segunda-feira, 2 de julho de 2012

UMA ENTREVISTA COM LIXÍVIA E VANISH OXI ACTION


Foi uma entrevista com lixívia pura e vanish oxi action. Ao ouvi-lo só consegui ter presente a publicidade do tira nódoas com eficácia. Ao espectador menos preparado a representação foi perfeita, a do homem que não tem rancores, que perdoa, que é democrata, que respeita a Assembleia Legislativa e a do homem que tanto fez, que depois da sua morte, daqui a 100 ou 200 anos, irão dizer que aquilo ali foi feito pelo Alberto João, aquilo acolá foi concretizado pelo Alberto João, etc., e isso, assumiu ser a melhor resposta aos que se lhe opõem. Aquela entrevista foi, portanto, toda ela realizada num ambiente de SPA, de banhos, massagens e tratamento de imagem, num ambiente relaxante e com cheiros exóticos. Recebeu a televisão em ambiente Zen, de paz e tranquilidade, só faltando um pouco de chá, sobretudo quando falou do Juiz Conselheiro Monteiro Diniz. Ora, pode ter tentado uma limpeza total de imagem para o exterior, mas a porcaria que está aos olhos de todos manteve-se. Não há lixívia que dê cabo, nem SPA nem peeling que consiga ocultar a verdade.


Mais uma entrevista com o ainda presidente do governo regional. Mais de uma hora de pesadelo na televisão pública, só comparável com qualquer regime ditatorial que controla aquilo que diz não controlar. Na Assembleia Legislativa, a sessão dita solene, que nada de solene teve, o caldinho continuou a ser servido, sectariamente e apenas com uma visão unilateral da Autonomia; como se isso não bastasse, à noite, em horário nobre, o pacato cidadão, na estação de serviço público de televisão teve de levar com um enchido intragável. Tratou-se de uma overdose aquela entrevista com o Dr. Jardim. Poderiam ter realizado um debate com ou sem a sua presença (cadeira vazia), mas não, uma vez mais, a solo, ali foi vender o seu produto. E conseguiu, de facto, ao longo de uma longa e penosa entrevista, que teve tanto de hilariante quanto de deprimente, branquear a sua figura, a do seu partido e a governação da sua inteira responsabilidade. Foi uma entrevista com lixívia pura e vanish oxi action. Ao ouvi-lo só consegui ter presente a publicidade do tira nódoas com eficácia. Ao espectador menos preparado a representação foi perfeita, a do homem que não tem rancores, que perdoa, que é democrata, que respeita a Assembleia Legislativa e a do homem que tanto fez, que depois da sua morte, daqui a 100 ou 200 anos, irão dizer que aquilo ali foi feito pelo Alberto João, aquilo acolá foi concretizado pelo Alberto João, etc., e isso, assumiu, ser a melhor resposta aos que se lhe opõem. Aquela entrevista foi, portanto, toda ela realizada num ambiente de SPA, de banhos, massagens e tratamento de imagem, num ambiente relaxante e com cheiros exóticos. Recebeu a televisão em ambiente Zen, de paz e tranquilidade, só faltando um pouco de chá, sobretudo quando falou do Juiz Conselheiro Monteiro Diniz.
Ora, pode ter tentado uma limpeza total de imagem para o exterior, mas a porcaria que está aos olhos de todos manteve-se. Não há lixívia que dê cabo, nem SPA nem peeling que consiga ocultar a verdade. As questões importantes ficaram, uma vez mais, para depois. Abordar o drama da economia, dos constrangimentos dos empresários, das falências, do desemprego, da pobreza, das infraestruturas e os encargos de manutenção, das dívidas escondidas e há muito denunciadas, a falta de financiamento na educação e na saúde (regionalizadas a seu pedido), a dispensa de professores e técnicos, a falência do sistema desportivo, onde é que o governo irá encontrar, em três anos, quase quatro mil milhões de euros para encargos derivados do Plano de Ajustamento Financeiro, quando o orçamento regional, em média, é de 1,5 mil milhões ano, tudo isto e muito mais, porventura, foi considerado inoportuno. Importante foi divulgar que não "aceitamos esta Constituição", que esta "Constituição é uma aldrabice" negar o conceito de "Estado unitário", que "Portugal está contra o direito internacional", que o "referendo" se impõe como necessidade e direito, que eles, República, que fiquem com a "política externa", com a "defesa nacional", com a "segurança social" e com os "tribunais de recurso", porque a Justiça, em primeira instância, tem de ser "nossa". Se assim fosse, coitados os que caíssem nas mãos da sua "doutrina social cristã"!
Uma entrevista ao melhor estilo "brainwash"!

É este homem que veio falar de plutocracia. Como se esse não fosse o sistema que impera na Madeira. Como se não fossem os ricos e os novos ricos nascidos e condecorados pela Madeira Nova que por aqui ditam as regras. Como se não fosse essa gente de alta finança, conseguida com muito empurrão e pouco suor, gente que gravita em redor do regime que o mantém líder e estabilizador sistémico, como se a Madeira não fosse também "vítima" dessa máquina devoradora de milhões do cofre público. Os plutocratas estão aí à beira de Sua Excelência e da plutocracia fala como se essa apenas existisse para além do Porto Santo. 
Apesar de tudo registei uma frase absolutamente correcta. Foi um tiro na muche: os políticos da actual geração não têm a credibilidade dos de ontem. Certo, a entrevista demonstrou claramente isso. E como se a sua prática de 36 anos não bastasse, complementou, mais adiante, dizendo que quando os colegas europeus o questionam sobre a sua longevidade no poder, responde-lhes: "fazer obra e não mentir". Bom, quanto à obra, essa tem muito que se lhe diga, porque vamos todos de ter de pagá-la com os olhos da cara e com a pobreza; quanto ao mentir, a ocultação dos sucessivos buracos nas contas públicas, demonstram que o pinóquio anda por aí disfarçado.
Enfim, uma entrevista para ter presente, para guardar para memória futura, para juntar àquela conferência de imprensa a realizar brevemente, sobre os resultados a que chegarão 20 professores que andam a "investigar" a dívida da República à Madeira ao longo dos 500 anos de História. Se isto não fosse grave e dramático eu diria que ontem, aquela entrevista, no plano político, tinha sido um excelente programa de humor.
Ilustração: Google Imagens.

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