domingo, 19 de novembro de 2017

ENTRE A FRAQUEZA E A GRANDEZA


Desistir em favor de outrem, ao contrário do que alguns possam pensar, constitui um sinal, não de fraqueza, mas sim de grandeza. É um sinal que percebeu, totalmente, o que está em causa, que compreendeu a existência de um contexto, neste caso, especificamente, político, que a população deseja mudar de rumo e que a hora não é propícia a situações susceptíveis de gerarem fracturas e ou desconfianças. A hora não é de experimentalismos. Doravante, com uma maioria política em claríssima queda de credibilidade e, consequentemente, de aceitação popular, a conquista do poder visando as pessoas, enquanto centro das preocupações políticas, só é possível em um contexto de unidade, com uma forte abertura à sociedade e com promessas eleitorais sérias, credíveis e compreensíveis pelos eleitores. Fraqueza, quanto a mim, é não perceber isto. Grandeza é abdicar de um direito estatutário individual e legítimo, em favor de milhares de eleitores. Grandeza é escolher o caminho da humildade, o da magnanimidade e o da generosidade. Ter grandeza é ter inteligência para compreender que as pessoas estão primeiro, dizendo NÃO às ambições pessoais ou de grupo. 


Portanto, desistir de uma candidatura, refiro-me a Emanuel Câmara, no quadro das eleições internas do PS-M, constitui uma manifestação de grandeza e de inteligência face aos resultados das sucessivas sondagens. E digo mais, ainda bem que ele se candidatou, partindo do princípio que o seu projecto (candidatura a presidente do PS, sendo outro o candidato a presidente do governo) seria o de maior valia e aceitação popular, pois isso veio espoletar o debate e as sondagens. Hoje, parece-me claro que o povo apreciou o trabalho realizado pelo Dr. Carlos Pereira nos últimos anos e que é a figura mais bem preparada para assumir, com responsabilidade, qualidade e rigor, a liderança de um futuro governo regional. A sua formação em Economia (sector vital da sociedade), o domínio total das questões financeiras da Região (vide livro A Herança), o conhecimento, pela sensibilidade que tem, relativamente a todos os dossiês da governação, finalmente, a experiência e os contactos que estabeleceu na Assembleia da República ao longo dos últimos dois anos, é óbvio que determina uma significativa opção do eleitorado pela mudança segura. Se a posição do PS-M fosse, hoje, a dos 10% de há dois anos, bom, aí calava-me e deixava o marfim correr. A verdade, porém, é que não é assim.
Ao contrário de muitos, sempre entendi e apoiei a passagem de Carlos Pereira pela Assembleia da República. Não se deixou ficar por uma Assembleia Legislativa da Madeira onde seria um alvo preferencial de desgaste, manteve uma ligação diária à Região com posições públicas extremamente relevantes, ganhou visibilidade e a consequência está aí, nos resultados das sucessivas sondagens. Romper com este ritmo, desculpar-me-ão os que assim  não pensam, mas é entregar ao PSD-M a possibilidade de mais uma vitória, para desespero de milhares de eleitores. De resto, com a experiência vivida na política e cuja memória transporto, sei que é relativamente fácil ganhar as eleições internas do partido; incomparavelmente mais difícil é vencer na Região. Aliás, reduzindo a escala, o Emanuel Câmara sabe quantos anos precisou para ganhar no Porto Moniz. Necessitou de vinte anos para convencer o eleitorado.
Ilustração: Google Imagens. 

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