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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

PATRIOTISMO, SENHOR GENERAL?


Estou a pensar entrar numa livraria, comprar o livro "Jardim, a grande fraude" e remetê-lo ao dito general, para que o leia, serenamente, página a página, no conforto do seu lar, com um whisky puro malte de 15 anos, com uma luz amena e jazz como suave fundo musical, que permitam a interiorização plena do texto. Mas aconselho que também coloque ao lado, em uma mesa de apoio, um bom dicionário para perceber bem o significado das palavras carisma, patriotismo, prestígio, líder, honra, enfim, todas as caracterizações sobre as quais tiver dúvidas.

 
Por mim, enquanto cidadão, nascido e criado nesta terra, podem os dignitários deste meu País, entregar-lhe todas as condecorações, de A a Z, que não lhes atribuo qualquer significado. Não olho para quem as recebe, mas para a tristeza de quem as entrega. Vir aqui o chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, general Esteves de Araújo, enaltecer o Dr. Alberto João Jardim com elogios superiores à dimensão das ilhas, pelo "carisma", "patriotismo", "prestígio", "pragmatismo", "verdadeiro líder, homem de honra e de uma só palavra", pelo que nutre "respeito e admiração", enfim, só classifica politicamente quem produz tal discurso. Estou tentado a entrar numa livraria, comprar o livro "Jardim, a grande fraude" e remetê-lo ao dito general, para que o leia, serenamente, página a página, no conforto do seu lar, com um whisky puro malte de 15 anos, com uma luz amena e jazz como suave fundo musical, que permitam a interiorização plena do texto. Mas aconselho que também coloque ao lado, em uma mesa de apoio, um bom dicionário para perceber bem o significado das palavras carisma, patriotismo, prestígio, líder, honra, enfim, todas as caracterizações sobre as quais tiver dúvidas.
Estava eu a ler a notícia e a lembrar-me que há uns anos o agora agraciado designou por "efeminadas" as Forças Armadas. Não interessa saber nem o motivo nem o contexto. Certo é que o Coronel Lacerda, reza a História, terá solicitado uma audiência, pedido satisfações e aplicado um exemplar correctivo. Ontem, o Chefe de Estado Maior tentou apagar a História, mas julgo que não conseguiu. Gostaria, apenas, de conhecer de onde partiu esta ideia da medalha militar da Cruz de S. Jorge, quando, institucionalmente, o agraciado não fez mais que o seu dever, mesmo quando foi realizado, no Funchal, julgo que há dois anos e meio, o Dia da Força Aérea. Uma cruz, Senhor General, andam todos os madeirenses a carregar e valha a verdade que nem S. Jorge os acode. E pelo que se vê, nem os generais!
Só mais este pormenor: o Senhor veio falar de "patriotismo", quando, subtilmente ou descaradamente, o dito fala, recorrentemente, de independência do País a que pertencemos? Conhecerá o Senhor, toda a história da FLAMA? Francamente!
E por aqui fico, porque sempre que assisto a situações destas, lembro-me do refrão da "Valsinha das Medalhas", interpretada por Rui Veloso:
"Encosta o teu peito ao meu, sente a comoção e chora
Ergue o olhar para o céu, que a gente não se vai embora
Quem és tu donde vens, conta-nos lá os teus feitos
Que eu nunca vi pátria assim, pequena e com tantos peitos".

Ilustração: Google Imagens.