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sábado, 21 de fevereiro de 2015

CONTRADIÇÕES



Ontem, na Assembleia da República, no decorrer do debate quinzenal, o primeiro-ministro Passos Coelho, a propósito das recentes declarações do Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Junker, que considerou que a austeridade atentou "contra a dignidade dos cidadãos gregos, portugueses e irlandeses", disse que dignidade dos portugueses nunca esteve em causa com o ajustamento, leia-se, com as políticas da troika. Curiosamente, ou talvez não, no mesmo dia, o ministro Mota Soares anunciou o reforço de 50 milhões para a rede de instituições sociais. Em que ficamos? Atentou ou não contra a dignidade? É verdade ou mentira que temos de recuar aos anos 60 para encontrarmos os valores da actual emigração? Existem ou não 700.000 desempregados? Um em cada quatro portugueses está ou não em risco de pobreza e quem recebe o salário mínimo ganha ou não menos 12 euros do que em 1974? Por aí fora...
Ilustração:  Google Imagens.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

DEBATE QUINZENAL NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA: INTERVENÇÃO DO PRIMEIRO MINISTRO

Ao contrário do que acontece no Parlamento da Madeira, onde o governo regional não debate com a oposição os grandes dossiês da governação, esta tarde, na Assembleia da República, uma vez mais, o Primeiro-Ministro José Sócrates enfrentou a oposição sobre a gravidade da situação económica internacional e as eventuais repercussões no espaço nacional. Aqui ficam algumas das mais significativas passagens do discurso.
"O Mundo enfrenta uma situação muito difícil. A crise financeira, desencadeada nos Estados Unidos, alargou-se ao sistema financeiro Mundial e assume hoje proporções de muita gravidade. O impacto desta conjuntura internacional desfavorável reflecte-se, como era inevitável, na economia portuguesa. Por isso mesmo, o processo de recuperação económica que, de forma sustentada, temos vindo a percorrer, teve um abrandamento. Apesar disso, a economia portuguesa continua a crescer, com uma inflação que é a segunda mais baixa da zona euro e apresenta resultados visíveis na redução do défice orçamental, sustentados na contenção da despesa pública.
Mas é justo dizer, com convicção, que o sistema financeiro nacional tem sido capaz de enfrentar, de forma positiva, esta situação difícil.
Porém, para que não subsista a mínima dúvida, reafirmo aqui o que já foi dito por mim próprio e pelo Ministro das Finanças: o Estado cumprirá o seu dever, garantindo a segurança dos depósitos dos portugueses!
Mas também quero deixar claro que, para o futuro, não pode ficar tudo na mesma. O que aconteceu, como bem disse um conhecido prémio Nobel, não foi mais uma crise bancária, foi um escândalo bancário. O que aconteceu não foi uma crise como as outras. Foi o resultado escandaloso de lógicas de gestão orientadas para o imediato, uma regulação totalmente permissiva, práticas abusivas e uma ganância com proporções históricas.
A regulação efectiva dos mercados financeiros, que era há muito exigida pelas correntes do pensamento social europeu, tornou-se hoje uma necessidade evidente para todos. Mas sejamos claros: nesta crise financeira há uma ideologia derrotada. E quem sai derrotado são os apóstolos do Estado mínimo e do mercado desregulado. Quem sai derrotado são aqueles que, durante anos a fio, enalteceram as virtudes imbatíveis de um mercado entregue a si próprio. Quem sai derrotado são aqueles que sempre professaram a sua fé na mão invisível do mercado, para agora, à falta da outra, reclamarem a intervenção da mão bem visível do Estado!
A palavra-chave para definir a resposta política que devemos dar a esta situação difícil é a palavra «responsabilidade». Responsabilidade no rigor orçamental e no caminho das reformas; responsabilidade no apoio às empresas, ao investimento e à criação de emprego; e responsabilidade no apoio às famílias.
Estou agora em condições de afirmar que cumpriremos o nosso objectivo orçamental: este ano alcançaremos um défice de 2.2%. Uma vez mais, o valor mais baixo da democracia portuguesa! E o Governo não irá permitir que o País entre, de novo, num ciclo vicioso de incumprimento-correcção-incumprimento nas contas públicas. Isso seria andar para trás e atraiçoar gravemente todo o esforço feito pelos portugueses ao longo dos últimos três anos.
Neste quadro de dificuldades da economia internacional, ter uma atitude responsável é também agir para ajudar as empresas portuguesas a enfrentar esta situação. Por isso, quero anunciar duas medidas que vamos tomar de apoio às pequenas e médias empresas.
A primeira: no Orçamento para 2009 o Governo vai propor uma baixa substancial do IRC. Assim, a taxa de IRC será reduzida para metade, de 25% para 12,5%, nos primeiros 12 500 euros de matéria colectável.
Passará, portanto, a haver dois escalões no IRC: um, de 12,5% para a matéria colectável até aos 12 500 euros, e outro, de 25%, para os valores superiores. Desta forma, cerca de 80% das empresas portuguesas verão reduzido para metade o seu esforço com o pagamento deste imposto. Esta é uma medida que se aplica a todas as empresas, mas que beneficiará especialmente o tecido das pequenas e médias empresas.
A segunda medida: o Governo decidiu aumentar para 1000 milhões, a nova linha de crédito PME-Invest II destinada ás pequenas e médias empresas. No âmbito desta linha de crédito, que se acrescenta à linha de 750 milhões já utilizada, as PME beneficiarão de uma taxa de juro inferior à Euribor, terão um período de carência e os seus financiamentos beneficiarão de uma garantia pública de 50% do seu valor.
Na situação presente, todavia, justifica-se fazer mais um esforço orçamental de apoio às famílias. Em particular nas despesas que as famílias têm com a educação dos seus filhos.
Actualmente, as famílias do primeiro escalão – isto é com rendimentos mais baixos – beneficiam no mês de Setembro de uma 13.ª prestação para apoiar as despesas com a escola dos seus filhos. Pois bem, o Governo decidiu propor, no Orçamento de Estado para 2009, que essa prestação seja alargada, passando a abranger todas as famílias beneficiárias. Esta medida vai assim apoiar mais 780 mil beneficiários, reforçando fortemente as políticas sociais do Estado dirigidas às famílias portuguesas.