vivido na decorrência de um tal Maduro, o essencial continua na mesma. Escutei, novamente, preocupações sobre a língua, a cultura e uma aproximação ao tecido empresarial, aspectos requentados que não avançam. Há qualquer coisa que dá a entender uma aproximação aos madeirenses emigrados, mas que não ultrapassa as aparências. Fica bem deles falar, mas tudo morre na casca por mais fóruns, congressos e visitas que realizem. 
É o que me dizia, em função do contexto, sem qualquer ofensa, um dirigente associativo, se bem me recordo, em Maracay, centro-norte da Venezuela. Após um almoço com a direcção da "Casa Portuguesa", em amena e simpática cavaqueira, esse dirigente disse-me mais ou menos isto: não façam como os outros que vêm aqui, "mamam" um almocinho e nada feito. Passados tantos anos, o disparo desse dirigente encaixa no centro do alvo. É essa a leitura que faço. Infelizmente. Da parte que nos tocou, tentámos ajudar, remetendo centenas de manuais escolares para os centros de aprendizagem do português e, até, no folclore, desenvolvemos acções tendentes à formação técnica, aspecto que, após alerta, quem de direito não deu um passo. Por tudo isto, Dr. Sérgio Marques, menos conversa e mais acções concretas. Porque a um governo não basta visitar ou reunir, o mais importante é o desenvolvimento das iniciativas por eles sugeridas. 
Ilustração: Arquivo próprio.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

ESTE SISTEMA EDUCATIVO BLOQUEIA A CURIOSIDADE, LOGO EMPAREDA A APRENDIZAGEM


“Significará repetir os manuais ou a aprendizagem encerra fenómenos muito mais complexos que estão muito para além da segmentação das disciplinas curriculares?” A questão fica no ar. Significativo, diz, “é o facto de, em função do número de ‘insucessos’ a Região ter deitado ao lixo cerca de 17 milhões de Euros, partindo do pressuposto que cada aluno, em média, custa mais de €4.500,00. Ora, o problema deve ser analisado não pelo lado da percentagem de ‘reprovados’, mas pelo lado do que o sistema deveria ter realizado, a montante e a jusante, no sentido de uma escola que não repita o passado e que seja fermento para o futuro”.


Foram divulgadas as taxas de retenção escolar. A Jornalista do DN-Madeira, Paula Henriques, ouviu vários elementos. Dei o meu contributo para esse trabalho. Aqui fica o texto da jornalista.  

“Nós sabemos que muitas vezes há da parte de algumas direcções de escola pressões para que artificialmente passem os alunos. Isso não quer dizer absolutamente nada em termos de conhecimento”, reage Francisco Oliveira à notícia da redução das Taxas de Retenção e Abandono Escolar referentes a 2014/2015. Segundo o presidente do Sindicato dos Professores da Madeira, “é muito fácil haver menos retenções artificiais”. Comparando com os números do país, diz que a Madeira “não está fora do que é normal”.
Mais do que a leitura superficial das percentagens, interessa questionar as razões mais substantivas do ‘insucesso’”, alerta também André Escórcio, um antigo professor, ex-dirigente socialista e estudioso do tema da educação. Por detrás dos números dos chumbos na Madeira, o autor do blogue comqueentao.blogspot.com identifica causas e coloca a tónica, não nos números, mas nas pessoas. E questiona se os mais de 3.800 alunos que não transitaram de ano não teriam tido sucesso num outro tipo de enquadramento organizacional e pedagógico.
As causas para os alunos não conseguirem bons resultados na escola são múltiplas. A montante identifica as famílias, a pobreza, o desemprego e uma cultura que não é geradora de sucesso. A jusante há as outras, “consequência do próprio Sistema Educativo, absolutamente desadequado do tempo que vivemos”, entende. Fala de “um sistema que se diz inclusivo, mas que favorece a exclusão. O sistema repete o modelo da Sociedade Industrial que não se compagina com as necessidades de uma sociedade da tecnologia e da informação. O desencontro é evidente”.
Defende ainda a necessidade de repensar o que é o sucesso. “Significará repetir os manuais ou a aprendizagem encerra fenómenos muito mais complexos que estão muito para além da segmentação das disciplinas curriculares?” A questão fica no ar. Significativo, diz, “é o facto de, em função do número de ‘insucessos’ a Região ter deitado ao lixo cerca de 17 milhões de Euros, partindo do pressuposto que cada aluno, em média, custa mais de €4.500,00. Ora, o problema deve ser analisado não pelo lado da percentagem de ‘reprovados’, mas pelo lado do que o sistema deveria ter realizado, a montante e a jusante, no sentido de uma escola que não repita o passado e que seja fermento para o futuro”.
A melhoria nos números não é o mesmo que melhoria na aprendizagem, são aspectos diferentes e por detrás dos números, recorda que se escondem muitas e distintas realidades. Define o actual sistema como muito heterónomo, que “assenta em rituais de pressuposta aprendizagem, que ninguém questiona, até por obediência e sobrevivência profissional. A aprendizagem tem uma outra dimensão, pois obriga a pensar e a questionar os porquês”. Este sistema, lamenta, “bloqueia a curiosidade, logo empareda a aprendizagem.”
Olhando para o presente, André Escórcio não encontra um projecto portador de futuro. “A escola que deveria estar na dianteira da sociedade, liderando-a, foi ultrapassada e, hoje, arrasta-se nas respostas às necessidades. Tudo o que a sociedade não resolve, pedem à escola que resolva”. Nas sua opinião, os responsáveis pelo actual sistema deviam questionar as razões das taxas publicadas. “Não é por acaso que muitos jovens dizem que a escola é uma ‘seca’. São múltiplas as razões, mas razão tinha o pedagogo Rubem Alves quando disse que para os ‘burocratas o que interessa é o que vem nos relatórios, não as crianças’”.
André Escórcio acredita que é preciso mudar o sistema educativo. “Resta-nos romper com o passado, não com acertos marginais, mas estruturais que implicam o pensamento acerca do futuro. Estão em causa os currículos, os programas, o paradigma organizacional, o pensamento pedagógico, a autonomia dos estabelecimentos de educação e ensino, a reorganização da sociedade, mormente os tempos laborais, as questões da família, do desemprego e da pobreza, que mais escola não significa melhor escola, enfim, está por desenhar tudo quanto investigadores, pensadores e autores há muito alertam.”
Enquanto isso não acontece, reter ou não reter continua a ser uma questão polémica. O que acontece, explica o Francisco Oliveira, é que porque no 1.º ano as retenções são situações excepcionais, no 2.º aumentam. 
No modelo ideal não haveria retenções, os alunos recuperariam com a ajuda dos professores e de toda a comunidade educativa. “Nós não vivemos num modelo ideal”, lamenta, e o que acontece, revela, é que os alunos, porque sabem que não chumbam, interessam-se ainda menos. Por outro lado, “a própria sociedade exige que a escola seja selectiva”, que as avaliações correspondam aos que os alunos vão aprendendo. 
Os professores só retêm quando os alunos não cumprem os critérios definidos no início do ano nas escolas e comunicados aos pais, assegura. E não são indiferentes ao insucesso, acredita o presidente do Sindicato. “A grande maioria dos professores sofre com as retenções”. Nem tampouco podem as retenções servir para avaliar o trabalho do docente. Francisco Oliveira recorda que há turmas “muito complicadas” com maiores dificuldades, sobretudo em determinadas zonas, em ambientes em que não há valorização da escola. Por vezes, diz, “conseguem autênticos milagres” e muitas vezes, os que têm piores resultados são os professores que se dedicam mais.
NOTA
Todo o texto AQUI 

quarta-feira, 6 de julho de 2016

DO NOSSO JARDIM... FLORES PARA PORTUGAL




Sanções europeias sim, sanções talvez, sanções não. Nem eles sabem o que querem. Por aproximação ao futebol, andam de prolongamento em prolongamento, de massacre em massacre psicológico, que nada ajudam a saída deste sufoco financeiro que varreu e varre a Europa. Deveriam tais senhores usar a legenda da UEFA "Respect" nas relações connosco. E porque aqueles que nos representam são as extensões do nosso orgulho enquanto Povo, nesta noite de afirmação, deixo à equipa nacional uma composição com flores do jardim que trato na descontração do fim-de-semana.

terça-feira, 5 de julho de 2016

SISTEMA EDUCATIVO - DUAS NOTAS


Primeira
Por encomenda ou por convicção, um Senhor Deputado do PSD-Madeira, esta manhã, no Parlamento, defendeu a escola privada apoiada pelo orçamento regional. Trata-se de um tema que está completamente esgotado, mas que alguém sente a necessidade de justificar os € 26.000.000,00 anuais que saem dos impostos de todos para alimentar o funcionamento de um sector que deveria bastar-se através de receitas próprias. Senhor Deputado, às famílias deve ser garantida a liberdade de escolha do sector e do estabelecimento de ensino que pretendem, mas também devem assumir as suas responsabilidades. Sabe o Senhor Deputado que, tal como nos hospitais, nos estabelecimentos de educação e de ensino falta muita coisa. Diariamente, é o estica, estica, para que sejam disfarçadas as carências. E o Senhor, como Deputado, deveria assumir como preocupação primeira a ESCOLA PÚBLICA e não a escola de natureza empresarial. 


Segunda
O problema do Sistema Educativo não está no número de dias de escola em 2016/2017. Se tem mais ou menos dias de clausura é coisa pouco relevante. Importante seria determinar e anunciar se o menu será o mesmo ou se a alguma mudança vai acontecer, através de palavras muito simples: porquê, quando, como, onde e com que meios! O resto, o número de  dias, os períodos de pausa, tudo isso é de somenos importância. É apenas administrativo. É o mesmo que dizer que o 25 de Dezembro de 2016 calha em um Domingo e que as Missas do Parto começam no dia x. 
Ora, isto é preocupante, quando um governo o que tem para anunciar é o calendário. Significa isto que 2016/2017 será igual a todos os outros, assente na mesma linha de pensamento que se arrasta há muitas dezenas de anos. Eu não diria preocupante, mas dramático, quando o governo prefere a rotina à inovação. Ainda há dias aqui publiquei um vídeo sobre o pensamento de Ken Robinson (aqui). Está lá tudo. Não é preciso a secretaria da Educação "inventar a roda", bastar-lhe-ia projectar a oito, doze, dezasseis, vinte anos, o caminho da mudança necessária que poderá gerar uma escola do século XXI em contraponto a esta escola do Século XVIII/XIX. O governo deveria ter presente que esta é a escola e a organização social que mata a capacidade de criação, exclui, promove o insucesso e o abandono. Alguns (muitos) safam-se, a maioria dos quais oriunda de famílias com uma estrutura mais sólida a vários níveis. Uma grande parte fica pelo caminho. Até o leite de má qualidade faz nata! 
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

POLITICAMENTE JUNTINHOS... EMBORA DISFARCEM


Os leitores conhecem o provérbio "pimenta no rabo dos outros é refresco". Dele me lembrei quando escutei a ex-ministra das Finanças Maria Luis Albuquerque dizer, a propósito das hipotéticas sanções europeias a Portugal por causa do défice excessivo: "(...) se eu fosse ministra das Finanças estas questões, seguramente, não se colocavam". Ora bem, a Senhora que não tem espelho que se enxergue, nem notou: primeiro, que lhe fica mal, muito mal, dizer o que disse. É verdade que "presunção e água benta, cada qual toma a que quer", mas fica-lhe mal, até pelo simples facto do défice excessivo ser, exactamente, consequência do tempo de governação da sua responsabilidade; em segundo lugar, a Senhora demonstrou, inequivocamente, que este assunto não seria objecto de discussão se o governo português continuasse na linha política desta Europa ultraliberal. O hipotético "castigo" não é tanto por causa do défice excessivo, mas porque, politicamente, os senhores(as) desta Europa e do FMI não gostam de quem os afronte com soluções de governo distantes dos cânones por eles(as) ditados.


Parece-me óbvio que não haverá sanções, porque isso equivaleria a União Europeia, que tudo controla, sancionar-se a si própria. Mas haverá uma feroz chamada de atenção. O que para mim é muito grave, pois isso significa uma intolerável ingerência na política interna do nosso país. Irrita-me, sobremaneira, esta abusiva intervenção. Mas Maria Luis Albuquerque alinha, aceita, ao mesmo tempo que vai dizendo que não se justificam penalizações. Ela, o Dr. Passos Coelho e a Drª Assunção Cristas, sabendo o que fizeram (ou o que não fizeram) durante quatro anos, politicamente, "para a fotografia pública" colocam-se contra as penalizações, mas lá saltou uma voz para dizer mais ou menos isto: connosco este seria um não assunto! É, por isso, que "pimenta no rabo dos outros é refresco". Não suporto gente política deste calibre, que surfam as situações, que pendem para o lado dos ventos, que sem vergonha alguma dizem coisas como se o povo fosse desmiolado. 
Algumas frases resumem o que penso e defendo. A primeira, do ex-ministro das Finanças Doutor Teixeira dos Santos: "Depois de tantos elogios da ‘troika’ ao Governo anterior, será irónico e cínico se a Comissão Europeia vier a propor a aplicação de sanções a Portugal"; a segunda, da Deputada Catarina Martins, do Bloco de Esquerda: "A Comissão Europeia não tem que sancionar o nosso país, tem sim é de ressarcir o nosso país pelo dano que foi causado"; uma outra, do Deputado João Galamba do PS: "A última coisa que precisamos neste momento é de incendiários. Já chega a situação complicada no Reino Unido"; finalmente, as palavras do Deputado Jerónimo de Sousa, frontalmente dirigidas a Wolfgang Schäuble: "mais um episódio de chantagem, de arrogância, de ingerência. (…) Não é preciso responder à letra, mas um pouco de brio patriótico é exigível às instituições, designadamente ao Governo da República para dizer lá no seu país manda ele e em Portugal mandam os portugueses".
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 3 de julho de 2016

SENHOR BISPO ANTÓNIO CARRILHO, ACONSELHO-O A LER O BLOGUE SENSO&CONSENSO


O Senhor Bispo do Funchal, D. António Carrilho, proferiu por ocasião do Dia da Região, uma homilia de cujas palavras o DN-Madeira destacou e de forma oportuna: "(...) um dia que recorda o nosso passado e celebra o que hoje somos, com gratidão e respeito por todos aqueles que o construíram", destacando, ainda, que este é “um dia que coloca diante de nós o presente, sem ilusões e sem medos, com as suas dúvidas e as suas esperanças, um presente que nos interpela a uma vontade forte de construir um futuro cada vez mais digno de homens e mulheres livres, que somos chamados a ser".


Senhor Bispo, eu Cristão, interrogo-me: a quem pensa o Senhor Bispo enganar ou confundir? Será que conhece a História de todo o processo? Será que domina os silêncios comprometedores da Igreja que, localmente, dirige, na sua ausência de posições firmes, independentes, concordantes com a Palavra? 
Um Bispo vota, obviamente, segundo as suas convicções políticas, neste aspecto tem o meu mais profundo respeito, mas, diariamente, as suas atitudes públicas devem assumir uma natureza abrangente, com serenidade e convicção, e nunca denunciadoras ou escamoteadoras da Verdade. "Gratidão", Senhor Bispo, por aqueles que semearam, directa ou indirectamente, a pobreza que por aí vai? Ainda anteontem, este é, apenas, um exemplo entre milhares, descendo a Calçada do Pico, doeu-me ver uma jovem bem parecida, acompanhada do seu jovem filho, presumo, também bem parecido, sentados frente à porta da Cáritas, aguardando a sua abertura, para que a fome não seja bem pior. O Senhor Bispo chama a isto caridade, eu designo por pouca-vergonha de sucessivos governos que olharam para as eleições seguintes e não para as gerações seguintes. Ter "gratidão e respeito" por essa gente política? Ter "gratidão e respeito" por todos aqueles que "construíram" esta situação? Não brinque connosco, Senhor Bispo! 
Vou deixar aqui um excerto de um texto do Senhor Padre Marins Júnior, aquele Padre que Vossa Excelência Reverendíssima mantém uma suspensão "a divinis", uma suspensão injustificada e que envergonha qualquer membro da Igreja. Fique com este naco da História e repense o que disse: "(...) Em vésperas de eleições de 76, o bispo desmultiplicou-se, sem tréguas, numa campanha religiosa manifestamente tendenciosa: publicou uma Nota Pastoral, lida em todas as igrejas, alertando os cristãos contra o socialismo, que manhosamente qualificava de “marxista”; promoveu o grande espectáculo da missa do “Corpo de Deus” no estádio dos Barreiros e, no domingo anterior às eleições, faz uma extensa homilia de teor marcadamente separatista, misturando a “barca de Pedro” e Portugal a afundar-se, não hesitando ele, lisboeta, a regionalizar-se madeirense: ”Queridos ouvintes, que me escutais em Portugal e no estrangeiro, podeis ver como nós, Madeirenses, sabemos conviver, sempre que nos deixam ser genuinamente Madeirenses”. (O negrito dos caracteres é tal e qual o mesmo do Jornal da Madeira). A anteceder as eleições de 76, o citado bispo levou o jovem, novo director do Jornal, (AJJ) a todas as paróquias, apresentando-o como o melhor para governar a Madeira. O Padre Tavares Figueira, conhecedor profundo deste período, retratou a situação, com humor mas com inteiro rigor científico, numa entrevista de circulação nacional: "O PPD nasceu numa sacristia e o pai foi o bispo Francisco Santana" (...).
Senhor Bispo António Carrilho, aconselho-o a ler o blogue Senso&Consenso. Enquanto acto de cultura e de penitência.
Ilustração: Google  Imagens.

sábado, 2 de julho de 2016

POLÍTICA EDUCATIVA - UM CAMPEÃO DO MUNDO DE CÁLCULO MENTAL QUE REPROVOU NA DISCIPLINA DE MATEMÁTICA


Tenho vindo, desde há muito, a escrever sobre o sistema educativo nacional, com o qual não me identifico. Considero-o, à luz do conhecimento e do posicionamento de tantos investigadores, que este sistema é aberrante, anormal e que justifica, entre outros factores, tanto abandono e tanto insucesso. Os leitores lembram-se da notícia de 21 de Maio de 2014? A do João Silva Bento, de 12 anos, estudante do 6º ano na Escola Básica e Secundária Manuel Fernandes, em Abrantes, que se sagrou, nesse ano, campeão mundial de cálculo mental, entre mais de 36 mil participantes de 61 diferentes países? Nessa peça jornalística divulgada pela Lusa, foi divulgado: "a competição relativa aos Campeonatos SuperTmatik, que todos os anos decorrem online, envolveu, este ano, 36.725 finalistas de 61 nacionalidades diferentes, tendo o jovem estudante português conquistado o 1º lugar no seu escalão, com um tempo de resolução de 42,5 segundos às 10 equações que lhe foram apresentadas". O curioso, ou talvez não, é que embora no cálculo mental demonstrasse uma "apetência invulgar", revelou o professor António Percheiro, o jovem campeão do mundo era "um aluno com dificuldades a Matemática", tendo, inclusive, reprovado.


Na mesma competição, a 16 de Maio de 2016, no DN-Sociedade, foi noticiado que "Portugal tem quatro campeões mundiais em cálculo mental". Ora bem, nada sei de Matemática. Nunca estive para aí virado! Sei, e todos sabemos, que uma coisa é o cálculo mental e outra a matemática. Uma coisa é estimar resultados através de algumas estratégias, outra é a "matemática como cimento unificador de todos os saberes" que implica domínios que estão para além do cálculo mental. Porém, parece-me, que ao nível mais básico, os que demonstram "apetência invulgar" para o cálculo, como foi referido, possam ter mais facilidade em examinar e resolver outro tipo de formulações de raiz mais elaborada. E isso, por aquele exemplo, deixa-me perplexo, quando é o próprio professor a dizer que o campeão do mundo em cálculo mental experimenta dificuldades na Matemática e que até reprovou. Das duas uma: ou não se aproveitam os talentos ou, então, é o próprio sistema educativo que está em causa. Ou, ainda, a conjugação das duas hipóteses. Quem disto percebe, faça o favor de se pronunciar, sendo certo que esta situação, para mim, repito, que nada sei de Matemática, coloca em causa uma questão maior: o sistema educativo. 
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

VALEU A PENA, OBVIAMENTE! PORÉM, HOJE, A AUTONOMIA ESTÁ NO BANCO DOS RÉUS


Quem não se lembra, por vivência ou por leitura da História, sobre o que foi o Estado Novo (para não ir mais atrás) e todos os constrangimentos impostos, a todos os níveis, às então designadas "Ilhas Adjacentes" ou "Distritos Autónomos"? A memória dos tempos de então, comparativamente ao tempo que estamos a viver, traça uma substancial diferença. Valeu a pena, obviamente, Abril de 1974 e a Constituição da República de 1976.


Porém, na decorrência destes 40 anos, fica-me um amargo sobre os caminhos seguidos que redundaram em uma Autonomia de pés de barro, de faz-de-conta, de dívidas impagáveis, de pobreza, de desemprego, de obras faraónicas e desajustadas, de atentados ao património histórico-cultural, de construção de uma Madeira tendencialmente toda igual, perdendo a sua identidade, de degradação dos sistemas de saúde e de educação. Tudo na lógica do quero, posso e mando. Outro poderia ter sido o caminho, naturalmente, se o pensamento tivesse sido mais sensato e estruturado, mais bem projectado no tempo, sem a mínima confusão entre os conceitos de crescimento e de desenvolvimento. Embora em contexto diferente, hoje, a Autonomia, a verdadeira Autonomia não existe, foi hipotecada e está no banco dos réus. O processo "Cuba Livre" é, apenas, um dos sinais.
Hoje, Dia da Região, deveria ser também dia de reflexão, necessariamente, sobre o que de bom foi realizado, mas, sobretudo, de profunda reflexão sobre as decisões políticas assumidas que tiveram em conta os actos eleitorais e não o futuro de bem-estar e felicidade das populações. Hoje, assiste-se a um estrangulamento provocado pela ambição partidária que não teve nem tem em conta os princípios do desenvolvimento, mormente, os da prioridade estrutural, da transformação graduada, da integração e da auto-sustentação. Hoje, estamos confrontados com uma pobreza extremamente preocupante, com indicadores económicos muito débeis e com uma emigração que constrange.
Hoje, andam pelas comunidades portuguesas, rotineiramente, os governantes da Região. Visitas que nada adiantam, cheias de palavras ditas aos almoços e jantares, de infindáveis promessas, sistematicamente repetidas, mas que em nada resultam. Alguém se lembra de uma? Eu, não.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

O DINHEIRINHO DA ISABELINHA



"É uma das maiores empresárias em Portugal. Está a ganhar força política em Angola. Lidera grandes empresas de sectores estratégicos nos dois países. Mas permanecem grandes dúvidas sobre a origem do financiamento e incógnitas sobre o seu poder futuro. Isabel dos Santos, em dois minutos e 59 segundos" - Expresso.

WOLFGANG SCHÄUBLE DOMINA AS FINANÇAS ALEMÃES E AS DOS OUTROS... POR QUE SERÁ?


Portugal precisa de um novo programa de resgate, diz o Ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble. É por estas e muitas outras que milhões de europeus estão fartos e cheios DESTA Europa. Depois não querem mais referendos! 


Schäuble sabe-a toda. Ele sabe como ganhar com a desgraça, leia-se pobreza, dos outros. Ele transporta no seu nome Wolf(gang) - bando, quadrilha ou corja; grupo organizado que se reúne para prejudicar algo ou alguém - aquilo que algumas figuras europeias de braço dado com o FMI, há muito fazem aos mais vulneráveis. É o caso desse chefe de missão do FMI, Subir Lall que teve o desplante de colocar em causa as 35 horas de trabalho, o que significa ir contra a Assembleia da República e o governo português. "Subir" até pode, mas não à nossa custa.
Enfim, todos com o trabalhinho de casa feito e copiado uns dos outros.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

O PAPA FRANCISCO E A CONFUSÃO NA CABEÇA DE JOÃO CÉSAR DAS NEVES


Com que então... há "um aproveitamento ideológico da visão do Papa", nos debates económicos, ideológicos e políticos? Este economista João César das Neves é espantoso. Posiciona-se como se o Papa não fosse um Homem político como o foi Jesus Cristo. Todos nós, quando nos posicionamos, somos políticos. Como se tudo à nossa volta não tivesse natureza política. Como se tudo o que o Papa Francisco assume já não tivesse sido dito por tantos na nossa História, sobretudo por aqueles que não se encontram, aqui sim, ideologicamente, colados ao Dr. João César das Neves. Se as abordagens do Papa têm como único objectivo "anunciar uma forma diferente de fazer economia", com base na doutrina social da Igreja, que mal existe que outros assumam, claramente, que até o Papa isso defende? Compromete-o no plano ideológico? Deixa-o com algum ciúme, Dr. César?


Obviamente que as instituições, públicas ou privadas, são livres de o convidarem para conferências, seja a que pretexto for. A muitos custa, obviamente, ter de ouvir ou ler autênticos disparates. Um economista que declarou, já tem algum tempo, que "é criminoso subir o salário mínimo", que "é óbvio que os cortes têm de regressar" (...) é já óbvio que a austeridade terá de ser retomada (Maio/2016), ou, então, que "a maior parte dos pensionistas não são pobres, fingem" e, neste pressuposto, aumentar o salário mínimo “é estragar a vida aos pobres", pergunto, se alguém com este currículo discursivo tem credibilidade, quando há Prémios Nobel a dizerem exactamente o contrário? 
Eu não vou tecer mais considerações sobre as Neves perenes deste César "imperador do conhecimento", apenas vou deixar uma carta publicada em Novembro de 2013 por Carlos Paz, também economista: 
Carta Aberta a um MENTECAPTO: 
Meu Caro João,
Ouvi-te brevemente nos noticiários da TSF no fim-de-semana e não acreditei no que estava a ouvir.
Confesso que pensei que fossem “excertos”, fora de contexto, de alguém a tentar destruir o (pouco) prestígio de Economista (que ainda te resta).
Mas depois tive a enorme surpresa: fui ler, no Diário de Notícias a tua entrevista (ou deverei dizer: o arrazoado de DISPARATES que resolveste vomitar para os microfones de quem teve a suprema paciência de te ouvir). E, afinal, disseste mesmo aquilo que disseste, CONVICTO e em contexto.
Tu não fazes a menor ideia do que é a vida fora da redoma protegida em que vives:
- Não sabes o que é ser pobre;
- Não sabes o que é ter fome;
- Não sabes o que é ter a certeza de não ter um futuro.
Pior que isso, João, não sabes, NEM QUERES SABER!
Limitas-te a vomitar ódio sobre TODOS aqueles que não pertencem ao teu meio. Sobes aquele teu tom de voz nasalado (aqui para nós que ninguém nos ouve: um bocado amaricado) para despejares a tua IGNORÂNCIA arvorada em ciência.
Que de Economia NADA sabes, isso já tinha sido provado ao longo dos MUITOS anos em que foste assessor do teu amigo Aníbal e o ajudaste a tomar as BRILHANTES decisões de DESTRUIR o Aparelho Produtivo Nacional (Indústria, Agricultura e Pescas).
És tu (com ele) um dos PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS de sermos um País SEM FUTURO.
De Economia NADA sabes e, pelos vistos, da VIDA REAL, sabes ainda MENOS! (...)"
Regresso ao princípio, a João César das Neves e ao Papa Francisco, porque César disse que existe "um aproveitamento ideológico da visão do Papa", quando no seu ponto de vista "o Papa não está a falar de economia, ele não pretende falar de economia, aliás diz que é alérgico à economia, o objectivo dele é anunciar Jesus Cristo, é a anunciar uma maneira diferente de fazer economia". Que paradoxo de um "académico"! Então, "anunciar uma maneira diferente de fazer economia" não corresponde a posicionar-se sobre a economia, sobre essa economia que nos trouxe "à miséria humana" (palavras suas e contextualizadas) e aos porquês das vagas de "imigrantes, refugiados, pobreza e escravatura" (palavras suas e contextualizadas)?.
Irrita-me este senhor que critica quem fale ou se aproveite das posições do Papa Francisco, quando é o próprio Papa a dizer que "esta economia mata". Não há paciência para este Professor de Economia! Parafraseando a máxima do Professor Abel Salazar, Patrono do Instituto de Ciências Biomédicas, embora em um contexto médico: "Economista que só sabe de Economia nem de Economia sabe."
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

"O NOSSO PLANO A É O PLANO A, É SÓ O PLANO A E NÃO HAVERÁ PLANO B" - ANTÓNIO COSTA.


"A direita errou no défice, a direita errou no investimento, a direita errou nas exportações, a direita errou no desequilíbrio da balança comercial, a direita errou e agora é altura de nós perguntarmos qual é o plano B da direita, depois de ter falhado tão redondamente ao longo de todo o primeiro ano da sessão legislativa". "A verdade é que a direita não tem plano B, a direita só tinha como ânimo o azedume, como objetivo a vingança e como sonho o falhanço do país"

Acompanhei a intervenção de hoje do Secretário Geral do PS, Dr. António Costa, no decorrer das Jornadas Parlamentares do PS-Açores. Pela importância das declarações aqui fica o essencial das suas declarações. 
O défice das administrações públicas, em contas nacionais, foi de 3,2% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano, divulgou, na última sexta-feira, o Instituto Nacional de Estatística (INE). No primeiro trimestre do ano anterior, o défice tinha sido de 5,5% do PIB (-2.344,6 milhões de euros). Face aos números, António Costa disse, então, que é o momento de começar a fazer "o balanço de quem cumpriu o plano A e de quem fracassou na ambição de ter um plano B" (...) "O que nos veio dizer o INE é que tivemos o melhor défice desde 2008". E foi mais longe ao afirmar que se forem descontadas as medidas extraordinárias que existiram em 2008, o país registou "o melhor défice do primeiro trimestre desde 2002", ao contrário "de todas as profecias que a direita ia fazendo, ao contrário de todos os planos B" que pedia ao Governo (...) "O nosso plano A é o plano A, é só o plano A e não haverá plano B". E sendo assim, sublinhou: "A direita errou no défice, a direita errou no investimento, a direita errou nas exportações, a direita errou no desequilíbrio da balança comercial, a direita errou e agora é altura de nós perguntarmos qual é o plano B da direita, depois de ter falhado tão redondamente ao longo de todo o primeiro ano da sessão legislativa". "A verdade é que a direita não tem plano B, a direita só tinha como ânimo o azedume, como objetivo a vingança e como sonho o falhanço do país", sustentando que "ninguém constrói esperança, ninguém tem futuro nesta base" (...) "E é por isso que, tendo apostado sistematicamente e só no nosso falhanço, os grandes falhados são a direita, porque a direita é que não acertou numa única das suas previsões e agora não tem nem medidas adicionais nem plano B para apresentar ao país, está esgotada, amarrada e ficou no passado que os portugueses derrotaram".
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 26 de junho de 2016

IGNORAR "RUÍDOS" CORRESPONDE AO ACENTUAR DOS PROBLEMAS


Imagino o sufoco que paira no serviço de saúde da Região, partindo do provérbio "casa onde não há pão, todos brigam (ou ralham) e ninguém tem razão". Imagino como não se sentirão os responsáveis por um sistema com milhares de trabalhadores, mas também com milhares em "listas de espera. Imagino a angústia de querer um fármaco ou de qualquer outra necessidade e não dispor em tempo real. Imagino os que têm responsabilidades, face a uma montanha de facturas alinhadas para um pagamento, mas olhando para um cofre vazio. É desesperante, obviamente. Compreendo. É o que se passa em outros sectores, embora com outros tipos de silêncio e de complexidade.


O que para mim é má política, face a este contexto de sensível degradação do sistema de saúde, é o sistema, ao contrário de se abrir, embora com filtros honestos, que se fale da existência de uma "imagem erroneamente distribuída (...) com interesses estranhos à organização" e que, sendo assim, "o ruído estranho a esta organização será permanentemente ignorado". Ora bem, a imagem pública que existe, até estatisticamente fundamentada, é que o sistema, consequência de uma acumulação de erros durante anos, de posições de quero, posso e mando, de sistemáticos avanços e recuos, gerou essa imagem de insatisfação generalizada. Interna e externa. E sendo assim, na existência de factos e de constantes turbulências, "os ruídos" não podem ser "permanentemente ignorados". Pelo contrário, sublinham.até, os "gurus" da gestão, sejam quais forem os desconfortos, até pela história de todo o processo, os ruídos, leia-se outras posições, devem ser inteligentemente geridos. O isolamento, a lógica das decisões unilaterais, seguida durante quarenta anos, só agravarão um certo estado de caos instalado. Apenas o diálogo e a concertação são susceptíveis de proporcionar a ultrapassagem dos complexos dilemas gestionários e administrativos. O exercício da democracia é difícil, mas é o melhor dos caminhos.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 25 de junho de 2016

POLÍTICA EDUCATIVA - DESCOBRIRAM O "ALUNÃO". MAIS TRÊS SEMANAS DE AULAS... OU CRIANÇAS EM VIAS DE EXTINÇÃO


Li: "Alunos do 1.º ciclo vão ter mais três semanas de aulas no próximo ano". Lembrei-me de uma "carta do leitor", publicada no DN-Madeira, em 2009 (lamento não ter registado o nome do autor): "(...) Depois do papelão, do vidrão, do embalão e do "velhão", apresento-vos o ALUNÃO. O alunão é um depósito de alunos em que, por impossibilidade profissional ou apenas por falta de vontade, os encarregados de educação transformam as escolas de hoje (...)". Enfim, confirma-se que os governantes descobriram o ALUNÃO e assumem, decididamente, que ser criança está em "vias de extinção", como enalteceu o Psicólogo Eduardo Sá. 


Aumentar o número de dias de escola significa não entender que mais escola não significa melhor escola. Significa não perceber que escolarizar é uma coisa e educar é outra bem diferente. Significa, ainda, não querer assumir uma frase tão simples e tão profunda, a de Merleau-Ponty, um filósofo fenomenologista francês (1908/1961) que bem situou esta questão: "O meu corpo é o centro do Mundo, tomo consciência deste através dele". Como formar essa consciência é a pergunta que deveria ser colocada. Ora, ser criança, é muito mais do que, muitas vezes a martelo, "cumprir um programa", esquecendo-se que "(...) na criança, o jogo (em um sentido lato) é, antes de tudo, prazer. É também uma actividade séria em que o fingir, as estruturas ilusórias, o geometrismo infantil, a exaltação, têm uma importância considerável" - Jean Chateau. Coisas que os políticos não entendem, porque se esqueceram, muito rapidamente, que foram crianças. 
Todos dominamos as razões de mais três semanas de escola (por andas organização social e laboral?), mas teimam em não querer mudar a sociedade, pelo que a criança que se deixe de tretas... torne-se adulto antes do tempo!
Sentado, fico à espera da decisão do secretário da Educação da Madeira.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA


Tomámos a iniciativa de dirigir uma Carta Aberta ao Senhor Presidente da República, que nos honrará com a sua visita nos dias 1 e 2 de Julho. Pretendemos informá-lo da situação de descontentamento de largos sectores da sociedade madeirense quanto à intervenção desastrosa nas ribeiras da cidade apelando para que, nos termos dos seus poderes constitucionais, possa contribuir para preservar os valores culturais e patrimoniais ameaçados. Apelamos à PARTILHA e divulgação desta Carta que foi ontem remetida, para a Presidência da República, por via informática e pelo serviço CTT expresso. Esperamos, e estamos certos, que o Senhor Presidente a terá em devida atenção.

"Senhor Presidente da República Portuguesa
Excelência

Julgando interpretar os sentimentos democráticos e as tensões que vêm sendo manifestados por largos sectores da sociedade madeirense contra obras em curso nas ribeiras do Funchal, vimos por esta carta-aberta apelar ao Senhor Presidente da República para que na visita que fará nos próximos dias 1 e 2 de Julho a esta Região Autónoma, o que muito nos honra, seja porta-voz das nossas preocupações diligenciando, nos termos dos seus poderes constitucionais, no sentido de que as autoridades regionais revejam vários aspectos daquele projecto, que está a destruir valores patrimoniais e culturais que precisam de ser salvaguardados, porque constituem elementos vivificadores da nossa identidade, regional e nacional.
A 20 de Fevereiro de 2010 a cidade do Funchal foi, como já acontecera várias vezes ao longo da História, fustigada por uma aluvião que causou 43 mortos e 8 desaparecidos, bem como danos emocionais - ainda sentidos, e materiais - ainda não totalmente resolvidos. Um grande movimento de solidariedade nacional, que mereceu também o apoio de V. Exa, ajudou a limpar as lágrimas e a unir esforços e vontades para a reconstrução.
Agora, passados seis anos, iniciou-se, nos troços urbanos das ribeiras do Funchal, por enquanto só nas de Santa Luzia e de São João, uma vasta operação com apoio da Lei de Meios e financiamento da União Europeia num valor estimado de 25 milhões de euros, com base um projecto de 2011 que ninguém conhecia, nem para o qual a sociedade civil foi consultada.
A pouco e pouco, e porque as máquinas não mentem, a cidade começa a interrogar-se ao assistir à destruição irreversível das seculares muralhas de pedra vulcânica mandadas construir pelo Brigadeiro Engenheiro Reinaldo Oudinot para a defesa da cidade na sequência da trágica aluvião de 1803, e a conhecer a sentença que manda demolir seis pontes em arco de pedra natural da região, construídas no último quartel do século XIX. Uma, ainda mais antiga, a do Cidrão, já tinha sido desnecessariamente ‘sacrificada’ em Novembro de 2014. 
Esta é uma obra que ignora o Lugar, a História e o Legado de um povo. Tudo isto, que é para nós um desastre patrimonial, é apresentado em nome da segurança, argumento que contestamos vivamente com base na experiência, em trabalhos e em estudos técnicos e científicos muito rigorosos. De resto, a imprescindível segurança da cidade não obriga a este modelo de intervenção que não constitui a chave para a segurança do Funchal. A segurança está, quanto a nós e como referia sabiamente Reinaldo Oudinot, “lá em cima” onde a aluvião (fluxo extremamente rápido de massas de materiais hiperconcentrados e saturados em água) “se alimenta e engorda”, nas cabeceiras, na erosão hídrica, na falta de ordenamento florestal, nos poios degradados, nos aterros, na falta de cuidado com que se continua a olhar para as nossas serras. Pouco foi feito, não há uma estratégia e é preciso inverter os modelos.
Tudo pode ser recuperado: as muralhas não precisam de ser embrulhadas numa cortina de betão armado e as pontes podem continuar com os seus arcos de cantaria e alvenaria ainda por muitos anos, com alguns trabalhos de reabilitação e restauro. Se o tempo e o protocolo o permitirem, uma visita, mesmo rápida, especialmente à ribeira de Santa Luzia permitirá, estamos certos, constatar o objecto das preocupações dos madeirenses.
A cidade do Funchal, reconhecida como a primeira cidade feita pelos europeus fora da Europa, fundou-se e cresceu tendo como matriz as linhas de água, hoje ribeiras canalizadas, que impuseram uma malha e uma paisagem urbanas muito próprias. Aquelas muralhas e aquelas pedras são as nossas fortalezas e as pontes, os nossos símbolos. Elas cuidaram da cidade durante 212 anos e não é legítimo acusá-las de responsáveis pela falta de segurança, quando várias gerações olharam para elas como guardiães, enquanto outros, no tempo, as desprezaram. Não podemos apagar estas memórias, temos a responsabilidade histórica de evitar que isso aconteça. 
O Funchal é uma cidade atlântica única. E é também uma expressão dos portugueses no mundo. O nosso património é de todos.
Senhor Presidente,
Esta cidade precisa de Vossa Excelência que sempre foi um cidadão atento à defesa do património e da cultura, um amigo do povo insular da Região Autónoma da Madeira, um homem de afectos, que é o que a nossa cidade mais precisa nesta altura quando, julgamos nós, uma parte da nossa identidade está ameaçada. 
Renovamos o nosso apelo para que a cidade possa ainda ser ouvida e o bom senso prevaleça.
Cordiais saudações democráticas e o desejo de uma boa estadia.
Atentamente,
Funchal, 22 de Junho de 2016

Danilo Matos – CC 01161954 6 ZZ6
- Engenheiro civil, antigo director do Departamento de Planeamento Estratégico da Câmara Municipal do Funchal

João Baptista - CC 08432184 9 ZZ0
- Engenheiro geólogo, doutor em geociências, investigador integrado do GEOBIOTEC, Fundação para a Ciência e a Tecnologia, Universidade de Aveiro

Paulo Freitas – BI 11339596
- Arquitecto designer, doutorando em Design – Espaço Público-Baixa da cidade do Funchal, Investigador Centro de Estudos Locais e Regionais, Universidade da Madeira

Raimundo Quintal - CC 04571058 9 ZY4
- Geógrafo, investigador Centro de Estudos Geográficos do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, Universidade de Lisboa"

BREXIT - BREVE REFLEXÃO AO CORRER DO PENSAMENTO


Tanto esticaram o elástico que ele se rompeu. Era inevitável. Ou de outra maneira, foram os senhores construtores desta Europa que criaram a arma da sua própria destruição. Não foi o povo que a construiu, foi gente sem escrúpulos e ideologicamente bem definida que a fizeram implodir. Lamento, porque os avisos foram muitos e nunca escutados. Não foi esta Europa a sonhada por Jean Monnet e Robert Schuman, uma Europa que se tornou centralizadora e totalitária nas decisões. 


Sendo eu um europeísta convicto, espero, rapidamente, por uma total revisão do Tratado de Lisboa e de outros perversos "acordos", de tal forma que os interesses europeus comuns se sobreponham à excessiva e muito complexa máquina dos interesses de alguns directórios que andam a triturar povos. "Nós queremos de volta o nosso país" - disseram. Eu também desejo, embora fazendo parte daquilo que é essencial defender: liberdade, democracia, circulação de pessoas e bens, paz, SEGURANÇA, controlo de fronteiras, defesa, respeito pelas regras essenciais da União e não ingerência nas decisões internas dos povos. Espezinhamento, não. Subordinações insensatas, não. O dinheiro a comprar consciências políticas, também não. 
Enquanto cidadão preocupa-me (e de que maneira!) os portugueses que vivem e trabalham no Reino Unido. Que o bom senso prevaleça, que esta Europa renasça das cinzas e que Portugal, seja capaz de os proteger através de novas e consistentes políticas económicas. Como ainda hoje escreveu Nicolau Santos (Expresso), "(...) Há hospitais ingleses onde a maioria dos enfermeiros são portugueses. Vivem nas ilhas cerca de 1500 investigadores, cientistas e estudantes portugueses. E há diversos investimentos nacionais naquele país. (...)". Preocupante.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

"EXISTE MUITO MAIS VIDA PARA ALÉM DA ESCOLA"


Será uma questão, da minha parte, de "água mole em pedra dura que tanto bate fura"? Talvez! Assisto a um silêncio deveras preocupante. O silêncio das instituições, dos governantes e até de milhares de professores que preferem a manutenção do erro à experiência criativa e inovadora. Será que ninguém se interroga sobre a desadequação do sistema educativo em função da realidade do nosso tempo? Coloca-se uma foto no facebook e logo aparecem centenas de pessoas manifestando o seu agrado/desagrado; tantos colocam um assunto que a todos diz respeito e aparece uma meia-dúzia de amigos, sempre os mesmos, a comentar e a posicionar-se, de forma concordante ou discordante, obviamente. No tema que me apaixona, parece que o sistema educativo está bem e que se recomenda, quando, manifestamente, está de rastos, exausto e, assim, sem futuro. Há dias publiquei uma pequena parte de um vídeo. Hoje, deixo aqui um mais completo, na esperança que espolete interesse no debate. Pelo menos na reflexão, porque tudo o que hoje fazemos na escola terá, inevitavelmente, reflexos no futuro. Apenas um pormenor: partamos do princípio que existem outros paradigmas e que este, o português, aquele que há anos vivemos, faliu... completamente.

 

PREOCUPANTE REFLEXÃO EM DIA DE BREXIT. A EUROPA EM 2050. PARA OUVIR, MEDITAR E CRUZAR COM OUTROS DADOS.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

BREXIT SIM OU BREXIT NÃO?


É um assunto que, obviamente, diz respeito ao povo da Grã-Bretanha. Porém, são aos "molhos" e de vários quadrantes, o "forcing" final, em um ai Jesus, votem pela permanência, façam a corrente do beijo e tenham em consideração que a desgraça vem a caminho se a maioria disser não a esta Europa. E o problema, parece-me, que está, exactamente, aqui, nesta Europa dos directórios politicamente selvagens. E sobre isto a discussão é pouca ou nula. Não quero, até porque não domino, profundamente, as variáveis que conduzem a milhões de britânicos a se sentirem desconfortáveis, repito, com esta Europa, mas lá terão as suas razões. Talvez seja de trazer à colação as palavras de Abraham Lincoln: "Pode-se enganar todos por algum tempo. Pode-se enganar alguns por todo o tempo, mas não se pode enganar a todos todo o tempo". E o sentimento que existe é que estamos a ser enganados e esmagados, ao mesmo tempo que perdemos, subtilmente, a independência e a capacidade de sermos nós a construir o nosso futuro, tais são as manobras inscritas nos "tratados" e acordos a troco de dinheiro! Hoje, nada se faz sem o consentimento de uns senhores comissários de outros senhores, por exemplo, os escondidos nessa mafiosa engrenagem que é o Bilderberg Group.


São incapazes de discutir as causas desta Europa de nobres e de escravos. Até a França de Holland arrumou na gaveta a divisa da República, Liberté, Égalité, Fraternité", para render-se a Merkel e quejandos e impor as tais reformas laborais, sempre no sentido da perda de direitos sociais conquistados com luta e sangue. Entre outros, Holland é mais um dente dessa poderosa roda trituradora. Enganou-nos a todos! 
Estão apavorados com as consequências de uma eventual saída da Grã-Bretanha, porém, não discutem o essencial: o  regresso ao princípio de uma Europa das pessoas, uma Europa que respeite a identidade de cada país, uma Europa social de liberdade, de fraternidade e de igualdade. É esta Europa que me faz europeísta convicto da paz, da segurança e do progresso, não a outra onde andamos, os mais vulneráveis, todos de mão estendida ou à volta da mesa de onde caem algumas migalhas. 
Se o Povo britânico decidir pela manutenção, o que é provável, pelo menos que aprendam a lição da turbulência. Dificilmente aprenderão, mas espero! Até porque, a continuar assim, tarde ou cedo,outros referendos surgirão.
Ilustração: Google Imagens. 

terça-feira, 21 de junho de 2016

1912 - FUNDAÇÃO DO COMITÉ OLÍMPICO PORTUGUÊS



Um novo livro do meu grande Amigo Professor Doutor Gustavo Pires, Professor Catedrático da Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa. Tive a oportunidade de o ler antes da sua publicação e, agora, estou a "saboreá-lo" enquanto documento histórico. Trata-se de uma matéria sobre a qual não existe paralelo em Portugal no que concerne à profunda investigação sobre o Olimpismo. O livro, prefaciado pelo Professor Doutor Manuel Sérgio, outro Amigo de quem tenho uma profunda saudade de com ele estar e aprender, classifica a presente obra de um "inequívoco rigor científico" que atravessa desde os primórdios do Século XX até aos nossos dias. São 142 páginas de uma relevante importância para quem está, directa ou indirectamente, ligado ao desporto. Mesmo para os que não estão. Parabéns Amigo Gustavo.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

GOVERNO REGIONAL DA MADEIRA ASSUME QUE ABANDONOU A PECUÁRIA


O secretário regional da Agricultura e Pescas assumiu que o sector da pecuária, na Região Autónoma da Madeira, "(...) sofreu, nos últimos anos, alguns reveses", tendo sido mesmo "abandonada" pelos governos anteriores.


Enquanto cidadão, quero lá saber das eventuais desinteligências pessoais entre membros da família laranja. Que este guerreie aquele, aqueloutro tenha cortado relações com o "amigo" ou que o senhor x, à mesa do café, corte na casaca de outros que saíram da carruagem. Politicamente, tudo isso passa por mim como a água nas penas de um pato! O que já não suporto é que, durante anos a fio, o governo, desde sempre da mesma família política, tivesse feito a propaganda no sentido deste ser o melhor dos mundos e, afinal, passados 40 anos, falem de "abandono". Isto significa que fomos todos enganados e que, se assim aconteceu na pecuária, facilmente se adivinha da existência de muitos outros "abandonos".
Ilustração: Google Imagens.