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quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

BISPOS TEODORO E CARRILHO CONFESSEM-SE E PEÇAM PERDÃO


A história da suspensão "a divinis" do Padre José Martins Júnior é conhecidíssima. É uma história que envergonha, desde logo, os três bispos após o 25 de Abril (Santana, Teodoro e Carrilho) e, por extensão, a própria Igreja da Madeira. Há, neste processo, um silêncio cúmplice de muita gente, em um evidente favor ao poder político, que acaba por ser desprestigiante para uma Igreja que fala e fala de amor e de misericórdia. Ora bem, digo eu, marimbem-se para as questões do Direito Canónico, e se, em tempo útil, o padre Martins não reclamou para as instituições superiores aquela não sustentada pena eclesiástica, imposta por um bispo em fúria, tenham a coragem de o julgar (o inalienável direito ao contraditório) ou verguem-se e peçam perdão pelas atitudes tomadas nos anos 70. Só é grande quem é humilde e isto vale para pessoas ou instituições. É execrável que andem há quarenta anos a triturá-lo, contra a vontade do povo da Ribeira Seca, a perseguir um Homem de enorme sensibilidade e humanidade. Tomara que muitos líderes seguissem o seu exemplo. Ainda ontem ouvi uma entrevista com o especialista em assuntos religiosos, Manuel Vilas Boas, jornalista da TSF que, a determinada altura, enalteceu: o Padre José Martins Júnior "colocou-se no sítio certo... ao lado do povo".


Parabéns à SIC pelo programa "Vidas Suspensas", uma oportunidade de todo o país conhecer a história e o pensamento de um Homem da Igreja, vítima do poder subterrâneo e submisso dessa Igreja, como disse Vilas Boas, "que não tem a mesma sensibilidade" para estar junto do povo. E é verdade. É sensível um genérico desajustamento entre a Palavra e a prática. 
É claro que, do meu ponto de vista, o Padre Martins Júnior não tem a sua vida suspensa. É um Homem culto, característica que falta a muitos da hierarquia católica. Está consciente dos valores que o guiam e da missão que abraçou e desenvolve. O Povo gosta dele. Quem está no lado errado são aqueles que deram o primeiro passo, que atiraram a primeira pedra, negaram a Verdade, rasgaram a História e contrariaram a Palavra, por egoísmo e serviço ao poder político-partidário. Com isso ganharam umas migalhas. Parafraseando José Martins Júnior, a hierarquia reza, não pensa!
Martins Júnior foi suspenso porque "era comunista", alegou o bispo Santana. E que fosse! O bispo Santana referiu que até "sabia o número dele" no PCP! Ao ponto que chegou a mesquinhez. Martins Júnior é, sim, e tais bispos sabem, um Homem da solidariedade que serve a Igreja, que serviu o País na guerra colonial, serviu a Região enquanto autarca e deputado e até serviu o sistema educativo. Um Homem que não se deixou acorrentar aos tortuosos caminhos de um poder político castrador do pensamento. É um Homem de pensamento LIVRE. E isso teve e tem os seus custos.
Mas se fosse um homem vinculado a um partido político de direita, aí sim, teria sido abençoado e colocado no altar dos interesses da Igreja. Tudo isto deixa-me triste pelo Amigo, mas sobretudo pela triste imagem que a Igreja oferece. Aos bispos Teodoro e Carrilho, confessem-se, não se refugiem no Direito Canónico, peçam perdão, tal como o Papa Francisco o fez por outros motivos e circunstâncias. Respeitem mais de 50 anos de sacerdócio do Padre Martins Júnior. O Bispo António Carrilho deveria ter presente que muitos têm consciência das suas palavras relativas ao Bispo Francisco Santana, quando falou das suas qualidades humanas e da sua "lucidez e coragem" por ter defendido "intrepidamente as suas ovelhas" (05/03/2011). Está tudo dito. Se o problema nunca foi resolvido foi por conivência e plena aceitação dos interesses político-partidários. 
Da minha parte fica aqui a confissão: estou cada vez mais próximo da Palavra de Cristo e cada vez mais distante dos homens que a violam. Porque uma coisa é ter Cristo como orientador dos princípios de vida; outra, é ser um católico vítima de uma instituição que se vende aos bocados. E por aí não vou.

NOTA

Ver texto do Padre Martins Júnior no seu blogue senso&consenso.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

BEM PREGA FREI TOMÁS... FAÇAMOS O QUE ELE DIZ E NÃO O QUE ELE FAZ (FEZ)


Não posso precisar, transcrevendo "ipsis verbis" as declarações, à RDP-Madeira, do Bispo Emérito Teodoro de Faria. Tais declarações não estão, infelizmente, disponíveis no sítio da internet. Mas, no essencial, referindo-se à situação, publicamente turbulenta, na Santa Casa da Misericórdia de Machico, D. Teodoro de Faria referiu-se àqueles que se eternizam no poder. Salientou que é da natureza "humana" as pessoas, depois de alguns anos, (repito, palavras minhas) julgarem-se insubstituíveis e que há sempre um tempo para estar e um para sair. E que a sociedade deveria estar atenta a isso, não permitindo tais situações. 


Absolutamente de acordo. Caso para dizer "palavras santas"! Mas estava eu a escutar esta declaração e, em simultâneo, na minha cabeça giravam pensamentos diversos, do tipo, oh diacho, então por que não assumiu essa posição durante todo o tempo de governação do ex-Presidente do Governo Regional, Dr. Alberto João Jardim? A que se deveu tanto silêncio e tanta cumplicidade política? Porquê tanta reverência, tanto agachamento durante 25 anos de responsabilidade na Diocese, compaginados com tanto atropelo social dos sucessivos governos do PSD? Porquê tanto silêncio relativamente ao Jornal da Madeira, endividado até ao tutano, vivendo à custa dos nossos impostos, quando a pobreza crescia a olhos vistos? E já que falou de Machico e da Santa Casa da Misericórdia, porquê o silêncio sobre a suspensão (claramente política) "ad divinis" do Senhor Padre Martins?
Explicações que não foram nem serão dadas, porque aí o silêncio parece ser melhor que a verdade. Mas este é tempo de Natal... tempo também de perdão!
Ilustração: Google Imagens.