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quarta-feira, 20 de março de 2013

DO CHIPRE A BELMIRO DE AZEVEDO: "GANHAR EM ESPÉCIE"


Essa gota tem muito a ver com tudo o resto e não apenas com a banca, já que, em Portugal, a distribuição da riqueza é desigual, usando a medida dos depósitos bancários. De acordo com dados do Fundo de Garantia de Depósitos, 1,2% dos clientes da banca detém 41,5% do total. Entre múltiplos factores, está todo o restante agravamento do custo de vida e o crescente desemprego, onde ´se juntarão as rescisões de contrato na Função Pública, por mútuo acordo, cuja expressão rondará 150.000 funcionários e onde o Estado garantirá uma retribuição de um salário por ano de trabalho. No meio desta intenção de conduzir a população ao grau de pobreza, o desbocado do Engº Belmiro de Azevedo, o patrão da Sonae, fala em "acabar com o mito" do salário mínimo mensal, porque, disse, "não sei por que não deve haver economia baseada em mão-de-obra barata. Senão, não há emprego para ninguém". E foi mais longe, sem qualquer pudor: "há muito quem viria para Portugal ganhar em espécie". Dir-se-á que a riqueza não lhe ensinou nada. A riqueza ensinou-lhe a espezinhar e não a ser humilde. Não lhe ensinou o respeito pelo seu semelhante e que morrerá, tal como qualquer outro, sem hipóteses de levar consigo a fortuna arrecadada. É evidente que existem bons e honestos empresários, mas também existe gente deste jaez. Significa isto que não só estamos entregues a um Estado que desrespeita as pessoas, condenando-as à pobreza, mas também a empresários e a multinacionais com uma visão do lucro, mesmo que esse lucro seja conseguido à custa do sofrimento dos demais.


Estou convencido que o Chipre foi o pequeno país escolhido para mais uma experiência. Trata-se de uma mera convicção, julgo eu, trabalhada  no silêncio dos gabinetes. E curioso é que ninguém assuma a paternidade da ideia. Certo é que, inexplicavelmente, Vítor Gaspar apoiou a esta decisão. Vamos lá ver como é que reagem, os cipriotas e a comunidade em geral, deduzo, terá pensado Merkel e acólitos. Não sugeriam o corte nos depósitos bancários dos franceses, espanhóis, irlandeses, gregos ou portugueses. Terão preferido uma experiência feita numa ilha, com as suas características próprias, à pequena escala e os bancos a fecharem portas para impedir levantamentos em massa e da "massa"! Se der certo, depois, é impor o confisco legal com a aplicação de taxas em função das reacções. Semelhante a isto só no cinema, num "filme de cowboys", com  pistoleiros, aventureiros e xerifes, todavia, sofisticadamente, sem revólveres! Entram no "saloon" das nossas vidas e impõem a sua lei: comem, bebem, derrubam, saqueiam e partem para outra. Estes são os cowboys dos novos tempos, aprenderam a roubar de rosto descoberto e com um sorriso nos lábios, fazendo sentir que tal é para o bem de todos, que, inevitavelmente, tem de ser assim ou o pior virá a caminho. E o triste do cidadão que, paulatinamente, foi sendo desarmado dos seus direitos e da sua voz, entrega o seu pouco ouro aos bandidos da era moderna. E poucos reagem enquanto vamos cantando, em desespero, a "Grândola" ou qualquer outra musiquinha de intervenção. Estou convencido que não leva muito tempo e a música será outra...
Uma família faz das tripas coração para poupar, confia o seu pecúlio aos bancos, que através do efeito de soma, procedem a fabulosas aplicações financeiras onde ganham milhões, distribuem uns juros de miséria aos primeiros, sobre os quais recaem 28% de impostos e, a páginas tantas, o Estado, em vez de impor um regime fiscal duro sobre os lucros da banca, não, cai sobre o pequeno aforador, confiscando-lhe uma dada percentagem relativamente ao dinheiro depositado. Isto é, paga quase um terço sobre os parcos juros e, depois, fica sem uma parte do dinheiro deixado à guarda da instituição bancária. Os créditos (habitação e outros) continuarão por pagar, a riqueza do depositante é que emagrece. Ora, o que se está a passar no Chipre (embora a informação seja ainda é muito escassa e não permita uma leitura de todos os contornos) não tem qualificação e se tiver, julgo que a única palavra adequada à situação é a de "gangsterismo". Isto, mesmo que o caso cipriota seja específico tendo em consideração o volume dos depósitos estrangeiros e as débeis regras para controlar a lavagem de dinheiro. Se as regras de controlo são frágeis, se a regulação não funciona, imponham-nas, mas nunca também à custa dos pequenos e médios aforadores locais. Felizmente, a Assembleia do Chipre, com 36 votos contra e 19 abstenções, a proposta do Presidente cipriota foi liminarmente rejeitada em Nicósia. Ainda bem, se bem que esta votação não seja tudo e não explique a ausência de outras investidas.
Para o caso interessa-me, fundamentalmente, o princípio estabelecido e, por isso, não me convencem, para já, as palavras do governador do Banco de Portugal, tampouco as do Ministro Vítor Gaspar. Nada, rigorosamente nada, me diz que aquele princípio, que estou inclinado a entendê-lo como "experimental", como balão de ensaio, aquela apropriação indevida do dinheiro particular não venha a ser decidida, tarde ou cedo, em outros países, sob uma forma diferente. Os banqueiros dizem que não (sabemos que os bancos são hoje meras máquinas de especulação, são parasitas da sociedade, mais interessados  nos lucros do que com o desenvolvimento económico. Exemplo: Goldman Sachs), alguns economistas colocam reservas, outros assumem que é um absurdo comparar as situações, mas prefiro uma certa reserva, porque "gato escaldado da água fria tem medo". O povo português, no último ano e meio, passou por tanta promessa não cumprida que o melhor será estar de pé atrás. Basta olhar para os terríveis indicadores económicos apresentados na última Sexta-feira. Mas se tal acontecer, aí, haverá, com toda a certeza, violência, simplesmente porque tudo tem um limite. E esse limite já foi ultrapassado. Eu diria que o copo está cheio... faltará uma gota!
"Pagar em espécie" - Belmiro de Azevedo.
Ele saberá o que é querer pagar contas
 e não ter dinheiro?
 
E essa gota tem muito a ver com tudo o resto e não apenas com a banca, já que, em Portugal, a distribuição da riqueza é desigual, usando a medida dos depósitos bancários. De acordo com dados do Fundo de Garantia de Depósitos, 1,2% dos clientes da banca detém 41,5% do total. Por outro lado, entre múltiplos factores, está todo o restante agravamento do custo de vida e o crescente desemprego, onde se juntarão as rescisões de contrato na Função Pública, por mútuo acordo, cuja expressão rondará, dizem, 150.000 funcionários e onde o Estado garantirá uma retribuição de um salário por ano de trabalho. No meio desta intenção de conduzir a população ao grau de pobreza, o desbocado do Engº Belmiro de Azevedo, o patrão da Sonae, fala em "acabar com o mito" do salário mínimo mensal, porque, disse, "não sei por que não deve haver economia baseada em mão-de-obra barata. Senão, não há emprego para ninguém". E foi mais longe, sem qualquer pudor: "há muito quem viria para Portugal ganhar em espécie". Dir-se-á que a riqueza não lhe ensinou nada. A riqueza ensinou-lhe a espezinhar e não a ser humilde. Não lhe ensinou o respeito pelo seu semelhante e que morrerá, tal como qualquer outro, sem hipóteses de levar consigo a fortuna arrecadada.
É evidente que existem bons e honestos empresários, mas também existe gente deste jaez. Significa isto que não só estamos entregues a um Estado que desrespeita as pessoas, condenando-as à pobreza, mas também a empresários e a multinacionais com uma visão do lucro, mesmo que esse lucro seja conseguido à custa do sofrimento dos demais.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 19 de março de 2013

POVO ATERRORIZADO POR INCOMPETENTES E IRRESPONSÁVEIS


O Professor Viriato Soromenho-Marques tem razão quando sublinha que a Democracia, mas a democracia que parte dos cidadãos, digo eu, tem de travar toda esta incompetência e irresponsabilidade. Em Portugal vê-se, sem a mínima dúvida, que a "receita" está errada, todavia, continuam a insistir: um monumental despedimento poderá acontecer entre os trabalhadores do Estado, com particular dimensão nos professores, e, nas funções sociais do Estado, pretendem arrasá-las com significativos cortes nas reformas e pensões. Para este bando que nos governa, um cidadão da "antiga" classe média, dispor de € 1.350,00 de aposentação é motivo para ser considerado rico. Tudo o que está daí para cima tem de descer aos patamares da pobreza. Isto para não falar de todos os outros que descem aos patamares do círculo vicioso da pobreza. Permitam-me e desculpem-me a linguagem: ladrões! Cambada de ladrões é o que esta gente é. Nem as poupanças estão a salvo, como se a generalidade dos cidadãos da Europa fossem os culpados da engrenagem e da sofreguidão de uns quantos especuladores. Veja-se o confisco que se está a passar no Chipre!


Escreveu o Professor Universitário Viriato Soromenho-Marques: "Até quando poderá uma democracia suportar ser aterrorizada por incompetentes e irresponsáveis?". Nem mais. Eis a síntese perfeita que encaixa nestes dois bandos que governam Portugal, em geral, e a Madeira, em particular. Estes bandos políticos não são mais do que correias de transmissão de outros poderes de uma Europa sem líderes e completamente decadente. O que se está a passar no Chipre com as contrapartidas impostas por um empréstimo de dez mil milhões, testemunha o escândalo que vitima cerca de 800.000 habitantes. Esta República, integrada na União Europeia em 2004, vê, de um momento para o outro, um confisco sobre as poupanças dos seus habitantes através da aplicação de uma taxa que, anteontem, estimava-se em 6,75% sobre os depósitos abaixo de 100 mil euros e de 9,9% sobre os depósitos acima deste valor. Ontem, parece que houve uma tentativa de recuo com os depósitos abaixo de 100 mil euros a sofrerem um imposto de 3%, face aos 6,75% anteriores, e a introdução de uma nova fasquia: os depósitos acima de 500 mil euros a pagar 15%. Seja como for, esta é a malvadez perpetrada sob a forma de saque: entram bancos adentro, pouco ralados com as consequências para a economia do país, e sobre os valores em depósito, confiscam, a eito, o dinheiro das pessoas, dos que muito têm (russos ou outros...) e dos que amealharam ao longo da vida, que acreditaram na instituição banca como pessoa de bem e respeitável. Se isto se alastra em benefício dos desígnios de alguns e de uma Europa desnorteada e submissa aos desígnios da Alemanha, penso que não estaremos distantes de uma guerra, não de palavras, mas, infelizmente, da outra! Leio na imprensa internacional que esta foi uma decisão assumida pelos ministros das Finanças da moeda única que romperam com a "regra de ouro" de assegurar a protecção dos depósitos até 100 mil euros. "Mas se Nicósia defendeu que tal medida evita outras medidas pesadas para a população, como cortes salariais e nas reformas, unânime entre vários analistas foi que a decisão pode precipitar um agravamento da crise europeia". Estamos a caminho da desagregação do Euro e da Europa, pois não há quem aguente tamanha austeridade e que nem no banco a poupança esteja segura. Não me admira nada que, em Portugal, as pessoas comecem, por receio, a levantar o dinheiro em depósito e a colocarem-no em casa. Que se "lixem" os magros juros que recebem por esta ou aquela aplicação, pois mais seguro, pensarão, será ter o dinheiro ali, à sua vista. Depois de tanta aldrabice no governo de Passos Coelho, de promessas que não são cumpridas e de objectivos não cumpridos, quem poderá acreditar nas palavras do governador do Banco de Portugal que, ontem, veio deitar água na fervura, dizendo que os portugueses "podem estar tranquilos" porque a tributação bancária "excepcional" no Chipre "não é transponível para outros países"? Por ser um paraíso fiscal? E estão todos envolvidos na lavagem de dinheiro? Ora, se, em Portugal, a situação agravar-se, a avaliar pelos comportamentos políticos do último ano, poucas dúvidas tenho que até por aí serão capazes de enveredar. Oxalá que não.
O Professor Viriato Soromenho-Marques tem razão quando sublinha que a Democracia, mas a democracia que parte dos cidadãos, digo eu, tem de travar toda esta incompetência e irresponsabilidade. Em Portugal vê-se, sem a mínima dúvida, que a "receita" está errada, todavia, continuam a insistir: um monumental despedimento poderá acontecer entre os trabalhadores do Estado, com particular dimensão nos professores, e, nas funções sociais do Estado, pretendem arrasá-las com significativos cortes nas reformas e pensões. Para este bando que nos governa, um cidadão da "antiga" classe média, dispor de € 1.350,00 de aposentação é motivo para ser considerado rico. Tudo o que está daí para cima tem de descer aos patamares da pobreza. Isto para não falar de todos os outros que descem aos patamares do círculo vicioso da pobreza. Permitam-me e desculpem-me a linguagem: ladrões! Cambada de ladrões é o que esta gente é. Nem as poupanças estão a salvo, como se a generalidade dos cidadãos da Europa fossem os culpados da engrenagem e da sofreguidão  de uns quantos especuladores.
Leio, no Expresso, que até o governo "desconfia dos seus números" e, mais adiante, interroga-se um jornalista: "porque é que Gaspar nunca acerta nas previsões?". Enfim, são títulos que correspondem e nos conduzem às verdadeiras implicações da teia, na qual, paulatinamente, pretendem envolver-nos. Faltam-nos líderes na Europa e falta-nos líderes em Portugal. Não posso esperar nada de um Durão Barroso, como não posso esperar rigorosamente nada de um Passos Coelho. A lata destes senhores é tão grande que, ainda ontem, o primeiro-ministro Passos Coelho disse aos jornalistas que reage aos protestos sucessivos ao seu Governo com "naturalidade", isto à saída de uma conferência em Lisboa (Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas) onde foi recebido com vaias por estudantes universitários. E assim vamos, de aperto em aperto e de lata em lata até um conflito que me parece iminente.
Ilustração: Google Imagens.