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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

"ESTOU TÃO INSATISFEITO COMO O POVO"


A segunda frase: "a população da Madeira não lê jornais". Espantoso. Se não lê que razões o levam a estar preocupado com o DIÁRIO e com a família Blandy e que razões o levam a pôr os madeirenses a pagar três milhões anuais ao Jornal da Madeira? Então, o que o leva a rasgar, à frente de todos, o DIÁRIO? Como justifica mais de 50 milhões transferidos para o JM, em vinte anos, para, ainda por cima, esse jornal ter um passivo superior a trinta milhões, segundo o que foi publicamente divulgado? Mas esta história da população não ler, conduz-me a uma outra leitura: que raio de sistema educativo liderou para, depois de quase quarenta anos, o hábito cultural da leitura, o direito de ser informado, a preocupação pelo conhecimento que não se esgota nos jornais tenha os níveis que tem, o que constitui uma angústia para professores e toda a sociedade? É por isso que, sempre o disse e escrevi, que a grande obra, a obra do e no ser humano está por fazer. E essa obra que não foi feita é, do ponto de vista social, UM CRIME!


O ainda presidente do governo regional da Madeira, em entrevista à RTP-Informação (repetida, ontem, pela RTP-Madeira, ao final da tarde - o JM não teria feito melhor), a propósito da austeridade e dos resultados eleitorais, sublinhou duas frases política e absolutamente "fantásticas": "estou tão insatisfeito como o povo" e "a maior parte da população da Madeira não lê jornais". De resto, toda a entrevista, de 45', versou sobre assuntos requentados, superficiais, no meio de outros absolutamente marginais. Nada de novo, nem para os que vivem na Madeira, nem para os portugueses do Continente. Mas aquelas duas frases, do meu ponto de vista, têm muito que se lhe diga. A primeira, deliberadamente, misturando-se com o povo, com a tal "pata-rapada" e "cachorros", frases que um dia deixou escapar, deu a entender que não tem nada a ver com o desastre económico, financeiro, social e cultural da Madeira. Lavou as mãos com água suja benzida pela sua política. Como se a Madeira não tivesse órgãos de governo próprio, uma Assembleia Legislativa e um governo! Como se a Madeira não tivesse um Estatuto Político-Administrativo próprio e como se não fosse possível governar com esta Constituição! Como se não tivesse desfrutado dos muitos milhões da Europa e da responsabilidade nacional! Como se o desastre na Educação e nos Assuntos Sociais em geral e, na Saúde, em particular, fossem culpa de Lisboa! Como se a Constituição da República o tivesse alguma vez impedido de fazer piscinas (que não funcionam), um campo de futebol por cada 7.000 habitantes, um heliporto que não funciona, uma marina no Lugar de Baixo e tantas e tantas obras megalómanas e não prioritárias. Como se a Constituição o tivesse impedido de ter melhor escola e melhor saúde, bem como apoios concretos aos idosos, através de verbas inscritas no Orçamento Regional. Como se a Constituição o tivesse impedido de ter na Madeira um Plano de Ordenamento do Comércio! Como se a Constituição o tivesse amarrado a não cumprir os vários instrumentos de planeamento! Como se a Constituição o tivesse limitado nas políticas de turismo. Eu diria, por aquilo que escutei, o político jogou sempre à defesa e com muitos pontapés claramente para as bananeiras. Lisboa é a culpada de tudo. Eu que sou um português de profundas convicções autonomistas, escutei aquilo e repeti, tal como ele, a páginas tantas disse: vai mas é dar uma volta ao bilhar grande! "Insatisfeito como o povo", uma ova.
A segunda frase: "a população da Madeira não lê jornais". Espantoso. Se não lê que razões o levam a estar preocupado com o DIÁRIO e com a família Blandy e que razões o levam a pôr os madeirenses a pagar três milhões anuais ao Jornal da Madeira? Então o que o leva a rasgar, à frente de todos, o DIÁRIO? Como justifica mais de 50 milhões transferidos para o JM, em vinte anos, para, ainda por cima, esse jornal ter um passivo superior a trinta milhões, segundo o que foi publicamente divulgado? Mas esta história da população não ler, conduz-me a uma outra leitura: que raio de sistema educativo liderou para, depois de quase quarenta anos, o hábito cultural da leitura, o direito de ser informado, a preocupação pelo conhecimento que não se esgota nos jornais tenha os níveis que tem, o que constitui uma angústia para professores e toda a sociedade?
É por isso que, sempre o disse e escrevi, que a grande obra, a obra do e no ser humano está por fazer. E sempre o disse, embora pareça perverso, que aquela terá sido a sua preocupação, isto é, que uma população educada (não apenas escolarizada) dificultar-lhe-ia a sua vidinha política. Daí o deixa andar. Lembro-me, por exemplo, em Câmara de Lobos, já tem uns anos, na visita oficial de Cavaco Silva, ter dito a um jovem que tinha "chumbado" o ano: não te importes, eu também chumbei e hoje sou presidente do governo! Não foram exactamente estas as palavras, mas este o sentido. Fiquei esclarecido. Eu diria que pela "boca morre(u) o peixe". Portanto, deixará o governo com uma pesadíssima herança, já que a EDUCAÇÃO é determinante no futuro de qualquer povo.
Acessoriamente, no decorrer da entrevista, abordando as greves, mostrou-se contra a sua realização, pelo menos de algumas! Mas, curiosamente, o seu governo garante tolerâncias de ponto, até para o rali Vinho da Madeira, já sugeriu uma greve de zelo, onde os funcionários públicos comparecessem ao serviço mas não trabalhassem (DN de 28 de Fevereiro 2008) e apoiou a greve da Função Pública em 28.11.2007. Mas também disse, em 28.06.2013 que "só fez greve quem mesmo não quer trabalhar". Também por aqui se deduz que funciona de acordo com o quadrante do vento político. Nisto e em tudo. Uma tristeza e que tempo perdi ao seguir 45' de paleio!
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

COM QUE ENTÃO... EXISTEM CLUBES E ASSOCIAÇÕES A MAIS!


O Povo começa a perceber as palavras de Chico Buarque: “Aqui na terra tão jogando futebol; Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll; Uns dias chove, noutros dias bate sol; Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta (…)”. Pois é, tudo por uma questão de ausência de planeamento, de bom senso e respeito pela coisa pública. Alguns exemplos: na Região Autónoma da Madeira existem 37 campos de futebol, um por cada sete mil habitantes. O Funchal dispõe de dois estádios, financiados em mais de 80 milhões de euros. Foram investidos 60 milhões de euros nas dezassete piscinas construídas nos últimos dez anos. A opção política determinou projetos estandardizados, mas “de luxo, com sofisticados sistemas de ventilação, aquecimento a gás e tratamento de água inovador, em alguns casos” (DN-Madeira de 09.06.11); outra peça jornalística sublinha que, em apenas 6018 dias, um clube geriu 65 milhões de Euros de financiamento público e, em 2009, cada atleta desse clube custou à Região mais do dobro do que o governo investiu por aluno nas escolas. Só mais uns dados do imenso rosário faraónico: há dias, o Instituto do Desporto da Região (IDRAM), cessou as suas funções com 52 milhões de euros de encargos assumidos e não pagos e, nos últimos dez anos, movimentou mais de 310 milhões de euros. As Sociedades Anónimas Desportivas (SAD’s) estão falidas, as piscinas não funcionam por atrasos na liquidação das faturas de gás e gasóleo, a esmagadora maioria dos clubes (176) e associações (25), dependentes do financiamento público, estão em colapso, face aos atrasos, que chegam a quatro anos, das transferências acordadas para as 63 modalidades desportivas. Isto é, o “monstro” criado engoliu o criador.
 
 
A aldrabice (discursiva) política tem limites!
Com que então... há clubes e associações a mais! Ouvi uma parte da entrevista do Presidente do Governo ao programa "Bola ao Centro", da SIC. A parte que o meu zapping apanhou, mais me pareceu "bola para canto ou para as bananeiras". Tenho um profundo respeito pelos jornalistas, mas pareceu-me uma entrevista mal preparada, sem o conhecimento profundo da realidade da Madeira, de todos os sectores da governação onde o desporto constitui, apenas, uma parcela. A parte que escutei, uns dez a quinze minutos, não tomando a parte pelo todo, para mim bastou, aliás, porque conheço o posicionamento do "chefe" tantas foram as suas declarações ao longo dos anos. E disse esta coisa absolutamente disparatada, que foram criados clubes e associações a mais. Esqueceu-se o dito que o problema nunca foi esse nem é esse. O direito de associação é constitucional, ninguém pode impedir que um grupo de pessoas se junte e, pelas vias que a lei dispõe, crie um clube ou uma associação. O problema é, portanto, outro. Talvez possa pôr no plural, (...) outros. Desde logo, poucos ignoram que a maioria política regional sempre se serviu dos clubes e associações para controlar, localmente, a vida política. Sempre que "cheirou" a eleições para um qualquer clube ou associação, são raros os casos em que o poder não tenha feito um esforço para colocar os "seus". Ele sabe e toda a estrutura política conhece. Depois, uma coisa é a existência de um clube ou associação, repito, enquanto direito constitucional, outra é perceber que ficam logo de mão estendida à espera que o "senhor governo" edifique ou subsidie a construção da sede, subscreva contratos-programa subsidiodependentes, pague deslocações ao nível nacional, pague a atletas estrangeiros e muita outra coisa que não domino. Estamos, portanto, face a dois aspectos completamente distintos. Ele sabe das quase cinco mil inaugurações que diz ter realizado, naturalmente públicas e privadas, quantos pavilhões, piscinas, campos de futebol, marinas sem sentido inaugurou, muitas nas vésperas de eleições regionais. Ele sabe quantos destacamentos de professores foram autorizados para manter o funcionamento do sistema. Não me parece honesto que agora venha dizer que há clubes e associações a mais. Houve, sim, política a menos e dinheiro a mais e, hoje, confronta-se com um sistema completamente em ruptura, insolvente e insustentável. Eu diria que ele, autor do monstro que criou e alimentou, tem uma gravíssima e significativa crise no associativismo, dentro de uma outra crise maior, a da economia e finanças. Só que ele não consegue ver isto, nem tem alguém que sugira um novo paradigma. Daí que, com o navio da governação completamente adornado, com rombos difíceis de o conduzir para doca seca, ao invés de uma leitura inteligente da situação, veio dizer que esta política é para continuar. Qualquer pessoa com um mínimo de bom senso político jamais diria uma coisa destas. Só consegue ver a árvore, não a floresta de desencantos e de erros que por aí anda!
Sobre esta matéria ando a estudar, debater e a escrever desde os finais dos anos 70 do século passado. Ainda recentemente, porque sou colaborador da Revista A Página da Educação, editada no Porto e com distribuição nacional e internacional, assinei um artigo na edição 196 (Edição da Primavera) ao qual dei o título "O monstro criado engoliu o criador". Aqui deixo o texto:
"O Povo começa a perceber as palavras de Chico Buarque: “Aqui na terra tão jogando futebol; Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll; Uns dias chove, noutros dias bate sol; Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta (…)”. Pois é, tudo por uma questão de ausência de planeamento, de bom senso e respeito pela coisa pública. Alguns exemplos: na Região Autónoma da Madeira existem 37 campos de futebol, um por cada sete mil habitantes. O Funchal dispõe de dois estádios, financiados em mais de 80 milhões de euros. Foram investidos 60 milhões de euros nas dezassete piscinas construídas nos últimos dez anos. A opção política determinou projetos estandardizados, mas “de luxo, com sofisticados sistemas de ventilação, aquecimento a gás e tratamento de água inovador, em alguns casos” (DN-Madeira de 09.06.11); outra peça jornalística sublinha que, em apenas 6018 dias, um clube geriu 65 milhões de Euros de financiamento público e, em 2009, cada atleta desse clube custou à Região mais do dobro do que o governo investiu por aluno nas escolas. Só mais uns dados do imenso rosário faraónico: há dias, o Instituto do Desporto da Região (IDRAM), cessou as suas funções com 52 milhões de euros de encargos assumidos e não pagos e, nos últimos dez anos, movimentou mais de 310 milhões de euros. As Sociedades Anónimas Desportivas (SAD’s) estão falidas, as piscinas não funcionam por atrasos na liquidação das faturas de gás e gasóleo, a esmagadora maioria dos clubes (176) e associações (25), dependentes do financiamento público, estão em colapso, face aos atrasos, que chegam a quatro anos, das transferências acordadas para as 63 modalidades desportivas. Isto é, o “monstro” criado engoliu o criador.
Era natural que assim acontecesse, por ausência de visão estratégica, inversão de prioridades e criação de expetativas superiores àquelas que eram legítimas esperar em uma região pobre, assimétrica e dependente. Bastaria um pouco de bom senso e que fossem considerados os princípios do planeamento, a necessidade de, a todo o momento, existir um pensamento e controlo sobre o futuro, um processo integrado e multidisciplinar na tomada de decisão. Ora, nada disso aconteceu e o resultado é que 77% da população, entre os 15 e os 65 anos continua distante de qualquer prática física ou desportiva.
Ora, a política desportiva não deve estar centrada no resultado desportivo nacional ou internacional, porque essa não é uma política ao serviço do desenvolvimento, é uma política contra os cidadãos, contra a Escola e contra a cultura. Quando se olha para 19.000 desempregados (já vamos em 23.500), 30% de pobres, escolas condicionadas na ação social e com dívidas acumuladas que impedem o desenvolvimento dos projetos educativos, quando a relação média anual é de € 500.000,00 no desporto escolar para trinta milhões no sector federado, quando o sistema de saúde apresenta mais de 70 milhões de dívidas às farmácias, quando há centenas de empresas em colapso, parece-me óbvia a inversão das prioridades. Pasmo ao ver decisores passando incólumes perante a justiça do voto e a outra Justiça!
Um dedo de bom senso e de inteligência, um mínimo de visão e conjugação de todos os sistemas, um mínimo de estratégia política definidora da prioridade entre o desporto educativo escolar e o desporto associativo bastaria para que outro fosse o percurso. Certamente, hoje, a Madeira não teria piscinas encerradas, não teria tantos estádios de futebol entre outras dispendiosas infraestruturas de reduzida utilização, não teria 16.000 (dizem) praticantes federados, porque os clubes visam a qualidade nunca a quantidade, não teria tantas equipas em um vaivém semanal, não teria mais clubes e associações que freguesias (média de 4), mas teria, com toda a certeza, melhores resultados nas aprendizagens escolares e nas competências gerais, melhor e mais qualificada preparação da juventude, mais educação desportiva nas escolas, melhor sistema educativo, melhor sistema de saúde, um desporto entendido como bem cultural com mais investimento na escola e menores encargos ao nível do movimento associativo. Mas isso implicaria melhor democracia, que os agentes políticos não sofressem de uma gravíssima surdez, que a Assembleia Legislativa não fosse apenas palco para a ofensa, implicaria disponibilidade para ouvir, debater, gerar consensos e investir no caminho mais seguro e adequado às características de uma região com prioridades que estão muito antes do desporto profissional.
É claro que o lóbi do cimento, a fúria inauguracionista, a ambição da medalha ou do título toldou muitas consciências que deveriam se posicionar contra a megalomania eleitoralista. Conclusão: estatelaram-se, caindo do alto, escorregando nas pedras soltas que foram deixando enquanto subiam. Estão, hoje, embrulhados ao jeito de múmias, sem capacidade de decisão e sem um cêntimo no cofre que alimentou, durante anos, a vida inebriante que levaram. A população, essa, ficou dependente de um doloroso plano de reajustamento financeiro. “A coisa aqui tá preta”."
Ora, tantas perguntas que o jornalista poderia ter feito! E que respostas ele daria a todas elas?
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

CERCO AO PALÁCIO? E PORQUE NÃO UM POUCO MAIS ACIMA?


O simbolismo do Palácio de S. Lourenço é do tipo timex, não adianta nem atrasa. Interessante seria ver o "vigia da quinta", na expressão do Padre Martins Júnior, frente à "sua propriedade", sentado com os manifestantes, empunhando um qualquer cartaz contra si próprio! Ele não disse que gostaria de se manifestar? Ora aí tem uma oportunidade. Errado é ajudá-lo a desviar as atenções como se ele tivesse sido o Presidente da Junta Geral do Distrito (designação anterior a 1974), portanto, uma figura mandada de fora para administrar o território, sem responsabilidades no quadro da Autonomia. Ele é Presidente do Governo e líder de um partido que teve maioria absoluta na Assembleia durante todos estes anos. Desviar as atenções é aplaudi-lo, mesmo que essa não seja a intenção dos organizadores, desviar as atenções é passar uma esponja sobre as responsabilidades governativas, de onde derivaram 23.000 desempregados, pobreza e falências. Apesar de ele ser presidente do segundo órgão de governo próprio, toda a gente sabe que ele dominou e controlou a Assembleia como quis e entendeu, daí a sua total responsabilidade pelo desastre económico, financeiro, social e cultural. Se tempo houve para gozar e retirar dividendos políticos com as "paletes" de euros que aqui chegaram, também há um tempo para avaliar e pedir responsabilidades. Chegou o momento, tardiamente, mas chegou.
 
 
Neste momento todas as manifestações são importantes, legítimas e oportunas. No Palácio de S. Lourenço, na marina do Lugar de Baixo, frente ao Paço Episcopal, nas piscinas sem actividade, no fórum de Machico, eu sei lá, lugares emblemáticos não faltam. Uns pelo silêncio ensurdecedor, outros pelo despesismo sem freio e outros, ainda, porque atacam o coração do sistema. Sinceramente, preferia que não se desviassem as atenções. O Palácio de S. Lourenço é isso mesmo, um palácio. Politicamente, não é nada. Os militares cumprem ali a sua função enquanto não encontram outro espaço, que tarda; ali, a "República" pura e simplesmente não existe, tal como o Presidente da República é uma figura decorativa. Julgo que a demonstração da angústia colectiva seria melhor testemunhada na Quinta das Angústias, outrora por ali ter sido um cemitério, hoje "habitado" pelo coveiro da Autonomia. Se há quem tenha responsabilidades em todo este processo é o seu inquilino. As angústias do povo moram, de facto, na Quinta das Angústias!
O simbolismo do Palácio de S. Lourenço é do tipo timex, não adianta nem atrasa. Interessante seria ver o "vigia da quinta", na expressão do Padre Martins Júnior, frente à "sua" propriedade, sentado com os manifestantes, empunhando um qualquer cartaz contra si próprio! Ele não disse que gostaria de se manifestar? Ora aí tem uma oportunidade. Errado é ajudá-lo a desviar as atenções como se ele tivesse sido o Presidente da Junta Geral do Distrito (designação anterior a 1974), portanto, uma figura mandada de fora para administrar o território, sem responsabilidades no quadro da Autonomia. Ele é Presidente do Governo e líder de um partido que teve maioria absoluta na Assembleia durante todos estes anos. Desviar as atenções é aplaudi-lo, mesmo que essa não seja a intenção dos organizadores, desviar as atenções é passar uma esponja sobre as responsabilidades governativas, de onde derivaram 23.000 desempregados, pobreza e falências. Apesar de ele ser presidente do segundo órgão de governo próprio, toda a gente sabe que ele dominou e controlou a Assembleia como quis e entendeu, daí a sua total responsabilidade pelo desastre económico, financeiro, social e cultural. Se tempo houve para gozar e retirar dividendos políticos com as "paletes" de euros que aqui chegaram, também há um tempo para avaliar e pedir responsabilidades. Chegou o momento, tardiamente, mas chegou.
Aliás, ontem, aquela entrevista na RTP1 nem comentário merece. Assistia-a junto de um grupo de amigos. Nota final: zero! Nada de novo, repetitiva, sem uma ideia e, a espaços, muito consentânea com o "bem prega frei Tomás", isto é, críticas para lá, mas erros e "rabos de palha" políticos por aqui aos montes. Se dúvidas ainda alguém tivesse na perspectiva de vir para a rua e manifestar-se contra esta figura, a entrevista de ontem clarificou tal necessidade. É tempo de nos deixar em paz, de ir escrever as memórias, segundo apercebi-me com o título "os malucos que eu conheci". Escreva, mas, primeiro, (re)leia "Jardim, a grande fraude!" Poderá chegar à conclusão que ele próprio faz parte dos "malucos" políticos.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

UMA ENTREVISTA COM LIXÍVIA E VANISH OXI ACTION


Foi uma entrevista com lixívia pura e vanish oxi action. Ao ouvi-lo só consegui ter presente a publicidade do tira nódoas com eficácia. Ao espectador menos preparado a representação foi perfeita, a do homem que não tem rancores, que perdoa, que é democrata, que respeita a Assembleia Legislativa e a do homem que tanto fez, que depois da sua morte, daqui a 100 ou 200 anos, irão dizer que aquilo ali foi feito pelo Alberto João, aquilo acolá foi concretizado pelo Alberto João, etc., e isso, assumiu ser a melhor resposta aos que se lhe opõem. Aquela entrevista foi, portanto, toda ela realizada num ambiente de SPA, de banhos, massagens e tratamento de imagem, num ambiente relaxante e com cheiros exóticos. Recebeu a televisão em ambiente Zen, de paz e tranquilidade, só faltando um pouco de chá, sobretudo quando falou do Juiz Conselheiro Monteiro Diniz. Ora, pode ter tentado uma limpeza total de imagem para o exterior, mas a porcaria que está aos olhos de todos manteve-se. Não há lixívia que dê cabo, nem SPA nem peeling que consiga ocultar a verdade.


Mais uma entrevista com o ainda presidente do governo regional. Mais de uma hora de pesadelo na televisão pública, só comparável com qualquer regime ditatorial que controla aquilo que diz não controlar. Na Assembleia Legislativa, a sessão dita solene, que nada de solene teve, o caldinho continuou a ser servido, sectariamente e apenas com uma visão unilateral da Autonomia; como se isso não bastasse, à noite, em horário nobre, o pacato cidadão, na estação de serviço público de televisão teve de levar com um enchido intragável. Tratou-se de uma overdose aquela entrevista com o Dr. Jardim. Poderiam ter realizado um debate com ou sem a sua presença (cadeira vazia), mas não, uma vez mais, a solo, ali foi vender o seu produto. E conseguiu, de facto, ao longo de uma longa e penosa entrevista, que teve tanto de hilariante quanto de deprimente, branquear a sua figura, a do seu partido e a governação da sua inteira responsabilidade. Foi uma entrevista com lixívia pura e vanish oxi action. Ao ouvi-lo só consegui ter presente a publicidade do tira nódoas com eficácia. Ao espectador menos preparado a representação foi perfeita, a do homem que não tem rancores, que perdoa, que é democrata, que respeita a Assembleia Legislativa e a do homem que tanto fez, que depois da sua morte, daqui a 100 ou 200 anos, irão dizer que aquilo ali foi feito pelo Alberto João, aquilo acolá foi concretizado pelo Alberto João, etc., e isso, assumiu, ser a melhor resposta aos que se lhe opõem. Aquela entrevista foi, portanto, toda ela realizada num ambiente de SPA, de banhos, massagens e tratamento de imagem, num ambiente relaxante e com cheiros exóticos. Recebeu a televisão em ambiente Zen, de paz e tranquilidade, só faltando um pouco de chá, sobretudo quando falou do Juiz Conselheiro Monteiro Diniz.
Ora, pode ter tentado uma limpeza total de imagem para o exterior, mas a porcaria que está aos olhos de todos manteve-se. Não há lixívia que dê cabo, nem SPA nem peeling que consiga ocultar a verdade. As questões importantes ficaram, uma vez mais, para depois. Abordar o drama da economia, dos constrangimentos dos empresários, das falências, do desemprego, da pobreza, das infraestruturas e os encargos de manutenção, das dívidas escondidas e há muito denunciadas, a falta de financiamento na educação e na saúde (regionalizadas a seu pedido), a dispensa de professores e técnicos, a falência do sistema desportivo, onde é que o governo irá encontrar, em três anos, quase quatro mil milhões de euros para encargos derivados do Plano de Ajustamento Financeiro, quando o orçamento regional, em média, é de 1,5 mil milhões ano, tudo isto e muito mais, porventura, foi considerado inoportuno. Importante foi divulgar que não "aceitamos esta Constituição", que esta "Constituição é uma aldrabice" negar o conceito de "Estado unitário", que "Portugal está contra o direito internacional", que o "referendo" se impõe como necessidade e direito, que eles, República, que fiquem com a "política externa", com a "defesa nacional", com a "segurança social" e com os "tribunais de recurso", porque a Justiça, em primeira instância, tem de ser "nossa". Se assim fosse, coitados os que caíssem nas mãos da sua "doutrina social cristã"!
Uma entrevista ao melhor estilo "brainwash"!

É este homem que veio falar de plutocracia. Como se esse não fosse o sistema que impera na Madeira. Como se não fossem os ricos e os novos ricos nascidos e condecorados pela Madeira Nova que por aqui ditam as regras. Como se não fosse essa gente de alta finança, conseguida com muito empurrão e pouco suor, gente que gravita em redor do regime que o mantém líder e estabilizador sistémico, como se a Madeira não fosse também "vítima" dessa máquina devoradora de milhões do cofre público. Os plutocratas estão aí à beira de Sua Excelência e da plutocracia fala como se essa apenas existisse para além do Porto Santo. 
Apesar de tudo registei uma frase absolutamente correcta. Foi um tiro na muche: os políticos da actual geração não têm a credibilidade dos de ontem. Certo, a entrevista demonstrou claramente isso. E como se a sua prática de 36 anos não bastasse, complementou, mais adiante, dizendo que quando os colegas europeus o questionam sobre a sua longevidade no poder, responde-lhes: "fazer obra e não mentir". Bom, quanto à obra, essa tem muito que se lhe diga, porque vamos todos de ter de pagá-la com os olhos da cara e com a pobreza; quanto ao mentir, a ocultação dos sucessivos buracos nas contas públicas, demonstram que o pinóquio anda por aí disfarçado.
Enfim, uma entrevista para ter presente, para guardar para memória futura, para juntar àquela conferência de imprensa a realizar brevemente, sobre os resultados a que chegarão 20 professores que andam a "investigar" a dívida da República à Madeira ao longo dos 500 anos de História. Se isto não fosse grave e dramático eu diria que ontem, aquela entrevista, no plano político, tinha sido um excelente programa de humor.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O PATÉTICO ARTIGO DE AJJ


Poderia aqui divagar sobre as "tropas de assalto" da Autonomia, aquelas tropas partidárias que, paulatinamente, controlaram toda a sociedade, reduzindo-a à condição de súbditos sem voz, e poderia divagar sobre a conquista do poder pelos grupos pós-Autonomia, aqueles que dominam a economia e que foram protegidos e bafejados pela sua subserviência e hossanas ao "chefe". Mas essa é uma história que, de uma maneira ou de outra, já foi contada milhares de vezes, os mais bem informados dominam-a e, portanto, pouco interesse tem a ela regressar. O que me parece grave é o estado doentio das posições assumidas pelo "chefe" e toda a bajulação e condescendência dos restantes elementos do seu governo, incapazes de corrigirem a excessiva curvatura das suas colunas.


Madeira: a construção de um castelo na areia!
É patético o artigo de opinião do dr. Alberto João Jardim, publicado na edição de hoje do JM. O seu ódio de estimação ao DN e à família Blandy denuncia, uma vez mais, quão este homem convive mal com a comunicação social que não se ajoelha aos seus pés e quão o enfurece todas as análises de jornalistas, articulistas e observadores com posições distintas daquelas que a sua governação considera como certas. Ao invés de aproveitar as sugestões e os dados que as diversas histórias sugerem, não, o homem descarrega, contra-ataca, despeja sentimentos abstrusos, cola-as a movimentos sanguinários e escreve isto com um desplante e uma fúria absolutamente inauditas. Sempre foi assim, dirão alguns. Pois, só que, hoje, essa veia transporta cada vez mais o veneno da atitude ditatorial. Ter uma opinião livre ou menos condicionada é sinónima de estar contra ele. Este excerto do seu texto parece-me claro: "Wagnerianamente imbuídos da “missão” de destruir o PSD e a mim, qual divagação nibelunga, Blandy e as suas “tropas de assalto SS” todos os dias produzem papel com ânsias de tudo destruir, tudo denegrir, particularmente agora que o País e a Região Autónoma vivem momentos mais difíceis. É exactamente a prática de todas as forças totalitárias que, quando pressentem as dificuldades nas áreas que ilegitimamente detestam, procuram tudo arrasar, para conquistar facilmente. Ou reconquistar. Porque ainda há quem sonhe o regresso do poder dos grupos pré-autonomia".
A propósito, poderia aqui divagar sobre as "tropas de assalto" da Autonomia, aquelas suas tropas partidárias que, paulatinamente, controlaram toda a sociedade, reduzindo-a à condição de súbditos sem voz, e poderia divagar sobre a conquista do poder pelos grupos pós-Autonomia, aqueles que dominam a economia regional e que foram protegidos e bafejados pela sua subserviência e hossanas ao "chefe". Mas essa é uma história que, de uma maneira ou de outra, já foi contada milhares de vezes, os mais bem informados dominam-a e, portanto, pouco interesse tem a ela regressar. O que me parece grave é o estado doentio das posições assumidas pelo "chefe" e toda a bajulação e condescendência dos restantes elementos do seu governo, incapazes de corrigirem a excessiva curvatura das suas colunas. Desses e de todos os que têm inteligência suficiente para perceberem que este navio tem rombos preocupantes e que, minuto a minuto, se afunda com o seu comandante em aparente euforia, embora as sirenes há muito sejam audíveis. Isso é que me parece grave, porque tudo o resto é conhecido. É estranho esse silêncio? Nem tanto. Porque, por um lado, ainda subsistem muitos interesses particulares e, por outro, há as ditas almofadas sociais que, por enquanto, vão tapando a desgraça social, a enorme dívida social, sublinho, muito maior que a dívida pública. São, neste caso, as dezenas de instituições de solidariedade social que esbatem a fome, são os subsídios da Segurança Social Nacional, é a agricultura de subsistência, é a emigração forçada e é a economia paralela. Junta-se a tudo isto o sentimento que há que carregar a cruz, a coluna de um povo vergado ao jeito do baile pesado, enfim, há uma doçura social, melhor, um apagão na consciência coletiva que possibilita que aquele homem continue a ditar disparates. E como se isto não bastasse, talvez para amenizar as relações, ainda há dias, no TJ da RTP-Madeira, destacaram e sublinharam várias passagens de um artigo do decadente "chefe". Significativo do colete de forças que enfiaram nos madeirenses e portosantenses.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

UM PRESIDENTE COM AS "CALÇAS NA MÃO"

 
Retive três passagens interessantes e, simultaneamente, preocupantes: "eu sou o elo mais fraco"; "a Assembleia Legislativa são os meus patrões"; estou com "as calças na mão". Ora, se é o elo mais fraco, por aproximação ao título genérico do programa de televisão, deve sair. É o elo mais fraco que sai! Se a Assembleia é o primeiro órgão de governo próprio (seu patrão), então por que se nega ir à Assembleia justificar as medidas ao patrão? Só quando a Constituição da República o obrigar, disse. Finalmente, a confissão de que está com as "calças na mão" significa que está não só na penúria do dinheiro como do pensamento político. Estes três aspectos, devidamente conjugados, deveriam conduzi-lo à demissão e clarificação dos problemas desta terra.
 
 
Continua com um problema
de audição!
Acompanhei a entrevista da RTP-M ao Presidente do Governo Regional ao lado de outras pessoas com convições políticas diversas. No final foi ditada uma "espécie de sentença": condenado! Mas, pior que a condenação do entrevistado, houve uma unanimidade na condenação para o povo que permite um político destes continuar na liderança da Região. Hoje, após aquela entrevista, é caso para toda a população estar preocupada. Muito preocupada, pela imagem que o presidente ofereceu aos madeirenses, de político apavorado, mal preparado e sem respostas para as questões importantes. O drama das finanças públicas, a aflição dos empresários, o galopante desemprego, o exponencial aumento da pobreza, tudo isto foi contornado no meio de uma ausência de serenidade, de uma algaraviada e de uma perturbação constante entre as perguntas e as respostas. Retive três passagens interessantes e, simultaneamente, preocupantes: "eu sou o elo mais fraco"; "a Assembleia Legislativa são os meus patrões"; estou com "as calças na mão". Ora, se é o elo mais fraco, por aproximação ao título genérico do programa de televisão, deve sair. É o elo mais fraco que sai! Se a Assembleia é o primeiro órgão de governo próprio (seu patrão), então por que se nega ir à Assembleia justificar as medidas ao patrão? Só quando a Constituição da República o obrigar, disse. Finalmente, a confissão de que está com as "calças na mão" significa que está não só na penúria do dinheiro como do pensamento político. Estes três aspectos, devidamente conjugados, deveriam conduzi-lo à demissão e clarificação dos problemas políticos desta terra.
A treta das "facas nas costas" constitui uma manobra de clara busca da vitimização, na esteira de, eu dei tudo e estou a ser cruxificado. Essa de jogar para fora um problema que é, fundamentalmente, de administração e gestão política interna, dos órgãos de governo próprio, constitui uma atitude de mascarar o rol das responsabilidades que teve e tem no descalabro. Com aquela entrevista, com aquela atitude politicamente esquizofrénica, de fuga à realidade e de atabalhoamento discursivo, os madeirenses e porto-santenses têm motivos bastantes de preocupação. Está em causa toda a sociedade, todos os sistemas, a paz social, o crescimento e o desenvolvimento. Com um político sem soluções, de forma continuada a empurrar os problemas para a frente, a chutar para cima e para longe a "bola" de problemas que tem na sua posse, com um político que demonstra desnorte, falta de segurança e que não acredita sequer nas suas próprias convições políticas, obviamente que se torna necessário que a sociedade reaja no sentido da criação de condições para a necessária alteração do quadro político. A Madeira tem gente de qualidade capaz de travar a loucura política e esta fome de poder que cega a mais evidente das situações de descontrolo.
Ontem foi arrepiante e constrangedora a ostensiva tentativa de colar os jornalistas aos partidos políticos. Como se eles tivessem de ali estar subservientes, como se não tivessem, por missão, colocar as questões que o povo deseja ver respondidas. Felizmente, mantiveram a dignidade, a frontalidade e a responsabilidade, não se deixando ir nas provocações. Neste aspecto, apreciei o comportamento da Jornalista Daniela Maria: fria, distante, fácies sereno, olhos nos olhos, questionou o que tinha de questionar. Reparei que, a espaços, o presidente ficou perturbado com a sua atitude. A questão sobre os preços dos transportes públicos, por ela colocada, no boxe, chama-se um "gancho" que o levou ao tapete. Ainda vasculhou uns papéis, mas nada encontrou para contrariar. Mas aquela atitude de, sistematicamente, atacar os Jornalistas, como se eles fossem ou pertencessem aos partidos da oposição, demonstra a cada vez maior fragilidade política em que se encontra. É tempo de todo o povo refletir. Antes que seja tarde demais!
Ilustração: Google Imagens.