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terça-feira, 18 de junho de 2019

O Padre José Martins Júnior "colocou-se no sítio certo... ao lado do povo".


Face à revogação da suspensão "a divinis" de que foi vítima o Padre José Martins Júnior (1977), a avaliar pelo que li nas redes sociais, largas centenas de pessoas congratularam-se pela corajosa decisão do Senhor Bispo Nuno Brás. Inclusive, a generalidade dos comentários deixados foram de uma enorme satisfação pela revogação de uma pena injusta, inqualificável, grotesca e desonesta. Li, também, no DIÁRIO, as manifestações de agrado, oriundas de todos os quadrantes da sociedade, política ou não, ah, menos de figuras do poder político maioritário regional. Significativo. Certamente, porque a má consciência está presente.


Conhecem todo o enredo montado, os interesses políticos que estiveram em jogo, as manobras de bastidores no sentido de abafar uma voz verdadeira e dissonante, perigosa para os desígnios do poder absoluto. Inventaram, conflituaram e espezinharam um Homem que utilizou a Palavra no sentido da construção de uma sociedade de justiça social em todos os quadrantes. Não pregou a fé e a caridade, mas as causas e os valores para uma vida feliz com direitos e deveres. 
Aliás, o livro publicado pelo seu irmão, Dr. Bernardo Martins, "O 25 de Abril em Machico", no seguimento da sua Dissertação de Mestrado, superiormente orientada pelo Historiador Professor Doutor Nelson Veríssimo, conta, ao pormenor, toda a História dos factos. Li-o e consolidei, uma vez mais, a substancial diferença entre o inventado, o distorcido, as histórias produzidos pela maldade dos interesses mesquinhos e a verdade Histórica devidamente documentada.
Andaram nisto 42 anos. O Padre Martins Júnior tornou-se, em 1977, "oficialmente" um clandestino na sua própria terra. Ou, talvez não, porque o povo da Ribeira Seca, dos mais velhos aos mais novos, dos mais abastados aos mais pobres, entenderam-o e sentiram de que lado estava a verdade, em contraponto com toda a maquiavélica estrutura intencionalmente montada. Compreenderam a sua obra, o seu dinamismo, a sua seriedade e os seus posicionamentos políticos, económicos, financeiros, sociais e culturais. Mantiveram-se ao seu lado, dando e recebendo, de um um Homem culto, crente, humilde e de fortíssimas convicções. Fizeram exactamente o contrário dos bispos anteriores, os dois últimos, curiosamente, condecorados pela República, o primeiro dos três, com um busto a perpectuar a sua "obra partidária".
O novo Bispo, Nuno Brás, não sei se por sugestão da hierarquia, corajosamente, repito, porque o contexto político regional continua complexo, colocou um ponto final neste filme de um produtor sem qualidade e de má memória, de maus realizadores e de actores secundários de trazer por casa. Está, por isso, de parabéns. Penso que era a única saída possível. Tardia, é certo, mas correcta. Em vida. Espero que continue o seu múnus pastoral que o obriga, por bom senso, a relegar a promiscuidade política de quatro décadas. 
É óbvio que o Senhor Bispo tem de ser político, porque prega a PALAVRA (Cristo foi magistralmente político) mas não pode e não deve ser partidário. Os que lhe antecederam deixaram uma marca que só o tempo se encarregará de apagar. Relembro uma entrevista ao DIÁRIO, na qual o Padre Martins Júnior tocou, de forma incisiva, neste aspecto: "(...) Ninguém pode servir a dois Senhores. Ou se serve a Cristo ou se serve o Poder (...)". É este o cerne da questão. Espero, por isso, que Sua Excelência Reverendíssima inverta a caracterização que recentemente fiz: 

"(...) A Palavra de Cristo pouco tem interessado, antes os desejos e compromissos políticos de outros que ordenam, sem ordenar, os formatos comportamentais. O poder político adora essa humilhação, de trazer a Igreja pela trela e, por seu turno, à Igreja, sempre lhe faltou a coragem necessária para mantê-lo em sentido. São muitas as dívidas de mútua gratidão!"

Por tudo isto e a propósito, tenho presente uma excelente síntese de um texto do Senhor Padre José Luís Rodrigues, a qual deve merecer atenção: "(...) A Igreja perdeu o inferno, o céu vai no mesmo caminho, dizem que os jovens não querem saber da Igreja para nada, os casais mandam às urtigas todas as directrizes morais que a Igreja lhes reclama, a sociedade em geral emancipou-se faz tudo sem a referência ao religioso, a cultura actual funciona muito bem sem a Igreja, a vida é possível sem a doutrina da Igreja (...)" E mais adiante: "ninguém deseja uma Igreja apenas zeladora do património, que se preocupa apenas com os bens deste mundo, qual senhor rico que se gasta com as transações do mercado e com as papeladas burocráticas que ditam a posse e o domínio da propriedade (...) Precisamos de encontrar uma Igreja aberta ao mundo, a este mundo concreto da nossa vida, onde o normal já não é o unanimismo da nossa fé (...)".
Assino, sem pestanejar!

Deixo aqui, finalmente, entre outros, um texto que publiquei em Dezembro de 2018.  



A história da suspensão "a divinis" do Padre José Martins Júnior é conhecidíssima. É uma história que envergonha, desde logo, os três bispos após o 25 de Abril (Santana, Teodoro e Carrilho) e, por extensão, a própria Igreja da Madeira. Há, neste processo, um silêncio cúmplice de muita gente, em um evidente favor ao poder político, que acaba por ser desprestigiante para uma Igreja que fala e fala de amor e de misericórdia. Ora bem, digo eu, marimbem-se para as questões do Direito Canónico, e se, em tempo útil, o padre Martins não reclamou para as instituições superiores aquela não sustentada pena eclesiástica, imposta por um bispo em fúria, tenham a coragem de o julgar (o inalienável direito ao contraditório) ou verguem-se e peçam perdão pelas atitudes tomadas nos anos 70. Só é grande quem é humilde e isto vale para pessoas ou instituições. É execrável que andem há quarenta anos a triturá-lo, contra a vontade do povo da Ribeira Seca, a perseguir um Homem de enorme sensibilidade e humanidade. Tomara que muitos líderes seguissem o seu exemplo. Ainda ontem ouvi uma entrevista com o especialista em assuntos religiosos, Manuel Vilas Boas, jornalista da TSF que, a determinada altura, enalteceu: o Padre José Martins Júnior "colocou-se no sítio certo... ao lado do povo".
Parabéns à SIC pelo programa "Vidas Suspensas", uma oportunidade de todo o país conhecer a história e o pensamento de um Homem da Igreja, vítima do poder subterrâneo e submisso dessa Igreja, como disse Vilas Boas, "que não tem a mesma sensibilidade" para estar junto do povo. E é verdade. É sensível um genérico desajustamento entre a Palavra e a prática.
É claro que, do meu ponto de vista, o Padre Martins Júnior não tem a sua vida suspensa. É um Homem culto, característica que falta a muitos da hierarquia católica. Está consciente dos valores que o guiam e da missão que abraçou e desenvolve. O Povo gosta dele. Quem está no lado errado são aqueles que deram o primeiro passo, que atiraram a primeira pedra, negaram a Verdade, rasgaram a História e contrariaram a Palavra, por egoísmo e serviço ao poder político-partidário. Com isso ganharam umas migalhas. Parafraseando José Martins Júnior, a hierarquia reza, não pensa!

Martins Júnior foi suspenso porque "era comunista", alegou o bispo Santana. E que fosse! O bispo Santana referiu que até "sabia o número dele" no PCP! Ao ponto que chegou a mesquinhez. Martins Júnior é, sim, e tais bispos sabem, um Homem da solidariedade que serve a Igreja, que serviu o País na guerra colonial, serviu a Região enquanto autarca e deputado e até serviu o sistema educativo. Um Homem que não se deixou acorrentar aos tortuosos caminhos de um poder político castrador do pensamento. É um Homem de pensamento LIVRE. E isso teve e tem os seus custos.

Mas se fosse um homem vinculado a um partido político de direita, aí sim, teria sido abençoado e colocado no altar dos interesses da Igreja. Tudo isto deixa-me triste pelo Amigo, mas sobretudo pela triste imagem que a Igreja oferece. Aos bispos Teodoro e Carrilho, confessem-se, não se refugiem no Direito Canónico, peçam perdão, tal como o Papa Francisco o fez por outros motivos e circunstâncias. Respeitem mais de 50 anos de sacerdócio do Padre Martins Júnior. O Bispo António Carrilho deveria ter presente que muitos têm consciência das suas palavras relativas ao Bispo Francisco Santana, quando falou das suas qualidades humanas e da sua "lucidez e coragem" por ter defendido "intrepidamente as suas ovelhas" (05/03/2011). Está tudo dito. Se o problema nunca foi resolvido foi por conivência e plena aceitação dos interesses político-partidários.
Da minha parte fica aqui a confissão: estou cada vez mais próximo da Palavra de Cristo e cada vez mais distante dos homens que a violam. Porque uma coisa é ter Cristo como orientador dos princípios de vida; outra, é ser um católico vítima de uma instituição que se vende aos bocados. E por aí não vou.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

A IGREJA PREFERE OBEDIÊNCIA E SUBSERVIÊNCIA


Escrevo este texto com a liberdade de pensamento que me assiste e sentido de responsabilidade, também, porque sou cristão. Escrevo a poucas horas da entrada do Bispo Nuno Brás na Diocese do Funchal. Escrevo sabendo que a figura central destas linhas me perdoará a ousadia dele falar. Escrevo com o sentimento que me vem das entranhas, depois de muito pensar e de vários escutar. Escrevo, quando uma só pergunta bastaria: porquê buscar um Bispo de fora quando Padres existem, aqui nascidos, que deveriam merecer tal ordenação episcopal, desempenhando as funções com obediência qb, mas sem subserviência.


A comunidade, estou certo, pelo que tenho lido de vários quadrantes, veria com bons olhos a liderança da Diocese nas mãos de um Bispo madeirense. Não seriam muitos os candidatos, mas existem. Porventura, se há mais tempo tivesse acontecido, não teria a Diocese tantos, graves e adiados problemas por resolver. Incompreensões e intolerâncias sem fim que estão à vista de todos. Até há um padre, o Martins Júnior, há 40 anos, inexplicavelmente, suspenso "a divinis"! 
No entanto, percebo que não interesse, porque a bajulação e a falta de independência  na Igreja têm andado de braço dado ao longo destes últimos 45 anos. 

A Palavra de Cristo pouco tem interessado, antes os desejos e compromissos políticos de outros que ordenam, sem ordenar, os formatos comportamentais. Sou claro e não me coloco com rodriguinhos: o poder político adora essa humilhação, de trazer a Igreja pela trela e, por seu turno, à Igreja, sempre lhe faltou a coragem necessária para mantê-lo em sentido. São muitas as dívidas de mútua gratidão. Um dia acertarão contas com o Divino!

O primeiro dos últimos três Bispos abriu a porta política, de uma forma absolutamente indecorosa; o segundo, agachou-se, completamente, servindo os  interesses da corte dominante e o terceiro quase nem demos por ele nas questões essenciais. Cantou a fé e a caridade e o poder, obviamente, bateu palmas porque essa não é tarefa sua (nem de programa de governo!!!), porque a história de denunciar a pobreza, a violência dos actos, os atropelos aos mais vulneráveis, entrar na esfera do mundo laboral, na precariedade, na desorganização social, na educação, na saúde, enfim, pregar e contextualizar a PALAVRA e o exemplo de Cristo, está quieto, nesse caminho, deverá ter pensado, não me atreverei. Infelizmente, Carrilho, descarrilhou semanas após ter aqui chegado. Percebeu o contexto.
Em contraponto, diz o Padre José Luís Rodrigues, da Paróquia de S.Roque, em mais um artigo de opinião: 

"(...) A organização da Igreja, o seu funcionamento, os seus hábitos e a sua maneira de se governar foram moldados numa época em que existia um Ocidente todo cristão. Tomar consciência de que este já não existe é, desde logo, difícil de admitir e tem como consequência a necessidade de repensar a organização, o funcionamento, os hábitos e as maneiras de governar. Por isso, como conceber uma Igreja diferente? – Pensar o governo da Igreja, mudar o seu funcionamento, mudar os hábitos, incluindo o governo, e inventar novos equilíbrios não são coisas fáceis de serem acolhidas por todos os cristãos católicos. Muitos não admitem isso e sofrem com a diminuição da influência da Igreja. As investidas contra o Papa Francisco são bem reveladoras. (...)" - Fonte: Funchal Notícias. Daí que, em um outro artigo, desta feita no blogue www.gnose.eu, o Padre José Luís seja peremptório: "A Igreja perdeu o inferno, o céu vai no mesmo caminho, dizem que os jovens não querem saber da Igreja para nada, os casais mandam às urtigas todas as directrizes morais que a Igreja lhes reclama, a sociedade em geral emancipou-se faz tudo sem a referência ao religioso, a cultura actual funciona muito bem sem a Igreja, a vida é possível sem a doutrina da Igreja (...)" E mais adiante: "ninguém deseja uma Igreja apenas zeladora do património, que se preocupa apenas com os bens deste mundo, qual senhor rico que se gasta com as transações do mercado e com as papeladas burocráticas que ditam a posse e o domínio da propriedade (...) Precisamos de encontrar uma Igreja aberta ao mundo, a este mundo concreto da nossa vida, onde o normal já não é o unanimismo da nossa fé (...)".

Perante tão experiente, sábio e acutilante pensamento discursivo (são tantos os divulgados no seu blogue, O Banquete da Palavra, as reflexões na sua página de facebook, no DN e em vários outros blogues de informação), pergunto, se será necessário um Bispo Nuno Brás, nascido no Vimeiro, Lourinhã, para liderar esta Diocese? Confesso que fiquei feliz pela ordenação e posterior nomeação do Arcebispo madeirense Tolentino Mendonça para altas funções no Vaticano. Pela qualidade da sua Obra e pelo Homem de convicções que sempre foi. Por isso, também, é-me difícil entender, enquanto leigo, claro, que, por exemplo, o Padre José Luís Rodrigues, o Homem culto que é, pelas posições que assume, pelos textos que deixa para memória futura, pela sua capacidade de transmissão da Palavra, repito, contextualizada com a VIDA, pela sua humildade e solidariedade, não seja um dos eleitos da Igreja! Poderia não desejar, presumo, poderia, julgo eu, prescindir, mas ele é a prova que existem sacerdotes, aqui nascidos, conhecedores da idiossincrasia deste povo e da Igreja que servem. O Padre José Luís bem poderia ser chamado a ir muito mais longe do que os rituais domingueiros e/ou festivos, repetitivos e enfadonhos. São suas estas palavras: "Sou sacerdote. Gosto muito do que faço. Ora bem, e o que se há-de esperar de quem é feliz! Assim, o que mais desejo neste mundo é que os outros também sejam muito felizes (...)". Não ouvi de nenhum anterior Bispo palavras no sentido mais profundo da felicidade de um povo. E a felicidade não se conquista, apenas, com "fé e caridade". Certo?
Ah, pois, existe, aqui, estou convencido, um mas... A hierarquia não deseja a felicidade. Uma coisa é a pregação, outra a práxis. A hierarquia prefere a doçura e ama quem não agite as águas. A hierarquia prefere quem compareça às inaugurações, faça da sacristia ou do Paço residência permanente, que faça o Te Deum de qualquer coisa, que diga generalidades e banalidades, que não apoquente instalados, que, vendo, assobie para o lado e que se entretenha a pregar a tal fé e a caridade! Pois é, enquanto o rabinho estiver preso, parece-me óbvio que, dificilmente, se cumprirá a Palavra de Cristo. 
Repito, finalmente, que me perdoe o Padre José Luís, de quem sou leitor assíduo, admirador e Amigo, mas não poderia, por falta de coerência para comigo próprio, não deixar aqui o meu pensamento. Que vale o que vale!
Que o Bispo Nuno Brás venha e contrarie as minhas palavras. Aí, curvar-me-ei! Como disse em tempos o director do DIÁRIO, com refinado humor, que esta não seja uma "Diocese à Brás".
Ilustração: Google Imagens.