sábado, 31 de dezembro de 2016

PARA 2017... PRIMEIRO SAÚDE DEPOIS, UM SISTEMA DE SAÚDE QUE NOS DEFENDA! AH, E UM COMPROMISSO COM A INTELIGÊNCIA.


Não se trata de mastigar doze "passas" na passagem do ano, ao mesmo tempo que se formulam desejos. Não se trata de brindar ao novo ano com um qualquer champanhe. Tampouco se trata de dançar madrugada adentro, após um confortável jantar. Não se trata de cumprir abraços e votos sejam eles de que tipo forem. Os primeiros são rituais que, pelo menos a mim, pouco dizem. O último, faz parte da cortesia e da boa educação. Porque, fundamentalmente, o que deveria ser assumido, a todos os níveis, é o compromisso com a inteligência. 


Penso eu que é essa inteligência que nos faz definir o certo do errado, a ganância que espezinha da vida com dignidade, o humanismo relativamente à ausência de sensibilidade social. E isto coloca-se nos patamares institucionais internacionais, nacionais, locais e de família. Infelizmente, tal não irá acontecer, porque a engrenagem dos interesses é monumental e esmaga a faculdade do ser humano de "conhecer, compreender, raciocinar, pensar, de interpretar" e de agir. Por mais Missas de "Acção de Graças" que façam, amanhã, globalmente, tudo continuará igual. 
Resta-nos, por isso, a leitura da Vida virada para dentro enquanto motor de mudança individual com repercussões no colectivo. 
Seja como for, a todos os meus Amigos, os mais próximos e os virtuais que por aqui passarem, desejo-lhes um ANO NOVO, primeiro, com saúde, depois, um sistema de saúde que nos defenda, ah, um compromisso com a inteligência. 
Ilustração: Arquivo próprio/2015.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

POLÍTICA DE SAÚDE: EM VINTE MESES... TRÊS CONSELHOS DE ADMINISTRAÇÃO DO SESARAM


Não há sistema que resista a tanto jogo de bastidores. O que isto indicia é a existência de extensos conflitos, muitos interesses pessoais e reduzida capacidade em se centrarem naquilo que é fundamental: em um sector vital, um governo que cumpra o desígnio de serviço público, direito constitucional do utente. Ao cidadão, desde há muito, parece tudo preso por arames, com momentos de aparente serenidade, mas lá no fundo, quase invisível, a estrutura move-se e, qual vulcão, periodicamente, expele todo o seu âmago. 


A presente demissão do Conselho de Administração do SESARAM explica esses múltiplos desconfortos da estrutura que procura espaço para explodir. Isto já não é apenas um problema de manta muito curta (leia-se financiamento e dívidas do sistema) que ao puxar para um dos lados deixa o outro descoberto. Parece-me muito mais complexo e esta demissão demonstra-o. Trata-se de uma demissão que está muito para além, convicção minha, de um gesto de solidariedade pelo secretário demitido ou que pediu a demissão. Há muito "magma" a correr e a fervilhar no interior do sistema. A bolha veio à superfície e uma vez mais rebentou. Tal como irá acontecer com outros sistemas aparentemente adormecidos. Inevitável, porque uma paz podre é insustentável, para mais quando o vértice estratégico da liderança deixa muito a desejar.
Uma democracia formal do tipo "duracel" é perigosa. Chega a um ponto que os protagonistas se enredam no labirinto do poder e das cumplicidades, pelo que não conseguem a necessária serenidade para encontrar uma saída. A carne foi-se e mesmo perante ossos há sempre quem deseje roê-los! A solução está, sustento, nas pessoas, nos cidadãos realmente livres quando chamados às urnas. Trago sempre presente as palavras de D. Manuel Martins, Bispo Emérito de Setúbal: "(...) as alternâncias são sempre boas. Por muito boa que seja a pessoa que está, a partir de determinada altura alternar é bom. Já tive essa experiência na minha vida. Fui professor, saí, entrou outro, foi óptimo; fui vigário-geral, saí, entrou outro, foi óptimo; fui bispo em Setúbal, saí, entrou outro, foi óptimo. A alternância é magnífica a todos os níveis e em todos os sectores porque traz novidade, dá esperança, imprime outro ritmo de vida". Concordo, em absoluto. 
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

MUDANÇA NA PROTECÇÃO CIVIL


FACTO

Para o cargo de presidente da Protecção Civil da Madeira, IP, o governo da Madeira recrutou, nos Açores, o Dr. José António Oliveira Dias, que dirigiu, desde 2012, o Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros da Região açoriana. Figura que substituirá o Coronel Luís Nery.

PERGUNTA

Parto do princípio que à frente das instituições devem estar os mais habilitados. Porém, deixo uma pergunta: depois de tantos anos de Protecção Civil na Madeira, esta instituição pública não gerou ninguém, pelas experiências vividas, com elevada competência técnica, para uma substituição local com naturalidade?

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

POLÍTICA DE SAÚDE SEM SAÚDE


É "obra", também com elevados custos, a nomeação, em vinte meses de mandato, de um terceiro secretário da Saúde da Região da Madeira. E outros sectores vitais reclamam a substituição de políticos que desta coisa de bem governar, têm dado provas de pouca capacidade ou habilidade política. Trata-se de um sector difícil, complexo pelos erros acumulados durante muitos anos, obviamente que sim. Mas não fica atrás da complexidade, por exemplo, da Educação (outro desastre pela ausência de uma qualquer ideia) e dos Assuntos Sociais (pior ainda). Há um triângulo que qualquer governo não pode descurar: saúde, educação e assuntos sociais. E tem sido, exactamente, nesta base triangular que o governo regional tem demonstrado enormes fragilidades. 


O exercício da política, de forma séria e consistente, não se faz através de agendas mediáticas ou de objectivos pessoais; de atitudes voluntariosas; para a fotografia, estar presente em tudo quanto mexe, muitas vezes cumprimentando com chapéus alheios. A política de topo exige que, antes, o político demonstre, ao longo da sua vida, que tem conhecimento, maturidade, idoneidade, respeitabilidade social e que consegue ver longe e muito para além dos interesses partidários. Só que, para o cidadão mais ou menos atento, a ideia que tem ficado de tais públicas e globais fragilidades é que as nomeações seguem uma lógica de amizades e de proximidade ao grupo(inho), do que propriamente de inequívoca competência, não a profissional, mas a política, que implica saber como administrar e gerir. Aliás, a competência política analisa-se pelas posições livremente assumidas, pela frontalidade, sem medo seja do que for e pelo que escrevem de forma sustentada. "Passeio" por entre secretários e deles nada sei e nenhum me fez reflectir no plano político. Minto. O das Finanças fez-me reflectir, negativamente, sobre o exercício da política na Madeira. Depois de ter sido um dos membros da equipa do anterior governo que conduziu a Região a uma dívida superior a seis mil milhões, aceitou a "promoção". Quando isso acontece, sobressai, primeiro, a dúvida, depois, a confirmação da ausência de unhas para a "guitarra". Até o Presidente, pelo que sei, toca piano(inho) e a guitarra não é a sua praia! 
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

FELIZ NATAL PARA TODOS


O NATAL, Caros Amigos, diz-me muito. Diz muito a qualquer ser humano, independentemente das convicções. Em primeiro lugar, é o significado que me move. A Palavra, o humanismo, o sentimento de que é possível um Mundo melhor, não creio que ingenuamente, desígnio esse que mobiliza o meu pensamento muito mais do que a "Festa" propriamente dita. A escalada de atrocidades que estão a acontecer, a ausência de sentimentos, a maldade, a crueldade, a hipocrisia da condenação dos actos, de guerra e outros, ao mesmo tempo que fornecem armamento, a falta de princípios e de valores solidários, a ganância e sofreguidão dos "mercados", enfim, tudo isto constitui uma clara oposição ao significado do Nascimento, da Vida e da Palavra. Repito, sejam quais forem as convicções. Por isso, o Natal não deveria ser apenas um ritual de comércio, de ofertas, de convívio e de alguma boa comida. Deveria, também, constituir o momento solene de tomada de consciência, a todos os níveis, de tudo quando afecta o ser humano. Mas, tal como certamente todos, também gosto do respeito pela tradição histórica. Há rituais que nos enchem, obviamente que sim. Por isso, para TODOS(AS) os que por aqui passarem, desejo que esta quadra seja inspiradora dos nossos direitos, dos nossos deveres e do quanto podemos fazer para sermos felizes. Isso, também depende de nós e das nossas manifestações de cidadania.
Um BOM NATAL, em Paz.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

SÓ EM DITADURA TODOS OS ANOS SÃO DIFÍCEIS


Nota prévia: é meu entendimento que não se justifica o cargo de Representante da República na Região Autónoma. É, cada vez mais, de um simbolismo bacoco que nem na esfera da fiscalização legislativa se justifica. Aliás, se essa é a explicação, há muito que a alternativa está estudada. Portanto, o que aqui deixo escrito nada tem a ver com o cargo, mas com as declarações ontem produzidas. O Senhor Representante deveria poupar-nos a ler certas posições ou preocupações políticas. Enquanto cidadão, pode escrever ou dizer o que pensa, porém, na função que assumiu, deveria ser muito mais discreto.


Ontem, após um encontro, disparou: "(...) Os meus votos para 2017 são que, sem prejuízo da luta interpartidária, que é regra da boa democracia, não se perca os valores superiores da região, que devem primar em relação aos interesses partidários" (...) "Em 2017 temos as eleições autárquicas e um ano de eleições é sempre um ano mais difícil" (...). 
Vamos a isto. Um ano de eleições é um ano difícil? Que razões, no plano político, o levam a dizer o que sublinhou? Para o Representante, existe uma boa e uma má democracia? E quais são os "valores superiores da Região"? A manutenção de um poder que, injustificadamente, conduziu a Região ao descalabro financeiro, a um processo judicial por facturação não reportada, autarquias em "falência" financeira, ao aumento da pobreza e a uma situação muito complexa no desemprego? São estes os valores superiores da Região? São interesses da Região, o silêncio, o come e cala-te, uma maioria política que continua a confundir maioria absoluta com poder absoluto, que desrespeita as oposições e que chumba, por atacado, dezenas de importantes propostas, nem as querendo discutir? São estes os interesses superiores da Região? E que história é essa dos "interesses partidários"? Será que os partidos, excluindo o do poder, terão de se manter como decorativos da Democracia?
Não há anos difíceis quando o povo é chamado às urnas. A Democracia exige participação de todos, a denúncia clara do que mal vai, a proposta séria, honesta e exequível, custe o que custar aos ouvidos do poder. Que tem de haver respeito entre todos, obviamente que sim, mas a luta acesa de mobilização e denúncia é incompatível com a ideia de "ano difícil". Difícil, para quem, questiono. Ao contrário do que o Representante sublinhou, nós não "somos já uma democracia adulta e uma autonomia adulta". Não somos. A Autonomia é uma miragem, pois estamos a léguas do que deveria ser, por megalomanias concretizadas ao longo de 40 anos, somos pobres, dependentes e assimétricos. Por múltiplas e substantivas razões, ter órgãos de governo próprio é quase um faz-de-conta. Raramente a Assembleia é legislativa, mas adaptativa(!) dos diplomas. Por outro lado, uma Democracia adulta não espezinha e não controla as mentes. Existem muitos exemplos negativos no bas-fond da política regional e que não chegam, lamentavelmente, ao conhecimento de toda a população. Por isto e muito mais, que venham as eleições autárquicas, que os partidos lutem pelos seus projectos e que o povo decida. Simplesmente, porque não existem anos difíceis quando há eleições. Nas ditaduras, sim, todos os anos são difíceis.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

SÍRIA


A narrativa ocidental sobre a guerra na Síria é simples – era uma vez um ditador chamado Assad contra o qual, em 2011, o povo se ergueu pedindo democracia; o ditador mandou prender, torturar e bombardear os rebeldes e aí começou uma guerra civil que dura até hoje. Uma guerra terrível, que já fez meio milhão de mortos e provocou milhões de refugiados – mais de metade da população, deixando um rasto de devastação e ruínas, a ponto de estar em causa a própria sobrevivência do país, agora retalhado em zonas de influência. O problema com esta narrativa é que ela não se sustenta inteiramente. Tem, é certo, elementos de verdade – Assad é um ditador, a perseguição aos opositores é terrível, havendo até suspeitas (como no caso de Saddam, no Iraque) de utilização de armas químicas contra populações civis. Mas esse esquema interpretativo deixa na sombra as razões mais profundas do conflito: o embate regional entre as duas grandes correntes do Islão – sunitas contra xiitas – e, tanto ou mais importante ainda, a luta pelos recursos energéticos da região.


O acordo a que chegaram Síria e Irão para construir um oleoducto para escoar o petróleo do Cáspio evitando a Turquia e concorrendo com os sauditas e os outros países do Golfo no fornecimento de petróleo ao Ocidente é apontado por especialistas como sendo uma das causas da guerra de que pouco ou nada se fala. Esse enquadramento explicativo simplista, embora possa funcionar até certo ponto em termos de grande público, tem, além disso, debilidades evidentes que não resistem a um olhar minimamente crítico. Se a questão é simplesmente uma luta da liberdade contra a ditadura, maus de um lado, bons do outro, como explicar que do lado dos “rebeldes” estejam alguns dos piores inimigos das democracias ocidentais – o chamado Estado Islâmico, a Al-Qaeda e a Al-Nusra? Se esta guerra é só e principalmente um confronto entre liberdade e ditadura, como explicar que do lado da democracia estejam regimes tão prepotentes como os da Turquia, Arábia Saudita e Qatar?
O facto dos Estados Unidos apoiarem os chamados “moderados” não muda o essencial.
Sim, os moderados existem, não são mera ficção – mas o núcleo duro das forças anti-Assad é outro – o Estado Islâmico e a Al-Qaeda. E alguém tem dúvidas de que se Assad caísse seriam estas forças e não os democratas que a curto prazo iriam prevalecer?
É manifesto que a opção americana nesta guerra – auxiliando os que querem derrubar Assad – deriva mais de concepções geoestratégicas sobre a correlação de forças que se pretende ver vitoriosa no Médio Oriente do que da defesa da democracia.
O que Washington pretende é um Médio Oriente em que os países do Golfo, fornecedores de petróleo e aliados dóceis dos ocidentais – a quem compram milhões de milhões de dólares em armamento – continuem a ser dominantes, contendo as ambições nacionalistas do Irão e da Síria.
Já com um pé na Síria, onde desfruta de uma base aérea e de acesso marítimo crucial para a sua frota no Mediterrâneo, por via dos acordos anteriores com o regime alauita, a Rússia preferiu jogar pelo seguro, apoiando financeira e militarmente Damasco.
A vitória obtida agora em Alepo, com a recaptura da cidade pelo exército sírio, estimula certamente Moscovo a prosseguir nessa via, desafiando assim os interesses americanos na região.

REACÇÃO DE WASHINGTON

Para Washington, pelo contrário, a retomada de Alepo por Assad foi sentida como uma derrota quase humilhante.
Certamente não por acaso, os liberais americanos recuperaram agora as acusações de interferência de Moscovo nas eleições dos EUA supostamente para favorecerem Trump em detrimento de Hillary. Nos media, pelo menos, o sentimento anti-russo atinge níveis só comparáveis aos piores anos da Guerra Fria.
Com isso, dá-se vazão à fúria pelo fracasso da política de Obama na Síria e ao mesmo tempo cria-se um clima tendente a dificultar ao máximo qualquer viragem na relação com a Rússia que o novo presidente possa – como já indicou – querer empreender.
Melhor seria, no entanto, que se retirassem do desastre da Síria – que se segue aos do Iraque, Afeganistão e Líbia – a lição que se impõe: as políticas neoconservadoras de caos criativo e “regime change” foram um completo fracasso, só se traduzindo em devastação e morte, com prejuízo evidente para as populações dos países envolvidos e consequências negativas para a velha Europa, onde vêm agora embater ondas sem precedentes de refugiados em fuga dos cenários de guerra que supostamente seriam o preço a pagar para democratizar os países árabes.
Está mais do que na hora de rever essa estratégia e essa grande mentira. Sob pena de se obterem resultados diametralmente opostos aos pretendidos – consolidação de regimes ditatoriais e reforço das posições da Rússia no Médio Oriente.
NOTA
Texto de Carlos Fino, Jornalista, publicado no Facebook.

sábado, 17 de dezembro de 2016

IR AOS CORREIOS TORNOU-SE UM PESADELO


Ir aos Correios (CTT) tornou-se angustiante. Um pesadelo. São filas todos os dias, mesmo fora da época natalícia e da semana de pagamento das pensões, que leva um cidadão a desesperar. Fecharam balcões e para colmatar as reclamações abriram pequenos espaços, inclusive em supermercados, que não fazem todas as operações que, tradicionalmente, compete aos CTT. Um exemplo: fecharam o posto do Livramento (Funchal) e abriram um espaço, uns metros adiante, no supermercado "Amanhecer". É a lógica da privatização, da redução de trabalhadores, do lucro e os cidadãos que se danem. A este propósito o Deputado Carlos Pereira (PS) fez uma intervenção na Assembleia da República.

 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

UM TIPO DE DISCURSO QUE JÁ NÃO PASSA


"Uma dívida de 15 milhões de euros dos subsistemas de saúde, 60 milhões da sobretaxa do IRS e uma discriminação em relação aos Açores, que recebem mais 90 milhões, foram as primeiras acusações de Carlos Rodrigues contra o governo da República". (DN-Madeira). “Gozaram, brincaram com todos os madeirenses”, afirmou. Estava a ler a peça jornalística e questionei-me: o que é isto comparado com uma dívida gerada de forma tresloucada e que atingiu mais de seis mil milhões. São trocos, obviamente. Dívida, aliás, criada pela megalomania de uns e que todos os madeirenses e portosantenses estão a pagar. 

Mas, atenção, se há dívidas da República para com a Madeira, é claro que têm, caso a lei o permita, de ser liquidadas. Quanto à Região dos Açores, o Senhor Deputado deveria saber (e sabe) que há lei que define o montante das transferências. Desde logo, entre outros factores, não faz sentido comparar duas ilhas com nove, separadas por 602 km, entre S. Maria e o Corvo.
Finalmente, a dívida da Madeira que, julgo eu, será impagável, leva-me a concluir que, de facto, durante muitos anos, "gozaram, brincaram com todos os madeirenses". 
Parece-me óbvio que aquele tipo de discurso é antigo, muito antigo, e já não passa. O povo precisa de NOVIDADE no quadro da responsabilidade.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

ORÇAMENTO DA REGIÃO DA MADEIRA (2017). DIZ O DEPUTADO JAIME F. RAMOS: O ORÇAMENTO "DEVOLVE A ESPERANÇA"


Quando se "devolve a esperança" é porque alguma coisa de errado andaram a fazer. É uma leitura óbvia que vem ao encontro do aforismo "que o peixe morre pela boca". Pois é, tratou-se de um raro momento de lucidez de política partidária, relativamente a um passado de 40 anos de muitos enganos! Tenho presente tanto discurso de cor e de olhos fechados e tantos outros "pensados" e lidos. A Madeira era um oásis de progresso no espaço nacional, traduzido em milhentas inaugurações. Mais tarde concluiu-se da fragilidade e insustentabilidade de todos os sistemas. Uma dívida superior a seis mil milhões de Euros, milhões escondidos das contas nacionais, sistemas educativo e de saúde com lacunas graves, 30% de pobres, taxa de desemprego arrepiante e empresários aflitos, enfim, caíram os tapumes do oásis e começou-se a conhecer muita coisa. 


Não discuto o Orçamento Regional porque não o li, portanto, não me sinto abalizado para qualquer comentário. Porém, em abstracto, reflicto sobre a "devolução da esperança". Ora bem, no exercício da política, com seriedade e honestidade, exige-se MEMÓRIA E COERÊNCIA. Estas duas palavras distinguem os políticos. No hemiciclo a palavra não pode ser de circunstância, porque dá jeito em um determinado momento, partindo do pressuposto que os outros, "os que estão lá em casa" se esquecem com facilidade das posições antes assumidas. Se ainda tivessem alguém para apontar o dedo acusador, um qualquer governo anterior de outra cor política, bem, ainda fazia algum sentido "devolver a esperança". Mas não, a Madeira é governada pela mesma cor desde 1976! 
Ilustração: Google Imagem.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

UM DISCURSO QUE CANSA POR NÃO SER VERDADEIRO


Manuel Braga da Cruz, antigo reitor da Universidade Católica, está na Madeira a convite da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE). Declarou: “Temos uma situação excessivamente partidocrática, ou seja, os partidos estão com um protagonismo na vida política que é excessivo e não dão espaço a que os cidadãos tenham um papel mais activo da vida política e na construção do futuro de Portugal” (...) “o problema da governabilidade e da representatividade, assim como da própria abertura dos partidos à sociedade” (...) “Acho que nós precisamos de adaptar o nosso estado social às exigências do mundo contemporâneo e que olhe mais para a sociedade” (...) “o Estado tem dado pouco espaço à iniciativa privada”.


Obviamente que não poderia falar de outra maneira. Percebo o seu posicionamento político. Acredito que seja uma pessoa bem informada e julgo que não anda distraído.   Porém, passei os olhos pelo seu CV e não detectei qualquer trabalho, cargo ou função de âmbito político-partidário. Perante as suas declarações, questiono, porque não participa? Porque não se junta a um partido, onde se sinta enquadrado ideologicamente, gerando o tal espaço de participação? Porque não aproveita as autárquicas onde se assiste a uma proliferação de candidaturas independentes? Depois, como se pode dizer que o Estado "tem dado pouco espaço à iniciativa privada?" Ou será que não viveu neste País entre 2011 e 2015, onde pouco restou para privatizar?
Sinceramente, com todo o respeito pelo Doutor Manuel Braga da Cruz, este tipo de discurso cansa por não ser verdadeiro. Aliás, devem ser os cidadãos, em função dos diversos posicionamentos ideológicos, que se devem juntar aos partidos, fazendo ouvir a sua voz. Por que não aderem, foi a questão que não mereceu uma opinião. Porque de abertura à sociedade, genericamente, todos os partidos têm vindo a defender essa necessidade.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 11 de dezembro de 2016

ARQUITECTO GONÇALO BYRNE - MAIS UM QUE COLOCA O DEDO NA FERIDA


Vários, ao longo de muitos anos e em diversos âmbitos denunciaram o que estava a acontecer na cidade do Funchal. Foram vilipendiados e apontados como pessoas contra o "desenvolvimento". Hoje, qualquer madeirense percebe que sofremos as consequências das opções erradas. Em entrevista ao DN-Madeira, conduzida pelo Jornalista Miguel Silva, o Arquitecto Gonçalo Byrne, salientou:
"O concelho do Funchal sofreu transformações bastante silenciosas, mas bastante eficazes no mau sentido" (...) "O problema da formação das aluviões e das cheias tem, em boa parte, a ver com o crescimento da urbanização, a impermeabilização dos solos, por vezes a má gestão das zonas estratégicas das ribeiras" (...) "Faz-me um pouco de impressão esta betonização dos antigos muros" (das ribeiras).

RESUMO CURRICULAR

"Formado em Arquitectura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa e pela Universidade de Alghero. 
Autor de uma obra extensa e diversa em termos de escala, programa e contexto, abrangendo projectos de planeamento urbano, desenho de espaços públicos e edifícios, reabilitação urbana, gestão de projecto, desenvolvimento e sustentabilidade, reconhecida nacional e internacionalmente, pela sua expressão arquitectónica, cultural e patrimonial. Ao longo dos últimos anos, o trabalho de Gonçalo Byrne tem sido amplamente reconhecido e premiado, tendo recebido, entre outros, o Prémio A.I.C.A/S.E.C., a Medalha de Ouro da Academia de Arquitectura de França e, recentemente, o Piranesi / Prix de Rome, edição de 2014, atribuído à sua obra do Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra. (...)"

Resta perguntar...
Quem conduziu o Funchal às "transformações silenciosas no mau sentido"?

sábado, 10 de dezembro de 2016

A AVALIAÇÃO PISA, TAL COMO OUTRAS, É UM INSTRUMENTO AO SERVIÇO DO PENSAMENTO ÚNICO.


"La OCDE parte de un principio equivocado, de que hay una forma de pensar el desarrollo y el mundo (...)"


"LAS PRUEBAS PISA SON EL CONCURSO DE BELLEZA DE LA PEDAGOGIA"



Ler AQUI.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

POLÍTICA EDUCATIVA - A EUFORIA DEU LUGAR AO SILÊNCIO


Em 25 regiões portuguesas (NUT3 - Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos) a Madeira encontra-se:

19º lugar em Ciências.
20º lugar em Leitura
15º lugar em Matemática

Texto publicado em:


terça-feira, 6 de dezembro de 2016

UM POUCO DE MEMÓRIA E DE DECORO SERIA ACONSELHÁVEL


A propósito da primeira ligação directa, entre a Madeira e o aeroporto suíço de Basileia, operado pela Easyjet, o secretário regional da Economia e Turismo, Dr. Eduardo Jesus, referiu: “É mais barato do que comprar uma camisa”, uma vez que a ligação fica por € 38,00.

Não discuto o preço das camisas, pois cada um compra de acordo com as suas possibilidades. Na Primark há camisas a € 8,00 e até mais baratas. E são jeitosas. Ponho as camisas de parte, pelo exagero da imagem, e fixo-me nos preços médios praticados pelas transportadoras entre a Madeira e os aeroportos nacionais ou vice-versa. Ora bem, Senhor Secretário, no nosso caso de portugueses insulanos, não é o mercado a funcionar é a vergonha e a roubalheira que campeiam. E o que tem feito, pelos madeirenses que estão a ser sugados até ao tutano? Responda aos madeirenses e portosantenses. A mim não, que tenho acompanhado e vivido esta situação. 
Este tema, de resto, está escalpelizado e já foi motivo de muitos reparos na comunicação social, daí que, politicamente, seria de bom tom ter memória e um certo decoro. 
Ilustração: Arquivo próprio.









segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O "TRABALHINHO" DE PEDRO PASSOS COELHO TEM, POLITICAMENTE, OUTRO OBJECTIVO.


Não sei mas ele, certamente, sabe onde quer chegar. Depois de quatro anos de aperto total, de empobrecimento e de uma permanente ofensa aos mais vulneráveis da nossa sociedade, o Dr. Pedro Passos Coelho denuncia que nada aprendeu com a experiência governativa. Continua a sua saga pela austeridade e pelo corte cego de salários e de pensões. Todos os dias surge com uma postura da qual resulta já não haver paciência sequer para atentar nas suas palavras. Pelo menos para mim. Recuperar salários, devolver, embora aos poucos, rendimentos do trabalho e apoios sociais que foram claramente "roubados", acabar com as taxas e sobretaxas, devolver os feriados nacionais que muito dizem na nossa História, isto e muito mais, constitui um caminho para "iludir" os portugueses, é "populista" e de "campanha eleitoral", pelo que, o que se está a passar "não é uma forma séria de tratar os portugueses". São suas estas declarações. Começo a perceber os motivos que levam os próprios militantes de partido a quererem ver-se livre desta personagem quanto antes. Fica claro, também, o motivo que, em Lisboa,,qualquer coisa parecida com o "PAF" foi à vida. O CDS mandou-o borda fora.


Pedro Passos  Coelho não consegue ver os portugueses um pouco, ainda que muito pouco, mais desafogados. Não consegue enxergar alguma felicidade nos outros. Parece que fica furibundo e que não perdoa o facto de ter sido arredado do poder por uma maioria na Assembleia da República. Mas essa maioria, pergunto uma vez mais, não é tão legítima como foi a da maioria de direita do tempo da união de facto entre o PSD e o CDS? Aliás, ele nem olha e nem interpreta as sondagens que o colocam a léguas da popularidade de outros políticos. Continua a falar como se todo o país fosse cego ou surdo, como se os portugueses não tivessem já uma maturidade suficiente para decidir o que desejam e o que consideram melhor em um determinado momento. 
No essencial, analisada a sua insistência, porventura não lhe interessa o regresso ao poder. Ele denuncia que está a fazer o seu trabalhinho no quadro de um dente da roda dentada da direita europeia. Tarde ou cedo, tal como aconteceu com outros, espera pela recompensa política através de um convite para qualquer função. Não tenho dúvidas algumas que os poderes europeus, os visíveis e os invisíveis, funcionam assim. Temos muitos exemplos. Mas que é preciso uma lata para, todos os dias, se apresentar no combate sem uma única proposta alternativa, lá isso é verdade. 
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

EXCEPCIONALMENTE, A RESPOSTA!


O secretário regional da Educação, segundo um trabalho do Jornalista Francisco José Cardoso, a propósito dos resultados no quadro das "Tendências Internacionais no Estudo da Matemática e das Ciências (TIMSS), lembrou que "o principal crítico da política educativa e mentor do PS-M em matéria de Educação, simultaneamente, presidente da Assembleia Geral do Sindicato de Professores da Madeira (André Escórcio) defende, sistematicamente as "maravilhas" do sistema finlandês, talvez seja oportuno perguntar-lhe, porque razão os "burros" madeirenses, conduzidos por "incompetentes" em matérias de política educativa, conseguem estar à frente de tais maravilhas (...)" (DN-Madeira, edição de hoje). Achei interessante a referência, já explico porquê, embora não seja mentor político do PS ou de qualquer outro partido, não tenha qualquer actividade político-partidária, muito menos no Sindicato de Professores da Madeira. Apenas escrevo produzindo e cruzando, humildemente, sínteses do pensamento de tantos investigadores e autores onde se incluem, naturalmente, entre muitos outros, professores, filósofos, psicólogos, sociólogos, médicos e economistas. 


Dou de barato aquele tipo de "medições", como o dou relativamente à aferição PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes). Há, de resto, muita produção literária sobre o formato, as diferenças sociais e sobre a escolha dos alunos submetidos a essas avaliações. A escolha, que deveria ser rigorosamente aleatória, que está em causa. Li, há dias, um texto, com o título: "No PISA nós confiamos - mas será que devíamos?" Neste pressuposto, sobre os resultados dos estudantes madeirenses (TIMSS), embora eu não seja adepto de "ranking's, por múltiplas razões, não deixa de causar alguma perplexidade quando os ditos colocam os estabelecimentos de ensino da Madeira em posições muitíssimo modestas e, qual passe de mágica, em um ápice, a Madeira "aparece" no topo da satisfação da política educativa regional. Isto leva-me a repetir a pergunta: será que devíamos acreditar?
Independentemente deste aspecto, não são os resultados pontuais que têm constituído motivo das minhas reflexões, mas sim, de forma compaginada, a estrutura do Sistema Educativo e a estrutura de toda a organização social (políticas de emprego, pobreza, cultura, etc.). E isto está, obviamente, muito para lá da simples avaliação pontual de uma ou de outra disciplina. A minha batalha, se disso se trata, é contra um sistema desintegrado, que repete o passado e demonstra incapacidade de adaptação a um mundo que não é o da Sociedade Industrial. Sou avesso à segmentação da aprendizagem por disciplinas, sujeita a questionáveis rituais programáticos. Defendo que a aprendizagem deve assumir uma outra dimensão que obriga a pensar e a questionar os porquês. Um sistema, que bloqueia a curiosidade e empareda a aprendizagem julgo que não tem futuro. Não entender isto, pelo menos para mim, constitui uma clara fragilidade intelectual. 
Ainda há poucos dias, em uma iniciativa do governo regional da Madeira, foi o Juiz Conselheiro, hoje jubilado, Laborinho Lúcio, ele que não é docente, mas evidencia uma leitura sistémica do processo, que veio transmitir que não tarda o dia que as crianças dirão que têm um adulto dentro de si, tais são as características do sistema educativo. A simplicidade e acutilância deste pensamento deveria conduzir a uma profunda reflexão, partindo de uma única palavra: porquê? A questão tem sido, exactamente, essa, questionar-me sobre a estrutura do sistema, as razões da insatisfação e esgotamento dos professores, a estrutura da rede escolar, a autonomia das escolas, o paradigma curricular e pedagócico, a estrutura e financiamento da escola pública, a burocracia, a cultura, níveis económicos, familiares e a mentalidade da sociedade em geral, daí partindo, então, para um sistema de resposta a tanto abandono e insucesso. Doze escolas da Madeira e, dentro destas, sem se conhecer como foram seleccionados os alunos, resulta uma imagem que não se compagina com outras verdades. Por exemplo, no mesmo ano (2014/2015) do tal apregoado sucesso, posto em destaque pelo secretário da Educação, foi o mesmo ano escolar onde ficaram retidos ("cumbaram") 3.800 alunos, o que equivaleu a uma desperdício de 17 milhões de euros, partindo do pressuposto que cada aluno, em média, custa cerca de € 4.500,00. Pode então, sem esforço, se concluir, que o problema deve ser analisado não pelo lado da percentagem dos "reprovados", mas pelo lado do que o sistema deveria ter realizado, a montante e a jusante, no sentido de uma escola que não repita o passado e que, pelo contrário, seja fermento para o futuro.
Sou por um Sistema e por uma Escola com pensamento crítico politizado e não partidarizado. As escolas não podem ser comparadas às "linhas de montagem". Por isso, não entrando por outras substantivas razões, estou muito próximo de Pepe Menéndez, diretor adjunto da Fundació Jesuïtes Educació, da Catalunha, quando, recentemente, enalteceu em uma entrevista ao DN-Lisboa: "(...) A mudança está em olhar para as coisas de forma diferente: o que queremos? Nós, jesuítas, dizemos: queremos alunos competentes, compassivos, conscientes, comprometidos e criativos. Que sejam capazes de construir o seu projecto de vida, é esse o centro do nosso projecto educativo. É preciso fazer coisas no colégio para que o aluno se vá construindo, e todos os conhecimentos têm de ser metidos dentro do projecto. Não é: "A minha vida é isto e os meus conhecimentos estão noutro lado. Tenho de integrá-los" (...) Há, portanto, que mudar o olhar, de acordo com o filósofo [Zygmunt] Bauman que fala de um mundo líquido. Ironizo: ele não falou da Matemática! Pepe Menéndez, a par de muitos outros autores e de experiências que estão a acontecer em tantos espaços, nessa entrevista sublinhou: "(...) Aplicamos uma parte da [Teoria] das Inteligências Múltiplas (Howard Gardner, 1985, Harvard), uma parte da aprendizagem baseada em problemas, uma parte do trabalho colaborativo, e fazemos um ecossistema. O nosso modelo baseia-se muito no trabalho interdisciplinar por projectos". Saliento eu, para que a Escola, como já alguém referiu, não seja "a catedral do tédio". Não perceber esta relevância, misturando alhos com bugalhos, expõe, repito, uma fragilidade de pensamento que gostaria que nenhum governante evidenciasse. Mas agradeço a referência, pois ela permitiu-me, dentro da minha fragilidade, eu que não sou investigador, aqui colocar algumas coisitas que me preocupam. Sinto-me feliz por chegar à aposentação e continuar a acreditar que é sempre preferível ser prospectivo do que repetir o passado. Quanto a "burros" e "incompetentes" essas são palavras do secretário, nunca minhas. Jamais, porque alunos, professores e pais estão na primeira linha do meu respeito e preocupações.
Ilustração: Google Imagens.