terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

O VENDAVAL DE UMA NOITE DE DIVERSÃO


Um texto oportuno do Padre José Luís Rodrigues, publicado no seu blogue "O Banquete da Palavra"

1. Há um chão coberto de copos de plástico, uns inteiros, outros já esmagados, cá e lá ainda cheios, outros meio cheios em cima dos muros e também nos recantos do chão. A seguir vejo garrafas de aguardente de cana partidas, outras inteiras ainda direitas, mas totalmente esvaziadas. Até pensei que por ali tinha passado um vendaval. Havia uma alma que por ali já estava de mangueira em punho a juntar tudo e a lavar aquele chão do tsunami banhado pela noite dentro com urina. O cheiro nauseabundo faz-se sentir por todo lado naquele enorme local convertido durante a noite em mictório.


2. Não faltam turistas a passar pela zona, que podem apreciar o cartão de visita, cheiro intenso de urina e bela vista para os olhos contemplarem um chão sujo de plásticos e guardanapos usados, atirados ao chão como se aquele lugar da cidade fosse a bodega espanhola onde se pode deitar tudo para o chão. Uma imagem desoladora e um péssimo cartaz turístico, para quem chega de barco à cidade ou para os que frequentemente se dirigem por aquela zona vindos dos hotéis e que não dispensam a bela caminhada a pé até ao centro da cidade que nos dias normais aquele locar tão aprazível da nossa cidade proporciona.
3. Este é o ambiente circundante na zona da Praça do Mar, feito com coisas usadas durante a noitada. Mas, pior ainda são os bandos de jovens e adolescentes deitados no chão, sentados em cima dos muros ou a pastar de um lado para outro aos berros não escondendo de ninguém o que foi a noite bem regada. Alguns adolescentes, particularmente, raparigas têm umas olheiras de caixão à cova completamente bêbadas. Cigarro atrás de cigarro e entremeio goles de algum resto de bebida que por ali ainda sobra. Temos uma lei que proíbe bebidas alcoólicas a menores. O que não seria se a não tivéssemos…
4. Já cansa ter que falar sobre os pais desta gente. Não quero passar com esta minha reflexão uma ideia de conservadorismo parolo. Mas devia inquietar a sociedade inteira, particularmente, os pais dos jovens e adolescentes que andam a dar este espectáculo de bandos de jovens vagando pelas ruas a madrugada inteira, tão bêbados a ponto de nem conseguirem falar ou andar direito. Este devia ser um tema de importância social, não só por causa da violência que o álcool representa e gera, mas por causa da fragilidade dos adolescentes, especialmente, as raparigas, que às vezes são molestadas ou violadas, porque não estão em condições de se defenderem. Calculo que sejam alguns dos pais destes adolescentes e jovens, que devem ser daqueles que vão à escola insultar, agredir e participar dos professores porque o seu menino ou menina queixou-se porque a professora falou alto durante a aula com ele ou marcou uma falta por mau comportamento.
5. O álcool tornou-se tão quotidiano que hoje ninguém precisa de se explicar por que bebe, mas tem que dar explicações por não bebe. Estas bebedeiras de cavalo dos mais novos não tem propósito nenhum, são apenas para deixá-los bêbedos para curtir a noite. O ambiente que circunda os lugares da diversão é bem revelador da degradação em que estamos e da irresponsabilidade que a sociedade apresenta, especialmente, os casais que são pais e as entidades que deviam fiscalizar o consumo de álcool entre aqueles que ainda são menores.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

A MENTIRA SOBRE O DÉFICE DE ATENÇÃO E A HIPERACTIVIDADE


O psiquiatra teve uma vida confortável graças às vendas de medicamentos para tratar a “doença”


Quem diria… O inventor do Transtorno de Déficit de Atenção Com ou Sem Hiperatividade (TDA/H), psiquiatra norte americano Leon Eisenberg, revelou que o TDA/H “é um excelente exemplo de uma doença fictícia”. Essas foram as palavras dele, que é considerado o pai desse “transtorno”. Ele confessou a farsa da doença aos 87 anos de idade, em sua última entrevista, sete meses antes de sua morte.
Desde 1968 que a “doença” de Eisenberg perseguia os manuais de diagnósticos e estatísticas, primeiro como “reação hipercinética da infância”, agora chamado de “TDAH”. O uso de medicamentos para o ADHD (Attention Deficit/ Hyperactivity Disorder) na Alemanha aumentou brutamente em 18 anos, de 34 kg (em 1993) para um registro de 1760 kg (em 2011). Esses números representam 51 vezes mais nas vendas. Nos Estados Unidos, uma em cada dez crianças já toma algum medicamento ADHD, em uma base diária. Também com tendência crescente dos números.
Consequentemente ou não, o Presidente da Comissão Nacional Consultiva de Ética Biomédica (NEK), Otfried Höffe, criticou o uso da Ritalina, em novembro de 2011, em seu parecer intitulado: “Valorização Humana por meio de agentes farmacológicos: o consumo de agentes farmacológicos que alteram o comportamento da criança em qualquer contribuição sobre a sua parte”.
Eisenberg atuou no “Comitê para o DSM V e CID XII, American Psychiatric Association” 2006-2009, era membro do “Comitê Organizador da Mulher e da Conferência Medicina (2006)”, realizou diversas conferências e assim foi disseminando o TDAH. O psicólogo americano, Lisa Cosgrove, coloca uma importante questão: esses grupos estiveram comercializando o diagnóstico de TDAH no serviço do mercado farmacêutico e foram feito sob medida para Eisenberg, com um monte de propaganda e relações publicas. Eles descobriram que dos 170 membros do painel DSM 95 (56%) tiveram uma ou mais associações financeiras com empresas da indústria farmacêutica. Cem por cento dos membros dos painéis sobre “Transtornos do Humor” e “Esquizofrenia e outros transtornos psicóticos” tinham vínculos financeiros com empresas farmacêuticas. Chegaram à conclusão que as conexões são especialmente fortes nas áreas de diagnóstico, nos quais as drogas são a primeira linha de tratamentos para transtornos mentais. E na edição seguinte do manual, a situação manteve-se inalterada: 56% dos membros relataram laços com a indústria farmacêutica.
Finalmente é possível observar àqueles que falam e alcançam grande parte da população revelar que os agentes farmacológicos induzem alterações comportamentais, mas não podem educar uma criança sobre a forma de alcançar essas mudanças de comportamento de forma independente. Uma pílula não cala a dor de uma criança, mas ela a priva de uma experiência essencial que é aprender a agir automaticamente e enfaticamente, perdendo a sua liberdade e prejudicando o desenvolvimento de sua personalidade. O uso de medicamentos como a ritalina interfere a liberdade do sujeito e seus direitos pessoais. Entendemos que essa doença seja fictícia, sim. Na verdade, ela serviu para levar à indústria farmacêutica os melhores aumentos de vendas. O indivíduo pode passar por momentos de desatenção e hiperatividade por diversos motivos. Deixa-me enfatizar aqui, a falta de atenção e hiperatividade não é uma doença, senão uma fase em que o indivíduo pode passar. Cabem aos profissionais da área da saúde e aos educadores a tarefa de não colocarem as crianças no “Lead química” e auxiliá-las com relação a seus porquês e suas inseguranças. Dessa forma, não entregaremos os nossos filhos nas mãos do mercado farmacêutico.
Agora veja alguns alertas de efeitos colaterais contidos nas bulas de remédios tarja preta:

- Confusão;
– Despersonalização;
– Hostilidade;
– Alucinações;
– Reações maníacas;
– Pensamentos suicidas;
– Perda de consciência;
– Delírio;
– Sensação de embriaguez;

E então, eis a questão: por que os pais submeteriam seus filhos a remédios com efeitos colaterais tão alarmantes?

Jornalista

sábado, 25 de fevereiro de 2017

SEM SOMBRA DE GRANDEZA


Por Miguel Sousa Tavares, in Expresso
25.02.2017

"Bem pode Cavaco Silva desfilar o rol de grandes do mundo que conheceu em vinte anos no topo da política portuguesa: nenhum desses grandes o recordará nem que seja num pé de página de memórias e a nossa história não guardará dele mais do que o registo de uma grandiloquente decepção.


Nos seus dez anos como primeiro-ministro, Cavaco Silva teve o que nunca ninguém tinha tido antes dele e não voltou nem voltará a ter depois dele: uma maioria, tempo, paz social, esperança e dinheiro sem fim, vindo da Europa. Fosse ele, porventura, um homem dotado de visão e de coragem e conhecedor da nossa história e dos nossos males ancestrais, teria aproveitado as circunstâncias para inverter de vez o funesto paradigma em que vivemos hádécadas ou séculos. Em lugar disso, aproveitou o dinheiro e os ventos favoráveis para engrossar o Estado, fazer demasiadas obras públicas inúteis e cimentar a clientela empresarial que sempre viveu da obra ou do favor público. Ele lançou as raízes do défice e da dívida pública, que, depois, tal como as obras (de Sócrates), passou a execrar. Cinco anos volvidos, regressaria para outros dez de Presidência. Por razões que já nem adianta esmiuçar, acabaria por sair de Belém com uma taxa de rejeição recorde e com 80% dos portugueses fartos dele e do seu pequeno mundo. Muita da popularidade de Marcelo deve-se ao facto de os portugueses o verem em tudo como o oposto de Cavaco Silva.
Tive um breve mas arrepiante flashback deste pequeno mundo quando, na semana passada, Cavaco Silva lançou o seu livro de ajuste de contas. Pelas citações e declarações que li e ouvi, parece-me que a única coisa boa do livro é o título — (mas até esse li que não era original). No restante, Cavaco entretém-se a contar os seus “factos rigorosos” para “informação dos portugueses”, e registados com base num método que diz ter inventado quando era estudante e que se presume não ser o do gravador oculto. A finalidade da história das suas quintas-feiras é atacar um homem já debaixo de todos os fogos — o que confirma a lendária coragem intelectual de Cavaco, tal como no seu discurso de vitória quando foi reeleito, atacando com uma raiva e um despeito indignos de um Presidente da República os seus adversários que já não se podiam defender. Parece que agora, com um absoluto desplante e tomando-nos a todos por idiotas, Cavaco Silva ensaia uma indecorosa falsificação dos tais “factos rigorosos”: a história de como ele e a filha ganharam 150% em dois anos com acções do BPN que não estavam cotadas em bolsa (jamais desmentida e bem documentada), não passou, afinal, de uma “calúnia”, vinda da candidatura de Manuel Alegre; e a célebre “conspiração das escutas” de Sócrates a Belém, engendrada entre o assessor de imprensa de Cavaco e um jornalista do “Público”, foi, pasme-se, ao contrário: foi o Governo que montou uma operação para fazer crer… que o Governo escutava Belém!
Ele (Cavaco Silva) que continue a escrever a sua história: a História jamais o absolverá.
Mas não foi isso o que verdadeiramente me arrepiou nas notícias e imagens do lançamento do livro do Professor. Outra coisa eu não esperava dele nem do seu livro. O que me impressionou e arrepiou foi uma visão que diz tudo sobre quem foi e quem é este homem. Após mais de vinte anos na vida política e nos mais altos postos dela, tendo fatalmente conhecido não só vários grandes do mundo mas também toda uma geração de portugueses da política, da cultura, do empresariado, das universidades, etc., quem é que Cavaco Silva tinha a escutá-lo no seu lançamento? A sua corte de sempre, tirando os que estão a contas com a Justiça. Os mesmos de sempre — Leonor Beleza e o que resta da sua facção fiel no PSD. Mais ninguém. Nem um socialista, nem um comunista, nem um escritor, um actor, um arquitecto, um músico reconhecido. Nada poderia ilustrar melhor o que foi e é o pequeno mundo de Cavaco Silva. Ele que continue a escrever a sua história: a História jamais o absolverá. (...)"
(Miguel Sousa Tavares escreve de acordo com a antiga ortografia)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

ESCADAS ROLANTES - ESCADAS FALANTES. "QUEM AO MAIS ALTO SOBE, AO MAIS BAIXO VEM CAIR"


Um texto do Padre Martins Júnior, pleno de actualidade e que nos deve deixar a pensar. Publicado no seu blogue "Senso&Consenso".

"Hoje não trago mais que um instantâneo. Tão ofuscante e contundente foi, que para mim – e certamente para si, acompanhante dos dias ímpares - ficará como um tratado de filosofia política ou financeira, um manual de sociologia e um laboratório de emoções. Porque é assim que procuro interpretar o movimento cíclico das águas correntes: no efémero detectar o perene.


Descia eu a escada rolante de um desses formigueiros de gente a que se dá o pomposo cognome de hipermercados. Enquanto as correias giratórias circulavam lentamente, saltou-me à vista um sujeito, lá ao fundo, gabardine laranja-desbotado, olhar inquieto, parecendo mais um fugitivo à procura de um buraco onde esconder-se e com uns trejeitos de pescoço entre comprometido e assustado. Percebi que o homem preparava-se para tomar a escada ascendente, contígua à nossa, mas algo lhe travou o passo. Apeei-me e, acto contínuo, o homem subiu. Ninguém deu por ele, nem um bom-dia, nem aceno de mão, nem um olhar, como se de um estranho vulgar de Lineu se tratasse. Confesso que me deu um travo de compaixão e mágoa natural ver ali, ao vivo, o contrastante, talvez pavoroso, dilema entre a glória e o fracasso, entre o trono e o cadafalso, entre o apolíneo clangor do poder e o subterrâneo tumular da humilhação pública. Por outras palavras, o populismo febril e, em contraponto, o sol-posto de um sem-abrigo. Volto a dizer que cheguei a sentir pena daquele instantâneo longo, imenso, eloquente. Quem tinha (ou julgava ter) o “mundo todo” na mão e todos os viventes-vizinhos como escabelo a seus pés… e agora reduzido a mero exemplar do formigueiro! Quem tudo fez tremer debaixo do sobrolho alucinado… agora ignorado sem sombra de aragem, mesmo fria que fosse! Quem esmagava o corpo e a palavra de homens e mulheres de talento, só para promover os medíocres aduladores … agora, ali, de olhar vago e aluado, como a mendigar uma côdea de simpatia ou um punhado de alfarrobas, mesmo falsas, sem ninguém que lhas desse! Nem sequer daqueles que se locupletaram na sua corte. Não gostei da cena. Mais degradante foi ver que o homem não teve coragem de confrontar-se, lado a lado, no vaivém das escadas rolantes, com quem outrora, no auge do poder, insultou e massacrou até à exaustão! Além de cobardia, estava ali a inexorável sentença dos povos: “Quem ao mais alto sobe ao mais baixo vem cair”.
Quero esquecer o cenário-relâmpago daquela escada. Deito fora a casca do instantâneo. Só tento reaprender o seu tronco e sorver a seiva que dele escorre. Não vale a pena galgar o vértice de um poder absoluto, porque, quando menos se espera, a pirâmide volta-se ao contrário e é então que o todo-poderoso torna-se vítima do monstruoso bloco que fabricou. Falo dos grandes impérios de ontem ou de hoje. Assim aconteceu, em alto relevo, com Nero, o boçal imperador de Roma. Assim, com Napoleão, Hitler, Stalin, Mussolini, Bin Laden, Saddam. E assim com todos os tribais populistas de agora, ainda que eleitos, desde a Coreia do Norte à Turquia, aos Estados Unidos, à Rússia. A história não perdoa!
“Quem a ferro mata a ferro morre” – já nos prevenira o Mestre quando Pedro desembainhou o cutelo no Horto do Getsémani. As prepotências, sejam elas de que cor ou dimensão, não passam de momentâneos fogos-fátuos geradores das chamas que vitimarão os próprios titulares. Lições gigantes que se reescrevem nos instantâneos miniaturais das escadas rolantes!"
21.Fev.17
Martins Júnior

sábado, 11 de fevereiro de 2017

TRÊS NOTAS QUE CAUSAM APREENSÃO


Três títulos da edição de hoje do DN-Madeira:

1ª "Ramos quer saber o que há"

Só podem estar a brincar com o povo, quando falam em "acabar com suspeições que continuam a existir" e que, por isso, toca a criar a "carta de equipamentos" na Saúde. Quarenta anos depois, qualquer cidadão interrogar-se-á sobre o que andaram os serviços de saúde a fazer para não conhecerem todos os "equipamentos" públicos e privados. Como planearam e como geriram todos este complexo processo?

2ª "2,7 milhões combatem abandono escolar"

Isto é, a política educativa não se apresenta pró-activa, mas reactiva. Historicamente, ao contrário de uma definição política de ataque aos problemas sociais, económicos, financeiros e culturais da população que se reflectem na escola; ao contrário de uma política educativa assente em um novo paradigma organizacional, a lógica que presidiu foi o deixa andar e, hoje, gasta-se 2,7 milhões como penso rápido em uma situação que nem por ali se resolve. Ao invés de um investimento no futuro decidem remediar o passado!

3ª "Eleitorado vota em pessoas, não vota em partidos"

Frase atribuída ao presidente da Câmara Municipal de S. Vicente, que se diz partidariamente independente. Ora, um independente não tem filiação partidária; um independente não participa no congresso do partido onde desde sempre teve as suas costelas. Ao ler lembrei-me da história de alguém que não me recordo que disse que "isto só vai para a frente com independentes do meu partido". Por favor, um pouco de respeito, porque os eleitores "não são parvos nem andam a tirar documentos para estúpidos". Depois, não votam em partidos? Se não votassem, quantas eleições outros tinham ganhado com as figuras que apresentaram aos eleitores. Quantas?
Ilustração: Arquivo próprio.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

JUSTIÇA: A DELAÇÃO PREMIADA


Na semana em que o Engº José Sócrates realizou uma conferência de imprensa sobre o longo processo judicial, Miguel Sousa Tavares escreveu, no Expresso, um artigo que coloca em causa a designada “delação premiada” e toda a investigação que até ao momento, segundo o jornalista, também jurista, nada conseguiu provar. Deixo aqui duas esclarecedoras passagens do artigo. Será que a montanha irá parir um rato? 


“(…) No caso do sr. Bataglia, homem de negócios à escala planetária, o facto de não poder sair de Angola sob pena de ser preso em qualquer outro país, era, de facto, uma espécie de prisão domiciliária territorial. Ele negociou isso com o dr. Rosário Teixeira: Entrou como foragido da justiça, suspeito de vários crimes que, confirmados, lhe dariam anos de prisão aqui, e saiu como homem livre. A mim parece-me evidente que o acordo que fez não foi simplesmente para vir prestar declarações, mas para vir dizer aos autos aquilo que o dr. Rosário Teixeira queria que ele dissesse. Este é o preço que se paga pela delação premiada: nunca se sabe se o delator disse a verdade verdadeira ou a verdade conveniente. (…) Temos então que o oportuníssimo dr. Bataglia veio dirigir para outros horizontes a investigação da “Operação Marquês” e, aparentemente, salvá-la à beira do fiasco. Já está em marcha a manobra junto da opinião pública destinada a fazer ver que o prazo terminal de 17 de Março para encerramento da instrução terá de ser prorrogado face “aos novos elementos” – tal qual no “Caso Freeport” que demorou seis anos de investigação, sem conclusões algumas. Pois bem, que percam a vergonha e prorroguem. Mas uma coisa há que ninguém pode tirar de cima do dr. Rosário Teixeira e do dr. Carlos Alexandre: afinal, depois dos “fortes indícios de corrupção” pelo Grupo Lena, das auto-estradas, da Parque Escolar, dos contratos com a Venezuela, de Vale do Lobo, do Grupo Octapharma, as verdadeiras suspeitas de corrupção de José Sócrates estavam no Grupo GES. Ou seja, andaram a investigar durante quatro anos e mantiveram-no preso durante dez meses à conta de falsas pistas e falsas suspeitas. E foi o muito recomendável sr. Bataglia quem, à 25ª hora, os fez ver a luz e os terá safado de nada terem para apresentar no dia 17 de Março! É brilhante. E assustador.”
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

COM A VERDADE SE ENGANA


“(...) Passados seis meses há uma verdade e é essa que continuaremos a informar e a esclarecer as famílias madeirenses as vezes que for necessário. Até ao momento, passados seis meses, todos os realojamentos feitos até à data foi por acção e intervenção do Governo Regional. Foram afectadas 251 habitações, estão no momento 113 apoiadas e 93 concluídas e recuperadas por acção e intervenção do Governo Regional”, disse Vânia Jesus, deputada do PSD-Madeira. É propaganda fácil e sem sentido. Afinal, existindo um governo regional AUTÓNOMO, pergunta-se, a quem é que competiria realojar e ou reabilitar? Ao governo da República, ultrapassando os órgãos de governo próprio da Região? Não, Senhora Deputada, não confunda as situações. Está definido, assumido e confirmado pela via institucional, que o governo da República assumirá todos os encargos; outra coisa é, localmente, fazer avançar tais processos, porque as pessoas não podem esperar. Se o governo regional não tem reserva financeira para acudir de imediato, então mal está o processo gestionário das finanças regionais. E sabe-se que está!


O curioso é que o governo da Madeira, que é tão célere a reivindicar direitos autonómicos, quando tudo está "preto no branco", opta por tocar sempre a mesma tecla, desde há 40 anos, a tecla do confronto desnecessário, fazendo confusão onde ela não existe. Esse foi chão que deu uvas! Já não dá, Senhora Deputada. Simplesmente porque inscreve-se na politiquice barata. As pessoas estão fartas disso. Também não deixa de ser curioso o caso da Segurança Social. Os governantes locais sabem que todos os apoios e subsídios são NACIONAIS. Até os próprios funcionários são pagos pela República. É assim e está certo. Mas quando toca a aparecer a dizer que, em 2016, Região "atribuiu" apoios sociais acima dos 40 milhões de euros, não se vislumbra a honestidade de dizer a proveniência do dinheiro para pagar o Rendimento Social de Inserção, Subsídio Social de Desemprego, Complemento Solidário para Idosos e pensões de Velhice, Invalidez e Sobrevivência, entre outros. Aparecem, de peito cheio, cumprimentando com o chapéu dos outros, como se o dinheirinho saísse dos cofres da Região por via do Orçamento Regional. Lamentável.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

A PERGUNTA DESCABIDA PODE SER UMA PERGUNTA INCÓMODA


Não há perguntas descabidas. O jornalista, cumprindo a sua missão, pergunta. Ao político compete responder. É assim na relação com a comunicação social. Os jornalistas não são "pé de microfone", obviamente. Da mesma forma, na escola, não devem existir perguntas descabidas quando um aluno questiona qualquer coisa ao mestre. Outrossim, na fase de debate de um congresso, à pergunta feita por um membro da plateia. Apenas compete ao comunicador explicar. Direitinho, para que não subsistam dúvidas.


Não aprecio a insistência levada ao extremo, fazendo a pergunta de várias maneiras, quando se percebe, logo de início que o interlocutor não quer responder. Outra coisa é, face a uma questão, dizer que essa "é uma pergunta descabida". No exercício da política estas situações acontecem com frequência, ficando evidente que os políticos gostam de despachar a mensagem que lhes interessa. "Convocam" a comunicação social e depois consideram embaraçoso o questionamento. Seria desejável que estas situações não acontecessem e que, mais vezes, os jornalistas colocassem as perguntas que o governo foge a responder. 
Ilustração: Google Imagens.

MUTILAÇÃO GENITAL FEMININA. A INTERVENÇÃO DA DEPUTADA EUROPEIA LILIANA RODRIGUES

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

O SUBSÍDIO DE MOBILIDADE E A CEGUEIRA POLÍTICA


"(...) A Madeira tem, neste momento, o melhor sistema de apoio aos residentes que alguma vez experimentou (...) Não há razão para descontentamento face à solução em vigor (...) mesmo no Natal e fim-de-ano transacto, o valor mais elevado que vigorou foi substancialmente mais baixo ao verificado nos anos em que não havia este subsídio". 


Estas são declarações do Secretário Regional da Economia, Dr. Eduardo Jesus. Ora bem, repetir o extenso rol de argumentações contrárias ao que foi assumido, equivale a "chuva do molhado". De resto, são as "cartas do leitor", é a voz dos estudantes, é longa e desesperante fila nos correios e, muitas vezes, a incerteza de não pagarem porque falta qualquer coisita, é, ainda, para muitas pessoas, a impossibilidade de disporem, no momento da compra, do dinheiro necessário, é a questão do cartão de crédito, enfim, pergunto, quem não tem uma história para contar. 
Só mais um pormenor. Os madeirenses e portosantenses não querem SUBSÍDIOS. O subsídio enquadra-se no favor e na dependência. O que nós precisamos, por vivermos no Atlântico, é de um preço de viagem adequado e que corresponda aos factores decorrentes da continuidade territorial. Pago no momento da compra e ponto final. Entendeu Senhor Secretário? Ponha de lado a cegueira partidária!
Ilustração: Arquivo próprio.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O ESTATUTO POLÍTICO-ADMINISTRATIVO É ASSUNTO MUITO SÉRIO. NÃO PARA ESPECTÁCULOS MEDIÁTICOS.


O PSD-Madeira, a solo, apresentou uma versão do que entende dever ser a revisão do Estatuto Político-Administrativo da Região. Preparou o foguete, lançou-o e corre agora atrás da "cana"! A sensação que tive, quando li a proposta, é que não é para ser levado a sério. Por um lado, quem, há anos, anda a engonhar a revisão, não é crível que a deseje; por outro, necessitando o Estatuto de uma larga convergência partidária, torna-se estranho que a proposta não tenha merecido um primeiro debate informal entre os partidos. Isto é, o que fica claro, tendo presente os comportamentos passados, é que o PSD-M assumiu o protagonismo e, dizendo não dizendo, se quiserem, venham atrás, disponibilizamo-nos para os acertos marginais. Sabendo das inconstitucionalidades que lá se encontram, e sabendo, ainda, que o Estatuto é aprovado na Assembleia da República, onde não têm maioria política, repito, o documento não é para levar a sério.


E tanto assim é que, ainda hoje, o deputado social-democrata Miguel de Sousa lamenta a apresentação pública de um "instrumento legislativo tão importante", por não ter envolvido todos os partidos em uma causa que é comum. Sublinhou, de forma incisiva e contundente: "Demos o ‘show’ de sermos os primeiros! O mais provável é sermos os únicos". Até dentro do próprio grupo o parlamentar não foi, segundo sublinhou "nem ouvido nem achado para a matéria", apenas "convocaram-me para uma reunião sem conhecer a proposta. Era conhecida só por alguns predilectos. Recebi o texto na véspera da sua apresentação em conferência de imprensa".
Obviamente que concordo com a posição do social-democrata Miguel de Sousa quando assume que o Estatuto, pela sua relevância, deveria conduzir a "um intervalo na luta político-partidária", simplesmente porque este documento é a base do funcionamento da Região a todos os níveis. Quando não se assiste a uma discussão prévia dentro do PSD, facilmente se adivinham as dificuldades de aceitação da proposta pelos demais. Ora, tudo isto corresponde a velhos hábitos de quero, posso e mando. E falam de "renovação"! Talvez seja mais "rotação" de pessoas do que alteração de atitude política. Este foi o I Acto. Outros se seguirão.
Ilustração: Google Imagens.