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quinta-feira, 21 de maio de 2026

TV BRICS – um pouco da sua história


Por
João Abel de Freitas, 
Economista

Sendo o Brasil um dos países fundadores, primeiro na versão BRIC, depois BRICS e agora BRICS+, é natural que as relações no mundo lusófono tenham como ponto de partida este país.



No último artigo de opinião, publicado no JE, abordei o tema dos Rankings de Universidades, a partir da leitura de um artigo na TV BRICS, com uma nota final sobre o posicionamento de Portugal, a partir de informação IA.

Nele, se constatava que a TV BRICS era pouco referida no Ocidente, por razões ideológicas. Por isso, apontei para umas breves anotações, num escrito posterior, sobre o seu papel na comunicação social no Mundo.

Aqui estamos. A TV BRICS, criada aquando da 9ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo dos países membros, que se realizou em Xiamen/China, em 2017, dias 3 a 5 de Setembro, surgiu de uma proposta do presidente da Rússia, Vladimir Putin, apoiada pelos líderes dos países fundadores dos BRICS: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Esta decisão vem referida na Declaração Final da Cimeira que decorreu sob o lema estratégico “BRICS: Parceria mais Forte para um Futuro mais Brilhante”, embora, ainda não mencionada com a sigla comercial de TV BRICS.

A TV BRICS

Esta rede de comunicação social, um HUB de criação e análise da informação para explicar ao Mundo os BRICS e a sua acção relevante, orientada, em especial, para os países do “Sul Global”, que corresponde à maior fatia de países da ONU, representando mais de 80% da população mundial, visa desenvolver e consolidar um espaço de informação unificado. Nesse contexto, o seu papel determinante é trabalhar a informação e produzir conhecimento no sentido de explicar o que são os BRICS, como

e porque se constituíram, como procuram influenciar a governação mundial (modelo de governação), o que pretendem e, como tomam, entre si, as decisões. Uma tarefa deveras complexa.

Algumas observações sobre estas questões/interrogações. Os BRICS são uma aliança de países que pugna por uma ordem multipolar, onde o “Sul Global” tenha voz e influência, um contraponto à visão unipolar do Ocidente, que pugna por uma profunda reforma das Instituições Internacionais, onde FMI, Banco Mundial, ONU sejam profundamente alterados, porque não reflectem, há muito, o Mundo de hoje e estão ao serviço do Ocidente. Defendem um novo modelo de governação mundial, onde a

soberania nacional e a não ingerência nos assuntos de cada país se transformem uma realidade. E, nas suas decisões, enquanto grupo de países, funciona o consenso.

Funcionamento

A TV BRICS é uma rede internacional de Media com sede em Moscovo. Distribui conteúdos em sete línguas – português, russo, inglês, chinês, espanhol, árabe e hindi, a principal língua, entre as 22 faladas na Índia, desdobrando por vezes, em casos regionais, para outras línguas ou dialectos secundários, através de um portal multilingue e um canal com transmissão 24 horas/dia.

O seu funcionamento implica múltiplas parcerias que, de momento, abarcam mais de 100 órgãos de comunicação, em cerca de 80 países.

A TV BRICS distingue-se das agências noticiosas do Ocidente, que vendem conteúdos. Esta recolhe conteúdos dos parceiros e redistribui-os para os outros países da rede, incitando a que cada país conte a sua história, produzindo os seus conteúdos.

Para além de noticiar factos, como se referiu antes, troca informação entre parceiros, funcionando de instrumento de diplomacia mediática, promove projectos dos países membros como festivais de cinemas, fóruns vários, de forma a criar, desenvolver e fortalecer os laços institucionais entre si.

Em toda esta actividade, a rede segue uma linha dominante. Trata a informação numa visão de Multipolaridade, contrariando a visão euro-centrista ocidental e, sobretudo, norte americana. Carrega, pois, no desenvolvimento económico, na perspectiva da solidariedade e cooperação humanitárias e nas tradições culturais dos países membros.

Conteúdos

Num dos últimos números da Newsletter semanal da TV BRICS, a que tive acesso, a programação vinha organizada em 5 grupos/capítulos:

• Principais Notícias dos Países BRICS,
• BRICS Bloggers Team,
• Materiais Exclusivos da TV BRICS,
• Projectos da TV BRICS,
• Vídeos da TV BRICS.

Dos números que visualizei, não foram muitos, fiquei com a sensação de que a arrumação pouco varia. Desta newsletter para a anterior, a diferença de arrumação passava apenas pelo BRICS Bloggers Team. O que varia bastante é a quantidade de artigos, estudos ou as informações por grupo.

A título de exemplo refira-se que no capítulo Materiais Exclusivos da TV BRICS vem a referência desenvolvida ao Festival Internacional de Cinema Estudantil dos BRICS que se realizou no Egipto no corrente mês de Maio, entre 10 e 14, com a Índia como convidada de honra e foco na inovação cinematográfica. Trata-se da primeira edição do festival que incluiu sessões especiais e seminários temáticos.

Na Newsletter anterior havia referência a um trabalho exclusivo “Encantos de Moçambique” muito desenvolvido com vários itinerários, como a viagem à ilha de Inhaca a partir da capital, Maputo.

A TV BRICS no mundo lusófono

No mundo lusófono, a TV BRICS assenta num modelo de parcerias que procura desenvolver e não num canal clássico de TV.

Como HUB internacional de conteúdos de comunicação social distribui materiais em língua portuguesa por acordo com órgãos de comunicação locais.

Sendo o Brasil um dos países fundadores, primeiro na versão BRIC, depois BRICS e agora BRICS+, é natural que as relações no mundo lusófono tenham como ponto de partida este país.

O Grupo Bandeirantes é o principal parceiro estratégico, tendo a cooperação início em 2020, com o intercâmbio de conteúdos no sentido Brasil-Rússia, conteúdos sobre o tema do agronegócio adaptado para o público russo, tradução na própria língua. A rede, por seu lado, com uma redacção internacional, tem vindo a adaptar conteúdos dos outros países membros para português, tendo como foco a CPLP, no sentido de alargar a influência em Angola e Moçambique, funcionando o Brasil de ponte cultural e mediática.

Temos informação de uma parceria com a TV Moçambique, tendo a TV BRICS já feito rodar na sua rede internacional o documentário “Encantos de Moçambique”, produzido pela TVM em colaboração com a rede BRICS, referido antes.

Com Angola, a situação avança a bom ritmo. Existem contactos com a Televisão Pública de Angola que tem acompanhado muito de perto a realização das Cimeiras mais recentes dos BRICS e mostrado interesse em integrar os mecanismos de comunicação, tendo o governo angolano dado o seu apoio. Por outro lado, a TV BRICS tem vindo a integrar na sua agenda vários conteúdos em português, sobretudo relativos a economia e infraestruturas, o que tem mostrado Angola aos países parceiros.

Como perspectivas, estão em curso negociações com Cabo Verde, Guiné-Bissau e S. Tomé e Príncipe, sendo a imagem da TV BRICS bastante positiva nestes países e está a ser oferecida uma alternativa mediática, ligar directamente as capitais lusófonas africanas a Brasília, Moscovo, Nova Deli e Pequim.

OS BRICS não estão a passar um bom momento, sobretudo, os países membros do Golfo que se têm guerreado entre si. A TV BRICS tem abordado o assunto com o máximo cuidado, pois o maior interesse está em unir e não desagregar.

Melhores dias se aguardam para que o projecto se desenvolva e avance na diferença, mas com menos sobressaltos.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

"SUBSÍDIO" SOCIAL DE MOBILIDADE... UMA "ODISSEIA"




Tenho andado muito distante da escrita. Por opção e porque tenho outras preocupações que limitam o meu tempo disponível. Hoje, abro uma excepção, porque estou de "saco cheio". Não porque já não tenha sido tudo ou quase tudo dito sobre essa maldita e infernizante plataforma que determina o mal designado "subsídio" à mobilidade dos insulanos. Há quem ainda não tenha percebido que se trata de um direito constitucional, nunca um favor ou uma ajuda à mão estendida!

Não sou um info-excluído e costumo ler as letras mais pequenas para que nada falhe. Mas isto é demais. Um calvário ou, como esta manhã me dizia uma madeirense, uma "odisseia" que esgota a paciência do mais sereno dos cidadãos. Há quase um mês que enfrento essa irritante plataforma.

Como todos, adiantei largas centenas de euros ao Estado e, depois, ou porque o sistema não responde ou porque não é bem aquele papelinho que desejam, o processo emperra. Agora, foi com o número do IBAN. O agregado familiar está definido em documento próprio, mas à lupa dos senhores que definem o reembolso, surge a desconfiança: a conta bancária, imagine-se, sendo comum (o banco indica o nome do primeiro titular), dizem-me, que não corresponde ao pedido de comparticipação solicitado. Sendo assim, mais um contacto com o banco para que elabore um documento específico comprovativo que a conta é conjunta. E assim se passarão mais três ou quatro dias. Isto é brincar com a paciência dos cidadãos. Desculpem-me: raios os partam todos. Os que a criaram e os que, politicamente, aceitaram.

Não deixa de ser irónico que é o mesmo primeiro-ministro, acérrimo defensor deste formato burocrático que, paradoxalmente, assuma, de boca cheia, como líder de um governo de combate à burocracia. Pois, nem ele nem o ministro, nem o secretário de Estado e nem os autores da "plataforma" vivem nas regiões autónomas. Não têm de adiantar dinheiro ao Estado, não têm de preencher, minuciosamente, os repetitivos espaços já constantes dos documentos, submetê-los e esperar que uma alminha mande reembolsar.

Não há paciência para tanta ausência de sensatez.
Não brinquem com este povo que é português apesar de viver em descontinuidade geográfica!

Ilustração: Google Imagens/JM

Ainda os rankings de Universidades


Por

Hoje, os rankings já extravasaram as portas das Universidades, sendo frequentemente usados na definição de estratégias dos sistemas de educação dos países e influenciam empresas importantes e grupos económicos.



Recentemente, li na rede TV BRICS, um artigo sobre os Rankings de Universidades, referenciando questões de relevo:
Para que servem?
Como são criados e que entidades os elaboram?
Que metodologias usam, critérios e enviesamento dos resultados?
Será possível confiar “plenamente” nesses Rankings?
Quem acompanha de perto, todos os anos, os Rankings de Universidades?

Um mundo de questões, nada fáceis. Mas outras mais, técnicas ou de índole global, poderiam ser elencadas, a partir da leitura do artigo.

Antes de esboçar algumas respostas seguindo de perto a informação e o teor do artigo, surgiu-me a ideia de, posteriormente, abordar a história da TV BRICS. Ouvimos tão pouco falar da sua existência, nos meios de comunicação do Ocidente e, muito, nos do Sul Global, apesar da TV BRICS ser parceira oficial da ONU e, já ter uma presença substantiva no mundo dos Media, ao atingir mais de 1,5 mil milhões de pessoas por mês, em cerca de 80 países.

As razões de poucas referências, no Ocidente, acerca deste meio de comunicação social, são bem conhecidas e dariam, certamente, matéria para muitos e variados artigos. Informação não “conveniente”, ou mesmo quando neutra, é assunto que não interessa ao Ocidente e, por isso, torna-se um tema pouco falado, quando não pior, distorcido, o que quer dizer, manipulado.

Rankings, produto recente

Os Rankings de Universidades são produto recente. O primeiro surgiu, em 2003, por uma necessidade real da China. Ao pretender preparar/elevar as suas Universidades para um nível global superior (nacional e internacionalmente), a China deparou-se com a inexistência de uma ferramenta de medida de comparação das suas universidades no Mundo. Essa ferramenta consistiu na construção de um Ranking, hoje bastante aceite e conhecido no meio académico mundial por Ranking de Xangai. Porquê? Precisamente, foi a Universidade Jiao Tong de Xangai que o elaborou.

Entretanto, foram surgindo outros, cada um com as suas finalidades próprias.

O que ressalta desta dinâmica é que os Rankings se transformaram numa ferramenta de tomada de decisões. Como diz o artigo “ajudam candidatos e estudantes a fazer escolhas ao mostrar a posição de uma universidade em relação às demais”. Por outro, servem de referência das próprias instituições, ao produzirem informações valiosas sobre o “seu status” e também despertam interesse entre investigadores e especialistas em educação, pois a sua própria análise se transforma, ela própria, em elemento de trabalho e de reflexão do sistema na sua globalidade.

Hoje, os rankings já extravasaram as portas das Universidades, sendo frequentemente usados na definição de estratégias dos sistemas de educação dos países e influenciam empresas importantes e grupos económicos, sobretudo, no tocante ao recrutamento dos seus quadros técnicos.

“Entre os rankings mais reconhecidos e respeitados estão o QS World University Rankings, o Times Higher Education World University Rankings (THE) e o Academic Ranking of World Universities (ARWU). Essas classificações são consideradas de referência por sua cobertura global, metodologias consistentes e ampla variedade de indicadores. Além disso, são amplamente utilizadas por governos, instituições e estudantes em todo o mundo”, afirmou Raymond Matlala, especialista em negócios, educação e Sul Global, além de fundador e presidente da Associação Sul-Africana da Juventude dos BRICS, em entrevista à TV BRICS.

A leitura dos rankings – Complexidade

Segundo a TV BRICS, os Rankings de Universidades são uma espécie de “tabela de classificação”.

No entanto, prestígio não corresponde a uma aceitação acrítica. Aliás, numerosos especialistas recomendam que, antes de comparar essas classificações, deve haver uma análise cuidada dos critérios de avaliação e da sua ponderação.

A experiência diz-nos, porém, que há uma aceitação quase “cega” das tabelas de classificações destes Rankings, em todo o mundo, secundarizando, deste modo, os alertas dos especialistas. E, descendo à terra, será que há capacidade e tempo em cada um de nós (mesmo os mais interessados!) para ter em conta esse alerta?!

Os especialistas, também, nos dizem que os critérios de avaliação estão, em constante evolução, seguindo um pouco o sabor/moda dos tempos. Nos últimos anos, tem-se dado maior atenção ao desenvolvimento sustentável e à responsabilidade ambiental, temas na ordem do dia, mais que não seja, em teoria. O nível de digitalização da educação e até o equilíbrio de género na Academia estão, também, a assumir uma importância cada vez mais relevante.

Tipos de rankings universitários

“O foco, as características e até o público-alvo de um ranking dependem dos critérios e das metodologias de avaliação que ele adota”. Por exemplo, rankings como o QS World University Rankings atribuem grande peso à reputação dos empregadores. Já o Times Higher Education (THE) tem um enfoque maior na agenda de pesquisa, O Ranking de Xangai (ARWU), por sua vez, não utiliza pesquisas, baseia-se exclusivamente em indicadores mensuráveis, como publicações nas revistas Nature e Science e o número de investigadores referenciados. “Segundo especialistas, essa abordagem oferece a avaliação mais rigorosa e transparente da força de pesquisa de uma universidade”.

Em resumo, dispor de instrumentos como estes Rankings são, sem dúvida, de grande utilidade, mas tem de haver o cuidado de os relativizar, até porque cada vez mais a concorrência e o marketing de “venda” do produto final tendem a enviesar, aqui e ali, a comparabilidade, com algum exagero.

Como relativizar os rankings?

Muitos especialistas sugerem que, em comparações mais aprofundadas, consoante a sua finalidade, se recorra a indicadores complementares de comparação, como os curricula dos cursos, a competência dos orientadores e professores e investigadores ou quaisquer outros meios disponíveis.

Hoje em dia, há facilidade em ir além dos Rankings, pois as redes sociais, apesar das suas limitações, dão acesso a muita informação.

Quanto ao acesso aos resultados, todos os anos, estudantes, investigadores, especialistas em educação e cultura, gestores das grandes empresas e grupos económicos, sobretudo, os mais ligados à gestão de quadros técnicos, políticos, também os mais ligados a instituições de ensino superior, assistem com atenção aos resultados que os principais Rankings globais publicam, pois constituem para todos uma excelente base de informação e trabalho.

Universidades portuguesas

Uma nota final, breve e muito preliminar, sobre a sua inserção nos Rankings Mundiais (2025/2026), na base da IA.
Ranking de Xangai (produção científica e prémios): Universidades de Lisboa e Porto lideram nacionalmente, posicionadas entre as 300 melhores do mundo e cinco outras entre as 1000 melhores.
Ranking QS (reputação académica e credibilidade): UL (230.ª), UP (237.ª), UN (327ª), UC (347ª), estão entre as 200 e 350 melhores do mundo. Há a destacar, nesta edição, outras cinco Universidades, situando-se quatro entre as 1000 melhores.
Ranking THE (ensino, investigação e projecção internacional): UL (301-350), UP (351-400), UN (401-500), UC 501-600). A UCP aparece também frequentemente classificada num intervalo mais alargado 301-400.

Portugal tem, assim, uma presença significativa das suas Universidades, nos principais Rankings académicos mundiais, com tendências de melhoria de posicionamento, nestes últimos anos.