Enquanto cidadão considero importante que saia do claustrofóbico "palácio" e empreenda visitas, mas começar por um estabelecimento escolar infantil de natureza privada, seguida da ANACOM, confirma a minha leitura sobre a responsabilidade do lugar que ocupa. Para visitar escolinhas, como é evidente, já temos o Secretário da Educação e quanto à ANACOM, os madeirenses têm muito mais que se preocupar do que com a regulação, supervisão e representação do setor das comunicações (...)

Ora, enquanto cidadão considero importante que saia do claustrofóbico "palácio" e empreenda visitas, mas começar por um estabelecimento escolar infantil de natureza privada, seguida da ANACOM, confirma a minha leitura sobre a sua leitura política do lugar que ocupa. Para visitar escolinhas, como é evidente, já temos o Secretário da Educação e quanto à ANACOM, os madeirenses têm muito mais que se preocupar do que com a regulação, supervisão e representação do setor das comunicações. Deveria o Senhor Representante iniciar as suas visitas pelas instituições do Estado na Região, carecidas que estão de obras, de dignidade no funcionamento e no respeito por quem lá trabalha. Deveria ir ver as esquadras de polícia, enfim, não aqui enunciar todas as instituições e todos os serviços directamente dependentes da República que merecem atenção cuidada. Não só esses, mas também as instituições e serviços que evidenciam problemas a exigir urgente definição do Estado.
Começou pelas criancinhas de um estabelecimento de educação privado, mas com um discurso político completamente desapropriado face às circunstâncias. Se o seu objectivo foi abordar o CINM, pois bem, que fosse ao Caniçal ou à sede do Conselho de Administração. Pareceria-me mais adequado. Foi a uma escola e à sede da Cruz Vermelha para fazer, pasmo, "um apelo à união de todos os madeirenses" e para sublinhar "que chegou a hora de acabar com as clivagens e divisões partidárias e reunir consensos naquilo que é essencial, quando estão em jogo os interesses da Região". Pergunto e exclamo: união de todos os madeirenses ao jeito de uma qualquer Acção Nacional Popular? Uma união em torno do PSD-Madeira? Então a DEMOCRACIA não se funda na liberdade de associação e de pontos de vista diversos? Que tipo de união o Senhor Representante da República pretende? A união que esmaga todos os que têm análises diferentes sobre as mais diversas problemáticas?
E, já agora, sobre o CINM, como justificar o pedido de um "consenso ao nível da Assembleia Legislativa para que a Madeira se apresente unida nessa matéria e noutras matérias"? Quem é que, historicamente, questiono, tem impedido que o CINM seja um instrumento de relevante importância para a Madeira? Quem são os responsáveis? Conhecerá o Senhor Representante o dossiê CINM, os relatórios, as posições dos vários governos da República, as posições da UE e as posições assumidas por vários países relativamente à falta de transparência? Conhecerá o modelo de gestão? Já leu o livro "Suite 605"? Poderia aqui colocar mais umas quantas questões que testemunham, inequivocamente, que quem não tem manifestado qualquer vontade de se sentar à mesa para debater esta importante questão tem sido o PSD na Assembleia Legislativa. E ao contrário do que o Senhor Representante da República sublinhou, não foi apenas uma iniciativa sobre o CINM que passou pela Assembleia. Foram muitas, sendo o tema CINM recorrente em diversos debates. Oiça ou leia as posições dos partidos sobre esta matéria, muito particularmente a posição do PS, justificadas através de propostas do Deputado Dr. Carlos Pereira.
Finalmente, também ao contrário do que manifestou o Senhor Representante, os problemas da Madeira não se resolvem com voluntariado. Resolvem-se com políticas económicas, com políticas educativas e sociais, resolvem-se com políticos que não mintam à população e que não se sirvam dos lugares de serviço público para promoção pessoal e familiar.
Ilustração: Google Imagens.
2 comentários:
Caro André Escórcio
O Sr. Juiz Conselheiro será tão bom no plano jurídico como revela graves "insuficiências" no plano político.
Obrigado pelo seu comentário.
Verdade... não consigo perceber o Senhor Representante. MAS, AFINAL, JÁ SOMOS DOIS!
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