Adsense

Mostrar mensagens com a etiqueta Eleições antecipadas 2025. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Eleições antecipadas 2025. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 24 de março de 2025

Enquanto assim for...


Não me recordo a data, tampouco se apresentei este acetato numa "Comissão Permanente" ou no decorrer de uma reunião do "Secretariado". Tenho presente que aconteceu há uns treze para catorze anos. Para ser perceptível e rápido junto dos pares, utilizei a matriz SWOT, uma ferramenta para caracterizar os ambientes interno e externo, neste caso, do partido. Fui encontrar este documento junto de um outro com uma frase de Péricles (495/429 aC): "O que eu temo não é a estratégia do inimigo, mas os nossos próprios erros".


Com as devidas correcções em função do tempo que estamos a viver, a matriz, então elaborada, parece-me, que  continua, no essencial, verdadeira. Em alguns casos bem pior, com o subtil afastamento de pessoas e a integração ou manutenção de outras sem reconhecimento nem político nem social. 

Sempre parti do pressuposto que há um tempo para estar e um tempo para sair. Eu tive o meu tempo, certamente cometendo erros, e saí. Outros também o fizeram. Nem para "senadores" serviram e o resultado foi o que se viu. 

Preocupante, porque a Democracia precisa de respirar.

Mas, enquanto assim for...

domingo, 16 de março de 2025

Farto de eleições? Não esteja!


Por
Fátima Ascensão
Dnotícias

Por cá e por lá, estamos mergulhados numa crise política. Podemos ter a tentação de considerar que se deveria deixar governar o partido que está no poder. Porém, é preciso ter em consideração as razões pelas quais estão a ser convocadas eleições.



São questões de conflitos de interesses e de dúvidas sobre a boa governação e gestão de dinheiros públicos. Não é uma questão de somenos. Por cá, Albuquerque está a ser investigado e metade dos Secretários Regionais foram constituídos arguidos. Montenegro contou uma história às pinguinhas que não convence e a sua idoneidade foi posta em causa para o exercício das funções como Primeiro-Ministro.

Casos de fortuna após o exercício de cargos governativos exigem escrutínio. O dinheiro não cai do céu. Custa-nos muito descontar o que descontamos no final do mês. Faz-nos falta esse dinheiro. Não brinquem conosco. O dinheiro público tem de ser usado de forma séria.

Não é aceitável a teoria de que só é um bom político quem fica rico após o poder. Se tem “ganhos extraordinários” tem de explicar como conseguiu o dinheiro. Os políticos respondem pela boa gestão pública.

É verdade que outros partidos também tiveram historial de má governação e houve líderes que só pensavam no seu umbigo. Mas, onde estão esses líderes agora? Afastados!

E qual a estratégia do PSD, nacional e regional? Reconduzir os causadores da instabilidade. Na minha opinião, um erro. O que demonstra esta recondução? Provavelmente que se tomou de “assalto” o partido para chegar ao poder. Com que objetivo? Bem comum ou benefício próprio? Sá Carneiro deve estar bem desiludido com o seu PSD. Não é, definitivamente, o partido que ajudou a criar.


A experiência regional já demonstrou quais os partidos que têm “apetência” para fazer acordos de governação com o PSD. No próximo domingo, temos a oportunidade de avaliar o trabalho realizado por todos os partidos que se aproximaram do PSD. Estão satisfeitos com a oposição realizada? Foi mesmo oposição, andaram a engonhar ou a jogar areia para os olhos?

A questão que se coloca nestas eleições regionais é simplesmente esta: Acredita em Miguel Albuquerque, mesmo com tudo o que tem acontecido, ou prefere uma outra solução? Porque quem vota no PSD-Madeira nas eleições do próximo domingo sabe que está a votar pela manutenção de Miguel Albuquerque como Presidente do Governo Regional da Madeira.

Os partidos que ficarem na oposição, se são contra a liderança de Miguel Albuquerque, vão fazer acordo com o PSD-Madeira? Na última semana, o líder nacional da Iniciativa Liberal afirmou ponderar um acordo com PSD-Madeira desde que não seja Miguel Albuquerque quem governe. E os outros que já fizeram acordo?

Não tenham a inocência de pensar que não indo votar, anular o voto, ou votar em branco vão conseguir ter qualquer impacto sobre a situação política.

Se está descontente, a melhor solução é escolher um partido da lista dos partidos que vão a jogo. Só faz a diferença quem vai votar e escolhe o partido que considera o melhor, ou então o mal menor entre todos à escolha.

sábado, 15 de março de 2025

E assim se passaram 49 anos!


Quase cinco décadas a escutar o mesmo vinil, as mesmas faixas, os mesmos temas e sons, os mesmos artistas, às vezes, em novos lançamentos com breves variações à guitarra e à viola, parece-me extremamente cansativo. A agulha há muito que riscou o disco!



Respeito quem goste, mas não faz o meu jeito de estar na vida. Aprecio a liberdade e rejeito amarras sejam elas quais forem; sempre me dei bem com o pensamento livre, colocando na borda do prato, na esteira de Régio, o convite dos que dizem, com olhos doces, "vem por aqui"; prezo o respeito pela democracia, intensamente vivida em toda a sua extensão, e distancio-me da ausência de rigor, dos subterfúgios, da mentira dita com tez de seriedade; não sinto qualquer atracção pela "moral de rebanho", sobre a qual falou Friedrich Nietzsche no quadro do mundo político.

A vida, a vivência e a convivência ensinaram-me isso. Colocaram-me nesse patamar. Voto em princípios e valores que estão para além das pessoas que encarnam a oferta política. Sempre com a noção que até posso vir a me sentir defraudado, porém, com a plena convicção que posso corrigir na próxima ronda.

O que detesto é observar que a cor, há 49 anos, seja mais importante que os princípios, valores e críticas abundantemente feitas, mesmo que em surdina. Sei da teia subtil e pacientemente engendrada, sei das cumplicidades, dos interesses, por ínfimos que sejam, conheço a lógica do cesto de cerejas, mas não me conformo que se reduza a democracia a um sentido obrigatório, quando são variados os pratos do menu.
Mais, o acto de votar devia ser obrigatório e sujeito a penalização. Se todos nós usufruímos de uma mancheia de direitos que o exercício da política nos concede, também temos o dever de participar, expressando o sentimento daquilo que consideramos ser, nesta conjuntura, o melhor para o país ou para a região.

Por isso, votem!

Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

Com eleições à porta...

 

Nos 50 anos de Abril, depois de uma árdua luta pela Democracia e pela Autonomia, infelizmente, tropeço a cada passo com situações causadoras de espanto pelo ridículo político que transportam. Nos últimos dias dei conta de dois momentos, do meu ponto de vista, absolutamente infelizes. Refiro-me ao Senhor Presidente do Governo, de binóculo, orientado para a frente marítima de Santa Cruz, a tentar ver as casas construídas pela respectiva Câmara; depois, aquela historieta do "Spaghetti alla puttanesca" (como diria o Herman: que mal que isto me soa), com jaleca de chefe, desenquadrada de um passado ao jeito, entre outros, do hobby da jornalista Clara de Sousa. 

 


Das duas uma: em termos políticos, sendo este um momento muito sério e delicado da vida de todos nós, ou há uma total ausência de criatividade no sentido de dizer aos eleitores, de uma forma frontal e explícita, o porquê da sua candidatura, ou está a partir do pressuposto que esta campanha "para quem é bacalhau basta", isto é, qualquer coisa serve, não sendo necessária qualquer qualidade na proposta política.

Aliás, em toda a intervenção política (ou não) quem a faz tem de ter presente as várias leituras possíveis, como quem vê o outro lado das coisas. Aquela dos binóculos possibilita um vasto leque de interpretações contra o próprio. Independentemente das palavras ditas e do contexto, sem precisar de fechar os olhos, passaram-me pela frente tantas situações, umas mais sérias, outras com tendencial humor corrosivo que dispenso aqui referir. Quanto ao "spaghetti", com toda a certeza muitos eleitores terão pensado na "puttanesca" de vida que levam e que as estatísticas oficiais confirmam. 

A minha perplexidade e tristeza advém do facto de, 50 anos depois, ainda andarmos a conviver com situações que exprimem ausência de qualidade e rigor que nada ajudam na emancipação e consolidação da Democracia e da própria Autonomia. 

"Chef" Miguel o exercício da política exige "olhares" muito para além da "massa".

Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

A morte "cerebral" da democracia

 

Podem acusar-se uns aos outros, explorando as respectivas debilidades. Faz parte do jogo democrático, das oportunidades e convicções. Porém, quando todos estão contra um, e o isolado, nessa arte do diálogo, não consegue visualizar as causas e escolhe ser vítima perante o coro de desconfiança, dá a entender que a montra é equivalente ao estado deplorável que se encontra o armazém. A manutenção desta persistência torna-se motivo para muitas perguntas.



A história é longa, tem outras importantes personagens, e não me cabe aqui descrevê-la. Mas, os sinais mais evidentes que alicerçam o estado de desencanto, dizem-se em meia dúzia de linhas. 

Pouco me diz a espuma produzida nas várias sedes do debate político. Sei-a de cor e mudo de canal. As causas, essas sim, quando se as buscam, esclarecem, quase completamente, a ausência de rumo, as cumplicidades, os tentáculos e ventosas do polvo ou as muitas maneiras de cozinhar lapas. Estas deviam ser o mote da investigação jornalística e não só, o quadro que os políticos e os analistas deviam pesquisar, analisar e difundir enquanto elementos de reflexão. Simplesmente, porque são os eventuais e duvidosos erros de processo que se tornam susceptíveis de esclarecer, pressupostamente, condenar e, nesse âmbito, reorientar a sociedade. 

Nada resolve andar atrás de paleios e dos casos do dia que, hoje, já nem se vendem, tal a repetição, por vezes histérica, com que acontecem. Deviam interessar as causas, as razões que trouxeram a sociedade até aqui, independentemente do crescimento das toneladas de cimento ou aquisição de veículos. Interessa, sobretudo, conhecer os jogos de bastidores; as caras escondidas e o bas-fond; os benefícios que resultam de uma crónica forma interdependente de governar; a disseminação do discurso, articulado e expandido ao território, que amarra e subjuga o livre exercício da democracia; as várias e preocupantes iliteracias que aprisionam; os almoços e jantares grátis, bem como todo o tipo de festas que trazem qualquer coisa na ponta do convite; a multiplicação e porquês de serviços e de instituições desnecessárias e que se atropelam; os camuflados e muito bem engendrados compadrios tendentes à formação de monopólios que, na prática, parecem que não o são; os formatos muito inteligentes de perseguição, exclusão, olhares enviesados e subtil anulação de cidadãos que pensam a coisa pública; as razões mais substantivas que conduzem à formação de riquezas mal explicadas; a utilização descarada dos meios públicos para a promoção de um grupo, enfim, importante seria perceber a teia e tomar consciência das razões de um significativo alheamento e captura da sociedade, por medo ou qualquer outra razão. Portanto, o que está em causa não é o orçamento ou uma moção de censura. O problema é outro, muito mais complexo.

Falta isso, o meticuloso estudo das causas e fazer a pedagogia sobre a história do processo que conduziu a esta rua estreitíssima, onde os que "chefiam" perderam o crédito, não são geradores de confiança, e os que se apresentam constituem, grosso modo, o espelho do vazio intencionalmente criado. 

Gostaria que a sociedade fosse outra, livre, culta no sentido da produção de saberes e sínteses do que se passa em seu redor; que fosse pouco ou mesmo nada dependente; sem qualquer medo e pronta a colocar no seu devido lugar os que se vendem a consciência ou se vestem de cordeiro. Não é isso que acontece, infelizmente, também porque a escola não foi libertadora, antes condicionadora do pensamento. Ela foi mais programática e de exclusão do que de formação de pessoas formadas na ciência, na ética e na razão. Não ajudou na formação de pessoas de pensamento livre!

Por outro lado e consequentemente, faltam-nos referências, respeito, rigor, disciplina conquistada pela compreensão, regras, profissionalismo (muito) e liberdade de pensamento. É sensível a incapacidade para o inconformismo, de não ter receios, de ser quem se é, inteiros, abertos ao mundo, sem autocensura e críticos de tudo o que se passa debaixo dos nossos olhos de actores-observadores. No essencial, não ser escravo de outrem, não subjugados a tutelas esclerosadas, incultas e manifestamente interessadas na sua sobrevivência. Durante anos, lembram-se(?), metralharam-nos com aquela de sermos "um povo superior". Tempos que fomos "ricos" embora com uma legião de pobres.

Como sair disto? É uma pergunta complexa, eu sei. Eu diria que estamos perante a "Curva Sigmóide" de Charles Handy: todas as organizações têm uma fase de implantação, outra de crescimento a que se segue uma terceira de maturação, normalmente geradora de turbulência. Dir-se-á que, no caso evidente na Região da Madeira, a organização liderante demonstra esgotamento. Aliás, já há muitos anos que atingiu esse ponto, isto é, não consegue dar resposta às necessidades das populações e, por isso, entrou em acelerado declínio. É público e notório que isso está a acontecer.

Handy diz-nos que só existe uma saída possível na fase de maturação: sendo certo que o novo não nasce do velho, importa, então, desenhar uma nova curva sigmóide, que se implante e, rapidamente, faça uma qualquer organização crescer a caminho de uma nova fase de maturação. Conseguir fazê-la, com segurança, criatividade, assertividade e responsabilidade, é o problema que está nas mãos da população. 

"(...) Aliás, o que a Região precisa não é de uma correcção marginal, antes necessita de mudanças profundas, sensatas, escalonadas no tempo, através de novas políticas que só outros políticos o poderão fazer com eficácia. Maquilhar não chega, pois retirando a máscara fica a realidade. A história dos processos políticos diz-nos que não são possíveis mudanças através do mesmo quadro ideológico, fundamentalmente porque as pessoas seguem posicionamentos idênticos, ficam amarradas pela mentalidade, pelos interesses e pelas pressões. As mudanças operam-se sempre de fora para dentro, porque é aí que reside a inovação, a criatividade e o entusiasmo pela transformação". - Parte de um texto que escrevi em 30.01.2011. 

Ilustração: Google Imagens