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domingo, 15 de dezembro de 2019

It once upon a time a Great Britain…


Por 
Vítor Lima, 
14/12/2019

Os ingleses tiveram de escolher nas últimas eleições, entre um idiota e um incapaz. O Boris Trump pretende recuar à orgulhosa Inglaterra, ainda que sem império mas com muitos offshores para animar a Bolsa. O Corbyn vincou as questões sociais mas mostrou-se neutro em algo mais abrangente como a integração europeia; sem querer ver que as duas coisas estariam absolutamente ligadas, um erro crasso que o vai remeter para a aposentação.

Um terço dos votantes trabalhistas vieram de regiões empobrecidas e apoiaram o Brexit como se o encerramento autárcico seja solução para alguma coisa. E Boris, com a sua maioria de avatares nacionalistas, quiçá lepenistas, tratará de liquidar o sistema de saúde, privatizando-o; e, certamente, de modo mais radical do que vem acontecendo em Portugal, com as célebres PPP, levadas a cabo pelo PS/PSD, com capitalistas a viver do dinheiro dos impostos.


Em termos gerais, calcula-se que a quebra do PIB da GB, para os próximos dez anos, será de 4 a 10% consoante o resultado dos acordos com a UE, nos capítulos do comércio e dos emigrantes.
Uma grande parte do enorme problema que Boris vai ter de resolver é admitir que a Escócia e a Irlanda do Norte (e até Gales, onde o separatismo cresce a olhos vistos) se separem da Inglaterra, transformando esta numa Grande Londres e arredores, centrada na bolsa, na rede de offshores e reportando a Trump.
O que se passa no mundo, muito para além do Brexit, da atrofia da GB, da estagnação da economia e a incapacidade política das classes políticas é a crise do capitalismo.
Acima o novo mapa dos EUA com o seu novo estado federado.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

NADA QUE NÃO SE SAIBA... MAS CONVÉM LER E ESTAR ATENTO


Talvez se entenda melhor o BREXIT lendo isto… e se compreenda mais facilmente a razão da Alemanha exigir com tanto ardor a rápida devolução das dívidas dos bancos Portugueses, Gregos, Cipriotas, Espanhóis... Era preciso esconder o escândalo da bancarrota do Deutsche Bank... 


Deutsche Bank está em graves apuros! O Deutsche Bank afunda-se e os culpados somos nós... De há uns tempos a esta parte o Deutsche Bank tornou mais agressiva a sua campanha para captação de poupanças dos portugueses. Recusar tais ofertas será neste momento o mais sensato. O investir contra o orçamento português por parte de personalidades da nomenclatura da EU também pareceu estar a esconder outra coisa por tão despropositado que era. Para compreender as razões desta atitude, recuemos a algum tempo atrás, com a ajuda do Blog de Marco António Moreno, em posts dos últimos dias. 
O Maple Bank, alemão, seria quase desconhecido internacionalmente se não tivesse desempenhado um papel numa das batalhas de aquisição mais espectaculares na história da Alemanha: a tentativa, que acabou por fracassar, do fabricante de carros desportivos Porsche engolir a sua muito maior rival Volkswagen, em 2008. Os gerentes financeiros da Porsche fizeram transacções complexas e fraudulentas com derivados financeiros para a empresa com sede em Stuttgart para se apropriarem da empresa com sede em Wolfsburg. Este facto foi considerado uma criminosa manipulação de mercado. A investigação ainda está em curso. Se bem que o Maple Bank não tenha "importância sistémica" e, portanto, não constitua uma ameaça para a estabilidade financeira, vai afectar milhares de clientes, principalmente institucionais, que não podem retirar de lá o seu dinheiro. Cerca de 2.600 milhões de euros de passivos representam apenas uma pequena parcela dos depósitos de clientes individuais. Se a BaFin (autoridade reguladora financeira federal) determinar a compensação, o dinheiro é protegido pelo Fundo de Protecção de Depósitos da Associação de Bancos Alemães até 100.000 euros por cliente. Isso pode significar uma perda de impostos para a Alemanha de mais de 1.000 milhões de euros. O encerramento do Maple Bank é, até agora, a acção mais dura na Alemanha contra um banco em virtude de operações duvidosas, e passa a ser um aviso para outros bancos e fundos que têm manipulado o mercado Inflacionando o valor de algumas acções ou afundando outras. Depois disto o Deutsche Bank começou a tremer: O maior banco privado na Europa tem 80 biliões (milhões de milhões) em derivados financeiros que se vão afundar como um castelo de cartas. Desta vez, sim, haverá risco sistémico: é mais de 20 vezes o PIB da Alemanha e quase cinco vezes o PIB dos EUA e o Deutsche Bank pode desencadear um novo caso Lehman Brothers. As acções do banco caíram 40 por cento, até agora neste ano, e mais de 95 por cento desde 2008, ficando à vista as nuvens negras e as tempestades que pairam sobre a Europa. Os problemas do Deutsche Bank não vieram à tona em 2013. Ficaram escondidos, porque o que importava para os dirigentes da UE salientar era a crise grega, "a mãe de todos os problemas europeus", com a troika (FMI, BCE, CE), e mais recentemente também Portugal foi atingido. As autoridades financeiras da zona do euro começaram a fechar bancos por fraude e lavagem de dinheiro, logo o Deutsche Bank é abanado nos seus próprios alicerces. O maior banco privado na Alemanha, e também o maior da Europa, teve de confessar perdas de 6.890 milhões de euros em 2015 (dos quais 2.000 milhões foram no quarto trimestre) e anunciou que irá despedir 35 mil trabalhadores!. O Deutsche Bank foi multado em 2.500 milhões de dólares pelas autoridades do Reino Unido e dos EUA, na sequência de uma investigação de sete anos sobre o seu papel na manipulação das taxas de juro. A empresa alemã vai ser forçada a abandonar vários países e o seu novo presidente teve que reconhecer que só um milagre (uma guerra?, digo eu) poderia salvar o Deutsche Bank. Por esta altura, e depois de sete anos de apoios do BCE, as metástases do problema têm-se expandido. Tudo o que algumas teorias económicas negaram durante décadas que pudesse acontecer, aconteceu nestes oito anos de crise. Se em 2013 os media preferiram ignorar o colapso do banco alemão para dar prioridade à crise grega, era apenas para dar tempo para o Deutsche Bank recuperar. Mas a realidade económica e o passado criminoso do banco agravaram a situação que se torna impossível de recuperar. O Deutsch Bank é talvez o exemplo mais claro do antes e depois de um banco depois da crise financeira. À euforia de empréstimos fáceis, seguiram-se as trevas da deflação e estagnação do crédito. Se as injeções de liquidez bilionárias do BCE não recuperarem o banco e derem dinamismo à economia real, é porque o sistema entrou em colapso. E então há que o assumir, em vez da Alemanha disparar contra os riscos de não cumprimento dos deficits de outros países de economias mais débeis. Os derivados financeiros não só distorceram toda a economia por via dos preços, como incubaram bolhas financeiras para cobrir posições e ganhar tempo. Mas eles não esperavam pela armadilha deflacionária porque, de acordo com o actual modelo económico, esse termo não existe. O que hoje o Deutsche Bank representa é um enorme esquema Ponzi, com o desmoronamento da pirâmide criada nos anos 90 com a desregulação financeira mundial que nunca levou em conta os riscos reais. A crise, fermentando, estava sob os narizes de todos, porque enquanto Merkel, Schäuble, Juncker, Lagarde e Dijsselbloem argumentavam que o problema era dos bancos na periferia (Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha), eles não queriam revelar o verdadeiro problema da enorme dívida tóxica do Deutsche Bank, o maior banco privado da Europa!. O colapso do Deutsche Bank está a agitar todo o sistema financeiro mundial. Nas primeiras seis semanas do ano, o Deutsche Bank perdeu 40 por cento do seu valor mas não ficou sozinho nas perdas. O Citibank caiu 25 por cento, o Bank of America, o UBS e o Crédit Suisse 23 por cento, o Goldman Sachs 20 por cento e o JP Morgan 18 por cento. O sistema financeiro está em queda livre. Só que desta vez, nem os bancos centrais nem os governos têm quaisquer munições, a menos que se saciem as raízes e façam desaparecer os fundos de pensões. Está-se a formar a tempestade perfeita…
NOTA
Um texto que me chegou e que publico na íntegra. Obviamente que necessário se torna cruzar esta narrativa com outras.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

BREXIT - BREVE REFLEXÃO AO CORRER DO PENSAMENTO


Tanto esticaram o elástico que ele se rompeu. Era inevitável. Ou de outra maneira, foram os senhores construtores desta Europa que criaram a arma da sua própria destruição. Não foi o povo que a construiu, foi gente sem escrúpulos e ideologicamente bem definida que a fizeram implodir. Lamento, porque os avisos foram muitos e nunca escutados. Não foi esta Europa a sonhada por Jean Monnet e Robert Schuman, uma Europa que se tornou centralizadora e totalitária nas decisões. 


Sendo eu um europeísta convicto, espero, rapidamente, por uma total revisão do Tratado de Lisboa e de outros perversos "acordos", de tal forma que os interesses europeus comuns se sobreponham à excessiva e muito complexa máquina dos interesses de alguns directórios que andam a triturar povos. "Nós queremos de volta o nosso país" - disseram. Eu também desejo, embora fazendo parte daquilo que é essencial defender: liberdade, democracia, circulação de pessoas e bens, paz, SEGURANÇA, controlo de fronteiras, defesa, respeito pelas regras essenciais da União e não ingerência nas decisões internas dos povos. Espezinhamento, não. Subordinações insensatas, não. O dinheiro a comprar consciências políticas, também não. 
Enquanto cidadão preocupa-me (e de que maneira!) os portugueses que vivem e trabalham no Reino Unido. Que o bom senso prevaleça, que esta Europa renasça das cinzas e que Portugal, seja capaz de os proteger através de novas e consistentes políticas económicas. Como ainda hoje escreveu Nicolau Santos (Expresso), "(...) Há hospitais ingleses onde a maioria dos enfermeiros são portugueses. Vivem nas ilhas cerca de 1500 investigadores, cientistas e estudantes portugueses. E há diversos investimentos nacionais naquele país. (...)". Preocupante.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

BREXIT SIM OU BREXIT NÃO?


É um assunto que, obviamente, diz respeito ao povo da Grã-Bretanha. Porém, são aos "molhos" e de vários quadrantes, o "forcing" final, em um ai Jesus, votem pela permanência, façam a corrente do beijo e tenham em consideração que a desgraça vem a caminho se a maioria disser não a esta Europa. E o problema, parece-me, que está, exactamente, aqui, nesta Europa dos directórios politicamente selvagens. E sobre isto a discussão é pouca ou nula. Não quero, até porque não domino, profundamente, as variáveis que conduzem a milhões de britânicos a se sentirem desconfortáveis, repito, com esta Europa, mas lá terão as suas razões. Talvez seja de trazer à colação as palavras de Abraham Lincoln: "Pode-se enganar todos por algum tempo. Pode-se enganar alguns por todo o tempo, mas não se pode enganar a todos todo o tempo". E o sentimento que existe é que estamos a ser enganados e esmagados, ao mesmo tempo que perdemos, subtilmente, a independência e a capacidade de sermos nós a construir o nosso futuro, tais são as manobras inscritas nos "tratados" e acordos a troco de dinheiro! Hoje, nada se faz sem o consentimento de uns senhores comissários de outros senhores, por exemplo, os escondidos nessa mafiosa engrenagem que é o Bilderberg Group.


São incapazes de discutir as causas desta Europa de nobres e de escravos. Até a França de Holland arrumou na gaveta a divisa da República, Liberté, Égalité, Fraternité", para render-se a Merkel e quejandos e impor as tais reformas laborais, sempre no sentido da perda de direitos sociais conquistados com luta e sangue. Entre outros, Holland é mais um dente dessa poderosa roda trituradora. Enganou-nos a todos! 
Estão apavorados com as consequências de uma eventual saída da Grã-Bretanha, porém, não discutem o essencial: o  regresso ao princípio de uma Europa das pessoas, uma Europa que respeite a identidade de cada país, uma Europa social de liberdade, de fraternidade e de igualdade. É esta Europa que me faz europeísta convicto da paz, da segurança e do progresso, não a outra onde andamos, os mais vulneráveis, todos de mão estendida ou à volta da mesa de onde caem algumas migalhas. 
Se o Povo britânico decidir pela manutenção, o que é provável, pelo menos que aprendam a lição da turbulência. Dificilmente aprenderão, mas espero! Até porque, a continuar assim, tarde ou cedo,outros referendos surgirão.
Ilustração: Google Imagens.