sábado, 7 de fevereiro de 2015

PARABÉNS ESCOLA GONÇALVES ZARCO PELOS DOIS DIAS DE EXCELENTE FORMAÇÃO


A Gonçalves Zarco foi, durante muitos anos, a minha Escola. Continua a ser a minha Escola. Ali se realizaram neste fim-de-semana as III Jornadas Pedagógicas que contou com a presença de mais de cem professores. Por ali passou a Professora Doutora Ana Benavente que foi Secretária de Estado da Educação, que produziu uma intervenção de excelência, entre muitos outros que ajudaram a reflectir o sistema educativo. "Ana Benavente assistiu nos últimos anos ao que diz ser uma grande destruição da escola pública e nesse sentido criticou “o silêncio pesadíssimo dos partidos, dos movimentos, da opinião pública”. Na sua opinião é muito preocupante: “Se nós perdermos o sentido do que é a profissão de professor, então perdemos muito mais do que apenas alguns anos de retrocesso político”. (DN-Madeira)


Convidaram-me e dei o meu contributo. Deixo aqui uma passagem do texto. "(...) Urge uma nova concepção de Escola. Alexandre Quintanilha é um doutorado em Física. Um cientista. Tem uma frase espantosa: “EU VIVO PORQUE SOU CURIOSO”. O problema, Colegas, é que nós andamos a matar a curiosidade nas nossas crianças. No nosso sistema, uma criança que coloca muitas perguntas, genericamente, perturba o planeamento da aula! E não deveria ser assim. Há outras formas de organização.
Li, há muitos anos, em “Professores para quê”, de Georges Gusdorf: “O mais alto ensinamento do Mestre não está no que diz, mas no que não diz”. E no meu relatório de estágio pedagógico, em 1971, escrevi no preâmbulo, uma frase de Bernard Shaw. Lembro-me como se fosse hoje: “Quem pode cria, quem não pode ensina”. Uma escola de receptores e de não participantes é uma escola condenada. E Bernard Shaw nasceu em 1856. Portanto, despertar essa curiosidade só é possível com uma ampla autonomia, um outro sentido organizacional e com um outro enquadramento pedagógico. Não há volta a dar.
E mais vos digo: ao ministério deve competir a definição de um conjunto de objectivos finais de ciclo, que se exprimem em uma folha A4; aos estabelecimentos de educação e ensino os currículos e os programas, a partir de uma matriz de base nacional. Estou a referir-me, particularmente, até ao final do 9º ano, onde o futuro toma forma. Não são palavras minhas, são da OCDE: “Escolas que podem escolher o que ensinam têm melhores resultados”. Porque há mais mundo que não se esgota nos currículos impostos. Eu sei que isto não depende apenas dos professores. Depende da política. Eu sei que é muito difícil romper com consciências adormecidas por anos a fio de rotinas. Mas vale a pena, até pela nossa sanidade mental, agitar ideias e reequacionar tudo de novo. (...)"

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