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sábado, 25 de maio de 2013

DISCORDO DE CORREIA DE CAMPOS


A questão agora é a de saber até que ponto o PCP e o BE, no quadro das suas anteriores posições políticas, são capazes de concertar esforços no sentido de um entendimento sobre aquilo que me parece essencial: que não podemos rasgar documentos assumidos, mas podemos exigir a renegociação de tais documentos. Isto é, não são os de fora que vão ditar, unilateralmente, as regras do jogo, ao jeito de come e cala-te, mas com adultez política, as partes interessadas negociarem aquilo que é do próprio interesse das partes. A dúvida reside aí. Neste pressuposto, não me parece correcto, embora tenham direito à opinião, que um ou outro por aí apareça a tentar fazer a cama onde o CDS possa vir a deitar-se. Sabe-se o que tem sido a direita no poder, o que tem sido o CDS/PP que, há muito, faz um jogo de estar e não estar comprometido com as políticas, um CDS mestre a surfar as ondas e que se tem mostrado incapaz de dizer basta. É cúmplice no quadro a que chegámos. Politicamente, porque a História ensinou-me, tenho dificuldade em aceitar um partido que renega a sua identidade ideológica porque é sempre melhor ser poder do que oposição! 



Em declarações ao jornal i, o ex-ministro da Saúde socialista, Dr. Correia de Campos, considerou ser necessária uma aliança nas próximas eleições – partindo do princípio de que o PS será o vencedor do sufrágio – e que esta só pode ser alcançada com o CDS porque, explica, "as relações com o CDS são fáceis e podem indiciar a possibilidade de haver uma coligação". 
Ora, nem tudo o que é fácil é bom para o país, por isso, discordo, totalmente. Caso o povo não dê ao PS uma maioria absoluta, um governo de coligação, do meu ponto de vista, só pode integrar o PS, o BE e o PCP. Portugal (e a Europa) precisa de um governo de esquerda, um governo de princípios e de valores sociais, capaz de duas coisas: primeiro, internamente, corrigir todos os erros de percurso, sobretudo os dos últimos anos, que assente as suas políticas, entre outras, no crescimento económico, na intransigente defesa do que a Constituição determina como direitos (educação, saúde, segurança social), que aposte na reconfiguração do malfadado código de trabalho e, genericamente, na reorganização de toda a sociedade; em segundo lugar, seja capaz de mostrar perante a Europa que os portugueses não são capacho dos interesses seja lá de quem for. As dívidas são para serem pagas até ao último cêntimo, todavia, num ritmo e com juros adequados à realidade da situação social para a qual essa treta da troika nos arrastou através de uma incompreensível austeridade. Com a direita política, sabe-se que tal não é possível.
A questão agora é a de saber até que ponto o PCP e o BE, no quadro das suas anteriores posições políticas, são capazes de concertar esforços no sentido de um entendimento sobre aquilo que me parece essencial: que não podemos rasgar documentos assumidos, mas podemos exigir a renegociação de tais documentos. Isto é, não são os de fora que vão ditar, unilateralmente, as regras do jogo, ao jeito de come e cala-te, mas com adultez política, as partes interessadas negociarem aquilo que é do próprio interesse das partes. A dúvida reside aí. Neste pressuposto, não me parece correcto, embora tenham direito à opinião, que um ou outro por aí apareça a tentar fazer a cama onde o CDS possa vir a deitar-se. Sabe-se o que tem sido a direita no poder, o que tem sido o CDS/PP que, há muito, faz um jogo de estar e não estar comprometido com as políticas, um CDS mestre a surfar as ondas e que se tem mostrado incapaz de dizer basta. É cúmplice no quadro a que chegámos. Politicamente, porque a história ensinou-me, tenho dificuldade em aceitar um partido que renega a sua identidade ideológica, porque é sempre melhor ser poder do que oposição!  
A posição do Deputado Europeu Dr. Correia de Campos (PS) causou-me uma certa azia. Essa posição conjuga-se com a do Dr. Bagão Félix (CDS) que, há dias, na SIC, falou da grande proximidade entre socialistas e democratas-cristãos na construção inicial desta comunitária Europa. Pode ter sido por acaso, mas as vozes começam a saltar e a gerar opinião. Da minha parte, embora seja uma hipótese muito remota, fica já decidida a minha posição: absoluto não a uma coligação entre o PS e o CDS/PP. Chega. Ponto final.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

"FEDERAR DESCONTENTAMENTOS" NÃO CHEGA

Concordo com o comentário do Dr. Augusto Santos Silva relativamente à apresentação do programa eleitoral do PSD por parte da sua presidente, Drª Manuela Ferreira Leite. Disse o porta-voz socialista: o objectivo do programa "é tentar federar descontentamentos sectoriais, prometendo tudo a todos os descontentes".
De facto, ao ouvi-la, fiquei com essa ideia. No essencial, não trouxe nada de novo, apesar do seu ar grave e circunspecto. Por exemplo, falar da necessidade de um novo "paradigma económico" parece-me muito vago, pois a expressão ao querer dizer tudo acaba por não dizer nada. E o povo não quer saber de vacuidades, quer antes conhecer processos concretos que o façam decidir entre os vários projectos em causa. Mas este sector, porque não sou especialista em economia e finanças, deixo-o para quem o domina. Porém, sublinho que a Drª Manuela Ferreira Leite foi Ministra de Estado e das Finanças do XV Governo, entre 2002 e 2004, tendo deixado as finanças públicas com um défice superior a 6,5%. Todos nos recordamos disso. E mais, que foi uma ministra que não desencadeou processos na raiz dos problemas, antes tentou colmatar o défice à custa de receitas extraordinárias, fundamentalmente com a venda de património. Não tem, por isso, pelo menos do meu ponto de vista, muita credibilidade política nesse campo.
Já no sector da Educação li as propostas apresentadas e não poderei dizer que, ali e acolá, não concorde com algumas medidas. Mas quando fala do Estatuto da Carreira Docente e, na sequência deste, no processo de avaliação de desempenho dos docentes, aí, a líder do PSD evidencia, como sublinha o Dr. Augusto Santos Silva, apenas uma preocupação em prometer tudo junto do descontentamento existente. E digo isto porque se a situação no sector educativo não não é agradável, a Drª Ferreira Leite tem enormes responsabilidades históricas nesse processo. É que ela foi também Ministra da Educação entre 7 de Dezembro de 1993 a 28 de Outubro de 1995, num período de maioria absoluta do PSD. Aliás, o Professor Cavaco Silva foi Primeiro-Ministro durante dez anos nos quais se incluem duas maiorias absolutas. Só nesses dez anos o Professor Cavaco nomeou cinco Ministros da Educação: João de Deus Pinheiro, Roberto Carneiro, Diamantino Durão, Couto dos Santos e Manuela Ferreira Leite. Isto é, num período crucial da governação do País, nenhum deles soube estruturar a Educação em termos de futuro. Se tivessem tido visão, indiscutivelmente, catorze anos depois, poderíamos agora estar a colher os investimentos feitos. Nem os quatro que a precederam nem a Drª Ferreira Leite demonstrou capacidade para tocar no âmago dos problemas, enfrentá-los e, consequentemente, lançar as linhas orientadoras do futuro. Portanto, é fácil agora tentar, políticamente, conquistar algum descontentamento. Só que o problema da Educação não se esgota no Estatuto e na Avaliação de Desempenho. É muito mais complexo do que isso e, sobre as múltiplas matérias, há naquele programa um profundíssimo vazio conceptual.
Mas não há como aguardar pelos debates. Aí se descobrirão as verdades de cada um.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

POVO, ACORDAI DA ANESTESIA!

É muito cedo para formar uma ideia mais precisa relativamente ao que irá acontecer nas legislativas nacionais. No entanto, não acredito num quadro tão negro quanto aquele que hoje é noticiado no DN-Madeira. É evidente que todos sabemos que a conjuntura é complexa, é muito diferente de 2005, mas daí a perder dois deputados no Parlamento Nacional considero um exagero. É claro que há aqui uma campanha avassaladora do PSD-M, com um programa de jantares, comícios, distribuição de benesses, bloqueios na Assembleia Legislativa da Madeira, enfim, há aqui um arraial montado e isso acaba por construir um ambiente desfavorável para qualquer partido da oposição.
O quadro político regional, no que concerne aos eleitores, julgo que pode ser dividido em três partes: uma, a do poder, com toda a sua rede de influências e dependências; uma outra larga fatia, infelizmente, mal informada e que não sabe nem tem capacidade para compreender as implicações do sarilho em que está envolvida; finalmente, uma terceira fatia, que eu considero de pessoas de pensamento livre, oposicionistas que não dependem de ninguém, que tentam argumentar a falência e a necessidade de mudança, mas cuja voz não chega para mudar a actual situação política. Não vale a pena ignorar que é esta a caracterização da situação, com mais ou menos aspectos de pormenor e que, por isso, acabam por ter influência no resultado final. De qualquer forma, não acredito que o resultado aponte para os valores indicados. Aliás, os três Deputados do PS-M na República tiveram um excelente desempenho ao longo do mandato.
É claro que há uma campanha arrasadora, onde o governo, por um lado, vitimiza-se e, por outro, atira para outros as suas responsabilidades governativas. Tudo o que é bom é mérito do governo regional e todas as desgraças governativas têm o selo do Engº José Sócrates. E quando se salta para o palco e a única palavra-chave do discurso é "Sócrates" este facto acaba por ter um efeito arrasador da imagem, multiplicada, obviamente, pelo poder da comunicação social. É muito complicado jogar neste minado campo político, onde faltam, por exemplo, debates com aquele que fala de "sovas" e pede o voto maioritário.
Trinta anos depois é curioso verificar como os eleitores deitam para o lixo tantas e excelentes propostas da oposição, como os eleitores se esquecem dos excelentes contributos dados em sua defesa, como se esquecem do desgaste de uma série de pessoas que mostraram, através dos projectos apresentados (economia, finanças, educação, ambiente, recursos naturais, etc.) serem alternativa ao actual quadro político, como se esquecem que o PSD-M chumbou propostas de relevante interesse social, como se esquecem das visitas aos locais para equacionar e ajudar a resolver problemas, como se esquecem da limitação do uso da palavra na Assembleia, como se esquecem da indecente proposta do "jackpot", como se esquecem dos atrpelos ao ordenamento do território, como se esquecem da monumental dívida pública e social, como se esquecem de tudo e se deixam embarcar na força das palavras de um só homem. São espezinhados mas aplaudem. Um Povo politicamente adulto não vai em historietas... mas este vai!
Eu sei que isto é assim. Eu sei que não é fácil destruir a ideia que de um lado está a competência e do outro a incompetência. Eu sei que não é fácil mas quero manter, em defesa dos mais humildes, dos que nada têm, dos empresários, das famílias, das pessoas honestas que não precisam de ligações ao poder para serem felizes, dos trabalhadores em geral, das crianças e dos idosos que é possível mudar de rumo, sem gritaria, sem ofensas, apenas e tão-só através de uma palavra: DEMOCRACIA.