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quinta-feira, 9 de julho de 2020

Oh Senhor Cónego… Não havia necessidade!


Apesar de não conhecê-lo no plano pessoal, o Cónego Manuel Martins, em 2009/2010, por aí, granjeou a minha simpatia por algumas homilias na Sé Catedral do Funchal. Deixou-me bem impressionado, pela acutilância das palavras ditas aos crentes. Lembro-me quando se dirigiu "aos governantes incompetentes e bispos sonolentos"; quando se insurgiu contra "(...) o parlamento regional que recusou medidas de combate à pobreza" (...) quando sublinhou "conhecer a falsidade de tantas medidas anunciadas de combate à pobreza e situações de miséria e de fome de tantas famílias (...); quando em uma dada homilia, falou da existência de casos sociais que precisam de ajuda por causa do "desemprego, alcoolismo, droga" e de "famílias jovens que não podem pagar o crédito à habitação" ou o "pão para os filhos"; quando disse que "há situações dramáticas de injustiças sociais gritantes que causam tanta indignação que muitas vezes levam-nos à revolta"; recordo-me, ainda, da sua denúncia: "conheço pessoalmente situações de pobreza extrema e de fome". Teve coragem, reconheço.

Eu diria que passados onze anos, as situações permanecem. Foi Padre porque, contextualizando, enalteceu a Palavra de Cristo e puxou as orelhas a quem tem o dever de pugnar pela solução das graves assimetrias sociais. Na altura, repito, fiquei bem impressionado. Sinceramente, nunca percebi (ou se calhar percebi) a razão pela qual, permitam-me a expressão, foi despachado da Sé para Machico.
Pelas suas posições independentes de qualquer partido, sem o conhecer, fiquei atento. Daí para cá senti que se remeteu a uma posição muito discreta. No mínimo, não tem sido motivo de atenção dos media. Até que, na última semana, a propósito da candidatura dos “Fachos de Machico” às “7 Maravilhas da Cultura Popular”, o Senhor Cónego Manuel Martins resolveu puxar dos galões (!) e reivindicar que os “fachos” pertencem, secularmente, à Igreja e não ao município. Uma polémica sem qualquer sentido, quando não está em causa a “paternidade”, mas uma candidatura que dará visibilidade cultural à cidade de Machico, com efeitos positivos a vários níveis. Até para a própria Igreja. 
Portanto, Senhor Cónego, com todo o respeito, mas com algum humor, (precisamos de uma pitada de humor na vida) na esteira do “provedor” Herman José, apenas lhe digo que “não havia necessidade”. De facto, nestas circunstâncias, como salientou o Presidente da Câmara, os "fachos" dispensam “senhorio”. Somos poucos para potenciar a imagem da Região e, particularmente, a de Machico.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

MAIS DÍVIDAS OCULTAS... AGORA EM MACHICO


Em Machico, noticia o DN-Madeira, acaba de ser desenterrada uma dívida de meio milhão. Obras, serviços prestados ou fornecimentos, deduzo, sem que existam autorizações que as justifiquem. Obviamente, mais um caso para investigação. Dívidas que se somam a outras dívidas. 


Entretanto, na comunicação social nacional, a partir de fontes do PSD, parece evidente que o "chefe" local voltará a se candidatar, juntando-se ao alargado grupo que disputa a liderança. É uma possibilidade, não tão remota como se poderá pensar.
Nos tempos que correm e depois de quase quarenta anos de liderança e de sucessivas vitórias absolutas, questiono-me sobre o que levará um septuagenário manter o desejo pelo exercício da política a tempo inteiro, assemelhando-se a qualquer coisa parecida com uma lapa gigante? Isto leva-me a imaginar, entre muitas outras hipóteses, se existirá medo pelo que se esconde nos armários da história. Haverá mais dívida, para além da dívida social à vista de todos? Haverá secretos e confidenciais que poderão cair em catadupa, quando tais armários se abrirem?
Para já, penso que que existe uma relação directa entre as dívidas ocultas e uma candidatura oculta. O tempo o dirá.
Ilustração: Google

terça-feira, 13 de agosto de 2013

E SE O DR. EMANUEL GOMES (PSD-MACHICO) ESTIVESSE CALADINHO?


O Dr. Emanuel Gomes, julgo eu, presidente da Comissão Política do PSD-Machico, entendeu referir-se ao Dr. António José Seguro a propósito de um jantar, realizado em Machico, no âmbito das eleições autárquicas. Relativamente ao candidato do PS, Senhor Ricardo Franco, disse: "De facto, Seguro devia ter sido informado que o Partido Socialista de Machico não foi capaz de apresentar um candidato, a estas eleições, com competências mínimas para dirigir esta autarquia, sendo que do seu currículo não consta qualquer actividade académica, empresarial, profissional, dirigente ou profissional que garantam as condições mínimas para chefiar uma Câmara como a de Machico". Na opinião dele, um "desgraçado" que, apesar de "desgraçado", há quatro anos, recolheu 39,5% dos votos do povo de Machico. E desta vez é capaz de ganhar a Câmara. Nunca se sabe!


Mas, a propósito de "desgraçados" da política, deixo aqui um texto do Dr. Emanuel Gomes, quando era militante do PS e Vereador da Câmara pelo PS, texto esse escrito umas semanas antes de umas eleições, onde atacou, sem dó nem piedade, o PSD e, concretamente, o Dr. Jardim:
"(...) Eis o insustentável mas previsível desfecho de uma política ardilosamente montada, por quem, no velho estilo do tudo sabe, tudo pode, tudo manda, não quer nem sombra de outras intervenções autónomas e personalizadas na vida da Região (...) Assim fizeram ao longo dos tempos todos os que teimaram em perpetuar o seu poder (...) Ele chama a si todas as campanhas eleitorais, define todas as estratégias administrativas, faz todas as promessas. A sua orientação política é piamente cultivada pelos seus pares (...) O Povo deixou-se levar nestas cantigas mas agora não vai perdoar aos verdadeiros responsáveis pela actual situação (...) No meio de tudo isto, uma terra, um povo, uma autarquia, é humilhada, maltratada e votada ao ostracismo, por uma classe política de baixo nível. Machico sempre disse não a esta política (...) Por isso tem pago a factura do seu atrevimento, do seu inalienável direito à diferença" (...)." 
Já por mais de uma vez publiquei este texto e vou continuar a publicá-lo para que a decência regresse ao exercício da política. Quem, afinal, é o "desgraçado"? E se estivesse caladinho?
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 27 de julho de 2013

"EM SETEMBRO HÁ UM DIA ESPECIAL"


"(...) enquanto eles, em Portugal, foram fazendo asneiras, aqui na Madeira a grande preocupação foi andar depressa, fazer tudo o que se podia fazer para aproveitar fundos europeus", como se o caso da estrada inaugurada, digo eu, resolvesse, mesmo que minimamente, os dramas das necessidades básicas das famílias. Ainda há dias (25/07/2013) soube-se que 23.000 pessoas recebem ajuda alimentar (Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados) não estando neste número contabilizados outros tantos milhares que subsistem dos apoios de instituições diversas. E o curioso é que a 02/03/2011, o Secretário Regional dos Assuntos Sociais falava de um apoio que atingia 14.000! Só o número de enquadrados neste programa cresceu ao ritmo de 4.500 por ano. E, perante isto, perante a dimensão das carências, isto é, a dimensão da tragédia social, o presidente do governo regional, aquele a quem se deve a catástrofe, declara que na "Madeira houve muita gente que pensou que podia viver sem trabalhar, que podia viver à custa do trabalho dos outros". Do trabalho dos outros? De quem? Estará a falar dos que foram empurrados para o desemprego, quarenta e tal por cento dos quais sem direito a subsídio de desemprego, porque ele, presidente do governo, passou todos estes anos de costas voltadas para uma economia diversificada e geradora de emprego? Quem é que viveu e engordou a carteira à custa dos que hoje estão desempregados? Ora, se a economia não funciona, se, para ele, cimento e alcatrão constituem os sucedâneos dos géneros alimentícios, razão terão os cidadãos, quando questionados se a infra-estrutura, que custou um milhão de euros, co-financiada por fundos europeus, agradava ou não, uma mulher desempregada, disse-lhe na cara: "Não se esqueça que em Setembro há um dia especial".


O ainda Presidente do Governo regional e o ainda presidente da Câmara Municipal de Machico ainda não perceberam que os tempos são outros. Ainda não perceberam que uma grande parte do povo está farto de "obras", de fanfarra e de beberetes por ocasião de inaugurações, neste caso, de uma estrada, segundo o DN, que já existe há um ano! Para o "Chefe das Angústias" regionais a receita de anteontem continua a ser a solução: obras e inaugurações, paradoxalmente, quando crescem o desemprego e a pobreza. A prioridade à economia geradora de emprego continua a ser substituída pelo discurso oco, de palavras que nada dizem. Por exemplo esta declaração: "(...) enquanto eles, em Portugal, foram fazendo asneiras, aqui na Madeira a grande preocupação foi andar depressa, fazer tudo o que se podia fazer para aproveitar fundos europeus", como se o caso da estrada inaugurada, digo eu, resolvesse, mesmo que minimamente, os dramas das necessidades básicas das famílias. Ainda há dias (25/07/2013) soube-se que 23.000 pessoas recebem ajuda alimentar (Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados) não estando neste número contabilizados outros tantos milhares que subsistem dos apoios de instituições diversas. E o curioso é que a 02/03/2011, o Secretário Regional dos Assuntos Sociais falava de um apoio que atingia 14.000! Só o número de enquadrados neste programa cresceu ao ritmo de 4.500 por ano. E, perante isto, perante a dimensão das carências, isto é, a dimensão da tragédia social, o presidente do governo regional, aquele a quem se deve a catástrofe, declara que na "Madeira houve muita gente que pensou que podia viver sem trabalhar, que podia viver à custa do trabalho dos outros". Do trabalho dos outros? De quem? Estará a falar dos que foram empurrados para o desemprego, quarenta e tal por cento dos quais sem direito a subsídio de desemprego, porque ele, presidente do governo, passou todos estes anos de costas voltadas para uma economia diversificada e geradora de emprego? Quem é que viveu e engordou a carteira à custa dos que hoje estão desempregados?  
Ora, se a economia não funciona, se, para ele, cimento e alcatrão constituem os sucedâneos dos géneros alimentícios, razão terão os cidadãos, quando questionados se a infra-estrutura, que custou um milhão de euros, co-financiada por fundos europeus, agradava ou não, uma mulher desempregada, disse-lhe na cara: "Não se esqueça que em Setembro há um dia especial". Exacto. No dia 29 de Setembro chega o "dia especial". O dia de o povo saldar as contas através de um pequeno gesto, o do depósito em urna da sua vontade. Mesmo com fanfarra à mistura e comes-e-bebes à borla, com claras motivações político-eleitorais, pressuponho que poucos se esquecerão da dupla Olim/Santos Costa, guiados à distância pelo "Chefe das Angústias".
A "estrada estruturante" de Olim, entre tantas e tantas provocações e enganos ao povo de Machico, parafraseando as palavras ditas por Jardim, será julgada por esse povo que tem a certeza que, desde há 30 anos, que o sistema político se ia afundar a Região. E afundou. Só que ele, presidente, continua a chutar para longe um problema que criou.
Ilustração: google Imagens.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

A CARTILHA ANTÓNIO OLIM


Justificação: os socialistas "adivinharam" que o PSD também pretendia o mesmo. Daí o chumbo com a justificação que a aposta na substituição das lâmpadas vai ser uma realidade, mas não sob a proposta do PS. Espantoso e ao mesmo tempo que medíocre atitude! Quando li veio-me à memória um sketch do falecido Raul Solnado que dizia haver pessoas "com a testa tão curtinha que as ideias para entrarem tinham de o fazer de gatas". Por favor, deixem-se dessas tonteiras e interpretem a DEMOCRACIA e a função dos vereadores como um coletivo que, embora na diferença, visa o bem comum. Já perderam a Câmara várias vezes e, pelo que sei, a caminho vão. Oxalá.


Duas notas:
Primeira. Decididamente, não aprendem. Nem com aulas suplementares, melhor dizendo, nem com um simples olhar pela situação regional que não admite pensamentos de quero, posso e mando. Nem percebem que, embora as ideias deles não partam, no final são os próprios a beneficiarem com as propostas dos outros. São piores que os alunos das nossas escolas que, demonstrando fragilidades várias, eram "empurrados" para os então designados currículos alternativos. Qual metáfora, no exercício da política também deveria ser assim, isto é, quem não consegue perceber o significado das palavras vereação, democracia, participação, povo, interesse público, entre muitas outras, deveria ser deslocado para qualquer servicinho menos importante que não tivesse a importância de uma liderança. Ora, isto a propósito de uma atitude do presidente da Câmara Municipal de Machico, que chumbou uma proposta do vereador do PS que visava a substituição da iluminação pública pelo sistema de lâmpadas a LED. Justificação: os socialistas "adivinharam" que o PSD também pretendia o mesmo. Daí o chumbo com a justificação que a aposta na substituição das lâmpadas vai ser uma realidade, mas não sob a proposta do PS. Espantoso e ao mesmo tempo que medíocre atitude! Quando li veio-me à memória um sketch do falecido Raul Solnado que dizia haver pessoas "com a testa tão curtinha que as ideias para entrarem tinham de o fazer de gatas". Por favor, deixem-se dessas tonteiras e interpretem a DEMOCRACIA e a função dos vereadores como um coletivo que, embora na diferença, visa o bem comum. Já perderam a Câmara várias vezes e, pelo que sei, a caminho vão. Oxalá.
Segunda. O Dr. Miguel Relvas, Ministro do PSD, é aquilo que apresenta, ou melhor, aos poucos vai dando a conhecer a sua verdadeira face. Assisto, frequentemente, ao programa "Eixo do Mal" (SIC) e o que lá dizem sobre este ministro parecia-me exagerado. Mas não é. Ontem, em debate político com o Dr. Jacinto Serrão (PS-Madeira) resolveu fazer considerações sobre os resultados políticos do Deputado madeirense. Fê-lo na Assembleia da República, como se ali fosse um espaço próprio para um comício partidário. A sua licenciatura conseguida em 2007 em Ciência Política não lhe concedeu a capacidade para interiorizar os comportamentos mais adequados no relacionamento político com os adversários. Dir-se-á que leu as sebentas, mas tudo ficou pelas pontas. Nem conta se deu que ao falar dos resultados eleitorais do Dr. Jacinto Serrão, ex-presidente do PS-Madeira, quantas vezes ele, Miguel Relvas, também perdeu e foi oposição na Repúplica. E esqueceu-se que, na sui generis democracia madeirense, foi Jacinto Serrão que conseguiu colocar três deputados na República, o mesmo número do PSD-Madeira. E esqueceu-se que a vida política ao nível do Governo da República é muito efémera e que, ainda não decorrido um ano de mandato, o povo já começa a dar sinais de estar farto desta coligação e, portanto, corre o risco de voltar a ser oposição nas próximas eleições legislativas. O povo é que sabe, mas Relvas está convencido que encontrou um emprego. Está enganado.
Ilustração: Google Imagens.