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sábado, 5 de maio de 2018

POLITICAMENTE UM VOTO ININTELIGÍVEL


FACTO

O ex-presidente do governo da Madeira, Dr. Alberto João Jardim será agraciado com a mais alta insígnia da Região Autónoma da Madeira, depois de quase quatro décadas à frente do executivo. A proposta partiu do PSD e contou com o apoio do actual governo. A proposta foi aprovada na comissão permanente da Assembleia Legislativa da Madeira com os votos favoráveis do PSD, PS e CDS-PP. O Bloco de Esquerda e o Partido Trabalhista Português votaram contra e o Juntos Pelo Povo absteve-se. Segundo a comunicação social o PCP não esteve presente.

COMENTÁRIO

O voto favorável do Partido Socialista é inenarrável. Que o PSD queira distinguir um dos seus, porque tem maioria parlamentar ou porque dá jeito no confronto interno, enfim, é compreensível. Já o sentido de voto do PS é muito estranho. Em breves instantes, escrevo no plano da análise POLÍTICA, deu-se o mais completo apagão em uma memória de 40 anos, feita de ofensas muito graves a dirigentes e simpatizantes, de ataques políticos miseráveis e muitos com natureza ordinária, de aviltamento de pessoas credíveis e socialmente reconhecidas, de perseguições a variadíssimos níveis, para não falar das atitudes musculadas, do autoritarismo, da violação dos deveres de neutralidade, da exclusão de pessoas dos espaços que deveriam primar pela representação democrática, da ausência de debate, do desrespeito pelos órgãos da República, da dívida contraída, dos "monopólios" gerados, das públicas cumplicidades, da utilização do Jornal da Madeira, das ofensas à comunicação social, da criação de uma sociedade assimétrica, enfim, é longo, muito extenso o historial. E o PS-Madeira pegou no apagador e em um ápice fez desaparecer tudo o que durante anos criticou e, POLITICAMENTE, deu o seu voto favorável. Um completo apagão, quando o PS sempre disse que, com o mesmo dinheiro disponível teria feito muito mais e melhor. Trata-se de uma contradição insanável, quando o "reconhecimento" tem uma natureza política. Nem presente tiveram o que um dia foi dito e que explica muita coisa: "temos de ser uma máfia no bom sentido e ajudar-nos sempre uns aos outros".
Ora bem, no exercício da política, como em tudo na vida, é necessário dar-se ao respeito, até porque "quem não se sente, não é filho e boa gente". Só falta agora, no dia da cerimónia, o PS aplaudir e abraçar, POLITICAMENTE, o condecorado, na lógica de "quanto mais me bates, mais eu gosto de ti". 
Nunca imaginei, confesso!
Finalmente, talvez agora compreenda o que o Dr. Jardim disse, em 10 de Abril de 2012: "(...) os amigos dos meus inimigos, meus inimigos são, os inimigos dos meus inimigos meus amigos são". Fico por aqui.

sábado, 4 de março de 2017

A DIFERENÇA ENTRE DOIS POLÍTICOS


Ambos foram presidentes dos governos regionais da Madeira e dos Açores. Um, o dobro do tempo relativamente ao outro, o que não deixa de ser significativo nesta breve e despretensiosa leitura. Um, saiu empurrado pelo partido; o outro, criou as condições para uma transição serena, simplesmente porque tudo tem o seu tempo. Um, fugiu ao sistemático combate político azedo com a República, embora não se vergando; o outro, fez da ilusória questão do "contencioso das autonomias" a arma de  uma quezília sem tréguas. Um fez crescer e desenvolver uma região ao ritmo das várias disponibilidades e no respeito pelas características históricas e culturais; o outro, endividando a região até ao tutano, apostou no prioritário e no secundário, como se os fundos se esgotassem no dia seguinte. Um, na esteira dos seus mandatos, é arguido em um processo de registos paralelos à contabilidade pública (não sei se é esta a designação mais apropriada); o outro, saiu da governação sem mácula. Um, chega agora a vice-presidente da Internacional Socialista (IS); o outro, pelo que se vê, politicamente, ninguém o quer, interna e externamente. Dois homens políticos e dois percursos tão distintos.  



Quando li a notícia que o açoriano Carlos César tinha sido eleito vice-presidente da IS, obviamente que não deixei de olhar para o percurso do Dr. Alberto João Jardim na Região Autónoma da Madeira. O primeiro cresceu e alcandorou-se a outros patamares políticos, tendo sido desde logo chamado para presidente do PS, enquanto o outro preferiu se entrincheirar, cada vez mais, no seu pequeno museu de memórias. Um, se bem leio a situação, paulatinamente, percorre o longo caminho para a Presidência da Assembleia da República e, depois, para a chefia do Estado, enquanto o outro se entretém com as questões da paróquia, absolutamente marginais. 

Eu sei que, na política, como já alguém disse, "morre-se várias vezes", mas não deixa de ser interessante dois caminhos tão diferentes
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 2 de abril de 2016

A OFENSA GRATUITA NO DEBATE POLÍTICO


Pela segunda vez foi adiado o julgamento do ex-presidente do governo regional da Madeira, arguido em um caso de difamação e injúrias ao seu opositor político, o socialista Dr. António Loja. O caso passou-se em 1994 e só agora entrou na fase de julgamento. A imunidade parlamentar justificou tantos anos a aguardar Justiça. Segundo o DN o arguido desancou no Dr. António Loja designando-o por “pirado”, “criatura” e “ordinarote” (...) “tão pirado que não vê as próprias grosserias e descobre-as nos outros”; “a criatura endoidou”; “ordinarote” e “o homenzinho, ao ler isto, caem-lhe mais três dentes, dois de raiva e um de senilidade”.


Em um outro caso, este em fase de instrução, processo também com muitos anos devido à tal imunidade, disponibilizei-me para ser testemunha contra um outro "pirómano" político que resolveu chamar de "filho da...", entre outros mimos grosseiros, a um deputado da oposição. 
Ora bem, assume a defesa destes arguidos, que as expressões utilizadas "foram empregues no âmbito do debate político". E é aqui quero chegar através de uma simples pergunta: o que tem a ver o debate político com a deliberada ofensa à dignidade dos opositores. Tantas vezes estive envolvido em acalorados debates com figuras da maioria política na Assembleia, mas nunca, nunca, ofendi fosse quem fosse. Para já porque a ofensa é indigna no plano do debate democrático, depois, porque quem ofende, demonstra uma baixeza comportamental, sobranceria relativamente aos outros para além de colocar em causa a dignidade das instituições. 
Obviamente que é admissível que o debate, em função dos posicionamentos políticos, seja intenso e vigoroso, todavia, em circunstância alguma pode descambar na grosseria e na ofensa directa à dignidade dos outros. Quando tal acontece só há um caminho a seguir pelo prevaricador: apresentar públicas desculpas, redimindo-se das atitudes assumidas. Esconder-se na imunidade parlamentar ou provocar sucessivos adiamentos, quando é possível dirimir os argumentos em sede própria, na Justiça, parece-me próprio dos fracos e intolerantes. Retratem-se, por favor.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

CONDECORAÇÕES


As Ordens Honoríficas do Estado Português estão definidas e, lendo a respectiva Lei, fico com a certeza da sua importância, porque há Homens e Mulheres que, pelas mais variadas razões, em todos os sectores e áreas de actividade política, económica, científica, social e cultural, são merecedoras do reconhecimento público. Defendo, por isso, que devem ser atribuídas com um enorme rigor e no quadro de uma grande selectividade, para que os distinguidos sejam, de facto, vistos como exemplos de referência entre os cidadãos. Quando tal não acontece ou quando fica um rasto de muitas sombras, ou, ainda, quando o aspecto partidário toma a dianteira, as Ordens Honoríficas perdem o seu valor intrínseco. Penso assim e ponto final.


Vou, sem mais delongas, à condecoração atribuída ao ex-presidente do governo regional da Madeira, Dr. Alberto João Jardim. O Presidente da República decidiu, portanto, está decidido. Se tal atribuição ficou a dever-se à função que desempenhou ao longo de 38 anos, e apenas por isso, se Grã Cruz da Ordem Militar de Cristo visa a função, o tempo de desempenho e não a qualidade do desempenho, não me restam dúvidas que aquela condecoração ou qualquer outra de maior valor, está correcta e afigura-se-me adequada. Se a análise for a da qualidade do desempenho, o "Senhor Silva", personalidade tantas vezes ofendida pelo Dr. Jardim, parece-me que está a menosprezar a importância das mais altas condecorações do nosso País. Curiosamente, a um que foi primeiro-ministro, Engº José Sócrates, por que está (?) envolvido em um processo judicial, passados  quatro anos não foi chamado a Belém para a habitual e rotineira distinção; àquele que foi primeiro responsável político por mais de mil milhões de euros não reportados ao Tribunal de Contas, os quais fizeram agravar o défice regional e nacional, que conduziram a um Plano de Ajustamento Económico e Financeiro (dupla austeridade para os madeirenses e Portosantenses) e, concomitantemente, a um processo designado por "Cuba Livre" (ainda em (re)curso), o Presidente, antes de sair de Belém, faz questão de o colocar na galeria dos políticos "santos" e distintos. Enquanto cidadão causa-me perplexidade. Afinal, pergunto, que dualidade é  esta e o que significa "galardoar ou a distinguir, em vida ou a título póstumo, os cidadãos nacionais que se notabilizem por méritos pessoais, por feitos militares ou cívicos, por ACTOS EXCEPCIONAIS ou por serviços relevantes prestados ao País?" 
Razão terá o músico e intérprete Rui Veloso na "Valsinha das Medalhas":
"(...) 
Encosta o teu peito ao meu, sente a comoção e chora

Ergue o olhar para o céu, que a gente não se vai embora

Quem és tu donde vens, conta-nos lá os teus feitos

Que eu nunca vi pátria assim, pequena e com tantos peitos

.
(...)"
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

CARLOS CÉSAR, MOTA AMARAL E ALBERTO JOÃO JARDIM


Segui uma grande parte do debate do programa de governo. A páginas tantas, talvez pela intervenção do Deputado Carlos César, presidente do PS e líder da bancada parlamentar, dei comigo a cruzar os nomes e percursos de três personalidades: o citado Carlos César, Mota Amaral e Alberto João Jardim. Todos ex-presidentes dos governos das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira. Nos Açores, Mota Amaral e Carlos César repartiram 35 anos de governação e seguiram para os patamares superiores do exercício da política. O social-democrata Mota Amaral chegou a Presidente da Assembleia da República, isto é, a segunda figura do Estado; Carlos César, mais novo, é Presidente do PS e líder da bancada parlamentar. Fácil será prognosticar que atingirá outros patamares. Por seu turno, Alberto João Jardim, depois de 36 anos e oitenta e cinco dias de governação, alojou-se no alto do Quebra-Costas em uma casa da Fundação Social-Democrata, onde escreve uns artigos e pouco mais. 


Os dois primeiros são figuras respeitadas na sua região e no espaço nacional. Alberto João Jardim, no mínimo, não goza de simpatia dentro do seu próprio partido, nem no espaço nacional. Independentemente dos posicionamentos político-partidários, qualquer cidadão gosta de reconhecer aqueles que pelas suas atitudes e pelos princípios e valores políticos que transportam, atingem o reconhecimento dos seus pares e dos eleitores em geral. Quando se constata a situação contrária, tal constitui o exame do que andaram a fazer durante uma parte da vida política. Enfim, relativamente a estas três figuras, os leitores que concluam. 
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 26 de setembro de 2015

ELE DISSE: "EM DEMOCRACIA AS COISAS DEBATEM-SE"! SIM!?


Quarenta anos depois, o Dr. Alberto João Jardim, em artigo de opinião, assumiu: "(...) Em Democracia as coisas debatem-se". Tanto tempo para chegar a esta conclusão. Foram anos de desprezo pela Assembleia Legislativa da Madeira, sucessivas legislaturas que registaram a sua presença apenas no debate do "Programa de Governo" e "Orçamentos da Região", discursando sempre a solo, sem qualquer hipótese de debate com os vários grupos parlamentares, quarenta anos de Jornal da Madeira, pago pelos contribuintes, mas sem articulistas da oposição, quatro décadas que fugiu ao debate na rádio e na televisão, anos a fio a utilizar os palcos das inaugurações e das festas, desde a da cebola até à da pecuária, quarenta anos de ofensas aos cidadãos, universitários, investigadores e especialistas de vários sectores por terem opinião e desejarem o debate e, depois de todo este sumário percurso, escreve que "em Democracia as coisas debatem-se"! Um quadro destes não revolta o cidadão mais atento, porque sabe o que a casa sempre gastou e gasta, mas diz muito da degradação do exercício da política e do cansaço dos cidadãos. Hoje, "refugiado" no alto do "quebra-costas", controlando à distância as suas tropas, ainda se atreve, tal como Frei Tomás, a atirar mas com pólvora seca. 


Com tanto problema estrutural na Madeira, achei um mimo aquele pedido para que seja esclarecido antes de votar: “Por favor, os senhores partidos do regime político-constitucional ainda vigente, expliquem aos Portugueses esta de o preço do petróleo ter vindo para à volta de metade, e o preço dos combustíveis não descer para o consumidor. Para onde vai o dinheiro?” Não teve em conta que os madeirenses também podem questionar, no seu tempo de governante, que posições assumiu relativamente aos combustíveis e, por outro lado, face à dívida contraída, para onde foi o dinheiro? Enfim, o problema é que deixou descendência. Esse é que é o drama!
O comportamento político do actual elenco que governa a Região também apresenta tiques de incompreensão no quadro do debate em democracia. Tentou passar a imagem da "renovação", também comportamental, mas os traços marcantes de uma aprendizagem feita ao longo da história, estão lá. Passemos os olhos de relance sobre as secretarias regionais, atentemos no que se passou e passa na Saúde, fixemo-nos um pouco no sistema educativo que é uma espécie de máquina velha, com falta de peças e de inteligência para colocá-la a produzir para o futuro, a da Economia que, entre algum folclore inútil, ignorou a Assembleia, ao pedir aos deputados que se deslocassem à secretaria para uma sessão de esclarecimento sobre o polémico subsídio de mobilidade, a dos Assuntos Sociais e Inclusão de onde não se vê sair qualquer projecto estruturante face ao dramatismo de muitas famílias, antes se assiste, diariamente, à política do penso rápido e, segundo li, do copy paste (Machico). Por aí fora até ao presidente, que, tentando falar grosso, se manifestou "chocado" com comentários "xenófobos", "maldosos", "egoístas" e "imbecis", como se não tivesse de conviver com outras opiniões não convergentes com a sua. Mesmo tendo razão, a forma como se dirigiu evidencia que a marca está lá, talvez mais besuntada de um creme de frescura, todavia, de qualidade não recomendável. O acto de governar envolve bom senso no relacionamento com o povo e implica saber contornar as dificuldades, por um lado, sem hipocrisia, por outro, com as palavras da sensatez. No essencial, sem margem para aquilo que possa ser considerado ofensa. É peça a peça, pedra a pedra, facto a facto, que vamos percebendo que é impossível mudar quando a matriz está marcada por princípios e por valores que vêm de muito longe!
Ilustração: Google Imagens

quarta-feira, 11 de março de 2015

JARDIM AGRADECE AJUDA DO BISPO DO FUNCHAL


O ainda presidente do governo regional da Madeira agradeceu, hoje, a ajuda do Senhor Bispo da Diocese do Funchal. Ajuda! Qual ajuda, perguntar-se-á?


É evidente que se percebe o significado da palavra "ajuda". No dia 05 de Maio de 2008 (aqui) escrevi um texto elogioso para com D. António. Aconteceu cerca de um ano após a sua nomeação para liderar a Diocese do Funchal. O texto referia-se a uma homília na Paróquia da Nazaré onde, relativamente à marginalidade jovem, disse que se encontrava "confuso". Nesse texto, depois de uma série de considerações, sublinhei: "(...) D. António Carrilho é evidente que não está confuso. Ele conhece os números do Rendimento Social de Inserção, o número de pensionistas, o número de famílias desestruturadas, o número de jovens licenciados sem emprego, o número de idosos que aguarda um lar ou que está na situação de altas problemáticas, ele sabe o que as paróquias fazem para matar a fome de crianças e adultos e, de resto, o que todas as instituições directa ou indirectamente ligadas à Igreja fazem para esbater as carências sentidas. Eu sei e muitos madeirenses sabem que o hino fala de paz e pão mas que é aqui onde existem as maiores desigualdades, onde a riqueza produzida é distribuída de forma escandalosamente desigual. D. António Carrilho sabe que se vive numa Região onde há mais direitos do que justiça, por isso, toda a comunidade, julgo eu, espera do seu múnus pastoral uma atitude inteligente e firme no combate à sociedade que estamos a construir que só pode gerar "desorientação", "caminhos de marginalidade" e "jovens que vivem mergulhados na droga e na criminalidade".
A 30 de Março de 2013, depois de cinco anos à frente da Diocese, deixei aqui uma outra opinião:
"Não basta dizer que "perante as imagens de sofrimento, o discípulo de Cristo não pode ficar insensível ou indiferente. É necessário, pois, cultivar um coração compassivo, sensível à dos que sofrem". Pois, Senhor Bispo, esse sentimento é o que milhares têm e defendem, mas que resolve? Resolverá alguma coisa? Ora, o Bispo sabe, ora se sabe, que isto não vai com "compaixão", com um sentimento de pesar que nos causam os males alheios, isto vai com atitudes certas de quem tem o poder político nas mãos. Resolve-se com posições firmes, consistentes, humanistas e de respeito pelas prioridades. Porque o meu coração "não é insensível em face dos problemas dos outros" é que escrevo e tento denunciar a pouca-vergonha. Mas eu não tenho púlpito, eu não tenho a chefia da Diocese, eu não possuo a força de uma rede hierárquica capaz de colocar em sentido os responsáveis pelos dramas humanos. E o Senhor Bispo do Funchal, que não deve ser partidário, tem o dever de "(...) ajudar as pessoas a perceberem que elas podem fazer mais do que acham que podem", todavia no sentido da luta pela sua dignidade e não no sentido que deduzi das palavras ditas. Senhor Bispo, com toda a sinceridade, mude o seu discurso, claramente, por omissão, mais partidário do que assente na Palavra de Cristo. Enfrente a realidade e seja VERDADEIRO. É a única coisa que lhe peço, enquanto cristão".
Ora bem, Alberto João Jardim, foi, afinal, agradecer o quê? O silêncio? O facto do Bispo não ser incómodo? Porque a Diocese está armadilhada e controlada pelos subsídios? Isto, enquanto cresce a pobreza e a desigualdade? Fico por aqui. Simplesmente porque a Palavra e o Exemplo de Cristo merecem uma outra resposta.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

PARA LER ALGUNS HISTORIADORES TENHO DE ESQUECER-ME DO QUE LI EM “JARDIM – A GRANDE FRAUDE”


Tive um professor que, logo no primeiro dia de aulas, disse que admitia a discussão sobre um qualquer tema, desde que o interlocutor fizesse, antecipadamente, um esforço de estudo e de compreensão sobre um dado conteúdo. Absolutamente correcto. Por isso, não entro pelo domínio da História, nem da sociologia, porque não fiz esse esforço e porque sempre segui o princípio de “cada macaquinho no seu poleiro”, mas entro pelo domínio do exercício da política onde a história é outra. Sobretudo no âmbito da História narram-se factos; na política existe sempre um ponto e um contraponto. A História rejeita a visão clubística, parcial e os olhos enviesados. Na política coexistem muitas verdades. É aqui que me situo. Ora, nos últimos dias tenho dado conta de posicionamentos de “historiadores” (e até de sociólogos e poetas) que parecem mais próximos do “omo ou do tide”, ao jeito de quem lava mais branco quarenta anos de atropelos, do que propriamente de uma leitura isenta que fique para a História. Daí este texto.


Sabe-se que quando há dinheiro, empreiteiros não faltam. E também que um historiador credível, aquele para quem se olha, lê e manifestamos confiança, é aquele que consegue manter um grande distanciamento ao mundo político-partidário, consegue fugir do espaço da verdade conveniente que interessa à política paroquial e dominante, permanecendo, assim, incólume à tentação de ser agradável seja a quem for. É isso, penso eu, que o cidadão comum pede a um historiador. Rejeito leituras quando o pensamento de alguém tende a rebolar deitado sobre a grande e viscosa bola do poder. Por exemplo, a história do “deve e do haver”, do meu ponto de vista, em função da sua finalidade primeira, política, não foi um tiro no pé, mas na própria cabeça do historiador. Simplesmente porque, no essencial, percorre tempos políticos que não podem ser comparados entre si. Mas essa é uma outra história, onde um trabalho de encomenda política acabou por ser colocado em uma prateleira, sem qualquer resultado prático no dirimir do debate político nacional. Foi um tiro de pólvora seca. A consequência do esforço valeu zero no plano político. E dessa prateleira não sairá. E se o objectivo maior não foi conseguido, ao madeirense em geral, no plano político, repito, quer lá saber, em suma, dos relatos, das circunstâncias e das contas ao longo de quinhentos anos. A sua preocupação centra-se na vivência do seu tempo, nas políticas que são assumidas e que podem ser geradoras de bem-estar económico, financeiro, social e cultural. 
Li declarações sobre as acessibilidades na Madeira e fiquei com o claro sentimento daquelas serem mais um hino de louvor ao paizinho partidário. Porque da mesma forma que quando há dinheiro, empreiteiros não faltam, também sabe-se que se tais obras não tivessem sido realizadas, em função dos gigantescos montantes em causa, com financiamento externo muito considerável, não seria um caso de política, mas de polícia. Portanto, o problema não se circunscreve ao domínio das acessibilidades enquanto marca do poder, numa visão unilateral e afunilada. Necessário se torna compreender o contexto, se à dita obra correspondeu a celebração do ser humano (a Madeira tem mais instituições de solidariedade social do que freguesias) ou se a "obra" foi apenas física e mais, se as prioridades foram ou não enquadradas nos doze princípios do desenvolvimento. Apenas um exemplo entre muitos (estudo de 2008): "a Noruega tinha o 3º PIB per capita do mundo e o segundo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), tem uma área de 307.000 Km2 e dispõe de 173 Km de via rápida; a Irlanda 70.000 Km2 e 176 Km de via rápida; a Madeira, com 780 Km2 e tinha 140 Km de vias rápidas".
A Noruega é rica e nós somos pobres! Na Noruega muitos túneis são “tenebrosos” (passei por dois, um de 16 e outro de 24 km) estreitos, de uma só pista com dois sentidos e menos bem iluminados, semelhantes aos antigos “furados” da Madeira, enquanto aqui, repito, numa Região pobre, assimétrica e dependente, pode-se encerrar um túnel e ali realizar um baile? Como justificar este paradoxo entre as políticas de um país rico e a pobreza de uma região de um país pobre? 
Eram necessárias novas acessibilidades, obviamente que sim, desde que muitas dessas acessibilidades fizessem parte de um rigoroso planeamento que não se esgotasse, apenas, em pontos de partida e de chegada. Que essas acessibilidades conduzissem a novos polos de economia e de desenvolvimento, mantendo a outra rede, manifestamente de interesse histórico e turístico. Mas o problema não foi apenas esse. A “fúria inauguracionista” como bem caracterizou o Deputado Edgar Silva, levou Jardim, ao mesmo tempo que mandava rasgar vias de circulação viária, a descompensar sectores determinantes do desenvolvimento sustentável. Ele, com as suas nefastas opções e falta de rigor no estabelecimento das prioridades, acabou por gerar duas dívidas: a dívida pública, para cima de seis mil milhões, que ninguém sabe como pagar e uma dívida social (onde se inclui  desastre da Educação com vergonhosas taxas de abandono e de insucesso) que levará algumas dezenas de anos a superar. 
Fico, assim, pasmado quando um historiador fala de Jardim como um político que "marcará a história do Portugal democrático pós-25 de Abril" (só se for de forma negativa, considero eu), um historiador que enaltece a sua “postura irreverente, combativa, frontal, que marcou uma forma muito própria de fazer política e de defender os interesses da Madeira” (quantos foram brutalmente ofendidos, espezinhados e afastados), como aquele que bateu recordes em termos de “longevidade como titular de cargos eleitos em processos eleitorais ganhos sucessivamente com maiorias absolutas" (à custa de quê e de quem? Será que o JM tem alguma coisa a ver com os resultados?), que “ficará na história da construção da União Europeia (…) e na memória coletiva da opinião pública e no meio político português da democracia contemporânea". Ao ponto de passar uma imagem onde a mais conhecida postura combativa deste líder (...) dá lugar ao perfil do 'gentleman', culto, simpático, acolhedor e com grande sentido de humor" (lembro-me daquela tirada, digna de um "gentleman", aos jornalistas: há para aí uns bastardos para não lhes chamar filhos da p...). Para ler isto tenho de fazer um “resert” a tudo o que li no livro “Jardim, a grande fraude” e a tudo o que vi e escutei ao longo dos últimos 40 anos. Se aquilo é História, vou ali e já volto!
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

"O QUE MAIS ME ENCHE CÁ DENTRO É A TRANSFORMAÇÃO SOCIAL" - ALBERTO JOÃO JARDIM



Todo o País se transformou, obviamente. Basta comparar com os índices de 1974. Depois da Revolução, com a abertura ao exterior, com a integração europeia, com os milhares de milhões que aqui entraram, não ter havido substanciais melhorias desses índices, seria muito grave. Porém, o problema não é esse. Interessa sobretudo avaliar, à luz de muitos indicadores, se os resultados foram ou são proporcionais ao investimento. No essencial, como se encontra a economia, as finanças, a educação, a saúde, a mentalidade, a pobreza, a emigração, enfim, todos os sectores determinantes no apuramento do "índice de desenvolvimento humano". Já agora, como estamos hoje de AUTONOMIA ou de DEPENDÊNCIA!
O Presidente do Governo demissionário sabe, então não sabe, que CRESCIMENTO é uma coisa; DESENVOLVIMENTO é outra bem diferente. Mas, habilmente, confunde-os. Do meu ponto de vista, oxalá tivesse havido aquilo que ele designa por "transformação social". Simplesmente porque não basta um olhar pouco cuidado sobre a taxa de alfabetização, a expectativa do número de anos de vida e o PIB para atestarmos do grau de bem-estar. Há muitos outros indicadores e esses não devem ser ignorados.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

NA POLÍTICA... E NÃO SÓ


Comecei a ler a edição de Inverno da Página da Educação. A páginas tantas um texto do Professor António Magalhães despertou-me a atenção. Começa assim: "Um amigo contou-me que à saída de uma conferência, sem saber bem qual a direcção do hotel em que estava instalado, viu duas pessoas que reconheceu como estando hospedadas no mesmo sítio. Caminhavam com um passo determinado e a sua segurança parecia reflectir o conhecimento do percurso; resolveu segui-los. Acontece que se perderam e, com eles, o meu amigo - nunca sigas alguém apenas porque parece que sabe para onde vai, concluiu ele. (...)"


Trata-se de uma síntese que se encaixa em múltiplas situações. Na política, por exemplo. Andam, por aí, a falar de um "novo ciclo", paradoxalmente, com um novo-velho protagonista que aposto não saber para onde vai. E vejo muitos a seguirem-no como se ele conhecesse, neste caso, o caminho do crescimento e do desenvolvimento. Quanto enganados estão! Perder-se-ão, certamente. Ora, quando não há mudança ou alterações significativas no molde, não é possível esperar outra peça que não igual à primeira. Pergunta-se: qual a sua ideologia? Em que princípios e valores se fundam os alicerces do seu pensamento político, económico, financeiro, social e cultural? Em que escola foi formado esse pensamento e quem foram os seus mestres? Que posições conhecidas sustentaram a sua práxis política ao longo dos últimos trinta anos?
Embora muito importante, não basta urbanidade. Na condução dos destinos de um povo, interessa perceber se o personagem é apenas um estratego político, ou se traz consigo uma sustentada ideologia susceptível de produzir confiança. Do meu ponto de vista, o molde que, como se sabe, é oco, só poderá facultar a forma do anterior. O pedestal pode ser diferente, mais vistoso, mais engalanado, mas todos identificarão as políticas com a anterior escultura. Por isso, "nunca sigas alguém apenas porque parece que sabe para onde vai".
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 4 de janeiro de 2015

O MAIOR "CRIME" POLÍTICO DE ALBERTO JOÃO JARDIM


A dívida não sei se chegará a ser paga. Os que a ocasionaram duvido que alguma vez sejam responsabilizados, politicamente e até na Justiça. Somos assim, dizem, de "brandos costumes". No exercício da política poucas são as situações passíveis de serem consideradas crime. Foram eleitos de acordo com um programa, gastam em duvidosas prioridades e se não existirem provas de corrupção, fraude e toda aquela lengalenga dos Tribunais, ou continuam ou são substituídos por razões de manutenção da aparência. Ponto final. Temos presente a gigantesca operação designada por "Cuba Livre". Em que deu? Arquivado! Foi solicitada a abertura de instrução, é verdade, mas lá se passarão mais uns quantos anos e o resultado será, presumo, zero. Se, entretanto, não prescrever. É por múltiplas situações que se passam debaixo dos nossos olhos observadores, que qualquer cidadão olha para o quadro que se apresenta e tem sobejas razões para duvidar. E existe um outro "crime" que jamais será julgado, mas que foi cometido: o da estupidificação do povo, a sua intencional dependência, o medo, o pressuposto que se estiveres comigo, amanhã, beneficiarás de uma promoção, o controlo de um meio de comunicação social conducente ao embrutecimento, a ausência de autonomia das instituições, públicas e privadas, através de um processo subtil, manhoso e engendrado: "sejam autónomos nas decisões que já tomámos por vós", o bast-fond dos interesses económicos que só a História um dia descortinará, enfim, "em cúmulo jurídico" como soe dizer-se, estes "crimes" deveriam conduzir a uma pena máxima de afastamento do exercício da política, ditada em sentença aquando de qualquer acto eleitoral. 


Esse é o maior crime, porque não libertou a população nem a conduziu no sentido dos deveres e dos direitos e da liberdade responsável. O crime, não o de fazerem túneis viários, mas o de terem concretizado túneis nas cabeças do povo. Enquanto a outra dívida, a financeira, dizem que será paga, a dívida educativa libertadora e a dívida social, essas, marcarão a vida dos madeirenses e portosantenses durante larguíssimos anos. 
Obviamente que a Madeira regista personalidades de inquestionável valor em todos os sectores, áreas e domínios. Não é dessa excelente nata que falo. Esses andam por aí, trabalhando e emprestando qualidade, mas sem hipóteses de afirmação. Sempre que alguns tentaram exprimir a sua liberdade de pensamento foram espezinhados e ofendidos. São muitos os casos. Remeteram-se ao silêncio e a sociedade ficou mais pobre do ponto de vista do funcionamento da democracia e da construção do futuro. A própria Universidade, que sempre foi polo político, silenciou-se. De alto a baixo passou a falar baixinho! Esse é um quadro preocupante, obviamente. Mas, pior ainda são os outros, aqueles formatados nesta estúpida concepção de sociedade e com os quais se torna difícil ter um diálogo, porque deixaram a Escola demasiado cedo, porque a Escola foi mais livresca do que preparadora da descoberta, porque foram arredados para as margens, porque entraram no círculo vicioso da pobreza geradora de novos pobres, gente que não consegue cruzar a informação disponível e produzir as necessárias sínteses, pessoas que carregam as marcas da verdade única, enfim, falo desses muitos milhares sem voz ou com voz muito trémula. Falo desses que deveriam fazer a diferença e não fazem porque são dependentes. O "crime" está aí, porque a política funcionou como uma espiral de fora para dentro, condicionadora, e não como uma espiral de dentro para fora (do homem para o mundo), libertadora e capaz de suscitar pensamento estruturado. Para mim, são socialmente criminosos todos quantos condicionaram através da sua práxis política. Se, intencionalmente, o tempo o dirá. 
Esses, os responsáveis pelo "crime", surgem agora, pintados de fresco, com as cores de uma esperança salvadora, como se nada tivessem a ver com aquilo, melhor dizendo, com eles, quando lá estiveram de corpo e alma na grande tigela do regime. Foram anos consecutivos de vénias, de aprovações e de silêncios cúmplices, o que conduz a que qualquer pessoa atenta se interrogue: como é possível os mesmos serem alternativa política? O drama é, em tão pouco tempo, acordar o povo e fazê-lo acreditar que são possíveis novas políticas com outros actores. Os próximos dias são determinantes. 
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

APRESENTAÇÃO DE CUMPRIMENTOS TRANSFORMADOS EM MOMENTOS DE PROPAGANDA POLÍTICA


Nem a época natalícia escapa. Tudo serve para afirmar posições políticas, arrotar umas quantas frases que já cansam, porque facilmente se percebe onde os seus mentores querem chegar. Desta vez chocou-me este aproveitamento político sem nível. Uma cerimónia protocolar de Bom Natal, que deveria ser tudo menos de fingimento a roçar a hipocrisia, que deveria ser sincera, portanto, muito para além do quadro institucional, traduziu-se em uma repelente e desenquadrada propaganda política. Se o Natal é aquilo que li e ouvi, pois bem, pode o presidente do governo ir a todas as Missas do Parto, pode curvar-se junto do Bispo António Carrilho, pode dizer o que disse ao Representante da República ou pode, ainda, fazer aquele "espectáculo" na Assembleia Legislativa, que o Povo, aquele povo que sente e vive o Nascimento de Jesus e que segue a Sua Palavra, obviamente que o manda, como soe dizer-se, dar uma volta ao bilhar grande. 


Ora bem, o Senhor Representante da República pode ser um convicto social-democrata, pode ser militante ou simpatizante, pode ter uma especial consideração pelo ainda presidente do governo regional desde o tempo de estudante, mas  isso não lhe garante o direito institucional de assumir declarações deste tipo: "(...) Espero que não seja a última vez que nos encontramos numa cerimónia deste tipo, talvez já não como presidente do Governo Regional, mas estou convencido de que o futuro está à sua espera, em cenários diversos e estimulantes e espero que saiba abraçar esses desafios". O lugar institucional de Representante da República, assim creio, implica distanciamento político. Recebeu o falso livrinho político do deve e do haver dos 500 anos. Até nisto a propaganda funcionou ao mais alto nível das instituições políticas. Deveria também ler "Jardim, a Grande Fraude", sugiro. 
Por outro lado, o presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, primeiro órgão de governo próprio, na frente de Jardim, afirmou: "(...) A minha primeira nacionalidade é madeirense e só depois portuguesa". Pode o presidente da Assembleia, no respeitável plano pessoal, defender a independência da Madeira ou o conceito de Estado Federado, não deve, no plano institucional, assumir uma declaração que, para além de ser um tiro de pólvora seca nacional, é sobretudo provocadora e motivadora de péssimas relações entre a Madeira e os Órgãos de Soberania. Recordou que o mundo vive "tempos de confusão", com muitos "ismos" que devem ser contrariados. "Tempos de germanismos, de egoísmos, de liberalismo, de oportunismos, de golpismos". Certo. Concordo. Faltou, apenas, juntar os tempos de jardinismo! O que Jardim fez pela Região "está à vista de quem quer ver" e "ninguém pode tirar", acentuou. Pois, ninguém pode tirar a dívida assustadora, as limitações de ordem democrática, a governamentalização da Assembleia, ninguém lhe pode tirar a obstinação por uma Região passada ao ferro uniformizador que esmagou a identidade própria e a diferença, uma Região que deveria ser um exemplo nacional e europeu a todos os níveis e que hoje é vista com desconfiança e, por isso mesmo, desrespeitada.
O Natal tem, para mim, um significado diferente e os  cumprimentos de Natal deveriam trazer no seu bojo, não a política barata, a pataco, o discurso que não vai além da troca de galhardetes, mas o discurso da Palavra e do essencial que possa configurar a ESPERANÇA de um povo que anda à nora! 
Ilustração: Google Imagens.  

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

ALBERTO JOÃO JARDIM É UM "LÍDER" FRACO. É MAIS "CHEFE" QUE LÍDER!


O espectáculo público pelo poder interno do PSD-M está cada vez mais interessante. O texto do Dr. Miguel de Sousa, hoje publicado na página de opinião do DN-Madeira, a par de outros tantos, constitui a manifestação clara que Alberto João Jardim sempre foi um líder fraco. Politicamente foi um "chefe" nunca um líder político. Foi um homem que pensou na eleição seguinte e nunca na geração seguinte. Foi um político forte com os mais fracos e extremamente fraco com os mais fortes. O texto de hoje começa assim: "Cunha e Silva, em 10 de Abril, prometeu “mudar o que deve ser mudado”. Manuel António Correia, em 2 de Dezembro, diz “mudar aquilo que deve ser mudado”. A diferença é “aquilo”. Igual é tudo o resto. A falta de coragem em identificar e enunciar o que está mal e tem de ser mudado urgentemente, dadas as suas responsabilidades directas nestes últimos 14 anos de governação. Dizer o que deve ser mudado implicava reconhecer o que está errado. Era acusar o seu próprio governo das muitas más decisões e dinheiro mal gasto, perdido e pago pelos contribuintes. Não têm essa categoria. Ao contrário, andam por aí como “inocentes” da maior catástrofe financeira da História da Madeira, quando são os seus maiores e mais directos responsáveis: os que nos levaram ao Inferno da dívida sem que os seus investimentos sirvam seja lá para o que for. Campo de golfe da Ponta do Pargo (35 milhões nem para golfe nem para nada), marina do Lugar de Baixo (120), lagoa Santo da Serra, central de lixo no Porto Novo, centros cívicos, piscinas, restaurantes, bares, parque aquático, as bioalgas no Porto Santo (conhecidas pela fábrica do caldo verde), obras inacabadas, etc. Sem pudor ainda andam naquela de fazer adjudicações só para enganar as pessoas, como se elas fossem parvas e ainda dessem credibilidade a qualquer iniciativa desses dois cavalheiros, quais “anjos da morte” do nosso dinheiro. Prometem, em vésperas de eleições, construir a Escola Secundária da Ribeira Brava (já devia estar concluída e a funcionar) e traíram a promessa de construção de uma escola nova em Porto Santo. Isto é uma pouca vergonha. Até já nem o Secretário da Educação fala. Temos de acabar rápido com isto. A Madeira não aguenta mais asneiras. É o povo que paga. Não são eles! (...)".


Em outras ocasiões, outros, nem dizendo 5% do que este candidato assume, foram postos a andar num ápice. Rua, foi a sua palavra de ordem. Com este, Alberto João Jardim amocha. Assobia para o lado como se nada tivesse a ver com aquilo. O "chefe" encolhe-se. Faz de conta que as palavras pertencem à oposição, tantas foram as vezes que os partidos equacionaram e chamaram à atenção para as loucuras megalómanas do governo chefiado por Jardim. Ora, se ele, Jardim, não enfrenta o candidato, a pergunta que ressalta exprime-se em uma única palavra: porquê? Que razões o levam ao silêncio? Tem medo de quê? Que saberá o candidato, que já foi vice-presidente do governo e secretário e ainda é vice-presidente da Assembleia Legislativa, para levar Jardim a preferir falar do tempo e não dos erros da sua governação, agora denunciados, não pela oposição, mas por um dos mais significativos elementos da estrutura hierárquica social-democrata? Nem um pio! Engole em seco e discursa no mesmo tom de há quase quarenta anos. Os "chefes" são normalmente assim, escouceiam para baixo e têm medo de quem os enfrenta. Os líderes, esses, têm uma outra configuração, impõem-se pelo exemplo, assumem e responsabilizam-se pelos erros, não intimidam, antes acalmam, não chutam para longe os problemas, antes focalizam-se nas soluções, são pessoas que sabem delegar, não chamam a si todos os êxitos, antes repartem com a equipa, não discursam no singular, antes no plural, os líderes, enfim, são pessoas autênticas que, pelo exemplo, são capazes de produzir outros líderes. Jardim não conseguiu nada disto. Foge a sete pés de Miguel de Sousa, como durante anos fugiu da Assembleia Legislativa e dos debates na televisão ou na rádio. Sempre teve pés de barro. 
Li em David Cohen, as paranóias das organizações (os partidos são organizações), isto é, as doenças organizacionais que acabam, por aproximação ao exercício da política, por afectar o povo, destroem a moral dos colaboradores (militantes) e podem ser a raiz para a destruição da liderança e para o desmantelamento de uma organização: o comportamento frenético, a depressão, a depressão frenética, a esquizofrenia, a paranóia, o comportamento neurótico e a intoxicação. Cohen sugeria que, neste quadro, colocassem a empresa (o partido) no divã, pela desordem, o caos e a falência. Por isso, a pergunta persiste: que medo(s) persegue Jardim?
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 6 de dezembro de 2014

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA RECEBE PESSOAS PELA PORTA DOS FUNDOS?




Dr. Alberto João Jardim: 
"Eu quando me encontro com o senhor Presidente da República entro pela porta de trás, nunca entro pela porta da frente, que é a maneira de eu poder conversar à vontade".
Fecho o zoom e a ser verdade, concluo: 
Primeiro: o Senhor Presidente da República recebe, institucionalmente, o presidente do governo regional pela porta dos fundos? Esquisito. Mas se é verdade existe uma claríssima falta de respeito bi-lateral, onde a falta de transparência parece-me óbvia. De um lado e do outro!
Segundo: quem assim actua ou permite, parece-me transportar a experiência de muita porta de trás na Madeira. E essas é que geram um desconforto muito grande. A questão que um cidadão pode colocar talvez seja a seguinte: existirá alguma relação entre a porta dos fundos e o interesse em manter-se no poder?
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

"A TIRANIA ESTÁ IMPARÁVEL"


Na minha página de fb li dois comentários. O Padre José Luís Rodrigues, a propósito do despedimento da Jornalista Lília Bernardes, escreveu: "A tirania está imparável"; Fátima Alves Andrade exclamou: "estou fora de Portugal e, pergunto-me, o que se está a passar no meu querido país?" Respondo: não se trata apenas de excesso de poder, mas de um poder que se tornou opressor. As duas situações combinam-se, entrelaçam-se e são fabricadas de forma inteligentemente perversa. Os "donos" de todos nós, essa maldita máfia elegantemente vestida e bem falante, militante política ou não, portadora de um discurso que, pela repetição, convence os incautos, sabem como conduzir à "tirania", mantendo, em simultâneo, uma parte do povo a bater palmas. Ora, o que se está a passar no país não é mais do que um dente da complexa roda dentada, bem oleada e pacientemente mantida pela engrenagem institucional à escala europeia e mundial. É por isso que "a tirania está imparável", não respeitando nem princípios nem valores humanistas. Para os tiranos o dinheiro não tem pátria e, sem pejo algum, consideram "lixo" países e povos que trabalham cada vez com menos direitos, geram riqueza para entregá-la aos novos piratas. Silenciosamente, encostam povos à parede, deixando-os com salários de miséria, onde ter trabalho não significa não ser pobre. Gente que deixa as receitas médicas no balcão das farmácias e olha para o lado e vê filhos e netos em angústia permanente, perante a frieza dos que assumiram a responsabilidade de governar! Ai se não fossem as instituições de solidariedade social a partir do gesto daqueles que repartem o pouco que têm em sistemáticos peditórios públicos!


Triste país que se deixa espezinhar por gente que entra por aí adentro e impõe a austeridade sinónima de manutenção e agravamento da pobreza; triste país cujo povo permite a "tirania imparável", porque não sabe destrinçar a mentira do discurso político face à realidade; triste país cujo povo sucumbe ao bonitinho de uma qualquer praça quando a praça das suas vidas está completamente ameaçada; triste país que permite que uma qualquer Merkel nos venha dizer, mentindo, que temos licenciados a mais; triste país que aceita ouvir uma Christine Lagarde dizer que a austeridade foi longe demais e, logo de seguida, permite que os técnicos da sua instituição (FMI) venham dizer que necessário se torna mais austeridade; triste país que tem um Presidente da República que olha e não vê, vira-se para o lado e não ouve e que permite que o governo fira, sistematicamente, a Constituição da República, como se fosse aceitável apresentar Orçamentos de Estado inconstitucionais; triste país cujo povo assiste, impávido, à venda de empresas estratégicas necessárias ao seu desenvolvimento; triste país que tem um sistema educativo conducente, por omissão, aos interesses dessa máfia, porque os currículos e programas assumem uma carga formatadora do pensamento único que lhes interessa; triste país que aceita, como norma orientadora que, no futuro, "nada será mais certo que o emprego incerto", facilitando o despedimento, espalhando a miséria  e o capitalismo selvagem; triste país cujo povo acomoda-se ao saque sobre os salários e pensões, permitindo que o governo torne medidas temporárias em definitivas; triste país cujo povo assiste ao roubo em bancos, paga o desvario e não se revolta na rua; triste país que diz combater a pobreza, mas mantém o padrão da desigualdade; triste país que assiste e se acomoda à emigração de mais de cem mil pessoas por ano; triste país que vê o interior abandonado, envelhecido e onde as escolas deixam de funcionar; triste país que despede professores, limita os cuidados de saúde e impõe duplas tributações na acessibilidade à educação e à saúde; triste país que se verga e aceita a situação de colónia e que se mostra incapaz de mostrar os dentes à União Europeia. É por tudo isto e muito mais que a "tirania está imparável".
Mas tenhamos atenção que a globalização não é apenas FINANCEIRA. A globalização é também de tomada de consciência dos direitos. E os focos de instabilidade estão a acontecer um pouco por todo o lado. O povo, revoltado, está a sair às ruas e a encher as praças. Porque eles, os piratas, ainda não perceberam que a sua estabilidade depende da estabilidade de todos os outros.
Ilustração:  Google Imagens.

sábado, 25 de outubro de 2014

A REGIÃO DA MADEIRA NA ONDA DOS INTERESSES


Duas notas:
Jaime Ramos candidato! Como dizem os brasileiros... só contaram p'ra você. Um candidato que não quer ser candidato a presidente do governo. Espantoso? Não, não tem nada de especial. Trata-se de uma necessidade em função, por um lado, da pressão dos interesses externos, onde muitos que comem à mesa do orçamento precisam de alguém que os alimente. E o exercício da política, sabe-se pela práxis de muitos anos, está cheio de estrategos que falam do povo, todavia, esse povo não passa de um mero instrumento nas suas mãos. Por outro, não menos importante, é a divisão interna claramente combinada. Quando perguntam a Alberto João Jardim sobre a candidatura de Jaime Ramos, e ele, mostrando-se "surpreendido", responde: “(...) Por acaso surpreendeu. Eu pensava que ele estava a brincar". Ora, na política o que parece é! Jardim deixou, como soe dizer-se, o rabo de fora. Jaime faz assim parte de um xadrez político que conjuga interesses internos com outros externos, ambos extremamente poderosos. O futuro esclarecerá.

A outra nota que quero aqui destacar tem a ver com a proposta de revisão constitucional e os respectivos tiros de pólvora seca de Jardim. Disse: “(...) É possível caminhos de esperança. É possível renovar o 25 de Abril, 40 anos depois.” Pergunto: De que caminhos de esperança fala quando deixa Madeira com perda quase total de Autonomia, uma dívida impagável, várias gerações com o futuro hipotecado, mais de 30% de pobres, um tecido empresarial encostado à parede, uma Educação sem norte, etc.! De que esperança fala este homem que se atreve a falar do 25 de Abril, mas não o comemora? Que umas vezes "dá foguetes" no dia 24 e em outros momentos empurra a data para o dia 26? Às vezes, não querendo ser malcriado, nem ofensivo, apetece-me dizer: e se fosse dar banho ao cão? Fala de "colonialistas", quando os temos na Madeira contra os próprios madeirenses.
Ilustração: Google Imagens. 

terça-feira, 21 de outubro de 2014

HÁ MAROSCA À VISTA



O ainda presidente do governo, Alberto João Jardim, quer deixar o governo regional em Janeiro de 2015, entregando o poder, de bandeja, a quem vencer a liderança do seu partido no próximo acto eleitoral interno. 
Ninguém sabe o que se passa por detrás da cortina, os contactos por portas travessas, através de canais indirectos que cheguem ao Presidente da República. O que se sabe é que, mesmo não fazendo sentido, ele pretende deslocar-se a Belém para fazer tal proposta a Cavaco Silva. Por que insiste, aí está a interrogação. 
Eu penso que há marosca à vista. Se ele não deseja ser presidente do governo, dependente de um outro presidente do seu partido, só tem de assumir que sai e que a Região deve ir para eleições antecipadas. Não é democrático que, durante oito ou nove meses um "novo presidente faça a cama" para depois ir a eleições regionais com clara vantagem sobre os demais opositores.
O problema que se coloca é o de saber se a oposição está preparada para um acto eleitoral desta importância, que vá ao encontro da maioria do povo da Madeira e do Porto Santo. É que se o Presidente da República não for na marosca, certamente que teremos eleições ali ao virar da esquina... daqui por cinco meses!
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

CATORZE MILHÕES E A DISPENSA DE CONTRATOS-PROGRAMA


O governo vai tornar legal uma ilegalidade. Dentro de pouco tempo as Finanças poderão vir a pagar € 14.000.000,00 aos clubes e associações por verbas em dívida até 2011. E porquê? Simples. Para aliviar as formalidades processuais o governo dispensará a apresentação dos necessários contratos-programa. E a Assembleia Legislativa da Madeira, certamente, aprovará esta aldrabice política. Vamos por partes. É suposto que um pedido de financiamento público por uma entidade privada, logo de início, seja acompanhado de um programa que justifique tal pedido. Isto é, comprometemo-nos a realizar um conjunto de tarefas, para as quais buscaremos certos apoios, mas, para a consecução total do projecto necessitamos do apoio público no valor de x. Depois, o processo deve ser analisado pela entidade correspondente que, após negociação, é formalmente assumido e, posteriormente, acompanhado na sua execução. Ora bem, a dispensa de contratos-programa até 2011 significa, apenas, que aquela sequência não foi respeitada. Significa, também, que as verbas serão atribuídas sem saberem o que as instituições iriam realizar e, portanto, sem pontos de referência no que concerne ao acompanhamento e fiscalização dos processos. Se os clubes e associações realizaram as tarefas de acordo com os pressupostos do desenvolvimento desportivo, dir-se-á que o governo nada pode garantir. 

Resolve isso porque já não os posso aturar!!!

É evidente que se sabe o muito que as instituições realizam. São conhecidos muitos casos de clubes (pessoas) endividados, que os seus nomes constam em "listas negras" porque pediram à banca (e não só) e hoje estão numa situação de aflição. Acreditaram que o governo seria uma pessoa de bem e não foi. O governo aldrabou. Prometeu e não pagou a tempo e horas. Mandou avançar e deixou-os encostados à parede. Também se sabe o que de bom os clubes e associações fazem (e é muito), mas também qualquer pessoa reconhece os erros e as megalomanias numa região pobre, assimétrica e dependente. 
Embora assim sendo, a questão que aqui trago é outra, é a da legalidade e do bom senso político no âmbito dos compromissos entre as partes contratantes. A dispensa de um contrato-programa (à posteriori) significa que o governo não domina o que foi realizado e se o realizado se enquadra ou não numa estratégia política de crescimento e de desenvolvimento. Concluo, assim, que este é um governo sem norte e que o monstro criado engoliu a criatura que o gerou. Atenção: trata-se de catorze milhões de euros...
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 4 de outubro de 2014

PORTO DO FUNCHAL - "ONDE HÁ FUMO HÁ FOGO"


Constatação: Jaime Filipe Ramos, deputado do PSD, sublinhou: "o próximo Governo do PSD vai rever o modelo portuário", porque tal medida é "urgente para a competitividade da economia regional". A Presidência do Governo, leia-se Alberto João Jardim, é peremptório através de um esclarecimento: o Governo Regional do PSD não tem qualquer intenção de alterar o actual sistema das operações portuárias ou do transporte marítimo de carga para o continente, negócios actualmente dominados pelo Grupo Sousa. Ora, o que é que isto significa? Resposta possível: que o governo não se entende com o grupo parlamentar, de quem depende, e que Jardim, desesperadamente, tenta manter a liderança face aos movimentos de cinco grupos que se lhe opõem. A guerra já não é de surdos, é aberta e frontal!

Vê-se!

No meio disto, discretamente, está o Grupo Sousa, que por razões diversas, pressuponho, mantém o monopólio das ligações, impondo os preços que quer e entende. Os madeirenses e os portosantenses sofrem, mas como disse o outro da alta finança, "eles aguentam, ai aguentam, aguentam"! 
Só a História, abertos todos os dossiês, permitirá perceber toda a trama deste longo processo que pode ser legal, mas tem todos os indícios de ser imoral e rigorosamente nada defensora dos interesses do povo da região. Mesmo que uma pessoa não queira, cheira a troca de favores políticos, a amizades e cumplicidades. Não se trata de uma insinuação, mas ao cidadão, depois de tanta tinta que tem corrido, a realidade transporta o cheiro bafiento de um bas-fond que estamos longe de imaginar. A sabedoria popular diz e com razão que "onde há fumo, há fogo", ora penso que este é um dos casos. Certo é que eles não se entendem. As razões diversas, a questão dos portos deveria ser averiguada em sede de Assembleia. Só que na Assembleia as comissões de inquérito nunca funcionam na lógica do apuramento da verdade. Até um dia!  
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

ALBERTO JOÃO VS SENHOR SARAIVA E A "TOLERÂNCIA ZERO"


Disse o presidente do governo regional da Madeira:"TOLERÂNCIA ZERO" nas construções próximas das linhas de água. Alguém poderá levar a sério este presidente do governo regional da Madeira? Depois de tantos anos a permitir obras públicas em zonas de risco (até de bombeiros), de fechar os olhos a tantas construções, inclusive de natureza espontânea, autorizadas pelas câmaras PSD, de estar em curso um projecto de várias torres do hospital Dr. Nélio Mendonça, em cima de uma linha de água e com pareceres que desaconselham, depois de ter dito que os madeirenses têm de conviver com o risco, enfim, depois de tanta obra que um mínimo de bom senso mandaria ser prudente, vem agora falar de "tolerância zero". Quantos, entretanto, perderam a vida! Perguntemos aos especialistas, aos homens e mulheres de ciência, aos ambientalistas, aos geólogos, aos geógrafos, a tantos que chamaram à atenção qual foi a voz de retorno que tiveram. Só me recordo da ofensa, com palavras grosseiras, porque estavam contra o "desenvolvimento". Esta forma de fazer política não é séria. É uma palhaçada. Lembrei-me do senhor Saraiva e face a questão estúpida... "tolerância zero".