quarta-feira, 29 de março de 2017

MUITO OBRIGADO, SENHOR PRESIDENTE!


Não tenho palavras para agradecer. Eu que tantas e tantas vezes escrevo condenando o que por aí se faz, acabo por me render às evidências do Senhor Presidente: "As pessoas estão a viver pior nesses concelhos. Muito pior de quando o PSD governava”, portanto “não queiram para a Ponta do Sol aquilo que, por um erro, por um engano, por uma omissão, os outros concelhos tiveram de levar em cima (...) Se têm dúvidas com aquilo que se passa nesta terra comparem com as câmaras da oposição”. Comparei e, por isso, vou mais longe e enalteço o esforço do governo regional em todos os sectores, áreas e domínios da governação. Um exemplo internacional da arte de bem governar, simplesmente porque, para o Senhor Presidente dizer o que disse, é porque tem, não apenas nas autarquias, mas na actividade do seu próprio governo o exemplo bastante, os insofismáveis indicadores que justificam as comparações. Muito obrigado, se tal o posso fazer, em nome daqueles que foram explorados ao longo de quarenta anos.


Rendo-me ao facto da pobreza ter baixado dos 30% para valores quase residuais; o desemprego, em pouco mais de dois anos, ter vindo dos vinte e dois mil para uma percentagem próxima do pleno emprego; ter sido conseguido o milagre da redução dos fluxos da emigração forçada; os jovens terem, hoje, a garantia de esperança no futuro, graças ao empreendedorismo; na saúde, as listas de espera por uma cirurgia, sem limpeza de nomes, encontrarem-se a níveis que causam inveja em qualquer parte do globo; ter acabado com essa vergonha de faltar medicamentos, e não só, nas unidades de saúde; ter colocado médicos, enfermeiros e restantes técnicos a viverem uma época de felicidade no trabalho; em apenas dois anos ter sido possível lançar as bases de um novo sistema de educação público, conforme determina a Constituição, reduzindo os apoios ao sector privado, os quais deixaram de ter significado preocupante; obrigado, pelos mais idosos e indefesos beneficiarem, agora, de uma ajuda de € 60,00 em complemento das suas magras pensões pagas pelo Estado; obrigado por ter interiorizado as palavras do Doutor Alfredo Bruto da Costa (já falecido) que disse, na Madeira, que a "armadilha da pobreza é a armadilha das desigualdades"; obrigado pelo apoio anual aos ainda pobres para atenuarem a aquisição dos medicamentos prescritos; obrigado pela riqueza criada que justificou uma redistribuição tão significativa que fez baixar para nível insignificante o "rendimento social de inserção"; obrigado pelos níveis de conforto nos "bairros sociais"; obrigado, Senhor Presidente, por ter colocado a dívida da Região, que foi estimada em mais de seis mil milhões, em um valor de dívida flutuante, e não fora aqueles mil milhões escondidos (Cuba Livre), praticamente a Região não devia nada a ninguém; obrigado por ter retirado, totalmente, o CINM dos interesses privados, colocando-o ao serviço da Região; obrigado, em termos comparativos, pelos escalões de IRS serem mais favoráveis que nos Açores, os combustíveis, idem, até uma simples botija de gaz passou aqui para um valor mais baixo que na região açoriana; obrigado pelo ferry que, finalmente, nos liga ao Continente; obrigado por aquela Portaria que tantos maldizentes falam, mas que tornou possível ligações aéreas tão baratas no quadro da continuidade territorial; obrigado por ter acabado com essa pouca-vergonha do monopólio dos portos e da protecção a grupos exploradores; obrigado por não ter dado ouvidos aos especialistas e nos ter protegido da mãe natureza, com a aplicação de novas muralhas nas ribeiras, aumentando, até, os espaços de circulação viária; obrigado pela rigorosa implementação de regras no ordenamento territorial, desde o POTRAM aos PDM's, durante tantos anos abandonados e a saque sobretudo na orla costeira, dando continuidade à excelência dos projectos iniciados na Câmara Municipal do Funchal onde foi presidente; obrigado pelo quase total esbatimento das assimetrias, a todos os níveis, entre zonas altas e zonas litorais; obrigado, pelo trabalho ímpar realizado no Porto Santo, destino hoje sustentável e que deixou de ser sazonal, onde as empresas regressaram pujantes e o emprego ter deixado de ser uma miragem; obrigado, pelo exemplo que deu ao assinar contratos-programa municipais, apenas com aqueles que seguem as verdadeiras políticas de desenvolvimento, colocando em sentido as autarquias que nada fazem; obrigado pela transferência dos milhões do IRS para os municípios; obrigado pela nova cultura e a nova mentalidade sensível na população; obrigado pelos milhões da "bola" entre tantas dádivas. Por isso, faço minhas as palavras de Lélio Ribeiro, em 1944, no decorrer da inauguração do Estádio Nacional:
Senhor Presidente!
"Devemos-te a esperança!
Devemos-te a paz!
Devemos-te o presente!
Mas a partir de hoje a nossa dívida tornou-se ainda maior:
Devemos-te a certeza!
Devemos-te o futuro!
Em nome de todos nós!
Em nome de todos aqueles que hão-de vir depois de nós, 
mais fortes e mais saudáveis!
Bem hajas (...) por teres cumprido a tua promessa!
Obrigado pelos séculos fora!
Obrigado para sempre (...)"
Viva Senhor Presidente
Viva a Madeira. 
Conta o historiador que a multidão, nessa inauguração, "doida de entusiasmo, ergueu-se, voltada para a tribuna, às palmas e aos vivas, acenando os chapéus, agitando bandeiras, numa ovação verdadeiramente delirante, espantosa, única" (livro O Desporto e as Estruturas Sociais, do Professor José Esteves, página 149).
Obrigado Senhor Presidente! Viva a sua ironia!
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 27 de março de 2017

"OS ADVOGADOS NÃO DEVEM SER DEPUTADOS" - José Magalhães/Jornal I.


É evidente que qualquer Assembleia, a da República ou as das Regiões Autónomas, é, fundamentalmente, "casa das leis" que nos regem. E, neste pressuposto, obviamente, que lá devem estar, também, os que têm formação jurídica. De preferência os mais bem preparados. Há uma diferença entre quem define as políticas e quem as traduz em forma de lei, na compaginação com outras já publicadas. Não apenas nesse aspecto, mas também relativamente às questões de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade. Porém, o que sempre esteve em causa e continua sem restrições, é a presença de advogados, eleitos pelo povo, que exercem tal função em acumulação com a actividade privada. Isto é, no extremo, como vulgarmente se diz, legislam de manhã para beneficiar à tarde. Daí que, em todas as circunstâncias, válidas para advogados e para outras profissões, os eleitos, defendo eu, deveriam fazer uma clara opção pela exclusividade das funções. Directa ou indirecta. No caso dos advogados, não nos esqueçamos que as assembleias já têm juristas nos seus quadros, inclusive, os grupos parlamentares (assessores). Entendo que não basta um prévio registo de interesses, mas a proibição de acumulações que acabam, mor das vezes, por gerar cumplicidades e dúvidas sempre de evitar. Em defesa, até, dos próprios. E da transparência. 



É evidente que existem fugas, certas habilidades, ao jeito de "eu não estou, mas estou", por cumplicidade com outros. É verdade que sim. Porém, seria mais fácil o controlo dos interesses de raiz perversa.
É claro que isto traz à baila várias outras questões, entre as quais o facto dos bons juristas tenderem a não aderir a um projecto político, seja ele qual for, sabendo de antemão que perdem os seus clientes durante os anos de actividade política. Acontece com os juristas como em outras profissões. Mas esse aspecto pode ser esbatido, minimamente, com o designado "subsídio de reintegração" que foi abolido, mais por factores de natureza política (populista) do que de bom senso. Até no sector privado, saliento, quando alguém é dispensado acaba por ter direito a uma indemnização compensatória. Considero-a, portanto, de elementar justiça em qualquer situação, sublinho, quando os lugares são exercidos em regime de exclusividade. Até porque não me parece inteligente afastar do parlamento, repito, a qualidade dos especialistas. 
Trata-se de uma velha questão, complexa, cujo debate está longe de terminar, mas que merece uma aprofundada reflexão.

Nota
José Magalhães é licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e é Mestre em Ciências Jurídico-Políticas pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Foi Deputado na Assembleia da República e Secretário de Estado. Tem vários livros publicados.

sábado, 25 de março de 2017

COM ASSUNTOS MUITO SÉRIOS NÃO SE BRINCA... AS CÓPIAS SÃO SEMPRE PIORES QUE O ORIGINAL!


Não fica bem, seja lá a quem for, muito mais a um político governante, assumir atitudes de pouca elegância. Os assuntos políticos podem e devem ser discutidos com alma, com a energia que brota das convicções, mas existe sempre uma linha vermelha que não deve ser ultrapassada. Os madeirenses e portosantenses tiveram de aturar, durante anos a fio, a ofensa dita em alto som ou através da palavra escrita. Portanto, chega! Todos estamos cansados da política que nivela por baixo. Há palavras e expressões perfeitamente admissíveis no pequeno grupo, entre amigos, sei lá, na mesa do café, mas inadmissíveis no debate político. Tanto mais grave quando os mesmos que discursam com deselegância, dias depois, pelas funções governativas que desempenham, estão frente-a-frente com aqueles a quem ofenderam.


Pode o secretário regional da Economia e Turismo, Dr. Eduardo Jesus, ter razão e estar em total desacordo, em vários dossiês, com a Ministra do Mar, Engª Ana Paula Vitorino. É natural e faz parte do debate político entre a Região e o governo da República. Seja pela questão do "registo de navios" ou pela velhinha questão do tão badalado ferry (prometido em campanha) que ligue a Madeira ao Continente. Para mim isso é pacífico. Nem o governo regional deve vergar-se, nem a República tem o dever de dizer sim a tudo o que lhe é solicitado. Há regras orçamentais, existem transferências no quadro dos "custos de insularidade" e há, sobretudo, questões de bom senso e de respeitabilidade entre os órgãos que devem estar na primeira linha. E quando o Dr. Eduardo Jesus, segundo escutei, pediu um encontro na próxima semana, exactamente com a Engª Ana Paula Vitorino, não me parece correcto e de bom senso político, uns dias antes do encontro, pegar em meia-dúzia de pedras e atirá-las. O acto da negociação é muito sério, pois é nela que todos perdem alguma coisa para que todos possam ganhar. Não perceber isto é grave, como se a razão apenas estivesse de um lado. Com que cara é que o Dr. Eduardo Jesus (não é a primeira vez) se sentará no ministério quando, a páginas tantas das declarações ontem proferidas, utilizando uma expressão, segundo disse, das "camadas mais jovens", sublinhou: "daaa"! Isto é o mesmo que chamar a Ministra "burrinha" ou o ministério de "burrinhos". Não é agradável, convenhamos. Mas isto não é coisa nova. Talvez seja a consequência de uma aprendizagem. Só que as cópias são sempre piores que o original! O que escutei teve o condão de me aborrecer (por outras razões que não quero explicitar), pela falta de respeito e de cortesia institucional. Parem com agressividade. 
Ilustração: Google Imagens.

NOTA
Ver declarações wm:
http://www.dnoticias.pt/multimedia/audio/ouca-o-noticiario-regional-das-13h-de-24-de-marco-LE1116850

sexta-feira, 24 de março de 2017

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS E A AVALIAÇÃO DAS CONSEQUÊNCIAS!


A Drª Rubina Leal, secretária regional da Inclusão e Assuntos Sociais e candidata do PSD-M à Câmara Municipal do Funchal, no plano meramente político, está metida em uma situação muito complexa de gerir. Escrevo, saliento uma vez mais, no plano da apreciação política. A questão é simples: se ganhar a Câmara, o que parece muito improvável face à sondagem publicada pelo DN-Madeira em Janeiro passado, saltará do governo para a Câmara e alguém a substituirá na pasta que agora ocupa. Se perder, o que, volto a salientar, constitui a hipótese que se presume crível, nestas circunstâncias ficará tão fragilizada que obrigá-la-á a repensar o seu futuro. 
Deixo aqui a primeira página do DN-Madeira
que sintetiza uma sondagem realizada,
em Janeiro passado pela mesma empresa:
EUROSONDAGEM.


É que o Funchal corresponde a quase metade da população da Madeira e uma derrota no maior concelho colocá-la-á em situação de pouca credibilidade no patamar da governação. É uma questão de leitura política. Não estão em causa questões técnicas e profissionais, mas as leituras políticas e respectivas consequências que entram na equação. É assim em qualquer parte, pelo que este quadro não deve ser menosprezado, embora saiba eu que, na Madeira, há uma tendência genérica para a desvalorização. 
Depois, coloca-se uma outra questão: no caso de perder, assumirá o lugar de vereadora? Se tal não acontecer, a óbvia pergunta que se coloca talvez seja esta: então, as pessoas votarão nesta candidatura para quê? Para verem o seu voto substituído por uma outra figura da lista em quem não entregaram o seu voto? E o próprio Dr. Miguel Albuquerque, por extensão, não ficará politicamente "chamuscado" com a derrota, uma vez que se tratou de uma escolha sua?
Mais, ainda, continuo no plano especificamente político, não foi a Drª Rubina Leal vereadora da Câmara que aprovou vários orçamentos que conduziram a autarquia a uma dívida superior a cem milhões de euros? Que posições travão é que assumiu no período que teve responsabilidades? O escrutínio rigoroso destas situações, entre muitas outras, deve motivar os cidadãos, porque, se relativamente ao actual presidente da Câmara, julgo que os funchalenses têm uma leitura global do mandato, portanto, estão em condições de decidir o que melhor entenderem, já o que ficou lá para trás deve merecer cuidada apreciação para que não sejam cometidos velhos erros políticos.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 23 de março de 2017

A SONDAGEM DEIXA O JOGO EM ABERTO. A APROXIMAÇÃO DO PS É A CONSEQUÊNCIA DO TRABALHO DO DEPUTADO CARLOS PEREIRA.


Já era tempo disto acontecer. Em defesa de todos nós. O refrescamento dos partidos que governam constitui um bom sinal do estado de saúde da Democracia. Quem está fora, desde que se apresente com qualidade, e isso percepciona-se ao longo dos anos, pelos estudos que apresenta e pela oportunidade e sensatez do discurso político, o povo acaba por conceder a oportunidade de governar. Quem se mantém no poder vinte, trinta, quarenta anos, é óbvio que ganha vícios, permite o crescimento de tenebrosas raízes, certos tipos de corrupção activa e passiva, entra em deslumbramento, tende a  dar passos superiores à perna, a esmagar e a silenciar, perseguir de modo subtil mas evidente, gerar uma cadeia de servis em função dos lugares que ocupam, enfim, os governos "duracel" constituem um perigo para a sobrevivência democrática. Entendo alguma longevidade quando as alternativas são frágeis e não convincentes. O que não tem sido o caso, na Madeira, em muitas ocasiões. 


O próprio caso açoriano merece alguma reflexão. Mas dos açorianos falem os que lá vivem. Experimentaram a alternativa e, certamente, voltarão a experimentá-la. Por aqui, quarenta e dois anos, sempre com o mesmo partido no governo, convenhamos que é tempo de uma mudança, de trazer a novidade, o projecto aglutinador e de desenvolvimento, que olhe para as pessoas e não para o umbigo político-partidário. Esta sondagem traz a esperança de um novo tempo corrector de comportamentos, onde seja sensível que o exercício da política corresponde a um serviço público à comunidade, balizado no tempo, e não uma forma de vida ou um caminho "profissional" como muitos acabam por fazer. Aliás, a inovação raramente está dentro, está sobretudo fora. Há centenas de pessoas habilitadas, em todos os sectores e áreas do conhecimento, que vivem no silêncio, mas que têm indiscutíveis competências técnico-científicas e políticas para gerar o estabelecimento das prioridades que necessitamos: no campo social, no espaço da economia e das finanças, no plano da agricultura e das pescas, no ambiente, na educação e na saúde. Resumir-se a uns quantos partidários que se revezam, que saltam daqui para ali e dali para acolá, é pobre e confrangedor. Por isso, é sempre bem-vinda a mudança de orientação. Estou-me a recordar das sete câmaras que mudaram de orientação política em 2013. Provou-se que não caiu o "Carmo e a Trindade", pelo contrário, as contas parece que entraram nos eixos e aquilo que é suposto uma câmara fazer, no essencial, foi realizado. Não vejo por aí grandes sinais de descontentamento, para além da óbvia luta partidária.
Para o resultado desta sondagem contribuiu, fundamentalmente, a forma como o Dr. Carlos Pereira tem conduzido o PS nos últimos anos. Escreveu um importante livro, A Herança, onde ficaram escalpelizados todos os aspectos da economia e das finanças da Madeira, o que atesta um largo conhecimento destas matérias fundamentais, gerou equilíbrios internos ao nível do partido e, sobretudo, foi oposição construtiva, com projecto, com discurso alternativo seguro e gerador de confiança. Não agrada a todos, mas quem é que tem esse condão? A maioria política não gosta dele porque nele vê uma ameaça, mas isso faz parte do jogo democrático. Agora, que as sondagens, valendo o que valem, não deixam dúvidas do trabalho feito, isso é incontornável. Carlos Pereira conseguiu em dois anos triplicar o resultado das últimas legislativas. É muito bom. Portanto, Carlos Pereira é o único da oposição com possibilidades de ganhar as próximas eleições. Depende da continuidade do trabalho e que cada um saiba estar no seu galho. 
Ilustração: Google Imagens. 

quarta-feira, 22 de março de 2017

SONDAGEM QUE APROXIMA O PS DO PSD



Esta sondagem deve ter causado alguma urticária. Não sei. Apenas me parece. O Dr. Miguel Albuquerque diz que não sabe se a mesma se destina a “suprir as necessidades internas do PS” ou “auscultar a opinião pública”; o Dr. Adolfo Brazão agradeceu "ao PS pela caricata e bem disposta sondagem”, lembrando que é sempre bom “acordar com humor”. Bom, a sondagem tem o selo da EUROSONDAGEM, mas concordo, para já é bom acordar bem disposto e com humor do que se ir deitar na noite eleitoral com uma grande indisposição e uma infernal dor de cabeça! Nunca se sabe o que o povo, no dia das eleições, decide. O que decidir é inabalável, custe o que custar e doa a quem doer.

DRª RUBINA, ESPERO QUE SEJA "LEAL", OU É SECRETÁRIA REGIONAL OU CANDIDATA À CÂMARA! ESCOLHA.


Podem dizer que é legal, que nada, rigorosamente nada, obsta que uma secretária regional do governo da Madeira não possa ser, em simultâneo, candidata à Câmara do Funchal, mas não é eticamente aceitável. Do meu ponto de vista é reprovável, porque fere, mesmo que se tente dizer o contrário, o "dever de neutralidade". Uma cidadã não deve ser secretária do governo na parte da manhã e candidata à principal autarquia na parte da tarde. De manhã, faz uma visita como governante, despacha umas palavras e, à tarde, promove-se enquanto candidata. É uma espécie de shampoo dois em um! Natural seria suspender as suas funções de governante ou mesmo sair a seu pedido. Assumir uma candidatura com a responsabilidade do Funchal, com um pé aqui e outro ali, não abona no quadro do exercício da política com princípios. A não ser que dê a eleição como perdida e, portanto, parta do princípio que vou ali e já volto! O que é pior.


Falo deste assunto com legitimidade. Em 1993 fui candidato à presidência da Câmara do Funchal. Nessa altura era colaborador da RTP-Madeira e beneficiava de uma exposição mediática semanal ímpar, uma vez que não havia outros canais! Quando o Dr. Mota Torres me convidou, pensei uns dias e após aceitar o desafio, a primeira pessoa a quem me dirigi foi ao Director da RTP-Madeira, ao meu Amigo Senhor Armindo Abreu, a quem solicitei que me afastasse da apresentação dos programas. Na semana seguinte já não apareci. Perdi as eleições para o candidato do PSD, Professor Virgílio Pereira e perdi o lugar de colaborador na televisão que me rendia alguns proventos. Posteriormente, ainda prestei algumas colaborações muito esporádicas. Por pouco tempo. Aproveitei para prosseguir os meus estudos superiores em Lisboa. 
Ora bem, há vinte e quatro anos entendi ser aquele o comportamento mais adequado e, hoje, continuo a defender a separação de águas. Na política não se pode estar com um pé aqui e outro ali. Não se pode, por respeito por si próprio e pelos outros candidatos, beneficiar de dois palcos em simultâneo, mesmo considerando a tal "neutralidade" de que fala a Comissão Nacional de Eleições. Só por infantilidade se pode deduzir que um titular de órgão público não mistura a acção governativa com a campanha! 
Portanto, Drª Rubina, com todo o respeito, espero que seja "Leal", ou é secretária regional ou candidata à Câmara Municipal do Funchal. Escolha. Mesmo que esteja a partir do princípio que a sua candidatura seja apenas para cumprir calendário. 
Ilustração: Google Imagens. 

terça-feira, 21 de março de 2017

ORA BEM... "NA MADEIRA MANDA QUEM?!"


Por JOÃO PEDRO VIEIRA, artigo publicado na edição de hoje do DN-Madeira.

E se na Madeira mandam os madeirenses, como é que se explica que o Governo Regional continue a apontar o Governo da República como o culpado de tudo o que, dois anos depois da eleição de Albuquerque, continua a correr mal? Se na Madeira mandam os madeirenses, porque é que a culpa de termos os voos mais caros do mundo por milha aérea voada é de um Governo de Costa que nada teve a ver com a negociação do modelo de subsídio que nos trouxe até aqui? Se na Madeira mandam os madeirenses, porque é que a culpa de não termos um ferry de ligação ao Continente é do Governo da República? Se na Madeira mandam os madeirenses, porque é que a culpa de não termos um novo Hospital em construção é totalmente do Governo nacional?


As mais recentes polémicas políticas públicas da Região, a do nome do aeroporto e a de uma carta do leitor publicada neste diário, levaram a uma conclusão praticamente unânime: na Madeira mandam os madeirenses.
Sobre isso, nenhuma dúvida: são os madeirenses que elegem os seus Presidentes de Junta de Freguesia, os seus Presidentes de Câmara e o seu Presidente do Governo Regional; e são madeirenses que representam os madeirenses nas Assembleias de Freguesia, nas Assembleias Municipais, na Assembleia Regional, na Assembleia da República e, vejam bem, no Parlamento Europeu também. Onde há um madeirense para defender, há um a representá-lo; onde há um madeirense para eleger, há outro para ser eleito; e onde há um madeirense para ser mandado, há um para mandar.
Chegados aqui, parece-me evidente que a conclusão seguinte também é uma só: onde há um problema dos madeirenses por resolver, a responsabilidade também é dos madeirenses - porque se quando as coisas que fazemos correm bem o mérito é nosso, quando infelizmente não correm também.
São os madeirenses que escolhem, são os madeirenses que mandam. E se na Madeira mandam os madeirenses, como é que se explica que o Governo Regional continue a apontar o Governo da República como o culpado de tudo o que, dois anos depois da eleição de Albuquerque, continua a correr mal? Se na Madeira mandam os madeirenses, porque é que a culpa de termos os voos mais caros do mundo por milha aérea voada é de um Governo de Costa que nada teve a ver com a negociação do modelo de subsídio que nos trouxe até aqui? Se na Madeira mandam os madeirenses, porque é que a culpa de não termos um ferry de ligação ao Continente é do Governo da República? Se na Madeira mandam os madeirenses, porque é que a culpa de não termos um novo Hospital em construção é totalmente do Governo nacional?
Ao contrário do que a máquina laranja apregoa e faz apregoar há 40 anos, os problemas da Madeira não são culpa dos outros - são culpa nossa, que nunca nos importámos em questionar quem escolhemos para mandar e continua a ser culpa nossa porque na hora da verdade continuamos a fazer o mesmo.
O orgulho na terra não pode servir para justificar tudo: se temos uma gare no porto que nunca foi utilizada, a culpa é nossa; se temos uma marina no Lugar de Baixo que nunca foi usada, a culpa é nossa; e se temos um heliporto no Porto Moniz a que nunca deram uso, lamento, mas a culpa também é nossa. Que nos defendamos perante putativas intromissões externas tão energicamente, tudo bem, mas que não nos mobilizemos perante inenarráveis más decisões e mentiras internas com a mesma energia já está mal.
É certo que não é tão fácil mandar Albuquerque para a terra dele como um tipo de Coimbra que escreveu meia dúzia de asneiras entre muitas coisas certas, mas é mais fácil exigir ao primeiro que cumpra mais e ande com conversa da treta a menos. Se na Madeira mandam os madeirenses, os que nos governam têm de fazer mais e falar menos - porque da mesma forma que escolhemos e mandamos, no final também somos nós todos que pagamos.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 18 de março de 2017

COMO DIRIA JUAN CARLOS: "POR QUE NÃO TE CALAS?


É quando não é compreendido "que se vê a fibra de um Presidente". Isto é, podem as decisões serem estúpidas, idiotas, cretinas, mas o decisor tem fibra. Fibra de quê? De imbecil!


quinta-feira, 16 de março de 2017

JUSTIÇA - CRESCE A DESCONFIANÇA


Nota prévia: não sou jurista e tenho apenas o senso comum da Justiça, acessível nos custos, em igualdade e celeridade. Não gosto da sensação de impunidade perante os factos e não entendo, também, que os seus agentes, estejam a que nível estiverem, constituam um grupo social intocável, quando a verdade é sempre relativa. Esses também devem submeter-se a um rigoroso escrutínio das suas atitudes. Julgo ser óbvio este meu posicionamento. Deriva, apenas, do mais básico senso comum.


Neste pressuposto, considero abusiva a eternização, em abstracto, de um qualquer processo. Fazem-me trazer à memória um jogo infantil onde sempre faltava uma coisa para completá-lo: tem a rosa, falta o cravo, tem o cravo falta o jasmim, tem o jasmim falta a orquídea, etc. etc.. Simplesmente porque a eternização de um processo, repito, em abstracto, é susceptível de transmitir incapacidade na demonstração dos factos puníveis à luz da Lei. E isso é mau para a imagem da Justiça. E é mau para os arguidos, porque, no caso de uma declaração de inocência, vêm o seu nome e o da família, ao longo de anos, mergulhado na lama social. Aos olhares da sociedade, a dúvida acompanhá-los-á sempre. Julgo, por isso, justifiquem como quiserem, entre outros, que os meios são escassos, que há um tempo, previsto na Lei, para investigar e um tempo para julgar, absolvendo ou punindo. O arrastamento sistemático das investigações (são tantos os casos), ditado, dizem, pela complexidade, porque apanhar o fio à meada é difícil, porque há cartas que ainda se encontram fora do baralho, até pode ter um fundo de verdade, mas que conduz a um crescendo de desconfiança na Justiça, disso não tenho grandes dúvidas. Em suma, celeridade, provas e condenação ou absolvição. Todos precisamos disto. De confiança.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 14 de março de 2017

CAIS 8 TRANSFORMADO EM HELIPORTO



Entre um espaço morto e uma utilização, alegadamente importante, qualquer pessoa votará pela segunda. Porém, o problema não reside aí. A verdade é que, contra todas as vozes que se levantaram relativamente à construção do cais, por motivos que, mais tarde, acabaram por se confirmar, insistiram e inauguraram-o com pompa e circunstância. Hoje, tais vozes questionar-se-ão: afinal, que estudos sérios foram realizados? A quem interessou tal construção? Quanto custou aos contribuintes aquela peça decorativa?
Desta vez, caso os técnicos entendam viável, que os cuidados sejam redobrados, para que não aconteça no Funchal uma situação idêntica ao do heliporto do Porto Moniz, que custou uma fortuna para nada! Já agora, tenham presente a marina do Lugar de Baixo.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 13 de março de 2017

OS JULGAMENTOS DEVEM SER FEITOS EM SEDE PRÓPRIA. PARECE, NO ENTANTO, EXISTIR A PREFERÊNCIA PELO JULGAMENTO POPULAR


Por uma questão de princípio, o tal da separação de poderes, qualquer cidadão, julgo eu, defenderá a sede própria, os Tribunais, para condenar ou absolver arguidos em processos, sejam eles de que tipo forem. O cidadão arguido, tem o direito à maior discrição, até porque, até ao momento de uma decisão condenatória, provada em factos inequívocos, obviamente, deve ser sempre considerado inocente. Deveria ser assim, mas, infelizmente, não é isso que acontece. Passo pelos meios de comunicação social e assisto à transcrição total ou parcial dos interrogatórios entre Magistrados e arguidos; leio extensas páginas com múltiplas narrações que ninguém, posteriormente, vem contestar ou abrir qualquer processo por fuga de informação; assisto, finalmente, a julgamentos na praça pública muito antes de eventuais condenações na sedeprópria. O pior, julgo eu, que a verdadeira Justiça pode ter. 


Aos Procuradores, Juízes, Tribunais superiores, Juristas e outros agentes da Justiça pede-se-lhes rigor, distanciamento, independência, nobreza, total renúncia ao mediatismo e ao amiguismo, humildade, sentido de responsabilidade, fuga a situações que possam ser consideradas promíscuas, enfim, tudo o que possa ser considerado no quadro de Homens e Mulheres de bem e sem mancha. Que podem errar, naturalmente que sim. Todos erramos. Por isso é que existem recursos. Porém, o que deve sustentar a imagem dos responsáveis pela aplicação da Justiça é a verticalidade de onde não se deduzam sentimentos ou convicções políticas, de natureza persecutória ou mesmo, constitucionalmente, ilegítimas. Quem errou deve ser punido à luz da Lei, de acordo com os factos indiscutivelmente apurados. Nunca através da cama feita na comunicação social. Pelo que assisto, através dos media, há uma "revolução" a ser empreendida pela dignificação, celeridade e credibilidade da JUSTIÇA. Porque ninguém está acima da Lei.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 12 de março de 2017

MOBILIDADE MADEIRA-CONTINENTE. ALGUÉM ENTENDE ISTO?


É capaz de ser assunto conhecido e normal. Para mim foi uma novidade incompreensível. Porventura o secretário da Economia da Madeira, ele que gerou a Portaria que toda a gente critica, considerará razoável o que aqui deixo.


Um residente adquiriu uma passagem de ligação LISBOA-FUNCHAL. Reuniu os documentos e foi levantar o correspondente a essa ligação. Se ida e volta tem direito ao reembolso na diferença entre € 86,00 e o preço da tarifa efectivamente paga, neste caso, pensou o residente, que iria receber a diferença entre € 43,00 e o valor pago, por ter realizado apenas um circuito. Mas não. Os CTT pagaram a diferença entre € 86,00 e o valor pago (como se tivesse feito ida e volta). o que significa que a entidade pagadora (CTT) reteve o dinheiro do passageiro. Imagine-se que a ligação foi de € 100,00. O passageiro recebeu € 14,00 e não € 57,00!
Explicação dos CTT: na próxima, se voltar a viajar no prazo de um ano, fazemos o encontro de contas. Espantoso. E se não viajar? E se perder o "papelinho"?
Bom, já não basta ter de esperar dois meses para receber a comparticipação de residente, porque assim obriga, insensatamente, o pagamento com cartão de crédito, ainda por cima ficam com o dinheiro que não lhes pertence.
O problema é que quem criou esta Portaria continua a considerar que ela é a que melhor serve os interesses dos madeirenses e portosantenses. Precisa de alguns acertos, diz o mentor, mas ela é fantástica. Vê-se. 
Já agora, entre muitas outras perguntas: qual a razão para a obrigatoriedade de um recibo ou de uma factura-recibo e não de uma simples factura? O que tem a ver a entidade pagadora ou o governo com a conta-corrente de um residente com a sua agência de viagem? É o caso das empresas, por exemplo, por razões profissionais.
Ilustração: Arquivo próprio.

sábado, 11 de março de 2017

GOVERNO REGIONAL "ROUBA" OS MADEIRENSES E VANGLORIA-SE DISSO


O secretário regional das Finanças, a mesma figura que enquanto director regional fechou os olhos a tanto atropelo financeiro, nunca denunciando as megalomanias dos governos anteriores, facto que conduziu a Região a uma dívida superior a seis mil milhões de euros, veio hoje vangloriar-se de contas em ordem para permitir medidas sustentáveis. Falou dos sacrifícios dos madeirenses, é certo, mas não quantificou esses sacrifícios e as causas que conduziram ao mesmo. Foi preciso o líder do PS-Madeira vir explicar: "tiraram do bolso dos madeirenses mais de 15 mil euros em cinco anos"(...) "o Governo asfixia os madeirenses e ainda se gaba publicamente desse feito".


“Se fizermos uma análise mais fina sobre aquilo que foi apresentado, o que percebemos é que entre 2011 e 2016 o PSD cobrou aos madeirenses mais 1.530 milhões de euros de impostos, ou seja meteu a mão no bolso dos madeirenses em 1.530 milhões de impostos”. “Significa ainda que cada madeirense pagou mais entre 2011 e 2015, 15.300 euros nestes anos. Estamos a falar de uma asfixia feita a todos os madeirenses e o que nos surpreende mais é a forma como o Governo Regional ainda apresenta estes valores”. “Quero lembrar que isto é tanto mais grave quanto o PSD prometeu na campanha eleitoral que iria reduzir a carga fiscal sobre os madeirenses. Não aconteceu nada disso e já acabou há muito tempo o Plano de Ajustamento Económico e Financeiro e o PSD e Governo Regional continuam a ir ao bolso dos madeirenses”, acrescentou“. Ora, este Governo está a fazer a mesma coisa que fazia o outro Governo e sobretudo a não fazer aquilo que foi prometido fazer que foi reduzir a carga fiscal”.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 5 de março de 2017

A PROPÓSITO DE DECLARAÇÕES "MONÓTONAS"


Tem sido monótono, sim senhor, Senhor Secretário da Economia da Madeira. O discurso de há 40 anos pauta-se por uma espantosa monotonia. Em todos os sectores e áreas de actividade. O curioso, porém, é essa uniformidade no tom discursivo, essa ausência de vigor, essa narrativa que empurra para os outros culpas próprias, não ter sofrido a mínima mudança nos que se dizem adeptos da "renovação" política. O secretário arquitectou, ouvindo poucos, o "monstro" do designado "subsídio de mobilidade", agarrou-se com unhas e dentes à Portaria como a que melhor defendia os interesses dos insulanos da Madeira nas ligações com o espaço continental, ao longo do tempo continuou a defendê-la apesar da chuva de críticas, porém, quando outros, concretamente o Deputado Carlos Pereira, coloca o dedo na ferida, aí o tom discursivo muda, ele é "monótono", por não trazer nada de novo, ao mesmo tempo que, sacudindo as responsabilidades primeiras, empurra o problema para a República. Isto é, o sistema por si aprovado é o melhor de sempre, mas, qual paradoxo, a culpa é do Terreiro do Paço que não corrige o que muitos dizem conter fragilidades e constituir um atentado à paciência e à carteira dos madeirenses e portosantenses.


Repito, tem razão o secretário da Economia, a sua é uma lengalenga muito "monótona". Foi, porventura, a oposição que definiu um tecto de € 400,00? Foi a oposição que impôs a necessidade de aguardar 60 dias quando o pagamento é concretizado com cartão de crédito, como se este não fosse um meio legal de pagamento? Foi a oposição que gerou as condições para fazer disparar os preços das ligações aéreas? Foi a oposição que tramou os estudantes? E foi a oposição que impôs que uma ligação para fora do espaço continental não pudesse beneficiar do pagamento da tarifa de residente? Tantas as perguntas que podem ser feitas e que já foram colocadas. Os outros, porém, é que são "monótonos". No caso do secretário em causa, cujo discurso, através de comunicados, só encontra paralelo em tempos que já lá vão (ou será que se trata do mesmo tempo?), interessante e compreensível seria, com humildade política, pedir desculpa aos madeirenses pelos erros cometidos e plasmados na Portaria em causa, depois, dar corda aos sapatos e procurar uma rápida solução que não passa pela via institucional das "cartinhas" e do espavento na comunicação social.
Já agora, embirro com a designação de "subsídio de mobilidade". Os madeirenses não devem ser "subsidiados", mas devem pagar um valor ajustado quando pretendem sair da Região pelas mais diversas razões. O preço é x e ponto final. É assim  que entendo a continuidade territorial. A palavra subsídio arrasta consigo a ideia de benefício e de auxílio financeiro a quem passa dificuldades. E não é isso que deve ser equacionado, mas sim o valor justo e comparável a uma deslocação de Vila Real de Santo António, de Valença ou de Rio-de-Onor com destino a Lisboa. Uma proposta do PCP que entendo muito aceitável como ponto de partida. Somos portugueses com uma dificuldade acrescida, a de termos nascido e vivermos no meio do Atlântico. Apenas isso. Portanto, subsídio, não, obrigado. Tarifa justa, claro que sim.
Ilustração: Google Imagens.  

sábado, 4 de março de 2017

A DIFERENÇA ENTRE DOIS POLÍTICOS


Ambos foram presidentes dos governos regionais da Madeira e dos Açores. Um, o dobro do tempo relativamente ao outro, o que não deixa de ser significativo nesta breve e despretensiosa leitura. Um, saiu empurrado pelo partido; o outro, criou as condições para uma transição serena, simplesmente porque tudo tem o seu tempo. Um, fugiu ao sistemático combate político azedo com a República, embora não se vergando; o outro, fez da ilusória questão do "contencioso das autonomias" a arma de  uma quezília sem tréguas. Um fez crescer e desenvolver uma região ao ritmo das várias disponibilidades e no respeito pelas características históricas e culturais; o outro, endividando a região até ao tutano, apostou no prioritário e no secundário, como se os fundos se esgotassem no dia seguinte. Um, na esteira dos seus mandatos, é arguido em um processo de registos paralelos à contabilidade pública (não sei se é esta a designação mais apropriada); o outro, saiu da governação sem mácula. Um, chega agora a vice-presidente da Internacional Socialista (IS); o outro, pelo que se vê, politicamente, ninguém o quer, interna e externamente. Dois homens políticos e dois percursos tão distintos.  



Quando li a notícia que o açoriano Carlos César tinha sido eleito vice-presidente da IS, obviamente que não deixei de olhar para o percurso do Dr. Alberto João Jardim na Região Autónoma da Madeira. O primeiro cresceu e alcandorou-se a outros patamares políticos, tendo sido desde logo chamado para presidente do PS, enquanto o outro preferiu se entrincheirar, cada vez mais, no seu pequeno museu de memórias. Um, se bem leio a situação, paulatinamente, percorre o longo caminho para a Presidência da Assembleia da República e, depois, para a chefia do Estado, enquanto o outro se entretém com as questões da paróquia, absolutamente marginais. 

Eu sei que, na política, como já alguém disse, "morre-se várias vezes", mas não deixa de ser interessante dois caminhos tão diferentes
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 3 de março de 2017

MARINA DO LUGAR DE BAIXO: O ERRO FOI DO MEXILHÃO!




“Não há responsabilidade política do Governo [de Alberto João Jardim], há um reconhecimento por parte desta Comissão de que o Governo tentou, face ao investimento que ali já estava feito, rentabilizar e não perder aquilo que já tinha sido feito” (...) “há uma “responsabilidade técnica da empresa projetista". Fonte: DN-Madeira. Pois é, conta-se que no serviço militar também é assim. O oficial superior descarrega no capitão, este no alferes, depois no sargento, por aí a baixo até que o cabo vai pelas canas adentro. Parece-me óbvio, à luz da História, que a maioria PSD não iria responsabilizar, politicamente, os companheiros de percurso. Porventura bem lhes apetecia, mas preferiram colocar mais um tapume, ainda mais alto, relativamente àquele que já existe na estrada sobranceira à marina.
O povo acaba por ter razão em interrogar-se: como acreditar em certas pessoas? Já alguém disse: "e ninguém vai preso".

quinta-feira, 2 de março de 2017

APENAS UM PINGO DE BOM SENSO E O GOVERNADOR DO BANCO DE PORTUGAL JÁ TINHA SAÍDO



Segui o primeiro episódio do "Assalto ao Castelo" (SIC) cujas peças do rosário continuam hoje a ser desfiadas. Apenas duas palavras: pouca-vergonha. Razão tem o Prof. Carlos Queiroz quando assumiu que os verdadeiros culpados somos todos nós que permitimos a engrenagem que faz fortunas à custa do dinheiro dos outros. 
No "Assalto ao Castelo", onde se falou do BES de Ricardo Salgado (e não só) ficou escarrapachada a mentira e todos os interesses que se movem para além da montra. Apenas um pingo de bom senso e de respeito por si próprio, para já, o Governador do Banco de Portugal, custasse o que custasse, já não ocupava aquele importante lugar. Os restantes enquadram-se na Justiça. Que levará muitos anos a ser concretizada. Se for...
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

O VENDAVAL DE UMA NOITE DE DIVERSÃO


Um texto oportuno do Padre José Luís Rodrigues, publicado no seu blogue "O Banquete da Palavra"

1. Há um chão coberto de copos de plástico, uns inteiros, outros já esmagados, cá e lá ainda cheios, outros meio cheios em cima dos muros e também nos recantos do chão. A seguir vejo garrafas de aguardente de cana partidas, outras inteiras ainda direitas, mas totalmente esvaziadas. Até pensei que por ali tinha passado um vendaval. Havia uma alma que por ali já estava de mangueira em punho a juntar tudo e a lavar aquele chão do tsunami banhado pela noite dentro com urina. O cheiro nauseabundo faz-se sentir por todo lado naquele enorme local convertido durante a noite em mictório.


2. Não faltam turistas a passar pela zona, que podem apreciar o cartão de visita, cheiro intenso de urina e bela vista para os olhos contemplarem um chão sujo de plásticos e guardanapos usados, atirados ao chão como se aquele lugar da cidade fosse a bodega espanhola onde se pode deitar tudo para o chão. Uma imagem desoladora e um péssimo cartaz turístico, para quem chega de barco à cidade ou para os que frequentemente se dirigem por aquela zona vindos dos hotéis e que não dispensam a bela caminhada a pé até ao centro da cidade que nos dias normais aquele locar tão aprazível da nossa cidade proporciona.
3. Este é o ambiente circundante na zona da Praça do Mar, feito com coisas usadas durante a noitada. Mas, pior ainda são os bandos de jovens e adolescentes deitados no chão, sentados em cima dos muros ou a pastar de um lado para outro aos berros não escondendo de ninguém o que foi a noite bem regada. Alguns adolescentes, particularmente, raparigas têm umas olheiras de caixão à cova completamente bêbadas. Cigarro atrás de cigarro e entremeio goles de algum resto de bebida que por ali ainda sobra. Temos uma lei que proíbe bebidas alcoólicas a menores. O que não seria se a não tivéssemos…
4. Já cansa ter que falar sobre os pais desta gente. Não quero passar com esta minha reflexão uma ideia de conservadorismo parolo. Mas devia inquietar a sociedade inteira, particularmente, os pais dos jovens e adolescentes que andam a dar este espectáculo de bandos de jovens vagando pelas ruas a madrugada inteira, tão bêbados a ponto de nem conseguirem falar ou andar direito. Este devia ser um tema de importância social, não só por causa da violência que o álcool representa e gera, mas por causa da fragilidade dos adolescentes, especialmente, as raparigas, que às vezes são molestadas ou violadas, porque não estão em condições de se defenderem. Calculo que sejam alguns dos pais destes adolescentes e jovens, que devem ser daqueles que vão à escola insultar, agredir e participar dos professores porque o seu menino ou menina queixou-se porque a professora falou alto durante a aula com ele ou marcou uma falta por mau comportamento.
5. O álcool tornou-se tão quotidiano que hoje ninguém precisa de se explicar por que bebe, mas tem que dar explicações por não bebe. Estas bebedeiras de cavalo dos mais novos não tem propósito nenhum, são apenas para deixá-los bêbedos para curtir a noite. O ambiente que circunda os lugares da diversão é bem revelador da degradação em que estamos e da irresponsabilidade que a sociedade apresenta, especialmente, os casais que são pais e as entidades que deviam fiscalizar o consumo de álcool entre aqueles que ainda são menores.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

A MENTIRA SOBRE O DÉFICE DE ATENÇÃO E A HIPERACTIVIDADE


O psiquiatra teve uma vida confortável graças às vendas de medicamentos para tratar a “doença”


Quem diria… O inventor do Transtorno de Déficit de Atenção Com ou Sem Hiperatividade (TDA/H), psiquiatra norte americano Leon Eisenberg, revelou que o TDA/H “é um excelente exemplo de uma doença fictícia”. Essas foram as palavras dele, que é considerado o pai desse “transtorno”. Ele confessou a farsa da doença aos 87 anos de idade, em sua última entrevista, sete meses antes de sua morte.
Desde 1968 que a “doença” de Eisenberg perseguia os manuais de diagnósticos e estatísticas, primeiro como “reação hipercinética da infância”, agora chamado de “TDAH”. O uso de medicamentos para o ADHD (Attention Deficit/ Hyperactivity Disorder) na Alemanha aumentou brutamente em 18 anos, de 34 kg (em 1993) para um registro de 1760 kg (em 2011). Esses números representam 51 vezes mais nas vendas. Nos Estados Unidos, uma em cada dez crianças já toma algum medicamento ADHD, em uma base diária. Também com tendência crescente dos números.
Consequentemente ou não, o Presidente da Comissão Nacional Consultiva de Ética Biomédica (NEK), Otfried Höffe, criticou o uso da Ritalina, em novembro de 2011, em seu parecer intitulado: “Valorização Humana por meio de agentes farmacológicos: o consumo de agentes farmacológicos que alteram o comportamento da criança em qualquer contribuição sobre a sua parte”.
Eisenberg atuou no “Comitê para o DSM V e CID XII, American Psychiatric Association” 2006-2009, era membro do “Comitê Organizador da Mulher e da Conferência Medicina (2006)”, realizou diversas conferências e assim foi disseminando o TDAH. O psicólogo americano, Lisa Cosgrove, coloca uma importante questão: esses grupos estiveram comercializando o diagnóstico de TDAH no serviço do mercado farmacêutico e foram feito sob medida para Eisenberg, com um monte de propaganda e relações publicas. Eles descobriram que dos 170 membros do painel DSM 95 (56%) tiveram uma ou mais associações financeiras com empresas da indústria farmacêutica. Cem por cento dos membros dos painéis sobre “Transtornos do Humor” e “Esquizofrenia e outros transtornos psicóticos” tinham vínculos financeiros com empresas farmacêuticas. Chegaram à conclusão que as conexões são especialmente fortes nas áreas de diagnóstico, nos quais as drogas são a primeira linha de tratamentos para transtornos mentais. E na edição seguinte do manual, a situação manteve-se inalterada: 56% dos membros relataram laços com a indústria farmacêutica.
Finalmente é possível observar àqueles que falam e alcançam grande parte da população revelar que os agentes farmacológicos induzem alterações comportamentais, mas não podem educar uma criança sobre a forma de alcançar essas mudanças de comportamento de forma independente. Uma pílula não cala a dor de uma criança, mas ela a priva de uma experiência essencial que é aprender a agir automaticamente e enfaticamente, perdendo a sua liberdade e prejudicando o desenvolvimento de sua personalidade. O uso de medicamentos como a ritalina interfere a liberdade do sujeito e seus direitos pessoais. Entendemos que essa doença seja fictícia, sim. Na verdade, ela serviu para levar à indústria farmacêutica os melhores aumentos de vendas. O indivíduo pode passar por momentos de desatenção e hiperatividade por diversos motivos. Deixa-me enfatizar aqui, a falta de atenção e hiperatividade não é uma doença, senão uma fase em que o indivíduo pode passar. Cabem aos profissionais da área da saúde e aos educadores a tarefa de não colocarem as crianças no “Lead química” e auxiliá-las com relação a seus porquês e suas inseguranças. Dessa forma, não entregaremos os nossos filhos nas mãos do mercado farmacêutico.
Agora veja alguns alertas de efeitos colaterais contidos nas bulas de remédios tarja preta:

- Confusão;
– Despersonalização;
– Hostilidade;
– Alucinações;
– Reações maníacas;
– Pensamentos suicidas;
– Perda de consciência;
– Delírio;
– Sensação de embriaguez;

E então, eis a questão: por que os pais submeteriam seus filhos a remédios com efeitos colaterais tão alarmantes?

Jornalista

sábado, 25 de fevereiro de 2017

SEM SOMBRA DE GRANDEZA


Por Miguel Sousa Tavares, in Expresso
25.02.2017

"Bem pode Cavaco Silva desfilar o rol de grandes do mundo que conheceu em vinte anos no topo da política portuguesa: nenhum desses grandes o recordará nem que seja num pé de página de memórias e a nossa história não guardará dele mais do que o registo de uma grandiloquente decepção.


Nos seus dez anos como primeiro-ministro, Cavaco Silva teve o que nunca ninguém tinha tido antes dele e não voltou nem voltará a ter depois dele: uma maioria, tempo, paz social, esperança e dinheiro sem fim, vindo da Europa. Fosse ele, porventura, um homem dotado de visão e de coragem e conhecedor da nossa história e dos nossos males ancestrais, teria aproveitado as circunstâncias para inverter de vez o funesto paradigma em que vivemos hádécadas ou séculos. Em lugar disso, aproveitou o dinheiro e os ventos favoráveis para engrossar o Estado, fazer demasiadas obras públicas inúteis e cimentar a clientela empresarial que sempre viveu da obra ou do favor público. Ele lançou as raízes do défice e da dívida pública, que, depois, tal como as obras (de Sócrates), passou a execrar. Cinco anos volvidos, regressaria para outros dez de Presidência. Por razões que já nem adianta esmiuçar, acabaria por sair de Belém com uma taxa de rejeição recorde e com 80% dos portugueses fartos dele e do seu pequeno mundo. Muita da popularidade de Marcelo deve-se ao facto de os portugueses o verem em tudo como o oposto de Cavaco Silva.
Tive um breve mas arrepiante flashback deste pequeno mundo quando, na semana passada, Cavaco Silva lançou o seu livro de ajuste de contas. Pelas citações e declarações que li e ouvi, parece-me que a única coisa boa do livro é o título — (mas até esse li que não era original). No restante, Cavaco entretém-se a contar os seus “factos rigorosos” para “informação dos portugueses”, e registados com base num método que diz ter inventado quando era estudante e que se presume não ser o do gravador oculto. A finalidade da história das suas quintas-feiras é atacar um homem já debaixo de todos os fogos — o que confirma a lendária coragem intelectual de Cavaco, tal como no seu discurso de vitória quando foi reeleito, atacando com uma raiva e um despeito indignos de um Presidente da República os seus adversários que já não se podiam defender. Parece que agora, com um absoluto desplante e tomando-nos a todos por idiotas, Cavaco Silva ensaia uma indecorosa falsificação dos tais “factos rigorosos”: a história de como ele e a filha ganharam 150% em dois anos com acções do BPN que não estavam cotadas em bolsa (jamais desmentida e bem documentada), não passou, afinal, de uma “calúnia”, vinda da candidatura de Manuel Alegre; e a célebre “conspiração das escutas” de Sócrates a Belém, engendrada entre o assessor de imprensa de Cavaco e um jornalista do “Público”, foi, pasme-se, ao contrário: foi o Governo que montou uma operação para fazer crer… que o Governo escutava Belém!
Ele (Cavaco Silva) que continue a escrever a sua história: a História jamais o absolverá.
Mas não foi isso o que verdadeiramente me arrepiou nas notícias e imagens do lançamento do livro do Professor. Outra coisa eu não esperava dele nem do seu livro. O que me impressionou e arrepiou foi uma visão que diz tudo sobre quem foi e quem é este homem. Após mais de vinte anos na vida política e nos mais altos postos dela, tendo fatalmente conhecido não só vários grandes do mundo mas também toda uma geração de portugueses da política, da cultura, do empresariado, das universidades, etc., quem é que Cavaco Silva tinha a escutá-lo no seu lançamento? A sua corte de sempre, tirando os que estão a contas com a Justiça. Os mesmos de sempre — Leonor Beleza e o que resta da sua facção fiel no PSD. Mais ninguém. Nem um socialista, nem um comunista, nem um escritor, um actor, um arquitecto, um músico reconhecido. Nada poderia ilustrar melhor o que foi e é o pequeno mundo de Cavaco Silva. Ele que continue a escrever a sua história: a História jamais o absolverá. (...)"
(Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

ESCADAS ROLANTES - ESCADAS FALANTES. "QUEM AO MAIS ALTO SOBE, AO MAIS BAIXO VEM CAIR"


Um texto do Padre Martins Júnior, pleno de actualidade e que nos deve deixar a pensar. Publicado no seu blogue "Senso&Consenso".

"Hoje não trago mais que um instantâneo. Tão ofuscante e contundente foi, que para mim – e certamente para si, acompanhante dos dias ímpares - ficará como um tratado de filosofia política ou financeira, um manual de sociologia e um laboratório de emoções. Porque é assim que procuro interpretar o movimento cíclico das águas correntes: no efémero detectar o perene.


Descia eu a escada rolante de um desses formigueiros de gente a que se dá o pomposo cognome de hipermercados. Enquanto as correias giratórias circulavam lentamente, saltou-me à vista um sujeito, lá ao fundo, gabardine laranja-desbotado, olhar inquieto, parecendo mais um fugitivo à procura de um buraco onde esconder-se e com uns trejeitos de pescoço entre comprometido e assustado. Percebi que o homem preparava-se para tomar a escada ascendente, contígua à nossa, mas algo lhe travou o passo. Apeei-me e, acto contínuo, o homem subiu. Ninguém deu por ele, nem um bom-dia, nem aceno de mão, nem um olhar, como se de um estranho vulgar de Lineu se tratasse. Confesso que me deu um travo de compaixão e mágoa natural ver ali, ao vivo, o contrastante, talvez pavoroso, dilema entre a glória e o fracasso, entre o trono e o cadafalso, entre o apolíneo clangor do poder e o subterrâneo tumular da humilhação pública. Por outras palavras, o populismo febril e, em contraponto, o sol-posto de um sem-abrigo. Volto a dizer que cheguei a sentir pena daquele instantâneo longo, imenso, eloquente. Quem tinha (ou julgava ter) o “mundo todo” na mão e todos os viventes-vizinhos como escabelo a seus pés… e agora reduzido a mero exemplar do formigueiro! Quem tudo fez tremer debaixo do sobrolho alucinado… agora ignorado sem sombra de aragem, mesmo fria que fosse! Quem esmagava o corpo e a palavra de homens e mulheres de talento, só para promover os medíocres aduladores … agora, ali, de olhar vago e aluado, como a mendigar uma côdea de simpatia ou um punhado de alfarrobas, mesmo falsas, sem ninguém que lhas desse! Nem sequer daqueles que se locupletaram na sua corte. Não gostei da cena. Mais degradante foi ver que o homem não teve coragem de confrontar-se, lado a lado, no vaivém das escadas rolantes, com quem outrora, no auge do poder, insultou e massacrou até à exaustão! Além de cobardia, estava ali a inexorável sentença dos povos: “Quem ao mais alto sobe ao mais baixo vem cair”.
Quero esquecer o cenário-relâmpago daquela escada. Deito fora a casca do instantâneo. Só tento reaprender o seu tronco e sorver a seiva que dele escorre. Não vale a pena galgar o vértice de um poder absoluto, porque, quando menos se espera, a pirâmide volta-se ao contrário e é então que o todo-poderoso torna-se vítima do monstruoso bloco que fabricou. Falo dos grandes impérios de ontem ou de hoje. Assim aconteceu, em alto relevo, com Nero, o boçal imperador de Roma. Assim, com Napoleão, Hitler, Stalin, Mussolini, Bin Laden, Saddam. E assim com todos os tribais populistas de agora, ainda que eleitos, desde a Coreia do Norte à Turquia, aos Estados Unidos, à Rússia. A história não perdoa!
“Quem a ferro mata a ferro morre” – já nos prevenira o Mestre quando Pedro desembainhou o cutelo no Horto do Getsémani. As prepotências, sejam elas de que cor ou dimensão, não passam de momentâneos fogos-fátuos geradores das chamas que vitimarão os próprios titulares. Lições gigantes que se reescrevem nos instantâneos miniaturais das escadas rolantes!"
21.Fev.17
Martins Júnior

sábado, 11 de fevereiro de 2017

TRÊS NOTAS QUE CAUSAM APREENSÃO


Três títulos da edição de hoje do DN-Madeira:

1ª "Ramos quer saber o que há"

Só podem estar a brincar com o povo, quando falam em "acabar com suspeições que continuam a existir" e que, por isso, toca a criar a "carta de equipamentos" na Saúde. Quarenta anos depois, qualquer cidadão interrogar-se-á sobre o que andaram os serviços de saúde a fazer para não conhecerem todos os "equipamentos" públicos e privados. Como planearam e como geriram todos este complexo processo?

2ª "2,7 milhões combatem abandono escolar"

Isto é, a política educativa não se apresenta pró-activa, mas reactiva. Historicamente, ao contrário de uma definição política de ataque aos problemas sociais, económicos, financeiros e culturais da população que se reflectem na escola; ao contrário de uma política educativa assente em um novo paradigma organizacional, a lógica que presidiu foi o deixa andar e, hoje, gasta-se 2,7 milhões como penso rápido em uma situação que nem por ali se resolve. Ao invés de um investimento no futuro decidem remediar o passado!

3ª "Eleitorado vota em pessoas, não vota em partidos"

Frase atribuída ao presidente da Câmara Municipal de S. Vicente, que se diz partidariamente independente. Ora, um independente não tem filiação partidária; um independente não participa no congresso do partido onde desde sempre teve as suas costelas. Ao ler lembrei-me da história de alguém que não me recordo que disse que "isto só vai para a frente com independentes do meu partido". Por favor, um pouco de respeito, porque os eleitores "não são parvos nem andam a tirar documentos para estúpidos". Depois, não votam em partidos? Se não votassem, quantas eleições outros tinham ganhado com as figuras que apresentaram aos eleitores. Quantas?
Ilustração: Arquivo próprio.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

JUSTIÇA: A DELAÇÃO PREMIADA


Na semana em que o Engº José Sócrates realizou uma conferência de imprensa sobre o longo processo judicial, Miguel Sousa Tavares escreveu, no Expresso, um artigo que coloca em causa a designada “delação premiada” e toda a investigação que até ao momento, segundo o jornalista, também jurista, nada conseguiu provar. Deixo aqui duas esclarecedoras passagens do artigo. Será que a montanha irá parir um rato? 


“(…) No caso do sr. Bataglia, homem de negócios à escala planetária, o facto de não poder sair de Angola sob pena de ser preso em qualquer outro país, era, de facto, uma espécie de prisão domiciliária territorial. Ele negociou isso com o dr. Rosário Teixeira: Entrou como foragido da justiça, suspeito de vários crimes que, confirmados, lhe dariam anos de prisão aqui, e saiu como homem livre. A mim parece-me evidente que o acordo que fez não foi simplesmente para vir prestar declarações, mas para vir dizer aos autos aquilo que o dr. Rosário Teixeira queria que ele dissesse. Este é o preço que se paga pela delação premiada: nunca se sabe se o delator disse a verdade verdadeira ou a verdade conveniente. (…) Temos então que o oportuníssimo dr. Bataglia veio dirigir para outros horizontes a investigação da “Operação Marquês” e, aparentemente, salvá-la à beira do fiasco. Já está em marcha a manobra junto da opinião pública destinada a fazer ver que o prazo terminal de 17 de Março para encerramento da instrução terá de ser prorrogado face “aos novos elementos” – tal qual no “Caso Freeport” que demorou seis anos de investigação, sem conclusões algumas. Pois bem, que percam a vergonha e prorroguem. Mas uma coisa há que ninguém pode tirar de cima do dr. Rosário Teixeira e do dr. Carlos Alexandre: afinal, depois dos “fortes indícios de corrupção” pelo Grupo Lena, das auto-estradas, da Parque Escolar, dos contratos com a Venezuela, de Vale do Lobo, do Grupo Octapharma, as verdadeiras suspeitas de corrupção de José Sócrates estavam no Grupo GES. Ou seja, andaram a investigar durante quatro anos e mantiveram-no preso durante dez meses à conta de falsas pistas e falsas suspeitas. E foi o muito recomendável sr. Bataglia quem, à 25ª hora, os fez ver a luz e os terá safado de nada terem para apresentar no dia 17 de Março! É brilhante. E assustador.”
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

COM A VERDADE SE ENGANA


“(...) Passados seis meses há uma verdade e é essa que continuaremos a informar e a esclarecer as famílias madeirenses as vezes que for necessário. Até ao momento, passados seis meses, todos os realojamentos feitos até à data foi por acção e intervenção do Governo Regional. Foram afectadas 251 habitações, estão no momento 113 apoiadas e 93 concluídas e recuperadas por acção e intervenção do Governo Regional”, disse Vânia Jesus, deputada do PSD-Madeira. É propaganda fácil e sem sentido. Afinal, existindo um governo regional AUTÓNOMO, pergunta-se, a quem é que competiria realojar e ou reabilitar? Ao governo da República, ultrapassando os órgãos de governo próprio da Região? Não, Senhora Deputada, não confunda as situações. Está definido, assumido e confirmado pela via institucional, que o governo da República assumirá todos os encargos; outra coisa é, localmente, fazer avançar tais processos, porque as pessoas não podem esperar. Se o governo regional não tem reserva financeira para acudir de imediato, então mal está o processo gestionário das finanças regionais. E sabe-se que está!


O curioso é que o governo da Madeira, que é tão célere a reivindicar direitos autonómicos, quando tudo está "preto no branco", opta por tocar sempre a mesma tecla, desde há 40 anos, a tecla do confronto desnecessário, fazendo confusão onde ela não existe. Esse foi chão que deu uvas! Já não dá, Senhora Deputada. Simplesmente porque inscreve-se na politiquice barata. As pessoas estão fartas disso. Também não deixa de ser curioso o caso da Segurança Social. Os governantes locais sabem que todos os apoios e subsídios são NACIONAIS. Até os próprios funcionários são pagos pela República. É assim e está certo. Mas quando toca a aparecer a dizer que, em 2016, Região "atribuiu" apoios sociais acima dos 40 milhões de euros, não se vislumbra a honestidade de dizer a proveniência do dinheiro para pagar o Rendimento Social de Inserção, Subsídio Social de Desemprego, Complemento Solidário para Idosos e pensões de Velhice, Invalidez e Sobrevivência, entre outros. Aparecem, de peito cheio, cumprimentando com o chapéu dos outros, como se o dinheirinho saísse dos cofres da Região por via do Orçamento Regional. Lamentável.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

A PERGUNTA DESCABIDA PODE SER UMA PERGUNTA INCÓMODA


Não há perguntas descabidas. O jornalista, cumprindo a sua missão, pergunta. Ao político compete responder. É assim na relação com a comunicação social. Os jornalistas não são "pé de microfone", obviamente. Da mesma forma, na escola, não devem existir perguntas descabidas quando um aluno questiona qualquer coisa ao mestre. Outrossim, na fase de debate de um congresso, à pergunta feita por um membro da plateia. Apenas compete ao comunicador explicar. Direitinho, para que não subsistam dúvidas.


Não aprecio a insistência levada ao extremo, fazendo a pergunta de várias maneiras, quando se percebe, logo de início que o interlocutor não quer responder. Outra coisa é, face a uma questão, dizer que essa "é uma pergunta descabida". No exercício da política estas situações acontecem com frequência, ficando evidente que os políticos gostam de despachar a mensagem que lhes interessa. "Convocam" a comunicação social e depois consideram embaraçoso o questionamento. Seria desejável que estas situações não acontecessem e que, mais vezes, os jornalistas colocassem as perguntas que o governo foge a responder. 
Ilustração: Google Imagens.

MUTILAÇÃO GENITAL FEMININA. A INTERVENÇÃO DA DEPUTADA EUROPEIA LILIANA RODRIGUES