sábado, 19 de maio de 2018

UMA ESPÉCIE DE "DELAÇÃO PREMIADA"

Nota prévia
Não tenho provas, daí que, infelizmente, tenha de escrever em abstracto, ocultando instituições e pessoas. Não gosto, mas a situação impõe. Trata-se de uma intenção que serve, apenas, de alerta. Tarde ou cedo, confirmando-se, este texto constituirá um ponto de partida para outras considerações. Porque, lá diz a sabedoria popular, a verdade é como o azeite (...). Por outro lado, que fique claro, este texto nada tem a ver comigo. 


Gosto de pessoas que assumam os seus actos. Aprecio a frontalidade e detesto zonas cinzentas. Embirro com as subtis manobras de bastidores ao jeito de levar a água ao seu moinho. Nutro consideração por aqueles que demonstram ou fazem da transparência um caminho e, quando discordam, dizem-no de viva voz, assumem e, em último caso, afastam-se. Reverencio-me perante aqueles que não se vendem a troco de nada, de um lugar ou de uma promoção, quando sabem que podem estar a prejudicar terceiros. Antipatizo com os que têm medo e os facilmente pressionáveis. Irritam-me aqueles que não se importam de, por portas travessas, maldizer um amigo, deixando-o no pelourinho e, logo a seguir, com ele conviver como se nada tivesse acontecido. Ah sim, fizeram-te isso? Que cambada! Fico embasbacado quando vejo gente embriagada pela concessão de alguma putativa facilidade na vida, como se o vil metal fosse mais importante que a consciência. Não suporto troca-tintas e vira-casacas. Mas isto é o que, infelizmente, tropeçamos a cada esquina. 
É tão reconfortante não capitular, ceder, trair, renegar e perjurar. É arrasante descobrir que ao nosso lado existe um "infiltrado", um manhoso, que em tempos que lá vão, se designava por bufo. É triste descobrir, com a paciência de um puzzle, que, afinal, no convívio diário, há gentinha com uma dupla face, os camaleões, os travestidos de uma coisa que, efectivamente, não são. Pessoas que não se ralam consigo próprias e que semeiam a tristeza e frustração no semelhante. Para sobreviverem, tal como os irracionais. Vergonhosamente camuflados, uns corrompem, outros, deixam-se corromper a troco de migalhas. Qual defesa da dignidade?! Como se olham ao espelho, não sei. Apenas sei que é bom sair a uma porta e não estar quinze minutos a enrolar o rabo!
Se se trata de uma espécie de "delação premiada", situação que abomino, inclusive, na Justiça, a seu tempo se concluirá. Escrevo para memória futura.
Ilustração: Google Imagens.

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