domingo, 18 de dezembro de 2011

PROFESSORES... EMIGRAI!


Os professores "excedentários" que emigrem, disse o Primeiro-Ministro, porque os países lusófonos bem precisam. Ao invés de procurar as causas da existência de "excedentários" compaginando-os com o sistema que temos, com o facto de sermos o país com menores níveis de escolarização da população, o Primeiro-Ministro aconselha-os a emigrar, porque “(...) sabemos que há muitos professores em Portugal que não têm, nesta altura, ocupação. E o próprio sistema privado não consegue ter oferta para todos”. Trata-se da resposta mais fácil, a resposta que chuta para longe o problema fundamental do País, quando o círculo vicioso da pobreza só se rompe através da Educação.


Só o Primeiro-Ministro não sabe o que há muito é sublinhado por muitos pensadores da Educação: Portugal "não tem professores a mais. Tem sistema educativo a menos". Eu concordo com este posicionamento, se considerarmos dois aspectos fundamentais: primeiro, porque somos o país com menores níveis de escolaridade da Europa; segundo, porque o investimento na Educação, independentemente de todas as consequências positivas na dinâmica económica, financeira e social,  "é o nervo fundamental de qualquer política cultural", tal como ainda há dias referiu o próprio Secretário de Estado da Cultura do governo do Dr. Passos Coelho.
Os professores "excedentários" que emigrem, disse o Primeiro-Ministro, porque os países lusófonos bem precisam. Ao invés de procurar as causas da existência de "excedentários" compaginando-os com o sistema que temos, com o facto de sermos o país com menores níveis de escolarização da população, segundo o Relatório do Desenvolvimento Humano de 2011, publicado no mês passado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Primeiro-Ministro aconselha-os a emigrar, porque “(...) sabemos que há muitos professores em Portugal que não têm, nesta altura, ocupação. E o próprio sistema privado não consegue ter oferta para todos”. Ora, trata-se da resposta mais fácil, a resposta que chuta para longe o problema fundamental do País, quando o círculo vicioso da pobreza só se rompe através da Educação. Não há outra alternativa possível. Para o nosso "primeiro", importante é reduzir o défice, mesmo que a prazo continuemos na senda da pobreza e na cauda da Europa em todos os sectores, áreas e domínios que propiciam o desenvolvimento. É esta mentalidade que me incomoda.
É evidente que o Estado não pode oferecer emprego a todos, mas também se sabe que, por ausência de planeamento, os sucessivos governos permitiram que a formação de professores ultrapassasse, substancialmente, as necessidades. Mas isso não significa que o sistema não tenha de ser revisto de alto a baixo, por exemplo, no caso em apreço, desde o número de alunos por escola ao número de alunos por turma, passando pelas necessidades de intervenção precoce, logo aos primeiros sinais de desconformidade no processo ensino-aprendizagem e enquanto meio seguro e preventivo do insucesso e do abandono. Não sei quantos mais docentes seriam e serão necessários, mas que o sistema precisa de professores, disso não me restam dúvidas. Não é um caso de decréscimo da natalidade, como referiu o Primeiro-Ministro, que explica os designados "excedentários". O problema é muito mais profundo e que, aliás, o Dr. Nuno Crato, Ministro da Educação, tanto falou naquele programa "Plano Inclinado" da SIC, mas que, hoje, demonstra total impotência para ir às causa do nosso drama educativo. E esse drama não está no aumento da carga horária em algumas disciplinas. Aliás, não precisamos de mais escola, mas de melhor escola!
Ilustração: Google Imagens.  

2 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

É triste viver num país em que o chefe do governo sugere a emigração. Mas, se calhar, é porque não tem mais nada para oferecer. As reformas estruturais tardam, são complicadas, de difícil implementação, demoradas e de sucesso duvidoso. E as pessoas têm família para sustentar (já nem sequer falo de sonhos e ambições). Não podem esperar por melhores dias.
Passos Coelho foi, no mínimo, politicamente incorrecto. Mas, pelo menos, disse a verdade nua e crua.

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
É evidente que um político não pode sugerir a emigração. Todos nós temos o direito de viver num país organizado e que dê resposta às necessidades da população. Mas, eu sei, tal só se consegue com políticos de mão cheia, de grande e irrepreensível qualidade, coisa que escasseia!
Um abraço.