segunda-feira, 29 de julho de 2019

"Só corridos"

FACTO

Páginas 2 e 3 da edição de hoje do DN-Madeira: "Governo responde com estudo e inquérito aos Socorridos". Será realizado um estudo alargado a toda aquela bacia hidrográfica, com o propósito de mitigar riscos de aluvião, nomeadamente a jusante, conclui o jornalista, com toda a certeza depois de ter ouvido os responsáveis. O estudo visa a criação de um "diagnóstico preliminar e de identificação (...) de risco iminente" visando um (...) anteplano para a redução das aluviões (...) em breve lançaremos o concurso para a sua realização (...)".

COMENTÁRIO

Li, com particular atenção, todo o texto. Mais claro o jornalista não poderia ter sido. Toda a peça constitui uma sucessão de contradições que o jornalista, com mestria, deixa à consideração dos leitores a retirada das conclusões. Excelente. À medida que foi lendo perpassou-me a ideia de um responsável político que se sente acossado pela denúncia feita pelo próprio DIÁRIO. Ora, dizem os especialistas, sendo aquela ribeira de uma enorme importância, desde logo, a primeiríssima questão que se coloca é a de saber por que só agora, quarenta anos depois, após vários desastres ocorridos e depois de uma história de aluviões, repito, porquê só agora um estudo alargado? Por distracção, incúria, irresponsabilidade política e facilitismo perante os lóbis? Perguntas que fui formulando e consolidando ao longo do texto. 
O mais interessante desta situação é que o Senhor secretário na visita que empreendeu ao local, não foi acompanhado de uma série de especialistas e académicos comprometidos com a ciência. Foi recebido e fez-se acompanhar de um representante da AFAVIAS, isto é, visitou o local com o presumível infractor. E da visita concluiu que "(...) não há actividade industrial no leito da ribeira dos Socorridos (...) as operações que ali tiveram lugar não foram de extracção" (...) antes "foram trabalhos de colaboração (...) que visaram "as condições de segurança". Pergunto, então, no quadro da minha ignorância técnica, para quê, então, o estudo de "risco iminente"?
O director do DIÁRIO tem razão: "Só corridos".

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