domingo, 26 de fevereiro de 2017

A MENTIRA SOBRE O DÉFICE DE ATENÇÃO E A HIPERACTIVIDADE


O psiquiatra teve uma vida confortável graças às vendas de medicamentos para tratar a “doença”


Quem diria… O inventor do Transtorno de Déficit de Atenção Com ou Sem Hiperatividade (TDA/H), psiquiatra norte americano Leon Eisenberg, revelou que o TDA/H “é um excelente exemplo de uma doença fictícia”. Essas foram as palavras dele, que é considerado o pai desse “transtorno”. Ele confessou a farsa da doença aos 87 anos de idade, em sua última entrevista, sete meses antes de sua morte.
Desde 1968 que a “doença” de Eisenberg perseguia os manuais de diagnósticos e estatísticas, primeiro como “reação hipercinética da infância”, agora chamado de “TDAH”. O uso de medicamentos para o ADHD (Attention Deficit/ Hyperactivity Disorder) na Alemanha aumentou brutamente em 18 anos, de 34 kg (em 1993) para um registro de 1760 kg (em 2011). Esses números representam 51 vezes mais nas vendas. Nos Estados Unidos, uma em cada dez crianças já toma algum medicamento ADHD, em uma base diária. Também com tendência crescente dos números.
Consequentemente ou não, o Presidente da Comissão Nacional Consultiva de Ética Biomédica (NEK), Otfried Höffe, criticou o uso da Ritalina, em novembro de 2011, em seu parecer intitulado: “Valorização Humana por meio de agentes farmacológicos: o consumo de agentes farmacológicos que alteram o comportamento da criança em qualquer contribuição sobre a sua parte”.
Eisenberg atuou no “Comitê para o DSM V e CID XII, American Psychiatric Association” 2006-2009, era membro do “Comitê Organizador da Mulher e da Conferência Medicina (2006)”, realizou diversas conferências e assim foi disseminando o TDAH. O psicólogo americano, Lisa Cosgrove, coloca uma importante questão: esses grupos estiveram comercializando o diagnóstico de TDAH no serviço do mercado farmacêutico e foram feito sob medida para Eisenberg, com um monte de propaganda e relações publicas. Eles descobriram que dos 170 membros do painel DSM 95 (56%) tiveram uma ou mais associações financeiras com empresas da indústria farmacêutica. Cem por cento dos membros dos painéis sobre “Transtornos do Humor” e “Esquizofrenia e outros transtornos psicóticos” tinham vínculos financeiros com empresas farmacêuticas. Chegaram à conclusão que as conexões são especialmente fortes nas áreas de diagnóstico, nos quais as drogas são a primeira linha de tratamentos para transtornos mentais. E na edição seguinte do manual, a situação manteve-se inalterada: 56% dos membros relataram laços com a indústria farmacêutica.
Finalmente é possível observar àqueles que falam e alcançam grande parte da população revelar que os agentes farmacológicos induzem alterações comportamentais, mas não podem educar uma criança sobre a forma de alcançar essas mudanças de comportamento de forma independente. Uma pílula não cala a dor de uma criança, mas ela a priva de uma experiência essencial que é aprender a agir automaticamente e enfaticamente, perdendo a sua liberdade e prejudicando o desenvolvimento de sua personalidade. O uso de medicamentos como a ritalina interfere a liberdade do sujeito e seus direitos pessoais. Entendemos que essa doença seja fictícia, sim. Na verdade, ela serviu para levar à indústria farmacêutica os melhores aumentos de vendas. O indivíduo pode passar por momentos de desatenção e hiperatividade por diversos motivos. Deixa-me enfatizar aqui, a falta de atenção e hiperatividade não é uma doença, senão uma fase em que o indivíduo pode passar. Cabem aos profissionais da área da saúde e aos educadores a tarefa de não colocarem as crianças no “Lead química” e auxiliá-las com relação a seus porquês e suas inseguranças. Dessa forma, não entregaremos os nossos filhos nas mãos do mercado farmacêutico.
Agora veja alguns alertas de efeitos colaterais contidos nas bulas de remédios tarja preta:

- Confusão;
– Despersonalização;
– Hostilidade;
– Alucinações;
– Reações maníacas;
– Pensamentos suicidas;
– Perda de consciência;
– Delírio;
– Sensação de embriaguez;

E então, eis a questão: por que os pais submeteriam seus filhos a remédios com efeitos colaterais tão alarmantes?

Jornalista

sábado, 25 de fevereiro de 2017

SEM SOMBRA DE GRANDEZA


Por Miguel Sousa Tavares, in Expresso
25.02.2017

"Bem pode Cavaco Silva desfilar o rol de grandes do mundo que conheceu em vinte anos no topo da política portuguesa: nenhum desses grandes o recordará nem que seja num pé de página de memórias e a nossa história não guardará dele mais do que o registo de uma grandiloquente decepção.


Nos seus dez anos como primeiro-ministro, Cavaco Silva teve o que nunca ninguém tinha tido antes dele e não voltou nem voltará a ter depois dele: uma maioria, tempo, paz social, esperança e dinheiro sem fim, vindo da Europa. Fosse ele, porventura, um homem dotado de visão e de coragem e conhecedor da nossa história e dos nossos males ancestrais, teria aproveitado as circunstâncias para inverter de vez o funesto paradigma em que vivemos hádécadas ou séculos. Em lugar disso, aproveitou o dinheiro e os ventos favoráveis para engrossar o Estado, fazer demasiadas obras públicas inúteis e cimentar a clientela empresarial que sempre viveu da obra ou do favor público. Ele lançou as raízes do défice e da dívida pública, que, depois, tal como as obras (de Sócrates), passou a execrar. Cinco anos volvidos, regressaria para outros dez de Presidência. Por razões que já nem adianta esmiuçar, acabaria por sair de Belém com uma taxa de rejeição recorde e com 80% dos portugueses fartos dele e do seu pequeno mundo. Muita da popularidade de Marcelo deve-se ao facto de os portugueses o verem em tudo como o oposto de Cavaco Silva.
Tive um breve mas arrepiante flashback deste pequeno mundo quando, na semana passada, Cavaco Silva lançou o seu livro de ajuste de contas. Pelas citações e declarações que li e ouvi, parece-me que a única coisa boa do livro é o título — (mas até esse li que não era original). No restante, Cavaco entretém-se a contar os seus “factos rigorosos” para “informação dos portugueses”, e registados com base num método que diz ter inventado quando era estudante e que se presume não ser o do gravador oculto. A finalidade da história das suas quintas-feiras é atacar um homem já debaixo de todos os fogos — o que confirma a lendária coragem intelectual de Cavaco, tal como no seu discurso de vitória quando foi reeleito, atacando com uma raiva e um despeito indignos de um Presidente da República os seus adversários que já não se podiam defender. Parece que agora, com um absoluto desplante e tomando-nos a todos por idiotas, Cavaco Silva ensaia uma indecorosa falsificação dos tais “factos rigorosos”: a história de como ele e a filha ganharam 150% em dois anos com acções do BPN que não estavam cotadas em bolsa (jamais desmentida e bem documentada), não passou, afinal, de uma “calúnia”, vinda da candidatura de Manuel Alegre; e a célebre “conspiração das escutas” de Sócrates a Belém, engendrada entre o assessor de imprensa de Cavaco e um jornalista do “Público”, foi, pasme-se, ao contrário: foi o Governo que montou uma operação para fazer crer… que o Governo escutava Belém!
Ele (Cavaco Silva) que continue a escrever a sua história: a História jamais o absolverá.
Mas não foi isso o que verdadeiramente me arrepiou nas notícias e imagens do lançamento do livro do Professor. Outra coisa eu não esperava dele nem do seu livro. O que me impressionou e arrepiou foi uma visão que diz tudo sobre quem foi e quem é este homem. Após mais de vinte anos na vida política e nos mais altos postos dela, tendo fatalmente conhecido não só vários grandes do mundo mas também toda uma geração de portugueses da política, da cultura, do empresariado, das universidades, etc., quem é que Cavaco Silva tinha a escutá-lo no seu lançamento? A sua corte de sempre, tirando os que estão a contas com a Justiça. Os mesmos de sempre — Leonor Beleza e o que resta da sua facção fiel no PSD. Mais ninguém. Nem um socialista, nem um comunista, nem um escritor, um actor, um arquitecto, um músico reconhecido. Nada poderia ilustrar melhor o que foi e é o pequeno mundo de Cavaco Silva. Ele que continue a escrever a sua história: a História jamais o absolverá. (...)"
(Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

ESCADAS ROLANTES - ESCADAS FALANTES. "QUEM AO MAIS ALTO SOBE, AO MAIS BAIXO VEM CAIR"


Um texto do Padre Martins Júnior, pleno de actualidade e que nos deve deixar a pensar. Publicado no seu blogue "Senso&Consenso".

"Hoje não trago mais que um instantâneo. Tão ofuscante e contundente foi, que para mim – e certamente para si, acompanhante dos dias ímpares - ficará como um tratado de filosofia política ou financeira, um manual de sociologia e um laboratório de emoções. Porque é assim que procuro interpretar o movimento cíclico das águas correntes: no efémero detectar o perene.


Descia eu a escada rolante de um desses formigueiros de gente a que se dá o pomposo cognome de hipermercados. Enquanto as correias giratórias circulavam lentamente, saltou-me à vista um sujeito, lá ao fundo, gabardine laranja-desbotado, olhar inquieto, parecendo mais um fugitivo à procura de um buraco onde esconder-se e com uns trejeitos de pescoço entre comprometido e assustado. Percebi que o homem preparava-se para tomar a escada ascendente, contígua à nossa, mas algo lhe travou o passo. Apeei-me e, acto contínuo, o homem subiu. Ninguém deu por ele, nem um bom-dia, nem aceno de mão, nem um olhar, como se de um estranho vulgar de Lineu se tratasse. Confesso que me deu um travo de compaixão e mágoa natural ver ali, ao vivo, o contrastante, talvez pavoroso, dilema entre a glória e o fracasso, entre o trono e o cadafalso, entre o apolíneo clangor do poder e o subterrâneo tumular da humilhação pública. Por outras palavras, o populismo febril e, em contraponto, o sol-posto de um sem-abrigo. Volto a dizer que cheguei a sentir pena daquele instantâneo longo, imenso, eloquente. Quem tinha (ou julgava ter) o “mundo todo” na mão e todos os viventes-vizinhos como escabelo a seus pés… e agora reduzido a mero exemplar do formigueiro! Quem tudo fez tremer debaixo do sobrolho alucinado… agora ignorado sem sombra de aragem, mesmo fria que fosse! Quem esmagava o corpo e a palavra de homens e mulheres de talento, só para promover os medíocres aduladores … agora, ali, de olhar vago e aluado, como a mendigar uma côdea de simpatia ou um punhado de alfarrobas, mesmo falsas, sem ninguém que lhas desse! Nem sequer daqueles que se locupletaram na sua corte. Não gostei da cena. Mais degradante foi ver que o homem não teve coragem de confrontar-se, lado a lado, no vaivém das escadas rolantes, com quem outrora, no auge do poder, insultou e massacrou até à exaustão! Além de cobardia, estava ali a inexorável sentença dos povos: “Quem ao mais alto sobe ao mais baixo vem cair”.
Quero esquecer o cenário-relâmpago daquela escada. Deito fora a casca do instantâneo. Só tento reaprender o seu tronco e sorver a seiva que dele escorre. Não vale a pena galgar o vértice de um poder absoluto, porque, quando menos se espera, a pirâmide volta-se ao contrário e é então que o todo-poderoso torna-se vítima do monstruoso bloco que fabricou. Falo dos grandes impérios de ontem ou de hoje. Assim aconteceu, em alto relevo, com Nero, o boçal imperador de Roma. Assim, com Napoleão, Hitler, Stalin, Mussolini, Bin Laden, Saddam. E assim com todos os tribais populistas de agora, ainda que eleitos, desde a Coreia do Norte à Turquia, aos Estados Unidos, à Rússia. A história não perdoa!
“Quem a ferro mata a ferro morre” – já nos prevenira o Mestre quando Pedro desembainhou o cutelo no Horto do Getsémani. As prepotências, sejam elas de que cor ou dimensão, não passam de momentâneos fogos-fátuos geradores das chamas que vitimarão os próprios titulares. Lições gigantes que se reescrevem nos instantâneos miniaturais das escadas rolantes!"
21.Fev.17
Martins Júnior

sábado, 11 de fevereiro de 2017

TRÊS NOTAS QUE CAUSAM APREENSÃO


Três títulos da edição de hoje do DN-Madeira:

1ª "Ramos quer saber o que há"

Só podem estar a brincar com o povo, quando falam em "acabar com suspeições que continuam a existir" e que, por isso, toca a criar a "carta de equipamentos" na Saúde. Quarenta anos depois, qualquer cidadão interrogar-se-á sobre o que andaram os serviços de saúde a fazer para não conhecerem todos os "equipamentos" públicos e privados. Como planearam e como geriram todos este complexo processo?

2ª "2,7 milhões combatem abandono escolar"

Isto é, a política educativa não se apresenta pró-activa, mas reactiva. Historicamente, ao contrário de uma definição política de ataque aos problemas sociais, económicos, financeiros e culturais da população que se reflectem na escola; ao contrário de uma política educativa assente em um novo paradigma organizacional, a lógica que presidiu foi o deixa andar e, hoje, gasta-se 2,7 milhões como penso rápido em uma situação que nem por ali se resolve. Ao invés de um investimento no futuro decidem remediar o passado!

3ª "Eleitorado vota em pessoas, não vota em partidos"

Frase atribuída ao presidente da Câmara Municipal de S. Vicente, que se diz partidariamente independente. Ora, um independente não tem filiação partidária; um independente não participa no congresso do partido onde desde sempre teve as suas costelas. Ao ler lembrei-me da história de alguém que não me recordo que disse que "isto só vai para a frente com independentes do meu partido". Por favor, um pouco de respeito, porque os eleitores "não são parvos nem andam a tirar documentos para estúpidos". Depois, não votam em partidos? Se não votassem, quantas eleições outros tinham ganhado com as figuras que apresentaram aos eleitores. Quantas?
Ilustração: Arquivo próprio.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

JUSTIÇA: A DELAÇÃO PREMIADA


Na semana em que o Engº José Sócrates realizou uma conferência de imprensa sobre o longo processo judicial, Miguel Sousa Tavares escreveu, no Expresso, um artigo que coloca em causa a designada “delação premiada” e toda a investigação que até ao momento, segundo o jornalista, também jurista, nada conseguiu provar. Deixo aqui duas esclarecedoras passagens do artigo. Será que a montanha irá parir um rato? 


“(…) No caso do sr. Bataglia, homem de negócios à escala planetária, o facto de não poder sair de Angola sob pena de ser preso em qualquer outro país, era, de facto, uma espécie de prisão domiciliária territorial. Ele negociou isso com o dr. Rosário Teixeira: Entrou como foragido da justiça, suspeito de vários crimes que, confirmados, lhe dariam anos de prisão aqui, e saiu como homem livre. A mim parece-me evidente que o acordo que fez não foi simplesmente para vir prestar declarações, mas para vir dizer aos autos aquilo que o dr. Rosário Teixeira queria que ele dissesse. Este é o preço que se paga pela delação premiada: nunca se sabe se o delator disse a verdade verdadeira ou a verdade conveniente. (…) Temos então que o oportuníssimo dr. Bataglia veio dirigir para outros horizontes a investigação da “Operação Marquês” e, aparentemente, salvá-la à beira do fiasco. Já está em marcha a manobra junto da opinião pública destinada a fazer ver que o prazo terminal de 17 de Março para encerramento da instrução terá de ser prorrogado face “aos novos elementos” – tal qual no “Caso Freeport” que demorou seis anos de investigação, sem conclusões algumas. Pois bem, que percam a vergonha e prorroguem. Mas uma coisa há que ninguém pode tirar de cima do dr. Rosário Teixeira e do dr. Carlos Alexandre: afinal, depois dos “fortes indícios de corrupção” pelo Grupo Lena, das auto-estradas, da Parque Escolar, dos contratos com a Venezuela, de Vale do Lobo, do Grupo Octapharma, as verdadeiras suspeitas de corrupção de José Sócrates estavam no Grupo GES. Ou seja, andaram a investigar durante quatro anos e mantiveram-no preso durante dez meses à conta de falsas pistas e falsas suspeitas. E foi o muito recomendável sr. Bataglia quem, à 25ª hora, os fez ver a luz e os terá safado de nada terem para apresentar no dia 17 de Março! É brilhante. E assustador.”
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

COM A VERDADE SE ENGANA


“(...) Passados seis meses há uma verdade e é essa que continuaremos a informar e a esclarecer as famílias madeirenses as vezes que for necessário. Até ao momento, passados seis meses, todos os realojamentos feitos até à data foi por acção e intervenção do Governo Regional. Foram afectadas 251 habitações, estão no momento 113 apoiadas e 93 concluídas e recuperadas por acção e intervenção do Governo Regional”, disse Vânia Jesus, deputada do PSD-Madeira. É propaganda fácil e sem sentido. Afinal, existindo um governo regional AUTÓNOMO, pergunta-se, a quem é que competiria realojar e ou reabilitar? Ao governo da República, ultrapassando os órgãos de governo próprio da Região? Não, Senhora Deputada, não confunda as situações. Está definido, assumido e confirmado pela via institucional, que o governo da República assumirá todos os encargos; outra coisa é, localmente, fazer avançar tais processos, porque as pessoas não podem esperar. Se o governo regional não tem reserva financeira para acudir de imediato, então mal está o processo gestionário das finanças regionais. E sabe-se que está!


O curioso é que o governo da Madeira, que é tão célere a reivindicar direitos autonómicos, quando tudo está "preto no branco", opta por tocar sempre a mesma tecla, desde há 40 anos, a tecla do confronto desnecessário, fazendo confusão onde ela não existe. Esse foi chão que deu uvas! Já não dá, Senhora Deputada. Simplesmente porque inscreve-se na politiquice barata. As pessoas estão fartas disso. Também não deixa de ser curioso o caso da Segurança Social. Os governantes locais sabem que todos os apoios e subsídios são NACIONAIS. Até os próprios funcionários são pagos pela República. É assim e está certo. Mas quando toca a aparecer a dizer que, em 2016, Região "atribuiu" apoios sociais acima dos 40 milhões de euros, não se vislumbra a honestidade de dizer a proveniência do dinheiro para pagar o Rendimento Social de Inserção, Subsídio Social de Desemprego, Complemento Solidário para Idosos e pensões de Velhice, Invalidez e Sobrevivência, entre outros. Aparecem, de peito cheio, cumprimentando com o chapéu dos outros, como se o dinheirinho saísse dos cofres da Região por via do Orçamento Regional. Lamentável.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

A PERGUNTA DESCABIDA PODE SER UMA PERGUNTA INCÓMODA


Não há perguntas descabidas. O jornalista, cumprindo a sua missão, pergunta. Ao político compete responder. É assim na relação com a comunicação social. Os jornalistas não são "pé de microfone", obviamente. Da mesma forma, na escola, não devem existir perguntas descabidas quando um aluno questiona qualquer coisa ao mestre. Outrossim, na fase de debate de um congresso, à pergunta feita por um membro da plateia. Apenas compete ao comunicador explicar. Direitinho, para que não subsistam dúvidas.


Não aprecio a insistência levada ao extremo, fazendo a pergunta de várias maneiras, quando se percebe, logo de início que o interlocutor não quer responder. Outra coisa é, face a uma questão, dizer que essa "é uma pergunta descabida". No exercício da política estas situações acontecem com frequência, ficando evidente que os políticos gostam de despachar a mensagem que lhes interessa. "Convocam" a comunicação social e depois consideram embaraçoso o questionamento. Seria desejável que estas situações não acontecessem e que, mais vezes, os jornalistas colocassem as perguntas que o governo foge a responder. 
Ilustração: Google Imagens.

MUTILAÇÃO GENITAL FEMININA. A INTERVENÇÃO DA DEPUTADA EUROPEIA LILIANA RODRIGUES

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

O SUBSÍDIO DE MOBILIDADE E A CEGUEIRA POLÍTICA


"(...) A Madeira tem, neste momento, o melhor sistema de apoio aos residentes que alguma vez experimentou (...) Não há razão para descontentamento face à solução em vigor (...) mesmo no Natal e fim-de-ano transacto, o valor mais elevado que vigorou foi substancialmente mais baixo ao verificado nos anos em que não havia este subsídio". 


Estas são declarações do Secretário Regional da Economia, Dr. Eduardo Jesus. Ora bem, repetir o extenso rol de argumentações contrárias ao que foi assumido, equivale a "chuva do molhado". De resto, são as "cartas do leitor", é a voz dos estudantes, é longa e desesperante fila nos correios e, muitas vezes, a incerteza de não pagarem porque falta qualquer coisita, é, ainda, para muitas pessoas, a impossibilidade de disporem, no momento da compra, do dinheiro necessário, é a questão do cartão de crédito, enfim, pergunto, quem não tem uma história para contar. 
Só mais um pormenor. Os madeirenses e portosantenses não querem SUBSÍDIOS. O subsídio enquadra-se no favor e na dependência. O que nós precisamos, por vivermos no Atlântico, é de um preço de viagem adequado e que corresponda aos factores decorrentes da continuidade territorial. Pago no momento da compra e ponto final. Entendeu Senhor Secretário? Ponha de lado a cegueira partidária!
Ilustração: Arquivo próprio.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O ESTATUTO POLÍTICO-ADMINISTRATIVO É ASSUNTO MUITO SÉRIO. NÃO PARA ESPECTÁCULOS MEDIÁTICOS.


O PSD-Madeira, a solo, apresentou uma versão do que entende dever ser a revisão do Estatuto Político-Administrativo da Região. Preparou o foguete, lançou-o e corre agora atrás da "cana"! A sensação que tive, quando li a proposta, é que não é para ser levado a sério. Por um lado, quem, há anos, anda a engonhar a revisão, não é crível que a deseje; por outro, necessitando o Estatuto de uma larga convergência partidária, torna-se estranho que a proposta não tenha merecido um primeiro debate informal entre os partidos. Isto é, o que fica claro, tendo presente os comportamentos passados, é que o PSD-M assumiu o protagonismo e, dizendo não dizendo, se quiserem, venham atrás, disponibilizamo-nos para os acertos marginais. Sabendo das inconstitucionalidades que lá se encontram, e sabendo, ainda, que o Estatuto é aprovado na Assembleia da República, onde não têm maioria política, repito, o documento não é para levar a sério.


E tanto assim é que, ainda hoje, o deputado social-democrata Miguel de Sousa lamenta a apresentação pública de um "instrumento legislativo tão importante", por não ter envolvido todos os partidos em uma causa que é comum. Sublinhou, de forma incisiva e contundente: "Demos o ‘show’ de sermos os primeiros! O mais provável é sermos os únicos". Até dentro do próprio grupo o parlamentar não foi, segundo sublinhou "nem ouvido nem achado para a matéria", apenas "convocaram-me para uma reunião sem conhecer a proposta. Era conhecida só por alguns predilectos. Recebi o texto na véspera da sua apresentação em conferência de imprensa".
Obviamente que concordo com a posição do social-democrata Miguel de Sousa quando assume que o Estatuto, pela sua relevância, deveria conduzir a "um intervalo na luta político-partidária", simplesmente porque este documento é a base do funcionamento da Região a todos os níveis. Quando não se assiste a uma discussão prévia dentro do PSD, facilmente se adivinham as dificuldades de aceitação da proposta pelos demais. Ora, tudo isto corresponde a velhos hábitos de quero, posso e mando. E falam de "renovação"! Talvez seja mais "rotação" de pessoas do que alteração de atitude política. Este foi o I Acto. Outros se seguirão.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

EM 2017, DOIS CENTENÁRIOS "MUTUAMENTE EXPLOSIVOS"?

Um texto do Padre Martins Júnior, publicado no passado Domingo, no seu blogue Senso&Consenso
Porque hoje é Domingo…
E por sê-lo, o corpo repousa e a mente voa. Livre como um pássaro e desarvorado como o vento, o espírito chega até onde não nos permitem os dias comuns. Por isso não tem mapa de voo, nem sequer heliporto terminal. E aí é que surgem as surpresas mais estranhas, não pensadas, quase esotéricas, saltitando nos lagos imprevistos do pensamento-viajante de fim de semana. Umas vezes, com lampejos inspiradores, outras sem nexo aparente, mas sempre com um que nos interpela e nos persegue.
Foi o que me sucedeu precisamente. Imaginem para onde me levou hoje la folle de la maison (a louca da casa) como ironicamente definia Montaigne a nossa mente?... Fez-me atravessar dez décadas e deixou-me no pico alto do ano 1917. Abriu o livro de memórias e mostrou-me duas paisagens, dois retratos, dois hemisférios radicalmente opostos, qual deles mais contrastante que o outro. E ambos enraizados na encosta do mesmo mês: Outubro de 1917. Um deles, cercado de luz, uma “Senhora mais brilhante que o sol”, uma azinheira rústica, repousante. O outro, um estouro retumbante, um murro no trono, uma foice e um martelo, uma revolução. “Malhas que o Império tece”…
Já notastes, decerto, que me refiro a dois acontecimentos, plantados ao mesmo tempo, mas de crescimento e frutificação tão diversos! Ocorria o mês de Outubro de 1917. Na Rússia, consumava-se a revolução bolchevique, inspirada no marxismo-leninismo. Em Portugal, na Cova da Iria, dava-se o “milagre do sol”, consumando-se as aparições da Virgem, que passou a chamar-se “de Fátima”.
Este foi o texto linear que a mente, la folle de la maison, me deu a ler no voo sem rumo deste Domingo. Declaro desde já que hoje não tenciono perorar, nem sequer filosofar, sobre tão escaldante dialéctica. Garanto-me, porém, a mim próprio, que farei o maior esforço de hermenêutica para decifrar o enigma da concomitância destes dois pilares históricos que marcaram um século da história e mexeram com as estruturas pensamentais, económicas, culturais e sociais do mundo todo, a partir do continente europeu. É da mais elementar filosofia o conhecido axioma de que “os extremos tocam-se”. Monitorizar as linhas de intersecção onde os dois casos se tocam e se repelem – eis uma tese que se impõe a todo aquele que procura a sabedoria, mesmo que não se assuma como analista arguto dos fenómenos histórico-sociais. Em que medida Rússia e Fátima serviram mutuamente de arma agressora ou de alavanca colaboracionista no seu desenvolvimento, ao longo de cem anos? 
É curioso notar o afã com que os promotores ou propagandistas de um e outro factos se esmeram em programar a secular efeméride, cujo depósito têm à sua guarda. “Pela aragem, conhecer-se-á quem vai na carruagem”, significando este aforismo, no caso vertente, que pelos cerimoniais, pelos discursos, pela opulência (ou não) dos protocolos, será possível detectar aspectos fundamentais que, das duas mensagens, só virtualmente visualizamos. Pela minha parte, guardo na reminiscência da infância, desde os bancos do seminário até aos inflamados sermões das igrejas, a palavra de ordem vigente de que “Nossa Senhora de Fátima veio a Portugal para acabar com a Rússia e que, por isso, era preciso rezar muito”. Desde então, pairou-se-me no subconsciente a ideia de que os dois casos estão ligados um ao outro.
Estas e outras incógnitas, cujos contornos se ramificam superabundantemente, farão parte dos meus projectos, não apenas nos voos de Domingo mas na serena e porfiada análise de cada dia. Seria bom ter alguém por companhia neste exigente percurso.
29.Jan.17
Martins Júnior

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

PERDEU A VERGONHA DE VEZ




Como se suspeitava o problema dele não era mesmo a TSU. Era o salário mínimo, contra a subida do qual se opõe agora, e também às metas de subida que o Governo quer concretizar até 2019. (Ver a notícia aqui)
Até aqui andou a esconder e a dar a volta ao texto. Agora, perdeu a vergonha de vez. Antes assim, para que os portugueses saibam quem ele é e o chutem de uma vez por todas para o canto mais longe.
Sempre contra quem trabalha, talvez porque nunca trabalhou e não sabe o que é. Sempre contra os mais carentes porque sempre só soube viver a lamber as botas dos poderosos.
Este gabirú não passa de uma amiba que se julga um grilo falante. Nada diz porque a sua fala é a fala da desumanidade e do desprezo pelos outros. Um pequeno verme, perigoso, ainda assim.Enquanto este pulha não sair dos écrans das televisões e das capas dos jornais o país não estará nunca suficientemente limpo e higienizado. É preciso varrê-lo de vez. A ele a todos os que lhe dão espaço público e tempo de antena.
Só nesse dia poderemos respirar fundo sem receio de contaminação por germes letais e por aragens pouco salubres.
NOTA
Por Estátua de Sal, 29/01/2017

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

QUE PLANEAMENTO JUSTIFICA A EXISTÊNCIA DE TANTOS "PROJECTOS"?


A palavra "projecto" anda por aí, nas secretarias do governo, na boca dos representantes das muitas instituições, nas escolas, nas entrevistas na rádio, na televisão, nos jornais, por todo o lado, com uma frequência inusitada, o "projecto" virou moda. Ainda ontem escutei uma senhora, eu diria cheia de "projectos", ao ponto de ter dado um exemplo de um "projecto" que, na sua substância, deduzi tratar-se de uma metáfora, assenta mais ou menos nisto: um jovem cai, magoa-se, levanta-se e por aí adquire a experiência que a vida não é uma linha contínua. O "projecto" de que falou, no essencial, filia-se nessa preocupação de transmitir uma mensagem, digo eu, de características fúteis, pois sempre foi assim, mesmo quando não se falava de "projectos" tão amiudadas vezes. 


O problema, porém, que não vejo debatido e equacionado, situa-se a um outro nível,  o do planeamento e o da análise dos resultados. Em síntese, em que planeamento tais projectos se enquadram e qual o balanço no cruzamento de tantos "projectos", traduzido em estudos, números e verificação global das melhorias introduzidas e sentidas. Fico com o sentimento que tal proliferação de "projectos" situa-se mais nos impulsos individuais e dos serviços do que propriamente em consequência de um quadro geral e integrado, repito, geral e integrado, depois de um diagnóstico das situações, de uma visão de conjunto sobre os problemas, de uma detecção antecipada dos problemas, da necessidade de uma intervenção na causa dos problemas, na determinação das prioridades, integração das políticas sectoriais nas políticas globais, enfim, no quadro de um controlo sobre o futuro, tal como escreveu Henry Mintzberg (in Teoria Geral da Administração). Portanto, esta estrutura do pensamento vigente será que assenta nos princípios e nos factores do desenvolvimento que o planeamento deve considerar? Duvido. A percepção que me fica é que cada um anda a "trabalhar" na e para a sua capelinha, desde há muito e para justificar a existência de lugares, certamente animados de nobres preocupações, mas distantes de um quadro geral potenciador do desenvolvimento. E assim, com "projectos" para tudo, se gastam milhares de euros nas suas concretizações e milhares de horas inconsequentes. 
Em conclusão, não se deve falar de PROJECTO, enquanto corpo organizado de tarefas, quando esse corpo não assume uma característica integrada de resposta a um planeamento geral. Alguém conhecerá os desígnios do planeamento global da Região que justifique a existência de tantos e variados "projectos"? Ora, só se deve falar de PROJECTO quando existe uma combinação de tarefas e de recursos coordenados entre si, no espaço e no tempo, com vista a obtenção de um determinado objectivo. Esse objectivo pode ser sectorial, obviamente, mas nunca desligado do leque de princípios orientadores do que se pretende para o futuro. 
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

GATO POR COELHO


A concertação social não é uma central de interesses partidários. É um instrumento respeitado, útil e indispensável para a construção de políticas compatíveis com o interesse social.


Espernear e esbracejar costuma ser a melhor forma das crianças darem nas vistas, fazerem-se notar, na busca de conforto, carinho ou ajuda. Há por isso nesta dialéctica do PSD algo de pueril: fazer prova de vida parece ser o alfa e o ómega de tanta agitação.
Não vale, por isso, muito a pena discutir a essência da contradição de Passos: defendeu uma política de competitividade das empresas, assente no empobrecimento, através do corte de rendimentos do trabalho, e na redução da TSU. Foi sempre assim, tendo gerado, mesmo, alguns sobressaltos governativos. Este é o caminho preferido da direita, mesmo que pareça, agora, que dá o dito por não dito! É verdade que já nos habituámos às contradições do PSD, conforme lhes dá jeito, mas o caso em análise tem contornos mais delicados. Depois do diabo não ter aparecido, Passos decidiu encarnar o belzebu, cruzando os dedos para que essa entrada pudesse contrariar o que julgo ser, no pensamento passista, a estabilidade irritante da geringonça e, obviamente, do país.
Mas parece que teria sido melhor continuar à espera do diabo, porque o tiro pode sair pela culatra. Afrontar o diálogo social e colocar em causa o esforço de trabalhadores e patrões em torno da política de salário mínimo, e dos mecanismos de competitividade empresarial, não ataca a geringonça, é antes um haraquíri do líder do PSD. Afronta o seu eleitorado mais fiel e não fará com que o centro esquerda caia nos seus braços. A concertação social não é uma central de interesses partidários. É um instrumento respeitado, útil e indispensável para a construção de políticas compatíveis com o interesse social, onde sindicatos e associações patronais procuram pontos de equilíbrio, ajudando a promover a estabilidade do país e o crescimento económico.
Compreendemos melhor, agora, a gritaria do PSD sobre a decisão do Governo em aumentar o salário mínimo, mesmo que falhasse o acordo com trabalhadores e patrões. A estratégia era a mesma, mas com alvos diferentes: apostar no falhanço do diálogo social e puxar pela instabilidade por essa via. Nunca se importaram verdadeiramente com a obtenção de qualquer acordo. Sempre desejaram que as negociações falhassem e isso nada tinha que ver com o salário mínimo ou com a TSU. Era apenas oportunismo partidário puro e duro: seria o motivo que procuravam para agitarem a bandeira da instabilidade e das decisões contrárias à concertação social. O diabo, os reis magos, as agências de notação, a Comissão Europeia, a OCDE e a TSU fazem todos parte da mesma narrativa: de que este Governo, e este acordo parlamentar, provocam instabilidade e desconfiança.
Nunca como agora a estratégia foi tão obtusa. Há uma parte da concertação social que observa este comportamento de Passos como fogo amigo e, não tenho dúvidas, essa parte que participou genuinamente no diálogo social e que contribuiu para uma solução win-win, compreende melhor aqueles que sempre recusaram a redução da TSU, por princípio, do que os que a recusam, por oportunismo.

NOTA
Artigo de Carlos J. Pereira, Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PS e Presidente do PS-Madeira - 20 Jan 2017/Jornal Económico.
O autor escreve segundo a antiga ortografia.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O DISCURSO DE DONALD TRUMP


A OPINIÃO DE




Berlim, Alemanha. Em 30 de Janeiro de 1933, o então presidente Hindenburg nomeava Adolf Hitler como chanceler.

Nós, os cidadãos desta nação, estamos agora juntos num grande esforço nacional para reconstruir o nosso país e restaurar a sua promessa para todo o nosso povo. Juntos, vamos determinar o rumo do país e do mundo para os muitos e muitos anos que aí vêem.
Vamos enfrentar desafios. Vamos confrontar-nos com dificuldades. Mas vamos fazer o que temos que fazer. Contudo, a cerimónia de hoje tem um significado especial. Pois hoje não estamos simplesmente a transferir o poder de um Governo para outro, ou de um partido para outro – estamos a transferir o poder da capital e a devolvê-lo para vocês, o povo.
Durante muito tempo, um pequeno grupo na capital do nosso país colheu as vantagens de governar, enquanto o povo pagou as custas.
A capital floresceu – mas o povo não partilhou dessa riqueza. Os políticos prosperaram – mas os empregos foram-se embora e as fábricas fecharam. O sistema protegeu-se a si próprio, mas não protegeu os cidadãos deste país.
As vitórias deles não foram as nossa vitórias, os seus triunfos não foram os nossos triunfos; e enquanto festejavam na capital, havia muito pouco para festejar nas famílias espalhadas pela nossa terra.
Tudo isso vai mudar – a começar aqui e agora, porque este momento é o vosso momento; pertence a vós. Pertence a todos os que se reuniram aqui hoje e a todos os que nos estão a ver em todo o país.
Este é o nosso dia. A nossa festa. Este país é o nosso país.
O que realmente interessa não é o partido que controla o Governo, mas sim se o Governo é controlado pelo povo.
30 de Janeiro de 1933 será lembrado como o dia em que o povo se tornou novamente o dono desta nação.
Os homens e mulheres do nosso país que foram esquecidos, não serão mais esquecidos.
Agora estamos todos a ouvir-vos.
Vocês vieram às dezenas de milhões para fazer parte dum movimento histórico como o mundo nunca viu.
No centro deste movimento há a convicção fundamental de que uma nação existe para servir os seus cidadãos.
Os cidadãos querem boas escolas para os seus filhos, bairros seguros para as suas famílias e trabalho para si próprios. São exigências justas e razoáveis de pessoas justas e dum público justo.
Mas para demasiados cidadãos existe uma realidade diferente; mães e filhos encurralados na pobreza das cidades degradadas; fábricas enferrujadas espalhadas como pedras lapidares pela paisagem do nosso país; um sistema de educação cheio de dinheiro mas que deixa os nossos jovens e belos estudantes privados de conhecimento; e a delinquência, os gangs e as drogas que roubaram demasiadas vidas e roubaram o nosso país de tanto potencial por realizar.
Esta carnificina nacional acaba aqui mesmo e agora mesmo.
Nós somos uma única nação – e a dor dessas pessoas é a nossa dor. Os seus sonhos são os nossos sonhos e os seus sucessos o nosso sucesso. Partilhamos um coração, um lar e um destino glorioso.
O juramento que faço hoje é um juramento de aliança com todos os cidadãos.
Durante muitas décadas enriquecemos a indústria estrangeira às custas da indústria nacional; subsidiamos exércitos de outros países ao mesmo tempo que permitíamos a triste carência dos nossos militares; defendemos as fronteiras doutros países enquanto nos recusávamos a defender as nossas; e gastamos triliões e triliões no estrangeiro, enquanto as infra-estruturas do nosso território se estragavam e degradavam.
Tornamos ricos outros países enquanto a riqueza, a força e a autoconfiança do nosso país se dissipava no horizonte. Uma a uma, as fábricas fecharam e deixaram o nosso espaço, sem um pensamento sequer sobre os milhões e milhões de trabalhadores que ficavam para trás.
A riqueza da nossa classe média foi arrancada dos seus lares e redistribuída pelo mundo inteiro.
Mas isso é o passado. Agora estamos a olhar para o futuro.
Nós, os que estamos hoje aqui reunidos, estamos a promulgar um decreto para ser ouvido em todas as cidades, em todas as capitais estrangeiras e em todos os centros de poder.
A partir de hoje, uma nova visão vai governar a nossa terra.
A partir de hoje, vai ser unicamente o nosso país em primeiro lugar, o nosso país primeiro.
Todas as decisões sobre comércio, impostos, imigração e negócios estrangeiros serão tomadas para beneficiar os trabalhadores nacionais e as nossas famílias.
Temos de proteger as nossas fronteiras das incursões de outros países que fazem os nossos produtos, roubam as nossas empresas e destroem os nossos postos de trabalho. O proteccionismo levará a grande prosperidade e poder.
Lutarei por vocês com todas as forças do meu corpo – e nunca, mas nunca, os abandonarei.
O país vai voltar a ganhar, a ganhar como nunca aconteceu.
Vamos trazer de volta os empregos. Vamos restabelecer as nossas fronteiras. Vamos retomar a nossa riqueza. E vamos trazer de volta os nossos sonhos.
Vamos construir novas estradas, auto-estradas, pontes, aeroportos, túneis e vias férreas de ponta a ponta do nosso lindo país.
Tiraremos os nossos trabalhadores do desemprego e de volta ao trabalho - reconstruindo o nosso país com mãos nossas e trabalho nacional.
Seguiremos duas regras simples: compre produtos nacionais e contrate cidadãos nacionais.
Procuraremos a amizade e a boa vontade de todas as nações do mundo – mas fá-lo-emos com a compreensão de que é o direito de todos os países de colocar em primeiro lugar os seus próprios interesses.
Não desejamos impor o nosso modo de vida a ninguém, pois preferimos deixá-lo brilhar como um exemplo a seguir por todos.
(...)
Nas fundações da nossa política está total aliança com a nação, e através da nossa lealdade ao nosso país redescobrimos a lealdade entre cada um de nós.
Quando abrimos o nosso coração ao patriotismo, não há espaço para o preconceito.
A Bíblia diz: “Como é bom e agradável quando o povo de Deus vive unido.”
Devemos dizer o que pensamos abertamente e debater as nossas discordâncias honestamente, mas procurar sempre a solidariedade.
Quando o país está unido, o país é imparável. Não há que ter medo – estamos protegidos, e estaremos sempre protegidos.
Estaremos protegidos pelos grandes homens e mulheres das nossas Forças Armadas e forças da ordem e, o que é mais importante, estaremos protegidos por Deus.
Finalmente, devemos pensar em grande e sonhar em maior ainda.
Neste país, entendemos que uma nação só está viva enquanto progride. Não aceitaremos mais políticos que só falam e não fazem nada – sempre a queixar-se mas sem fazer nada contra isso.
O tempo da conversa fiada acabou-se.
Agora chegou a hora da acção.
Não deixem que lhes digam que não se pode fazer. Não há desafio que chegue para o coração e vença o espírito nacional.
Não falharemos. O nosso país evoluirá e prosperará novamente.
Aqui estamos no começo de um novo milénio, prontos para desvendar os mistérios do espaço, libertar a Terra da miséria das doenças e dominar as energias, as indústrias e a tecnologia do futuro.
O novo orgulho nacional vai animar-nos, aumentar as nossas perspectivas, sarar as nossas divisões. Está na altura de lembrar aquela velha sabedoria que os nossos soldados nunca esquecem: quer se seja branco ou castanho ou negro, todos vertemos o mesmo sangue vermelho dos patriotas, todos beneficiamos das mesmas gloriosas liberdades, e saudamos a mesma gloriosa bandeira.
E quer uma criança nasça nos bairros suburbanos duma grande cidade ou nas planícies ventosas, ambos olham para o mesmo céu nocturno, enchem o coração com os mesmos sonhos e recebem o sopro da vida do mesmo Criador todo poderoso.
Assim, todos os cidadãos, em todas as cidades próximas e longínquas, pequenas e grandes, de montanha a montanha e de oceano a oceano, oiçam estas palavras.
Nunca mais voltarão a ser ignorados.
As vossas vozes, esperanças e sonhos vão definir o nosso destino.
E a vossa coragem, bondade e amor hão-de guiar-nos sempre durante a caminhada.
Juntos, vamos fazer o país novamente forte.
Faremos o país novamente rico.
Faremos o país novamente orgulhoso.
Faremos o país novamente seguro.
E, sim, juntos faremos o país novamente formidável.
Muito obrigado, Deus os abençoe e Deus abençoe a nossa nação.


Como já deve ter percebido, este discurso não foi dito por Adolf Hitler em 1933. Não, foi o discurso de Donald Trump na tomada de posse, em 20 de Janeiro de 2017. A única coisa que fizemos foi substituir “América” por “país” ou “nação” e eliminar uma frase que se referia especificamente à destruição do terrorismo fundamentalista islâmico. Todos os termos e expressões estão traduzidos à letra. Muito se poderia dizer sobre isto, mas deixamos ao leitor as considerações.

NOTA
1. Publicado em Sapo 24

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

A EMBRIAGUEZ POLÍTICA QUE CONDUZ PARA SEGUNDO PLANO A VERDADEIRA POLÍTICA


Quão importante é estar junto do povo! Que se beba "um copo de vinho seco se necessário for", disse, há dias, um autarca da zona oeste da Madeira. Vamos a isto, porque ainda ontem "tomei quatro ginjas". É o vinho por um voto ou o voto que "cai que nem ginjas". 


Pois é, olha-se para trás e aquela frase tem muito que se lhe diga. Explica que não é o projecto autárquico que verdadeiramente está em causa, a seriedade de um compromisso para quatro anos a justificar uma eleição, mas uma transação ao preço de um copo ou de um abraço não sentido. A cena normalmente termina com uma palavra: "força". 
A isto não chamo proximidade ao eleitor, mas a hipocrisia servida ou disfarçada pelo calor provocado pelo álcool e um "dentinho". Dir-se-á que são processos antigos que perduram. Lamentavelmente. Passados 40 anos, natural seria que uma parte significativa dos eleitores, hoje com 30 a 60 ou mais anos de idade, tivesse a capacidade de compreender, à distância, o bulir dos beiços de quem compra um voto por um copo! Deveria estar maduro ao ponto de, interiormente, pensar que "bem cantas, mas não me alegras". E assim sendo, seguir o provérbio: "Antes quero asno que me leve do que cavalo que me derrube". 
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 22 de janeiro de 2017

MARQUES MENDES, O COMENTADOR DO ÓBVIO


Pela primeira vez, ontem, consegui seguir até ao final, o comentador da SIC Marques Mendes. Terminada a "sessão" questionei-me: com tanta capacidade "vidente" e com tantas certezas, como é que este senhor não vingou? É que ele foi presidente do PSD! Dei, inclusive, uma gargalhada quando se referiu a Donald Trump dizendo que no seu discurso de tomada de posse "tinha entrado com o pé esquerdo". Na verdade, politicamente, Trump entrou com o pé direito e em riste, aliás, outra coisa não seria de esperar, se considerarmos o seu posicionamento político.


Eu espero, sempre, que um comentador me traga o desconhecido, a descodificação daquilo que muitas vezes não conseguimos perceber por ausência de dados contextuais. Repetir o óbvio, o que vem nos jornais, com algumas "buchas" conseguidas através dos amigos e dos "bons telefones", é evidente que não tem, pelo menos para mim, qualquer interesse. Politicamente, é demasiado fraco, porque demasiado óbvio. Um comentador sério não fala, por exemplo, de "geringonça" relativamente à esquerda parlamentar, como não deve fazer abordagens catalogando de "caranguejola" (dita por Carlos César em contraponto a Paulo Portas) relativamente à direita que governou o País. A palavra "geringonça" não é que me chateie, como vulgarmente se diz é para o lado que melhor durmo, mas considero-a um disparate, pelo seu sentido pejorativo e até de ilegitimidade democrática, simplesmente porque é tão aceitável um entendimento à esquerda como à direita. Para Marques Mendes e outros parece que o povo cometeu um "crime" ao colocar na Assembleia da República uma maioria, desta vez à esquerda. Outros ciclos políticos virão com maiorias com outro enquadramento. Marques Mendes nem conta se dá que a tal máquina, depreciativamente apelidada, tem funcionado bem ao ponto de ter conseguido o défice mais baixo (2,3% do PIB) desde há 42  anos. Apesar deste resultado vaticinou um ano "crispado" e radical". Com o défice a baixar, com a economia a crescer, embora devagar, com mais postos de trabalho, com a devolução do roubo que fizeram aos portugueses durante quatro anos, digo eu, oxalá que continue a crispação e o radicalismo no conceito de Marques Mendes. "Ganda noia"!
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 21 de janeiro de 2017

O TRUMPISMO E OS OUTROS APÓSTOLOS


O Padre José Luís Rodrigues tem razão. Há muitos "trumpistas" à nossa beira. É evidente que é um problema dos americanos. Mas tal não significa que todos nós não nos mantenhamos em alerta, porque o que se passa no plano interno dos Estados Unidos acaba por ter repercussão em todo o mundo.


Aliás, o discurso de tomada de posse foi tudo menos diplomático. Quando o Mundo está perigoso, sendo muitos os conflitos em função dos interesses económicos e financeiros que estão a tomar conta dos mais elementares direitos dos cidadãos, quando apenas oito personagens têm uma riqueza equivalente ao somatório de metade da população mundial, e quando seria expectável uma atitude de moderação, assistimos a um homem a lançar o combustível da provocação e da guerra, apostado em um imperialismo sustentado na frase "a América em primeiro lugar". Não os americanos, digo eu. Um pequeno exemplo: quando ele quer acabar com o direito à saúde de vinte milhões de americanos pobres, os tais que não podem pagar as seguradoras, penso que existe uma clara discrepância entre a tal América em primeiro lugar e os americanos em geral. Chamam a isto o "sonho americano"!
Por isso, na esteira do Padre José Luís, cuidado com os "trumpistas" em nosso redor (país e região), porque sendo outra a "guerra local", há muitos a quererem tornar a saúde, a educação e a segurança social tendencialmente privadas.

NOTA
"Deixem o Trump da mão... É um problema essencialmente dos americanos. Temos os nossos trumps e precisamos de cuidar deles. A distração não é boa conselheira, se acontece neste caso, está a ajudar os nossos trumpistas." - Padre José Luís no seu FB.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

DEMOCRACIA, RESPEITO E O LONGO CAMINHO A PERCORRER


Passados tantos anos e tanto discurso pelos valores da democracia e da cidadania, genericamente, ainda são sensíveis sinais de agressividade e de intolerância pelos outros. Ter uma opinião diferente, legítima, alicerçada em princípios e valores transmitidos e consolidados nas múltiplas experiências da vida, muitas vezes é recebida com traços de intolerância. No debate político, aí, a situação é mesmo grave. Mor das vezes, lamentavelmente, por mera comparação com o futebol, as paixões pelo emblema a) ou b) acabam por transferir-se para o debate político. As cores toldam e arrasam a tranquilidade que a discussão deveria assumir. E quando falo de tranquilidade isso não significa falta de empenho, acutilância discursiva e frontalidade, mas a vitória do conhecimento e da justificação dos argumentos. Penso que é por aqui que se constrói uma sociedade democrática que conduza ao desígnio máximo do exercício da política: o bem-estar da sociedade.


Às vezes fico com a percepção que um título ou uma fotografia são mais importantes do que o conteúdo do texto. Leio textos com muito interesse, mas com comentários completamente desajustados do essencial. Das duas, uma: ou não foram lidos, ou aquele, porque não é do "meu clube", toca a desancá-lo. Ter "amigos" no facebook ou em um "blog", parece-me óbvio, deveria conduzir a uma outra capacidade de aceitação dos pontos de vista e a uma relação afectiva recíproca. Discordando, mas com respeito. Mas, não é bem assim. Muitas vezes prevalece o sentido de arena romana com gladiadores e não o sentido do debate sério e profundo. Ou, então, a arena do futebol, onde necessário se torna conduzir as claques sob escolta policial, ou, quem nunca chutou uma bola, na bancada, resolve mandar os impropérios que o insensato entusiasmo determina. 
A pergunta que deixo, quarenta anos depois de Abril, no sentido de melhores relações e compreensão dos outros, é esta: o que anda a formação educativa a fazer? Cidadãos bem formados, participativos, atentos, acutilantes ou Michel de Montaigne (1533/1592) continua com razão quando sublinhou: "uma cabeça bem-feita vale mais que uma cabeça cheia".
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

UM ESTUDO DE OPINIÃO QUE REVELA MATURIDADE POLÍTICA DOS FUNCHALENSES


O estudo de opinião da responsabilidade do DIÁRIO/TSF, elaborado pela Eurosondagem, hoje publicado, não constitui uma grande novidade. Parece-me óbvia a credibilização pública da actual equipa que lidera a Câmara Municipal do Funchal, pelo menos a três níveis: a substancial redução da dívida herdada (acima de cem milhões de euros); um vasto conjunto de projectos no quadro de uma cidade sustentável, entre outros, os de natureza social que explicam a proximidade da autarquia às pessoas; finalmente, o inteligente somatório de esforços de vários partidos que colocaram os funchalenses em primeiro lugar.  Pelos dados, a palavra "Mudança" continua a ser chave para os funchalenses. É claro que este estudo de opinião, do meu ponto de vista, suscita também, outras leituras, desde logo: primeiro, a crescente e positiva afirmação dos socialistas madeirenses, liderados pelo Dr. Carlos Pereira, junto do eleitorado, depois de vários anos muito conturbados; segundo, por extensão, significa o resultado de um bom sentido organizacional interno, onde cada um trabalha no seu sector sem querer dar passos superiores à perna; terceiro e último, a lástima de uma oposição na Câmara que tem sido tudo menos propositiva. Porém, falta muito caminho a percorrer e muito a fazer no Funchal!     

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

GOVERNANTES OBCECADOS POR CARLOS PEREIRA


Desde há muitas semanas que o governo regional da Madeira parece obcecado pela figura do Dr. Carlos Pereira. Basta o presidente do PS-Madeira abrir a boca ou escrever um texto de análise política e zás, o governo perde uma manhã ou uma tarde para engendrar uma resposta. O governo comporta-se como oposição, de comunicado em comunicado. Dá a entender que governa em insegurança permanente, que não está confiante nas atitudes e opções que toma. Agora foi o hospital, misturando alhos com bugalhos, como se tivesse alguma legitimidade para dele falar, quando revela uma história muito triste, de avanços e de recuos desde o início de 2000! E com alguma latinha à mistura quando fala de uma tentativa de "baralhar a opinião pública". Mas quem anda a "baralhar" há tantos anos? Max, no seu fado 31, não diria melhor... "o meu sargento baralhoua"

Até o Secretário das Finanças, ele que teve responsabilidades políticas nos anteriores governos, agora, também levanta a voz. Com que então... a República é que manda nisto! E a Autonomia onde pára? Não existe ou serve apenas para esgrimir o supérfluo, a conversa de treta? Já passou meio mandato, meus senhores. É tempo de assumirem responsabilidades, porque de comunicados o povo está farto. O Senhor Secretário, aliás, todos, deveriam ler o livro de Carlos Pereira: A Herança. Está tudo lá! Lendo e relendo, certamente, perceberiam quem andou e anda a "baralhar".

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

PERDI UM VERDADEIRO AMIGO


Um Amigo que me considerava irmão. O Franklim Lopes tinha 91 anos. Aprendi muito com ele. Não precisou de uma qualquer licenciatura, mestrado ou doutoramento. Ele fez o seu próprio doutoramento na vida com a imensidão de livros que leu, as revistas e os jornais de referência que assinou, da música ao cinema passando pelo teatro, das letras a todo o movimento político. Era um Homem de princípios, de valores e culto em múltiplas áreas do conhecimento. Viajámos muito, percorrendo de catedrais a museus, da arquitectura das grandes cidades aos olhares sobre preservação dos locais mais recônditos, da História às pessoas. Estou a vê-lo e a senti-lo em um profundo abraço, com as lágrimas nos olhos, tão sensível que era, à saída da pequena mas intimista Basílica do Sangue Sagrado de Bruges, da Galeria degli Uffizi, em Florença, da Capela Sistina, em Roma, da Catedral de Ulm, na Alemanha, frente à Guernica, de Picasso, em Madrid, do Grito de Edvard Munch, em Oslo, ou dos trabalhos de Vicent Van Gogh, em Amesterdão, entre centenas de momentos de exaltação interior. 


Estou a vê-lo e a sentir a sua emoção no jazz ou de quando falava das suas profundas preocupações sociais. Nunca discutimos. Trocámos pontos de vista, sempre com elevada consideração recíproca. Tenho já saudades do seu humor, muitas vezes cáustico perante vozes que cantavam a ignorância, saudades da liberdade do seu pensamento estruturado, da sua capacidade para ver o outro lado das coisas e de antecipação do futuro, do cruzamento da informação e da leitura dos acontecimentos à escala mundial. Um dia, tem já muitos anos, quando ninguém falava de crise económica, em uma das nossas longas conversas, disse-me: “André, isto vai dar tragédia, quando, não sei, mas que vai dar, não tenho dúvidas”. E deu! Tenho já saudades das nossas viagens, do Homem que amava a vida e a sua família, do que vimos, observámos, comentámos e até rimos, do ir e regressar por tantas e desconhecidas estradas que ele aproveitava para falar e falar das inquietações que invadiam o seu mundo e o mundo dos seres humanos, saudades dos nossos hilariantes almoços de uma sandes e um sumo, em um recanto de jardim, por vezes à chuva, porque a ânsia de ver e desfrutar era maior. Tenho saudades dos encontros à Sexta-feira à noite, à volta de um frugal petisco com muita conversa de permeio. Mas a vida é assim. Está limitada no tempo. Estive com ele na antevéspera da sua morte. Apertou-me a mão e disse: “grande amigo, o Homem consegue fazer tudo, é espantoso, mas é tão frágil”. Morreu um grande Amigo. Exactamente há dois anos tinha sido a sua Mulher, a Lídia, que grande Amiga, companheira de viagem e que sofrimento foi a sua partida! E assim sendo, nada mais. Apenas um profundo e amigo abraço à Lena, às suas netas, Sofia e Carolina e ao João. Até sempre, Franklim. A memória, bem gravada, jamais se apagará enquanto por aqui nós andarmos.
NOTA
Imagem do 90ª aniversário.

sábado, 14 de janeiro de 2017

AGÊNCIAS DE EMPREGO OU O ESPELHO QUE MENTE!


FACTO

“Será a FrenteMar Funchal uma agência de emprego para os amigos do senhor presidente da Câmara? Quererá o senhor presidente da Câmara fazer da FrenteMar Funchal um offshore das suas nomeações políticas? Questões que João Paulo Marques deixou, esta manhã, numa conferência do PSD junto à sede da empresa municipal, noticia o DN-Madeira. (http://www.dnoticias.pt/madeira/sera-a-frentemar-uma-agencia-de-emprego-para-os-amigos-de-cafofo-YE745735

PERGUNTA

A resposta, caso assim entendam, pertence ao actual executivo da Câmara do Funchal. Enquanto cidadão, quando li, perpassaram-me tantas perguntas. Uma delas: por agência de emprego político, quem, desde há 40 anos, governamentalizou tudo, "colocando os seus", desde a Assembleia, serviços do governo, autarquias, casas do povo, associações e até clubes?
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

"É A VOSSA HORA"!




Cada vida tem o seu pico de glória. E cada morte também.
Mas entre uma e outra estala, como lousa tumular, a inexorável incógnita: “Desse brilho meteórico, o que é que ficou”?
Sic transit gloria mundi – era o ritual da sagração dos Papas: “Assim passa a gloria do mundo”, enquanto o cardeal ajudante incendiava uma trança de estopa branca sobre uma salva de ouro.
Rolou a pedra derradeira sobre o monumento encimado por três jactos luminosos traduzidos simplesmente em três palavras: “FAMÍLIA BARROSO SOARES”.
O Apartamento da “Rua João Soares”, ao Campo Grande, transladou-se para o jardim das memórias que tem por estranho título: “CEMITÉRIO DOS PRAZERES”.
Fechar-se-ão as páginas do Livro dos Pesares, secar-se-ão os rios de tinta nas rotativas dos jornais, apagar-se-ão os holofotes dos emissores televisivos.
E de tudo, tudo, que restará, enfim?... O silêncio?... A pedra marmórea e fria?... As rosas amarelas, as rosas e os cravos vermelhos emurchecidos e mudos, como órfãos abandonados, curtidos de saudade?...
Heróis, sábios, génios e artistas – cada pátria tem os seus. Acompanhando Mário Soares, seguiram o mesmo trilho Daniel Serrão, Zygmunt Baum, Akbar Hachémi Rahsandjani,. E logo antes, Leonard Cohen.
De que valeu a pena tê-los, se deles restou apenas a memória, que um dia será longínqua e que “se esfuma como a brancura da espuma que morre na areia”? …
Mas valeu a pena!
Porque deles ficará para sempre o grito - canto e mandato:
“Sede vós e fazei dos vossos filhos – novos “Serrão”, novos “Zygmunt”, novos “Rafsandjani”, novos “Cohen”, novos “Soares”.
"Agora é a vossa Hora". 
A tua Hora!
Para tanto, basta que “ponhas tudo quanto és no mínimo que fizeres”!
NOTA
Um artigo do Padre Martins Júnior publicado no seu blogue. Aqui.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

ONDE ESTÁ A VERDADE? A LEI FOI OU NÃO CUMPRIDA?


A tecnológica madeirense ACIN, sediada na Ribeira Brava, a propósito de um concurso da responsabilidade do governo regional, assumiu que o mesmo é uma "aldrabice". O responsável pela ACIN classificou o juri de "faltosos, mentirosos e aldrabões". Na sequência disto, veio a "Secretaria Regional das Finanças e da Administração Pública repudiar totalmente o teor da notícia (...) com base nos valores e princípios porque se rege o desempenho da Secretaria Regional: transparência, legalidade, verticalidade e respeito por todos os cidadãos contribuintes”.


Ficou-se sem saber, ao contrário da explicação dada pela ACIN, "quais são as inverdades e quais são os factos incorrectos que foram, recorde-se, denunciados por Luís Sousa, presidente da ACIN", sublinha uma nota do DIÁRIO.
Do meu ponto de vista, sendo a ACIN uma empresa qualificada e com enormes responsabilidades, e não sendo claro o contraponto do governo regional, é caso para uma comissão de inquérito em sede de Assembleia Legislativa da Madeira, uma vez que se trata de um concurso público.
Onde está a verdade? A lei foi ou não cumprida?
Há que esmiuçar no sentido da transparência.
Ilustração: Google Imagens.