quarta-feira, 20 de julho de 2016

A IV REVOLUÇÃO INDUSTRIAL ESTÁ À PORTA


Além da perda de cinco milhões de empregos nos próximos cinco anos, em todo o mundo, a quarta revolução industrial provocará "grandes perturbações não só no modelo dos negócios, mas também no mercado de trabalho"


"Em 1998, a Kodak tinha 170.000 funcionários e vendeu 85% de todo o papel fotográfico vendido no mundo. No curso de poucos anos, o modelo de negócios dela desapareceu e eles abriram falência. O que aconteceu com a Kodak vai acontecer com um monte de indústrias nos próximos 10 anos – e a maioria das pessoas não enxerga isso chegando. Você poderia imaginar em 1998 que 3 anos mais tarde você nunca mais iria registrar fotos em filme de papel?
No entanto, as câmeras digitais foram inventadas em 1975. As primeiras só tinham 10.000 pixels, mas seguiram a Lei de Moore. Assim como acontece com todas as tecnologias exponenciais, elas foram decepcionantes durante um longo tempo, até se tornarem imensamente superiores e dominantes em uns poucos anos. O mesmo acontecerá agora com a inteligência artificial, saúde, veículos autônomos e elétricos, com a educação, impressão em 3D, agricultura e empregos.
Bem-vindo à quarta Revolução Industrial!
O software irá destroçar a maioria das atividades tradicionais nos próximos 5-10 anos.
O UBER é apenas uma ferramenta de software, eles não são proprietários de carros e são agora a maior companhia de táxis do mundo. A AIRBNB é a maior companhia hoteleira do mundo, embora eles não sejam proprietários.
Inteligência Artificial: Computadores estão se tornando exponencialmente melhores no entendimento do mundo. Neste ano, um computador derrotou o melhor jogador de GO do mundo, 10 anos antes do previsto. Nos Estados Unidos, advogados jovens já não conseguem empregos. 
Com o WATSON, da IBM, V. pode conseguir aconselhamento legal (por enquanto em assuntos mais ou menos básicos) dentro de segundos, com 90% de exatidão se comparado com os 70% de exatidão quando feito por humanos. Por isso, se V. está estudando Direito, PARE imediatamente. Haverá 90% menos advogados no futuro, apenas especialistas permanecerão.
O WATSON já está ajudando enfermeiras a diagnosticar câncer, quatro vezes mais exatamente do que enfermeiras humanas. 
O FACEBOOK incorpora agora um software de reconhecimento de padrões que pode reconhecer faces melhor que os humanos. Em 2030, os computadores se tornarão mais inteligentes que os humanos.
Veículos autônomos: em 2018 os primeiros veículos dirigidos automaticamente aparecerão ao público. Ao redor de 2020, a indústria automobilística completa começará a ser demolida. Você não desejará mais possuir um automóvel. Nossos filhos jamais necessitarão de uma carteira de habilitação ou serão donos de um carro. 
Isso mudará as cidades, pois necessitaremos 90-95 % menos carros para isso. Poderemos transformar áreas de estacionamento em parques. Cerca de 1.200.000 pessoas morrem a cada ano em acidentes automobilísticos em todo o mundo. Temos agora um acidente a cada 100.000 km, mas com veículos auto-dirigidos isto cairá para um acidente a cada 10.000.000 de km. Isso salvará mais de 1.000.000 de vidas a cada ano.
A maioria das empresas de carros poderão falir. Companhias tradicionais de carros adotam a tática evolucionária e constroem carros melhores, enquanto as companhias tecnológicas (Tesla, Apple, Google) adotarão a tática revolucionária e construirão um computador sobre rodas. Eu falei com um monte de engenheiros da Volkswagen e da Audi: eles estão completamente aterrorizados com a TESLA.
Companhias seguradores terão problemas enormes porque, sem acidentes, o seguro se tornará 100 vezes mais barato. O modelo dos negócios de seguros de automóveis deles desaparecerá.
Os negócios imobiliários mudarão. Pelo fato de poderem trabalhar enquanto se deslocam, as pessoas vão se mudar para mais longe para viver em uma vizinhança mais bonita.
Carros elétricos se tornarão dominantes até 2020. As cidades serão menos ruidosas porque todos os carros rodarão eletricamente. A eletricidade se tornará incrivelmente barata e limpa: a energia solar tem estado em uma curva exponencial por 30 anos, mas somente agora V. pode sentir o impacto. No ano passado, foram montadas mais instalações solares que fósseis. O preço da energia solar vai cair de tal forma que todas as mineradoras de carvão cessarão atividades ao redor de 2025.
Com eletricidade barata teremos água abundante e barata. A dessalinização agora consome apenas 2 quilowatts/hora por metro cúbico. Não temos escassez de água na maioria dos locais, temos apenas escassez de água potável. Imagine o que será possível se cada um tiver tanta água limpa quanto desejar, quase sem custo.
Saúde: O preço do Tricorder X será anunciado este ano. Teremos companhias que irão construir um aparelho médico (chamado Tricorder na série Star Trek) que trabalha com o seu telefone, fazendo o escaneamento da sua retina, testa a sua amostra de sangue e analisa a sua respiração (bafômetro). Ele então analisa 54 bio-marcadores que identificarão praticamente qualquer doença. Vai ser barato, de tal forma que em poucos anos cada pessoa deste planeta terá acesso a medicina de padrão mundial praticamente de graça.
Impressão 3D: o preço da impressora 3D mais barata caiu de US$ 18.000 para US$ 400 em 10 anos. Neste mesmo intervalo, tornou-se 100 vezes mais rápida. Todas as maiores fábricas de sapatos começaram a imprimir sapatos 3D. Peças de reposição para aviões já são impressas em 3D em aeroportos remotos. 
A Estação Espacial tem agora uma impressora 3D que elimina a necessidade de se ter um monte de peças de reposição como era necessário anteriormente. No final deste ano, os novos smartphones terão capacidade de escanear em 3D. Você poderá então escanear o seu pé e imprimir sapatos perfeitos em sua casa. Na China, já imprimiram em 3D todo um edifício completo de escritórios de 6 andares. Lá por 2027, 10% de tudo que for produzido será impresso em 3D.
Oportunidades de negócios: Se V. pensa em um nicho no qual gostaria de entrar, pergunte a si mesmo: “SERÁ QUE TEREMOS ISSO NO FUTURO?” e, se a resposta for SIM, como V. poderá fazer isso acontecer mais cedo? Se não funcionar com o seu telefone, ESQUEÇA a idéia. E qualquer idéia projetada para o sucesso no século 20 estará fadada a falhar no século 21.
Trabalho: 70-80% dos empregos desaparecerão nos próximos 20 anos. Haverá uma porção de novos empregos, mas não está claro se haverá suficientes empregos novos em tempo tão exíguo.
Agricultura: haverá um robô agricultor de US$ 100,00 no futuro. Agricultores do 3º mundo poderão tornar-se gerentes das suas terras ao invés de trabalhar nelas todos os dias. A AEROPONIA necessitará de bem menos água. A primeira vitela produzida “in vitro” já está disponível e vai se tornar mais barata que a vitela natural da vaca ao redor de 2018. 
Atualmente, cerca de 30% de todos as superfícies agriculturáveis são ocupados por vacas. Imagine se tais espaços deixarem se ser usados desta forma. Há muitas iniciativas atuais de trazer proteína de insetos em breve para o mercado. Eles fornecem mais proteína que a carne. Deverá ser rotulada de FONTE ALTERNATIVA DE PROTEÍNA. (porque muitas pessoas ainda rejeitam ideias de comer insetos).
Existe um aplicativo chamado “moodies” (estados de humor) que já é capaz de dizer em que estado de humor V. está. Até 2020 haverá aplicativos que podem saber se V. está mentindo pelas suas expressões faciais. Imagine um debate político onde estiverem mostrando quando as pessoas estão dizendo a verdade e quando não estão.
O BITCOIN (dinheiro virtual) pode se tornar dominante este ano e poderá até mesmo tornar-se em moeda-reserva padrão.
Longevidade: atualmente, a expectativa de vida aumenta uns 3 meses por ano. Há quatro anos, a expectativa de vida costumava ser de 79 anos e agora é de 80 anos. O aumento em si também está aumentando e ao redor de 2036, haverá um aumento de mais de um ano por ano. Assim possamos todos viver vidas longas, longas, possivelmente bem mais que 100 anos.
Educação: os smartphones mais baratos já estão custando US$ 10,00 na África e na Ásia. Até 2020, 70% de todos os humanos terão um smartphone. Isso significa que cada um tem o mesmo acesso a educação de classe mundial. Cada criança poderá usar a academia KHAN para tudo o que uma criança aprende na escola nos países de Primeiro Mundo".
NOTA
Texto que me chegou através do meu Amigo José Sacadura. Transcrição integral e de acordo com o original.
IV REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
Udo Gollub em Messe Berlin 
(Conferência da Universidade da Singularidade)

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DA MADEIRA É COMPARÁVEL AO POKÉMON. PUMBA, JÁ FOSTE!


É a história do vira o disco e toca o mesmo. Chamam a isto "renovação" na continuidade. Eu designo, face aos tempos que correm, por política estúpida ou estupidez no exercício da política. Não é possível que em uma mancheia de propostas da oposição, hoje debatidas, todas tivessem levado chumbo por parte do PSD-Madeira. Ali a "época de caça" é todo ano. Desde que a Assembleia esteja aberta, é certo e sabido que a maioria utiliza-a ao jeito do Pokémon. Pumba, já foste!


É muito pouco inteligente. Podiam até engonhar, baixando as propostas às comissões para melhor análise, podiam conjugar o verbo negociar, mas nem isso, é logo ali, um "tiro" (leia-se votação) e fica despachado! 
Mas sempre foi assim. Desde que a Assembleia foi instalada há quarenta anos. Pode a oposição ter razão, pode um projecto ser consistente, fundamentado e oportuno, mas chumbam porque a lógica de funcionamento é essa. Lamentavelmente. 
Têm, obviamente, legitimidade para isso, uma vez que dispõem de maioria, presa por um fio, é certo, mas não deixa de ser maioria. Porém, quando em causa está o bem comum, pergunta-se se faz algum sentido a continuidade da arrogância e esse permanente quero, posso e mando. Até um dia que a actual maioria fique na situação de minoria parlamentar. O povo, parecendo não, está atento, às vezes enche e, silenciosamente, diz basta. Nas autárquicas de 2013, das onze, foram sete autarquias à vida!
Ilustração:  Google Imagens.

terça-feira, 19 de julho de 2016

SANÇÕES, SENHORES DA EUROPA? TENHAM VERGONHA.


Já mete repulsa este constante matracar na cabeça dos governantes e dos portugueses em geral. Todos os dias regressa a história das sanções. Alguns, até, pela forma como se posicionam, parece que se regozijam com o regresso da austeridade, com um tal plano b, com medidas adicionais, seguindo a cantoria externa e os poderes internos, neste caso, quer os do patronato da comunicação social, quer os de costela partidária. É apertar porque "o povo aguenta... aguenta". Um mínimo de bem-estar, através da reposição dos salários e reformas roubadas, a anulação das sobretaxas disto e daquilo, o aumento do salário mínimo, a restituição de vários abonos para quem é pobre, as 35 horas de trabalho que até deveriam ser para todos, enfim, para os senhores da Europa tudo aquilo são extravagâncias e não pode merecer aprovação. Mas por que raio devemos estar dependentes da sofisticada engrenagem que esmaga e, todos os dias, nos intimida?


Há dias, na página de facebook, o Dr. António Macedo deixou um comentário. Trago-o para este meu texto, enquanto reflexão, pelas preocupações enunciadas.
"Ao que consta, a decisão do Ecofine não foi unânime, tendo merecido a oposição da França e da Grécia (que provavelmente se esqueceu da antiga postura de Passos Coelho, em Bruxelas). É altura de Portugal e Espanha se juntarem a estes países, tentando arrastar também a Itália para poderem, mais facilmente, enfrentar o directório político que (des)governa a UE. Reafirmo o que há algum tempo venho escrevendo. Em conjunto, os países do Sul são auto-suficientes em agro-pecuária, têm capacidade industrial e tecnológica da melhor, possuem uma plataforma marítima imensa, para ser explorada e defendida da pirataria actual, estão numa posição geo estratégica privilegiada, mantêm fáceis relações com a África, América do Sul e Ásia. Tudo isto dá-nos força para impor mais respeito por parte dos nossos parceiros da UE. Somos europeus, todos ganharíamos com uma Europa forte e unida, mas não podemos aceitar sermos tratados como europeus de segunda. É urgente encontrar alguém com capacidade e determinação para liderar este processo e devolver a dignidade que, aos poucos, vamos perdendo. A não conseguirmos isto, temos que assumir que há mundo para além da Europa. Mundo que bem conhecemos e que nos (re)conhece. As manifestações de alegria pela vitória de Portugal no campeonato da Europa, ocorridas um pouco por todos os continentes, são disso a prova".
Sanções, senhores da Europa? Tenham vergonha.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

"NÃO, NÃO FORAM OS EXAMES...


Para promover o sucesso escolar e combater o abandono precoce não é de mecanismos de limpeza e de exames que precisamos. 


1. Os cursos vocacionais no ensino básico afastaram compulsivamente do ensino regular milhares de alunos, nos últimos anos. Alunos com historial de repetência e mais de 12 anos foram relegados para estes cursos, verdadeiros becos sem saída, que funcionaram, na prática, como mecanismos de “limpeza” das escolas no que respeita aos casos de insucesso escolar. 
Segundo dados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, no ano letivo 2013/14 matricularam-se naqueles cursos cerca de 10.000 alunos, do 2.º e do 3.º ciclo; no ano de 2014/15 foram já cerca de 24.000 os alunos matriculados; e no ano letivo que agora termina, foram cerca de 28.000. Com o tempo, o processo de eugenia do ensino regular ganharia mais eficácia, ficando nas escolas e no ensino regular apenas os considerados melhores. E assim se melhoraram os indicadores sobre os resultados escolares dos alunos do ensino regular. Não, não foram os exames, nem foi a maior exigência! 
2. Melhorar os resultados escolares através de mecanismos de seleção e de relegação dos alunos com dificuldades significa desistir de ensinar todos, significa condenar precocemente milhares de jovens a um futuro desqualificado e desqualificante, significa não cumprir o que está estabelecido na Lei de Bases, significa comprometer o futuro dos jovens e do país. 
Em boa hora, pois, o atual governo extinguiu o ensino vocacional, propondo às escolas, em alternativa, meios e condições para a promoção do sucesso escolar de todos os alunos, procurando transformar a diversidade existente nas escolas numa vantagem. Com esta decisão, no próximo ano letivo, o mecanismo de limpeza não funcionará plenamente. Os alunos com um histórico de insucesso escolar manter-se-ão no ensino regular e nas escolas, pelo que pode acontecer que as taxas de repetência venham a ser afetadas negativamente. Esperemos que não, mas se tal acontecer, será, por uma vez, por boas razões. 
3. Promover o sucesso escolar é o desafio mais importante e mais difícil enfrentado pelos professores e pelas escolas. Um desafio que exige atenção particular ao primeiro ciclo, onde tudo começa, e que requer a mobilização de recursos para o reforço das equipas e dos meios pedagógicos. Exige, sobretudo, mais tempo de trabalho e de estudo por parte dos alunos com os seus professores. 
Tão urgente como a promoção do sucesso escolar é o combate ao abandono escolar, evitando a saída antecipada de jovens que atingem os 15 anos de idade sem concluir o ensino básico. Tal requer ofertas alternativas de formação, do tipo dos Cursos de Educação Formação (CEF). Mas, ao contrário do que se passava com os cursos vocacionais, estes cursos devem servir para retirar alunos do abandono escolar, não para afastar alunos do ensino regular. 
Para promover o sucesso escolar e combater o abandono precoce não é de mecanismos de limpeza e de exames que precisamos. Os exames são apenas instrumentos de avaliação da qualidade das aprendizagens. São como os termómetros, permitem medir a febre, não curar da doença. Em nenhum país do mundo, em nenhum tempo histórico, em nenhum ciclo de ensino, os exames provocaram a melhoria dos resultados escolares. E o nosso país não é uma exceção. Não, não foram os exames! 
Por 
MARIA DE LURDES RODRIGUES 
Ex-ministra da Educação 
15/07/2016 
NOTA
Muitas vezes estive contra as posições da ex-ministra da Educação. Desta vez, assino por baixo.

domingo, 17 de julho de 2016

EUROPEU DE FUTEBOL... O POVO SAIU À RUA


Agora, julgo eu, que a euforia amainou, talvez seja tempo de uma outra reflexão. As praças encheram-se de pessoas, crianças, jovens, adultos, até com os de idade muito avançada, quase todos trajados com  as cores nacionais, elevaram cascóis, sofreram e explodiram de alegria, beberam e, fraternalmente, abraçaram-se e os foguetes estalejaram. No dia 11, no regresso, quase foi feriado nacional. Parafraseando a canção, o povo voltou a sair à rua, cantando se o rei (futebol) faz anos, que venha à praça, para nos conhecer! Foram 48 horas de êxtase, antes e depois daqueles 120 minutos na martirizada França e, depois, tudo regressou à normalidade. O fumo desapareceu no céu e as bandeiras e cascóis regressaram ao armário! Ficaram os novos "Comendadores". Mas isso é história para um outro comentário.

É tão fácil quanto difícil explicar que, sendo dois aspectos diferentes, eu sei, paradoxalmente, somos um dos povos com pior taxa de participação desportiva na Europa. Só nos superam pela negativa a Bulgária e Malta. Em Portugal não chega aos 30% os que assumem manter esse hábito com alguma regularidade. Não tem muitos anos, em estudos comparados e sujeitos ao mesmo protocolo, a taxa de participação dos portugueses não ia além dos 23%. Salienta a investigadora Salomé Marivoet: "(...) Sabia que apenas 57 por cento dos portugueses (dos 15 aos 74 anos) têm ou tiveram uma experiência desportiva, sendo que os restantes 43 por cento nunca praticaram desporto ao longo da sua vida? Esta é apenas uma das conclusões de um estudo elaborado pelo Centro de Estudos e Formação Desportiva, que reuniu todos os resultados num livro intitulado "Hábitos Desportivos da População Portuguesa". Mas fixemo-nos nos 30%, com muito boa vontade, e tenhamos presente que o intervalo 15/74 anos abrange milhares que estão na escola. Independentemente de outras e mais profundas considerações, podemos concluir da disparidade entre o comportamento exteriorizado pelo povo durante o europeu e uma prática desportiva assumida como bem cultural. As razões são múltiplas, aliás, há muito que aqui tenho deixado a minha opinião. Deixo, apenas, estes dados para reflexão. Pessoalmente, gostaria que a manifestação de amor à Pátria e o orgulho naqueles que nos representaram fossem mais coincidentes com uma prática regular da actividade física ou desportiva.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 16 de julho de 2016

"OS POLÍTICOS TÊM DE SE TORNAR DECENTES"


Na apresentação do livro do Doutor Eduardo Paz Ferreira, o ex-presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim assumiu que é "preciso fazer coisas novas" e que os políticos "têm que se tornar decentes". Seja qual for o contexto, obviamente, que se exige dos eleitos, dignidade, escrupuloso cumprimento das regras morais, éticas e de honestidade. O ex-presidente não disse mais do que qualquer cidadão espera do exercício da política. Por aí estamos conversados. Assino por baixo a declaração. O problema, porém, é outro. É que quem proferiu aquela declaração, no plano estrictamente político, apresenta um portfólio antítese do que sublinhou e que não o abona. Aliás, quase em simultâneo, o mesma figura viria a assumir que o antigo Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, é livre de escolher o seu futuro profissional. Significa isto, aceitar o lugar de presidente do Goldman Sachs. Nesta contradição, pergunto, onde param as regras éticas, morais e de honestidade? Onde para a decência? 


Ilustração: Inimigo Público. Aqui.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

DESABAFOS... A SOFREGUIDÃO PELO DINHEIRO


Tem já alguns anos, andava eu em visita a um país, não me recordo qual, metendo o corpo e todos os meus interesses e sentidos em tudo o que de mais importante havia para ver, saltando da zona histórica para os museus, catedrais, cantos e recantos citadinos, daqui para o pulsar do povo nas zonas mais concorridas e, no regresso, já em uma autoestrada, o amigo que me acompanhava disparou: "para ser feliz não é preciso ter muito dinheiro". Fomos até casa, ao longo de largos quilómetros, os dois casais conversando sobre o dinheiro e a felicidade. De facto, não é condição fundamental. Depois do que tínhamos visto, intensamente vivido e interiorizado, durante aquela jornada, sempre diferente todos os dias, de mochila às costas com um farnel de duas sandes, uns líquidos e fruta, máquina fotográfica e de vídeo, almoçando em um banco de jardim, aquele desabafo do meu Amigo fez todo o sentido. São tantas as vezes que a ele regresso. 


Isto a propósito de quê? Ah, do dinheiro e da louca correria para ser rico, muito rico, muitos sem tempo de vida para o gastar. Na véspera tínhamos falado dessa obsessão, pela banca, bolsas, offshore, investidores, lavagem de dinheiro, droga, armas, multinacionais, fuga aos impostos, negócios destinados a esmagar todos os outros, "desvios" e engenharias financeiras, Justiça, enfim, de toda essa engrenagem que, parecendo que não, estrangula a vida que deveria ser construída com um formato de sensatez. Nem por um momento sentimos inveja por quem o tem aos molhos, tampouco falámos de pessoas em concreto. Tudo de forma abstracta, na essência do que é ou deveria ser a vida, que é tão curta, face aos direitos, os fundamentais, os da saúde, educação, trabalho e protecção social.
O dinheiro, obviamente que é necessário, rigorosamente nada se faz sem ele, mas, convenhamos, há limites. A sofreguidão de uns compagina-se com a infelicidade da maioria. A desmedida ambição que sustenta o crescimento rápido acaba, genericamente, com danos colaterais. Dirão, uns: "é a vida"; digo eu: é a selva. Ainda ontem vivi, em discurso directo, uma situação que considero de emprego escravo, mal remunerado e que impede o acesso da maioria a essa felicidade sem muito dinheiro. Sublinho a palavra muito. O dinheiro está, cada vez mais, concentrado em alguns. Não é preciso dar exemplos de países de mão-de-obra baratíssima, de total exploração do ser humano, quando ao nosso lado os temos. É a história daquela jovem que encontrei em uma determinada empresa, muito conhecida. Talvez porque sou habitual cliente, essa proximidade conduziu-a a desabar, já não sei a que propósito: "tenho quase um ano de trabalho, mas sei que vou embora. Aqui ninguém pára ao final de x contratos. Já comecei a procurar emprego. Até para ir à casa de banho é preciso pedir ao encarregado. Temos hora de entrada, mas de saída nem por isso. Um salário mínimo e para ter mais algum é preciso vender, é preciso superar os objectivos. Mas como superar se as pessoas não têm dinheiro para comprar?" Pois, respondi-lhe, a exploração de milhares permite o desafogo desmedido de outros. Questiono, agora, para quê esta sofreguidão, precariedade e à custa de baixos salários?
As empresas, obviamente, não são instituições de solidariedade social. Existem para gerar emprego e possibilitar lucros. O problema não é esse. É sobretudo de equilíbrio, de rigor no trabalho, mas também de respeito por todos os que colaboram no êxito. O problema é como se cresce e se cria riqueza, se pela luta honesta diária, se pela desonestidade geradora de infelicidade. Regressando ao início, quando não é preciso MUITO dinheiro para ser feliz, repito, nesta curtíssima passagem pela vida.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

POLÍTICA EDUCATIVA - TAL COMO NAS CEREJAS, ESTE ANO, DEU O BICHO!


A Jornalista Paula Henriques, do DN-Madeira, sobre os exames de 9.º ano, atribuiu o título: "Médias em queda, reprovações a subir" (...) "O barco não está a chegar a bom porto. Os alunos da Madeira tiveram piores resultados do que os nacionais nas provas finais do Ensino Básico referentes ao 3.º Ciclo realizadas na Região pelos mais de 2.500 estudantes de 9.º ano, revelam os dados divulgados ontem pelo Ministério da Educação e pela Secretaria Regional de Educação. 56,3% chumbaram na prova de Matemática e 27,4% reprovaram a Português, o que quer dizer que mais de 1.400 não teve sucesso na prova de Matemática e que mais de 680 não conseguiram chegar à meta em Português.(...)". Do meu ponto de vista, constituem resultados absolutamente normais. Em uns anos é sensível o entusiasmo dos governantes ao jeito de "estamos a melhorar" (...) "foi melhor que no ano anterior"; em outros anos apresentam-se de cabisbaixo. Não percebem ou não querem perceber que existem múltiplas variáveis que determinam que assim seja, aliás, já bastas vezes equacionados. De uma coisa estou absolutamente convicto, é que se não mudarem o paradigma do sistema educativo, não só os resultados não serão proporcionais ao investimento, como se manterá esta oscilação entre a esperança e o desânimo.


Pergunto, e agora senhores governantes? Tal como tem sido apanágio vão aumentar o número de horas semanais de Matemática e de Português, convencidos que, se não entra a bem entrará a mal? Ou irão aproveitar para reflectir, profundamente, sobre o sistema na sua globalidade? Li, no DN, que "a Secretaria Regional de Educação vai divulgar em breve a análise detalhada dos resultados das Provas do 3.º Ciclo, nomeadamente a distribuição por escolas e concelhos". Mas para quê essa maçada? Para, eventualmente, expor e agredir as escolas e os professores pelos "maus resultados", atirando para os outros responsabilidades que são próprias? Para, subtilmente, "avaliar" os professores? Quando deveriam saber que não existem dois estabelecimentos iguais e dois públicos iguais? Que o problema assenta, fundamentalmente, em preocupações de natureza organizacional, curricular, programática, pedagógica e, a montante, de natureza social? Para quê perder tempo, quando deveriam estar a estudar, para implementar, as bases de uma nova escola e, consequentemente, as bases de uma nova aprendizagem? 
Sou, como tantas vezes aqui tenho escrito, contrário à realização de exames em todo o Ensino Básico. Não é pela via dos exames que se acrescenta seja lá o que for. Há estudos e pensamento sobre esta matéria. Consultem. Sou pela avaliação de natureza contínua (muito mais complexa que um exame), de base formativa inteligente e rigorosa, inclusiva, não punitiva e de exclusão, mais, ainda, por uma aprendizagem baseada na complexidade dos fenómenos. A vida real não se divide em disciplinas. Não se deve, por isso mesmo, "aprender" a esquecer, mas a ganhar o gosto em aprender a desaprender para voltar a aprender. A complexidade da vida e a necessidade de adaptações sistemáticas à multiplicidade de situações, inclusive a profissional, necessitam de uma aprendizagem que não se confine aos manuais e aos rígidos programas, ao jeito de um pronto-a-vestir. A uns o fatinho serve, a outros não! O Professor Sérgio Niza deixou claro nas páginas do Diário, tem já algum tempo: a Escola actual "não serve... é do tempo dos nossos avós".
Por outro lado, disse e bem o Primeiro-ministro, Dr. António Costa, quando determinou o fim dos exames no 1º ciclo: "tal como um raio x não cura um doente também um exame não faz a aprendizagem dos alunos". Certo. Por paradoxal que possa parecer, Hélder de Sousa, director do organismo responsável pelos exames nacionais (IAVE), penso que ainda é o mesmo, em entrevista ao Público, em Junho de 2015, assumiu que os exames não estão a gerar melhorias das aprendizagens. Então, pergunta-se, por que insistem?
Dizia-me um colega que, este ano, tal como nas cerejas, deu o bicho. Talvez para o ano não dê. Certo é que a "produção" será, como sempre foi, escassa. Pensem nisso. Pensem, tal como escreveu a jornalista: "Médias em queda, reprovações a subir" (...) "O barco não está a chegar a bom porto (...). Por este caminho jamais chegará. Há muito que está encalhado. Só desmantelando-o!
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

UMA SANSÃO DE 0% É RIDÍCULA, MAS, POLITICAMENTE, É UMA IGNOMÍNIA DESTA EUROPA



Cada vez estou mais farto desta União Europeia. Não propriamente da União, mas de uma certa jagunçada unida para levar a água ao seu moinho triturador dos povos. Sinto-me cada vez mais afastado e revoltado face a esta pouca-vergonha, qual remoinho onde mergulhámos. Diziam e influenciaram-nos, lembram-se, pateticamente, que estávamos no "pelotão da frente" da moeda única, deixando de lado as diferenças de produtividade e tudo quanto este aspecto influenciaria. A situação hoje é de debilidade, porque à crise fabricada externa e intencionalmente (muitos ganharam com ela), junta-se uma espécie de abutres, de garras e bico afiados, sem qualquer pejo em alimentar-se de quem já pouco tem para dar.    



A decisão do Ecofin de "apoiar a recomendação da Comissão Europeia de accionar o processo de sanção a Portugal, que pode ir até 0,2% do PIB", pelo facto de ter ultrapassado o défice de 3% (3,2%) em 2015, confirma, entre outras, duas coisas: primeira, que a possibilidade de uma sanção de 0%, sendo ridícula, é, politicamente, uma ignomínia desta Europa a um Estado membro; segunda, mesmo que a "sanção", repito, ridiculamente, seja de 0%, não deixa de constituir um grave e público puxão de orelhas ao governo português na perspectiva de, oiçam bem, aqui mandamos nós! Não interessa que outros, ao longo de todo o tempo, inclusive a Alemanha (5) e a França (10), tenham ultrapassado os limites do défice. Consta-me que 23 dos 28 já o ultrapassaram sem que nada lhes tivesse acontecido. Estranho? Talvez não. Mesmo que não queira, acabo por me aproximar da tese que há olhares enviesados relativamente à solução governativa em Portugal e que, em Espanha, a instabilidade política também conduza a olhares desconfiados e preocupados aos senhores desta Europa de políticos menores.  
E se for de 0% (?) o paradoxal "castigo", parece-me óbvio, não deixará dúvidas, será acompanhada, certamente, de uma recomendação: têm de apresentar novas medidas de austeridade ou seja lá o que for. No decorrer de 2016, a vacina terá de ser aplicada. Têm de cortar, cortar e cortar, têm de roubar aos pobres para favorecer os ricos. De que vale, questiono, o povo argumentar que andou, desde 2009, permitam-me a expressão, a "levar na corneta", que foram extorquidos por todos os lados entre 2011 e 2015, encostado à parede, sobretudo as populações vulneráveis, jovens e idosos, aposentados e pensionistas, que o mundo laboral foi desregulado e é hoje, genericamente, um mundo cão de precariedade e que, consequência dessas políticas, aumentou o desemprego e a emigração e a melhoria não se verificou? De que vale dizer que somos pobres mas honrados e que vários milhões sobrevivem? De que vale, quando estes senhores(as) da Europa dos Comissários são peças dentadas de outras invisíveis, não correias de transmissão da vontade dos cidadãos, mas dos movimentos financeiros, construtores de uma Europa onde uns são mais iguais que outros? Em uma Europa que esmaga, tritura e impõe as regras que quer e entende, de que vale a lamúria da injustiça quando têm, no actual quadro político, a faca e o queijo na mão?
Uma coisa é certa, estou disso convencido, esta União Europeia insensível, de cócoras para os mercados, submissa e rastejante, distante dos povos e bem instalada, caminha, infelizmente, para o colapso, porque não são os milhões que, diariamente, aqui chegam, como dádiva, vergarão a dignidade da esmagadora maioria que sofre. Um dia o elástico rebenta!
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 12 de julho de 2016

ODE AO DESPORTO... "TU ÉS A PAZ"


Através da página online, do DN-Madeira, vi este vídeo. Segui e fui-me comovendo. Lembrei-me da "Ode ao Desporto" do Barão Pierre de Coubertin, pedagogo e historiador francês, que ficou para a história como o fundador dos Jogos Olímpicos da era moderna: "Ó Desporto, tu és a paz! Estabeleces relações felizes entre os Povos (...)". Aqui fica o vídeo da criança que, de forma sublime, aconchega um adepto francês, ao ponto deste abraçá-lo. Que gesto tão belo, quando se assiste, diariamente, a tanto "comentário incendiário" que tornam o desporto naquilo que nunca deveria ser. 



Barão Pierre de Coubertin
I "Ó Desporto, prazer dos Deuses! Essência da vida (...)
II Ó Desporto, tu és a beleza! És o arquitecto deste edifício que é o corpo, que pode tornar-se abjecto ou sublime, se degrada na vileza das paixões, ou saudavelmente se cultiva no esforço. (...)
III Ó Desporto, tu és a Justiça! A equidade perfeita, em vão perseguida pelos Homens nas instituições sociais, estabelece-se, por si própria, à tua volta. (...)
IV Ó Desporto, tu és a audácia! Todo o sentido do esforço muscular se resume numa única palavra: ousar. (...)
V Ó Desporto, tu és a Honra! Os títulos que tu conferes não têm qualquer valor se adquiridos por meios diferentes da lealdade absoluta. (...)
VI Ó Desporto, tu és a alegria! Ao teu chamamento o corpo alegra-se, os olhos sorriem e o sangue circula. (...)
VII Ó Desporto, tu és a fecundidade! Por vias indirectas e nobres, encaminhas ao aperfeiçoamento. (...)
VIII Ó Desporto, tu és o progresso! Para bem te servir é necessário que o Homem se aperfeiçoe no corpo e na alma. (...)
IX Ó Desporto, tu és a paz! Estabeleces relações felizes entre os Povos, aproximando-os no culto da força dominada. (...)"
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

EUROPEU DE FUTEBOL... QUE BOFETADA DE LUVA BRANCA!


Obviamente que fiquei feliz com a vitória portuguesa no Europeu de futebol. Diria mais, fiquei muito feliz. Confesso, porém, que não sou daqueles que vão para as praças para viver, colectivamente, estes momentos. Sou assim, nada a fazer. O que não significa que, por exemplo, não me comova quando oiço o nosso hino nacional ou a bandeira que sobe o mastro quando alguém atinge o mais alto lugar do pódio. Simplesmente porque os atletas são as extensões do nosso orgulho pátrio. Todavia, há um mas, há sempre um mas...


Milhares e milhares em praças, milhares no aeroporto para saudarem os campeões, televisões e rádios em directo para outros milhões, eu próprio estou aqui a escrever com os olhos colados à televisão, enfim, compreendo tudo isto, compreendo a força do futebol que é universal, compreendo, no que a Portugal diz respeito, perante tanta desilusão na vida de tanta gente, uma alegria faça explodir sentimentos profundos. Compreendo o entusiasmo de todos os emigrantes porque aquela vitória acaba por ajudar a mitigar a distância e, muitas vezes, os olhares distantes nos países onde trabalham. Mas há um aspecto que me encheu de felicidade: a bofetada de luva branca de um povo a todos quantos andam a brincar com a nossa infindável paciência, considerando-nos uns pobres coitados onde a austeridade tem de ser exemplo para os demais. A Alemanha e a França, entre outros, Juncker, Shäuble, Lagarde e quejandos que nos deixem da mão e que nos respeitem.
Por outro  que lado, agora no plano interno, que felicidade também sentiria se este nosso povo, que se movimenta pletórico de energia, de entusiasmo e de felicidade, também soubesse sair à rua aos milhares, com superior disciplina, para dizer não a esta Europa que espezinha, maltrata, impõe regras vergonhosas conducentes à pobreza. O povo não vive de futebóis e de ídolos, vive do seu emprego, dos direitos ao trabalho, à educação, à saúde e à segurança social. E todos esses direitos estão cada vez mais ameaçados por essa gentinha política que, rigorosamente, nada tem de estadistas, antes de políticos oportunistas ao serviço de interesses que a esmagadora maioria da população não descortina. 
Parabéns Portugal, mas não fiquemos por um dia histórico. Há mais vida para além do futebol.
Ilustração: Arquivo próprio e Google Imagens.  

DURÃO BARROSO PRESIDENTE DO GOLDMAN SACHS, O GRANDE "SUPERMERCADO DA ESPECULAÇÃO E RISCO"


Disse Durão Barroso que é "preso por ter cão e por não o ter". Não é isso que está em causa. Fundamental é perceber como é que as aranhas deste sistema político se movimentam, criando teias e esmagando os mais vulneráveis. Durão Barroso é mais uma aranha venenosa nesta teia gigantesca de corrupção política e financeira. Deveria ter um pouco de vergonha. Vale a pena seguir este vídeo de 2012.

 
GOLDMAN SACHS - O BANCO QUE DIRIGE O MUNDO / La Banque qui Dirige le Monde (2012) from fimda estrada on Vimeo.

domingo, 10 de julho de 2016

DOIS IMPORTANTES TEXTOS




"(...) É extremamente preocupante a ausência da comunicação social portuguesa ante o descalabro europeu. É preciso acentuar que a União Europeia já o não é. O egoísmo sobrepôs-se aos grandes princípios do humanismo e da solidariedade que fundamentaram o seu nascimento, e, hoje, o nosso continente mais não é do que um condomínio fechado e cercado de arame farpado. As "reportagens" apresentadas pelas televisões portuguesas são gemidos mal-enjorcados em que a verdadeira natureza dos factos fica encoberta pelo horror dos acampamentos de refugiados, com miúdos a olhar-nos já sem lágrimas, mulheres cobertas de espanto e de medo, e homens encerrados na sua própria tragédia. 
A matança de inocentes não pára, enquanto senhores muito consideráveis discutem, nos areópagos internacionais, banalidades e ineficácias. Já o disse e repito: não preciso desta falaciosa União para ser europeu; mais: não quero ser europeu desta União, mandada pela Alemanha da finança e dos negócios. Não quero ser alemão. Estou preocupado, na minha velha pele portuguesa, pelo descalabro moral, político e económico em que o continente todos os dias se apresenta. (...)"


"(...) Numa estratégia indireta, Berlim escolheu Portugal como o elo mais fraco para reafirmar a sua hegemonia, mostrando que depois do brexit o cilício do Tratado Orçamental ainda aperta mais fundo. Como num crime friamente premeditado, sabendo o poder aterrorizador das suas palavras, Schäuble e Regling assobiam para que a matilha dos especuladores de mercado identifique Portugal como uma presa. A subida dos juros da dívida reflete que o alvo foi claramente identificado. O objetivo será sancionar Lisboa por défice excessivo. Se isso acontecer, Berlim arranjará maneira de livrar Madrid, para que o castigo não provoque demasiadas contracorrentes.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 9 de julho de 2016

DURÃO BARROSO UM DOS "GATOS GORDOS" DA UNIÃO EUROPEIA


Se esta Europa está como está, desprestigiada e sem rumo, a Durão Barroso se deve. Foram dez de presidência da Comissão Europeia, onde teve tudo para corrigir o que há muito vinha sendo desenhado. Escrevi em 10.11.2013: "(...) do que é conhecido, porque a História divulgará muito mais, a Europa tem, como Presidente da Comissão, um pau mandado. Serve os interesses ideológicos instalados". Razão tinha Henry Kissinger, um membro permanente de Bilderberg, aquando da assunção de responsabilidades de Durão Barroso na Comissão Europeia: é "indiscutivelmente o pior primeiro-ministro na recente história política. Mas será o nosso homem na Europa". E foi. Barroso é um político que segue a verdadeira estratégia do Clube Bilderberg que tem o propósito de criar um governo totalitário mundial. Sobre Durão Barroso, diz Estulin, estudioso de Bilderberg: "(…) é tido, nas altas esferas da governação europeia e mundial, como o perfeito instrumento do Clube Bilderberg". Ele e tantas "personalidades" são jogadoras neste tabuleiro de interesses mundiais. Uns protegem os outros. Juntos formam uma seita política. Uns ocupam determinadas cadeiras de poder ao mais alto nível, outros são correias de transmissão desse poder avassalador.

A "elite" europeia vale zero e não tem vergonha

Portanto, não é de estranhar que a Goldman Sachs International (GSI) tivesse anunciado ontem a nomeação de Durão Barroso para seu presidente não executivo e consultor do banco de investimento. "A sua perspectiva, capacidade de avaliação e aconselhamento irão acrescentar muito valor ao Conselho de Administração da Goldman Sachs International, à Goldman Sachs, aos seus accionistas e trabalhadores", referiu a instituição com sede em Nova Iorque, através de comunicado. De facto eles sabem quem recrutar e sabem também que todo o trabalhinho político sujo tem de ser compensado. Após um breve período de teórico afastamento, lá está o "pagamento" político pelos serviços prestados. 
É óbvio que Durão Barroso e tantos outros têm de viver e que há mais vida para além do exercício da política. Porém, leio na página da TVI de 27.10.2014: Durão Barroso vai receber uma pensão vitalícia de 132 mil euros por ano, o equivalente a 11 mil euros por mês, avança o "Daily Mail" (...) No regresso a Portugal, Durão Barroso vai receber, ainda, um subsídio de «transição» e de «reintegração» durante os próximos três anos, que pode chegar aos 200 mil euros, por cada ano. Para além disso, o antigo primeiro-ministro vai ganhar também um salário extra de 25 mil euros, mais despesas de deslocação". Este facto levou a uma condenação pelos deputados conservadores britânicos por causa da "ganância e arrogância dos gatos gordos da UE". Segue-se, agora, a Goldman Sachs International. Portanto, questiona-se, a nós, cidadãos, o que fazer em função da existência de uma engrenagem que permite a existência de "gatos gordos" no xadrez político internacional? Afinal, percebe-se agora, para quem é que ele esteve a politicar durante dez anos. Aliás, acompanho a posição de Jorge Costa, dirigente e deputado do Bloco de Esquerda, que assumiu que "em vez de responder pelo crime da guerra do Iraque, Barroso recicla-se no gangsterismo financeiro global”. Está tudo dito. Pelo menos para mim.
Nota
Texto a consultar AQUI.
http://comqueentao.blogspot.pt/2009/06/nao-ha-qualquer-interesse-nacional-na.html

sexta-feira, 8 de julho de 2016

OS EMIGRANTES MADEIRENSES PRECISAM DE ACÇÕES, NÃO DE PALAVRAS!


É o que me dizia, em função do contexto, sem qualquer ofensa, um dirigente associativo, se bem me recordo, em Maracay, centro-norte da Venezuela. Após um almoço com a direcção da "Casa Portuguesa", em amena e simpática cavaqueira, esse dirigente disse-me mais ou menos isto: não façam como os outros que vêm aqui, "mamam" um almocinho e nada feito. Passados tantos anos, o disparo desse dirigente encaixa no centro do alvo. É essa a leitura que faço. Infelizmente. 

Imagens da visita à Venezuela em finais de 1998
O secretário regional, Dr. Sérgio Marques, regressou da Venezuela. Há dias escutei-o na TSF sobre os resultados de tal visita. Pelos emigrantes madeirenses que lá vivem, alguns milhares em dificuldades extremas, mesmo antes desta revoltante crise governativa, sinceramente, senti tristeza, porque os nossos conterrâneos mereciam melhor. Em missão política estive na Venezuela duas vezes. Na primeira, decorria a campanha que conduziu Hugo Chavez ao poder. Na segunda, uma semana depois da tragédia de Vargas, onde fui portador, em nome do Grupo Parlamentar do PS, de um cheque de três mil contos entregue à Missão Católica Portuguesa, dirigida pelo Padre madeirense Alexandre Mendonça. Na primeira visita acompanhei o Dr. Mota Torres, na altura presidente do PS-Madeira. Percorremos todos os pontos fundamentais, de Caracas até Valência. Do extenso programa visitámos e reunimos, desde a embaixada ao ministério dos negócios estrangeiros, candidatos à presidência, às instituições de solidariedade social, clubes, associações e academias. Ouvimos as pessoas, os professores, os empresários, entre outros, com o falecido Agostinho Macedo, fundador da Central Madeirense, escutámos, de todos, as suas angústias e os seus anseios. Momentos houve de comoção pela narração das dificuldades, mas também de exaltação pelo trabalho abnegado e de grande sucesso. Dessas visitas foram elaborados relatórios e entregues às entidades. 
Tragédia em VARGAS
Entretanto, passaram-se mais de quinze anos e a lengalenga do governo continua, daí a tristeza que senti e sinto. Tantos congressos realizados na Madeira, amiudadas visitas a todo o lado, almoços e jantares, discursos no "Dia da Região", festins e a verdade é que, exceptuando um tal "plano de emergência" em função do caos político, económico e social agora vivido na decorrência de um tal Maduro, o essencial continua na mesma. Escutei, novamente, preocupações sobre a língua, a cultura e uma aproximação ao tecido empresarial, aspectos requentados que não avançam. Há qualquer coisa que dá a entender uma aproximação aos madeirenses emigrados, mas que não ultrapassa as aparências. Fica bem deles falar, mas tudo morre na casca por mais fóruns, congressos e visitas que realizem. 
É o que me dizia, em função do contexto, sem qualquer ofensa, um dirigente associativo, se bem me recordo, em Maracay, centro-norte da Venezuela. Após um almoço com a direcção da "Casa Portuguesa", em amena e simpática cavaqueira, esse dirigente disse-me mais ou menos isto: não façam como os outros que vêm aqui, "mamam" um almocinho e nada feito. Passados tantos anos, o disparo desse dirigente encaixa no centro do alvo. É essa a leitura que faço. Infelizmente. Da parte que nos tocou, tentámos ajudar, remetendo centenas de manuais escolares para os centros de aprendizagem do português e, até, no folclore, desenvolvemos acções tendentes à formação técnica, aspecto que, após alerta, quem de direito não deu um passo. Por tudo isto, Dr. Sérgio Marques, menos conversa e mais acções concretas. Porque a um governo não basta visitar ou reunir, o mais importante é o desenvolvimento das iniciativas por eles sugeridas. 
Ilustração: Arquivo próprio.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

ESTE SISTEMA EDUCATIVO BLOQUEIA A CURIOSIDADE, LOGO EMPAREDA A APRENDIZAGEM


“Significará repetir os manuais ou a aprendizagem encerra fenómenos muito mais complexos que estão muito para além da segmentação das disciplinas curriculares?” A questão fica no ar. Significativo, diz, “é o facto de, em função do número de ‘insucessos’ a Região ter deitado ao lixo cerca de 17 milhões de Euros, partindo do pressuposto que cada aluno, em média, custa mais de €4.500,00. Ora, o problema deve ser analisado não pelo lado da percentagem de ‘reprovados’, mas pelo lado do que o sistema deveria ter realizado, a montante e a jusante, no sentido de uma escola que não repita o passado e que seja fermento para o futuro”.


Foram divulgadas as taxas de retenção escolar. A Jornalista do DN-Madeira, Paula Henriques, ouviu vários elementos. Dei o meu contributo para esse trabalho. Aqui fica o texto da jornalista.  

“Nós sabemos que muitas vezes há da parte de algumas direcções de escola pressões para que artificialmente passem os alunos. Isso não quer dizer absolutamente nada em termos de conhecimento”, reage Francisco Oliveira à notícia da redução das Taxas de Retenção e Abandono Escolar referentes a 2014/2015. Segundo o presidente do Sindicato dos Professores da Madeira, “é muito fácil haver menos retenções artificiais”. Comparando com os números do país, diz que a Madeira “não está fora do que é normal”.
Mais do que a leitura superficial das percentagens, interessa questionar as razões mais substantivas do ‘insucesso’”, alerta também André Escórcio, um antigo professor, ex-dirigente socialista e estudioso do tema da educação. Por detrás dos números dos chumbos na Madeira, o autor do blogue comqueentao.blogspot.com identifica causas e coloca a tónica, não nos números, mas nas pessoas. E questiona se os mais de 3.800 alunos que não transitaram de ano não teriam tido sucesso num outro tipo de enquadramento organizacional e pedagógico.
As causas para os alunos não conseguirem bons resultados na escola são múltiplas. A montante identifica as famílias, a pobreza, o desemprego e uma cultura que não é geradora de sucesso. A jusante há as outras, “consequência do próprio Sistema Educativo, absolutamente desadequado do tempo que vivemos”, entende. Fala de “um sistema que se diz inclusivo, mas que favorece a exclusão. O sistema repete o modelo da Sociedade Industrial que não se compagina com as necessidades de uma sociedade da tecnologia e da informação. O desencontro é evidente”.
Defende ainda a necessidade de repensar o que é o sucesso. “Significará repetir os manuais ou a aprendizagem encerra fenómenos muito mais complexos que estão muito para além da segmentação das disciplinas curriculares?” A questão fica no ar. Significativo, diz, “é o facto de, em função do número de ‘insucessos’ a Região ter deitado ao lixo cerca de 17 milhões de Euros, partindo do pressuposto que cada aluno, em média, custa mais de €4.500,00. Ora, o problema deve ser analisado não pelo lado da percentagem de ‘reprovados’, mas pelo lado do que o sistema deveria ter realizado, a montante e a jusante, no sentido de uma escola que não repita o passado e que seja fermento para o futuro”.
A melhoria nos números não é o mesmo que melhoria na aprendizagem, são aspectos diferentes e por detrás dos números, recorda que se escondem muitas e distintas realidades. Define o actual sistema como muito heterónomo, que “assenta em rituais de pressuposta aprendizagem, que ninguém questiona, até por obediência e sobrevivência profissional. A aprendizagem tem uma outra dimensão, pois obriga a pensar e a questionar os porquês”. Este sistema, lamenta, “bloqueia a curiosidade, logo empareda a aprendizagem.”
Olhando para o presente, André Escórcio não encontra um projecto portador de futuro. “A escola que deveria estar na dianteira da sociedade, liderando-a, foi ultrapassada e, hoje, arrasta-se nas respostas às necessidades. Tudo o que a sociedade não resolve, pedem à escola que resolva”. Nas sua opinião, os responsáveis pelo actual sistema deviam questionar as razões das taxas publicadas. “Não é por acaso que muitos jovens dizem que a escola é uma ‘seca’. São múltiplas as razões, mas razão tinha o pedagogo Rubem Alves quando disse que para os ‘burocratas o que interessa é o que vem nos relatórios, não as crianças’”.
André Escórcio acredita que é preciso mudar o sistema educativo. “Resta-nos romper com o passado, não com acertos marginais, mas estruturais que implicam o pensamento acerca do futuro. Estão em causa os currículos, os programas, o paradigma organizacional, o pensamento pedagógico, a autonomia dos estabelecimentos de educação e ensino, a reorganização da sociedade, mormente os tempos laborais, as questões da família, do desemprego e da pobreza, que mais escola não significa melhor escola, enfim, está por desenhar tudo quanto investigadores, pensadores e autores há muito alertam.”
Enquanto isso não acontece, reter ou não reter continua a ser uma questão polémica. O que acontece, explica o Francisco Oliveira, é que porque no 1.º ano as retenções são situações excepcionais, no 2.º aumentam. 
No modelo ideal não haveria retenções, os alunos recuperariam com a ajuda dos professores e de toda a comunidade educativa. “Nós não vivemos num modelo ideal”, lamenta, e o que acontece, revela, é que os alunos, porque sabem que não chumbam, interessam-se ainda menos. Por outro lado, “a própria sociedade exige que a escola seja selectiva”, que as avaliações correspondam aos que os alunos vão aprendendo. 
Os professores só retêm quando os alunos não cumprem os critérios definidos no início do ano nas escolas e comunicados aos pais, assegura. E não são indiferentes ao insucesso, acredita o presidente do Sindicato. “A grande maioria dos professores sofre com as retenções”. Nem tampouco podem as retenções servir para avaliar o trabalho do docente. Francisco Oliveira recorda que há turmas “muito complicadas” com maiores dificuldades, sobretudo em determinadas zonas, em ambientes em que não há valorização da escola. Por vezes, diz, “conseguem autênticos milagres” e muitas vezes, os que têm piores resultados são os professores que se dedicam mais.
NOTA
Todo o texto AQUI 

quarta-feira, 6 de julho de 2016

DO NOSSO JARDIM... FLORES PARA PORTUGAL




Sanções europeias sim, sanções talvez, sanções não. Nem eles sabem o que querem. Por aproximação ao futebol, andam de prolongamento em prolongamento, de massacre em massacre psicológico, que nada ajudam a saída deste sufoco financeiro que varreu e varre a Europa. Deveriam tais senhores usar a legenda da UEFA "Respect" nas relações connosco. E porque aqueles que nos representam são as extensões do nosso orgulho enquanto Povo, nesta noite de afirmação, deixo à equipa nacional uma composição com flores do jardim que trato na descontração do fim-de-semana.

terça-feira, 5 de julho de 2016

SISTEMA EDUCATIVO - DUAS NOTAS


Primeira
Por encomenda ou por convicção, um Senhor Deputado do PSD-Madeira, esta manhã, no Parlamento, defendeu a escola privada apoiada pelo orçamento regional. Trata-se de um tema que está completamente esgotado, mas que alguém sente a necessidade de justificar os € 26.000.000,00 anuais que saem dos impostos de todos para alimentar o funcionamento de um sector que deveria bastar-se através de receitas próprias. Senhor Deputado, às famílias deve ser garantida a liberdade de escolha do sector e do estabelecimento de ensino que pretendem, mas também devem assumir as suas responsabilidades. Sabe o Senhor Deputado que, tal como nos hospitais, nos estabelecimentos de educação e de ensino falta muita coisa. Diariamente, é o estica, estica, para que sejam disfarçadas as carências. E o Senhor, como Deputado, deveria assumir como preocupação primeira a ESCOLA PÚBLICA e não a escola de natureza empresarial. 


Segunda
O problema do Sistema Educativo não está no número de dias de escola em 2016/2017. Se tem mais ou menos dias de clausura é coisa pouco relevante. Importante seria determinar e anunciar se o menu será o mesmo ou se a alguma mudança vai acontecer, através de palavras muito simples: porquê, quando, como, onde e com que meios! O resto, o número de  dias, os períodos de pausa, tudo isso é de somenos importância. É apenas administrativo. É o mesmo que dizer que o 25 de Dezembro de 2016 calha em um Domingo e que as Missas do Parto começam no dia x. 
Ora, isto é preocupante, quando um governo o que tem para anunciar é o calendário. Significa isto que 2016/2017 será igual a todos os outros, assente na mesma linha de pensamento que se arrasta há muitas dezenas de anos. Eu não diria preocupante, mas dramático, quando o governo prefere a rotina à inovação. Ainda há dias aqui publiquei um vídeo sobre o pensamento de Ken Robinson (aqui). Está lá tudo. Não é preciso a secretaria da Educação "inventar a roda", bastar-lhe-ia projectar a oito, doze, dezasseis, vinte anos, o caminho da mudança necessária que poderá gerar uma escola do século XXI em contraponto a esta escola do Século XVIII/XIX. O governo deveria ter presente que esta é a escola e a organização social que mata a capacidade de criação, exclui, promove o insucesso e o abandono. Alguns (muitos) safam-se, a maioria dos quais oriunda de famílias com uma estrutura mais sólida a vários níveis. Uma grande parte fica pelo caminho. Até o leite de má qualidade faz nata! 
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

POLITICAMENTE JUNTINHOS... EMBORA DISFARCEM


Os leitores conhecem o provérbio "pimenta no rabo dos outros é refresco". Dele me lembrei quando escutei a ex-ministra das Finanças Maria Luis Albuquerque dizer, a propósito das hipotéticas sanções europeias a Portugal por causa do défice excessivo: "(...) se eu fosse ministra das Finanças estas questões, seguramente, não se colocavam". Ora bem, a Senhora que não tem espelho que se enxergue, nem notou: primeiro, que lhe fica mal, muito mal, dizer o que disse. É verdade que "presunção e água benta, cada qual toma a que quer", mas fica-lhe mal, até pelo simples facto do défice excessivo ser, exactamente, consequência do tempo de governação da sua responsabilidade; em segundo lugar, a Senhora demonstrou, inequivocamente, que este assunto não seria objecto de discussão se o governo português continuasse na linha política desta Europa ultraliberal. O hipotético "castigo" não é tanto por causa do défice excessivo, mas porque, politicamente, os senhores(as) desta Europa e do FMI não gostam de quem os afronte com soluções de governo distantes dos cânones por eles(as) ditados.


Parece-me óbvio que não haverá sanções, porque isso equivaleria a União Europeia, que tudo controla, sancionar-se a si própria. Mas haverá uma feroz chamada de atenção. O que para mim é muito grave, pois isso significa uma intolerável ingerência na política interna do nosso país. Irrita-me, sobremaneira, esta abusiva intervenção. Mas Maria Luis Albuquerque alinha, aceita, ao mesmo tempo que vai dizendo que não se justificam penalizações. Ela, o Dr. Passos Coelho e a Drª Assunção Cristas, sabendo o que fizeram (ou o que não fizeram) durante quatro anos, politicamente, "para a fotografia pública" colocam-se contra as penalizações, mas lá saltou uma voz para dizer mais ou menos isto: connosco este seria um não assunto! É, por isso, que "pimenta no rabo dos outros é refresco". Não suporto gente política deste calibre, que surfam as situações, que pendem para o lado dos ventos, que sem vergonha alguma dizem coisas como se o povo fosse desmiolado. 
Algumas frases resumem o que penso e defendo. A primeira, do ex-ministro das Finanças Doutor Teixeira dos Santos: "Depois de tantos elogios da ‘troika’ ao Governo anterior, será irónico e cínico se a Comissão Europeia vier a propor a aplicação de sanções a Portugal"; a segunda, da Deputada Catarina Martins, do Bloco de Esquerda: "A Comissão Europeia não tem que sancionar o nosso país, tem sim é de ressarcir o nosso país pelo dano que foi causado"; uma outra, do Deputado João Galamba do PS: "A última coisa que precisamos neste momento é de incendiários. Já chega a situação complicada no Reino Unido"; finalmente, as palavras do Deputado Jerónimo de Sousa, frontalmente dirigidas a Wolfgang Schäuble: "mais um episódio de chantagem, de arrogância, de ingerência. (…) Não é preciso responder à letra, mas um pouco de brio patriótico é exigível às instituições, designadamente ao Governo da República para dizer lá no seu país manda ele e em Portugal mandam os portugueses".
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 3 de julho de 2016

SENHOR BISPO ANTÓNIO CARRILHO, ACONSELHO-O A LER O BLOGUE SENSO&CONSENSO


O Senhor Bispo do Funchal, D. António Carrilho, proferiu por ocasião do Dia da Região, uma homilia de cujas palavras o DN-Madeira destacou e de forma oportuna: "(...) um dia que recorda o nosso passado e celebra o que hoje somos, com gratidão e respeito por todos aqueles que o construíram", destacando, ainda, que este é “um dia que coloca diante de nós o presente, sem ilusões e sem medos, com as suas dúvidas e as suas esperanças, um presente que nos interpela a uma vontade forte de construir um futuro cada vez mais digno de homens e mulheres livres, que somos chamados a ser".


Senhor Bispo, eu Cristão, interrogo-me: a quem pensa o Senhor Bispo enganar ou confundir? Será que conhece a História de todo o processo? Será que domina os silêncios comprometedores da Igreja que, localmente, dirige, na sua ausência de posições firmes, independentes, concordantes com a Palavra? 
Um Bispo vota, obviamente, segundo as suas convicções políticas, neste aspecto tem o meu mais profundo respeito, mas, diariamente, as suas atitudes públicas devem assumir uma natureza abrangente, com serenidade e convicção, e nunca denunciadoras ou escamoteadoras da Verdade. "Gratidão", Senhor Bispo, por aqueles que semearam, directa ou indirectamente, a pobreza que por aí vai? Ainda anteontem, este é, apenas, um exemplo entre milhares, descendo a Calçada do Pico, doeu-me ver uma jovem bem parecida, acompanhada do seu jovem filho, presumo, também bem parecido, sentados frente à porta da Cáritas, aguardando a sua abertura, para que a fome não seja bem pior. O Senhor Bispo chama a isto caridade, eu designo por pouca-vergonha de sucessivos governos que olharam para as eleições seguintes e não para as gerações seguintes. Ter "gratidão e respeito" por essa gente política? Ter "gratidão e respeito" por todos aqueles que "construíram" esta situação? Não brinque connosco, Senhor Bispo! 
Vou deixar aqui um excerto de um texto do Senhor Padre Marins Júnior, aquele Padre que Vossa Excelência Reverendíssima mantém uma suspensão "a divinis", uma suspensão injustificada e que envergonha qualquer membro da Igreja. Fique com este naco da História e repense o que disse: "(...) Em vésperas de eleições de 76, o bispo desmultiplicou-se, sem tréguas, numa campanha religiosa manifestamente tendenciosa: publicou uma Nota Pastoral, lida em todas as igrejas, alertando os cristãos contra o socialismo, que manhosamente qualificava de “marxista”; promoveu o grande espectáculo da missa do “Corpo de Deus” no estádio dos Barreiros e, no domingo anterior às eleições, faz uma extensa homilia de teor marcadamente separatista, misturando a “barca de Pedro” e Portugal a afundar-se, não hesitando ele, lisboeta, a regionalizar-se madeirense: ”Queridos ouvintes, que me escutais em Portugal e no estrangeiro, podeis ver como nós, Madeirenses, sabemos conviver, sempre que nos deixam ser genuinamente Madeirenses”. (O negrito dos caracteres é tal e qual o mesmo do Jornal da Madeira). A anteceder as eleições de 76, o citado bispo levou o jovem, novo director do Jornal, (AJJ) a todas as paróquias, apresentando-o como o melhor para governar a Madeira. O Padre Tavares Figueira, conhecedor profundo deste período, retratou a situação, com humor mas com inteiro rigor científico, numa entrevista de circulação nacional: "O PPD nasceu numa sacristia e o pai foi o bispo Francisco Santana" (...).
Senhor Bispo António Carrilho, aconselho-o a ler o blogue Senso&Consenso. Enquanto acto de cultura e de penitência.
Ilustração: Google  Imagens.

sábado, 2 de julho de 2016

POLÍTICA EDUCATIVA - UM CAMPEÃO DO MUNDO DE CÁLCULO MENTAL QUE REPROVOU NA DISCIPLINA DE MATEMÁTICA


Tenho vindo, desde há muito, a escrever sobre o sistema educativo nacional, com o qual não me identifico. Considero-o, à luz do conhecimento e do posicionamento de tantos investigadores, que este sistema é aberrante, anormal e que justifica, entre outros factores, tanto abandono e tanto insucesso. Os leitores lembram-se da notícia de 21 de Maio de 2014? A do João Silva Bento, de 12 anos, estudante do 6º ano na Escola Básica e Secundária Manuel Fernandes, em Abrantes, que se sagrou, nesse ano, campeão mundial de cálculo mental, entre mais de 36 mil participantes de 61 diferentes países? Nessa peça jornalística divulgada pela Lusa, foi divulgado: "a competição relativa aos Campeonatos SuperTmatik, que todos os anos decorrem online, envolveu, este ano, 36.725 finalistas de 61 nacionalidades diferentes, tendo o jovem estudante português conquistado o 1º lugar no seu escalão, com um tempo de resolução de 42,5 segundos às 10 equações que lhe foram apresentadas". O curioso, ou talvez não, é que embora no cálculo mental demonstrasse uma "apetência invulgar", revelou o professor António Percheiro, o jovem campeão do mundo era "um aluno com dificuldades a Matemática", tendo, inclusive, reprovado.


Na mesma competição, a 16 de Maio de 2016, no DN-Sociedade, foi noticiado que "Portugal tem quatro campeões mundiais em cálculo mental". Ora bem, nada sei de Matemática. Nunca estive para aí virado! Sei, e todos sabemos, que uma coisa é o cálculo mental e outra a matemática. Uma coisa é estimar resultados através de algumas estratégias, outra é a "matemática como cimento unificador de todos os saberes" que implica domínios que estão para além do cálculo mental. Porém, parece-me, que ao nível mais básico, os que demonstram "apetência invulgar" para o cálculo, como foi referido, possam ter mais facilidade em examinar e resolver outro tipo de formulações de raiz mais elaborada. E isso, por aquele exemplo, deixa-me perplexo, quando é o próprio professor a dizer que o campeão do mundo em cálculo mental experimenta dificuldades na Matemática e que até reprovou. Das duas uma: ou não se aproveitam os talentos ou, então, é o próprio sistema educativo que está em causa. Ou, ainda, a conjugação das duas hipóteses. Quem disto percebe, faça o favor de se pronunciar, sendo certo que esta situação, para mim, repito, que nada sei de Matemática, coloca em causa uma questão maior: o sistema educativo. 
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

VALEU A PENA, OBVIAMENTE! PORÉM, HOJE, A AUTONOMIA ESTÁ NO BANCO DOS RÉUS


Quem não se lembra, por vivência ou por leitura da História, sobre o que foi o Estado Novo (para não ir mais atrás) e todos os constrangimentos impostos, a todos os níveis, às então designadas "Ilhas Adjacentes" ou "Distritos Autónomos"? A memória dos tempos de então, comparativamente ao tempo que estamos a viver, traça uma substancial diferença. Valeu a pena, obviamente, Abril de 1974 e a Constituição da República de 1976.


Porém, na decorrência destes 40 anos, fica-me um amargo sobre os caminhos seguidos que redundaram em uma Autonomia de pés de barro, de faz-de-conta, de dívidas impagáveis, de pobreza, de desemprego, de obras faraónicas e desajustadas, de atentados ao património histórico-cultural, de construção de uma Madeira tendencialmente toda igual, perdendo a sua identidade, de degradação dos sistemas de saúde e de educação. Tudo na lógica do quero, posso e mando. Outro poderia ter sido o caminho, naturalmente, se o pensamento tivesse sido mais sensato e estruturado, mais bem projectado no tempo, sem a mínima confusão entre os conceitos de crescimento e de desenvolvimento. Embora em contexto diferente, hoje, a Autonomia, a verdadeira Autonomia não existe, foi hipotecada e está no banco dos réus. O processo "Cuba Livre" é, apenas, um dos sinais.
Hoje, Dia da Região, deveria ser também dia de reflexão, necessariamente, sobre o que de bom foi realizado, mas, sobretudo, de profunda reflexão sobre as decisões políticas assumidas que tiveram em conta os actos eleitorais e não o futuro de bem-estar e felicidade das populações. Hoje, assiste-se a um estrangulamento provocado pela ambição partidária que não teve nem tem em conta os princípios do desenvolvimento, mormente, os da prioridade estrutural, da transformação graduada, da integração e da auto-sustentação. Hoje, estamos confrontados com uma pobreza extremamente preocupante, com indicadores económicos muito débeis e com uma emigração que constrange.
Hoje, andam pelas comunidades portuguesas, rotineiramente, os governantes da Região. Visitas que nada adiantam, cheias de palavras ditas aos almoços e jantares, de infindáveis promessas, sistematicamente repetidas, mas que em nada resultam. Alguém se lembra de uma? Eu, não.
Ilustração: Google Imagens.