quinta-feira, 2 de novembro de 2017

A MOÇÃO DE CENSURA FACE A UM SISTEMA CRIANÇOLA


Não há emenda. Fez-me lembrar aquele miúdo que, na base de uma exaustiva repetição, aprendeu a tocar qualquer coisita e, sempre que tem uma oportunidade, toca o mesmo incessantemente. Há que anos é assim! A Moção de Censura colocou as cartas na mesa sobre os grandes dossiês políticos da Região, mas o "chefe das angústias", logo no primeiro momento, virou a agulha, para uma hipotética crise interna no PS-Madeira. Logo depois, obviamente, chutou para Lisboa. Como se o conteúdo da Moção apresentada pelo PS alguma coisa tivesse a ver com a vida interna do partido que submeteu à Assembleia a dita Moção. Não tem nada a ver, como não tem com as dissonâncias que atravessam o próprio partido que suporta o governo. Basta ler os artigos de opinião. Os problemas de uns e de outros, que não são exclusivos dos dois partidos, aos seus órgãos internos dizem respeito, órgãos democraticamente eleitos, pelo que não devem servir de mote para esgrimir argumentos de governação política.


Mas sempre foi assim naquela Assembleia. Quando o peso dos argumentos são devastadores, a maioria prefere desconversar, assobiar para o lado, encher uma mão de pedras e atirá-las, uma a uma, com se os seus telhados fossem à prova de qualquer tempestade. O caso interno do PS é, apenas, a de uns militantes, ao contrário de outros, considerarem que seria melhor manter a tranquilidade do rumo que, em dois anos, segundo uma sondagem, conduziu a que o PSD possa vir a perder a maioria absoluta. Porém, trata-se de um candidatura, legítima e democrática. Tal como foi, há pouco mais de dois anos, não dois, mas seis os candidatos à liderança do PSD. Desviar as atenções para aspectos de secundária importância, faz parte de um sistema criançola face à idade madura da democracia e do próprio funcionamento do parlamento. 
Segui as intervenções iniciais do Deputado Carlos Pereira (PS) e a do Dr. Miguel Albuquerque. Carlos Pereira apresentou as razões da Moção de Censura; Miguel Albuquerque, preferiu falar do PS Madeira e do governo da República. Agarrado à metralhadora, de olhos fechados para o seu próprio passado de autarca, disparou incessantemente. Durante anos constituiu uma estratégia que rendeu votos. Hoje, o povo, experiente, ouve e é capaz de dizer: sei bem o que tu queres! Já não vai naquela espécie de rufar de bombos de um qualquer rancho que atravessa a povoação, neste caso para tentar abafar os verdadeiros problemas políticos, que estavam e estão em causa. Uma tecla velhinha, hoje, de insucesso garantido. As sondagens, apesar de serem meros indicadores, dão conta disso. 
Às questões políticas constantes de uma Moção, quem governa deve responder com argumentos e justificações políticas consistentes. Nunca com conversa fiada ou meias verdades. Tratava-se de uma Moção de Censura política, não para derrube do governo, porque o PSD está em maioria, mas para confrontar os governantes sobre inúmeras situações negativas que têm sido do domínio público, trazidas ao conhecimento pelos órgãos de comunicação social, e que, aliás, terão justificado as várias substituições no elenco que governa. 
Escutei as duas primeiras intervenções, portanto, dadas as palavras do presidente do governo, desliguei e fui à minha vida. Não é esta política de trazer por casa que me interessa. Aprecio o debate "limpinho" e o contraditório com alma. Desconversa, NÃO.
Ilustração: Google Imagens. JM/Joana Sousa.

NOTA

A abstenção do Grupo Parlamentar do CDS/PP não é estranha. O que é estranho é tentar demonstrar que os seus caminhos são incompatíveis com o PSD-M e, na hora da verdade, conceder o benefício da dúvida a quem tanto critica.

Sem comentários: