terça-feira, 19 de junho de 2018

FET-MADEIRA OU FEDE MADEIRA


A história que o DIÁRIO trouxe para conhecimento público, em uma bem estruturada peça do Jornalista Roberto Ferreira, apesar de ser conhecida, embora sem os detalhes agora divulgados, demonstra a iniquidade do acto, bem como deixa uma sensação de protecção aos que fazem parte da máquina partidária.


Não vou aqui repetir aquilo que o trabalho do jornalista revela de forma exímia. Em síntese, a questão que se pode colocar talvez seja esta: fará algum sentido pagar mais 40% sobre o salário, mais senhas de presença em reuniões, a funcionários que têm, como missão profissional e ou política, manter a cobrança fiscal em dia, mesmo a coerciva, como prémio pela sua "produtividade"? Mas qual produtividade? Dizem que se justifica porque são um "corpo especial da Administração Pública"! Homessa, por Estatuto, por exemplo, os professores também são considerados um "corpo especial", mas toda a gente conhece os bloqueios de carreira a que estiveram sujeitos. Eles e todos os outros! Portanto, treta, para justificar acréscimos salariais injustificáveis. Qual a diferença, pergunto, entre esta situação e o então "cobrador de fraque", comissionado pelas cobranças difíceis? FET-Madeira (Fundo de Estabilização Tributária) ou FEDE Madeira?
Ilustração: Google Imagens.

QUESTÕES DE UMBIGO E DE DEMOCRACIA


Quando se aventa a hipótese ou se coloca a circular nas redes sociais, julgo eu, para ver se pega, a hipótese de suspender de uma instituição pública um qualquer ente, por alegado delito de opinião, fico preocupado com o rumo dessa instituição e mais preocupado, ainda, com o rumo da vida e da vivência democráticas. Parece que os cidadãos são todos anormais, que não conseguem discernir e isolar os comportamentos certos dos errados, de um lado e do outro, obviamente, que não conseguem perceber onde se encontram as razões mais substantivas que conduzem às diversas análises. Enfim, parece que os demais cidadãos são todos burrinhos, desmiolados, que vão para onde os querem conduzir. Se foi assim, hoje já não é. Podem alguns pensar que a mediocridade de pensamento é universal, mas quanto enganados estão, nas questões básicas, os que demonstram tendências absurdas e de jaez absoluto. De alguns diálogos que tenho com pessoas humildes do ponto de vista da escolarização, desde os que trabalham a terra até ao sector dos serviços, observo que "vilões", no sentido mais pejorativo, são os outros que os tentam enganar. Há uma experiência de vida que, embora não conhecendo toda a história, por alguns sinais, sabem que "não vão por ali".



Há gente que não tem esta percepção e vai daí, quem não interessa, por melhores que sejam, primeiro, segue o aviso, subtil, depois, descarado, ao jeito de, ou te calas ou vais borda fora. Como se o problema deixasse de existir. Tem qualquer coisa de ditatorial. O processo pode estar errado, mas não interessa, sou eu que mando. Deixam de ser líderes, se alguma vez o foram, e desnudam-se na categoria de chefes. 
Contaram-me, há muitos anos, aquela de um chefe de esquadra que marcou uma audição, com um suspeito, para uma dada sexta-feira. O cabo de esquadra, ao fazer o ofício na velhinha máquina de escrever, perguntou ao chefe se sexta se escrevia com ch ou com x!. O chefe, de mãos à ilharga, altivo, respondeu: marca para Quarta às 10! Pois é. O chefe tem sempre razão, diz o artigo 1º e, quando não tem, o artigo 2º prevê que se aplica sempre o artigo 1º. Os chefes são assim, por vezes são mais fracos que os próprios cabos. Não são líderes, não têm noção das suas limitações, desenvolvem sonhos balofos, não sabem conjugar esforços, qual metáfora, para questionar se é com ch ou com x, funcionam dentro da sua redoma, embriagados pelas circunstâncias temporais na esperança de uma promoção, sem a noção que a vida real muda quando menos se espera. Quando pensa que está tudo seguro, pode surgir um tsunami arrasador. Regressam, qual "jogo da glória" à casa inicial. 
Quem tenta afastar, por delito de opinião ou por qualquer outra razão, por exemplo, porque  simplesmente não gosta, evidencia medo e incompetência. O diálogo, no sentido da concertação de esforços, obteve sempre melhores resultados ao contrário da lógica do "agora mando eu", mesmo que confundam ch com x! Uns falam muito alto e grosso, outros nem falam, piam e abrigam-se por debaixo do guarda-sol dos interesses pessoais, outros, ainda, com um pé aqui outro ali, aguardam os sinais da "meteorologia". Ora, as organizações são estruturas vivas, dinâmicas, cheias de conflitos e desde que estes não sejam disfuncionais, a cultura do diálogo e do contraponto torna-se determinante para o êxito. Quando a palavra exclusão é a preferida, bom, em última instância, poderão ficar os medíocres, os tais que não sabem se é com ch ou com x!
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

GATO ESCONDIDO COM RABO DE FORA?



FACTO

Paulino Ascenção, coordenador Regional do BE/M, disse que numa semana em que ficamos a conhecer o tarifário da ligação marítima entre o Funchal e Portimão, no caso da carga “deparámo-nos com preços que são “verdadeiramente proibitivos” (...) “Em algumas categorias, o preço do trajecto de Portimão para o Funchal é cinco vezes mais caro do que em sentido inverso e outra categoria chega a ser sete vezes mais caro” (...) isto só acontece porque o operador “é o mesmo que domina a carga via porta contentores”, que, por sua vez, “não deseja que haja meios alternativos para abastecer a ilha da Madeira” (...) “É um assalto ao bolso dos madeirenses este nível de preços que conta com a cumplicidade do Governo Regional que desenhou este concurso à medida desta empresa para reforçar o monopólio do transporte de carga entre a Madeira e o continente”. Fonte: DN-Madeira.

COMENTÁRIO

Das duas uma: ou o governo regional explica tim-tim-por-tim-tim esta história ou, confirmando-se as declarações do Dr. Paulino Ascensão, estamos, de facto, em presença de um claríssimo e inaceitável roubo, indirecto, à carteira dos madeirenses e porto-santenses. Para não ir mais longe, isto é, repito, confirmando-se, poderá configurar a ideia de uma negociata, de um negócio "ARMA(S)DO" em sede de concurso, à medida dos interesses dos mesmos de sempre. Portanto, expliquem. E depressa.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

COMPLEXO DE INFERIORIDADE


Das intervenções na Assembleia Legislativa, fundamentalmente, as oriundas da maioria parlamentar, até a alguns artigos de opinião e declarações de circunstância, é recorrente a manifestação de uma sintomatologia que, pessoalmente, enquadro no complexo de inferioridade. Conheço o essencial da História da Madeira, fundamentalmente, as lutas que enfrentaram os verdadeiros autonomistas face a pensamentos e posicionamentos retrógrados. Sempre houve, lá parra trás, uma inconsciente ou mesmo intencional necessidade de ter a "patinha em cima". Porém, os tempos são outros e estes quarenta e tal anos demonstraram que essa doentia preocupação praticamente não existe. Que continuam por resolver dossiês que merecem outros enquadramentos, obviamente que sim, mas com a democracia estabilizada, com a necessária adultez dos governantes, com muito diálogo e bom senso, sem o chapéu na mão, julgo que não existe necessidade de um permanente e quase ódio figadal. Aliás, processos por resolver, muitos que envolvem financiamento, existem e ainda bem que continuarão a existir, pois será sinónimo de vitalidade entre as partes.


Estou mais próximo da tese do complexo de inferioridade relativamente a outras, de um sentimento de que se é menos relativamente aos parceiros, o que leva a levantar a voz e dar gritos coléricos, escritos ou através de inusitadas e anti-sociais declarações. Ainda hoje li um artigo de opinião do Dr. Eduardo Jesus (DN-Madeira) que fala de uma "ameaça à autonomia regional", complementada na fantasia "do que seria o poder central a mandar no território regional" (...) da hipotética "submissão inqualificável dos poderes regionais" (...) e que a autonomia não pode ser "o espaço para os novos governadores do território" tudo isto como se não existisse uma Constituição da República (Artigo 225º e seguintes) e um Estatuto Político-Administrativo.
Existe, portanto trata-se de uma imaginação criadora de factos que não correspondem à realidade. O que existe é um claro complexo de inferioridade, repito, que deveria ser expurgado, porque ele acaba por exprimir uma fuga às responsabilidades. Quando as situações decorrem mal, quando a pressão e o escrutínio crescem, então, surge a necessidade de branquear e de alijar para outros as responsabilidades que pertencem a quem governa. Não é descortinável perceber as razões que leva um ex-governante a escrever que se assiste "a uma negação do nosso espaço, à submissão inqualificável dos poderes regionais" (...) que o futuro da Região está "à mercê dos centralistas, daqueles que têm vindo a mostrar total indiferença quando lidam com os problemas dos madeirenses e portossantenses, provando que, o que está em curso, é um movimento de conquista da Região sem conteúdo, sem sensibilidade e sem conhecimento que possa valer qualquer confiança ou credibilidade". Ininteligível, digo eu, este arrazoado, até porque, por um lado, demonstra medo de eventuais mudanças, que a acontecerem serão democráticas, por outro, porque assume um tom ditatorial (nós ou o caos), mas, sobretudo, contradiz, em absoluto, o discurso da "Madeira Nova" vendido durante muitos anos, aos madeirenses e porto-santenses, independentemente de quem governou na República. 
Escreve, ainda, o articulista que "os madeirenses e os porto-santenses não desejam, não querem, nem merecem voltar atrás num regresso a um passado que não deixa saudades nem traz boas memórias" (...) e que "a autonomia não é o espaço para os novos governadores do território". Esbocei um sorriso ao mesmo tempo que dei comigo a abanar a cabeça em sinal de tristeza por aquilo que estava a ler. Regressar a um passado de seis mil milhões de dívidas, de perseguições, pobreza, abandono, insucesso escolar e de permanentes ofensas aqui produzidas? Obviamente que não. Portanto, deduzo, que tudo aquilo são fantasmas, sensação de governo assombrado, arrepios por uma alegada perda e alucinações sem fim. Estou em crer, também, que se trata da necessidade de vender um produto político fora de prazo. Até porque, uma larga maioria, por duas vezes, rejeitou tais posições nas eleições autárquicas, dando claras indicações que 40 anos é muito tempo e que todas as músicas acabam por cansar. Pessoalmente, não tenho qualquer complexo de inferioridade!
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 10 de junho de 2018

OS "INDIVÍDUOS DO PAÍS"


Os "indivíduos do País" são, naturalmente, os indivíduos da Madeira. Ou não será assim? A não ser que os da Madeira, na linguagem pacóvia de há uns anos, pertençam ao "povo superior". Li as declarações do secretário regional da Saúde e fiquei estupefacto. Aqui está quase tudo bem, por lá, os "indivíduos do País" não fazem "investimento", não "há contratualização", não há "redução das listas de espera", etc., o que, para um cidadão que acompanha as sucessivas peças jornalísticas, sobretudo as do Jornalista Élvio Passos, parece que o secretário vive em uma qualquer outra região. Ou ele ou eu! Ou o jornalista! Ou será que a tal "renovação" já deveria ter remetido para os arquivos da História menor essa crónica tendência para atirar-se para lá, esquecendo-se dos telhados de vidro que por aqui abundam? 


Este aspecto pareceu-me caricato. Mas ainda mais estupefacto fiquei quando o secretário criticou, causticamente, os "indivíduos do país", colegas de profissão, que são líderes de diversas instituições ligadas à Saúde, por participarem em iniciativas partidárias não afectas ao PSD. Certamente, pressuponho, que se fosse no âmbito do partido social-democrata ou do governo, tudo estaria bem.
Para mim é ininteligível que um secretário assuma que "o projecto da secretaria da Saúde é colectivo, um projecto para a população da Madeira", só sendo legítimo, deduz-se do texto, que só "o colectivo" partidário do interior do sistema possa ter opinião. E com isto tentou condicionar, interna e externamente, um princípio sagrado: o da liberdade individual. Se viver a democracia é isto, vou ali  e já volto! 
Há políticos que deveriam ter presente que, qualquer pessoa, militante ou não de um  partido, representando ou não um qualquer organismo, não perde os seus direitos de cidadania e, por isso mesmo, é totalmente legítimo e até necessário que participe na vida pública, independentemente das suas convicções partidárias. Pensar e dizer o contrário constitui uma subtil perseguição ao jeito de, "se não és por mim, contra mim estás". Esta é uma visão estrábica da democracia, denuncia receios sem fim e atentatória, repito, da LIBERDADE dos cidadãos. Colar as pessoas a partidos, rotulando-as, porque, circunstancialmente, aderem a uma conferência ou a uma mesa redonda, é perigoso e corresponde a um conceito ridículo. Até porque, as palavras ditas, paradoxalmente, voltam-se contra o secretário que disse ser "o projecto da secretaria da Saúde colectivo (...) para a população da Madeira". Ora, se é colectivo, não pertence a um grupo fechado, mas a todos.
Ademais, raramente a inovação vem de dentro dos sistemas, produz-se fora dos ambientes marcados pela rotina e pelos espaços de intervenção muito hierarquizados, burocráticos e extremamente pesados. Quando é que as pessoas metem na cabeça que não são o centro de nada e que ao nosso lado existem pessoas fabulosas?
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

O "ORGULHO" POR UMA OBRA-PRIMA "BELÍSSIMA"


FACTO

O presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, o Presidente da Câmara do Funchal e outras personalidades visitaram o novo Savoy. Na oportunidade disse que sentia "muito orgulho nesta obra" (...) "É um empreendimento belíssimo".


COMENTÁRIO

Eu não discuto a estética enquanto ramo da filosofia. Isso obrigar-me-ia a um estudo aprofundado para determinar o que são, por exemplo, as emoções que uma obra pode gerar para dizer que ela é bela. Não fiz esse esforço, portanto, não emito uma opinião, porque seria sempre discutível, superficial e sem fundamento. Obviamente que formulo um conceito quando olho para um edifício, para o traço arquitectónico, sobretudo os incomuns, para os materiais utilizados, para as suas cores e o seu enquadramento paisagístico, que me leva a configurar uma ideia, a minha, distante do rigor do olhar científico que só outros, os que estudaram, podem e, pedagogicamente, devem assumir. Daí que nunca me atreveria a qualquer comentário se tivesse responsabilidades públicas. Compreendo-as à luz de outros factores!
Porém, de conversas que ao longo dos anos fui mantendo, circunstancialmente, com várias figuras da arquitectura, da engenharia e não só, das viagens que fiz e do olhar que dediquei, desde a monumentalidade aos cantos e recantos das cidades, parando, olhando e contemplando, é óbvio que tenho uma leitura. Repito, apenas minha. Apertando o zoom até à cidade do Funchal, aprendi, por necessidade da função de vereador, alguns  aspectos sobre o seu fabuloso anfiteatro. Foi o Engº Danilo Matos que um dia me disse, a propósito de duas torres de vinte e tal andares que queriam construir onde hoje se encontra o La Vie: o Funchal tem uma escala e essa escala não deve ser pervertida. Temos um anfiteatro para respeitar. Esta frase, para mim, ao jeito de ovo de Colombo do conhecimento básico, fez-me despertar para a consolidação de uma leitura que entendo ser essencial, mesmo nada sabendo de ESTÉTICA. Ora, o que ali está, se é belo ou não, o Dr. Miguel Albuquerque, jurista e político, lá saberá. Para mim, ignorante que sou nesses domínios, assumo que aquilo é uma aberração, simplesmente porque foge ao tal sentido de escala que a autarquia deveria respeitar. Mas isto sou eu a dizer. Em contraponto, o Senhor Presidente do Governo, esse, sente "orgulho", ainda por cima porque é "belíssimo".
Arquivo próprio.
De resto, no plano da responsabilidade política, esta visita de várias personalidades ao local, desde o Presidente da Assembleia Legislativa ao Representante da República, passando pelo Presidente da Câmara do Funchal e pelo secretário das Finanças (ex-administrador do Grupo AFA), pelo que me apercebi, todos terão ficado babados ou vergados à "obra" prima do empresário Avelino Farinha. Fiquei com a ideia de um primeiro passo para o branqueamento de uma decisão política, pelo que li de pessoas avisadas, entre outros, o caso concreto do Arquitecto Rui Campos Matos, ao tempo líder da Ordem dos Arquitectos na Madeira (ler artigo aqui). Em 2017 escreveu um artigo sobre a luta, em vão, pela tomada de consciência dos cidadãos ao que ali seria construído. Eis um excerto: "(...) como ingénuos que somos, preferimos continuar a acreditar que o Funchal não é Playa del Ingles e que as características identitárias que herdou, e o distinguem de todas as outras cidades, devem ser preservadas; preferimos acreditar que é possível transformá-lo, acrescentar-lhe novidades, sem destruir o nexo da sua história e da sua escala urbana. Na verdade, na nossa ingenuidade, preferimos continuar a acreditar nos políticos que elegemos (que são homens como nós), e recusaremos sempre, como reza o ditado, atribuir à malícia ou à venalidade aquilo que cabalmente se pode atribuir à estupidez (...)". Dir-se-á que a Economia mandou a política às malvas e a "obra-prima" foi em frente.
Fico por aqui, mas, sinceramente, como gostaria de escutar a opinião do Arquitecto Rafael Botelho, aquele que orientou o primeiro Plano Director do Funchal aprovado em 1972!
Ilustração: Google Imagens e Arquivo pessoal.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

BEM-VINDO À REALIDADE! PORÉM, O MAL ESTÁ FEITO...



FACTO

O secretário regional dos Equipamentos e Infra-estruturas, Amílcar Gonçalves, admitiu que "há situações na ocupação do território que têm de ser corrigidas, atendidas e estudadas à luz da ciência (...) não estamos a falar apenas de urbanização, mas na questão da segurança, da sustentabilidade mas também da equidade (...)  É bom que os políticos a todos os níveis, desde as autarquias ao governo regional, todas as entidades tenham um bocadinho desta percepção: aquilo que fazemos hoje vamos estar a condicionar o futuro ou a beneficiar um determinado caminho", referiu o governante na cerimónia de abertura do I Congresso Internacional em Planeamento Sustentável. Fonte: DN-Madeira.

COMENTÁRIO

Li e exclamei: bem-vindo, Senhor Engenheiro, à realidade. As declarações pareciam-me vindas de um perigoso oposicionista, de alguém favorável à "Madeira Velha", vinda daqueles que, durante anos a fio, foram secundarizados e bastas vezes vilipendiados quando apontaram os gravíssimos erros de planeamento ou ausência dele. O problema é que o mal está feito, não havendo, hoje, nem condições políticas, tampouco dinheiro para corrigir no sentido de defender a tal "segurança e a sustentabilidade". Daí que, quase resta remediar os erros cometidos pela inconsciência política, técnica e científica de uns, e a ganância e pressão de outros. 
Mas tudo tem uma história e uma causa. Tenho presente a frase que cito de cor: com dinheiro faço obras e com obras ganho eleições. Tenho presente o "planeamento" feito no adro das igrejas à saída das missas dominicais. Foi aquela frase e um adequado populismo à mistura que orientou a política, menosprezando os princípios fundamentais do desenvolvimento: os da prioridade estrutural, da transformação graduada, da interacção, da integração e, entre outros, o da optimização dos meios, completamente ignorados em função dos interesses de natureza partidária. É um facto. Não há volta a dar. Daí que as palavras do governante, apesar de certas, é música celestial, quando o Engº Amílcar Gonçalves sabe, melhor que eu, que o actual presidente do governo liderou a Câmara do Funchal, durante quase vinte anos, onde foram perpetrados os maiores erros de planeamento. O "Funchal de Alto a Baixo", slogan de campanha de 1993, que deveria ter constituído o travão a uma cidade desequilibrada e de muito crescimento abusivo, pelo contrário, à luz da História, não passou de um slogan para consumo imediato. Os resultados estão à vista de todos no quadro da "segurança, sustentabilidade e equidade" (...) e "condicionamento do futuro". É caso para dizer que a leviandade política que marcou a "Madeira Nova" foi premiada com a mais alta distinção autonómica. E ouvi-o dizer: "a luta continua".
De qualquer forma, bem-vindo à realidade. Porém, o mal está feito. Agora, repito, resta remediar.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 2 de junho de 2018

AS CONSTANTES BOLAS PARA FORA DO SENHOR BISPO ANTÓNIO CARRILHO


Reflecti muito antes de escrever estas breves linhas. Simplesmente porque não quero ser mal interpretado. Decidi correr o risco, porque as considerações que farei têm a ver com a profundidade da Mensagem de Cristo. Não com o Homem Bispo. Têm a ver com a Mensagem que me foi transmitida. Apenas isso. E porquê? Pelo meu entendimento que não basta colar-se, apenas, a uma parte do discurso da extraordinária figura que é, o Papa Francisco, mas ir à totalidade do seu pensamento. É muito curto e limitado falar aos cristãos da importância em "acolher, comungar, celebrar e adorar" e que não se pode esquecer os doentes e os pobres que precisam de uma presença amiga, ou de uma palavra de conforto, os presos, os idosos, as famílias com maiores problemas, os jovens e as crianças - fonte DN-Madeira, sobre as solenidades do Corpo de Deus. Essas são palavras de circunstância, requentadas, tipo timex, porque "não adiantam nem atrasam".


A Mensagem de Cristo, traduzida no discurso do Papa Francisco, implicaria que o Bispo Carrilho falasse das causas, porque são essas que entroncam nos "(...) direitos humanos que são violados não só pelo terrorismo, a repressão, os assassinatos, mas também pela existência de extrema pobreza e estruturas económicas injustas, que originam as grandes desigualdades (...) pelo que, assume, ainda, Francisco, "é preciso servir aos frágeis ao invés de se servir deles". E sendo assim, continua, ao Cristão torna-se necessário "envolver-se na política, uma obrigação. Nós cristãos não podemos fazer de Pilatos e lavar as mãos, não podemos!". Neste contexto, a verdade é que o Senhor Bispo António Carrilho, desde sempre, lavou as mãos, exprimindo grandes dificuldades em chamar os bois pelo nome! É que a melhoria das condições sociais das famílias, em geral, e, particularmente, dos pobres, dos jovens, das crianças, dos idosos, não melhoram com palavras de conforto, com "amor e gratidão" ou com "fé e caridade", melhoram, sim, com atitudes de natureza política. 

E o Senhor Bispo sabe bem que só os politicamente partidários do poder ignoram as causas. Os não comprometidos (o Papa Francisco é um deles) tocam nas feridas. Onde sangra metem o dedo para sangrar ainda mais, mexendo nas consciências intencionalmente adormecidas. É isto que espero de um Bispo de Cristo. Que seja político, apartidário e atento!

Mais, ainda, não basta participar nos rituais de Domingo, bater no peito, e, mor das vezes, escutar a "chuva no molhado", isto é, a Palavra descontextualizada da vida. Daí que, a afirmação da Igreja de Cristo não deva, opinião que formei ao longo dos anos, ser tolerante para quem dela se serve. A Palavra deve ser clara, incisiva e nunca receosa. Se esse não for o caminho, emerge a ideia que a Igreja deve favores ao poder ou está servilmente colada ao poder. E não deve ou não deveria dever. Se a pobreza não é mais evidente e dramática, é porque existem muitas paróquias e muitas organizações assistencialistas ligadas à Igreja que esbatem as fomes que o poder político-partidário gerou.
O Padre Doutor Anselmo Borges, sobre os diálogos do Papa Francisco e de Dominique Wolton, in Politique et Société, concluiu: "Um tema que atravessa todo o livro é a política. Francisco pronuncia-se sob múltiplos ângulos. Trump "terá dito de mim que sou um homem político... Agradeci-lhe, porque Aristóteles define a pessoa humana como um animal político, e é uma honra para mim (...). Sobre esses diálogos, Anselmo Borges, salienta a posição do Papa: "A política, a grande política, é uma das formas mais elevadas de amor. Porquê? Porque está orientada para o bem comum de todos" (...) "Há sempre uma relação com a política. Porque a pastoral não pode não ser política, para indicar caminhos e valores do Evangelho."
É de um Bispo assim que a Madeira precisa. Um Bispo sem medo de provocar os instalados, que se abra aos seus párocos e que os incentive, para que os cerca de 75.000 madeirenses (30%) que vivem na pobreza, tenham direito à felicidade. É difícil? Pois é. Mas é por aí que uma Igreja não partidária, mas política, deve seguir. Andar de ombros caídos, no meio de silêncios, vendo mas não vendo, NÃO.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

ZIDANE - UM EXEMPLO QUE MUITOS DEVERIAM SEGUIR




Não acompanho o futebol profissional e, portanto, não domino os seus complexos bastidores. Porém, em abstracto, a decisão de Zidane, treinador do Real Madrid, no quadro gestionário, do meu ponto de vista, é extremamente inteligente. Dir-se-á que tudo tem o seu tempo e ele, ganhador, ali, já teve o seu. 
Na fase de "maturidade" (vide desenho da curva de Charles Handy), ele teve visão, portanto, sai "para que o clube possa continuar a ganhar", disse. Outro virá, no âmbito daquela complexidade, capaz de gerar uma nova curva sigmóide que conduza ao crescimento até nova fase de maturação. Aliás, a fase de "turbulência" (entre A e B) existe com a anunciada saída de alguns jogadores, o que, previsivelmente, poderá conduzir à fase de declínio. Ele percebeu isto e, com visão, sai no momento certo. É de curva em curva, descobrindo a fase da turbulência, que as organizações ganham asas para o sucesso.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

DESABAFO AO CORRER DO PENSAMENTO


Quando se relega a qualidade, permite-se que emirja a mediocridade. É assim nos governos, nos partidos políticos, nas instituições públicas e até mesmo nas privadas, se bem que aí a conversa seja outra! São tantos os interesses que se movem: por uns euros a mais no salário ou por uma posição de alguma relevância, nem conta dão da sua impreparação. Interessa é abrir o caminho e ultrapassar, se necessário for, espezinhando, difamando, rebaixando, denegrindo por meios subtis ou mesmo descarados, a imagem e a qualidade de outros. De facto, os olhos da incompetência turvam. 


Da minha bancada da vida, assisto a processos onde parece valer tudo, desde a compra de pessoas, passando pela promessa e terminando na vingança servida de forma fria e até cruel. Corrupção pura de alto-a-baixo que já enoja. Mas há quem se dê bem no jogo de sombras. Se são felizes, não sei!
Por outro lado, os conflitos que deveriam ser funcionais acabam por assumir um carácter disfuncional. Entre o crescimento e afirmação, empresarial ou qualquer outro, e o interesse pessoal, o quadro disfuncional tende a prevalecer em relação àquele. Pouco interessa que uma instituição, qualquer que ela seja, fique ferida, pois mais importante é o caminho da sobrevivência pessoal. É o domínio do egoísmo, da angústia e de uma certa raiva que não permitem amar de verdade a instituição para a qual trabalham. Tampouco as pessoas. Neste contexto, os amigos ou colegas não existem, melhor dizendo, tornam-se descartáveis depois de utilizados. 
Laurence J. Peter (1919/1990) continua a vir à colação quando se fala de competência vs incompetência: “numa hierarquia, todo funcionário tende a crescer até o seu nível de incompetência”. Pois é. Poderiam ter bons desempenhos no seu galho de trabalho ou de influência, mas aspiram mais, mais e mais, ao ponto da ambição cegar as limitações que transportam. Não esperam que sejam, paulatinamente, reconhecidos, antes, por ínvios caminhos, tentam chegar à frente e conquistar posições, mesmo que os castelos sejam de areia. Os outros, os castelos de verdade, dão muito trabalho, porque implicam, antes de tudo o resto, conhecimento, depois, dedicação, perseverança, capacidade criativa, bom senso, seriedade, honestidade, humildade, um enorme respeito pelos outros e uma grande obediência a princípios imutáveis e a constantes valores éticos. 
Joseph Roth (1894/1939), jornalista e escritor, sublinhou que “não existe nobreza sem generosidade, assim como não existe sede de vingança sem vulgaridade”. É isto mesmo, em tantas situações, assisto à vulgaridade, à incompetência altifalante e a uma sede de vingança. Para quê, quando a vida é tão curta? Uma nova mentalidade, precisa-se! 
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 26 de maio de 2018

OS INCOMPATÍVEIS MIRTILOS DO SECRETÁRIO DE ESTADO


Existem incompatibilidades, públicas e manifestamente notórias, até, escandalosas, e outras, alegadas incompatibilidades. Pergunto: o que tem a ver um negócio de mirtilos com o desempenho do cargo de secretário de Estado do Desporto? Uma possibilidade, pela proximidade ao governo, de influenciar decisões favoráveis ao negócio de exploração dos mirtilos? Duvido, até pelo escrutínio a que a actividade política está, diariamente, sujeita. Pelo cruzamento de dados e não só. Outra coisa diferente é o secretário de Estado Pedro Siza Vieira ser gerente de uma empresa imobiliária. Aí talvez seja mais discutível. Como é inaceitável um jurista ser deputado de manhã e beneficiar, à tarde, da legislação que ajudou a criar. Em certas circunstâncias, penso que se corre o risco de chegarmos a um ponto de os mais competentes simplesmente dizerem não a funções de governo. No caso dos mirtilos, não me refiro, obviamente, à competência do secretário de Estado da Juventude e Desporto, pois nem o conheço, mas, em abstracto, à situação criada que determinou a tal incompatibilidade. Dir-se-á que se trata de uma questão de princípio! Pois, o problema está na relação entre o que se perde entre o contributo qualitativo das pessoas e algumas alegadas incompatibilidades.


Daí que as incompatibilidades devam ser mais bem ponderadas, com bom senso, com muita determinação e absoluto rigor. Se há funções que, pela sua natureza, são claramente incompatíveis, outras há que bastaria a suspensão temporária de funções e, porventura, outras ainda que, uma vez declaradas, deveriam ser autorizadas. Sendo certo que a própria suspensão não anula, temporariamente, a ligação à empresa.
Confrontamo-nos, hoje, com três quadros: os melhores não assumirem responsabilidades, abrindo espaço aos menos qualificados; o surgimento de subterfúgios contornando as disposições ditas legais, travestindo a incompatibilidade; finalmente, a futura necessidade de uma substancial valorização salarial dos cargos políticos para que exista alguma apetência pela função a desempenhar. 
O que se está a verificar é uma desmesurada pressão, em certos casos, ridícula, uma caça aos políticos, degradando-se, assim, a imagem que deveríamos nutrir por quem governa com absoluta lisura. Será difícil criar um quadro que não suscite dúvidas? Penso que não. Até porque, menos honestos existirão sempre, com ou sem incompatibilidades e, para esses, a investigação e a Justiça devem actuar de forma implacável.
Finalmente, duas perguntas: será preferível uma política onde se quer "tapar o Sol com uma peneira"? Será preferível abrir caminho ao carreirismo político, flutuando ao sabor dos interesses partidários internos? 
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

FRANCISCO ASSIS - VIAGEM SEM REGRESSO


Por estatuadesal
Carlos Esperança, 24/05/2018)



O eurodeputado Francisco Assis tem um passado político demasiado relevante para que as suas legítimas opções possam ser ignoradas, dentro e fora do PS. Quem, como eu, se reclama social-democrata, não pode rever-se da deriva neoliberal que se acentua no velho militante do PS e, muito menos, na reincidência com que se identifica com as aspirações da direita portuguesa. A entrevista ao Público desta terça-feira foi um serviço aos partidos que o usaram, quando da formação do atual Governo, e o dispensaram logo que deixou de ser útil. E não se arrepende do mal que fez ao partido e ao País, com o discurso catastrofista e anticomunista primário, ignorando a legitimidade do voto, igual para todos os partidos.

Contra o seu desejo, o BE, o PCP e o PEV pouparam o PS à chantagem da direita, de que estava refém, onde o PSD ameaçava ser a eterna charneira. Se há uma dívida de gratidão, é do PS aos partidos à sua esquerda e não o contrário, mas Assis insiste em excluir da vida democrática os partidos que lhe apraz sem se dar conta do seu défice democrático, do benefício da atual solução governativa e dos malefícios do Governo anterior.
Inesperada é a insistência na disponibilidade para continuar eurodeputado de um PS contra o qual foi o mais ruidoso adversário, não ter uma palavra de condenação sobre o Governo dos partidos que prefere, e persistir no que é mais caro à direita para envenenar o funcionamento das instituições democráticas.
A insistência absurda na recondução da PGR, que a própria reiteradamente considerou função de um único mandato, desejo também antes manifestado pelo atual PR, é uma provocação de quem deseja ser satélite da concorrência. Na véspera do Congresso do PS é porta-voz do PSD.
Francisco Assis perdeu a visão política e o pudor, aliado aos trânsfugas que viajaram da extrema-esquerda para os braços da direita caceteira e miguelista, na política, no jornalismo e na opinião remunerada. Ao dizer que este governo tem um prazo de validade, não se limitou a dizer o óbvio, aliás com limites legais, revelou apenas que excedeu o seu.
É natural que mantenha ainda alguma influência dentro do PS, mas suicidou-se perante o País, ética e politicamente. É deprimente o fim, mas a direita costuma pagar favores com avenças.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

DISFUNCIONALIDADES DO ESTADO VS DISFUNCIONALIDADES DA REGIÃO


FACTO

"A questão da mobilidade aérea é uma questão que urge resolver por parte do Estado dentro das suas obrigações constitucionais" (...) a minha obrigação é a de "remeter para quem de direito a solução do problema das disfuncionalidades do Estado" (...) "Enquanto eu for Presidente do Governo, nós não vamos assumir nunca a limitação do princípio da continuidade territorial dos madeirenses e porto-santenses (...) Não vão ser os madeirenses e os porto-santenses que vão pagar do seu bolso as disfuncionalidades do Estado". Fonte: DN-Madeira.


COMENTÁRIO

O Senhor presidente do governo regional da Madeira parece irritado. Quase todos os dias dispara, de semblante carregado, como se todo o mundo estivesse contra ele. Esquisito? Não, não é. Talvez esteja perturbado com o "negócio" da governação. É difícil, pois é, quando o passado pesa, e de que maneira! Ora, naquelas declarações, excluindo o direito constitucional da "continuidade territorial", inalienável, sublinho, porque somos tão portugueses quantos os que vivem no espaço continental, existem várias questões que se colocam. Desde logo, quem negociou a última portaria sobre a mobilidade aérea? Quem a aceitou? Quem enalteceu as virtudes de tal disposição, (quando tantas vozes se levantaram), inclusive, quem salientou que os "madeirenses nunca viajaram tanto a preços tão baratos"? Se esse tem sido o discurso da maioria, para quê tanta vozearia?
As incoerências discursivas são, portanto, evidentes, para não falar da novela hospital, pelo que me parece, então, muito pouco assertivo o presidente falar das disfuncionalidades do Estado. Que existem, obviamente. Ademais, por aqui, pergunto, quantas disfuncionalidades abundam em todos os sectores e áreas da governação? Depois, a função de presidente de um governo AUTÓNOMO é muito maior que a de simples "sinaleiro". Não basta "remeter para quem de direito", mas a de antecipar os problemas e a de os resolver. Certo estou eu que não se resolve com má disposição e com fúrias descredibilizadoras, seguindo as mesmíssimas linhas do histórico combate por palavras que, se nunca resolveram, hoje, pior ainda. Vivemos tempos de vacas magras, pelo que só através do diálogo institucional, sem chapéu na mão, convém salientar, é possível ultrapassar os graves desequilíbrios criados ao longo de quatro décadas.
Isto não significa capitulação perante os direitos constitucionais, ausência de reivindicação, cumprimento de acordos e defesa da Autonomia, difícil é aceitar o discurso de tom ofensivo, como se do outro lado estivessem os malandros e aqui os anjos imaculados! Tenha o presidente do governo presente os reconhecidos disparates por opções políticas erradas, as megalomanias, a dimensão institucional de uma região, pobre e assimétrica, equivalente a um Estado dentro do Estado, o dinheiro que por aí se esvai, os grupos económicos muito pouco sadios e transparentes, a teia de cumplicidades e a incapacidade de dizer não, a inversão das prioridades estruturais, ora tudo isto merece adequada reflexão, não sendo com paleio político superficial, cara de poucos amigos e "chutando para as bananeiras" que os problemas se resolvem. Aliás, a atitude que vem sendo seguida, de forma insistente e concertada, apenas denuncia descontrolo, aflição, angústia, pouca segurança e sobretudo esperança. E na política, a melhor defesa dos interesses de todos, nunca é o ataque! Até porque os madeirenses e os porto-santenses desde há muito estão a pagar do seu bolso as disfuncionalidades da Região.
Ilustração: Arquivo próprio.

terça-feira, 22 de maio de 2018

INSANÁVEIS INCOERÊNCIAS POLÍTICAS

FACTO
 
Francisco Assis, Eurodeputado do PS:


"Estou disponível para participar na vida do PS desde que, para isso, não tenha de renegar as minhas convicções mais profundas, dar o dito por não dito, pôr em causa aquilo que eu penso de mais profundo. Imaginemos que o PS, de facto, enfatiza nos próximos tempos a necessidade de projectar esta solução governativa no futuro. Nesse caso, é evidente que eu tenho de me afastar de tudo. É óbvio que não vou andar a fazer uma campanha eleitoral a dizer “votem no PS” sabendo de antemão que o PS tem uma linha de orientação que não é aquela que eu preconizo."

Pablo Iglésias, líder do "Podemos" (Espanha):

"Entregarias a política económica de um país a alguém que gasta 600 mil euros num apartamento de luxo?" Esta foi a mensagem que Pablo Iglesias, líder do Podemos, escreveu no Twitter em 2012, para criticar o facto de Luis de Guindos, então ministro da Economia espanhol e atual vice-presidente do Banco Central Europeu, ter comprado uma casa desse valor. O problema é que agora foi Iglesias que, junto com a companheira Irene Monteiro, porta-voz do Podemos no Congresso, comprou uma vivenda com piscina no norte de Madrid por 600 mil euros."

COMENTÁRIO

No primeiro caso, se a posição do PS, parece-me, ainda, que é a do centro-esquerda, não faz sentido que Francisco Assis ainda continue como eurodeputado, quando defende que a actual solução governativa "é como os yogurtes: tem um prazo de validade" e, politicamente, é um liberal-social. Se discorda já deveria ter saído, abstendo-se de qualquer comentário de carácter ideológico. Pessoalmente, rejeito soluções políticas do tipo bloco central. Cheira-me a interesses!
No segundo caso, trata-se de um problema de coerência. Quem defende os princípios e os valores do "Podemos" tem o dever de cautela. Não é que tenha de fazer votos de pobreza, mas convenhamos que é necessário não permitir que os tiros façam ricochete de morte política. 
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 19 de maio de 2018

UMA ESPÉCIE DE "DELAÇÃO PREMIADA"

Nota prévia
Não tenho provas, daí que, infelizmente, tenha de escrever em abstracto, ocultando instituições e pessoas. Não gosto, mas a situação impõe. Trata-se de uma intenção que serve, apenas, de alerta. Tarde ou cedo, confirmando-se, este texto constituirá um ponto de partida para outras considerações. Porque, lá diz a sabedoria popular, a verdade é como o azeite (...). Por outro lado, que fique claro, este texto nada tem a ver comigo. 


Gosto de pessoas que assumam os seus actos. Aprecio a frontalidade e detesto zonas cinzentas. Embirro com as subtis manobras de bastidores ao jeito de levar a água ao seu moinho. Nutro consideração por aqueles que demonstram ou fazem da transparência um caminho e, quando discordam, dizem-no de viva voz, assumem e, em último caso, afastam-se. Reverencio-me perante aqueles que não se vendem a troco de nada, de um lugar ou de uma promoção, quando sabem que podem estar a prejudicar terceiros. Antipatizo com os que têm medo e os facilmente pressionáveis. Irritam-me aqueles que não se importam de, por portas travessas, maldizer um amigo, deixando-o no pelourinho e, logo a seguir, com ele conviver como se nada tivesse acontecido. Ah sim, fizeram-te isso? Que cambada! Fico embasbacado quando vejo gente embriagada pela concessão de alguma putativa facilidade na vida, como se o vil metal fosse mais importante que a consciência. Não suporto troca-tintas e vira-casacas. Mas isto é o que, infelizmente, tropeçamos a cada esquina. 
É tão reconfortante não capitular, ceder, trair, renegar e perjurar. É arrasante descobrir que ao nosso lado existe um "infiltrado", um manhoso, que em tempos que lá vão, se designava por bufo. É triste descobrir, com a paciência de um puzzle, que, afinal, no convívio diário, há gentinha com uma dupla face, os camaleões, os travestidos de uma coisa que, efectivamente, não são. Pessoas que não se ralam consigo próprias e que semeiam a tristeza e frustração no semelhante. Para sobreviverem, tal como os irracionais. Vergonhosamente camuflados, uns corrompem, outros, deixam-se corromper a troco de migalhas. Qual defesa da dignidade?! Como se olham ao espelho, não sei. Apenas sei que é bom sair a uma porta e não estar quinze minutos a enrolar o rabo!
Se se trata de uma espécie de "delação premiada", situação que abomino, inclusive, na Justiça, a seu tempo se concluirá. Escrevo para memória futura.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

FUTEBOL - UMA INDÚSTRIA CANIBAL


Raramente, muito raramente, escrevo sobre assuntos relacionados com o futebol profissional. E quando resolvo juntar umas palavras, mor das vezes, é no quadro de uma política educativa através do desporto. O resto, desde há muito, passa-me ao lado. Apenas observo. Pelo menos há trinta anos que não assisto, ao vivo, a uma partida de futebol. Refastelo-me no sofá, de quando em vez, para seguir um jogo de altíssimo rendimento, pela qualidade a todos os níveis. Desinteressei-me, talvez depois de ler um extraordinário artigo no Le Monde Diplomatique, assinado por Eduardo Galeano (1940/2015), a que deu o título: “Football, une industrie cannibale”. Desde esse tempo, premonitoriamente, o autor, antecipou aquilo que hoje corre debaixo dos nossos olhos de actores/espectadores: salários absolutamente pornográficos, corrupção de arrepiar os mais insensíveis, tráfico de influências, violência e até morte. Aprendi com o grande Mestre, o Filósofo do desporto, Manuel Sérgio, um dos maiores pensadores mundiais, que o desporto deveria ser “jogo, humor e festa”. Ora, essa pureza parece estar irremediavelmente perdida. 


O futebol profissional não é desporto. Existe, sim, uma modalidade desportiva (existem outras) que é utilizada com fins empresariais. As Sociedades Anónimas Desportivas pertencem ao domínio empresarial. Não confundamos, portanto, com os princípios que enformam a “Ode ao Desporto” de Pierre de Coubertin: "Ó Desporto, prazer dos Deuses! Essência da vida (...) Ó Desporto, tu és a beleza! És o arquitecto deste edifício que é o corpo, que pode tornar-se abjecto ou sublime, se degrada na vileza das paixões, ou saudavelmente se cultiva no esforço. (...) Ó Desporto, tu és a Justiça! A equidade perfeita, em vão perseguida pelos Homens nas instituições sociais (...) Ó Desporto, tu és a audácia! Todo o sentido do esforço muscular se resume numa única palavra: ousar. (...) Ó Desporto, tu és a Honra! Os títulos que tu conferes não têm qualquer valor se adquiridos por meios diferentes da lealdade absoluta. (...). Por aí fora. Portanto, não confundamos estes princípios com outras finalidades que consubstanciam a sua prática profissional. 
Tratando-se de uma indústria que fabrica exacerbadas paixões, ódios, fúria e espaços de comportamento irracional, aliás, basta ter presente, sobretudo nos encontros de risco elevado, as massas adeptas serem conduzidas pelas forças de segurança para dentro dos estádios, para concluir desse “canibalismo” que, grosso modo, tal indústria configura e potencia. Ora, o que aconteceu na Academia de Alcochete, que não é situação única no futebol por esse mundo fora, não é mais do que o corolário de uma construção, eu diria, com boa vontade, inconsciente, de múltiplos factores, desde a escola à comunicação social. De facto, entre nós, a Escola, genericamente, não tem despertado e não tem incutido o desporto para a vida, segundo valores humanistas, fundamentalmente pela sua organização, porque está presa no plano curricular a uma Educação Física que, ao querer ser tudo no plano pedagógico, acaba por deixar um rasto de desilusão; associado a isto, a comunicação social e o dirigismo. Todos os dias, são intermináveis horas, em quase todos os canais, de forma repetitiva, agressiva, doentia e muito pouco normal, painéis de comentadores, com dirigentes desportivos, ex-árbitros, jornalistas, empresários e até políticos que de tudo sabem, com intervenções que formatam frágeis consciências geradoras dos pressupostos da violência. Em alguns casos chega a ser degradante, tal a fúria demonstrada entre uns e outros. Até vejo gente com excesso de peso (!) que muito dificilmente são capazes de correr para uma paragem de autocarro, falando de “desporto” como se fossem exemplo de uma prática entendida, no mínimo, como bem cultural. Um paradoxo, que só ajuda a compreender o tal “canibalismo”. 
De que estávamos à espera? De um futebol vivido com paixão, com enorme entusiasmo, mas com moderação e respeito? De um espectáculo vivido pela beleza do movimento, pela emoção, pela técnica e táctica? De uma competição séria, dirimida com audácia, ousadia, justiça, honra e absoluta lealdade? Dificilmente podíamos esperar um quadro destes. Pelo contrário. E quando ouço o primeiro-ministro falar da necessidade de uma nova “autoridade contra a violência” questiono-me, para quê? Já existe lei que chegue e são vários os organismos com essa missão e vocação. Daí que, o que falta é EDUCAR para os valores, o que falta é bom senso na generalidade dos órgãos de comunicação social. O que falta, mesmo no inalienável direito constitucional ao associativismo, é a existência de rastreio nos candidatos a dirigentes. Isto não significa que, por esta via, se eliminem todos os casos. A marginalidade andará sempre à espreita, mas estou certo que jamais atingirá a vergonha que está instalada. 
Regresso ao meu Amigo Doutor Manuel Sérgio: "(…) O interesse do capitalismo vigente é querer democratizar na medida em que quer vender. O desporto como mercadoria, a cultura como produto vendável, segundo as leis do mercado, é tudo quanto o capitalismo sabe de cultura e desporto (…)". Pensemos nisto em conjugação com a vergonha de Alcochete.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 15 de maio de 2018

ESTÃO A VENDER FUMO


Obviamente que não é de bom senso colocar em causa quem, legitimamente, ganhou as eleições legislativas regionais e que, por força dessa circunstância, governa. Outra coisa é a apreciação ao comportamento da governação. Pessoalmente, nunca tive grandes expectativas, porque apesar da palavra "renovação" a matriz consolidada ao longo de quarenta anos muito dificilmente poderia ser alterada. E não foi. E tanto assim é que, nas últimas semanas, por um lado, os sinais de descontrolo, consubstanciado no tom agressivo com a República, por outro, a atitude musculada na relação com as instituições regionais parceiras, transmitem que a tal matriz deu cabo da tal pretensa "renovação". 


Tenho presente as sistemáticas declarações, com palavras muitas vezes azedas, por parte do presidente do governo regional, relativamente ao tal Terreiro do Paço, atitude que, se nunca constituiu boa estratégia, hoje, está definitivamente condenada. Por exemplo, a próxima reunião com o Primeiro-Ministro ser realizada no Palácio de S. Lourenço ou em qualquer outro lugar, deveria ser acertada pelos canais internos, através de um simples telefonema, nunca através de atitudes de alguma grosseria que a nada conduzem; como tenho presente o contínuo desacerto do secretário da Educação que conseguiu atingir o patamar da ex-ministra de má memória, Maria de Lurdes Rodrigues, tal a fúria existente entre professores e sindicatos. Ainda hoje uma carta do leitor, publicada no DN disso dá conta; como tenho presente as atitudes da secretária do Ambiente e Recursos Naturais, naquela trágica intenção de paralisar a Câmara do Funchal ou a de colocar a Câmara de Santa Cruz em Tribunal; como tenho presente o vice-presidente, entre várias histórias, como a mal contada do ferry (vide FB de Márcio Serrado Fernandes, em 10 de Maio, onde um cidadão coloca preto no branco); como tenho presente a secretária da Inclusão e Assuntos Sociais que, em um sector tão importante e complexo, nada se vê no quadro intergovernamental na perspectiva de políticas que possam ir de encontro aos desequilíbrios mais sentidos; como tenho presente o secretário da saúde, com os trágicos números que envergonham a Autonomia; como tenho presente os comunicados que saem da Rua dos Netos, qual tentativa de fazer do ataque a melhor defesa! São tantos os factos. A política, pelo menos para mim,  é muito mais que isto. 
Todos os dias os madeirenses são confrontados com situações que não abonam em favor de uma governação serena, de rigor, não casuística, portanto, apostada no futuro de uma Região que salte das assimetrias que a enforma. Fico com a ideia de um "vira o disco e toca o mesmo", onde não se antecipa o futuro nem se demonstram os passos para lá chegar. A comunicação social comanda a actividade política e não é o exercício da política que os trás a reboque. O que daqui resulta é o continuado desencanto, que, infelizmente, não fica pela governação. Há outros, em outros domínios, porventura tão ou mais graves, porque de Democracia se fala. Estão a "vender" fumo.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 12 de maio de 2018

O PRESIDENTE DO GOVERNO DA MADEIRA ADEPTO DA VIA TOTALITÁRIA



FACTO

Título da primeira página do DN-Madeira: "Governo manda executar Câmara do Funchal em 15 milhões". Causa (em síntese): existe um contencioso, de longa data, em curso na via judicial, que opõe a Câmara do Funchal à empresa Águas e Resíduos da Madeira (ARM). Desde o tempo do Dr. Miguel Albuquerque, que, enquanto presidente da autarquia, fez, e julgo que bem, clara oposição às taxas praticadas. No seu tempo, consta (ver DN), que o Dr. Miguel Albuquerque deixou a dívida crescer até aos 30 milhões de euros à Valor Ambiente (IGA), hoje, Águas e Resíduos da Madeira (ARM).

COMENTÁRIO

Fui, durante doze anos, vereador da Câmara do Funchal no tempo do Dr. Miguel Albuquerque. Conheço essas lutas. Sei quantas instituições públicas deviam e continuam a dever à autarquia pelo fornecimento de serviços. Por exemplo, hospitais, centros de saúde, estabelecimentos de educação e ensino, entre muitos outros, sempre deveram elevados montantes. Por outro lado, enquanto a Câmara sempre foi tolerante com as dívidas do governo, porque se tratavam de serviços muito complexos, no caso dos munícipes, qualquer atraso foi sempre penalizado. 
Entretanto, o Dr. Miguel Albuquerque venceu as eleições legislativas e, consequência disso, tornou-se presidente do governo. Foi o quanto baste para se esquecer da administração por onde passou e dos dossiês face aos quais manteve aceso combate. Daí que, o mesmo que ajudou a criar uma dívida é, agora, o mesmo que mexe todos os cordelinhos judiciais no sentido de bloquear o funcionamento da principal autarquia da Madeira. Seguir-se-á, certamente, Santa Cruz e Machico!
Quinze milhões são suficientes para colocar em causa todo o funcionamento da autarquia, inclusive, os salários. Isto não é uma brincadeira de Carnaval!
Os leitores que me perdoem a expressão, mas estou-me nas tintas para as angústias em redor das próximas legislativas regionais, sobre quem serão os protagonistas, se o povo vai votar assim ou assado, porém, já não fico indiferente quando, uma atitude tresloucada, coloca em causa o normal funcionamento das instituições de serviço público.

PERGUNTAS

Primeira: Em uma Região tão pequenina farão algum sentido estas lutas intestinas? 
Segunda: Quais as razões que movem e de que padece politicamente o presidente do governo para no passado ter tido a atitude x e, hoje, a atitude y?
Terceira: Já agora, enquanto ex-presidente da Câmara do Funchal, tendo beneficiado de muitos milhões de euros, através de contratos-programa com o governo do Dr. Alberto João Jardim, facto que lhe permitiu a realização de algumas obras, porque não os assina com o Funchal? Porque prefere bloquear o seu funcionamento?
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

CONTRADIÇÕES


FACTO

O presidente do governo regional, Dr. Miguel Albuquerque, referiu que, na próxima época "desportiva", irá reforçar os valores canalizados para o futebol profissional da Madeira. 
Sensivelmente na mesma data, no decorrer da cerimónia dos 30 anos da UMa, o senhor reitor da Universidade da Madeira, Doutor José Carmo, disse que era “fundamental” o Governo Regional e as autarquias apoiarem a instituição “sem complexos”, em um momento em que os gastos se situam nos 17,5 milhões de euros anuais. Simplesmente porque, as consequências do trabalho da instituição na região é “inegável” e com “reflexos imediatos” ao nível social e na preparação dos jovens.

COMENTÁRIO

Sei, todos sabemos, das dificuldades orçamentais da Região para resolver problemas de uma indiscutível premência. Sendo certo que o recurso financeiro é sempre escasso e que o futuro colectivo depende de um rigoroso investimento na formação académica.

PERGUNTAS

As questões que se colocam, entre outras, é a de saber se as Sociedades Anónimas Desportivas (SAD's), devem ou não ser vistas como qualquer outra empresa de qualquer ramo? O que justifica as diferenças de tratamento? Concomitantemente, da formação de base à universitária, onde deverá residir a prioridade em uma Região com um défice a esse nível?
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

OH MINHA SENHORA, NESTE CONTEXTO VOU DIZER COCÓ?


FACTO

A secretária Regional do Ambiente e Recursos Naturais, Drª Susana Prada foi ao Palácio da Justiça entregar ao Procurador do Ministério Público uma queixa-crime contra o Presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz, Filipe Sousa. Motivo: ter sido alvo de ofensas. Quais? A secretária regional teve uma “atitude desonesta e de clara falta de vergonha (...) A senhora secretária mentiu descaradamente à opinião pública aqui de Santa Cruz e madeirense (...)", isto a propósito das obras realizadas pelo Governo Regional para abastecimento à população da Eira da Cruz. "Como em política não pode valer tudo, em defesa do seu bom nome e honra, Susana Prada entendeu tomar prontamente uma acção de firme repulsa relativamente a este tipo de comportamentos e assim apresentar a devida queixa crime". Fonte: DN-Madeira.

COMENTÁRIO

Obviamente que não sou advogado de defesa dos "Juntos pelo Povo", mas sou cidadão e leitor. Este comentário parte do princípio que o jornalista publicou as partes mais "ofensivas" e que levaram a Senhora secretária a ficar abespinhada (furiosa).
Ora bem, no exercício da política não pode valer tudo. Concordo. O problema está em saber o que significa "valer tudo". A Senhora secretária tem estado na Assembleia Legislativa, enquanto membro do governo, portanto, tem escutado algumas, essas sim, ofensas da dignidade, "da honra e do bom nome" daqueles que foram eleitos pelo Povo. Algumas vezes, de forma reles e a roçar o ordinário. Para não falar dos enxovalhos que muitos sofreram ao longo de quase quarenta anos. Basta uma consulta junto do "Dr. Google" ou do Youtube.
Pois bem, a palavra desonesto pertence ao léxico português. Pode significar falseamento da verdade; falta de vergonha pode significar capricho; tal como a palavra mentir que pode significar, também, falsidade, engano, embuste. E sendo assim, estou certo que a queixa não se daria, se o referido partido tivesse dito (repito, segundo o que li), que "a sua atitude falseou, politicamente, a verdade, traduzido em um capricho, o que levou ao engano os eleitores, pelo que, na nossa opinião se tratou de um embuste político". Com sinónimos e floreados tudo teria passado sem mácula. Era um ramo de flores para a secretária colocar na secretária!
Tive um Amigo, já falecido, que, às vezes, referindo-se a uma determinada situação que, politicamente, o contrariava, dizia, expressivamente, a palavra "merda" (porcaria, sujidade, excremento). A sua mulher quase o repreendia, dizendo: "Oh menino!" E ele respondia: querida, neste contexto vou dizer "cocó?" 
Ora, comparado com o que se ouve, as expressões publicadas nem "piropo" político são! Mas deu origem a uma queixa que só vai dar trabalho, para no final ser arquivado. 
Ai se todos começam a fazer queixa do que ouvem!
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 6 de maio de 2018

POEMAS IGUAIS AOS DIAS DESIGUAIS


Esta tarde, na feira do livro de Machico, foi apresentado o livro de poesia do Padre José Martins Júnior. Deixo aqui a dedicatória:

"Às coisas
Ao chão delas
Ao que as rodeia e ao que as povoa
Às mãos que as tocam
À luz que as sobredoira
E ao ar que as sustenta

Às árvores onde habito
E ao vento
Ai, ao vento, compositor e maestro
De toda a Poesia

Deixem-me só ficar no ramo verde,
Lira lâmina tuba ou flauta
À espera que ele passe, o Vento
À espera que ela fique, a Poesia"

Padre Martins, parabéns com um abraço muito Amigo.
Estou feliz com a sua mensagem:

"Aos sonhos, lutas e ideais, ainda por alcançar.
Vamos a caminho!"

sábado, 5 de maio de 2018

POLITICAMENTE UM VOTO ININTELIGÍVEL


FACTO

O ex-presidente do governo da Madeira, Dr. Alberto João Jardim será agraciado com a mais alta insígnia da Região Autónoma da Madeira, depois de quase quatro décadas à frente do executivo. A proposta partiu do PSD e contou com o apoio do actual governo. A proposta foi aprovada na comissão permanente da Assembleia Legislativa da Madeira com os votos favoráveis do PSD, PS e CDS-PP. O Bloco de Esquerda e o Partido Trabalhista Português votaram contra e o Juntos Pelo Povo absteve-se. Segundo a comunicação social o PCP não esteve presente.

COMENTÁRIO

O voto favorável do Partido Socialista é inenarrável. Que o PSD queira distinguir um dos seus, porque tem maioria parlamentar ou porque dá jeito no confronto interno, enfim, é compreensível. Já o sentido de voto do PS é muito estranho. Em breves instantes, escrevo no plano da análise POLÍTICA, deu-se o mais completo apagão em uma memória de 40 anos, feita de ofensas muito graves a dirigentes e simpatizantes, de ataques políticos miseráveis e muitos com natureza ordinária, de aviltamento de pessoas credíveis e socialmente reconhecidas, de perseguições a variadíssimos níveis, para não falar das atitudes musculadas, do autoritarismo, da violação dos deveres de neutralidade, da exclusão de pessoas dos espaços que deveriam primar pela representação democrática, da ausência de debate, do desrespeito pelos órgãos da República, da dívida contraída, dos "monopólios" gerados, das públicas cumplicidades, da utilização do Jornal da Madeira, das ofensas à comunicação social, da criação de uma sociedade assimétrica, enfim, é longo, muito extenso o historial. E o PS-Madeira pegou no apagador e em um ápice fez desaparecer tudo o que durante anos criticou e, POLITICAMENTE, deu o seu voto favorável. Um completo apagão, quando o PS sempre disse que, com o mesmo dinheiro disponível teria feito muito mais e melhor. Trata-se de uma contradição insanável, quando o "reconhecimento" tem uma natureza política. Nem presente tiveram o que um dia foi dito e que explica muita coisa: "temos de ser uma máfia no bom sentido e ajudar-nos sempre uns aos outros".
Ora bem, no exercício da política, como em tudo na vida, é necessário dar-se ao respeito, até porque "quem não se sente, não é filho e boa gente". Só falta agora, no dia da cerimónia, o PS aplaudir e abraçar, POLITICAMENTE, o condecorado, na lógica de "quanto mais me bates, mais eu gosto de ti". 
Nunca imaginei, confesso!
Finalmente, talvez agora compreenda o que o Dr. Jardim disse, em 10 de Abril de 2012: "(...) os amigos dos meus inimigos, meus inimigos são, os inimigos dos meus inimigos meus amigos são". Fico por aqui.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

A COMUNICAÇÃO SOCIAL É A ÁGORA, NÃO É O PELOURINHO


Daniel Oliveira, in Expresso Diário 
02/05/2018) 

Chego do estrangeiro e aterro atrasado num debate cheio de equívocos sobre a divulgação das imagens dos interrogatórios a Sócrates. O que se discute é a relevância jornalística do julgamento do antigo primeiro-ministro. Só um idiota negaria a importância desta investigação e deste julgamento e mesmo havendo muitos idiotas não dei por que algum deles o tenha feito. O que se discute é o comprometimento de cada um no combate à corrupção. O que fez a divulgação destas imagens por esse combate? Não será no julgamento que a justiça se fará? Os juízes acompanharam o interrogatório pela SIC? O debate não é sobre a relevância do caso, não é sobre corrupção, não é sequer sobre Sócrates. O debate é sobre valores fundamentais que, como acontece muitas vezes, entram em conflito. No caso, os direitos de qualquer cidadão, chame-se José Sócrates, Daniel Oliveira ou tenha qualquer outro nome, e a liberdade de imprensa.

Quem preza a liberdade, lembre-se ou não dos tempos da ditadura, compreende a violência de escutas telefónicas e da violação de correspondência. Em condições muito específicas e limitadas, permitimos que as polícias e o Ministério Público, com a devida autorização judicial, violem o direito sagrado dos cidadãos à sua privacidade. Não é por acaso que não damos esse poder aos jornalistas. O mesmo se aplica à divulgação de imagens de interrogatórios. Estes interrogatórios, é bom recordá-lo, são coercivos.
Como têm de ser, perante a justiça. Não preciso de repetir o que António Barreto (AQUI) já explicou sobre a situação de fragilidade de quem está a ser interrogado. Aquele som e aquelas imagens foram recolhidas para contribuir para a aplicação da justiça, não servem para esclarecer a opinião pública.
O grande argumento é sempre o “interesse público”. Nenhum jornalista o pode esquecer, mas ele não serve para tudo. O “interesse público” pode levar os jornalistas a pôr escutas, a violar correspondência ou a filmar as pessoas nas suas casas sem a sua autorização. O céu é o limite e já tudo isto foi feito com este argumento. A utilização de imagens de um interrogatório é um ato extremo que só poderia ser justificado por uma razão extrema: ser a única forma de denunciar algo muitíssimo relevante que de outra forma seria impossível chegar ao conhecimento público. E mesmo assim seria discutível. Não é o caso: as imagens do interrogatório a José Sócrates não nos forneceram nenhuma informação fundamental que não pudesse ser dada de forma a não pôr em causa outros valores fundamentais. Pior: nem sequer nos deu qualquer informação nova. Não estamos, portanto, perante um conflito entre valores. A divulgação foi gratuita e não visou outra coisa que não fossem as audiências. E isso nada tem a ver com liberdade de imprensa.
Este é um debate sobre o Estado de Direito, a democracia e a liberdade de imprensa. Nenhum destes valores é propriedade dos jornalistas. Quando um jornalista usa escutas ou interrogatórios não é perante os jornalistas que tem de se justificar, é perante todos os cidadãos. Todos os que um dia podem, com ou sem razão, estar naquele lugar. Todos a quem nunca ninguém perguntou se queriam dar a qualquer diretor, editor ou jornalista o poder de decidir se divulga ou não as imagens de um interrogatório. O meu debate com o Ricardo Costa, um dos jornalistas mais preparados que conheço, e com a SIC, uma estação com que colaboro e onde sempre fui livre, não é se fizeram bem ou mal em divulgar estas imagens. Isso seria assumir que ele têm o direito de tomar essa decisão. O meu debate é se o podem fazer. E eu acho que não. Que a comunidade não lhes deu nem lhes podia dar esse poder. Que a comunicação social é a Ágora, não é o Pelourinho. No dia em que quiser ter mais poder do que tem terá de aceitar que a sua liberdade seja mais limitada do que é. E isso não quero eu nem, espero, querem eles.