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domingo, 30 de julho de 2017

MIGUEL RELVAS, LICENCIADO?


Quem acompanha a política lembra-se, certamente, do caso Miguel Relvas, "ex-ministro" do governo de Pedro Passos Coelho. Descobriram que ele precisava de 180 créditos e 36 cadeiras para obter o grau académico de Licenciado. A Universidade Lusófona concedeu-lhe, de imediato, 150 créditos, tendo o "aluno" Miguel Relvas concluído a licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais, em cerca de um ano, realizando, apenas, quatro "cadeirinhas". Nota final, entre equivalências e os quatro "exames", onze valores. Era, doravante, o senhor Dr.!


As equivalências foram concedidas pela "experiência e formação profissionais". Até uma passagem por um rancho folclórico contou, como destacou o jornal Público na edição de 27 de Outubro de 2012. Levantado o problema, Relvas perdeu o título, confirmado pelo Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa. Entretanto, o antigo ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares do governo de Passos Coelho decidiu não recorrer. Miguel Relvas fez então, segundo o Sol, as duas disciplinas para substituir as que a Justiça tinha considerado irregulares. Relvas obteve 13 em Direito Administrativo e 16 em Teoria das Relações Internacionais. Doravante, é, novamente, o senhor Dr.!
Não me parece irrelevante discutir este assunto. As equivalências só deveriam ser concedidas, não mediante currículo profissional, mas através de uma análise comparada entre exames já realizados e as disciplinas que alguém pretenda realizar para obtenção de uma outra licenciatura. Tudo o resto é perverso, indigno e imoral, sobretudo para a instituição que confirma o título académico. Os candidatos só fazem aquilo que as instituições permitem, através dos seus regulamentos internos. Milhares de jovens pagam propinas, pagam livros e todo o material necessário, estudam, submetem-se a exames, sofrem com os encargos que reconhecem estar nos limites das possibilidades dos pais, muitos desistem por essa mesma razão e, enquanto isto, surge um sujeito que pela "experiência e formação profissionais" atinge a meta em um abrir e fechar de olhos. Pode ser, para alguns, o senhor Dr., para mim e, certamente, para muitos, não passará, no plano académico, de ser o Senhor Relvas!
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

RELVAS, O "LICENCIADO" EM EQUIVALÊNCIAS, REGRESSA À RIBALTA


Para mim, do ponto de vista político (e não só), o regresso à ribalta do controverso Miguel Relvas era a peça que talvez faltava para compreender muitas coisas. Os dois, Pedro Passos Coelho que o convidou e Miguel Relvas que aceitou, encontram-se no mesmo patamar de credibilidade. Julgo que não há português que se esqueça do atribulado tempo de Relvas no governo. Saiu, ou melhor, foi empurrado pela comunicação social, pela pressão pública e pelo desconforto que, certamente, o governo sentia ao ter aquela peça no seu seio. No que concerne formação académica, o "licenciado" em equivalências deixou um rasto de oportunismo que não é fácil esquecer. Mas eis que Passos Coelho que o mandou embora, agora, o reabilita. Eu só encontro uma expressão para justificar uma situação destas: pouca-vergonha. Digamos que um está para o outro, ou melhor, são faces da mesma moeda. E se assim posiciono-me é porque no exercício da política exige-se total transparência. A participação política não pode estar à mercê de favores, amizades, compromissos, cumplicidades e fidelidades antigas. E neste caso, Miguel Relvas tem uma imagem política e, por via disso, pública, que apenas ajuda a denegrir a avaliação que as pessoas infelizmente fazem dos partidos e dos políticos. Relvas deveria estar a fazer a sua travessia do deserto, deveria estar envolvido nos seus interesses profissionais e ponto final. Na política, não. Só falta regressar à governação. Ridículo.


Em Agosto de 2013 escrevi: "Obviamente que nada tenho de pessoal contra os Relvas deste nosso País. Tenho sim contra os relvas oportunistas, que nos corroem a paciência, que se movimentam nos largos corredores do oportunismo político e que edificam as suas vidas por processos menos transparentes e, politicamente, condenáveis. Os líderes e os subalternos. Esses relvas, existem muitos, chateiam-me, porque o exercício da política exige credibilidade em dose igual à do conhecimento, à seriedade, à honestidade e ao rigor no desempenho. Na política essa relva(s) deveria ser cortada tal como se faz, periodicamente, aos relvados. E quanto à erva daninha, após molhada, arrancada pela raiz para que não fique qualquer hipótese de voltar a germinar. Mas não, face a tanta porcaria acumulada, há senhores que ao contrário de a limparem, continuam a querer acumulá-la, aumentando, por aí, o cheiro nauseabundo da politiquice caseira. Relvas volta à ribalta depois de ter dado um primeiro passo, por convite, para alto comissário da Casa Olímpica da Língua Portuguesa. Tudo isto anda, de facto, conspurcado. Que tristeza de políticos e de política!
Obviamente que o problema é do PSD e não meu. Mas sou português e não deixo de lado o dever de uma leitura sobre o que se passa e que influencia a vida de todos nós. E o que se passa é que nós estamos entregues a gente sem um pingo de bom senso, entregues a exploradores e vendidos aos bocados, sempre com aquele discurso que, amanhã, teremos o paraíso. E já lá vão três anos de penosos constrangimentos. Ontem, o discurso do Primeiro-Ministro já foi de preparação para a carga de "pancada" que vem a caminho. Depois de Maio, o mês da teórica saída da "troika" de Portugal, o caminho ainda será mais duro, porque nada ficou resolvido. O povo vai continuar sob o domínio estrangeiro e sob o domínio das correias de transmissão que, cá dentro, se encarregarão de cumprir os desígnios de outros. Entretanto, um destacado militante do PSD-Madeira, o Dr. Filipe Malheiro, assume, hoje, no DN-Madeira, que uma "corja bandalha" tomou conta do PSD-Nacional: "(...) O Governo de Pedro Passos Coelho pode vender a propaganda que quiser, mas a melhoria que eles apregoam em termos de contas públicas não chegaram ao bolso dos cidadãos, às famílias. Nós continuamos a ter miséria, pobreza e desemprego. E isto é que me repugna nestes indivíduos que estão a liderar o PSD e que lamentavelmente foram recuperar essa figura sinistra chamada Miguel Relvas, o que por si só indicia o carácter desta corja que lá está. Esta gente só é afastada do poder se o povo quiser, mas o povo é demasiadamente pacífico". Pois, até estou de acordo, mas a questão também é outra: e por aqui?
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 15 de setembro de 2013

"MIGUEL RELVAS NOS JOGOS OLÍMPICOS"


Depois do cartaz do “Vai Estudar Relvas” ter estado na Volta à França em bicicleta e nos Jogos Olímpicos de Londres (2012) os apupos, desta feita orais, chegaram aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (2016). No passado dia 11 de Setembro de 2013 um grupo de emigrantes portugueses protagonizou um protesto contra o ex-ministro chamando-lhe “aldrabão” e “ladrão”, “vai estudar” “nem aqui te dão o diploma”. A gravação da manifestação está no YouTube para quem quiser ver.


O meu Amigo Professor Doutor Gustavo Pires, da Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa, escreveu um artigo no 1º DE JANEIRO, o qual subscrevo na íntegra. 
"Aquilo que previmos num texto de 5 de Agosto aquando da nomeação de Miguel Relvas para o cargo de Alto-comissário da Casa Olímpica da Língua Portuguesa no Brasil está a acontecer e, se os portugueses forem pessoas de bem, vai continuar a acontecer e cada vez com mais intensidade não só relativamente a Relvas como a todos esses figurões que, à esquerda e à direita, nas mais diversas instituições, se servem do sistema à custa de desgraçarem o País e os portugueses.
Como português devo dizer que sinto uma profunda vergonha por tudo aquilo que está a acontecer ao desporto em Portugal sobretudo ao Movimento Olímpico. Para mim, o desporto sempre foi uma coisa séria, popular mas respeitável que, da educação desportiva aos Jogos Olímpicos, deve ser implementada com a máxima dignidade e honra. Ora, o que se está a passar no desporto português não tem nem dignidade nem honra. Por isso, felizmente, explodiu uma “bomba relógio” no Rio de Janeiro e esperamos que venham a rebentar muitas mais, através de manifestações espontâneas de cidadãos indignados mas completamente livres das tutelas partidárias ou sindicais que são tão responsáveis pela a situação em que nos encontramos quanto os estuporados governos que têm desgraçado o País.
Assim sendo, para além de qualquer estatuto profissional de sobrevivência, aqueles que de uma forma livre, a título individual ou colectivo, aceitam associar o seu nome ao que se está a passar, independentemente de: poderem dizer que não sabiam; afirmarem que não foram informados blá, blá, blá…; terem sido campeões olímpicos ou; terem ganho os prémios mais prestigiados das artes ou das letras, estão a pôr em causa a consideração social a que têm direito. Porque, “diz-me com quem andas…”.
Quando Miguel Relvas é proposto para Alto-comissário da Casa Olímpica não se trata nem deixa de tratar de uma decisão tomada para além dos “estados de alma” de quem quer que seja. Pretender justificar uma incómoda decisão de contornos éticos perturbantes através de uma posição institucional parece-me, no mínimo, falta de coragem. Porque, propor Relvas para Alto-comissário da Casa Olímpica trata-se é do estado de alma de uma instituição cujos princípios e valores deviam, corajosamente, estar acima de qualquer crítica.
Há mínimos de decoro que não devem ser ultrapassados. Porque, quando são ultrapassados, para além de significarem uma afronta à inteligência dos portugueses, significam também que há pessoas que não têm categoria para liderarem as instituição de que são responsáveis.
Vocês não se indignam com a impunidade que percorre Portugal? Eu, muito."
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 3 de agosto de 2013

A NECESSIDADE DE UMA LIMPEZA TOTAL


Obviamente que nada tenho de pessoal contra os Relvas deste nosso País. Tenho sim contra os relvas oportunistas, que nos corroem a paciência, que se movimentam nos largos corredores do oportunismo político e que edificam as suas vidas por processos menos transparentes e, politicamente, condenáveis. Os líderes e os subalternos. Esses relvas, existem muitos, chateiam-me, porque o exercício da política exige credibilidade em dose igual à do conhecimento, à seriedade, à honestidade e ao rigor no desempenho. Na política essa relva(s) deveria ser cortada tal como se faz, periodicamente, aos relvados. E quanto à erva daninha, após molhada, arrancada pela raiz para que não fique qualquer hipótese de voltar a germinar. Mas não, face a tanta porcaria acumulada, há senhores que ao contrário de a limparem, continuam a querer acumulá-la, aumentando, por aí, o cheiro nauseabundo da politiquice caseira. Se assim não é, pergunto, que significado podemos atribuir à atitude de Jardim que ontem rasgou o DN-Madeira? Que significado podemos atribuir à nomeação de Miguel Relvas para alto comissário da Casa Olímpica da Língua Portuguesa? Entre os comportamentos de um e de outro, venha o diabo e escolha! Tudo isto anda, de facto, conspurcado. Que tristeza de políticos e de política!

Alto Comissário de quê?
Talvez das equivalências por serviços prestados!

Li que o senhor Miguel Relvas será alto comissário da Casa Olímpica da Língua Portuguesa, com o objectivo de divulgação da cultura dos países de língua portuguesa. Sinceramente, é caso para dizer "cada cavadela cada minhoca". Este senhor que deveria estar num período de nojo pelo nojo que foi a sua passagem pelo governo, este senhor que foi colocado a andar pela trapaça de uma licenciatura por equivalências, que se constatou ser oportunista e despido de qualquer sentido ético e moral, este senhor será alto comissário para a divulgação da cultura. Espantoso. Numa penada, são ultrapassados tantos homens e mulheres da cultura e de cultura, o que demonstra o estado de podridão e de total desrespeito e de bom senso a que chegámos. O senhor Miguel Relvas tem de ir à sua vida profissional e ponto final. Em sua própria defesa deveria desligar-se da política porque o exercício da política deve ser feito por pessoas que constituam exemplo. É por estas e por muitas outras que as pessoas andam, de forma crescente, fartas e cheias de ouvir e de seguir um naipe de políticos que nem a si próprios se respeitam. 
Que vergonha para quem desempenha
o cargo de Presidente do Governo!
Obviamente que nada tenho contra os Relvas deste nosso País. Tenho sim contra os relvas oportunistas, que nos corroem a paciência, que se movimentam nos largos corredores do oportunismo político e que edificam as suas vidas por processos menos transparentes e, politicamente condenáveis. Os líderes e os subalternos. Esses relvas, existem muitos, chateiam-me, porque o exercício da política exige credibilidade em dose igual à do conhecimento, à seriedade, à honestidade e ao rigor no desempenho. Na política essa relva(s) deveria ser cortada tal como se faz, periodicamente, aos relvados. E quanto à erva daninha, após molhada, arrancada pela raiz para que não fique qualquer hipótese de voltar a germinar. Mas não, face a tanta porcaria acumulada, há senhores que ao contrário de a limparem, continuam a querer acumulá-la, aumentando, por aí, o cheiro nauseabundo da politiquice caseira. O problema é que tudo isto anda conspurcado. Ainda ontem a atitude do presidente do governo regional foi execrável. Numa visita àquilo que designam por "quartel-general do rali Vinho Madeira", viu o DIÁRIO em cima de uma mesa e ficou possesso. Rasgou-o como documenta a fotografia. Um homem de cabeça perdida, absolutamente descontrolado no plano político, fez aquilo que nem numa tasca hoje se presencia. Quem ainda consegue aturar uma figura destas? Então isto não merece total repulsa por parte de todos os madeirenses? Que diferença existe entre estes relvas? Um é licenciado, o outro não, todavia, ao nível dos exemplos, venha o diabo e escolha. Que tristeza de políticos!
Ilustração: Google Imagens

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

COITADO, RELVAS NÃO CONSEGUE DORMIR BEM!


"O desemprego e o desemprego jovem tiram-me o sono. Não sou insensível. Insensível são aqueles que no discurso se preocupam com o desemprego e na prática nada fazem". Coitadinho do senhor Miguel Relvas que não consegue adormecer, ele que aconselhou aos jovens para terem os olhos no Mundo. Isto é, de uma forma eufemística disse aos jovens, à força do nosso País, emigrem, não fiquem cá, vão "morrer" para longe. E, curiosamente, falou deste assunto em Penela, no centro-interior de Portugal, onde a desertificação acontece, onde não é necessário o governo sugerir a busca do ganha pão para além das fronteiras, pois os próprios habitantes há muito assim decidiram. Disse o ministro Relvas: vive-se "um tempo de incerteza em Portugal como em toda a Europa" e o país "precisa necessariamente de exportar e precisa de encontrar novos mercados". Precisa, no seu entendimento, de "exportar" também inteligência, os seus recursos humanos e, naturalmente, o que ainda consegue produzir. Ele, Relvas, a quem o desemprego jovem lhe tira o sono, não o choca assistir a tanto jovem, de qualidade, a exercer a sua actividade fora do país, jovens reconhecidos em variadíssimas áreas técnicas e científicas, obrigados que andam a desempenhar lá fora o que este governo não garante cá dentro! Foi Miguel Relvas que disse: quando vejo os jovens lá fora, fica-me a "sensação de que pátria deles é o momento onde estão, a circunstância em que estão".


Não tenho e poucos certamente terão algum respeito político pelo Ministro Miguel Relvas. Desde a forma como chegou a "Licenciado" (para mim trata-se do senhor Miguel Relvas) até à sua prática política, sinceramente, não gosto. Relativamente à sua licenciatura, preocupa-me o facto de uma universidade garanta um diploma sem o "aluno" sentar o rabinho na sala de aula a ouvir os docentes, isto é, garanta um título académico baseado em quatro exames(!) e 32 equivalências, por créditos atribuídos ao seu currículo profissional. "A avaliação das "competências adquiridas ao longo da vida" teve em conta os nove cargos que o ministro ocupou seja como membro da delegação portuguesa da NATO, entre 1999 a 2002 ou como secretário da direcção do grupo parlamentar do PSD entre 1987 e 2001. Até contou a avaliação do "exercício de funções privadas, empresariais e de intervenção social e cultural", pelo que o antigo "aluno" da Lusófona adquiriu equivalências a mais 15 disciplinas". É obra! No final disto, onze de média! Como chegaram a este valor, que ponderações e que critérios foram utilizados? Simplesmente, aberrante. Escrevi a 05.07.2012 um texto sobre esta matéria e aí não quero regressar. E se dele volto a falar é apenas pelas suas declarações no decorrer do Conselho Nacional de Juventude (CNJ), em Lisboa, quando questionado sobre os elevados valores do desemprego entre os jovens, que ronda já os 40%: "O desemprego e o desemprego jovem tiram-me o sono. Não sou insensível. Insensível são aqueles que no discurso se preocupam com o desemprego e na prática nada fazem". Coitadinho do senhor Miguel Relvas que não consegue adormecer, ele que aconselhou aos jovens para terem os olhos no Mundo. Isto é, de uma forma eufemística disse aos jovens, à força do nosso País, emigrem, não fiquem cá, vão "morrer" para longe. E, curiosamente, falou deste assunto em Penela, no centro-interior de Portugal, onde a desertificação acontece, onde não é necessário o governo sugerir a busca do ganha pão para além das fronteiras, pois os próprios habitantes há muito assim decidiram. Disse, nessa altura, o ministro Relvas: vive-se "um tempo de incerteza em Portugal como em toda a Europa" e o país "precisa necessariamente de exportar e precisa de encontrar novos mercados". Precisa, no seu entendimento, de "exportar" também inteligência, os seus recursos humanos e, naturalmente, o que ainda consegue produzir. Ele, Relvas, a quem o desemprego jovem lhe tira o sono, não o choca assistir a tanto jovem, de qualidade, a exercer a sua actividade fora do país, jovens reconhecidos em variadíssimas áreas técnicas e científicas, obrigados que andam a desempenhar lá fora o que este governo não garante cá dentro! Foi Miguel Relvas que disse: quando vejo os jovens lá fora, fica-me a "sensação de que pátria deles é o momento onde estão, a circunstância em que estão". 
Miguel Relvas dá-me a ideia de um vendedor de banha da cobra com dois discursos distintos: um para o povo e outro que guia os seus interesses. Espertalhão, conseguiu um diploma que deveria ser devolvido, se Bolonha fosse outra coisa e não aquilo que é; chega a ministro e sugere aos jovens o caminho da emigração; agora, com 40% de jovens no desemprego ou à procura de um primeiro emprego, diz-se com noites mal passadas devido a tão grave preocupação. Mas é este ministro, assobiado em todo o sítio onde aparece, que tem os cordelinhos da governação do País. É este homem, que deseja a privatização de todos os sectores estratégicos do País, que não se lhe vê uma única ideia no sentido de tornar próspera a vida dos portugueses. Por mim, certamente, em nome de milhares de jovens, vá embora, emigre, porque se a vida de emigrante é boa, talvez seja uma forma de começar a dormir bem!
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 25 de agosto de 2012

ENGRENAGEM PERFEITA


Trata-se de uma experiência que se inicia por Portugal. Talvez pelas suas debilidades financeiras, por se encontrar de cócoras perante quem empresta dinheiro. Constitui uma oportunidade de tudo privatizar, de tudo o que possa gerar lucros directos e indirectos e, neste caso, de controlo da sociedade através do processo de informação. O que está em causa na RTP está muito para além do simples acto de privatização por, alegadamente, gerar despesa ao Estado. O que está em causa é moldar a informação e gerir as mentes em função dos interesses que não se descortinam em um primeiro momento. Ora, tudo o que cheire a dinheiro e a oportunidade de negócio, e se a isso podem juntar o desenvolvimento de uma determinada cultura, pois bem, lá estão eles na primeira linha, através de uns quantos testas de ferro conduzindo os processos para onde bem querem. Um dia todos perceberemos a verdadeira história da dupla Relvas-Borges e a sua fúria no desmantelamento do Estado!
 
 
A engrenagem é perfeita. A máquina funciona com as peças devidamente oleadas e com as pessoas politicamente perversas mas certas nos correspondentes lugares. Na política nacional António Borges é um deles. Li, em Maio passado, que António Borges saiu do FMI porque "não estava à altura do trabalho", o que pode colocar, numa primeira análise, algumas reservas sobre a sua competência. Mas não quero entrar por aí. Sei que foi "ex-quadro da Goldman Sachs e ex-director do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a Europa e que surge neste tabuleiro como um "peixe pequeno", mas que levanta sérias reservas tendo em conta a tarefa que tem agora em mãos", isto é, as privatizações. Das várias leituras deste processo, não me parece inocente a relação causa-efeito entre o facto  de ter passado por aquelas instituições  e a função que hoje desempenha. Marc Roche, autor de um livro, já premiado, que conta a história da Goldman Sachs (ver aqui) e de como este banco dirige o mundo, admite que existe uma relação directa: "(...) vejo gente da Goldman Sachs a aparecer por todo o lado em posições de poder, faz parte da marca do banco (...)". Marc Roche adianta, ainda:  "(...) o senhor Borges é um peixe pequeno, comparado com Mario Draghi, o presidente do Banco Central Europeu, que trabalhou na Goldman Sachs, com Mário Monti, o primeiro-ministro italiano, que também trabalhou na Goldman Sachs, ou com Lucas Papademos, ex-primeiro-ministro grego". Isto é, há, de facto, uma engrenagem perfeita. O Dr. Pedro Passos Coelho, no quadro da sua ideologia política e "aluno" obediente nesta Europa de muitos biombos, ao nomear o Dr. António Borges para o processo de privatizações, dir-se-á que nada mais faz do que juntar as peças do puzzle no sentido de responder, eficazmente, ao que senhores imperadores desejam que o mundo seja.
Mas o que aqui me traz é a privatização da RTP. Uma privatização que julgo ser única na Europa. Mas tudo tem um começo. Trata-se de uma experiência que se inicia por Portugal. Talvez pelas suas debilidades financeiras, por se encontrar de cócoras perante quem empresta dinheiro. Constitui uma oportunidade de tudo privatizar, de tudo o que possa gerar lucros directos e indirectos e, neste caso, de controlo da sociedade através do processo de informação. O que está em causa na RTP está muito para além do simples acto de privatização por, alegadamente, gerar despesa ao Estado. O que está em causa é moldar a informação e gerir as mentes em função dos interesses que não se descortinam em um primeiro momento. Ora, tudo o que cheire a dinheiro e a oportunidade de negócio, e se a isso podem juntar o desenvolvimento de uma determinada cultura, pois bem, lá estão eles na primeira linha, através de uns quantos testas de ferro conduzindo os processos para onde bem querem. Um dia todos perceberemos a verdadeira história da dupla Relvas-Borges e a sua fúria no desmantelamento do Estado! 
Considero o caso da RTP uma pouca-vergonha nacional. Localmente, vejo Alberto João Jardim a esfregar as mãos de contentamento. Ele pode dizer que não está interessado, sobretudo pelos custos, mas sabe que alguém poderá tomar conta daquilo, satisfazendo, assim, os seus interesses. Ele vê ali mais um Jornal da Madeira onde deseja estar embora não estando. Que os trabalhadores se acautelem e que toda a oposição e toda a sociedade perceba o que está por detrás desta manobra.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

SEM BOLONHA NÃO EXISTIRIA O CASO RELVAS


Sublinhou o académico Professor Doutor Olímpio Bento: "Bolonha" e o respectivo pacote de medidas, leis e "reformas" é a cereja no topo do bolo servido em três dulcíssimas e complementares variantes: Bulonha, isto é, uma bula em que tudo é determinado, prescrito e imposto de fora, hierarquizando e distinguindo as áreas académicas com diferentes soluções, no tocante à extensão da formação obrigatória, desconsiderando e asfixiando algumas (por exemplo, as sociais e humanas) para além de um apertado garrote orçamental; Borlonha, isto é, uma borla que isenta os estudantes de um esforço e também o empenhamento dos Estados no que diz respeito ao investimento financeiro; Burlonha, isto é, uma burla em todos os capítulos, ao serviço de uma agenda oculta no plano económico e de uma pobreza cultural e espiritual. Concordo, em absoluto. Miguel Relvas é um, porventura, entre outros, que aproveitaram a "borla" que isenta os estudantes de um esforço no sentido da qualidade. Sem Bolonha não existiria o caso Relvas.

O pseudo-ministro Miguel Relvas, exacto, pseudo, porque, de facto, já não o é. Se a sua credibilidade política já era questionável, depois desta pseudo-licenciatura, o melhor que fazia era demitir-se. Mas não é sobre isso que escrevo estas linhas. A minha preocupação é outra, é o designado "Processo de Bolonha" associado que está à transformação da Educação Superior numa área de negócio, muitas vezes desonesto. Sempre fui contra Bolonha, participei em debates e escrevi vários documentos, apesar de, em abstrato, merecerem-me alguma concordância os princípios e fins nele genericamente enunciados. Outra coisa é apreciar as motivações subliminares e inconfessáveis e a concretização do processo.
Mas quero fazer uma nota prévia: algumas posições aqui expressas e colocadas entre aspas, são de autores que li e registei, mas que, lamento, não ter anotado os autores e os artigos. Peço-lhes compreensão.
Ora, Bolonha foi "fabricada de encomenda para impor o figurino de competências, aptidões e destrezas adequadas a esta era de modelação das vidas e aos interesses redutores de alguns. Bolonha é uma mistificação, uma manipulação, está cheia de falsidades, inverdades e enganos". Enfatizam-se a aquisição de habilidades, aptidões e "aprendizagens" direccionadas para os inconfessos objectivos, interesses e estratégias de abdicação, subjugação e dominação em nome da economia e do mercado neoliberal". Isto é Bolonha. "O que conta não são disciplinas, matérias, abordagens e exigências contribuintes para a sabedoria e o desenvolvimento pessoal, mas sim aquilo que constitua uma ferramenta reconhecida pela ordem comercial, política e "mercadológica" que tudo supervisiona". Isto é Bolonha. "A preferência vai para a "adaptação" - forma eufemística de dizer "sujeição" - dos indivíduos ao ritmo acelerado da mudança, no lugar de os dotar de saberes e capacidades para entender e utilizar a mudança a favor da humanidade". Isto é Bolonha.
Sublinha o académico Professor Doutor Olímpio Bento: "Bolonha" e o respectivo pacote de medidas, leis e "reformas" é a cereja no topo do bolo servido em três dulcíssimas e complementares variantes:
Bulonha, isto é, uma bula em que tudo é determinado, prescrito e imposto de fora, hierarquizando e distinguindo as áreas académicas com diferentes soluções, no tocante à extensão da formação obrigatória, desconsiderando e asfixiando algumas (por exemplo, as sociais e humanas) para além de um apertado garrote orçamental; Borlonha, isto é, uma borla que isenta os estudantes de um esforço e também o empenhamento dos Estados no que diz respeito ao investimento financeiro; Burlonha, isto é, uma burla em todos os capítulos, ao serviço de uma agenda oculta no plano económico e de uma pobreza cultural e espiritual. Concordo, em absoluto.
Repito, desde o primeiro momento escrevi, demonstrando, as minhas reservas relativamente a Bolonha. Assim posicionei-me porque sentia que estavam ali os alicerces do pensamento único, quando a diversidade é muito mais enriquecedora. Mais, ainda, porque os pais passariam a pagar propinas, em alguns casos, de valor absolutamente obsceno, no segundo ciclo de estudos, retirando a muitos a possibilidade de uma formação mais completa; porque as actuais licenciaturas ficariam próximas dos antigos bacharelatos; porque o conhecimento implica tempo para a respectiva maturação e o tempo universitário ser um tempo muito significativo na vida das pessoas; por implicar o "empobrecimento do processo educativo: tudo se faz em fatiados semestres que, na prática, são quase trimestres. É tudo demasiado fugaz, rápido e superficial"; porque trouxe também "a redução do corpo docente porque a formação tem de ser mais barata. No fundo as grandes questões, não explícitas, são de natureza económica e financeira".
Portanto, todo o discurso à volta de uma nova forma de trabalhar centrada no aluno pareceu-me ser mera retórica. Este ensino superior de curta duração veio colocar em causa" as questões académicas mas também o desenvolvimento cultural dos estudantes", através da redução desse tempo marcante.
É por isso que entendo, embora respeite quem assim não pense, que uma formação básica de três anos não faz qualquer sentido, sobretudo quando não houve coragem e bom senso para mexer em tudo o que está para trás, deste o pré-escolar ao secundário. Ademais, Bolonha constitui a forma mais descarada e vil de autofinanciamento das universidades à custa dos pais dos estudantes e da concomitante desvinculação da responsabilidade do Estado pela formação, no caso do sector público.
Finalmente, Miguel Relvas é um, porventura, entre outros, que aproveitaram a "borla" que isenta os estudantes de um esforço no sentido da qualidade. Sem Bolonha não existiria o caso Relvas.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

RELVA(S) SÓ A DO MEU QUINTAL!


Pergunto, como é que isto é possível? Por esta via, apenas a título de exemplo, o Comendador Joe Berardo, com um vastíssimo currículo no mundo financeiro e na cultura, hoje seria, do ponto de vista académico, doutorado e catedrático em Finanças ou em qualquer ramo das artes; ou, tanto empreiteiro por aí medalhado, teria a equivalência a engenheiro; e, Alberto João Jardim, outro exemplo, com 36 anos de chefia do governo regional, seria o quê(?), talvez, doutorado em "ciência política". Pergunto, uma vez mais, como é que isto é possível? Sem estudo, sem provas prestadas, sem exames, sem avaliações, um sujeito apresentar um diploma que depende da boa vontade e da subjectividade de quem analisa um conjunto de papéis? Se houvesse um mínimo de decência política, hoje mesmo, o ministro Relvas demitia-se. E se não se demitisse, o da Educação deveria solicitar o regresso à sua escola por não pactuar com situações desta natureza. Um ministro que impõe exames no quarto ano e no sexto, tem um colega de governo que é "licenciado" sem exames!


Conheço o essencial das notícias dos últimos dias relativamente à Licenciatura do Ministro Miguel Relvas. Após longos anos de matrículas em cursos sem sucesso académico, retive que o citado cidadão, a partir do seu currículo profissional (leia-se, político), conseguiu o diploma de licenciado em ciência política e relações internacionais, na Universidade Lusófona. Até melhor esclarecimento da situação, o dito juntou uns papéis e, em um ano, limpou trinta e tal cadeiras do curso. Questionado, o Primeiro-Ministro disse que este era "um não assunto" e ponto final. Não tenho essa opinião. 
Defendo a credibilização das instituições universitárias e seja qual for a personagem política (e mesmo que não seja), de ontem ou de hoje, assuntos desta natureza devem ser investigados. O que para mim é preocupante é o facto de, sem sentar o rabinho na sala de aula a ouvir os diversos docentes, um qualquer sujeito conseguir um título académico baseado em quatro exames e 32 equivalências, por créditos atribuídos ao seu currículo profissional. Leio no Jornal I de hoje:  "a avaliação das "competências adquiridas ao longo da vida" teve em conta os nove cargos que o ministro ocupou seja como membro da delegação portuguesa da NATO, entre 1999 a 2002 ou como secretário da direcção do grupo parlamentar do PSD entre 1987 e 2001. Os cargos políticos desempenhados, por seu turno, permitiram a Miguel Relvas obter equivalências a três disciplinas do 2.º ano e ainda a mais uma do 3.º ano. Por fim, a avaliação do "exercício de funções privadas, empresariais e de intervenção social e cultural" permitiram ao antigo aluno da Lusófona adquirir equivalências a mais 15 disciplinas". É obra! No final disto, onze de média! Como chegaram a este valor, que ponderações, que critérios foram utilizados? Simplesmente, aberrante.
Pergunto, como é que isto é possível? Por esta via, apenas a título de exemplo, o Comendador Joe Berardo, com um vastíssimo currículo no mundo financeiro e na cultura, digo-o, neste caso, por admiração, hoje seria, do ponto de vista académico, doutorado e catedrático em Finanças ou em qualquer ramo das artes; ou, tanto empreiteiro por aí medalhado, teria a equivalência a engenheiro; e, Alberto João Jardim, outro exemplo, com 36 anos de chefia do governo regional, seria o quê(?), talvez, doutorado em "ciência política". Pergunto, uma vez mais, como é que isto é possível? Sem estudo, sem provas prestadas, sem exames, sem avaliações, um sujeito apresentar um diploma que depende da boa vontade e da subjectividade de quem analisa um conjunto de papéis?
Percebo, qualquer pessoa percebe, o que está por detrás de tudo isto: um monumental jogo de interesses, do tipo, toma lá dá cá, com muitos contornos que a seu tempo serão esmiuçados. Os interesses internos de algumas instituições universitárias, os financiamentos, as dependências a que se submetem, as pressões políticas, a proximidade e conivências, enfim, um larguíssimo leque de situações que não dignificam nem os políticos nem as instituições universitárias. E o que dirá de tudo isto o Ministro da Educação e Ciência? Fará tudo isto parte do que já hoje é conhecido pelo "cratês"? Então, onde está o grau do rigor, a exigência do conhecimento provado que está muito para além de uma avaliação ao currículo profissional? Se houvesse um mínimo de decência política, hoje mesmo, o ministro Relvas demitia-se. E se não se demitisse, o da Educação deveria solicitar o regresso à sua escola por não pactuar com situações desta natureza. Um ministro que impõe exames no quarto ano e no sexto, tem um colega de governo que é "licenciado" sem exames!
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

A CARTILHA ANTÓNIO OLIM


Justificação: os socialistas "adivinharam" que o PSD também pretendia o mesmo. Daí o chumbo com a justificação que a aposta na substituição das lâmpadas vai ser uma realidade, mas não sob a proposta do PS. Espantoso e ao mesmo tempo que medíocre atitude! Quando li veio-me à memória um sketch do falecido Raul Solnado que dizia haver pessoas "com a testa tão curtinha que as ideias para entrarem tinham de o fazer de gatas". Por favor, deixem-se dessas tonteiras e interpretem a DEMOCRACIA e a função dos vereadores como um coletivo que, embora na diferença, visa o bem comum. Já perderam a Câmara várias vezes e, pelo que sei, a caminho vão. Oxalá.


Duas notas:
Primeira. Decididamente, não aprendem. Nem com aulas suplementares, melhor dizendo, nem com um simples olhar pela situação regional que não admite pensamentos de quero, posso e mando. Nem percebem que, embora as ideias deles não partam, no final são os próprios a beneficiarem com as propostas dos outros. São piores que os alunos das nossas escolas que, demonstrando fragilidades várias, eram "empurrados" para os então designados currículos alternativos. Qual metáfora, no exercício da política também deveria ser assim, isto é, quem não consegue perceber o significado das palavras vereação, democracia, participação, povo, interesse público, entre muitas outras, deveria ser deslocado para qualquer servicinho menos importante que não tivesse a importância de uma liderança. Ora, isto a propósito de uma atitude do presidente da Câmara Municipal de Machico, que chumbou uma proposta do vereador do PS que visava a substituição da iluminação pública pelo sistema de lâmpadas a LED. Justificação: os socialistas "adivinharam" que o PSD também pretendia o mesmo. Daí o chumbo com a justificação que a aposta na substituição das lâmpadas vai ser uma realidade, mas não sob a proposta do PS. Espantoso e ao mesmo tempo que medíocre atitude! Quando li veio-me à memória um sketch do falecido Raul Solnado que dizia haver pessoas "com a testa tão curtinha que as ideias para entrarem tinham de o fazer de gatas". Por favor, deixem-se dessas tonteiras e interpretem a DEMOCRACIA e a função dos vereadores como um coletivo que, embora na diferença, visa o bem comum. Já perderam a Câmara várias vezes e, pelo que sei, a caminho vão. Oxalá.
Segunda. O Dr. Miguel Relvas, Ministro do PSD, é aquilo que apresenta, ou melhor, aos poucos vai dando a conhecer a sua verdadeira face. Assisto, frequentemente, ao programa "Eixo do Mal" (SIC) e o que lá dizem sobre este ministro parecia-me exagerado. Mas não é. Ontem, em debate político com o Dr. Jacinto Serrão (PS-Madeira) resolveu fazer considerações sobre os resultados políticos do Deputado madeirense. Fê-lo na Assembleia da República, como se ali fosse um espaço próprio para um comício partidário. A sua licenciatura conseguida em 2007 em Ciência Política não lhe concedeu a capacidade para interiorizar os comportamentos mais adequados no relacionamento político com os adversários. Dir-se-á que leu as sebentas, mas tudo ficou pelas pontas. Nem conta se deu que ao falar dos resultados eleitorais do Dr. Jacinto Serrão, ex-presidente do PS-Madeira, quantas vezes ele, Miguel Relvas, também perdeu e foi oposição na Repúplica. E esqueceu-se que, na sui generis democracia madeirense, foi Jacinto Serrão que conseguiu colocar três deputados na República, o mesmo número do PSD-Madeira. E esqueceu-se que a vida política ao nível do Governo da República é muito efémera e que, ainda não decorrido um ano de mandato, o povo já começa a dar sinais de estar farto desta coligação e, portanto, corre o risco de voltar a ser oposição nas próximas eleições legislativas. O povo é que sabe, mas Relvas está convencido que encontrou um emprego. Está enganado.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 8 de janeiro de 2012

VÃO "MORRER" PARA LONGE!



Com uma distinta lata, usam, na lapela, um pin com a bandeira de Portugal, sinónimo de uma luta pelo país que dizem defender. Para ele, Miguel Relvas, quando vê os jovens lá fora, fica-lhe a "sensação de que pátria deles é o momento onde estão, a circunstância em que estão". Oh, senhor ministro, sabe-se que até 1974 teve de viver em Angola. Foi a independência que fez os seus pais regressarem. Pergunto, por que razão não ficou por lá, ou, depois de gerada uma certa estabilidade, o que o levou a não regressar a Angola? E por que não motiva os seus descendentes a emigrarem?


Primeiro foi o Dr. Passos Coelho, agora, o Dr. Miguel Relvas a aconselhar que os jovens tenham os olhos no Mundo. Isto é, uma forma eufemística de dizer aos jovens, à força do nosso País, emigrem, não fiquem cá, vão "morrer" para longe. E, curiosamente, falou deste assunto em Penela, no centro-interior de Portugal, onde a desertificação acontece, onde não é necessário o governo sugerir a busca do ganha pão para além das fronteiras, pois os próprios habitantes há muito assim decidiram. O discurso de um ministro não pode ser este. Ora, quando se diz a um jovem para procurar lá fora o que o seu país não lhe proporciona, apenas estamos a empobrecer o país. Mas isso também não constitui novidade. É do primeiro-ministro a asserção que temos de "empobrecer".
Disse o pseudoministro Relvas: vive-se "um tempo de incerteza em Portugal como em toda a Europa" e o país "precisa necessariamente de exportar e precisa de encontrar novos mercados". Precisa, no seu entendimento, de "exportar" também inteligência, os seus recursos humanos e, naturalmente, o que ainda consegue produzir. E digo isto porque  me choca assistir a tanto jovem, de qualidade, a exercer a sua actividade fora do país, jovens reconhecidos em varíadíssimas áreas técnicas e científicas, e um ministro não conseguir oferecer um sinal de esperança na criação de condições para que esses jovens desempenhem cá dentro o que são "obrigados" a fazer lá fora. A isto designo por incompetência política. E são estes senhores do PSD/CDS que, com uma distinta lata, usam, na lapela, um pin com a bandeira de Portugal, porventura sinónimo de uma luta pelo país que dizem defender. Todavia, na práxis política, refiro-me a Miguel Relvas, quando vê os jovens lá fora, fica-lhe a "sensação de que pátria deles é o momento onde estão, a circunstância em que estão". Oh, senhor ministro, onde pára a coerência discursiva e o significado desse pin na lapela? Sabe-se que, até 1974, teve de viver em Angola. Foi a independência que fez os seus pais regressarem. Pergunto, por que razão não ficou por lá, ou, depois de gerada uma certa estabilidade, o que o levou a não regressar a Angola? E por que não motiva os seus descendentes a emigrarem?
Bom, mas que fique claro que não tenho rigorosamente nada contra a emigração. A decisão é individual e deve ser respeitada, em função dos interesses, das condições de trabalho e de uma panóplia de factores que, repito, a cada um diz respeito. Não aceito é que um governo tenha esta postura de incentivo à emigração, quando somos poucos, quando há inteligência e competências formadas cá dentro e que custaram muito dinheiro, e agora se entrega para benefício de outros. Falo a um determinado nível de formação, mas podemos também equacionar o quadro dos menos qualificados, cuja saída do País não constitui garantia de sucesso e independência. Muitos safam-se e milhares continuam a "comer o pão que o diabo amassou". E terá o ministro consciência do que significa a emigração no quadro da rutura das famílias? 
Ora, considerando o momento que Portugal atravessa, penso que de um governo esperam-se medidas tendentes à criação de condições de aproveitamento do seu principal activo, os recursos humanos, condições propiciadoras do desenvolvimento, condições de povoamento do interior progressivamente abandonado, condições propiciadoras de respostas às necessidades do povo. Chutar para longe os problemas caracteriza bem a política de certos senhores. Mas, note-se, emigrar é um direito individual. Não precisa é que o governo incentive.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 4 de dezembro de 2011

A GRAVÍSSIMA CRISE DE LÍDERES


Fala como se não tivesse sido Primeiro-Ministro, com maioria absoluta durante dois mandatos. Fala como se o défice, no tempo dele não tivesse chegado aos 8,9%. Fala como se tivesse governado em tempo de vacas magras. Fala como se não tivesse chegado ao país o grande maná dos dinheiros europeus. E quando as situações são complexas, interpelado por jornalistas, logo vem dizer que o Presidente da República não comenta, blá, blá, blá, blá... Depois, raras vezes traz alguma coisa de novo. Limita-se a repetir o que já todos conhecemos, isto para não falar do designado magistério de influência que não se sabe por onde anda. O seu completo alheamento sobre o que se passa na Madeira, os sensíveis atropelos à vida, vivência e convivência democráticas, pergunto, por onde andará a sua voz, a sua mensagem, a sua atitude pró-activa? Dez anos como Primeiro-Ministro e mais dez de Presidente da República constituem uma pena máxima para os portugueses!



Duas notas nesta manhã de Domingo, na cidade que gosto: Porto.
Primeira: O Ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Dr. Miguel Relvas, foi ontem vaiado pelos autarcas reunidos no 13º Congresso da Associação Nacional de Freguesias. E disse que "todos estes climas são gerados e são estimulados e este clima foi estimulado" (...) "nunca vi reformas a favor de palmas e de aplausos. As boas reformas são feitas com determinação, com realismo e contra a adversidade".
Segunda: Joe Berardo foi frontal relativamente ao Presidente da República, Doutor Cavaco Silva. Assumiu que o Presidente deve abandonar o cargo porque está "relacionado com o BPN, ganhou dinheiro, e isso nunca foi bem explicado aos portugueses", porque tinha encontros com Oliveira e Costa (antigo responsável do BPN), um "amigo de longa data e homem do fisco do tempo" dos seus governos (...), porque viu o Presidente da República dizer publicamente que o Dias Loureiro (antigo ministro e responsável do BPN) era uma pessoa honesta, em quem tinha confiança".
E foi mais longe ao dizer que, enquanto governante, Cavaco Silva, defendeu medidas que prejudicaram o sector das pescas de Portugal e "agora diz que o Governo devia lançar-se pelo mar". Neste pressuposto o Comendador assumiu que o Professor Cavaco é responsável por "uma estratégia danosa para o futuro de Portugal, era tudo empréstimos e realmente pensava que não tínhamos que pagar esta dívida".
Comentário:
Dizia-me, há já algum tempo, não um saudosista político, mas um observador dos tempos, que muito lá para trás, para ser ministro era necessário ter idade, competência baseada na carreira académica e política e, claro, ser muito fiel ao regime. Hoje, não, basta ser fiel. Ora, no caso do Dr. Miguel Relvas, muitos questionam sobre o seu passado, por onde andou e que credibilidade política granjeou? Ah, sim, foi Secretário de Estado da Administração Local e, segundo o Jornal Mirante de 13.09.97, nesse ano, há exactamente quatro, já com 46 anos, licenciou-se na Lusófona. Leio que Miguel Relvas "era acusado de nunca ter trabalhado na vida nem sequer como estudante". E refere o Jornal "que se sentia deprimido quando o tratavam por Dr. sem que ele o fosse realmente". Daí o esforço por atingir o grau de Licenciado. Ainda bem, digo eu, todo o esforço deve ser louvado. Bom, mas isso, pouco me rala e pouco adianta. O que me preocupa é a competência das pessoas que nos governam. E quando esta personalidade assume que acredita "firmemente no caminho que está a ser seguido", pouco se ralando com as vaias dos autarcas, das duas, uma: ou, realmente, falta-lhe "background" político, sensibilidade e capacidade de leitura das situações, ou, então, está possuído de uma arrogância que se manifesta através da ignorância altifalante. Quando meia sala sai para não o ouvir e quando saem deixando para trás um coro de insultos, qualquer pessoa de bom senso ficaria apreensiva. Não foi o caso dele. Julgo, por isso, que o "estado de graça" deste Ministro terminou. Fez-me lembrar aquela mãe que vê o filho, no juramento de bandeira, com o passo trocado e que chama a atenção para o facto dos outros 29 estarem errados!
Quando ao comentário do Senhor Joe Berardo. Sabe-se que o Comendador não tem tido vida fácil nos últimos tempos. A situação dos mercados financeiros associado a outros problemas, certamente, que o têm deixado no meio de algumas angústias. Daí, pressuponho, que as suas declarações têm muitos outros contornos, pese embora tenha, desde há muito, nos habituado a uma certa frontalidade. 
Mas seja como for, o Comendador veio dizer aquilo que eu, também desde há muito penso, relativamente ao Senhor Presidente da República. Fala como se não tivesse sido Primeiro-Ministro, com maioria absoluta durante dois mandatos. Fala como se o défice, no tempo dele não tivesse chegado aos 8,9%. Fala como se tivesse governado em tempo de vacas magras. Fala como se não tivesse chegado ao país, no tempo dele, o grande maná dos dinheiros europeus. E quando as situações  agora são complexas, interpelado por jornalistas, logo vem dizer que o Presidente da República não comenta, blá, blá, blá, blá... Depois, raras vezes traz alguma coisa de novo. Limita-se a repetir o que já todos conhecemos. O designado magistério de influência não se sabe por onde anda. O seu completo alheamento sobre o que se passa na Madeira, os sensíveis atropelos à vida, vivência e convivência democráticas, constituem, apenas, um exemplo, pelo que pergunto, por onde andará a sua voz, a sua mensagem, a sua atitude pró-activa? Dez anos como Primeiro-Ministro e mais dez de Presidente da República constituem uma pena máxima para os portugueses.

Razão têm aqueles que dizem que, em toda a Europa, estamos a passar por uma gravíssima crise de líderes, de políticos de mão cheia que consigam dar rumo aos países. Portugal, no seu conjunto, é um exemplo muito claro.
Ilustração: Google Imagens.