Segunda-feira, 19 de Março de 2012

ESCOLAS COM TELEFONES CORTADOS! E O RESTO QUE ESTÁ "CORTADO"?


É claro que este quadro, sumariamente descrito, coloca em causa um outro muito mais grave: o cumprimento dos projetos educativos. Sem dinheiro, gerido com rigor e disciplina orçamental, obviamente que o processo ensino-aprendizagem se ressente. Dir-se-á que se remedeia ou, na expressão do Dr. Jaime de Freitas, conduz-nos ao que ele considera de "serviços mínimos". Lamentavelmente, é o próprio responsável máximo que pede "serviços mínimos", como se a Escola fosse a empresa "Horários do Funchal" em situação de greve e o governo determinasse o cumprimento da lei das ligações mínimas. Na escola, com uma agravante, a imposição de serviços mínimos tem caráter permanente!


Resta utilizar a criatividade dos meninos!
Desenrasquem-se, estamos com "serviços mínimos"
Noticia a edição de hoje do DN que mais quatro escolas estão com os telefones cortados. Nem recebem, nem podem chamar. Isto é, os professores, em geral, os conselhos executivos e os diretores de turma em particular, se, por necessidade de trabalho necessitarem de estabelecer contatos urgentes, diz o governo... paguem do seu bolso, utilizem o seu telemóvel, ou sejam criativos! E as comunicações não são aspeto de menor importância numa escola: é o acidente que implica solicitar socorro, é o contato com o encarregado de educação por varíadíssimos motivos, desde o processo de aprendizagem às questões de saúde ou de indisciplina.
Pode ter existido, aceito, aqui e ali, algum abuso na utilização dos meios, confesso, facto que nunca percecionei. Fiz muitas chamadas pessoais do telefone fixo da escola, mas sempre me exigiram o respetivo valor. Sou testemunha disso. Mas o problema ultrapassa a questão dos telefones serem cortados por falta de pagamento. O problema é muito mais grave. Quem estiver com atenção tomará consciência que a escola está a rebentar pelas costuras. Basta estar atento à comunicação social. Ontem foi o gás, hoje é o telefone, a reprografia não tem dinheiro para o toner e para o papel, o higiénico falta nas casas de banho, os fornecedores do pãozinho, alguns, não recebem há um ano, os fornecedores em geral levam muitos meses de atraso, os consumos de água e energia elétrica somam meses de faturas pregadas no teto, as empresas de transportes reclamam dívidas pelos transportes no âmbito da Ação Social Escolar, há escolas que, após a aula de Educação Física, os alunos das duas, uma: ou não tomam banho ou a água fria é a solução, há preocupantes saldos negativos a transitarem de ano para ano, enfim, vive-se uma situação de descalabro no sistema, sublinho, há muito denunciado e sempre escondido ou desvalorizado.
É claro que este quadro, sumariamente descrito, coloca em causa um outro muito mais grave: o cumprimento dos projetos educativos. Sem dinheiro, gerido com rigor e disciplina orçamental, obviamente que o processo ensino-aprendizagem se ressente. Dir-se-á que se remedeia ou, na expressão do Dr. Jaime de Freitas, conduz-nos ao que ele considera de "serviços mínimos". Lamentavelmente, é o próprio responsável máximo que pede "serviços mínimos", como se a Escola fosse a empresa "Horários do Funchal" em situação de greve e o governo determinasse o cumprimento da lei das ligações mínimas. Na escola, com uma agravante, a imposição de serviços mínimos tem caráter permanente!
Mas a situação é, ainda muito mais grave do que a descrita. Durante 28 meses os docentes tiveram as progressões na carreira docente completamente bloqueadas. Nos Açores, o governo, através dos mecanismos autonómicos, não só entendeu que todo esse tempo deveria contar para efeitos de contagem de tempo para a progressão, como também os deveria pagar, por tranches acordadas com os parceiros sociais, toda essa "dívida". E pagou aos docentes e a todos os funcionários públicos, recolocando-os nas suas carreiras de acordo com o tempo efetivamente prestado. Na Madeira, não só o tempo não contou, como não pagou, como, após o desbloqueamento do congelamento, aos que foram avaliados e demonstraram estar em condições de progredirem na carreira, mantém uma dídida aos professores de mais de seis milhões de euros. Qualquer pessoa, mesmo que militante do PSD, ao olhar para um quadro destes, penso que a sua consciência ficará atormentada. São dívidas que o presidente do governo não pode, em defesa do seu coração, pedir aos credores para irem a Lisboa sacar o dinheiro!
O que decorre desta situação, no essencial,  é que o governo e a maioria na Assembleia, andam a brincar com o sistema educativo em geral e com os professores em particular. E cada dia que se passa, por um lado, a fatura aumenta e, naturalmente, também, os "serviços mínimos". Tudo isto tem de ser esclarecido. O sistema não aguenta por muito mais tempo este abandalhamento.
Ilustração: Google Imagens.

Domingo, 18 de Março de 2012

FENIX DO ATLÂNTICO


"Um dia a Madeira também renascerá das cinzas"



Passo, diariamente, pelo blogue do Jornalista Luís Calisto: www.fenixdoatlantico.blogspot.com. É um prazer. O humor através de uma bilhardice refinada e profunda, a análise, o outro ângulo dos assuntos, os tiros certeiros à Quinta das Angústias e ao seu "vigia da quinta", as fotos, tudo me enche de um grande prazer logo pela manhã.
"Um dia a Madeira também renascerá das cinzas", diz o Jornalista, esse dia, do cinzento que, curiosamente, é cor de fundo do blogue, tornar-se-á em uma outra mais esperançosa para todo o povo da Madeira e do Porto Santo.
Aqui fica o meu destaque: visitem o blogue, pois vale a pena. Ali, tudo é visto à lupa.
Ilustração: Google Imagens.

DEMISSÃO QUE FICA BEM, MAS QUE NÃO EXPLICA TUDO!


A questão do IVA, apesar de ser um problema grave, não pode esconder a gravíssima cumplicidade do CDS/PP e do PSD que são governo na República. É dessa coligação de que fazem parte os partidos homólogos da Madeira que, a honestidade inteletual, deve observar. Ora, a demissão fica bem, mas não explica tudo! Os responsáveis pela ausência de um pacote de medidas ajustado à Região, distribuído no tempo, suave e que tivesse em conta a descontinuidade geográfica e a ultraperiferia tem responsáveis, precisamente os dois dois partidos da Madeira e os dois partidos que asseguram o governo na República. Não tiveram capacidade de negociar, assistiu-se, durante largo tempo, a um jogo de sombras e de empurra, mas a verdade é que o seu cartório está cheio de culpas. Imagino a cantoria que não seria se o Engº José Sócrates ainda fosse primeiro ministro! Portanto, a história deste processo não pode circunscrever-se a uma demissão que, embora digna, não deixa de ser uma maquilhagem, uns retoques no rosto da cumplicidade.


Não me admira que, a este ritmo, lá para Agosto, a Madeira atinja 25.000 desempregados. Façam as contas que fizerem, aquelas continhas que o Dr. Brazão de Castro era especialista, isto é, o desemprego crescia e a taxa diminuia, a verdade é que estamos em cima dos 19% de desemprego. E se a cifra dos 25.000 for, lamentavelmente, atingida, poderemos entrar nos 22 a 23% de desemprego. A acontecer será, obviamente, uma calamidade. Já é, mas agravar-se-á. A juntar a isto, o IVA, esse imposto cego que tanto atinge pobres como abastados, a supressão do subsídio de insularidade de 2% que os funcionários públicos dele se serviam para colmatar algumas insuficiências, o subsídio de férias cuja esmagadora maioria pura e simplesmente não o vai receber, o IMI, o imposto de circulação automóvel, o agravamento do IRS, as mais que prováveis taxas moderadoras, o despedimento de funcionários públicos, os combustíveis e tanto mais que tornará a vida dos madeirenses um calvário. Este é um cenário, muito cinzento, e não vejo outro que possa ser concebido com tonalidades mais esperançosas, mais concordantes com a Primavera que se aproxima. Perante isto, vejo políticos com responsabilidades governativas, conformados, fazendo apelo a discursos patéticos, que isto não será de sangue, suor e lágrimas e que dentro de quatro anos teremos as contas em dia (como se isto fosse verdade). Que hipocrisia!
No olho deste tornado que, lentamente, se abate sobre a Madeira, leio a notícia da demissão do vice-presidência do grupo parlamentar do CDS/PP, ele também líder deste partido na Madeira. É evidente que, "in extremis", face a um quadro conjuntural que não lhe permitia outra saída, a demissão do Senhor José Manuel Rodrigues acaba por ter dignidade política. Mas o problema não é esse, não pode ficar por aí, porque o problema é muito mais vasto. Eu lembro-me das palavras ditas quando os socialistas governavam. E tenho presente toda a ação política corrosiva contra Sócrates e seu governo. O alvo estava definido porque interessava desgastar até à perda de credibilidade no sentido de chegar ao poder. E foi isso que foi feito. Ora, a questão do IVA, apesar de ser um problema grave, não pode esconder a gravíssima cumplicidade do CDS/PP e do PSD que são governo na República. É dessa coligação de que fazem parte os partidos homólogos da Madeira que, a honestidade inteletual, deve observar. Ora, a demissão fica bem, mas não explica tudo! Os responsáveis pela ausência de um pacote de medidas ajustado à Região, distribuído no tempo, suave e que tivesse em conta a descontinuidade geográfica e a ultraperiferia tem responsáveis, precisamente os dois dois partidos da Madeira e os dois partidos que asseguram o governo na República. Não tiveram capacidade de negociar, assistiu-se, durante largo tempo, a um jogo de sombras e de empurra, mas a verdade é que o seu cartório está cheio de culpas. Imagino a cantoria que não seria se o Engº José Sócrates ainda fosse primeiro ministro! Portanto, a história deste processo não pode circunscrever-se a uma demissão que, embora digna, não deixa de ser uma maquilhagem, uns retoques no rosto da cumplicidade.
Ficou bem, mas não apaga a história do processo. A demissão equivale à imagem da bacia de Pilatos e, na política, não pode ser assim. O IVA é uma parte e o resto, questiono? Será correto ficar pelas declarações assim-assim? Que posições foram assumidas pelo CDS/PP, partido de governo na República, para colocar em causa e travar, no sentido do seu reequacionamento, toda a proposta do PSD da Madeira? Que proposta alternativa foi apresentada? Que eu saiba, o PS-Madeira apresentou uma, devidamente estruturada e fundamentada, que teve o destino de todas as outras: o caixote do lixo. Mas, pelo menos, houve essa tentativa.
Como mero observador destas questões, lamento que se continue a querer passar entre a chuva sem se molhar. A Madeira precisa de atitudes sérias, frontais, doa a quem doer, coloque ou não em causa os equilíbrios internos dos partidos, simplesmente porque há uma larga faixa da população que está a sofrer e que sofrerá ainda mais, a partir da implementação das medidas que os dois partidos na República assumiram.
Ilustração: Google Imagens.

Sábado, 17 de Março de 2012

A DEMOCRACIA MEDE-SE PELO CINTO


Quando olho para aquela triste Assembleia, para aquela monumental mentira que ali se desenvolve pela estridente gritaria da maioria política, onde todas as propostas são chumbadas, como se fossem portadores de uma verdade suprema e absoluta, como se ali estivessem os crâneos, os grandes pensadores, os filósofos, os políticos de craveira superior, os que "dão luzes ao mundo", fico a pensar se esta gente que por aí anda, amargurada, ferida no seu orgulho, que olha para os filhos e neles não vê futuro,  sem esperança, se esses milhares de homens e mulheres não terão uma palavra a dizer neste descalabro social! Terão, com toda a certeza, porque a democracia mede-se pelo cinto.


Cruzei-me, ao início da manhã, com um jurista. Na rápida conversa, do tipo, mais um fim de semana, o bom tempo que se faz sentir, etc, rapidamente, passámos à situação política regional. E aí falou-me, em abstrato, claro, de casos que lhe entram escritório adentro. Pessoas do grupo social que se configurou designar por classe média que, há muito pouco tempo, ele empresário, ela bem empregada, com filhos e com a sua casa e carro(s), hoje encontram-se perdidos, sem saber como sair do redemoinho em que se encontram. Estão completamente sugados pelo desastre regional. A empresa faliu e ela ficou desempregada. Um quadro suficiente para qualquer pessoas ficar de coração apertado. Imagino o drama dessa(s) família(s), ou melhor, das centenas de famílias que hoje, na Região, estão mergulhadas nessa desesperante angústia. O Senhor Bispo Emérito D. Teodoro de Faria, na edição de hoje do DN, assumiu: "Para dizer que há pobres entre nós basta ter os olhos abertos. Eles entram-nos pela porta dentro". Complemento: só o governo não vê, só os deputados da maioria na Assembleia Legislativa da Madeira não conseguem enxergar, porque veem o mundo dos outros à semelhança do seu bem estar.
É evidente que folgo com a declaração do Senhor D. Teodoro de Faria, mas não deixo de dizer que a Igreja tem acrescidas culpas neste processo, porque foi demasiado serena, branda e, por vezes, cúmplice perante os erros que estavam a ser cometidos, porque não basta, Senhor D. António, revitalizar as instituições caritativas numa lógica de andar atrás do prejuízo, Ela tem de assumir um discurso firme que coloque, proativamente, em alerta os cidadãos e o poder político. O que aconteceu e acontece é que, lamentavelmente, a Igreja, embora faça todos os possíveis por não parecer, assume o discurso partidário da maioria. A situação do Jornal da Madeira constitui, apenas, uma ponta do icebergue das relações que bloqueiam essa atitude firme contra os comportamentos políticos que se desviam da própria Palavra. Neste caso, o governo rouba quatro milhões anuais da boca dos pobres. Isto para não falar da falta de sensatez no "caso" do Padre Martins Junior, da Ribeira Seca. Porquê? Que cumplicidade política é essa? Depois, há muitos subsídios em jogo, há muitas igrejas construídas não pelo Povo, mas pelos interesses do poder político, e tudo isto, eu compreendo, todos compreendem, que tem limitado a participação livre da Igreja.
Desviei-me um pouco do que vinha a desenvolver, em função das palavras de D. António de Faria. A conversa desta manhã com o tal jurista, não que eu não tenha a noção do que está a acontecer, mas porque quando os assuntos são trazidos à colação, deles tomamos uma melhor consciência. E quando olho para aquela triste Assembleia, para aquela monumental mentira que ali se desenvolve pela estridente gritaria da maioria política, onde todas as propostas são chumbadas, como se fossem portadores de uma verdade suprema e absoluta, como se ali estivessem os crâneos, os grandes pensadores, os filósofos, os políticos de craveira superior, os que "dão luzes ao mundo", fico a pensar se esta gente que por aí anda, amargurada, ferida no seu orgulho, sem esperança, que olha para os filhos e neles não vê futuro, se esses milhares de homens e mulheres não terão uma palavra a dizer neste descalabro social! Terão, com toda a certeza, porque a democracia mede-se pelo cinto.
Ilustração: Google Imagens.

Sexta-feira, 16 de Março de 2012

UM PRESIDENTE SEM UNHAS PARA TOCAR ESTA GUITARRA



Ora bem, depois do que ontem escutei no Parlamento, naqueles sessenta minutos de total vazio político e conceptual, sem uma única ideia de caminho a seguir, de um discurso cheio de máscaras, mais parecendo um jogo das escondidas, o presidente demonstrou que não tem unhas para esta guitarra. Continua a tocar de forma desafinada, com fífias atrás de fífias, com uma banda de 25 músicos que teima em tocar de cor e de olhos fechados, que nem olha para a pauta porque os símbolos nada lhes dizem, tão obcecados estão pelo seu metro quadrado de influência. O som que sai é de tambor velho e roto nas pontas e em ritmo carnavalesco. E, no final, aplaudiram o "maestro" porque ele tem a batuta de quem pode pertencer à orquestra.


Cada vez mais se torna importante saber ler
a pauta das questões globais
da vida da sociedade.
Acho muita piada à monumental lata do Senhor Presidente do Governo Regional da Madeira quando se refre ao seu homólogo açoriano. Carlos César, assumiu Alberto João Jardim,  anda a dizer "disparates para disfarçar a sua incompetência" (...) "Estou-me nas tintas para o que diz o senhor Carlos César, ele não tem categoria para me incomodar". Vê-se! Isto é, nos Açores, segundo as instituições de estatística e de acordo com o Ministério das Finanças, não precisa de um qualquer plano de ajustamento financeiro; aqui, na Madeira, face ao descalabro das contas públicas, está uma população inteira com a corda no pescoço. Nos Açores, fruto da Lei das Finanças Regionais em vigor, há uma substancial diferenciação fiscal que pode ir até aos 30%, o que significa que as famílias têm, indiscutivelmente, a carteira mais recheada; na Madeira, consequência das opções políticas tomadas ao longo de trinta e tal anos, estamos sujeitos a uma dupla austeridade, a de implicações nacionais à qual se soma o pagamento da fatura das megalomanias que atingem os seis mil milhões, fora os montantes das parcerias público-privadas. Contas certinhas, tudo somadinho, a Madeira tem às costas mais de oito mil milhões por pagar.
É evidente que os Açores têm uma dívida, só que ela está controlada e situa-se em valores absolutamente aceitáveis. Tomara que a dívida da Madeira estivesse a um nível que não exigisse qualquer tipo de resgate. Ademais, os Açores são nove ilhas espalhadas por 600 quilómetros, enquanto nós somos duas ilhas habitadas separadas por cerca de 50 quilómetros. São, por isso, completamente diferentes as exigências de administração de duas ilhas relativamente a nove, em todos os planos de análise nos vários setores da governação. Perante isto, o presidente do governo regional da Madeira tem ainda a distinta lata de assumir que Carlos César é que é o incompetente. Para o Dr. Alberto João Jardim incompetente é quem tenta ter as contas equilibradas, competente é aquele que gasta à tripa forra, gasta o que tem e o que não tem, desde que não seja ele a pagar a fatura. Quem assim se comporta com o dinheiro público será que também gere de igual forma, na sua via privada, o seu próprio dinheiro? Ou será que a gestão da sua economia familiar assenta em outro padrão de comportamento, equilibrado, sustentável, de tal forma que possa circular em todas as ruas da cidade sem que alguém lhe puxe pela banda do casaco: senhor dr. tem aqui esta faturazinha, ela já tem quase três anos...
Ora bem, depois do que ontem escutei no Parlamento, naqueles sessenta minutos de total vazio político e conceptual, sem uma única ideia de caminho a seguir, de um discurso cheio de máscaras, mais parecendo um jogo das escondidas, o presidente demonstrou que não tem unhas para esta guitarra. Continua a tocar de forma desafinada, com fífias atrás de fífias, com uma banda de 25 músicos que teima em tocar de cor e de olhos fechados, que nem olha para a pauta porque os símbolos nada lhes dizem, tão obcecados estão pelo seu metro quadrado de influência. O som que sai é de tambor velho e roto nas pontas e em ritmo carnavalesco. E, no final, aplaudiram o "maestro" porque ele tem a batuta de quem pode pertencer à orquestra.
Como se isto não bastasse, pela tarde, 58 propostas de alteração ao Plano e Orçamento da Região para 2012 foram chumbadas pelo PSD. Isto é, os social-democratas chumbaram todas, o que significa que, na Assembleia, continua aberta a época de caça. Chumbo em cima daqueles que desejariam um Orçamento mais equilibrado. É certo que a maioria política não iria governar com o Orçamento da oposição, mas também é certo, pelo menos duas coisas: primeiro, que o exercício da política assenta na arte da negociação, aspeto que o PSD não sabe o que é; segundo, ninguém acredita que nem uma proposta em 58 tivesse o mérito de ser considerada, pela sua importância face ao orçamento apresentado. O PSD continua, assim, na lógica do quero, posso e mando, apesar de ter mais deputados do que votos expressos nas urnas. Isto acaba mal, ora se acaba!
Ilustração: Google Imagens.

Quinta-feira, 15 de Março de 2012

UM GOVERNO QUE VÊ O FILME AO CONTRÁRIO



Olho para aquele naipe de governantes e interrogo-me: como é possível aturar estas figuras, com discursos repetitivos, que fogem às questões, que citam Einstein com um desplante e insensibilidade social arrepiante, que não trazem nada de novo e que apenas querem manter o poder. Isto tem de ter um fim, mesmo que os muros sejam muito altos. Esta acomodação, estes silêncios enervantes, este discurso de hoje do presidente do governo que foi mais do mesmo, esta monumental mentira política que foi construída, esta pobreza que cresce, este desemprego que não pára, então tudo isto não terá de ter um fim? Terá concerteza! O filme, mesmo sem legendas, será compreendido por todos, mesmo por aqueles que agitam bandeiras naqueles jantares à borla.


Shakespeare: words, words, words, nothing, but words.
Um orçamento criminoso de um governo insensível ao quadro dramático com o qual a Madeira se confronta. Quem o desenhou e quem o aprovou em sede de governo e quem o aprovou em sede de plenário da Assembleia, assume, também o epíteto de criminoso político. É impressionante como tentaram dar a volta à realidade, a avaliar pela forma como os discursos foram produzidos pelos secretários e esta manhã pelo presidente do governo, com cambalhotas e aterradores números de ilusionismo, como se todos não estivessemos a ver o filme. Não tenho a certeza de já aqui ter contado, e se contei foi há muito, pelo que a essa história regresso. Em uma da minhas passagens por Bissau, após uma longa estada no mato, em Guilege de má memória, o clube de oficiais, em Santa Luzia, dispunha de uma piscina e de um extenso relvado. Ao Sábado, colocavam dois grandes mastros nos muros que circundavam o espaço, estendiam uma espécie de tela suficiente para passar um filme. Os militares e famílias, em cadeiras de praia, estendiam-se pelo relvado e assistiam, no meio daquele calor infernal, a uma sessão de cinema. Era agradável. Do lado de fora dos muros, já na tabanca, aglomeravam-se centenas de nativos sentados no chão que seguiam o filme com as imagens, obviamente ao contrário. A maioria não sabia ler e, portanto, pouco interessava se tinha ou não legendas e se as imagens eram seguidas inversamente ao que nós, confortavelmente, víamos. Em síntese, eles viam o filme!
Ora, na Assembleia, com o devido respeito pelo Órgão, o que lá se passou deixa transparecer a sessão de cinema na Guiné-Bissau. O Plano e Orçamento para 2012 foi aprovado, embora com 23 deputados a dizerem muito mal do filme, mas fora daquela "tabanca" em jeito de hemiciclo, a ideia que fica (os tempos mais próximos o dirão) é que temos uma população que olha para aquilo e pouco ralada está com as legendas ou se as figuras se movimentam da direita para a esquerda ou da esquerda para a direita. Sabem que estão a seguir uma coboiada, mas o enredo da história e se o xerife tem razão ou não, para já denunciam que não estão para aí virados. Mas vão estar. Não levará muito tempo e poderão saltar o muro para verem o filme tal qual foi produzido. E responsabilizará o produdor-realizador. É difícil essa movimentação, eu sei, até porque ao longo de trinta e tal anos, construíram muros muito altos, com muitos arames e colocaram, por todo o lado, muitos seguranças ou válvulas de segurança. 
A verdade é que, ainda hoje, olhei para aquele naipe de governantes e interroguei-me: como é possível aturar estas figuras, com discursos repetitivos, que fogem às questões, que citam Einstein com um desplante e insensibilidade social arrepiante, que não trazem nada de novo e que apenas querem manter o poder? Isto tem de ter um fim, mesmo que os muros sejam muito altos. Esta acomodação, estes silêncios enervantes, este discurso de hoje do presidente do governo que foi mais do mesmo, esta monumental mentira política que foi construída, esta pobreza que cresce, este desemprego que não pára, então tudo isto não terá de ter um fim? Terá concerteza! O filme, mesmo sem legendas, será compreendido por uma outra maioria, mesmo por aqueles que agitam milhares de bandeiras naqueles jantares à borla.
Os discursos desta manhã dos dois representantes do PSD (do líder do grupo parlamentar, senhor Jaime Ramos e do Presidente do Governo, Dr. Alberto João Jardim), foram muito claros quanto à ausência de respostas para os problemas que a Madeira tem para resolver. Do líder do grupo parlamentar do PSD retive as seguintes palavras-chave: covardes, vendilhões do templo, corruptos, traidores, comentadores de meia tijela, gente falsa, medíocres, hipócritas, arruaceiros, mercenários, mentirosos, carácter de malvadez, betinhos, mentes colonialistas; do Dr. Jardim, fiquei com a sensação que se tratou de um copy-past, com algumas naturais adaptações, dos discursos dos anos anteriores. Pobre, muito pobre, porque voltado para o passado, para o ataque às pessoas que se lhe opõem e, portanto, sem uma leitura do atual quadro e respetivas saídas da situação que garantam prosperidade para os madeirenses e portosantenses. Um discurso que repete o passado, dele apenas se pode esperar a repetição dos mesmos erros no futuro. Enfim, o governo continua a ver o filme ao contrário! 
Ilustração: Google Imagens.

Quarta-feira, 14 de Março de 2012

EINSTEIN, O VENTURA E A ESTUPIDEZ HUMANA



Passou-lhe pela cabeça que a fome e o desespero por variadíssimas razões, não podem esperar para amanhã? Que o pagamento das obrigações assumidas com a habitação, com a educação ou com a saúde, não podem aguardar por um dia que não se sabe quando chegará? Terá consciência que ele, como eu, podemos adquirir mais do que o essencial para viver com dignidade e que muito mais de metade da população, neste momento, conta cêntimos para sobreviver? Saberá o secretário o que é ter de viver de ajudas, quando, ainda há pouco, não precisavam de ir bater à porta da paróquia, da sopa do Cardoso e de muitas instituições, virando a cara para o outro lado, com o receio de não serem reconhecidos(as)?


Sinto uma grande revolta, desde ontem, apenas por uma frase dita pelo secretário regional do Plano e Finanças: "a crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e os países, porque a crise traz progressos" (Einstein). Pergunto: este político terá consciência do que disse? Terá noção da monstruosa agressividade da frase junto daqueles que, em sentido lato, andam aí de mão estendida? Passou-lhe pela cabeça que a fome e o desespero por variadíssimas razões, não podem esperar para amanhã? Que o pagamento das obrigações assumidas com a habitação, com a educação ou com a saúde, não podem aguardar por um dia que não se sabe quando chegará? Terá consciência que ele, como eu, podemos adquirir mais do que o essencial para viver com dignidade e que muito mais de metade da população, neste momento, conta cêntimos para sobreviver? Saberá o secretário o que é ter de viver de ajudas, quando, ainda há pouco, não precisavam de ir bater à porta da paróquia, da sopa do Cardoso e de muitas instituições, virando a cara para o outro lado, com o receio de serem reconhecidos(as)?
Ora, esta frase de total insensibilidade, grosseira, ofensiva, que denota um claro encolher de ombros perante os outros, do tipo, desenrasquem-se, façam-se à vida, merece o mais vivo repúdio de toda a população. Um político não pode, em circunstância alguma, dizer uma enormidade daquelas. Porque aquela frase, extraída de um texto de Albert Einstein, foi metida a martelo no seu discurso, tem um contexto e esse contexto não é aquele que se vive na Madeira e que o secretário ajudou a criar ao longo de anos. Porque logo de seguida, para completar o seu raciocínio, apelando a Einstein, podia e devia o secretário falar da crise consequência da incompetência, isto é, que "não podemos querer que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo". Ora, já que o secretário Ventura Garcês terá feito uma busca no Google para procurar encaixar uma frase com alguma profundidade de pensamento, também deveria passar pelo citador das frases emblemáticas de Einstein e confrontar-se-ia com uma muito interessante: "Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta." Se a lesse, certamente, não designaria a crise como benção no caso específico da Região Autónoma da Madeira. Aliás, Einstein também falou da incompetência e esse aspeto deveria ter o secretário em conta. Mas seja como for, quero lá saber de Einstein no debate do Plano e Orçamento. O que eu quero e, certamente, todos os madeirenses querem, é um orçamento de verdade e sobretudo um plano que faça crescer a economia. E isso, pelo que tenho vindo a ler e a perceber, não existe, o secretário não sabe como fazer, pois ali apresentou, a solo, um extenso rol de pagamentos, um pseudoplano que, no essencial, é papel com letras e números! Não é por aí que a crise será superada. E acho muita piada quando o secretário assume de peito cheio de ar que "não vamos esconder os problemas, vamos enfrentá-los". Mas há quantos anos anda a esconder os problemas? Há quantos anos os orçamentos são uma farsa? Há quantos anos o discurso é o da mentira, eu diria até, uma grande aldrabice como facilmente se prova pelos os indicadores que hoje estão à nossa frente?
Diz-se, por aí, que este secretário regional terá pedido para não continuar na governação. Se é verdade, momento houve em que foi clarividente, pois sabia o que se escondia por detrás do discurso político. Teve de ficar e, portanto, reconheço que não lhe resta outro discurso senão o da continuação da farsa. Mas está sempre a tempo. Um político está enquanto quiser, não tem algemas, nem está metido em um colete de forças. Ou terá e está e nós não descortinamos?
Ilustração: Google Imagens.

Terça-feira, 13 de Março de 2012

A CULPA É DA MADEIRA? MAS AINDA HÁ DÚVIDAS?


Responder em bloco às perguntas dos deputados constitui a situação mais ridícula e ofensiva num parlamento. Um deputado que coloca uma pergunta tem o direito de ver a sua questão esclarecida, não no meio de outras 34 questões, mas cara a cara e olhos nos olhos. Mas o secretário tem medo desse sistema. Sempre teve medo. Porque ao responder em bloco, pode fugir como quiser às questões mais complexas porque sabe que não terá contraditório; ao responder individualmente, sabe que as questões seguintes podem incidir sobre a sua resposta anterior, o que para ele se torna complicado de gerir. Eu diria que não há diferença alguma entre um plenário desta natureza e uma sessão do Parlamento Jovem!


Começou, esta manhã, na Assembleia Legislativa da Madeira, aquilo que se convencionou designar por debate do Plano e Orçamento da Região. Assisti pela RTP-Madeira já que, lamentavelmente, o sítio da internet da ALRAM continua, inexplicavelmente, a não disponibilizar a sessão em direto. E este aspeto é importante, porque, na parte da tarde, far-se-á total silêncio público sobre o "debate", porque a RTP não transmitirá as intervenções dos seis partidos da oposição. Constituirá, isto, "serviço público", em um momento dramático da vida dos madeirenses e portosantenses? O que pensa a direção da RTP em Lisboa? E o Senhor Ministro da República que intervenção fez no sentido de corrigir esta anomalia? Ao serviço de quê e de quem é que esta situação acontece? Bom, são preocupações legítimas que aqui coloco, sobretudo porque os madeirenses e portosantenses têm o direito de conhecer as linhas mestras que o Plano e Orçamento determinará para as suas vidas ao longo do ano de 2012.
Independentemente deste aspecto, saliento, desde já, dois factos que demonstram, inequivocamente o estado da democracia, da vida e da vivência política na Região: o presidente do governo, após ter escutado a intervenção do secretário do Plano e Finanças, pegou na sua malinha e pôs-se a andar do hemiciclo. Fugiu. Aliás, o que normalmente faz. Por outro lado, o secretário responsável pelo Plano e Finanças, decidiu, uma vez mais, responder em bloco às perguntas dos 34 deputados que se inscreveram para colocar as suas dúvidas. Responder em bloco aos deputados constitui a situação mais ridícula e ofensiva num parlamento. Um deputado que coloca uma pergunta tem o direito de ver a sua questão esclarecida, não no meio de outras 34 questões, mas cara a cara e olhos nos olhos. Mas o secretário tem medo desse sistema. Sempre teve medo. Porque ao responder em bloco, pode fugir como quiser às questões mais complexas porque sabe que não terá contraditório; ao responder individualmente, sabe que as questões seguintes podem incidir sobre a sua resposta anterior, o que para ele se torna complicado de gerir. Eu diria que não há diferença alguma entre um plenário desta natureza e uma sessão do Parlamento Jovem!
Portanto, este pseudodebate começou mal e dele nada resultará. O que assisti até agora foi um PSD apavorado, muito preocupado, a defender o que aos olhos de todos é indefensável, com decibéis muito acima do normal, com uma postura agressiva mas com os deputados a espelharem nas suas caras um desconforto muito grande. E quando o Deputado Coito Pita questionou se é a "Madeira que tem culpa", eu pergunto, se ele, lá no fundo, ainda tem dúvidas? Quem é que geriu o processo ao longo de 36 anos? Quem é que gerou a monstruosa dívida? Se ele, no seu escritório ou na sua vida particular, não tem preocupações em não gastar menos do que ganha? Se ele andar mal, gastando acima das suas possibilidades, não será responsabilizado pelo seu descontrolo? Ora, esta manhã, o pseudodebate do Plano e Orçamento, exatamente no momento em que fala o secretário que responde às tais 34 perguntas dos Deputados, ocorre-me o célebre "sketch" do "Gato Fedorento" que aqui deixo...

Segunda-feira, 12 de Março de 2012

MAMAS PARA QUE TE QUERO?



Se há tetas em fase minguante, pergunto, quem as fomentou, quem as disponibilizou à vez, quem permitiu utilizá-las, muitas vezes, de forma sôfrega? Se a consciência lhe diz da existência de tetas que o regime expandiu por toda a Região no tempo das vacas gordas, com que lata vem agora delas falar, como se nada tivesse a ver com essa alegada distribuição de bocas famintas de poder e de dinheiro?


Há "muita gente a mamar na teta do Regime", disse, ontem, o Presidente do Governo Regional em mais um adro de igreja. O que me leva a dizer, desde logo, que, afinal, ao contrário da apregoada transparência, da isenção, dos cuidados relativamente ao desperdício e aos interesses que se movimentam na orla da governação, o presidente assume que o regime tem tetas, digo eu, e que tetas(!), as tais que levaram ao caos que hoje é a Madeira. Nada que não se soubesse e desde há muitos anos. Apenas se assiste à assunção da verdade através do deslizar da língua para essa incontornável verdade. No fundo, o que o presidente veio para o adro assumir, corresponde a um tiro para dentro do seu próprio partido, para todos quantos alimentaram o regime e que  estiveram e estão sentados à mesa do orçamento, comendo e rapando o tacho, colocando-os, agora, de sobreaviso que, das duas, uma: ou estão com ele ou, então, tê-lo-ão à perna. Porém, se há tetas em fase minguante, pergunto, quem as fomentou, quem as disponibilizou à vez, quem permitiu utilizá-las, muitas vezes, de forma sôfrega? Se a consciência lhe diz da existência de tetas que o regime expandiu por toda a Região no tempo das vacas gordas, com que lata vem agora delas falar, como se nada tivesse a ver com essa alegada distribuição a bocas famintas de poder e de dinheiro?
Bom, diz a sabedoria popular que "pela boca morre o peixe" e, se desta vez foi um pouco mais longe em sua clara defesa, do tipo, eu sou muito sério, mas há por aí gente que não se cansa de mamar, o presidente, conhecida a sua velha e repetitiva estratégia de baralhar e dar de novo, esteve no adro mas não terá convencido. Porque as pessoas estão fartas, a população já conhece a sua "homília", as gentes estão com um aperto na garganta e voltam-lhe as costas sabendo que aquela é já conversa de treta e fiada. Dizer que as contas vão ficar equilibradas em quatro anos constitui uma treta, uma colossal mentira, pois bastará fazer umas continhas, poucas, e todos concluirão que temos drama para vinte a trinta anos, se outras medidas e solidariedades não forem assumidas. Aguardemos pelo "debate" do Plano e Orçamento e quem estiver atento aperceber-se-á da realidade.
Finalmente, na última campanha eleitoral para as legislativas regionais, assisti a alguns párocos (e bem) a solicitarem que não entrássemos no adro com fins de mensagem política. Quem me acompanhava sempre respeitou essa posição. Não deixa de ser curioso que, agora, porque é o PSD, os adros das igrejas sejam invadidos por gente que, ainda por cima, após a Missa têm de escutar um homem a falar de gente que "mama na teta do regime", declaração que pode ser interpretada, também, como um deselegante aviso à Igreja Católica, beneficiária de substanciais apoios ao longo dos tempos. Mas, enfim, quem se coloca a jeito tem de silenciar ou frenar os seus posicionamentos. É caso para dizer, mamas para que te quero?
Ilustração: Google Imagens.

Domingo, 11 de Março de 2012

A INDISCIPLINA AUMENTA NAS ESCOLAS (DN). POR QUE SERÁ?



Por outro lado, a escola está hoje transformada, consequência de muitas situações sociais, em um espaço onde pontificam graves escalas de solidão (convinha o Senhor Secretário da Educação reler o Professor Adalberto Dias Carvalho, Doutor em Filosofia da Educação), porque as salas estão cheias, mas essas essas salas, simultaneamente, estão vazias. Há muito vinagre nas salas de aula! Só que, tudo isto, deveria implicar a necessidade do governo apresentar um novo desenho da organização social, porque os "filhos do insucesso e do abandono", os fatores geradores da indisciplina e de alguma violência têm origem, também, na redução dos tempos de convívio e de coresponsabilidade familiar.



O tema é muito vasto e complexo e não deve ser levianamente equacionado em meia dúzia de linhas. Há muitos estudos e trabalhos académicos sobre esta matéria, mas, em síntese, ao correr do pensamento e da digitação deste texto, acabamos por convergir em alguns itens centais: crónica ausência de políticas de família, de mudança de mentalidade (políticas de cidadania no sentido dos direitos e deveres) com exigência e rigor, obviamente; escolas sobredimensionadas no número de alunos e de turmas que as tornam impessoais e ingeríveis (na Finlândia, o país referência para muitos políticos, só 2% das escolas têm mais de 500 alunos - imagine-se a média!); conceção ultrapassada da arquitetura dos espaços escolares; formação inicial e contínua dos docentes no sentido de saberem lidar com uma nova reconfiguração da escola, com as desigualdades, com a diversidade cultural e das culturas; currículos e programas desadequados que não favorecem uma cultura e uma postura de participação crítica e interventiva, o que implica a reinvenção, a inovação, a criatividade, o reconhecimento da inutilidade dos monólogos, desenvolvendo, pelo contrário, o pensamento cognitivo, isto é, o "conhecimento poderoso" salientado por Michael Young; deficitária organização interna em função do essencial e do assessório; completa ausência de autonomia das escolas que gere identidade própria, pois a escola não deve reproduzir o sistema (vide Bourdieu - A Reprodução), acoitando-se em organizações sem voz e sem ousadia; reconhecimento da autoridade social da instituição escola em contraponto a uma escola dobrada pelos joelhos a vários níveis e de modelo autoritário, centralizador e imposto.
Ora, por outro lado, a escola está hoje transformada, consequência de muitas situações sociais, em um espaço onde pontificam graves escalas de solidão (convinha o Senhor Secretário da Educação reler o Professor Adalberto Dias Carvalho, Doutor em Filosofia da Educação), porque as salas estão cheias, mas essas essas salas, simultaneamente, estão vazias. Há muito vinagre nas salas de aula! Só que, tudo isto, deveria implicar a necessidade do governo apresentar um novo desenho da organização social, porque os "filhos do insucesso e do abandono", os fatores geradores da indisciplina e de alguma violência têm origem, também, na redução dos tempos de convívio e de coresponsabilidade familiar.
Mas quando o Secretário fala em "serviços mínimos" eu contraponho com Ortega y Gasset (1910): "a pedagogia é a ciência de transformar as sociedades". Ora, uma dimensão destas não pode ser assumida através de "serviços mínimos". A política dos "serviços mínimos" tem um objetivo: manter a ignorância, mesmo que subsista a indisciplina! Isso dá votos, tem dado votos e a ignorância altifalante não tem pejo algum em ver a ESCOLA como mero cumprimento da regra constitucional.
Mas estas são, apenas, algumas questões escritas ao correr do pensamento. Apenas para salientar que que a indisciplina tem causas muito mais profundas que necessitam aturada reflexão.

Sábado, 10 de Março de 2012

OLHA QUEM FALA...


Não vejo o Doutor Cavaco penitenciar-se pelos dez anos de Primeiro Ministro onde o setor primário foi arrasado e com a educação que viveu o pior momento da história recente, com cinco ministros por si nomeados em dez anos. Não se penitencia do défice que atingiu uma cifra superior a 8,9% do PIB. Esqueceu-se, como já aqui referi, do descalabro dos governos liderados por Durão Barroso/Santana Lopes, e que foi o governo do Engº José Sócrates que diminuiu o défice excessivo para valores de 2,6% (2007 e 2008). Esqueceu-se que tudo isso foi feito sem colocar em causa o apoio social que conheceu, a partir de 2005, um dos maiores e mais consistentes incrementos junto dos mais carenciados da sociedade. Lembro-me, por exemplo, da baixa no preço de 4.000 medicamentos que significou uma poupança para os portugueses de 726 milhões de euros; o Complemento Solidário para Idosos, instrumento poderoso para atenuar a pobreza de 200.000 portugueses; o apoio pré-natal; o Salário Mínimo que cresceu 20% nos últimos cinco anos; o Abono de Família, uma das prestações mais importantes que cresceu 25% no mesmo período. Tratou-se, aliás, do maior aumento de sempre conjugado com o 13º mês desta prestação social; a Acção Social Escolar, baseado nos escalões do abono de família, e que veio a beneficiar milhares de alunos e suas famílias; o apoio à parentalidade, onde a licença passou de cinco para dez dias de licença, acrescido de mais um mês caso o pai ficasse com a criança; a reforma da segurança social permitindo safar o País que se encontrava no abismo para uma situação de garantia de futuro.


Não nutro qualquer simpatia institucional pelo Senhor Presidente da República, Doutor Cavaco Silva. Tal como muitos observadores e comentadores, o Presidente, em muitas situações, o melhor que poderia fazer era estar caladinho, ou, pelo menos, ter memória fresca, para além da registada, no sentido de não colocar portugueses contra portugueses, em um momento muito particular da nossa História. Isto vem a propósito do prefácio do livro "Roteiros VI", onde desenvolve um claríssimo e, politicamente, violento ajuste de contas com o  antigo Primeiro Ministro, Engº José Sócrates. O texto do prefácio que pode ser lido aqui, o Presidente da República acusa o ex-Primeiro Ministro de falta de "lealdade institucional que ficará registada na história da nossa democracia". A resposta, através do Dr. Silva Pereira (ex-Ministro) não tardou: "O PR não tem nenhuma espécie de autoridade moral para acusar quem quer que seja de deslealdade institucional", assumiu que ele, Doutor Cavaco "é o campeão da deslealdade" e justificou com o caso da "célebre intriga das escutas" em Belém, que classificou como "uma pura inventona de ataque sórdido ao governo em funções", isto no decorrer do primeiro mandato de José Sócrates. E disse mais, que, "neste momento, alguém devia recordar ao senhor Presidente da República (PR) que ele ainda está em funções", pelo que aquele prefácio termina "da pior maneira um ano absolutamente desastroso no exercício da função presidencial, que conduziu, aliás, às mais baixas quotas de popularidade de que há memória".
Pode-se e aceito, naturalmente, as posições de análise crítica ao Engº José Sócrates. Não está, como qualquer outro, imune a críticas à sua governação. Assisti a muitas iniciativas de relevante interesse nacional, mas também outras deixaram-me com muitas reservas. Nunca vi nem vejo é o Presidente da República analisar, globalmente, o desempenho do nosso País, durante o tempo do Engº Sócrates, em função do contexto internacional, da crise que varreu todos os países, o facto de todos terem sido apanhados de surpresa, de nenhum economista ter previsto a situação a que a Europa chegou. A surpresa e progressiva degradação sistémica teve de ser gerida em tempo real, o que, no caso do nosso País, com históricas fragilidades estruturais, tornou a situação insustentável. Não vejo o Doutor Cavaco penitenciar-se pelos dez anos de Primeiro Ministro onde o setor primário foi arrasado e com a educação que viveu o pior momento da história recente, com cinco ministros por si nomeados em dez anos. Não se penitencia do défice que atingiu uma cifra superior a 8,9% do PIB. Esqueceu-se, como já aqui referi, do descalabro dos governos liderados por Durão Barroso/Santana Lopes, e que foi o governo do Engº José Sócrates que diminuiu o défice excessivo para valores de 2,6% (2007 e 2008). Esqueceu-se que tudo isso foi feito sem colocar em causa o apoio social que conheceu, a partir de 2005, um dos maiores e mais consistentes incrementos junto dos mais carenciados da sociedade. Lembro-me, por exemplo, da baixa no preço de 4.000 medicamentos que significou uma poupança para os portugueses de 726 milhões de euros; o Complemento Solidário para Idosos, instrumento poderoso para atenuar a pobreza de 200.000 portugueses; o apoio pré-natal; o Salário Mínimo que cresceu 20% nos últimos cinco anos; o Abono de Família, uma das prestações mais importantes que cresceu 25% no mesmo período. Tratou-se, aliás, do maior aumento de sempre conjugado com o 13º mês desta prestação social; a Acção Social Escolar, baseado nos escalões do abono de família, e que veio a beneficiar milhares de alunos e suas famílias; o apoio à parentalidade, onde a licença passou de cinco para dez dias de licença, acrescido de mais um mês caso o pai ficasse com a criança; a reforma da segurança social permitindo safar o País que se encontrava no abismo para uma situação de garantia de futuro. Esquece-se de tudo e prefere, através de um prefácio pobre e numa defesa aferrolhada, bombardear quem não pode ter acesso, neste momento, ao contraditório. Aliás, começa-se a perceber os constantes desvios do Presidente para não se cruzar com o Povo, o seu incómodo aos insultos e algumas declarações que são de todo pouco consentâneas com a figura de Presidente.
Depois e a terminar, não esqueço o fato de ele, perante a bagunça política registada na Região Autónoma da Madeira, nunca ter tido uma palavra, uma chamada de atenção ou uma mensagem à Assembleia Legislativa da Madeira. Percebe-se, ou melhor, eu percebo!
Ilustração: Google Imagens.

Sexta-feira, 9 de Março de 2012

APETECEU-ME OUVIR BETHÂNIA...

A ISABEL MULHER E A ISABEL POLÍTICA



É por isso que a frieza das palavras que consubstancia a ideia de que a vida continua tem muito que se lhe diga. Simplesmente porque em um oceano de incompreensões múltiplas encontramos pessoas que comungam do essencial que nos anima na vida, que têm os mesmos ou semelhantes olhares sobre as situações, que enquanto muitos se calam, outros, abandonam a sua zona de conforto na vida para dizer, a todo o momento e sempre que se justifica, apenas isto: se fizermos daquela maneira e não desta! Tudo dito de uma forma superior, serena, sem confitos, sem necessidade de altos decibéis, ganhando com isso o respeito e a admiração. Repito, então, que a frieza das palavras, a tal história que a vida continua, envolve sentimentos que não se apagam com um simples estalido de dedos.


Dizem que a vida continua. Tenho dificuldade, confesso, em assumir essa frieza das palavras. É evidente que sim, que continua, ela já existe há muitos milhões de anos, mas nós vivemos aqui e agora, rodeamo-nos de pessoas, assumimos cordões umbilicais de princípios e de valores, construímos laços de uma identidade que nos fazem nutrir respeito, estima e consideração. Sem que nada provoque, a verdade é que sentamo-nos tantas vezes, frente a frente, a discutir problemas e opções e isso acaba por ser multiplicador dos traços que nos unem no sentido de uma sociedade mais equilibrada, justa e mais feliz. É por isso que a frieza das palavras que consubstancia a ideia de que a vida continua tem muito que se lhe diga. Simplesmente porque em um oceano de incompreensões múltiplas encontramos pessoas que comungam do essencial que nos anima na vida, que têm os mesmos ou semelhantes olhares sobre as situações, que enquanto muitos se calam, outros, abandonam a sua zona de conforto na vida para dizer, a todo o momento e sempre que se justifica, apenas isto: se fizermos daquela maneira e não desta! Tudo dito de uma forma superior, serena, sem conflitos, sem necessidade de altos decibéis, ganhando com isso o respeito e a admiração. Repito, então, que a frieza das palavras, a tal história que a vida continua, envolve sentimentos que não se apagam com um simples estalido de dedos. Há uma memória, existe uma proximidade, mesmo quando essa proximidade se circunscreve ao domínio do trabalho político ao serviço dos outros. O que não será a dor dos mais próximos familiares!
A Isabel não é uma figura que se possa apagar, esquecer com facilidade, que deslize na voragem dos acontecimentos. Ela faz falta, como Mulher, como mãe, avó e como cidadã interventora nos processos sociais. Não gosto dos discursos de circunstância, detesto as palavras ditas em elogio fácil, de encher um texto depois da morte. Se o faço é por sentimento acrescido, por respeito, pela necessidade que tenho de me curvar perante a sua partida. Fica-me a saudade e o aperto pelo que estão a sentir o Luís Sena Lino e os filhos Leonor, Luís André, os netos e família. Um abraço solidário para todos.  
Ilustração: Google Imagens

Quinta-feira, 8 de Março de 2012

ATÉ SEMPRE ISABEL



Partiu uma Mulher fantástica, uma Mulher de um fino trato, de uma educação e de um relacionamento exemplares. Sempre gostei da sua postura, enquanto ser humano e enquanto lutadora por causas. Guardo as conversas que tivemos, as suas leituras e análises sobre vários aspectos da nossa terra, guardo os seus elegantes artigos de opinião no DN, mas guardo, sobretudo, a imagem de uma Mulher exemplo na família, exemplo profissional e exemplo na participação cívica. Todos ficamos mais pobres.



Faleceu no dia da Mulher. A Isabel Sena Lino é das tais pessoas cuja vida deveria ser muito longa. Sabe-se que a vida é assim, que a vida surpreende quando tudo parece bem, mas custa aceitar ver pessoas partirem quando as conhecemos e nos curvamos perante o seu valor. Morreu vítima de uma maldita doença. Quando foi internada remeti-lhe uma mensagem, desejando rápidas melhoras. Estava fora da Região e não conhecia os motivos. Respondeu-me, de seguida, e entre outros pormenores, sublinhou: "gozem a vida enquanto podem". Este texto deixou-me preocupado. Mais tarde visitei-a quando a situação já era complicada. Disse-me: "André, nós pensamos sempre que estas situações nos passam ao lado, até o dia que batem à porta". Confesso que senti um arrepio. Embora cansada vi nos seus olhos a esperança de um regresso a casa, à família e à actividade política pela qual tanto lutou. Fui acompanhando a sua situação de forma permanente e muito discreta. Não conseguiu vencer. Partiu uma Mulher fantástica, uma Mulher de um fino trato, de uma educação e de um relacionamento exemplares. Sempre gostei da sua postura, enquanto ser humano e enquanto lutadora por causas. Guardo as conversas que tivemos, as suas leituras e análises sobre vários aspectos da nossa terra, guardo os seus elegantes artigos de opinião no DN, mas guardo, sobretudo, a imagem de uma Mulher exemplo na família, exemplo profissional e exemplo na participação cívica. Todos ficamos mais pobres.
Ao Luís Sena Lino, à Leonor e ao Luís André, um grande abraço de solidariedade neste momento de dor. Um beijo para todos os familiares.
Ilustração: Google Imagens.

TEMO PELA AUTONOMIA



Embora a situação seja muito complexa é sintomático que o governo, particularmente, o Dr. Alberto João Jardim, continua a falar como se a mesma não fosse grave, como se 21.000 desempregados, com a possibilidade de atingir os 25.000 a curto prazo, não constituísse um drama com repercussões incalculáveis. Ao contrário de enfrentar o problema com medidas, no fundo, através da razão da existência de um governo, pelo contrário, continua a disfarçar através de um discurso pobre, repetitivo e angustiante para quem o segue. Ouço-o dizer que este será um "Orçamento de aperto, porque temos que ganhar a sustentabilidade da Região Autónoma" e, logo aí, pergunto, então este homem só depois de ter endividado a Região até ao tutano é que vem falar de sustentabilidade? Então essa sustentabilidade não deveria ter sido considerada, todos os anos e ao longo de todos os mandatos e de todos os Planos e Orçamentos? Não será esta a mais clara assunção da irresponsabilidade da sua governação?


Mesmo em "Braille" leiam a situação!
A situação, trágica, a que este governo regional da Madeira nos conduziu, relativamente a todos aqueles que defendem uma verdadeira e ampla Autonomia, constitui, hoje, um quadro de grande preocupação. Face a todos os ingredientes que se jogam no complexo labirinto das questões financeiras, bem avaliadas as coisas, sinceramente, eu temo pela perda da Autonomia. É evidente que, no plano substancial da decisão política, parte dela está já hipotecada. Quando são outros a determinarem o que pode e o que não pode ser concretizado, obviamente, que a Autonomia fica ferida. E essa situação que, hoje, vivemos arrastar-se-á, com toda a certeza, por muitos anos. A dívida da Região, a verdadeira e não a camuflada, aquela que atinge os oito mil milhões de euros, levará muitos anos a ser saldada, a não ser que a República, uma vez mais, tarde ou cedo, coloque o contador das dívidas próximo do zero. O que não acredito. Por lá o quadro não é de vacas gordas e, por outro lado, existem por aqui acrescidas responsabilidades de quem não soube ser governo durante trinta e tal anos consecutivos.
Embora a situação seja muito complexa é sintomático que o governo, particularmente, o Dr. Alberto João Jardim, continua a falar como se a mesma não fosse grave, como se 21.000 desempregados, com a possibilidade de atingir os 25.000 a curto prazo, não constituísse um drama com repercussões incalculáveis. Ao contrário de enfrentar o problema com medidas, no fundo, através da razão da existência de um governo, pelo contrário, continua a disfarçar através de um discurso pobre, repetitivo e angustiante para quem o segue. Ouço-o dizer que este será um "Orçamento de aperto, porque temos que ganhar a sustentabilidade da Região Autónoma" e, logo aí, pergunto, então este homem só depois de ter endividado a Região até ao tutano é que vem falar de sustentabilidade? Então essa sustentabilidade não deveria ter sido considerada, todos os anos e ao longo de todos os mandatos e de todos os Planos e Orçamentos? Não será esta a mais clara assunção da irresponsabilidade da sua governação?
Para mim isto é muito claro. Gastou, irresponsavelmente, e não colhe aquela treta de dizer que algumas obras tinham de ser feitas para aproveitar os fundos estruturais. Não colhe, porque sabia-se e hoje confirma-se que essa opção traria consequências muito graves no futuro. As próximas gerações estão já endividadas, e a falta de sustentabilidade global em todos os setores determinará que a própria economia regional não cresça e não gere riqueza. A Região apesar do extraordinário consumo de cimento continua pobre, cada vez mais pobre e cada vez mais dependente. E é esta situação que ele nunca quis ver e não quer enxergar! O problema, continua a sublinhar, é da Constituição da República. Esse livrinho é que é a culpado pela situação da Madeira. Não foi ele e o seu governo que não respeitaram os princípios pelos quais se regem o desenvolvimento, entre outros, o da prioridade estrutural, o da autosustentação, o da continuidade funcional, o da interação, o da integração, o da otimização dos meios, o da transformação graduada, enfim, não foi ele o irresponsável por não ter considerado estes princípios basilares, a responsabilidade é da Constituição da República, voltou esta semana a afirmar. Bom, analisado por um outro prisma, eu diria, talvez seja, talvez, talvez a Constituição devesse limitar as loucuras, as megalomanias e prever penalizações drásticas para quem tão mal se comporta na gestão e administração da coisa pública.
Agora, sendo a situação muito grave e não se vislumbrando qualquer atitude que coloque de lado a crispação do diálogo, temo que venha por aí alguém que retire, ainda mais, a já de si frágil Autonomia que a Região dispõe. É complicado do ponto de vista constitucional, eu sei, mas tudo é possível, quando em causa estão 270.000 pessoas que precisam de ter futuro e, antes disso, precisam, tal como diz o Sérgio Godinho:
(...) Só há liberdade a sério quando houver
A paz, o pão
habitação
saúde, educação
Só há liberdade a sério quando houver
Liberdade de mudar e decidir".
Ilustração: Google Imagens.

Quarta-feira, 7 de Março de 2012

OS MADEIRENSES SABEM O QUÊ? VÁ PREGAR PARA OUTRA FREGUESIA!


Os Deputados ainda não sabem tudo, mas o Povo já sabe, está totalmente esclarecido. Nas sedes partidárias e nos adros da Igreja tudo tem sido trocado por miúdos, com a ajuda de Nosso Senhor! Simplesmente, porque os madeirenses são "entre os portugueses as pessoas mais inteligentes e esclarecidas". Digo eu, são pessoas que lêem, assiduamente, o Jornal da Madeira e, daí, façam jus, globalmente, à designação de "povo superior. Os madeirenses sabem tudo ao ponto de não se manifestarem, nem os 21.000 desempregados saem à rua, pasme-se! Pasme-se, não, porque quem aqui vive conhece o tipo e extensão das rédeas. Os madeirenses sabem que, alegremente, terão de voltar à emigração, os mais jovens sabem que terão de continuar a viver com os pais, que em um T2 podem voltar a viver quatro famílias (o que já acontece em vários bairros sociais), que as paróquias e todas as instituições de solidariedade vão ajudar, enfim, os madeirenses sabem, "porque são as pessoas mais inteligentes e esclarecidas", que há um paizinho político que por eles vela diariamente! Sabem que podem contar com o "querido líder", omnipresente, nas instituições e junto do povo.


Com que então... os madeirenses sabem tudo! Isto é, conhecem a dívida da Região, a verdadeira, aquela que ultrapassa os oito mil milhões, conhecem que houve aldrabice nas contas públicas (dizem, engenharias financeiras), conhecem o fato de, a partir de Abril, a vida ser um "Deus me acuda", que os impostos vão disparar, que o desemprego vai aumentar, que os empresários vão continuar a espernear, que nas escolas não há dinheiro, que no sistema de saúde está a rebentar, que muitos vão ter que entregar a casa aos bancos, que os processos de insolvência vão aumentar, enfim, o "chefe" garantiu ontem que "os madeirenses sabem tudo o que há para saber" a propósito do Orçamento Regional. Os Deputados ainda não sabem tudo, mas o Povo já sabe, está totalmente esclarecido. Nas sedes partidárias e nos adros da Igreja tudo tem sido trocado por miúdos, com a ajuda de Nosso Senhor! Simplesmente, porque os madeirenses são "entre os portugueses as pessoas mais inteligentes e esclarecidas". Digo eu, são pessoas que lêem, assiduamente, o Jornal da Madeira e, daí, façam jus, globalmente, à designação de "povo superior. Os madeirenses sabem tudo ao ponto de não se manifestarem, nem os 21.000 desempregados saem à rua, pasme-se! Pasme-se, não, porque quem aqui vive conhece o tipo e extensão das rédeas.
Os madeirenses sabem que, alegremente, terão de voltar à emigração, os mais jovens sabem que terão de continuar a viver com os pais, que em um T2 podem voltar a viver quatro famílias (o que já acontece em vários bairros sociais), que as paróquias e todas as instituições de solidariedade vão ajudar, enfim, os madeirenses sabem, "porque são as pessoas mais inteligentes e esclarecidas", que há um paizinho político que por eles vela diariamente! Sabem que podem contar com o "querido líder", omnipresente, nas instituições e junto do povo. Não há nada a temer relativamente ao futuro. A Madeira continuará para além do Caniçal e da Ponta do Pargo, há campos de golfe por fazer, há marinas a aguardar por mais uns milhões, há centros cívicos e piscinas para recuperar, há mais uns quantos túneis para abrir, há tanto cimento para amassar, não temem, dirá o "querido líder", porque somos uma região de recursos infindáveis.
Ora, toda esta lengalenga corresponde àquela atitude que "os madeirenses são pessoas inteligentes e esclarecidas". O autor da frase sabe que são tão inteligentes quantos os demais, não dispõem de particularidades nem de especificidades acrescidas, estão é amarrados a um sistema que de tanto mentir acaba por passar por uma certa verdade conveniente. O autor sabe que as pessoas estão amarradas por infindáveis cordões umbilicais dos quais dependem, amarrados a uma subsidiodependência que os leva a ficar esmagados por ela mesma, amarrados a 58.000 que não têm instrução (INE - Censos de 2011) e amarrados a velha história que há que carregar a Cruz. Ele sabe disso e daí que brinque com o Povo.
A terminar, ainda ontem, numa grande empresa, estive, por algum tempo, a conversar com o empresário. Fiquei chocado com o que ele me disse. Guardo para mim, mas foi mais um momento que me leva a dizer que tudo isto vai dar chatice... ora se vai!
Ilustração: Google Imagens.

Terça-feira, 6 de Março de 2012

CHUMBO E MOÇÃO DE CENSURA A ESTE GOVERNO



São várias as contradições, são várias as opções chocantes que, confesso, enfurecem o mais tranquilo dos cidadãos. Evidencio, para já, três: primeira, o orçamento prevê obter 1,5 milhões de euros com as refeições escolares, isto é, mais 532% que em 2011. Ora bem, já não basta o saque que está a ser feito às famílias por via da multiplicação dos impostos, até com as crianças e jovens, os mais frágeis da sociedade, a política deste governo entra em uma espiral de roubo consentido. Numa altura que há fome disfarçada, que as instituições de solidariedade social se multiplicam para esbatê-la, numa altura que se sabe que é na cantina das escolas que muitos tomam a única refeição quente do dia, esta nódoa de governo, retira da Ação Social Educativa para encher o cofre para pagar a quem já devia ter pago. Um governo que esquece a dívida social que tem não é merecedor de qualquer benefício de dúvida (...).



A manchete da edição de hoje do DN não poderia ser mais esclarecedora sobre o que aí vem. Título: ESCANDALOSO. Ainda que se trate de uma primeira abordagem ao Plano e Orçamento da Região para 2012, os indicadores que estão a ser divulgados, inclusive, por especialistas partidários, denunciam que o que  está em curso para ser apresentado e aprovado, não augura nada de bom para quem aqui vive. São várias as contradições, são várias as opções chocantes que, confesso, enfurecem o mais tranquilo dos cidadãos. Evidencio, para já, três: primeira, o orçamento prevê obter 1,5 milhões de euros com as refeições escolares, isto é, mais 532% que em 2011. Ora bem, já não basta o saque que está a ser feito às famílias por via da multiplicação dos impostos, até com as crianças e jovens, os mais frágeis da sociedade, a política deste governo entra em uma espiral de roubo consentido. Numa altura que há fome disfarçada, que as instituições de solidariedade social se multiplicam para esbatê-la, numa altura que se sabe que é na cantina das escolas que muitos tomam a única refeição quente do dia, esta nódoa de governo, retira da Ação Social Educativa para encher o cofre para pagar a quem já deveria ter pago. Um governo que esquece a dívida social que tem não é merecedor de qualquer benefício de dúvida. Curiosamente, esta manhã, recebi um e.mail, oriundo de uma conhecida figura do PSD, uma daquelas mensagens que se espalham como cogumelos (vou dar baixa neste endereço), que dizia o seguinte: "é triste usar a doença, a pobreza e as carências para fazer política. Escroques oportunistas". O texto não visava esta ou aquela situação, estava escrito em abstrato, mas a verdade é que há quem pense assim, que falar da fome e da pobreza corresponde a dela se aproveitar para o exercício da política. Ora, quanto enganado está tal político. Apetece-me responder-lhe como um dia disse na Assembleia Legislativa: a política serve para corrigir os diversos orgasmos. Isso mesmo. Porque ninguém tem culpa de nascer em berço muito pobre, não são os da classe média que têm culpa de o governo dever milhões às empresas e estas despedirem 21.000 trabalhadores lançando-os na penúria que se reflete nos filhos em idade escolar. Por aí fora... A saúde, a educação, o direito a uma habitação e a uma alimentação básica são aspectos que dependem de políticas, logo, os que aí se posicionam nesse luta, não são escroques, são pessoas preocupadas em resolver questões. Eu sempre digo, se sou feliz, porque razão os outros não o são?
Segundo: o Jornal da Madeira levará mais três milhões de euros em 2012. Já não basta o monumental défice que apresenta, ainda por cima, o governo entrega mais três milhões que serviriam, por exemplo, para matar a fome nas escolas e para pagar uma parte da dívida dos estabelecimentos de educação e ensino. Três milhões para a propaganda política equivale ao sentimento daqueles que utilizam os meios em ações fraudulentas (aqui, sim, escroques). Não há nenhum jornal em Portugal que seja pago pelo erário público. Os jornais pertencem ao domínio empresarial privado. Aqui, não, aqui, tal como acontecia com outros "pravdas", é o governo que paga um Jornal para fazer a sua campanha diária. De facto, é ESCANDALOSO.
Terceiro: o financiamento ao desporto. Ao invés de aproveitar a oportunidade e cortar a eito no desperdício e na sua megalómana política desportiva, o governo faz uma operação de maquilhagem, cortando cerca de cinco milhões num orçamento que costuma ser sempre acima de trinta milhões. Desconheço, ainda, o valor orçamentado, mas um corte de 15% por aí andará, presumo. Isto, quando a oportunidade implicava a reformulação completa do paradigma, afetando as verbas de acordo com as necessidades primárias e secundárias, isto é, num conceito de prioridade estrutural, e nunca na manutenção da algumas megalomanias. O desporto na Região tem de estar ao serviço do desenvolvimento e não ao serviço da política. Há muitos anos que venho a salientar este aspecto.
Mas a procissão ainda nem ao adro saiu. Muito se saberá deste Plano e Orçamento. Uma coisa parece-me cada vez mais certa: o mês de Abril está a chegar e aí, infelizmente, o povo vai tomar consciência do que lhe prepararam.
Ilustração: Google Imagens.

Segunda-feira, 5 de Março de 2012

PLANO E ORÇAMENTO DA REGIÃO


Sete dias para ler, perceber, cruzar a informação, virar os documentos do avesso, consultar o histórico dos planos e orçamentos anteriores, consultar os parceiros sociais, reunir com setores que andam com o credo na boca, elaborar intervenções setorais e globais, elaborar propostas alternativas, sustentá-las do ponto de vista do seu enquadramento técnico e político, enfim, para quem quer ser sério estes sete dias nem trabalhando dia e noite! O governo com centenas de funcionários disponíveis levou meses para elaborar os documentos, porém, impõe escassos sete dias para o seu estudo e compreensão. Continuam a esticar o elástico. Isto vai dar chatice, ora se vai!


Em circunstâncias normais uma semana é um tempo muito curto para analisar o Plano e Orçamento da Região Autónoma da Madeira. Sete dias, quando as circunstâncias não são normais (e mesmo que fossem), porque está em causa um plano de ajustamento financeiro, parece-me óbvio que estes senhores do PSD-Madeira, teimam em querer fazer da Assembleia uma casa de somenos importância. Menosprezam o substancial interesse do debate, quando, no plano estatutário, o governo deve obediência política à Assembleia Legislativa da Madeira.
Ora, o Plano e Orçamento da Região não é propriamente o diploma das "galinhas poedeiras" que, ainda assim, foi devolvido pelo Representante por razões que desconheço. O Plano e Orçamento não joga com galinhas, condições de espaço e ovos, joga com assuntos muito complexos que determinam uma cuidada análise setorial, transversal e global. O Plano e Orçamento não é um rol de mercearia entre o deve e o haver, é extenso, tem particularidades técnicas e políticas em todos os sectores, áreas e domínios da governação, pelo que, obriga a necessários estudos e contatos, submetendo-o a especialistas e a muito debate no seio dos grupos parlamentares e direções políticas para que, em sede de discussão na generalidade e, depois, na especialidade, os deputados possam ter uma opinião sustentada.
Só que o PSD-M não quer saber nada disso. Tem uma maioria, embora escassa, que não quer ouvir ninguém, sente-se autosuficiente, portadora de toda a razão, daí que, uma semana, no seu débil pensamento, porventura será tempo demais para a oposição. Dir-se-á que aquele Plano e Orçamento passa pela Assembleia apenas para cumprir um ritual e uma obrigação, mas, porque tudo está acertado, dirão, não há mais nada para debater, retirar ou acrescentar. Presumo que o desejo máximo dos seus mentores é que aquilo se resolvesse em uma manhã, procedendo-se às respetivas votações e pronto, envie-se para publicação! 
O único aspecto que os preocupa é que todos os da maioria estão proibidos de faltar às sessões, porque essa maioria está "presa" por dois deputados. De resto, regimentalmente, os partidos vão falar para ouvidos de mercador, o Secretário das Finanças fará um monumental número de contorcionismo para justificar o que durante anos negou e o "chefe" terminará com um discurso de duas horas, disparando em todos os sentidos e fugindo à abordagem que deveria fazer enquanto primeiro responsável pelo Plano e Orçamento. Cá fora o povo que se aguente. Ele sabe que o que se passa na Assembleia a poucos chega. A política, esse exercício entendido de forma séria e como arma de negociação permanente não será, uma vez mais, para ali chamada. É assim e como por aí se ouve... "prontes..." o número está feito e a vida continua, reles, mas continua.
Sete dias para ler, perceber, cruzar a informação, virar os documentos do avesso, consultar o histórico dos planos e orçamentos anteriores, consultar os parceiros sociais, reunir com sectores que andam com o credo na boca, elaborar intervenções setorais e globais, elaborar propostas alternativas, sustentá-las do ponto de vista do seu enquadramento técnico e político, enfim, para quem quer ser sério estes sete dias nem trabalhando dia e noite! O governo com centenas de funcionários disponíveis levou meses para elaborar os documentos, porém, impõe escassos sete dias para o seu estudo e compreensão. Continuam a esticar o elástico. Isto vai dar chatice, ora se vai!
Ilustração: Google Imagens.

Domingo, 4 de Março de 2012

MEDO DE QUÊ? LEMBREM-SE QUE SÓ QUEM É INTEIRO É RESPEITADO!



No campo da participação política, no actual contexto da Madeira, como é que se explicará o medo da participação nos processos que a todos diz respeito? Medo de quê? De não corresponder comportamentalmente ao que um grupo de pessoas espera de nós? Medo de ser excluído, de deixar de contar, de ser colocado no quarto escuro da atividade política, de ser substituído? E onde fica a consciência do certo e do errado e a coluna que não se verga à subserviência? Bom, estas interrogações resolvi-as há muitos e muitos anos. Mas há quem continue a viver ou a sobreviver, não pela consciência própria, não pelas convicções que os anima, mas pelo medo que evidenciam em perder um pouco de poder, um lugar, por humilde que seja na hierarquia, ao fim e ao cabo, o medo de baixar uns euros no recibo mensal. E assim violentam a consciência, dizem não à participação em fóruns políticos abertos à sociedade, apenas falam nos corredores e no seio dos mais próximos, mas olhando sempre em redor, não vá alguém, por portas travessas, transformar um desabafo em uma situação penosa de gerir junto dos que pertencem ao vértice da organização.



Há adultos (políticos) que parecem crianças
na fase dos medos!
Medo. Não sou especialista nessa profunda e complexa área de estudo capaz de explicar o comportamento humano. Pouco sei sobre psicologia e nada sobre psiquiatria. Da psicologia sei o essencial a que o estudo me conduziu pela natureza da formação específica para a actividade docente. Deixo, portanto, para quem sabe, a análise científica dos comportamentos. Transcrevo, no entanto, o que vem nos dicionários: "o medo é uma sensação que proporciona um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisicamente como psicologicamente. Pavor é a ênfase do medo" (Wikipédia). Entre outros, parece-me ser um bom conceito.
Apesar da minha ignorância nessas áreas, penso, todavia, que existindo uma escala de medos, naturalmente, que cada um de nós já experimentou uma situação dessas, de resposta do organismo perante uma dada situação. Por exemplo, o de ser atingido por uma doença. Presumo ser banal. Reportando-me à minha pessoa e ao que aqui me traz, sentindo-me aparentemente normal, há situações de medo para outros que, para mim, correspondem a inexplicáveis fantasmas. No campo da participação política, por exemplo, no actual contexto da Madeira, como é que se explicará o medo da participação nos processos que a todos diz respeito? Medo de quê? De não corresponder comportamentalmente ao que um grupo de pessoas espera de nós? Medo de ser excluído, de deixar de contar, de ser colocado no quarto escuro da atividade política, de ser substituído? E onde fica a consciência do certo e do errado e a coluna que não se verga à subserviência?
Bom, estas interrogações resolvi-as há muitos e muitos anos. Mas há quem continue a viver ou a sobreviver, não pela consciência própria, não pelas convicções que os anima, mas pelo medo que evidenciam em perder um pouco de poder, um lugar, por humilde que seja na hierarquia, ao fim e ao cabo, o medo de baixar uns euros no recibo mensal. E assim violentam a consciência, dizem não à participação em fóruns políticos abertos à sociedade, apenas falam nos corredores e no seio dos mais próximos, mas olhando sempre em redor, não vá alguém, por portas travessas, transformar um desabafo em uma situação penosa de gerir junto dos que pertencem ao vértice da organização. 
Ora, libertem-se, sejam inteiros, verdadeiros, autênticos, merecedores do respeito de todos, independentemente do partido a que pertençam. Têm medo de quê e de quem? Tenham consciência que não vão para o quarto escuro da vida, porque quem é inteiro é respeitado.
Ilustração: Google Imagens.