Tenho andado muito distante da escrita. Por opção e porque tenho outras preocupações que limitam o meu tempo disponível. Hoje, abro uma excepção, porque estou de "saco cheio". Não porque já não tenha sido tudo ou quase tudo dito sobre essa maldita e infernizante plataforma que determina o mal designado "subsídio" à mobilidade dos insulanos. Há quem ainda não tenha percebido que se trata de um direito constitucional, nunca um favor ou uma ajuda à mão estendida!
Não sou um info-excluído e costumo ler as letras mais pequenas para que nada falhe. Mas isto é demais. Um calvário ou, como esta manhã me dizia uma madeirense, uma "odisseia" que esgota a paciência do mais sereno dos cidadãos. Há quase um mês que enfrento essa irritante plataforma.
Como todos, adiantei largas centenas de euros ao Estado e, depois, ou porque o sistema não responde ou porque não é bem aquele papelinho que desejam, o processo emperra. Agora, foi com o número do IBAN. O agregado familiar está definido em documento próprio, mas à lupa dos senhores que definem o reembolso, surge a desconfiança: a conta bancária, imagine-se, sendo comum (o banco indica o nome do primeiro titular), dizem-me, que não corresponde ao pedido de comparticipação solicitado. Sendo assim, mais um contacto com o banco para que elabore um documento específico comprovativo que a conta é conjunta. E assim se passarão mais três ou quatro dias. Isto é brincar com a paciência dos cidadãos. Desculpem-me: raios os partam todos. Os que a criaram e os que, politicamente, aceitaram.
Não deixa de ser irónico que é o mesmo primeiro-ministro, acérrimo defensor deste formato burocrático que, paradoxalmente, assuma, de boca cheia, como líder de um governo de combate à burocracia. Pois, nem ele nem o ministro, nem o secretário de Estado e nem os autores da "plataforma" vivem nas regiões autónomas. Não têm de adiantar dinheiro ao Estado, não têm de preencher, minuciosamente, os repetitivos espaços já constantes dos documentos, submetê-los e esperar que uma alminha mande reembolsar.
Não há paciência para tanta ausência de sensatez.
Não brinquem com este povo que é português apesar de viver em descontinuidade geográfica!
Ilustração: Google Imagens/JM

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