quinta-feira, 25 de agosto de 2016

EDUCAÇÃO - JACKPOT À QUINTA-FEIRA


"Foi aprovado um apoio de 24,6 milhões de euros a 53 estabelecimentos de educação e ensino privados da Região. O objectivo é de comparticipar nos custos com o funcionamento no ano escolar 2016-2017. Estes estabelecimentos de ensino desenvolvem a sua actividade no âmbito das valências de creche e jardim-de-infância, e 1º, 2º e 3º ciclos do ensino básico e ensino secundário". (fonte DN-Madeira, sobre as conclusões do Conselho de Governo de hoje)


Trata-se de um assunto tão velhinho que não vou aqui tecer novas considerações. Apenas a propósito daquela decisão entendo que devo voltar a sublinhar o meu posicionamento. Que de nada valerá, obviamente. Sou, unicamente, um cidadão sem responsabilidades políticas. O acesso à escola (Educação) constitui um direito constitucional. Não é uma dádiva. Daí a responsabilidade dos governos na defesa da ESCOLA PÚBLICA. Quando se entrega ao privado uma responsabilidade que é pública, para isso os portugueses pagam impostos, obviamente que tal significa que os governos violam, claramente, os direitos constitucionais. O sistema educativo, repito, segundo a nossa Constituição da República, tem de ser público, de investimento público, o que não significa a negação da existência do sector privado. Ele justifica-se no quadro do direito de escolha das famílias. Não posso é aceitar a existência de crónicas carências no sector público, com orçamentos limitadíssimos que impedem uma melhor concretização dos projectos educativos, dívidas acumuladas e despedimento de professores, para financiar o privado. A Escola Pública tem de ser universal, inclusiva, de qualidade e tem a obrigação de conduzir à excelência, destina-se, por isso, a TODOS. A Escola Privada constitui uma outra opção, absolutamente legítima, mas que deve ser enquadrada, exactamente, no quadro do interesse EMPRESARIAL PRIVADO. Quem faz essa opção deve suportar os encargos. Não é esse o entendimento do governo da Madeira. Foi eleito e está no seu direito de continuar essa política. Porém, não é esse o meu entendimento entre os sectores público e privado. Quase 25 milhões de Euros é muito dinheiro! Parece que só descansam quando tudo for privado. E quem não tiver dinheiro, pergunto!
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O LEVANTAR DO VÉU


A miséria de milhares de milhões de pessoas para "alimentar" a ganância desenfreada destes escroques da Humanidade que não olham a meios para atingirem os seus fins! Só conhecem uma palavra : Lucro!!!


Sabia que há várias espécies de terrorismo?
Sabia que a Goldman and Sachs, o Citygroup, o Wells Fargo e outros semelhantes apostaram biliões de dólares na destruição do euro? Se o EURO cair ou desvalorizar eles ganham milhões!
Sabia que obtiveram avultadíssimos lucros durante a crise financeira de 2008 (que permanece viva...) e há suspeitas de que foram eles que manipularam o mercado?
Sabia que o Senado norte americano levantou um inquérito que resultou na condenação destes gestores que apostaram em tombar a Europa? Mas tudo ficou na mesma...
Sabia que ficou demonstrado que o banco Goldman and Sachs aconselhou os seus clientes a efectuarem investimentos no mercado de derivados num determinado sentido, mas o próprio Goldman and Sachs realizou apostas em sentido exactamente contrário no mesmo mercado?
Sabia que deste modo, obtiveram lucros de 17 biliões de dólares (com o respectivo prejuízo para os seus clientes)?
Sabia que estes manipuladores se estão a transformar nos homens mais ricos e influentes do planeta e se divertem a ver os países tombar um por um?
Sabia que todos os dias são lançadas milhões de pessoas no desemprego e na pobreza em todo o planeta, em resultado desta actividade predatória?
Sabia que tudo acontece com a cumplicidade de alguns governantes e das autoridades reguladoras?
Sabia que desde a crise financeira de 1929 que oGoldman and Sachs tem estado ligado a todos os escândalos financeiros que envolvem especulação e manipulação de mercado, com os quais tem sempre obtido lucros monstruosos?
Sabia ainda que este banco tem armazenado milhares de toneladas de zinco, alumínio, vários outros metais, petróleo, e até cereais, etc., com o objectivo de provocar a subida dos preços e assim obter lucros astronómicos, manipulando o mercado?
Sabia que, desta maneira, manipula o crescimento da economia mundial, e condena milhões de pessoas à fome?
Sabia que o Goldman, com a cumplicidade das agências de “rating”, pode declarar que um governo está insolvente e, como consequência, os produtos financeiros sobem e, assim, obriga os países a pedirem mais empréstimos com juros agiotas impossíveis de sustentar (como se tem feito com a Grécia, Portugal e outros) — Em simultâneo impõe duras medidas de austeridade que empobrecem esses países?
- De seguida, em nome do aumento da competitividade e da modernização, obriga-os a vender os sectores económicos estratégicos (energia, águas, saúde, banca, seguros, etc.) às corporações internacionais por preços abaixo do que valem.
- Para isso, infiltra pessoal dos seus quadros nas grandes instituições políticas e financeiras internacionais, de forma a manipular a evolução política e económica a seu favor e em prejuízo das populações. Cargos como os do CEO do Banco Mundial, do FMI, da FED, etc. de que fazem parte quadros oriundos do Goldman and Sachs. E na UE estão: Mário Draghi (BCE), Mário Monti e Lucas Papademos (primeiros-ministros de Itália e da Grécia, respectivamente), Vitor Gaspar, Carlos Moedas, e muitos outros que por lá passam para aprenderem como se roubam os povos do Mundo e se fazem fortunas pessoais e/ou de corporativas financeiras.
Sabia que alguns eurodeputados ficaram estupefactos quando descobriram que alguns consultores da Comissão Europeia, bem como da própria Angela Merkel, têm fortes ligações ao Goldman and Sachs?
Sabia que este poderoso império do mal, está a destruir não só a economia e o modelo social, como também as impotentes democracias europeias?
Sabia que é do interesse deste mundo financeiro que isto não passe pela cabeça dos povos, que já vivem diariamente com a ameaça crescente desta forma de terrorismo?
NOTA
Texto de Domingos Ferreira, da Universidade Nova de Lisboa, Professor/Investigador na Universidade do Texas, EUA. 

terça-feira, 23 de agosto de 2016

QUANDO SE CONFUNDEM AS ANÁLISES POLÍTICAS COM MISERÁVEIS ATAQUES PESSOAIS


Quem ataca os meus amigos de forma infundada e miserável a mim está a atacar. Por uma simples razão: sou muito selectivo relativamente aos amigos que fiz ao longa da vida. Não por razões elitistas, políticas, partidárias ou quaisquer outras, mas porque a decência, os princípios e os valores que defendem me fazem respeitá-los. A minha Amiga Violante Saramago Matos é uma delas. Ela e o seu marido, o Engº Danilo Matos. São pessoas de uma verticalidade, honestidade e simplicidade que me levam a inscrevê-los na lista muito reduzida dos meus amigos. Tomara que a Madeira tivesse algumas centenas de mulheres como a Drª Violante. Certamente que a Região da Madeira estivesse melhor em muitos sectores, áreas e domínios políticos.


É claro que é legítimo e democrático que alguém, neste caso um tal senhor Nuno Alves Caetano, tenha as suas opiniões completamente divergentes das de outros, mas existem formas de análise política que não extravasam os limites da decência. No caso em apreço, um exemplo: uma coisa é dizer, em abstracto, que "temos à frente deste Governo (Regional) uma cambada de garotos e incompetentes"; outra, é fazer juízos de valor pessoais e políticos, visando, directamente, uma pessoa, designando-a por comunista (e se fosse, qual era o problema?), aproveitadora da "desgraça alheia" e defensora de uma política de "terra queimada". Enquanto, na primeira, tal declaração, claramente política, visa o governo político no seu conjunto, na segunda, o que emerge é um vómito claramente político sobre uma pessoa. Deveria o autor da "carta do leitor" perceber esta diferença, da mesma forma que não me atrevo a tecer considerações, porque seriam abusivas, sobre o senhor Caetano por ter demonstrado um enorme, talvez maior que a ilha, fervor partidário relativamente ao Dr. Miguel Albuquerque, à secretária Rubina Leal ou à Protecção Civil. Está no seu direito que respeito.
É que o senhor Caetano não percebeu o alcance e a verdade daquela afirmação, entre outras. Há dezenas de anos que a Drª Violante Saramago Matos luta, na Assembleia Legislativa, enquanto Vereadora da Câmara Municipal do Funchal, na sua qualidade de Bióloga, em muitos fóruns de debate e sobretudo enquanto CIDADÃ, luta, dizia eu, pelo ordenamento do território da Região Autónoma da Madeira. Está nas actas da Câmara, onde o Dr. Miguel Albuquerque foi presidente e nos Diários das Sessões da Assembleia, onde o Dr. Miguel Albuquerque foi Vice-Presidente, todas as suas propostas e intervenções de chamada de atenção, devidamente estudados e fundamentados. Actuou sempre em defesa da Madeira e se tivesse sido ouvida, tal como outros o fizeram e foram vilipendiados, repito, provavelmente, vários desastres que se abateram sobre a Madeira, poderiam ter sido atenuados, repito, para que fique claro, atenuados.
A terminar, duas notas:
Primeira, o que tem a ver o Prémio Nobel José Saramago com as posições da filha Violante Saramago Matos? É de muito mau gosto. Depois, "só os comunistas têm direito à doutrina, os demais são inimigos". Falso. Falo por experiência própria que tenho amigos em todos os quadrantes políticos. Respeito-os e sinto que sou respeitado.
Segunda: ora bem, neste tempo de calor... tome uma "genebra", porque no que se refere à Drª Violante, tenha a certeza que não degenera nos princípios e valores que a orientam. Ainda bem! 
Ilustração: Google Imagens.

UM RETRATO EM POUCOS DIAS QUE MUITO DÁ PARA QUESTIONAR...


20.799 madeirenses no desemprego (fora os que emigraram ou aqueles que se encontram em estágios ou formação); destes, 66,81% não têm direito a subsídio de desemprego (vivem de quê?); 89 empresas que beneficiaram de apoios no valor de 3,3 milhões fecharam ou ficaram insolventes (qual foi o acompanhamento e a fiscalização do investimento?); prisão preventiva para mais um suspeito de violação; mais um assalto por esticão; um sujeito recebe a polícia com disparos; devastadores incêndios que colocaram a nu a fragilidade do ordenamento territorial. Entre outros casos, até de suicídio, assim vai a nossa vidinha colectiva onde alguns, na estrada, aceleram para a morte: dez desde o início do ano. 


À destruição da natureza, desemprego, pobreza, saúde mental em causa, junte-se a inexplicável situação do sistema educativo, do sistema de saúde e a protecção social, enfim, temos uma espécie de "tempestade perfeita" que resulta de um quadro de uma histórica irresponsabilidade em uma Região tão pequena, com tão pouca população, mas com uma organização institucional semelhante à de um Estado. E vejo-os, por aí, a posar para a fotografia, como se o acto de bem governar por aí se quedasse. Preocupante!

sábado, 20 de agosto de 2016

A ENTREVISTA DO DN-MADEIRA AO SENHOR CORONEL LUIS NERY


Fiquei esclarecido com as declarações. Por mais que o jornalista Miguel Silva tentasse puxar, de forma isenta, para a realidade, obteve sempre a resposta que a sua verdade impunha. A sua e a do sistema, claro! E assim sendo, o apoio externo foi solicitado no momento certo, o senhor presidente do governo e a senhora secretária estiveram sempre a par de tudo. A Câmara do Funchal é que colocou o pé na argola, quando foi a primeira a alertar para o reforço dos meios. Ah, "meios aéreos" sim ou não: "(...) tenho uma opinião que não queria manifestar neste momento".


Fez-me lembrar o meu amigo Antunes que, com muito humor, em um serviço no qual trabalhámos juntos, quando as coisas se complicavam, ora olhava para a máquina e dizia: "o problema é de dentro"; ou, então, generalizando, "tudo o que está aqui bem feito fui eu que fiz". 
Tratando-se de um militar é caso para dizer: "tudo como dantes no quartel-general de Abrantes". Portanto, fiquei esclarecido quanto à nossa segurança colectiva.
A entrevista:

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

CONGRESSO DO MPLA E A CHOCANTE HIPOCRISIA POLÍTICA


Sei de tantas empresas portuguesas que labutam em Angola. E sei de quantos portugueses emigraram e por lá andam sobrevivendo, muitos com salários em atraso. Sei, também, que nas relações entre Estados Soberanos todo o cuidado é pouco em função de retaliações e olhares desconformes. Tudo isto implica cautelas e bom senso em função de interesses muito complexos. Mas, confesso, choca-me a hipocrisia política. E porquê?


Não apenas pelos ataques sistemáticos da comunicação social angolana a Portugal (quem os faz ou manda publicar), mas pela substancial diferença ideológica da generalidade dos partidos políticos portugueses relativamente ao que se passa em Angola. Um país potencialmente riquíssimo, o segundo maior produtor de petróleo de África, porém com a mais alta taxa de mortalidade infantil do mundo abaixo dos 5 anos. Um país onde uns fazem fortunas quase incalculáveis (a filha do presidente Eduardo dos Santos é um exemplo), mas onde a pobreza tornou-se paisagem. Um país de conhecida corrupção. Um país onde se esmaga a livre opinião, prende-se e pune-se por ser opositor. Apesar desta amostra do pano, com distinta lata, os seus dignitários políticos apresentaram na moção estratégica enunciando princípios como: reforçar a Democracia; assegurar a inclusão política de todos os cidadãos, sem discriminações; edificar um Estado Democrático e de Direito, forte, moderno, coordenador e regulador da vida económica e social; promover o desenvolvimento humano e a qualidade de vida dos Angolanos com a erradicação da fome e da pobreza extrema; incentivar a criação de emprego remunerador e produtivo, elevando a qualificação e a produtividade. Só lendo...
É neste contexto hipócrita que os partidos políticos portugueses, à excepção do BE (li que não foi convidado), voaram rumo a Angola para "celebrarem" a vitória de Eduardo dos Santos. Ao ponto do representante do CDS/PP Hélder Amaral não ter feito por menos: o CDS tem "muitos mais pontos em comum" com MPLA. E o que dizer da hipocrisia suprema de Paulo Portas que, julgava eu, estava para o MPLA como CDS, em Portugal, estava para o PCP?
Abomino este tipo de política.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

TANTA FUGA ÀS RESPONSABILIDADES POLÍTICAS

Não é coisa nova. É sempre assim, por falta de cultura democrática e sobretudo política. Ninguém é responsável por nada. Ninguém assume nada. Porque alguns políticos sabem tudo. Oiço o concidadão que ficou sem a casa a se lamentar que os bombeiros estiveram no local, mas o acesso era muito estreito para a circulação das viaturas. Pois, mas a casa estava lá e certamente foi autorizada e passada a respectiva licença. Não há responsáveis. Oiço o concidadão que pediu para cortar eucaliptos e pinheiros doentes em redor da casa, mas em vão. Entretanto a casa desapareceu. Responsáveis... dão-se alvíssaras! Como não existem pelo caos urbanístico nas zonas altas do Funchal. Vejo-os a fugir com o "rabinho à seringa", desmultiplicando-se em visitas, em conversas de treta e em necessários realojamentos, mas com uma máscara, pelo menos do meu ponto de vista, que tenta esconder a sua responsabilidade política pelo desordenamento. Tudo se passa às claras, sem qualquer "mea culpa" porque essa, a existir, foi da "anatereza" e, exclusivamente, dos incendiários.



Ainda hoje, o articulista Alexandre Diaz Catanho escreveu no DN-Madeira: "(...) a consciencialização para a construção desfreada que se verifica na Ilha, a qual oprime e descarateriza a paisagem natural que lhe é caraterística e única. Aqui sim, reside a chamada de atenção deste pensamento em voz alta. Não só as construções governamentais, turísticas, ou particulares, mas sim o seu aglomerado como um todo, transforma a paisagem, que deveria em grande medida ser virgem, e a cada viaduto da Via Rápida ser-se assolado por um verde a perder de vista entre as formações montanhosas que lhe conferem profundidade, observa-se em contrapartida uma savana urbana de cimento, telhados, complexos turísticos, ou terrain vagues que corrompem o verde, o selvagem, a misticidade daquele território. Assim como a arte por si só é alienação do ser humano, neste caso construir por construir é crime (que o diga a flora e fauna autóctone). Sendo o turismo um dos pilares, senão mesmo a base para o desenvolvimento e atração de investimento à região, fator que consequentemente se reflete na qualidade de vida da população, vê-se ameaçado por esta construção massiva. (...)". Embora importante, nada de novo neste texto, tantos foram os que, ao longo de quatro décadas, investigaram, escreveram, participaram em conferências, chamaram à atenção, tantos que na Assembleia Legislativa e nas autarquias lutaram pelo ordenamento e planeamento atempado, mas de que serviu?

Ora bem, mas o nosso drama não se circunscreve apenas às zonas altas. Não sou especialista nem estudos científicos tenho para uma abordagem séria e fundamentada sobre o centro do Funchal. Mas leio e sou sensível. Por isso, interrogo-me, quais as consequências das escavações autorizadas, por exemplo, no coração da cidade, onde abundam centros comerciais e parques de estacionamento automóvel abaixo do nível médio do mar e quais as repercussões das excessivas impermeabilizações dos solos. Quais serão as consequências a prazo? Pelo que leio serão muito graves. Trata-se de um assunto identificado, estudado e publicado pelo Engº Doutor João Baptista. Alguém esteve ou está preocupado com este aspecto? Tarde ou cedo, quando a desgraça acontecer, obviamente que ninguém será responsabilizado, porque foi a "anatereza", dirão.
Escreve, ainda, o citado articulista: "(...) Face à problemática exposta e à consequente necessidade de encontrar novas soluções, torna-se indispensável considerar novas medidas, metodologias e políticas públicas de ordenamento territorial e planificação urbana coerente com as preocupações expressadas e ainda com os valores de sustentabilidade, conciliando a preservação com a animação/reanimação socioeconómica dos territórios. (...)". Daí o meu apelo: embora tarde, urge criar uma equipa de especialistas em vários domínios, que conjuguem as suas preocupações e definam as linhas orientadoras da, julgo eu, possível sustentabilidade. Nos últimos anos têm sido registados sucessivos e trágicos eventos na Madeira os quais, certamente, têm como causas primeiras a ausência de compreensão da Natureza. O sentimento que tenho é que ela está a ajustar-se às agressões de que tem sido vítima. Sejam humildes, porque o  exercício da decisão política não pode ficar pela banalidade do "eu acho que...". 
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

JOGOS OLÍMPICOS: O IMPORTANTE É PARTICIPAR


Quando se anuncia a possibilidade de poderem vir a ser conquistadas seis medalhas nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (2106) devia também ser explicado como é que isso é possível. Como é possível, ao cabo de oito anos de profunda crise económica, financeira e social, poderem, eventualmente, ser conquistadas seis medalhas olímpicas. Como é que tal é possível quando em Londres (2012) foi obtida uma única medalha; em Pequim (2008) duas medalhas; em Atenas (2004) três medalhas; e em Sydney (2000) duas medalhas?


Telma Monteiro acabou por ganhar a medalha olímpica que, com toda a justiça, há muito, ambicionava. Parabéns. Devemos ficar felizes por ela.
- Não pelo País porque nos Jogos Olímpicos não participam países mas atletas. 
- Não pelo Governo na medida em que quanto menos o Governo se meter no Movimento Olímpico tanto melhor. 
- Não pelos treinadores que mais não fazem do que cumprir a sua profissão com brilho e proficiência. 
- Não pelos dirigentes que devem estar ao serviço dos atletas e não os atletas ao seu serviço. 
Devemos ficar felizes pelos resultados que, a título individual, os atletas obtêm nos Jogos Olímpicos porque eles representam uma extraordinária capacidade de superação, deles e das suas famílias. Por isso, a judoca brasileira Rafaela Silva dedicou a medalha de ouro conquistada, não a Temer o presidente do Brasil, não a Nuzman o presidente do Comité Olímpico Brasileiro, não ao Comité Olímpico Brasileiro ou até ao Brasil, mas “às crianças da Cidade de Deus”. Nem mais.
O desporto e o Olimpismo, como diria Marcelo, também devem ser envolvidos em afetividades. Por exemplo, a afetividade que levou o judoca português Sergiu Oleinic, antes de partir para o Rio de Janeiro, a afirmar querer conquistar uma medalha nos Jogos Olímpicos a fim de retribuir aos portugueses tudo o que recebeu desde que chegou da Moldávia, o seu país natal. Não conseguiu. Que importa? O desporto não se faz só de vitórias. Faz-se de sentimentos, de solidariedades e de boas intenções.
A este respeito, a comunicação social também informou que a judoca Joana Ramos saiu do “tatami” desfeita em lágrimas e disse: "Dei tudo para honrar o meu país". O que aconteceu foi que a Joana Ramos perdeu com a chinesa Yingnan Ma, 5ª do ranking e, mesmo assim, acabou por ficar num extraordinário nono lugar. Parabéns. Não tem de se lamentar nem de se desculpar. Perante ninguém e, muito menos, dos portugueses que só podem estar orgulhosos dela. Se assim o entender, como o fez a Rafaela Silva, até pode dedicar o seu extraordinário e honroso nono lugar a quem lhe seja mais querido. Afetividades.
Os atletas nos países democráticos não podem ser colocados numa situação de pressão psicológica tal que se consideram na obrigação de se desculpar quando os resultados desportivos não são os mais desejados. Não podemos aceitar a institucionalização de uma cultura desportiva idêntica à da Coreia do Norte em que o halterofilista Om Yun-Chol, por não ter ficado em primeiro lugar, apressou-se a pedir desculpas ao querido líder Kim Jong Un. Aceitar tal, é pôr de lado todos os valores morais que devem presidir ao Movimento Olímpico.
A Joana Ramos foi extraordinária e é assim que ela se deve sentir.
Por isso, receio que, a partir de um inapropriado “nacional olimpismo” cujo objetivo é transformar o desporto num “desígnio nacional”, se possam estar a fazer, mesmo que inconscientemente, autênticas “lavagens ao cérebro” aos atletas. Mas receio ainda mais que o Presidente da República, profundamente mal aconselhado, também esteja a contribuir para uma cultura coletiva de alienação pelo desporto nunca sequer vista ao tempo do antigo regime. 
Em matéria de desporto, não são admissíveis políticas públicas que:
- Coloquem os atletas, tal qual serviço militar, a competirem ao serviço da pátria.
- Conduzam os atletas a terem de demonstrar o seu patriotismo através da conquista de resultados desportivos.
- Cultivem rituais exorcistas que obrigam os atletas a, publicamente, penitenciarem-se pelos resultados desportivos menos conseguidos.
- Permitam a apropriação pelo Estado, ou por qualquer outro organismo público ou privado, dos resultados desportivos dos atletas.
- Promovam um histerismo patrioteiro coletivo, alienando os portugueses dos seus verdadeiros problemas, bem como dos do País.
- Desencadeiem uma inversão de valores relativamente àquilo que verdadeiramente é importante para os portugueses e o País.
Nos Jogos Olímpicos podem-se até ganhar muitas medalhas. Elas têm um extraordinário significado pessoal. Contudo, não é por isso que as políticas públicas deixam de estar profundamente erradas. E, entre nós, de há vários anos a esta parte, as políticas públicas em matéria de desporto estão profundamente erradas. Em termos potenciais, têm todos os ingredientes para que o desporto possa vir a causar graves problemas.
Mas o maior problema é que os dirigentes políticos, obcecados pelo imediatismo, estão profundamente enganados. Deviam começar por perceber que não têm de responder pelas medalhas olímpicas, têm é de responder pelas políticas públicas que, em matéria de desporto, são capazes de desencadear ao serviço da generalidade dos portugueses entre eles os que desejam evoluir na via do alto rendimento, desde que demonstrem condições para isso.
Este artigo do Professor Gustavo Pires
deveria ser lido por atletas, dirigentes, treinadores e jornalistas
Quando se anuncia a possibilidade de poderem vir a ser conquistadas seis medalhas nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (2106) devia também ser explicado como é que isso é possível. Como é possível, ao cabo de oito anos de profunda crise económica, financeira e social, poderem, eventualmente, ser conquistadas seis medalhas olímpicas. Como é que tal é possível quando em Londres (2012) foi obtida uma única medalha; em Pequim (2008) duas medalhas; em Atenas (2004) três medalhas; e em Sydney (2000) duas medalhas? 
A resposta é simples. Diversos estudos, produzidos por académicos e por centros de estudos de grandes empresas, concluíram que, em países pouco desenvolvidos ou numa profunda crise de desenvolvimento, é tão só necessário um pequeno incremento financeiro em determinadas modalidades do Programa Olímpico para que daí possam, com grande probabilidade, advir resultados nas competições internacionais. Em conformidade, sabendo-se que as verbas para o desporto têm vindo a diminuir, conclui-se que o financiamento do alto rendimento e da preparação olímpica foi reforçado à custa de verbas que, naturalmente, deviam ser aplicadas na promoção e generalização da prática desportiva. Acresce ainda que, num país com graves problemas no âmbito do desemprego jovem, infelizmente, a opção desportiva passou a apresentar-se como uma saída de vida para muitas vidas sem saída nenhuma à vista. E como a formação académica dos atletas é, em grande percentagem, de nível superior, a tarefa da preparação olímpica acaba por ficar facilitada. Porquê? Em termos de analogia, diremos que, tendo-se constatado que, nos cenários de guerra, quanto melhor era a formação académica dos soldados melhor eles suportavam as dificílimas condições de combate, assim também, nos cenários de alto rendimento desportivo, quanto mais elevada for a formação académica dos atletas, melhor eles suportam as cada vez mais exigentes condições das diversas variáveis do treino dirigido para o alto rendimento desportivo. Em conformidade, os resultados desportivos extraordinários conseguidos nos três últimos anos, se em termos individuais só podem ser objeto de admiração, em termos sociais devem ser observados tendo em atenção a conjugação virtuosa de um certo número de variáveis profundamente negativas. 
O que está a acontecer é que, à margem não só da Constituição da República Portuguesa como da própria Carta Olímpica, estão a ser aplicados recursos para o alto rendimento que, em termos de equidade social, deviam estar a ser aplicados na promoção da prática desportiva de base, sobretudo entre as populações com maiores carências. Segundo os últimos dados do “Eurobarometer”, 64% dos portugueses afirmam não ter qualquer prática desportiva ou simples atividade física o que significa uma das piores taxas da Europa. E este resultado, desde 2009, tem vindo a piorar. Em consequência, os dirigentes das Federações Desportivas, enquanto assistem impotentes, por um lado, à incrível longevidade de muitos atletas de alto rendimento e, por outro lado, ao definhar do número de praticantes das suas modalidades desportivas, ensaiam ultrapassar tal problema que hoje assume contornos no domínio da moral pública, com a obtenção de medalhas olímpicas que, ao “alegrarem o povo”, alimentam a comunicação social e acabam por mascar o problema. Infelizmente, hoje, o “espírito olímpico” está condicionado aos ditames da política e do dinheiro. Só vale quem rende lugares de pódio e o desespero da Joana Ramos representa bem o estado de espírito em que os atletas podem estar a ser colocados. Ora, o desporto não é isto. O desporto, na sua seriedade, deve ser um constante estado de alegria e não de angústias existenciais.
Por isso, seria bom que os dirigentes desportivos e políticos voltassem ao pensamento de Pierre de Coubertin que, nos tempos que correm, cada vez se revela mais atual. Dizia ele: "o importante na vida, não é o triunfo, mas o combate; o essencial não é ter vencido, mas ter bem combatido. Espalhar estes preceitos é preparar uma humanidade mais valente, mais forte, portanto, mais escrupulosa e mais generosa". Nesta perspetiva, não faz qualquer sentido que um atleta de gabarito, depois de ter participado num competição justa nobre e leal venha pedir desculpa a quem quer que seja por não ter atingido os resultados almejados.
Esta divisa ficou-se a dever a Ethelbert Talbot, bispo da Pensilvânia (EUA), que a proferiu num sermão dirigido aos atletas que participavam nos Jogos de Londres (1908). Disse ele: “o importante nos JO não é ganhar mas sim participar, tal como o essencial na vida não é conquistar mas lutar bem”. Coubertin referiu-se à metáfora do Bispo Talbot no discurso proferido a 24 de julho, aquando do banquete de encerramento dos JO de Londres (1908). 
E porque é que tanto o Bispo Talbot como Pierre de Coubertin fizeram tal proclamação?
Para explicar aos atletas ingleses e americanos que participavam nos Jogos Olímpicos de Londres (1908) que a luta chauvinista em que se envolveram nas competições desportivas, para além de não ter qualquer sentido, estava profundamente errada. 
Os Jogos Olímpicos são muito mais do que a vitória desportiva pelo que os atletas não têm de se sentir culpados quando, na ausência dos favores da deusa Nike, não conseguem a almejada vitória.
Nunca existirão vencedores sem que exista um espírito de participação que deve ser conseguido por meio de políticas públicas em que o alto rendimento, através do “efeito de ídolo”, esteja integrado na base do Sistema Desportivo.
Políticas públicas que permitem que os atletas sejam submetidos, por quem quer que seja, a autênticas “lavagens ao cérebro”, levando-os, na sua ingenuidade, a assumir responsabilidades que não lhes competem, mesmo que se ganhem muitas medalhas olímpicas, não são dignas de países democráticos. 
Gustavo Pires é professor catedrático da Faculdade de Motricidade Humana

terça-feira, 16 de agosto de 2016

RECONSTRUIR E DEVOLVER O VERDE DISTANTE DOS GRAVES ERROS DO PASSADO



Tenho uma enorme consideração pelas pessoas, enquadradas em associações ambientalistas, que através de uma saudável teimosia, voluntariamente, percorrem as serras da Madeira em limpeza e plantio de espécies autóctones. Lutam pela defesa de todos nós. Em um ápice, muito do seu trabalho, em algumas zonas, regressou ao zero. Um desespero!
Tal como é emocionalmente paralisante olhar para a paisagem, para a destruição e para as famílias que, sem meios, olham em redor e se questionam: porquê? E agora?
Respostas difíceis. O que sabemos é que depois da tragédia temos de recomeçar, pelas habitações danificadas, devolvendo o verde e a beleza da paisagem. Sem os graves erros do passado que tanto tem custado.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

CRISTO PEDE LIBERTAÇÃO, NÃO SUBJUGAÇÃO!


E tanto que havia para dizer, mas fez-se silêncio. Palavras de circunstância, tantas vezes repetidas que quase as adivinhamos. Segui a Homilia do Senhor Bispo do Funchal por ocasião da Missa a Nossa Senhora do Monte, Padroeira dos madeirenses. Uma palavra: desilusão. Uma Homilia sem força, sem emoção, sem coragem, cheia de lugares comuns, completamente alheia às circunstâncias do momento. 


Tornou-se moda trazer à colação o Papa Francisco, mas, pergunto, com que pertinência e com que efeito? O Senhor Bispo, mesmo não querendo comprometer-se com nada, até percebo, tinha o dever e obrigação de tocar nas feridas sociais que sangram, através da Palavra incisiva e coerente com a Igreja a que pertence. Não gosto que passem entre os pingos da chuva sem se molharem, ou entre as cinzas que caem sem se sujarem. Os madeirenses precisam de ouvir, interpretar e consciencializar-se que a Vida não é subjugação, que a Vida não é sofrimento permanente e que não se resolvem os problemas da Vida apenas com fé e caridade. Cristo, pelo que me transmitiram, não pede sofrimento, não pede obediência cega a governantes e não pede que se bata no peito para logo de seguida cometer erros que a todos afecta. Pede LIBERTAÇÃO. E isso, Senhor Bispo, não escutei. Infelizmente, apenas ficou o ritual. O que é muito pouco ou nada.

OBRIGADO CARLOS PEREIRA


Nota prévia: sou socialista e militante. Fui um participante activo, ao longo de muitos anos, até ao ponto de, livremente, assumir que tudo tem um tempo e que o meu deveria terminar. Hoje, sou um mero observador e amigo de muitos com quem tive o prazer de colaborar na defesa da carta de princípios pela qual sempre me regi. Este distanciamento permite-me, hoje, um olhar descomprometido, mais sereno e menos emotivo. E é por isso que escrevo.


Começo com três palavras: obrigado Carlos Pereira. Finalmente, o Partido Socialista, sob a sua égide, regressou aos seus bons e relevantes tempos idos. Por razões que me dispenso analisar, muito menos criticar, até porque também estive envolvido, o PS mergulhou em uma situação deveras preocupante. Perdeu credibilidade política, perdeu notoriedade social e perdeu eleitores. Por isso dirijo-me a si, Carlos: foi com o seu persistente trabalho, extremamente mobilizador de equipas, estrategicamente bem gizado em várias frentes, que penso ser claro que, no plano regional, com todo o respeito pelas outras forças, a política está bipolarizada. Está o PSD, por um lado e o PS pelo outro. As iniciativas políticas, no quadro de um sentido propositivo muito sério e obstinado, quer na República, quer na Região, disso dão conta. E o que me leva a escrever estas linhas é o facto de ter o sentimento que a população não vai perdoar qualquer desinteligência ou tentativa de desestabilização. A Madeira precisa de um poder alternativo regional politicamente forte, consistente, aberto à sociedade, propositivo, credível, respeitado e capaz de uma ruptura com o rotineiro pensamento dominante. Espero, perdoem-me a expressão, que cada "macaco fique no seu galho" e contribua para o sucesso colectivo. Eu diria que não faz qualquer sentido a existência de olhares enviesados, passos superiores à perna, declarações intempestivas ou campanhas silenciosamente pensadas e orquestradas. Sempre que isso aconteceu acabou por ser aniquilador da esperança.
Carlos Pereira, a quem se deve o facto de ter denunciado a "colossal" dívida da Madeira quando todo o poder a negava, e a quem se deve uma grande parte das propostas no âmbito da economia e das finanças, sectores de centralidade absoluta da Região, o político que ninguém ousa contestar os seus argumentos porque são fundamentados em estudos (vide o livro "A Herança"), tem, indiscutivelmente, a responsabilidade de apresentar, em 2019, um programa que rompa, nesse ano, com 43 anos consecutivos de uma política que conduziu a Madeira a uma dupla e severa austeridade por dívidas absolutamente tresloucadas, ao desemprego e à pobreza. Finalmente, há por aí gente preocupada com a sua acção, inclusive na comunicação social. Há que surfar os interesses instalados  porque a qualidade acabará sempre por vencer.
Ilustração: Google  Imagens.

domingo, 14 de agosto de 2016

DUAS NOTÍCIAS RELEVANTES: O COMBATE A INCÊNDIOS COM MEIOS AÉREOS E A NÃO COBRANÇA DE ÁGUA NAS ZONAS AFECTADAS


Uma pela sua importância e outra, mais simbólica, no quadro da sensibilidade social. Felicito o Deputado Carlos Pereira (PS) pela iniciativa de levar o governo da República a testar os meios aéreos no combate aos incêndios na Região Autónoma da Madeira. De facto, perante tantos relatórios e tantas posições avulsas e contraditórias, não há como passar à prática. Pedir mais um estudo como sublinhou o Presidente do Governo, Dr. Miguel Albuquerque, constitui pura perda de tempo. Os madeirenses estão fartos que se "empurrem os problemas com a barriga". Importante é, de uma vez por todas, determinar, com rigor científico teórico e experiências no plano prático muito específicas em função do terreno. Dizem os socialistas e bem: "(...) Devem ser efetuados testes com meios aéreos em diferentes contextos (na floresta, nas zonas montanhosas, nas zonas urbanas, em vales) e em diferentes condições meteorológicas (bom e mau tempo) (...)".


As terríveis imagens que tenho acompanhado no que concerne à nossa riqueza florestal, as comoventes caras de desespero de tantas pessoas que perderam tudo ou quase tudo, os relatos, o trabalho incansável dos bombeiros (reconhecido pelo povo), tudo o que todos temos visto determinam um basta a mais estudos e relatórios. 
Por outro lado, quase simbolicamente, a Câmara do Funchal, depois de um trabalho globalmente bem estruturado e determinado, decidiu e muito bem, proceder ao não agravamento das famílias pelos consumos excessivos de água. É capaz de ter algum significado nas receitas, porque a Câmara tem de pagar a água que distribui, mas constitui um acto de bom senso e de respeito pelas pessoas. Elas que foram, também, os grandes combatentes aos fogos que assolaram o Funchal. No meio da desgraça há notícias que são relevantes.
Relevante, não é, com toda a certeza, destacar uma secretária regional porque tratou do realojamento de alguns afectados pela tragédia. Era o que faltava não o fazer.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 13 de agosto de 2016

A MENTIRA AO SERVIÇO DA CONQUISTA DE VOTOS


Li em uma postagem no fb que o Deputado centrista João Almeida tinha dito, no "Prós e Contras" da RTP1, em 2013, que "(...) Os eleitores obrigam-nos a mentir" (...) e que "sem mentir não se ganham eleições". Desconhecia esta declaração. Não me interessa quando foi dita. Trata-se, do ponto de vista político, de uma declaração intemporal. Dessa postagem resultaram vários comentários, um deles, o de Fernando Valente, que assumiu: "Fica a dúvida se merece um prémio pela honestidade em admitir que é mentiroso, ou pela confissão de que é muito estúpido...." O exercício da política assenta em figuras que, de quando em vez, juntam à partidarite aguda, declarações que chocam e que fazem os eleitores se afastarem ou olharem de forma enviesada para os políticos. Com que então... os eleitores é que levam os políticos a mentir! Espantoso. João Almeida, porque admitiu mentir para ganhar uns votos, deveria ter retirado as suas consequências políticas. Mas, não, continua a pavonear-se.


De facto, falta-nos referências políticas em quem possamos acreditar. Figuras que corrijam os imberbes e imbecis de que a política esta infestada. Faltam-nos pessoas sensatas que saibam interpretar a beleza e a importância do exercício da política. De forma séria e honesta. Há muito que mentir se tornou uma arma de conquista de votos. Sempre foi assim, é verdade, hoje, porém, às escâncaras, o que se torna manifestamente ofensivo. Dizer hoje uma coisa e amanhã outra é um jogo, onde apenas muda a forma e o tom da comunicação. Eu diria que a mentira é mais refinada ao assumir contornos de especialidade meticulosamente estudada. A mentira passou a fazer parte da agenda política mediática. Mente-se dizendo "eu nunca disse", "interpretaram-me  mal", "foi retirado do contexto". João Almeida é capaz de dizer o mesmo.
Escreveu, em 2015, nas páginas do Público, o falecido Sociólogo Paquete de Oliveira: "(...) Ora, na óbvia correlação existente entre a agenda política e a agenda mediática, este clima de desconfiança transbordou para fora das paredes da AR. Não é que este sentimento não seja já uma das “pragas” que corroem a credibilidade da vida política. Todavia, na execução do papel institucional que a si própria a comunicação social atribui de permanente vigilante da actividade pública na defesa da democracia, a sua conduta não deve ser apenas a de emprestar os seus «megafones» para dar eco às lutas partidárias. Registando-as, tem o dever de as desconstruir. O jornalismo tem de ser uma prática sobre a veracidade dos factos e das afirmações (...)". Infelizmente, em muitos casos, não é. Também aí, subsiste o jogo dos interesses.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

FALTA-NOS UM PLANO REGIONAL CONTRA A INCÚRIA


O Senhor Presidente da República falou de uma efectiva política de "reordenamento do território". Tocou no centro do alvo. Trata-se de um velho e óbvio problema. Uma luta de muitos anos, porém, sempre negligenciada pelos poderes autárquico e regional. Que o digam os especialistas cujas sistemáticas chamadas de atenção, baseadas em quadros de investigação científica e do que a própria História das tragédias foi transmitindo. Esses tiveram como troco a sistemática ofensa pública, o menosprezo e a secundarização. Infelizmente. Portanto, para além dos incendiários de facto que, espero, a Justiça seja implacável, outros há de fato e de colarinho de uma alvura que cega. São os "incendiários" indirectos que continuam impunes junto dos eleitores. Todos quantos não respeitaram os planos directores municipais, todos os que fizeram vista grossa às construções de natureza espontânea e que até, posteriormente, as homologaram, todos os que permitiram que só depois do casario chegasse a estrada e restantes infraestruturas, todos quantos negligenciaram os postos de observação constante, sobretudo nos períodos mais sensíveis, todos os que permitiram que incendiários reincidentes continuassem em rédia solta nos períodos críticos, enfim, todos quantos permitiram tudo isto há muito que são co-responsáveis. Ordenar o território, impondo as regras, fazendo-as respeitar e defender, fiscalizando e punindo quem não limpa os espaços baldios, pode custar votos, mas salvam-se vidas e criam-se as condições de bem-estar e gera-se economia. A via seguida tem sido a "via rápida" para o desastre. Há muito que assim é.


Efectivamente tivemos aquilo que se designa por "tempestade perfeita": temperatura alta, humidade muito baixa, presumíveis incendiários e poucos efectivos para tantos focos de incêndio em simultâneo. A situação, porém, tornou-se gravíssima porque outros factores ficaram associados. Não é necessário subir às zonas mais altas do Funchal, hoje transformado em um labirinto de difícil solução. Um exemplo, talvez o que esteja mais frente aos nossos olhos e que testemunha a incúria: a zona do Lido. Lembram-se do político com responsabilidades governativas que disse, depois de muita pressão política, que se havia uma zona a sacrificar, essa seria a do Lido? Como se todo aquele importante espaço não pudesse ter sido devidamente ordenado ao invés da densidade construtiva que apresenta. E de quem é a responsabilidade do novo e desmesurado Savoy? E quem permitiu, por desleixo e abandono de anos que a zona antiga de Santa Maria seja um autêntico "barril de pólvora"? E quem foram os responsáveis por centenas de funchalenses viverem no Funchal e disporem, por exagero da minha parte, de meia-hora de beco para chegarem a casa? Tem razão o Presidente da República, falta-nos uma política de (re)ordenamento do território. Há quantos anos disso os especialistas falam! E não foi por ausência de instrumentos de planeamento. Desde o Arquitecto Rafael Botelho, hoje com 93 anos, aquele que foi o líder do primeiro plano director da cidade do Funchal. O seu projecto foi literalmente atraiçoado. Hoje existem, entre outros, o POTRAM (Plano de Ordenamento do Território da Região A. da Madeira), e os PDM's (Planos Directores Municipais), porém são instrumentos que jazem em muitas gavetas políticas. Apenas um plano nos falta: um plano regional CONTRA A INCÚRIA. 
Não basta organizar a festa da flor como símbolo de uma terra verde, apetecível, ordenada, cuidada e superiormente respeitada nos princípios e valores propalados da garganta para fora. Há 23 anos, era o actual presidente do governo, presidente da Câmara do Funchal. O seu slogan político da campanha que integrou, foi o "Funchal de alto a baixo". Continuo a defender que começou por baixo, pelo postal turístico, e não passou da cota 40. A norte, leste e oeste o desordenamento, pelo contrário, acentuou-se. E tanto que se falou de um plano integrado de requalificação das zonas sobranceiras ao Funchal. E tanto que foi defendido na manutenção de uma consistente cortina verde. E tanto que foi defendido em não permitir a ocupação de espaços impróprios para uma vida com dignidade e segurança. Mesmo que esse fosse um trabalho para trinta, quarenta anos...   
Neste momento de catástrofe, eu diria, anunciada, há que fazer das fraquezas as forças necessárias para um novo tempo. Há que aproveitar as grandes debilidades para tornar a situação vigente em oportunidades com futuro. Há que retirar leituras sobre as raízes criadas durante quarenta anos que conduziram às consequências que milhares de pessoas vivem neste momento. Porque as altas temperaturas, a baixa humidade, o vento e os incendiários não justificam tudo. Há que partir para a requalificação. Este é o meu ponto de vista, embora não sendo especialista, mas com a vivência de doze anos na vereação (sem pelouro) na Câmara do Funchal.
Como nota final, sinto-me indignado por ter assistido, durante vários dias, a uma vergonhosa competição do presidente do governo e de uma secretária com o presidente da Câmara Municipal do Funchal. Para quê e com que sentido? A brincadeira política no meio da desgraça vai sair muito cara a Miguel Albuquerque. Os madeirenses em geral e os funchalenses em particular não são cegos, estúpidos e insensíveis. Sinceramente, por uma questão de honestidade política, deviam demitir-se. Porque ninguém tem o direito de ser displicente e oportunista com o povo. 
Ilustração: Google imagens.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

NÃO ESPERO POR UMA SOLIDARIEDADE NACIONAL. ESPERO, SIM, PELO DEVER NACIONAL DE RECONSTRUÇÃO


Não o faço por amizade pessoal, tampouco por convicções partidárias. Sempre fui assim, mas agora cada vez mais prezo a minha independência de pensamento. A situação de pânico e de profunda angústia parece-me que está atenuada. Subsiste, agora, a dor da morte, a ansiedade pelo futuro próximo, o sufoco pela perda de bens, o desânimo face a uma paisagem verde que se tornou cinzenta. Começa a ficar como grande preocupação os milhões necessários à reconstrução. Se o coberto vegetal levará anos, muitos anos, já reconstrução dos edifícios espero que não fique embrulhada na burocracia. Daí que não espere pela solidariedade nacional, mas pelo DEVER nacional, porque esta é uma parcela do território português. Há fogos por todo o lado, é verdade, só que a Madeira é um território descontínuo, pobre, socialmente assimétrico e dependente da indústria do turismo. Não ter em consideração estes factores, entre outros, será muito grave para os madeirenses. Aguardemos pelos próximos dias. 


Regresso ao início deste texto. Quero referir-me ao Presidente da Câmara, Dr. Paulo Cafôfo. Tenho acompanhado, à distância, a sua postura. Deu o primeiro sinal na solicitação de reforços externos no combate aos vários incêndios, activou o Plano Municipal de Emergência da Cidade do Funchal, percorreu o Funchal de alto a baixo, confortou pessoas, fez os balanços estritamente necessários e apontou uma estimativa (provisória) das necessidades financeiras, mesmo antes do Primeiro-Ministro chegar ao Funchal. Fê-lo de forma operacional nos sítios certos e com as palavras certas. Do meu ponto de vista esteve muito bem. Oxalá aquele longo abraço ao Presidente da República surta o efeito desejado, porque junto ao ouvido do Presidente alguma coisa deve ter sido transmitido. Parabéns.
Ilustração: Google Imagens/SIC/João Homem Gouveia.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

LAMENTÁVEL: A SITUAÇÃO É "COMPLICADA MAS NÃO CATASTRÓFICA"


Detesto, em todas as circunstâncias, mais ainda aquando dos momentos de desgraça, ter a sensação da existência de gente que tenta colocar-se em bicos de pés. As pessoas não são estúpidas e apreciam, estou disso convencido, muito mais o trabalho com discrição, em detrimento de mesas, com algumas jarrinhas, onde transmitem o óbvio e o já conhecido. Estar junto das pessoas, confortando-as e vinculando-se às soluções, vale muito mais do que o blá, blá que não adianta nem atrasa. Confesso, também, que não aprecio quando a tragédia bate à porta, que uma certa arrogância, que é histórica entre nós, leve alguns a pensarem e dizerem que somos auto-suficientes e que está tudo sob controlo. No caso presente, esta tragédia na Madeira nunca esteve, pela existência de diversos focos, pelas péssimas condições atmosféricas, pelo cansaço dos bombeiros, pelo número de profissionais disponíveis e pelo desespero das pessoas. Não me parece aceitável que se declare, para justificar, em um primeiro momento, a dispensa de colaborações externas, que a situação é "complicada mas não catastrófica". Esteve bem o Presidente da Câmara que viu o que outros demoraram a perceber. Que sirva de exemplo!

Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

JOÃO RODRIGUES - 28 ANOS AO MAIS ALTO NÍVEL QUANDO O TREINO É "DOR, SOFRIMENTO E AGONIA"


Hoje é dia de estreia na VII olimpíada de João Rodrigues. É capaz de passar despercebido aos menos familiarizados com o alto rendimento desportivo, o que significam 28 anos ao mais alto nível. Passar por uma qualificação olímpica constitui um feito extraordinário, mas repeti-lo sete vezes entre os melhores do Mundo é coisa que não está ao alcance de qualquer praticante, seja qual for a modalidade. Basta dizer que João Rodrigues fez a sua primeira olimpíada quando não tinham ainda nascido alguns dos que hoje vão competir ao seu lado. Penso que por aí está tudo dito. Depois, passar os olhos pelo seu vastíssimo currículo desportivo (endereço no final deste texto) é de ficar completamente rendido ao seu valor, onde abundam mais de uma centena de internacionalizações, mais de 50 medalhas internacionais e títulos de campeão do Mundo e da Europa. Fantástico.


O treino "é dor, sofrimento e agonia", li, salvo erro, em Peter Daland (treinador de natação/USA) e só quem por ele passa ou acompanha fica com essa noção da angustiante pressão e do esgotamento diário. No alto rendimento não se pode deixar para amanhã, pelo que as opções são muito claras entre o divertimento e o compromisso com o resultado. João Rodrigues, "Vagabundo dos Mares" como escreveu em livro, é um exemplo pouco aproveitado junto dos jovens. Tenho pena. Ele que encontrou tempo, no tempo certo, para se Licenciar em Engenharia Mecânica e terminar a sua carreira desportiva, aos 44 anos, na olimpíada do Rio.
Uns marcam golos e fazem fortunas quase incalculáveis, são endeusados e deixam para a posteridade o seu nome registado em tanto lugar; outros, os que não dependem do colectivo, que lutam sós, que pedem apoios para se manterem no topo da competição desportiva mundial, apenas lhes dão um valor qb. Está tudo dito quando o nosso país atribui, apenas, € 25.000,00 por uma medalha de ouro! Esta é a realidade. Tenho pena que assim seja.
Nutro pelo João Rodrigues uma enorme simpatia e admiração. É um exemplo. Não há declaração sua que não seja acompanhada de uma contagiante gargalhada que muito diz da sua estrutura enquanto Homem. Escreveu Pierre de Coubertin: "Ó Desporto, tu és a alegria! Ao teu chamamento o corpo alegra-se, os olhos sorriem e o sangue circula. (...)". João Rodrigues interpreta e bem aquela frase da Ode ao Desporto de Coubertin.
João, felicidades para as competições que hoje se iniciam. Divirta-se e não pense em medalhas. Pense que cumpriu o ideal olímpico.
Currículo de João Rodrigues AQUI.

domingo, 7 de agosto de 2016

O BEM E O MAL ENTRE AS PERNAS


Caríssimo, permita-me que o trate por Amigo. Eu sei, não temos uma relação frequente, mas conhecemo-nos. Só hoje soube, através do seu singular artigo, da situação que viveu e vive, também com uma extraordinária e singular atitude positiva. O seu artigo devia de ser de leitura obrigatória para todos os jovens. Devia ser esmiuçado no que às vicissitudes da Vida diz respeito. O seu artigo tem pinceladas de sofrimento consentido, de humor dentro da tristeza, de político sem o ser e de sincero amor pelos outros quando se refere a todos quantos nos ajudam em determinados momentos de angústia. A sua grandeza foi-me contagiante, tocou-me e, certamente, tocou a muitos que o leram. É um hino à Vida quando só vivemos uma vez. Parabéns pelo testemunho na primeira pessoa. Obrigado, Amigo.


"Antes de mais nada, peço que não vejam mal nenhum no título desta crónica. E, lendo-a até ao fim, chegarão à conclusão que o mal só poderá estar nalguma interpretação intempestiva.
A última vez que aqui deixei um escrito foi a 16 de agosto do ano passado. Dei-lhe o título de “Governantes corruptos” (onde é que eu tinha a cabeça?!...). Hoje podem ficar quietos. Mas governem bem!
Um ano de ausência por doença grave que levou à amputação do pé e de parte da perna esquerda, abaixo do joelho, devido a problemas de circulação, na sequência de diabetes em mais de vinte anos. Devem imaginar o que senti e o que ainda sinto. Parecia o fim do mundo. Mas não foi. Tantos meses de internamento, três operações cirúrgicas no pé e mais uma final na perna. Bactérias e vírus q.b.. Mas não foi o fim do mundo. Foi menos de meia perna. E é aqui que entram as pernas.
Aterrorizado com a ideia de que poderia estar sujeito a amputação (o que veio a acontecer), muito mal me sentia quando havia a iminência de isso suceder a companheiros de enfermaria, como infelizmente se verificou, antes e depois de mim. E claro que isso vai continuar a acontecer.
Será inevitável.
Agora, o que parece evitável é que haja tantas amputações na Madeira. Como um dia ouvi dizer uma muito conhecida profissional da medicina alternativa, “o hospital da Madeira parece um lugar de canibais”. Com certeza não se referia aos médicos, mas à praga das amputações ali operadas. Por isso, torna-se imperioso e urgente que se criem as condições mínimas para reverter a situação. Desde logo limpar o Hospital - uma imundície tremenda, onde é mais fácil adquirir bacilos, vibriões, cocos, bactérias, sépsis do que medicamentos e outro material elementar a um estabelecimento onde se pretender tratar de doentes; construir outro hospital à velocidade dum TGV e não dum “Comboio do Monte”; dotar toda a rede de pessoal médico e de enfermagem suficientes aos doentes acamados ou ambulantes.
Aspecto extremamente positivo foi o de ter constatado a entrega e a competência dos médicos com quem contactei durante e pos-internamento. Uma equipa de valor donde ouso destacar o Dr. Pinto da Cruz que não conhecia antes, mas que teve uma atenção tal que levou a que alguém o referisse como sendo um amigo meu. E foi.
Mas de igual valia foi toda a equipa de enfermagem do 2.º andar, lado poente, onde a Enfermeira-chefe Dalila, exigente consigo própria, atenciosa, muito interveniente, exige aos enfermeiros e às enfermeiras prestações, que são conseguidas, lutando todos contra as adversidades que por ali proliferam.
Bem hajam também todos os outros profissionais que dia a dia ajudaram a tornar o ambiente um pouco mais familiar.
Portanto, apesar de ter sido acometido por uma “hospitalite aguda”, por tantos meses lá passados, com fases de muito sucesso no percurso, resultante da competência referida, embora com desfecho negativo, muito derivado à sujidade hospitalar (estou convencido disso), a verdade é que houve aspectos muito positivos, passando pelas visitas e telefonemas dos amigos que fizeram o favor de me dar atenção.
Não podia esquecer a mesma forma profissional como estou a ser tratado na Fisiatria do Hospital Dr. Nélio Mendonça, onde encontro três vezes por semana o sorriso e o profissionalismo da Terapeuta Mariana, na reabilitação que me há de levar ao uso duma prótese.
Mais perna, menos perna, aqui estou a dar uma perninha com os escritos que o Diário me deixa publicar e os leitores me incentivam a aqui estar. Estas forças dão-me pernas para andar, faço-o até com uma perna às costas e, mesmo que alguém me queira cortar as pernas, hão de ter-me sempre à perna. É uma questão de pernas".
NOTA
Artigo publicado na edição de ontem do DN-Madeira.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 6 de agosto de 2016

PASSADIÇOS DO PAIVA. A NATUREZA EM ESTADO PURO


Situam-se no concelho de Arouca, na margem esquerda do rio Paiva. Entre as praias fluviais de Areinho e de Espiunca. Entre as duas a do Vau. Percorrer os Passadiços é ter a possibilidade de mergulhar na pureza e no deslumbramento da natureza em estado puro. O grau de dificuldade é alto sobretudo para quem inicia o percurso em Espiunca. Quem começa por Areinho, sobe cerca de 400 metros de degraus e, depois, enfrenta um percurso umas vezes plano, outras a descer. A viatura pode ser deixada na praia de Areinho. No final, em Espiunca, pode-se apanhar um táxi de regresso a Areinho (€ 15,00). 
Partilho, aqui, algumas imagens. Clique na imagem para ampliá-la.


sexta-feira, 5 de agosto de 2016

UMA ESCOLA COM 2.400 ALUNOS NÃO É UMA ESCOLA


Ontem cruzei-me com um distinto Colega, o João, com quem, demoradamente, conversei sobre a Educação e o Sistema Educativo. Ali ficámos no meio de um largo corredor de uma enorme superfície comercial. Identifico-me, totalmente, com a sua visão do sistema. O sentido da mudança que obriga a repensar o caminho, essa predisposição para colocar tudo em causa através de múltiplas interrogações, com o desejo de partir, trilhando, aliás, caminhos já conhecidos e experimentados, concluímos, estar muito distante. Falta sabedoria e, sobretudo, coragem. A manutenção das rotinas, mesmo que os resultados os angustie, parece-lhes ser muito mais confortável que a ruptura. De regresso, fiquei a pensar na nossa inesperada mas saborosa conversa. Porque a Educação foi, para mim, e ainda para ele é, uma paixão que ultrapassa o domínio profissional.  


Ora bem, um estabelecimento de ensino com 2.400 alunos não é uma escola, talvez seja um supermercado que vende disciplinas. Um corrupio de entra e sai, de sala para sala, de corredor em corredor, tal como em uma qualquer superfície comercial onde passamos e vamos retirando produtos para o carrinho. Um estabelecimento de ensino não deve ser comparável a uma empresa que tenta satisfazer os clientes. Tampouco deve funcionar em uma perspectiva de escala, isto é, um estabelecimento de 2.400 alunos sai mais barato que dispor de quatro escolas de seiscentos alunos. O barato sai muito caro. Tem saído muito caro. Uma escola que "vende" disciplinas com o prazo de validade de um ano, obviamente, que não cumpre o seu desígnio de vida, aprendizagem, vivência e convivência. Se, na superfície comercial poucos se conhecem, cada um vai à sua vida, desejando, rapidamente, passar pela caixa, a escola, pelo contrário, deve constituir um lugar de permanente desejo, de comunicação e pensamento crítico. Quando ele não existe, não é escola. Não entender isto, não perceber que esse desejo de "aprender, desaprender e voltar a aprender" implica um sistema organizacional diferente e adequado ao mundo que tais "clientes" vivem, conduz ao sentimento de vazio por parte de toda a comunidade que configura a escola. Confrontamo-nos, assim, genericamente, com professores que resolvem o seu problema, cumprindo os programas e toda a parafernália burocrática, mais ainda, conforme as turmas que lhes caem em sorte, satisfeitos com os "vintes" atingidos ou com o desastre dos "chumbos" que necessitam de uma burocrática explicação; e alunos mais receptores que actores do conhecimento, que repetem o manual sem interrogações básicas: para que serve isto? Que ligação é que isto tem com a complexidade da vida? Qual a relação de umas "disciplinas" com as outras?
Tenho o maior respeito por quem dirige uma escola sobredimensionada e nutro consideração por todos quantos desempenham a sua função docente. Eles são o elo mais fraco, embora deles dependa o desejo e pressão no sentido da mudança. O mesmo não digo relativamente a um governo que permite uma situação destas, um governo que prefere colocar antes do conhecimento os aspectos economicistas. Como se a escola fosse uma empresa, como se o grande fosse belo e onde os alunos são meros "clientes" de um supermercado de disciplinas. Cada uma delas sem contra-indicações e com um extenso descritivo de teóricas aplicações. Teóricas aplicações, repito. Isto, quando até as grandes empresas comerciais se subdividem em unidades funcionais, embora pertencentes ao mesmo grupo. Será difícil compreender isto, senhor presidente do governo regional da Madeira? E se não é difícil, por que permite?
Amigo João, está quase tudo por fazer. E ainda te faltam tantos anos para saíres da enervante rotina. Como te disse na despedida, tens pela frente uma "pena máxima". Tiveste, agora, porque é Verão, uma "licença precária". Também passei por elas... Um abraço, João. Foi muito bom termos desabafado.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

A HIPOCRISIA DO PSD DO DR. MIGUEL ALBUQUERQUE


Li o comunicado do PSD-M sobre a eventualidade do IMI ser agravado. Aspecto, aliás, que não está, ainda, totalmente esclarecido. "1- O PSD/Madeira está frontalmente contra o aumento de impostos, agora decretado pelo Governo da República Socialista e apoiado pelo Bloco de Esquerda e pelo Partido Comunista, no que se refere, nomeadamente, ao IMI". Ora bem, está contra e se tal vier a acontecer, eu também estou contra. Sobre essa matéria já me pronunciei. Porém, o problema não é esse. O problema é determinar onde estava, que pensamento transportava e que posições o Dr. Miguel Albuquerque assumiu, quando o governo liderado pelo Dr. Passos Coelho carregou sobre os portugueses em geral e sobre os madeirenses em particular. À conta de uma dívida gerada pelos sucessivos governos do partido do Dr. Miguel Albuquerque, sofremos e continuamos em uma dupla e penosa austeridade. Portanto, entendo que estamos face a uma hipocrisia política em estado puro. E o exercício da política deve ter outros contornos.


E, sendo assim, deixemos o IMI para trás, até que a verdade seja esmiuçada e fixemo-nos na enorme carga fiscal que recai sobre os madeirenses e portosantenses, comparativamente ao que se passa na Região Autónoma dos Açores. Conhece o Dr. Miguel Albuquerque, entre outras, as tabelas lá fixadas em matéria de IRS, IVA, combustíveis em geral, apoio social aos mais vulneráveis, transportes, enfim, trata-se de uma enorme hipocrisia política aproveitar o IMI para um ataque. Até porque não é ainda conhecida, com exactidão, as consequências desta proposta. O governo da República pode, ainda, permitir que o Decreto-Lei passe pelo Parlamento. Há uma proposta nesse sentido do próprio PSD. Pessoalmente, entendo até por sensatez, embora não obrigatória, uma discussão em sede de Assembleia. Portanto, calma, Senhor Presidente, porque em matéria de impostos ou de desagravamento regional dos mesmos, permitido pelo Estatuto (e não só), o PSD-M tem um extenso telhado de vidro. 
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

IMI O IMPOSTO INÍQUO


O indesejável IMI está de volta. Considero-o um imposto revoltante sobretudo pelos valores que, muitas vezes, estão em causa. E não são mais significativos esses valores porque as câmaras municipais têm tido o bom senso de desagravá-lo, tendencialmente, para o limite inferior no intervalo das taxas. Com muito boa vontade, admito uma contribuição anual para que as autarquias funcionem e respondam a algumas necessidades, mas nunca segundo critérios que se tornem absolutamente "pornográficos". Tendo em conta o que alguns especialistas têm vindo a comentar, não me parece que boas notícias venham a caminho. 


O IMI veio substituir, em Dezembro de 2003, a contribuição autárquica. A designação mudou, mas o objectivo essencial continuou a ser o mesmo, isto é, a tributação sobre o valor patrimonial dos imóveis. 
Por um lado, pergunto, porquê pagar este imposto, quando o direito à habitação é constitucional? Por outro, porquê pagá-lo se os solos foram adquiridos, pagos e taxados e quando, desde os materiais de construção à mão-de-obra de construção dos imóveis, constituíram um significativo encargo para quem construiu? Mais, ainda, quando milhares de famílias têm em curso um pesado encargo com as responsabilidades do crédito à habitação? Quando a manutenção do imóvel tem custos anuais para as famílias e para todos os outros proprietários que, eventualmente, os alugam? Quanto tudo isto custa somando aos vários encargos de segurança e protecção do bem? E o que é que as autarquias oferecem em troca deste imposto? Nada, rigorosamente nada, no que aos edifícios diz respeito.
Escutei que a exposição solar pode, alegadamente, constituir um factor penalizador. Não quero acreditar. Então, para que serviram os investimentos nas energias limpas? O próprio governo e bem, em 2006/2007, não me recordo, incentivou e pagou uma parte dos encargos com a instalação de colectores de energia solar. Pergunta-se, agora, para que serviu?
Finalmente, pasmo, quando algumas figuras da actual oposição vêm falar, de boca cheia, deste imposto quando nada fizeram para, na anterior legislatura, corrigirem aquela frase que ficou conhecida por "enorme carga fiscal". Por favor, não sejam ridículos! 
Fico por aqui.
Ilustração: Google Imagens.

TRÂNSITO - VIAS RÁPIDAS QUE SE TORNAM VIAS DE MORTE


Há muito que pretendo, porque é preocupante, escrever qualquer coisita sobre os acidentes de viação nas estradas da Madeira. É rara a semana que todos nós não sejamos confrontados com acidentes, alguns muito graves. Não sei se estou certo, mas tenho para mim, pelo que leio, que há dois factores centrais nos acidentes: álcool e velocidade excessiva. Estas vias, ditas rápidas, estão a tornar-se vias de morte. Excluindo a condução sob o efeito do álcool (entre outras substâncias proibidas e perigosas) assisto, diariamente, a velocidades inadequadas para as estradas da Madeira, mesmo aquelas de sentido único e com duas faixas. Acresce, ainda, o facto de muitos conduzirem em contínua pressão sobre o veículo da frente. Três, quatro metros, enfim, o suficiente para que uma travagem leve a um choque em cadeia. 


E não é por falta de chamadas de atenção, mormente por parte da polícia, ou por deficiente aprendizagem nas escolas de condução, é, claramente, por uma deficiente e estúpida cultura de uma pressa sem sentido que conduz a tanto acidente e, algumas vezes, à morte de alguns.
Conheço relativamente bem a Noruega (apenas um exemplo) que, apesar de ser um país rico, tem menos quilómetros de vias rápidas que a Madeira. Dalen é uma cidade entre Oslo e de Bergen. Saí de Dalen convencido que faria os cerca de 220 km até Oslo em pouco mais de duas horas. Conduzindo com serenidade. Levei mais de quatro horas. A Bergen, cerca de 340 km, dificilmente se faz em menos de seis horas e meia. A velocidade varia entre os 50 e os 70 km. Respeitam a velocidade e as distâncias entre veículos. Dir-se-á que se trata de uma cultura de respeito, totalmente diferente da nossa. Seguem a sabedoria popular: vou devagar porque tenho pressa!
Uma sugestão: no mínimo, por que não marcam no solo, como se vê em tantas vias, os indicadores que indicam a necessária separação entre veículos?
Ilustração: Google Imagens.