Por aproximação à "Chuva" de Jorge Fernando, cantada por Mariza, o Leonel fica na "história da gente". De "outras nem o nome lembramos ouvir". Porque toda a sua vida fez jus à origem do nome Leo, que significa "leão", símbolo de força e de coragem. Os princípios e os valores que o animaram ao longo da vida, desde muito jovem, sublinho, conjugaram-se na perspectiva de uma sociedade menos assimétrica e, por extensão, mais feliz. Não percorreu o caminho mais fácil, não fez dos interesses pessoais uma bandeira, antes colocou-se ao lado dos sem voz e de uma nobre missão de luta contra o quadro político que desrespeita os princípios constitucionais.
Uns sucumbiram ao "Cântico Negro", de José Régio, à doçura dos olhares do "vem por aqui"; o Leonel preferiu seguir Sophia Andresen: "porque os outros se mascaram mas tu não / Porque os outros usam a virtude / Para comprar o que não tem perdão / Porque os outros têm medo mas tu não. (...) Porque os outros são os túmulos caiados / Onde germina calada a podridão / Porque os outros se calam mas tu não. (...)".
Foi aí que assentou a sua corajosa luta por uma sociedade decente, menos assimétrica, portanto, mais justa. Focou-se na luta pelos direitos e deveres de quem trabalha, na luta contra a pobreza, na precariedade e no rol de gritantes injustiças sociais.
Não consigo ficar indiferente a figuras assim. Não sou de ligar aos enquadramentos políticos, até porque é no saudável debate, na tenaz e educada divergência que se alinham as soluções. Porque cada um transporta culturas, leituras, convicções e pensamento. Rejeito, isso sim, os extremismos, os que gritam, os que transportam a mentira, os populismos, os que se aproveitam das fragilidades e se apresentam como salvadores. São lobos disfarçados de cordeirinhos!
O Leonel, o leão, o Homem político e de coragem partiu. Por estes dias, alguns, porque fica bem ou porque é da praxe, fingindo e com tonalidades de falsidade, aparecem com elogios, quando, ainda recentemente, se esqueceram, entre outros, do seu nome na galeria dos homenageados nos 50 anos da Autonomia.
A última vez que falei com o Leonel foi no Livramento num dos seus habituais passeios pela saúde. Já tem algum tempo. Parei o carro e fui ao seu encontro. Que bons foram aqueles momentos. Hoje, apenas lamento não lhe ter dito o que aqui deixo escrito. Fica-me a consolação de ele saber que o apreciava.
Imagem: Google Imagens.

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