sábado, 22 de fevereiro de 2020

Em nome da dignidade


O exercício da política não é uma profissão. Não pode, em circunstância alguma, ser mais do que uma disponibilidade individual para, durante um certo tempo, prestar um serviço público à comunidade. Mas há quem não entenda assim! Daí o apego ao poder, porque as orientações partidárias, infelizmente, assim determinam.



Não gosto de me imiscuir em assuntos face aos quais não possuo todos os dados. Portanto, uma certa reserva penso ser de bom senso. Porém, no caso do SESARAM, que envolve um "negócio" de raiz partidária, porque é público, atrevo-me a tecer algumas, poucas, considerações. Julgo que o caso deve ser analisado em nome de uma palavra tão simples quão profunda: dignidade. Por pontos:


a) O director clínico deveria ter sido indicado pelo Conselho de Administração. E não foi.
b) O secretário regional aprovou uma nomeação, claramente de natureza partidária, baseada em um acordo de divisão de poderes. 
c) O director clínico nomeado não merece a confiança gestionária de uma significativa parte dos directores de serviço.
d) O Bastonário da OM coloca-se ao lado da responsabilidade técnica e "sugere a saída" do director clínico (fonte: DN). 

Perante um quadro destes, enquanto cidadão, por um lado, à luz da dignidade, por outro, na defesa da estabilidade deste importante sector, só vejo uma saída possível: a demissão do director clínico (recebi uma mensagem a dizer que já a tinha concretizado), do secretário regional e da presidente do Conselho de Administração. Esta porque se demitiu de uma tarefa que lhe incumbia, o director porque não dispõe da vontade dos seus pares e o secretário que embarcou nesta embrulhada partidária, ficando, obviamente, em uma situação de enorme fragilidade política.
Pois, irá sobrar para o presidente do governo, que não terá conduzido o processo da maneira mais bem ponderada, mas isso são consequências colaterais, graves, mas aí a coligação que se entenda. Se conseguir! O que não me parece sensato é a manutenção de um folhetim que não ajuda nada na solução dos problemas muito complexos do Sistema Regional de Saúde. 
Em nome da dignidade de todos.
Ilustração: Google Imagens.

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