quarta-feira, 5 de abril de 2017

SENHOR SECRETÁRIO DAS FINANÇAS, LEVE A POLÍTICA A SÉRIO!


Às vezes sinto-me um "estrangeiro" na região onde nasci e vivo. Parece-me que tudo me passa ao lado, como se diz pela ilha fora, não atremando o que uns e outros dizem. Ora, a Câmara do Funchal apresentou, li na edição de ontem do DN-Madeira, a dívida mais baixa dos últimos quinze anos, colocando-a em 61.8 milhões de euros. Em 2013, ano de eleições autárquicas, a dívida da autarquia que resultou da liderança do actual presidente do governo, tinha atingido os 108.6 milhões de euros. Espanto meu, o governo regional da Madeira, através do secretário das Finanças, estou em crer, claramente perturbado com aquela performance na redução da dívida, emitiu um comunicado no qual salientou: "(...) Querendo recuperar em 6 meses o que não fizeram em 3 anos e meio de governação, a Vereação da Câmara Municipal do Funchal acusa, uma vez mais, o Governo Regional de não financiar obras que são da sua inteira e exclusiva responsabilidade financiar" (...) "Ao mesmo tempo que apregoa, ultimamente a espaços temporais quase contínuos, a mesma redução da dívida camarária, a Câmara Municipal do Funchal teima em continuar de mão estendida para o Governo Regional, à espera que este financie o trabalho que é da sua exclusiva competência".


Ora bem, o secretário das Finanças, ao contrário de aplaudir aqueles resultados, resolveu atacar os que contribuíram para que a dívida global da Madeira não seja mais grave do que é. É por isso que não consigo atremar! Há dias, vangloriou-se pelos resultados das finanças regionais que foram, disse, decisivos para que o défice da República tivesse sido de 2,1% do PIB, mas por aqui, não só critica quem reduz a dívida herdada, como lava as mãos, por exemplo, quanto à não assinatura de contratos-programa de obras apresentadas pela Câmara do Funchal, no valor de, salvo erro, 4,4 milhões de euros. Aliás, também não consigo atremar, as razões que levam todo o governo, amiudadas vezes, a se insurgir contra a República, porque precisa de mais dinheirinho (com a Drª Rubina Leal à cabeça), facto que me leva a virar o bico ao prego, com a mesma argumentação do Dr. Rui Gonçalves, substituindo, apenas, governo Regional por governo da República: (...) teima em continuar de mão estendida para o Governo da República, à espera que este financie o trabalho que é da sua exclusiva competência. 
Ele, secretário, que deveria assumir a necessidade de finanças saudáveis, no governo e nas autarquias, que é co-responsável pela gigantesca dívida da Madeira, pois estava no governo; ele que deveria sugerir, primeiro, a liquidação das dívidas aos fornecedores (um problema de economia, portanto, de empresas tendencialmente saudáveis) e, depois, fazer obras públicas, acaba por assumir uma política, pelo que deduzo do texto do comunicado, contrária aos interesses dos madeirenses em geral e dos funchalenses em particular. Isto, quando toda a gente sabe que, nas actuais circunstâncias, não é possível pagar a dívida criada e, simultaneamente, atender a todas as necessidades sentidas pela população. Mas, pior, ainda, o secretário esquece-se que assinou contratos-programa com autarquias PSD, deixando de fora, por exemplo, o Funchal. Portanto, o que o secretário tem de responder aos funchalenses, através de um comunicado, é se este quadro é VERDADEIRO ou FALSO. Só isto. Para ver se consigo atremar. Já agora, se é VERDADEIRO ou FALSO que não está disposto a entregar nos cofres da Câmara o dinheirinho do IRS. Cinco milhões, li algures. 

Fonte: DN-Madeira.

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