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REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA - UM LONGO CAMINHO PARA A DEMOCRACIA

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

A prova democrática


Por
Liliana Rodrigues
Professora Universitária
Artigo publicado no DIÁRIO

Num contexto de polarização política, desigualdade crescente e descontentamento democrático, a mera defesa de procedimentos justos revela-se insuficiente. A democracia necessita de cidadãos capazes de decidir conscientemente sobre o bem comum, não apenas de indivíduos que reivindiquem direitos. Contudo, essa exigência não pode ser confundida com uniformidade ideológica nem com a pretensão de que apenas determinadas opções políticas representam a verdadeira democracia. A democracia é, antes de tudo, uma opção pessoal: uma decisão íntima de reconhecer o outro como igual em dignidade política, mesmo quando discorda de nós.



Ser democrata não significa votar como eu voto, pensar como eu penso ou defender as mesmas prioridades políticas. Significa aceitar que o pluralismo é constitutivo da vida comum. O cidadão que escolhe um caminho político diferente não é menos democrata por isso; é apenas alguém que interpreta de forma distinta o bem comum. O reconhecimento dessa diferença como legítima é precisamente o que sustenta a democracia enquanto forma de vida e não apenas como sistema eleitoral.

A recente vitória de António José Seguro constitui um sintoma dessa maturidade democrática. Independentemente das simpatias ou reservas que cada cidadão possa ter relativamente ao seu projeto político, o resultado eleitoral expressa uma escolha legítima dentro das regras do jogo democrático. Questionar a legitimidade do outro apenas porque venceu ou porque pensa de modo diferente é fragilizar o próprio fundamento da democracia. Não considero aceitável esta vitória como a expressão de “todos contra um”, pois tal leitura apenas empobrece o significado do voto democrático. Impõe-se o respeito de cada voto e compreender que esta liderança se mostrou mais capaz de mobilizar os cidadãos. Mesmo perante circunstâncias adversas, como as inundações que afetaram Coimbra, Leiria e outras regiões do País, muitos cidadãos deslocaram-se para exercer o seu direito de voto. Não há verdadeiro democrata que não se orgulhe de ver tantos cidadãos — de barco, a pé ou da forma que lhes foi possível — a participar num momento tão exigente, exercendo esse direito inalienável que é o direito a ter voz pelo voto. Há maior forma de honrar a Liberdade do que esta?

A verdadeira prova democrática não é ganhar eleições; é aceitar os resultados quando não nos favorecem. É aqui que se exerce a maior autonomia, que é sempre subsidiada pela coesão nacional. A democracia não pertence a um partido, nem a uma ideologia, nem a uma maioria circunstancial. Contudo, não pode ser instrumentalizada por aqueles que, beneficiando dela, recusam os seus princípios fundamentais, pois tal postura contradiz a própria validade que o voto lhes conferiu. A democracia pertence a todos aqueles que aceitam que o outro, mesmo quando vota diferente de mim, continua a ser plenamente democrata. Pressupõe também compreender que a vitória de um projeto não anula a legitimidade dos restantes. Implica, ainda, integrar a diferença no horizonte comum do País.

Não tenho dúvidas de que António José Seguro será um Presidente ao serviço de todos os portugueses.

Ilustração: Google Imagens
Postado por André Escórcio às segunda-feira, fevereiro 16, 2026 Sem comentários:
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quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Eleições: o reforço da democracia


Por
Liliana Rodrigues
Doutorada - Universidade da Madeira

Com eleições em breve, seremos todos chamados a escolher que modelo político e de desenvolvimento queremos para a Madeira. Vivemos em democracia e, por isso mesmo, é permitido a todos dizerem o que pensam. Será sempre bom relembrar que nem todos aqueles que dizem o que pensam são democráticos.



O modelo democrático, com todas as suas fragilidades, continua a ser forma de governo que permite a liberdade de ser e de se fazer representar. A sua origem é grega, melhor, nasceu na Cidade-Estado de Atenas, no séc. VI a.C. O modelo democrático de governação, ainda que num registo empobrecido no que diz respeito à participação de todos na vida pública, estava alicerçado na conceção educativa de paideia.

A paideia tinha por objetivo fundamental a formação humana e livre nutrida de experiências sociais, culturais e antropológicas. Esta visão distinguia-se do modelo da Cidade-Estado rival: Esparta. Aqui vivia-se numa lógica totalitária de se ser e estar.

O modelo espartano educava para o conformismo. A criança, aos sete anos, era retirada da família e até aos dezasseis anos recebia uma educação militarizada. Era a guerra como fim último da educação. Mas até os guerreiros mais hábeis de Esparta serviram de entretenimento aos romanos, em 451-404 a.C.

Estas visões sociais marcaram até hoje diferentes povos e culturas. Não tenho dúvidas de que quem se expressa em nome da liberdade e da igualdade compreende bem os perigos das prisões a céu aberto. Tivemos a experiência e temos memória social da ditadura. Também não tenho dúvidas de que quem persegue os seus adversários (em alguns casos pessoas que militam na sua própria família política) e quem os desconsidera na sua integridade pessoal é porque não tem argumentos suficientemente sólidos para sequer se governar a si mesmo.


Em debates, em panfletos, em entrevistas e, mais recentemente, nas intermináveis adições a grupos de WhatsApp (sou só eu que considero um abuso ser “adicionada” a grupos sem o meu aval?), o discurso político não tem sido capaz de alimentar o sentimento de responsabilidade social. Vale-nos o sentido de cidadania dos eleitores que percebem quanto vale uma casaca virada.

Recentemente, demo-nos conta de um caso paradigmático nesta campanha às legislativas regionais da Madeira: um líder partidário desafia outro candidato para um acerto de contas na rua. É caso para dizer: “que o poder não caia na rua”. “Fascismo nunca mais”.

Vivemos numa altura em que o modelo democrático está à prova. Vale tudo, em especial nos dependentes das redes sociais, esse lugar de possibilidade de se ter um diário pessoal. Mas até daí decorrem responsabilidades civis e criminais.

É urgente a participação de todos na vida da região. Quanto menos as pessoas participam, menos o consenso é legítimo. Dia 24 de setembro vote. A sua participação tem importância no reforço da democracia.

Ilustração: Google Imagens
Postado por André Escórcio às quarta-feira, setembro 13, 2023 Sem comentários:
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sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Digas o que disseres

 

Tenho a sensação que, neste mundo de contraditórios, só se pode escrever uma de duas coisas: ou banalidades que se escusam a ferir sensibilidades, ou textos mais técnicos, de preferência “nano especializados”, que só os da área podem concordar ou discordar, mas, mesmo assim, há sempre um ou outro que se arroga no direito de dizer qualquer coisa. Carregados de likes, machados e foices a sentença é executada na praça pública.



Esta profunda convicção que tudo deve ser dito da forma mais polida possível contrasta com o que se vê por aí, onde a verdade de cada opinião vale mais que a verdade dos factos. Ainda que a presença do real seja efetiva, a forma como vemos o mundo depende do nosso olhar. Mas há olhares mais turvos que outros.

Não deixa de ser irónico que, numa altura em que tanto se apregoa a liberdade de se ser e de estar seja, também, o tempo em que se achincalha e se julga sumariamente no lugar sem espaço, onde uma espécie de liberdade de expressão não tem limites. Esta reflexão deve ser feita entre todos: até onde podemos ir? Haverá uma relação entre estarmos continuamente ligados e a sociedade espetáculo que construímos? Estará esta forma de se estar na vida ligada a algum tipo de tédio? De insatisfação impossível de satisfazer?

“Então, o que é que nos pode ainda perturbar? (...) Podemos porventura chamar tédio a isto. (...) Se uma civilização inteira for atingida pelo tédio, esta pode tornar-se uma coisa efectivamente séria (...). Se, obtido tudo o que razoavelmente se pode desejar, as pessoas ainda estão insatisfeitas e se todo o mundo partilha do mesmo sentimento de insatisfação, pode desencadear-se o recurso a coisas menos razoáveis.

Estamos todos de acordo num ponto, a saber: a violência é o único e verdadeiro passatempo (WEIL, E).” Os missionários do desenvolvimento deram-nos o que prometeram. Porquê esta insatisfação? Parece que nada nos preenche. Entediados, não encontramos uma vida que nos satisfaça. O tédio pode engendrar diversas espécies de violência: contra si, contra o outro e/ ou violência desinteressada que se espalha cada vez mais. E não há diploma que nos salve, já que não se pode instruir ninguém no uso da liberdade. Eu não sei para onde vamos. Sei que isto não vai acabar bem. Não é possível viver em comunidade sem o respeito pela universalidade dos direitos, dos deveres e valores. Sei que não é normal, no século da pós-verdade litigada em rede, que a responsabilidade da ação e do discurso só seja conseguida pelo castigo do tribunal dos homens. Entre o que pode ou não ser dito há uma foice sempre pronta a cortar em riste. Digas o que disseres.

Liliana Rodrigues - Professora Universitária.

Postado por André Escórcio às sexta-feira, janeiro 13, 2023 Sem comentários:
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quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Quando os interesses se sobrepõem à função...


Acabo de seguir, na SIC, no programa da Júlia, uma entrevista a Marisa Matias, Deputada no Parlamento Europeu pelo Bloco de Esquerda. Gostei e muito. O seu percurso de vida impressionou-me, pela sua humildade, perseverança em atingir um objectivo académico, o curso de Sociologia e mais tarde o Doutoramento com a tese "A natureza farta de nós? Saúde, ambiente e novas formas de cidadania", tal como as suas outras lutas em vários campos em defesa dos direitos do ser humano. Foi uma conversa serena e muito interessante.



Marisa Matias está no terceiro mandato no Parlamento Europeu. Faço aqui um parêntesis e logo retomo: acontece-me, frequentemente, durante a corrida diária, passar em revista determinados assuntos que me levam a interrogar sobre os porquês. Retomo. Aconteceu, hoje, com a entrevista a Marisa Matias. Ao longo da entrevista, uma pergunta bailou na frente dos meus olhos de espectador: a Madeira teve na Doutora Liliana Rodrigues uma excelente presença no Parlamento Europeu. Cumpriu, de forma exímia, a sua função de Deputada e quando o bom senso determinaria a sua continuidade para um segundo mandato, excluíram o seu nome sem qualquer justificação plausível. 

Ora, isto quando se sabe que um primeiro mandato quase que apenas serve para conhecer os meandros da colossal engrenagem da União Europeia. É preciso tempo para se integrar, gerar amizades políticas e ser reconhecido. É o que Marisa e o BE estão a fazer e que, por aqui, secundarizaram, transmitindo ao eleitorado que os interesses se sobrepõem à importância da função. Enquanto cidadão considero imperdoáveis situações destas. É feio utilizar e deitar fora. Liliana Rodrigues não merecia tal desconsideração. A Madeira ficou a perder. A entrevista a Marisa prova-o.

Postado por André Escórcio às quarta-feira, novembro 04, 2020 Sem comentários:
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domingo, 26 de julho de 2020

O DOM DE OUVIR


Por
Liliana Rodrigues
Professora Universitária/Investigadora
26/07/2020


Quando começamos a escrever sobre a memória e/ ou a infância isso pode, eventualmente, ser um sinal de perplexidade ou de desprendimento pelo tempo.

Refiro-me à memória da gentileza e do respeito pela diferença e, em alguns casos, o espanto pelo absurdo (tão típico das crianças). Há, também, a memória juvenil da esperança. Das lutas e acesas discussões sobre o estado da região, da liberdade e da democracia. A ideia de que a Madeira deveria ser um lugar comum e exemplar onde, particularmente no espaço político, a decisão fosse fundamentada na capacidade de ouvir o Outro. Somos tão poucos que este movimento de dizer e ouvir deveria ser um processo simples e livre, sem apedrejamentos como castigo. Humilhar, publicamente ou não, alguém revela o pior que uma pessoa tem.

Parece que, com a idade, anestesiamos o dom de ouvir. Lembro-me, ainda criança, de passar horas a ouvir as explicações de tudo e de todos. Eles, pacientemente, ouviam as minhas ideias e os meus sonhos e, com alguma regularidade, as argumentações, por muito estapafúrdias que se perfilhassem. Mas ouviam. Creio que uma ou outra vez, à custa da extravagância do sonho, ouvi risinhos. O dia, por exemplo, em que ninguém levou muito a sério a minha obra de irrigação através da simplicidade da acção de furar a mangueira. Engenharia pura e infalível.

Intencional ou não, lenta e gradualmente perdemos a capacidade de ouvir, de medir e de respeitar a voz do Outro e isso já nos levou a todos a cometer erros. Eu e a aqueles que estão (e os que não estão) a ler estas palavras. Falamos muito. Demais. Tendemos a ouvir o eco da nossa própria voz. Ninguém é imune a más decisões, a pensamentos turvos ou a reacções mal reflectidas, às vezes por défice de aconselhamento, outras vezes por excesso de envenenamento que não é, forçosamente, exterior. A soberba mata por dentro. É como a cobra que morde a sua própria língua. Temos ainda o desacerto do momento ou imaturidade perante a vida e os actores que a compõem a influenciarem as decisões e a busca das razões. Aspirámos a uma verdade que é sempre a nossa. Esta teimosia estrutural de pensamento tem os seus custos e acabamos por compreender a irrelevância da parte, quando o que está em jogo é muito maior do que nós, isto é, o todo.

A forma e a substância do discurso têm dois sentidos: o que diz e o que ouve. O desafio está no ouvir. A surdez será sempre a forma mais pobre de estar perante a palavra e, por muito que a decepção tenha assolado o espírito, não podemos permitir que um se dirija a Outro como se ele fosse um ser menor, inclusive e em especial na política. Os eleitos nunca são menores. São a expressão da vontade de um povo que ouviu argumentos e optou por um desses compromissos políticos. Um eleito referir-se a Outro eleito como alguém menor, fraco, inoperante e vazio, como ouvi esta semana, é denegrir não somente o eleito, mas também o eleitor e a democracia. Senhor Presidente, não perca o dom de ouvir e o privilégio de ser ouvido. Oiça Sófocles: “Não guardes, pois, dentro de ti qualquer pensamento reservado, nem julgues que é justo aquilo e só aquilo que dizes”. 
Postado por André Escórcio às domingo, julho 26, 2020 Sem comentários:
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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

OS DECEPCIONADOS


Por
LILIANA RODRIGUES
Professora Universitária/Investigadora

O paradoxo da contemporaneidade assenta no facto de, apesar do progresso das últimas décadas, haver uma decepção generalizada com o poder e a governação. Refiro-me às “sociedades exasperadas”, referidas por Daniel Innerarity (2019), que fazem nascer tensões sociais e territoriais (visíveis, mais recentemente, no caso Irão vs. Estados Unidos da América). São os cidadãos que desafiam os poderes instituídos, que exigem mudanças paradigmáticas e que rejeitam um “establishment político arrogante, alheio ao interesse geral e impotente na hora de enfrentar os principais problemas que angustiam as pessoas” (Innerarity). Temos o Chile como bom exemplo.


As consequências da Primavera Árabe, a crise financeira de 2008, o crescimento da extrema-direita e do populismo (que não são a mesma coisa, ainda que haja relação entre ambas e porque pode existir populismo nas visões denominadas de esquerda), o sentimento antipolítico, a globalização (que, por si só, não é boa nem má), as questões migratórias e o desenvolvimento desigual entre países e regiões deixaram marcas profundas e uma ausência de esperança no futuro da nossa vida em comum, nomeadamente do ponto de vista económico e ambiental (veja-se o presente desastre ambiental na Austrália), mas também no que diz respeito à segurança, à liberdade religiosa e aos direitos fundamentais. Os decepcionados são todos aqueles que vestiram os coletes que deram à costa ou que foram sepultados no mar do Mediterrâneo, os que desesperaram para se sentirem úteis e não conseguiram trabalho, os que reivindicaram, vestidos de amarelo, pelos direitos sociais, os que se sentiram traídos pelos seus, os divergentes de opinião e de acção e os que desistiram porque se destruíram por dentro (nestes casos, pode acontecer ainda não se terem apercebido que são decepção).

A incerteza que se vive a nível internacional mostra bem a ausência de lideranças fortes e de cooperação entre nações. Mantemos um certo riso quando figuras como Trump nos aparecem pelos televisores adentro. Mas a verdade é que os Trumps e Bolsonaros do nosso tempo sempre existiram, inclusive na Europa. Quem não se recorda dos caçadores de migrantes na Hungria de Órban? Da mafia maltesa, com ligações ao governo, que assassinou uma jornalista por denunciar corrupção de altos dirigentes políticos? Ou do Estado polaco, que legislou sobre o seu falso direito de decidir sobre o corpo das mulheres? Ali perto, quem não se lembra da descriminalização da violência doméstica na Rússia de Putin?

Todos eles, sem excepção, ainda lá estão. A nível micro-político, a diferença não é muito grande. A mentira, a propaganda, a comunicação persuasiva e vazia e a manipulação deram lugar ao marketing político baseado na ideia de imagem limpa. Chega-se ao ridículo de os ver a olhar para as câmaras com as mãos viradas para o ego, quase a modo de reza, copiando o pseudo modelo discursivo de Oxford.
Continua Innerarity dizendo que “Há decepcionados por todo o lado (...) à direita e à esquerda. O quadro das indignações ficaria incompleto se não tivéssemos em conta a sua ambivalência e cacofonia”. O ideal adiado do imperativo de construção de um espaço político de pluralidade interna e externa, tanto de debate como de estratégia, leva-me a crer que este é o tempo do fim das ideologias. A incapacidade política de fortalecer a democracia mostra que muitos dos que se arrogam naturalmente políticos não perceberam que “o assumir infundamentado de uma certa intimidade com a grandeza rapidamente [cedeu] o lugar a uma nova geração que nega que alguma vez tenham existido gigantes e que assevera que toda esta história não passa de uma mentira (...). Os gigantes estarão, presumo eu, a olhar cá para baixo, para esta pequena comédia, e a rir” (Bloom, 1990).
Postado por André Escórcio às segunda-feira, fevereiro 17, 2020 Sem comentários:
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segunda-feira, 26 de agosto de 2019

A FOME DE ERISÍCTON

LILIANA RODRIGUES
Professora Universitária/Investigadora
Opinião no JM - 25/08/2019 

Imagine uma árvore gigante, no meio de um bosque deslumbrante, onde as ninfas da floresta, as Dríades, procuravam a sombra para dançarem. Cada Dríade nascia ligada e era emanada de uma determinada árvore. Ali vivia, junto a ela. Quando a sua árvore era cortada ou morta, a ninfa também morria. Então, os deuses puniam quem as destruía. 


Foi o que aconteceu com Erisícton, Rei da Tessália. Este desafiou Deméter, deusa das colheitas, protectora dos agricultores e do bosque, que amava com todas as suas forças a árvore das árvores – um carvalho gigante. O rei decidiu usar essa árvore para fazer o soalho do seu palácio. De machados em punho, os serviçais obedientes começaram a golpear o carvalho, que carpia de dor e escorria sofrimento do seu tronco. Ali por perto, ouviam-se as vozes da indignação. A deusa protectora da floresta exigiu ao rei que desistisse de abater o colossal carvalho. Mas Erisícton, como todos os que pensam que são reis não o sendo, só se ouvia a si mesmo e os seus propósitos seriam atingidos sem que o esmagamento de terceiros lhe doesse na consciência. O seu desprezo pelos vivos e pelo sagrado, o não se curvar nem a deuses nem a homens, mostravam bem o seu carácter violento e ímpio. Tinha em si que a sua riqueza poderia comprar os medos e os castigos. Voltou a ordenar aos servos que abatessem a árvore. Um deles atreveu-se a contrariar o rei evocando a profanação do carvalho sagrado e a ira dos deuses. Antes que acabasse a frase já tinha a cabeça cortada. Algo bastante comum no mundo da política, onde a discordância é a mais imperdoável heresia.

Erisícton pegou no machado e, ele próprio, cortou a árvore. As ninfas choravam por não terem conseguido impedir a morte daquela que lhes dava sombra e que era, por Deméter, velada. Derrubado e coberto de lacerações, do carvalho gigante irrompia sangue e ouvia-se uma voz a anunciar um castigo, intimado pelas ninfas das florestas. A punição seria cruel. 

Deméter enviou para o rei a Fome, conhecida por Éton, e ordenou que esta se instalasse no estômago do rei. Daí foi despertado um apetite insaciável que tudo devorava. O rei gastou toda a sua fortuna em comida, devorou os seus rebanhos e cavalos de corrida. Vendeu a própria filha como escrava para comprar mais e mais comida…
Não somos muito diferentes hoje em dia. Há reis que usam e abusam da imagem dos filhos para ter maior simpatia dos súbditos. A diferença é que as bocas destes reis se enchem da palavra “democracia”, que vai sendo mendigada, tal como Erisícton vagabundeava a pedir por alimento, nas ruas por onde passam. Outros deitam alcatrão nos lugares de poder da natureza. Outros ainda, limitam-se a queimá-la.
A magreza era visível a cada dia que passava e o rei Erisícton, entre a soberba de outrora e a loucura presente, arrancava os seus braços e devorava os seus próprios membros. Assim são alguns homens que devoram os seus e a si mesmos, até que o limite do poder redunde no seu próprio desaparecimento. Para trás, deixam um rasto de destruição e de cabeças cortadas pelo prazer da vaidade. “A vaidade tem horror a tudo o que desperta a lembrança da nossa indigência” (Aires, M.). Que obrigação terão estes servos de escolher homens assim?
No fim, os deuses castigam um homem só. Em todos os sentidos que a palavra solidão tem. A cegueira e a loucura já puniram verdadeiros e falsos reis. Mas a arrogância, o orgulho e a vingança engolem qualquer homem. O deserto só atravessa quem quer e a obediência tem o custo da fome. Uma fome que nos devora a alma.
Postado por André Escórcio às segunda-feira, agosto 26, 2019 Sem comentários:
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segunda-feira, 1 de julho de 2019

ESCUTA, ZÉ NINGUÉM!

Por
LILIANA RODRIGUES
Professora Universitária/Investigadora
30/06/2019 

Decorria o ano de 1946 quando Wilhelm Reich escreveu sobre o Zé Ninguém. O Zé Ninguém é aquele tipo de homem em que “o elogio fúnebre é o momento máximo da sua carreira” (Pimenta, A. 1983).


Em termos intelectuais, é o que de mais raso há no senso comum e sofre de uma patologia moral na sua acção. Portanto, evitemos julgá-lo como aquele a quem faltam bens materiais para ser alguém. É melhor ter alma do que ter coisas. As coisas são deterioráveis, mas só deixa apodrecer a alma quem quer. Também evitemos confundir senso comum com bom senso ou com simplicidade de vida. O senso comum é isso: a arte de afirmar sem saber o que se está a dizer. Em última análise, corresponde à demência moral e ética.
O Zé Ninguém é aquele que é vítima da escravatura da dependência institucional, precisamente porque não conhece a liberdade como caminho. Não faz o seu percurso. Pisa e é pisado porque não sabe viver de outra maneira. Ele é poder quando cai na rua. Quando se assume como “representante do povo” ilude com a mentira, com o ódio e a inveja. As elites? Que se acabe com todas elas, mesmo sem compreender o conceito de elite. Aliás, é comum o Zé Ninguém confundir a elite com a posse de dinheiro e propriedades e, nos seus discursos inflamados pelo vazio, misturar (quase geminando), numa palermice de boçal, a ideia de elite com burgueses capitalistas. Na verdade, foram as elites as guardiãs da cultura e da civilização, foram elas que sempre tentaram “negociar, moralmente, intelectualmente e existencialmente, os ideais, afirmações, praxis rivais da cidade de Sócrates e da cidade de Isaías” (ARENDT, H. 1992).
Os homens medíocres diabolizam a ideia de mestre e de educação crítica, mas gritam com todo o ar que têm nos pulmões pela liberdade, desde que seja a sua. Até a autocrítica é condenável. Não vá o diabo da consciência ter razão. Assim, também no caminho escolhido, onde se saltam degraus e o beco mais curto impera, o Zé Ninguém recusa a possibilidade de uma consciência limitada (a sua, em especial) que se dobre à ditadura da dúvida. O mote é “quanto menos entendes, menos prezas (...). Continuarás a viver em barracas e paredes rebocadas de estrume, mas muito ufano dos teus palácios da cultura. Basta-te a ilusão de que governas – até que sobrevenha a próxima guerra e a queda dos novos tiranos” (Reich, 1993).
Ele frequenta os lugares de onde possa tirar algum proveito. Mas ele está em todos os lugares pela ganância de os ocupar e a sua história começa com Judas. Mas até este, com o seu falso arrependimento, quis livrar-se das 30 moedas com que se vendeu e que os judeus recusaram. Infelizmente, o que o Zé Ninguém é na vida pública também o é na vida privada. Isto serve a todos os Zés Ninguéns cuja gravata servirá para fazer juramentos a Deus como ao Diabo, o que mais lhe convenha a cada momento. Mas há aqueles, mais dissimulados, que só se revelam no desgosto de não ser apreciados. Todos nós já conhecemos um assim. “Eu conheço-te, Zé Ninguém. (...) Mas a história nunca te ensinou o que quer que fosse. (...) continuas na lama” (Ibidem). Na verdade, este fenómeno social do Zé Ninguém é o processo mais eficiente de esconder aquilo que ele sabe não ser capaz de, por si próprio, sequer pensar. Quando fazes acordos, “é difícil saber se é um acordo público que traz vantagens particulares ou se é um acordo particular que traz desvantagens públicas” (Alberto Pimenta, 1983). A tua degenerescência é a tua força e a tua piedade oportunista. O teu olhar opaco denuncia-te, Zé Ninguém. Ainda não desistimos da tua cura.
Postado por André Escórcio às segunda-feira, julho 01, 2019 Sem comentários:
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sexta-feira, 31 de maio de 2019

Ininteligível o que fizeram à Eurodeputada Liliana Rodrigues!


Decorria o ano de 2011. Era eu líder do grupo parlamentar. Para as Legislativas Regionais, o candidato pelo PS-M, Dr. Maximiano Martins, Economista, convidou-me e ao Dr. Carlos João Pereira, também Economista, para integrarmos a lista de candidatos à Assembleia Legislativa da Madeira. Pediu-nos que integrássemos o 4º e 5º lugares dessa lista. Aceitámos. Entretanto, surgiu uma figura que se impôs: ou vou em 4º ou haverá problemas. Face à situação e no sentido da estabilidade, dissemos ao Dr. Maximiano Martins que, se precisasse de nós, poderia colocar os nossos nomes nos lugares que não originassem qualquer embaraço ou problema interno. Lembro-me de lhe ter dito que, pessoalmente, poderia ser o primeiro suplente da lista. Assim, o Carlos surgiu em 7º e eu em 8º. Depois, colocou-se o problema do PS apresentar uma proposta de figuras de um possível governo regional. Uma tentativa de demonstrar que havia na sociedade quem fizesse melhor. Uma vez mais, o Dr. Maximiano Martins, propôs-me que aceitasse aparecer aos olhos da opinião pública como a figura indicada para a administração da Educação. Disse-lhe que melhor seria encontrar uma personalidade independente, do meio universitário e de reconhecida qualidade. Pedi-lhe carta branca!  


E assim marquei um encontro com a Doutora Liliana Rodrigues, Professora da Universidade da Madeira. Uma figura que conheço desde os seus 10 anos de idade. Foi minha aluna na antiga escola dos Ilhéus. Conversámos demoradamente e, em nome do Dr. Maximiano, dirigi-lhe o convite. Ficou de pensar. Dias depois disse-me que aceitava o projecto político. 
Saliento: a Doutora Liliana não foi candidata a Deputada, apenas, no caso de vitória, seria a figura indicada para administrar o sector educativo. Um facto que, logo à partida, demonstra a sua total independência e ausência de qualquer interesse em colocar de lado a brilhante carreira académica pela opção de uma "carreira" política. Por esta via, a do serviço à comunidade, mais tarde, veio a integrar um tal "Laboratório de Ideias" e, depois, em 2014, a sua escolha para o Parlamento Europeu. 
O tempo que esteve em Bruxelas, integrando a lista nacional do PS, foi amplamente reconhecido. Basta ler as newsletter que publicou, para nos apercebermos do seu valor e da sua determinação. Na sua última carta, de despedida e a agradecimento, escreveu: 

"(...) Chegou ao fim o meu mandato no Parlamento Europeu. Foram cinco anos de trabalho intenso e de muitos combates políticos. Tive a oportunidade e a honra de conhecer e de trabalhar com pessoas que admiro, dentro do meu grupo político e fora dele. Não há democracia sem respeito, diálogo e negociação. Sempre foi esse o meu entendimento da política. (...) Sabia que não conseguiria mudar o mundo, mas fiz tudo o que esteve ao meu alcance para o tornar mais justo e mais livre. Defendi a minha região e o meu país sem deixar de os perspectivar no seu contexto europeu. A Europa é a nossa casa. (...)"


Do meu ponto de vista é ininteligível o seu afastamento. Não está em causa quem a substituiu, mas quem não permitiu que continuasse. Foi uma traição com todas as letras. Uma traição à pessoa, ao partido socialista e aos madeirenses em geral. Cinco anos, em um Parlamento de setecentos e muitos deputados, é muito pouco, para conhecer, integrar-se, estabelecer relações pessoais privilegiadas, conhecer os complexos dossiês europeus, o reconhecimento entre os pares, fazer lóbi, capacidade para propor e levar a que os outros percebam as causas que subjazem ao seu desempenho. Substituíram uma mulher por outra mulher. Substituíram a experiência pela aventura! Lamento. 

Esta era a situação há quase dois anos. 
O problema disto é que há gente que não percebeu, ainda, que os lugares políticos desempenham-se com competência e nunca como forma de ajuda à colocação de amigos(as). Mas há quem coloque e retire; quem seja apoiante e traidor. Há quem entenda o exercício da política como um exercício de troca de favores. O que fazer quando esta é a lógica do sistema? O que fazer, quando um partido é bicéfalo e quem se diz líder nivela por baixo e actua, politicamente, como se isto fosse comparável a um jogo de futebol, cheio de rufias a exigir cartões amarelos e vermelhos?
Mas há um outro aspecto que ressalta. E isso faz-me regressar ao princípio deste texto, apenas para enaltecer que, curiosamente, as figuras de 2011, uma a uma têm vindo a ser afastadas: o meu caso não conta, mas fui demitido (nunca foi essa a minha intenção, pois é conhecido o contexto em defesa da imagem do partido perante factos gravosos); 

ao Dr. Carlos Pereira, ex-líder do PS-M, tudo fizeram para que deixasse a liderança, quando, sob a sua presidência, tinha trazido o PS de cerca de 11% (2015, já com a presença do actual candidato "independente" à presidência do governo) para uma posição de recuperação do eleitorado, duplicando os resultados para a Assembleia da República; depois, conseguiu cerca de 30% nas autárquicas (2017) e um estudo de opinião concedeu-lhe 35,8% de intenções de voto para as próximas Legislativas Regionais (empate técnico com o PSD). Carlos Pereira que fez um mandato de excelência na Assembleia da República, que publicou um notável livro sobre a Madeira (A Herança), que é um dos melhores tribunos de sempre, hoje, tem, pressuponho, a "guia-de-marcha" para uma saída dos lugares de topo da representação partidária regional e nacional. Oxalá esteja enganado; 

o Dr. Maximiano, outro Economista, com um passado de enorme prestígio e experiência em lugares gestionários de topo nacional, acabou por se retirar em 2015. Agora, foi a Professora Doutora Liliana Rodrigues. Mas existem muitos outros (são tantos os militantes de enorme valor, da base ao topo) que, de forma discreta, saíram ou vão desistindo da participação política. Isto é, os melhores, entre os quais não me incluo, obviamente, refiro-me às referências de qualidade técnica e política em vários sectores e áreas da governação, subtilmente, estão a ser mandados para fora do tabuleiro político-partidário. E há gentinha que continua na sombra, que está quando interessa e não está quando a maré é difícil, que só actua nos bastidores, que nunca se compromete, sempre à espreita de uma oportunidade, mas nunca assume uma posição contra este estado de coisas que repugna, sobretudo pelo oportunismo e pelos interesses pessoais em detrimento do colectivo e da Madeira. Obviamente que os eleitores não são cegos. Percebem e muito bem. Daí, uma parte, mesmo que ínfima, que ajuda a compreender os últimos resultados. 
Ilustração: Google Imagens.

NOTA

Não escrevo movido por qualquer interesse ou intenção. A minha história não se compagina com ressabiamentos. Trata-se de um sentido desabafo. Em 2011 saí por iniciativa própria, porque considerei que o meu tempo político tinha chegado ao fim. Abri espaço a outros melhores que eu. Prescindi, até, de fazer o mandato de 2011/2015, por substituição (não fui eleito), face ao falecimento da Drª Isabel Sena Lino. Hoje, com setenta anos de idade e independente, eu que nunca fui candidato ao Parlamento Europeu ou à Assembleia da República e que nunca reivindiquei lugares, sinto-me, agora, mais livre que nunca para analisar factos. Que fique claro que a minha posição é a de um mero CIDADÃO observador e eleitor, embora com convicções políticas que não abdico. 
Postado por André Escórcio às sexta-feira, maio 31, 2019 Sem comentários:
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Marcadores: Carlos Pereira, Eleições Legislativas 2019, Liliana Rodrigues

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

FAÇAM UM DESENHO, PORQUE A POPULAÇÃO NÃO ENTENDE


Sou um cidadão livre. Demitido de um partido, "graças a Deus"! Se nunca deixei de ter opinião, então agora, sinto-me um passarinho fora da gaiola! Como sempre o fiz, votarei em consciência, se estiver na Região. Ora bem, nada tenho contra a cidadã Drª Sara Cerdas. O problema não é meu. Mas deixa-me perplexo, enquanto cidadão, quando sigo este vídeo, leio a síntese que abaixo deixo e, no final do mandato, colocam uns patins à Doutora Liliana Rodrigues. Faz-me lembrar as feiras de Natal, onde o homem dos carrinhos de choque anuncia: "mais uma corrida, porque esta já terminou".

 


Pedir mais do que isto é impossível!
Postado por André Escórcio às quarta-feira, fevereiro 27, 2019 Sem comentários:
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Marcadores: Liliana Rodrigues

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

MENSAGEM DE NATAL DA EURODEPUTADA LILIANA RODRIGUES (PS)

Postado por André Escórcio às quarta-feira, dezembro 20, 2017 Sem comentários:
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sábado, 2 de dezembro de 2017

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA - OS DADOS PÚBLICOS NÃO DEMONSTRAM A VERGONHOSA REALIDADE



Em um momento de grande reflexão sobre a "violência doméstica", deixo aqui a intervenção da Eurodeputada Liliana Rodrigues ao programa "Madeira Viva" da RTP-Madeira, para além de um texto publicado no DN-Madeira.

NOTA

Texto publicado no DN-Madeira e aqui reproduzido.

Para Guida Vieira, “foi um ano negro para a Madeira em todos os sentidos”.

A Madeira foi a região do país com o maior número de mulheres assassinadas este ano em contexto familiar, totalizando cinco dos 18 casos registados pelos Observatório das Mulheres Assassinadas (OMA), revelam dados avançados à agência Lusa.
Em declarações à agência Lusa, Guida Vieira, da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR)da Madeira, revelou que há mais quatro casos que não foram noticiados, o que faz subir para nove o número de mulheres assassinadas na Madeira, que registou este ano o maior número de sempre relativamente a estas situações.
“Foram assassinadas de maneiras bárbaras e nós ainda temos outros números que não foram publicados pela comunicação social” e, como tal, o Observatório das Mulheres Assassinadas não pode pronunciar-se sobre esses casos porque se baseia nos crimes noticiados na imprensa, explicou a também conselheira para a igualdade no concelho do Funchal.
Portanto, há cinco casos oficiais e quatro não oficiais porque “os seus agressores não foram identificados”, disse Guida Vieira, sublinhando ter conhecimento de que estas quatro mortes estão relacionadas com “processos de violência doméstica graves”.
“Isto quer dizer que os dados públicos não são a realidade”, adiantou, anunciando que a UMAR Madeira vai fazer hoje uma declaração pública para alertar para a necessidade de ser feito “um trabalho de investigação”, no sentido de perceber “porque é que estes crimes não são divulgados e o autor não é identificado”.
Em relação aos casos divulgados pelo observatório, Guida Vieira adiantou que nem todos foram situações de violência doméstica.
“Nós consideramos que foi mesmo violência de género exercida sobre mulheres, porque houve um sobrinho que matou uma tia, um filho que matou a mãe”, adiantou.
Para Guida Vieira, “foi um ano negro para a Madeira em todos os sentidos”.
“Não é porque o tema não tenha sido debatido, que a sociedade não esteja mais aberta, nós achamos que é sobretudo uma questão que tem a ver muita com a mentalidade fechada de ser uma ilha, uma região insular”, sustentou.
“Ainda temos gente muito antiga, há homens que sentem que podem cometer estes crimes atrozes”, disse, frisando que a maior parte das mulheres eram mais velhas.
Para a responsável, é preciso “mudar a mentalidade em relação a esta situação” e apostar num trabalho de prevenção juntos dos mais novos para que esta situação possa mudar.
Segundo dados do relatório, a que a Lusa teve acesso, o concelho de Santana na Ilha da Madeira, registou dois femicídios, seguido dos demais concelhos, cada um com um registo.
O distrito do Porto registou quatro homicídios, enquanto os distritos de Aveiro, Braga, Bragança, Évora, Faro, Leiria e Viana do Castelo registaram um cada um.
Até 20 de novembro, o OMA contabilizou um total de 45 órfãos após femicídio consumado, adianta o documento divulgado a propósito do Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres (25 de novembro).
Postado por André Escórcio às sábado, dezembro 02, 2017 Sem comentários:
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Marcadores: Liliana Rodrigues, Violência familiar

O FUTURO DA POLÍTICA DE COESÃO APÓS 2020: OPORTUNIDADES, DESAFIOS E NOVAS ETAPAS


Intervenção da Eurodeputada madeirense (PS) Liliana Rodrigues, sobre as políticas de Coesão.

 
Postado por André Escórcio às sábado, dezembro 02, 2017 Sem comentários:
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Marcadores: Liliana Rodrigues, Parlamento Europeu

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

VIOLÊNCIA SOBRE AS MULHERES NAS REGIÕES ULTRAPERIFÉRICAS

A violência de género pode assumir diferentes formas. Interessa-me aqui abordá-la na sua vertente doméstica e, mais precisamente, nas regiões ultraperiféricas europeias.Porquê? Porque havia em mim uma clara sensação de que as mulheres que vivem nas chamadas regiões ultraperiféricas europeias estariam mais expostas à violência doméstica do que as mulheres que vivem no continente europeu. Vi essa sensação ser confirmada com um artigo no La Libération de 20 de Março deste ano, onde se explicava em detalhe um relatório do Conselho Económico, Social e Ambiental, de 2014, que concluía de forma clara que as mulheres das regiões ultramarinas francesas estão mais expostas à violência do que as mulheres que vivem em território continental francês.
Eurodeputada madeirense Liliana Rodrigues (PS)


Assim, em Abril 2017, foi publicado no Jornal Oficial da República Francesa um relatório de opinião que visa proteger as mulheres e as raparigas de todos os tipos de violência, desde aquela que se esconde dentro de casa, à violação e, em último caso, àquela que leva à morte. As autoridades nacionais, locais e regionais perceberam que não podemos continuar a condenar as mulheres a esta fatalidade e que é urgente consciencializar para uma necessária evolução de mentalidades. Nesse sentido, foram criados dispositivos de protecção e de formação que se apresentam como indispensáveis ao sucesso de uma série de projectos que abrangem Guadalupe, a Ilha da Reunião, a Guiana Francesa, Martinica e Saint Martin.
Um desses dispositivos consiste numa plataforma de troca de informação cujo foco é a violência sobre as mulheres nas regiões ultramarinas francesas, em particular a conjugal, e a violência sobre menores. A Guiana Francesa detém o recorde de casos de violação sexual sobre menores. Também a liga dos Direitos do Homem publicou, na sua revista de Abril de 2014, uma série de artigos que revelam bem a frágil situação destas mulheres e a ONG La Cimade recorda a situação precária e de violência a que estão expostas as mulheres emigrantes, em especial as que estão desacompanhadas ou as que não são casadas, nos territórios franceses.
A região de Guadalupe reforçou a coesão e a inclusão social combatendo a violência, a exclusão e a pobreza através do Action Plan for the Region of Guadalupe for Programming of European Funds 2014-2020, que conta com o precioso auxílio do Observatório Feminino de Guadalupe para recolher, tratar e analisar dados que visam perceber os progressos na luta contra a violência de género. 
A Ilha da Reunião, para o mesmo objectivo, criou a Delegação Regional dos Direitos das Mulheres e da Igualdade entre Mulheres e Homens, organizando campanhas e colóquios sobre esta temática. Também criou uma página online que oferece informação prática às mulheres vítimas de violência e uma linha telefónica directa de apoio. Maiote elaborou o documento estratégico “Maiote 2025, uma ambição para a República” e na Guiana Francesa entrou em funções uma missão departamental para a igualdade coordenada com o governo regional. No caso da Guiana Francesa foram, e são, organizadas formações e colóquios que mostram a importância e o papel da educação neste domínio. Em Martinica a aposta na luta contra a violência sobre as mulheres centra-se nas parcerias e na investigação sobre as causas e as melhores soluções para esta problemática. Em toda a França, por ano, 223 mil mulheres são vítimas de violência. Em Espanha 69.9% das mulheres sofrem deste flagelo social. No caso de Canárias há um site específico sobre a violência de género, criado pelo governo regional, com toda a informação legal, a estratégia para a igualdade de género 2013-2020, a documentação sobre a protecção integrada e sistemas de prevenção, bem como com os mecanismos de suporte financeiro, legal e social para mulheres vítimas de violência.
Por fim, em Portugal, em 2015, foram 22 469 as vítimas de violência doméstica e aqui não estão contabilizados os casos de ofensa à integridade física voluntária simples.

​“A Madeira tem o maior índice de violência doméstica por cada mil habitantes”, segundo o Relatório Anual Violência Doméstica de 2015, publicado pelo Ministério da Administração Interna. No mesmo documento, podemos ler que o índice de violência na Madeira é de 4.09 por cada mil habitantes, seguindo-se os Açores com 3.92 e o Algarve com 2.99.
Tudo o que aqui escrevi tem por base um estudo feito pelos serviços de Investigação do Parlamento Europeu.
E agora?
Tabela 1: Crimes registados pelas autoridades policias por município, segundo as categorias de crimes, 2015

Fonte: Statistical Yearbook of Madeira. Edition 2016, p. 346.

22-10-2017
___________________________________________________________________________
Link de acesso ao artigo:
Jornal da Madeira: https://www.jm-madeira.pt/opinioes/ver/603/Violencia_sobre_as_mulheres_nas_Regioes_Ultraperifericas 
Postado por André Escórcio às quarta-feira, novembro 01, 2017 Sem comentários:
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sexta-feira, 2 de junho de 2017

EM DEFESA DE UMA MELHOR SUPERVISÃO


À margem da sessão plenária do Parlamento Europeu em Estrasburgo, e no seguimento de um outro encontro realizado no passado mês de Fevereiro, a eurodeputada Liliana Rodrigues voltou a reunir-se com Corina Cretu, Comissária para o Desenvolvimento Regional. Em cima da mesa esteve a criação de mecanismos eficazes para a supervisão de projectos financiados com valores abaixo dos 50 milhões de euros.


A deputada socialista defende que, “apesar da supervisão dos pequenos projetos ser da competência dos Estados Membros, é necessário que a Comissão sugira novos critérios a ter em conta aquando da supervisão dos mesmos, de forma a reforçar os mecanismos de controlo”. Referindo ainda que, “para além da óbvia preocupação com a fraude, mais fácil de camuflar nestes pequenos projectos, há outros critérios que devem ser contemplados, como a conservação do património histórico e cultural ou o respeito pela qualidade ambiental”. De referir que, por diversas vezes, a deputada Liliana Rodrigues questionou a Comissão Europeia nesse sentido, nomeadamente no que respeita à demolição de pontes e muralhas históricas na cidade do Funchal.
Para Liliana Rodrigues, a Comissão Europeia “não pode ver-se associada a projectos que interferem de forma séria na comunidade em que vão ser implementados sem ter em atenção, ou pelo menos dando orientações claras para que as autoridades nacionais responsáveis o façam, perspectivas distintas quanto à correcção e pertinência dos projectos apresentados. Por várias vezes tive oportunidade de referir a destruição de pontes e de muralhas históricas na cidade do Funchal como um mau exemplo de utilização de dinheiro do Fundo de Coesão. Não foram ouvidas outras opiniões antes de iniciar a destruição de património histórico, mesmo havendo descontentamento e manifesta contestação por parte dos cidadãos e especialistas. Há toda uma avaliação anterior que está a faltar ou que pelo menos não está a contemplar muitos aspectos que deveriam ser tidos em conta, daí a pertinência da criação de mecanismos que venham suprir estas lacunas. Não esqueçamos que o património histórico, cultural e ambiental possui uma dimensão europeia”.
Indo de encontro ao defendido por Liliana Rodrigues, a Comissária do Desenvolvimento Regional sublinhou o compromisso da Comissão de apresentar uma estratégia eficaz e inovadora para as regiões ultraperiféricas da Europa, examinando formas de tornar a política de coesão pós-2020 menos de "tamanho único” para todos os Estados Membros e atender mais às especificidades, aos pontos fortes e aos desafios das Regiões Ultraperiféricas.
Em Outubro deste ano, já durante a Presidência da Guiana Francesa no Grupo das Regiões Ultraperiféricas do Parlamento Europeu, a deputada Liliana Rodrigues trabalhará com a Comissão no sentido de desenvolver uma estratégia de supervisão que promova o rigor na implementação destes projectos de menor dimensão apoiados por financiamento europeu.
NOTA
Press News 
Postado por André Escórcio às sexta-feira, junho 02, 2017 Sem comentários:
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sexta-feira, 28 de abril de 2017

A GRAVÍSSIMA SITUAÇÃO POLÍTICA NA VENEZUELA. A EURODEPUTADA LILIANA RODRIGUES TOMOU POSIÇÃO RELATIVAMENTE A APATIA DA UE


"Apesar do Governo da Venezuela ter garantido às autoridades portuguesas que não há qualquer hostilidade para com a comunidade portuguesa naquele país, “os relatos que nos chegam todos os dias não confirmam esta versão do executivo de Nicolas Maduro”, afirma Liliana Rodrigues, entendendo que “o clima de instabilidade, insegurança, fome e medo que se vive na Venezuela, com expropriação de negócios e milícias armadas nas ruas a reprimir qualquer oposição, são motivos mais do que suficientes para interpelar a Comissão Europeia sobre as medidas que está a tomar, ou que pretende tomar, para garantir a segurança dos emigrantes oriundos dos países europeus e salvaguardar os seus bens”.


A deputada socialista referiu ainda que, “dada a dimensão da comunidade portuguesa residente na Venezuela, principalmente madeirense, esta é uma questão que nos preocupa especialmente. Sabemos que o Governo português está a acompanhar atentamente a situação, resta saber o que está a fazer, ou o que pode fazer, a União Europeia”.
Referindo-se ao acentuar da instabilidade que se vive na Venezuela, a porta-voz da Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros afirmou há dias que a situação está a ser seguida "de muito perto" por Bruxelas, mostrando preocupação pelo respeito da Constituição, os princípios democráticos, o Estado de Direito e a separação de poderes, mas não apontando quaisquer medidas concretas a tomar face ao Governo de Nicolas Maduro ou aos emigrantes europeus naquele país.
Questão escrita enviada pela eurodeputada Liliana Rodrigues á Comissão Europeia:
Tendo em atenção que os recentes acontecimentos na Venezuela, com o agravamento da situação política e económica, a acentuada escassez de alimentos e medicamentos e ainda o clima de insegurança generalizado têm contribuído para o desespero de milhares de emigrantes europeus residentes neste país, muitos deles oriundos da Região Autónoma da Madeira. Considerando que, devido à fome e ao medo, muitos deles equacionam regressar aos seus países de origem, mas receiam perder os bens que adquiriram ao longo de uma vida de trabalho.
Tem a Comissão Europeia estabelecido contactos com o Governo venezuelano e demais autoridades daquele país no sentido da salvaguarda da segurança desses emigrantes e dos seus bens? Se sim, que medidas concretas estão a ser tomadas?
Está previsto algum plano de assistência da União Europeia a esses migrantes?
Considera a Comissão que o Estado de Direito está garantido na Venezuela?"
Postado por André Escórcio às sexta-feira, abril 28, 2017 Sem comentários:
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Marcadores: Liliana Rodrigues, Venezuela

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

MUTILAÇÃO GENITAL FEMININA. A INTERVENÇÃO DA DEPUTADA EUROPEIA LILIANA RODRIGUES

Postado por André Escórcio às sexta-feira, fevereiro 03, 2017 Sem comentários:
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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

AFINAL, A MÁQUINA FUNCIONA!


A Comissão Europeia, depois de vários meses de permanentes posições chantagistas, de ameaças de punições, sempre na lógica de mais medidas de austeridade, revelando ausência de confiança relativamente às opções políticas do actual governo, acabou por cair de joelhos, não suspendendo os fundos a Portugal, por défice excessivo. Até ao Orçamento para 2017 dizem sim. Isto parece-me, entre outros, ter dois significados: primeiro, a falta de seriedade das instituições europeias, dominadas, ideologicamente, pela direita política, a qual, durante vários anos, só enxergou a via da austeridade e do concomitante aumento da pobreza; segundo, acabaram por dar um sinal a todos os povos europeus que, afinal, à esquerda, a máquina também funciona. Basta bom senso, respeito pela diferença e uma alta capacidade de negociação. 


Bem disse a Eurodeputada do PS Liliana Rodrigues: "este foi um processo absurdo e discricionário que se arrastou por demasiado tempo e que arriscava colocar em risco a imagem que o cidadão tem da União Europeia, mais ainda numa altura em que não nos podemos permitir tal luxo. Esta decisão, juntamente com a aprovação do Orçamento de Estado para 2017, mostram que é possível respeitar os compromissos europeus sem adoptar uma atitude de absoluta passividade face às decisões das instituições europeias e, em simultâneo, enveredar por uma via que, gradualmente, vai pondo cobro à austeridade dos últimos anos". Nem mais. Se a União, a passar por uma crise de identidade e de reconhecimento por parte da sociedade, tivesse enveredado pela crítica severa ao país, julgo eu que esse quadro de afastamento se agravaria.
Obviamente que Portugal tem muito a fazer para que se possa falar de finanças públicas saudáveis. Neste momento, apenas certo é que se assiste a um paulatino retorno aos direitos sociais, à recuperação dos "roubos" perpetrados durante vários anos, provando que o caminho da austeridade estava errado e que existiam outros formatos assentes no respeito pelas pessoas e pela promoção do crescimento. Só para Pedro Passos Coelho, que se arrasta sem argumentos, repetindo, diariamente, a lengalenga do profeta da desgraça, o caminho não é este. Pressinto que até o CDS já dá indicações de afastamento para trilhar o seu próprio caminho. 
Ilustração: Google Imagens.
Postado por André Escórcio às sexta-feira, novembro 18, 2016 Sem comentários:
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Marcadores: Liliana Rodrigues, Orçamento de Estado 2017, União Europeia

quinta-feira, 7 de abril de 2016

O MUNDO AO CONTRÁRIO


"Leio num jornal que o exército do Sudão do Sul e as milícias suas aliadas estão autorizados a "violar mulheres" como forma de pagamento "pelos serviços prestados". Di-lo um relatório das Nações Unidas. Que as ordens são para destruir propriedades, pilhar bens, matar e esquartejar os homens e raptar e violar mulheres e crianças. Chama-se isto "política de terra queimada", dizem, embora nada tenha a ver com política. É apenas barbárie calculada. Não interessa neste conflito de que lado estará a razão, se na maioria Dinka do Norte ou nos Nuer do Sul. Não interessa se as potências ocidentais colonizadoras e exploradoras terão também aqui alguns pecados a expiar. Não interessa. Ninguém saberá já apontar a ofensa primordial. Há muito que esta é uma guerra que se herda. Uma guerra "porque sim", porque algo se perdeu na construção destes seres humanos e fez deles menos que animais. 


Zeid Ra'ad Al Hussein, o Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos, diz que apenas conhecemos "um fragmento da realidade". Tememos a totalidade dessa "realidade" que escapa à nossa compreensão. Aquela em que os nossos familiares e amigos são mortos à catanada e as nossas filhas violadas por dezenas de homens. É precisamente este desespero que leva homens, mulheres e crianças, seres humanos que recusam ser a "recompensa" de uma qualquer milícia ou os "danos colaterais" de uma qualquer guerra, a procurar abrigo na Europa. São estas pessoas que abandonamos em campos que fazem lembrar esses outros de má memória. 14 mil amontoam-se por agora no campo de refugiados de Idomeni, entre a Grécia e a Macedónia, um campo igual a tantos outros onde se depositam famílias inteiras, onde se adoece e passa fome, onde tudo está frio, molhado e pintado de lama. Onde pais descalços e desesperados com crianças ao colo tentam a travessia de um rio que teima em levar-lhes as vidas. Tudo vale menos voltar para trás. Uma dessas crianças dizia há dias para uma câmara de televisão que queria "voltar amanhã para a Síria", que não tinha "tido tempo para trazer os brinquedos e eles ficaram todos lá". Não podemos deixar que os muros nos contagiem a consciência e despertem em nós os instintos e preconceitos mais primitivos. São muros que se propagam à nossa volta e nos levam a empatia. Esta é uma crise de humanidade. Precisamos reconquistar a memória que a traga de volta".
NOTA
Texto da Eurodeputada Doutora Liliana Rodrigues (PS), publicado no Press News de Março que pode ser lido aqui.
Postado por André Escórcio às quinta-feira, abril 07, 2016 Sem comentários:
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sábado, 5 de março de 2016

GOVERNO REGIONAL DE CABEÇA PERDIDA


Li o essencial da iniciativa da Deputada no Parlamento Europeu, Liliana Rodrigues. Fez uma reunião em Bruxelas com várias personalidades, fundamentalmente, para despertar o interesse da Ryanair pelo destino Madeira. O seu texto no Press News é muito claro sobre os objectivos do evento. Na oportunidade, em Bruxelas, questionado sobre a política de transportes da Região, o Presidente da Câmara do Funchal teceu alguns reparos que deram origem a um descabelado e totalmente desproporcional ataque político-partidário do secretário regional da Economia, Turismo e Cultura do Governo Regional da Madeira. Ora bem, li o texto da Deputada e li ambas as entrevistas. A do secretário foi uma lástima, muito semelhante aos desabafos do anterior presidente do governo, Dr. Alberto João Jardim. Um ataque fortuito, sem nível político e do qual concluí que o secretário anda de cabeça perdida. Enquanto o presidente da autarquia colocou em destaque alguns aspectos que, aliás, constituem a síntese do que outros, em diversos espaços têm vindo a colocar em causa, já o secretário não optou por um discurso, legítimo, é certo, mas sereno dando a sua versão do problema dos transportes. Não, optou pelo ataque, pelo insulto, em alguns aspectos, de conteúdo partidariamente ofensivo. 


O Dr. Eduardo Jesus, secretário, acabou por transmitir a ideia que não percebeu, ainda, a diferença entre a dinâmica dos posicionamentos meramente políticos e o respeito e reverência que devem existir entre actores políticos. Falar de "leviandade", "amadorismo", "impreparação", "sede de protagonismo", "abordagem demagógica", entre outras palavras e expressões menos próprias para um governante, leva-me a questionar o que tem sido, publicamente, a trapalhada da Portaria definidora dos procedimentos para apuramento do valor do subsídio social de mobilidade nas ligações aéreas, a questão do ferry, ou uma outra, a do avião cargueiro. Daí que aquelas palavras e expressões eventualmente também lhe possam ser aplicadas. Quando estava em causa a discussão sobre a política de transportes, o secretário foi longe de mais, de forma deselegante deu respostas desta natureza: "(...) Desconheço em absoluto qualquer projecto desta Câmara com relevante interesse para o turismo. Só tive conhecimento de um grande projecto que passa pela instalação de uma nova e bem dimensionada ETAR na zona histórica do Funchal…. mais do que isto, só o cemitério para cães ou a instalação de um parque para skates a construir no Jardim do Almirante Reis, que impermeabilizará mais de mil metros de zona verde, transformando-a numa mancha de betão. Estes são os únicos contributos que são públicos (...)". A isto se chama desconversa! A minha leitura política, repito, política, que nada tem de crítica pessoal, é que o governo anda aos papéis e claramente perturbado. Ainda ontem o próprio presidente do governo, na presença da presidente do IVBAM, Paula Cabaço, indirectamente, acusou-a de "dormir na forma". Ora, quando o líder de um governo entende que é benéfica a substituição de alguém, primeiro, reúne com a pessoa em causa e, depois, substitui sem provocações na praça pública. Extremamente deselegante. E o que dizer do permanente show-off diário da secretária dos Assuntos Sociais, os gravíssimos problemas no sector da Saúde, a paralisação na Educação, cujo marcar passo é aflitivo e preocupante, enfim, para além do paleio, pergunto, Dr. Eduardo Jesus, que fez este governo que o anterior não tenha feito?
Ilustração: Google Imagens.
Postado por André Escórcio às sábado, março 05, 2016 Sem comentários:
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André Escórcio

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"EU VIVO
PORQUE SOU CURIOSO"

Professor
Alexandre Quintanilha

PORQUE A LÍNGUA PORTUGUESA FOI CORROMPIDA

PORQUE A LÍNGUA PORTUGUESA FOI CORROMPIDA

ACORDO ORTOGRÁFICO

Todos os textos assinados pelo autor deste blogue não respeitam as regras do Acordo Ortográfico. Tal como outros, por convicção científica, resistirei até ao último dia.

25 DE ABRIL SEMPRE

REMA P'RA TERRA...

Miguel Albuquerque (PSD), presidente do governo regional da Madeira: "Nunca o homem viveu tão bem, tanto tempo e nunca os sintomas de pobreza, de discriminação, de abandono, de sofrimento foram tão baixos".

NO ALVO

Pediatra Dr. Mário Cordeiro: Na escola "(...) onde está a música, a arte, a pintura, a escultura, a ética, os debates e dilemas sobre o bem e o mal, o voluntariado, a cidadania? Onde? (...)" O que existe é "matéria" para despejar e alunos transformados em engolidores da mesma!

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