segunda-feira, 7 de maio de 2012

HOLLAND, UM SINAL DE ESPERANÇA PARA MILHÕES DE EUROPEUS


A austeridade tem a semelhança de um ferro nivelador do empobrecimento, num primeiro momento, lembrar-se-á o leitor, com o primeiro ministro Passos Coelho a assumir que tínhamos de empobrecer, mas agora, com o governo a mostrar-se espantado com o crescimento do desemprego. Contradições, dirão alguns, os menos familiarizados com o que se esconde para além dos discursos, política suja, baixa e insensível, estão a chegar à conclusão milhões de outros, ao descobrirem que o discurso da austeridade apenas é gerador de obscena riqueza para a ditadura dos mercados. Perguntar-se-á, mas haverá solução? Obviamente que sim, desde que se parta do princípio que as pessoas estão em primeiro lugar. O primeiro ativo de uma Nação é a pessoa, é ela que pode gerar riqueza, bem-estar e sucesso. São esses milhões enquadrados em empresas que podem gerar crescimento económico e não o espezinhamento destes ao serviço de poucos que jogam na multiplicação das suas incalculáveis fortunas.


François Holland, a Esperança.
Com a vitória de François Holland nas presidenciais francesas abriu-se uma janela de esperança em toda a Europa. Ontem, ele foi muito claro quando sublinhou que "a austeridade não é uma fatalidade". Esta frase, no atual contexto político tem um enorme significado e, certamente, ajudará a recentrar a deriva política que a direita europeia gerou. Uma direita gulosa, adepta da ditadura dos mercados e, por extensão, dessa austeridade imposta em favor dos ditadores sem rosto (mercados). Não gosto de alongar-me em considerações nos setores e áreas que não domino em toda a sua plenitude, como é o caso da economia e das finanças, todavia, o que vou lento e compaginando, a par do cruzamento do que me é trazido pelos comentadores especialistas (nem todos, claro), a frase, "a austeridade não é uma fatalidade" confesso que me escorre na garganta como mel. A austeridade, aquela temos vindo a vivenciar, aquela que todos os dias entra porta adentro pelos meios de comunicação social, através das declarações dos ministros e secretários de Estado, essa austeridade, em tão pouco tempo, só tem vindo a multiplicar a desgraça, através do desemprego e do exponencial crescimento da pobreza. A austeridade tem a semelhança de um ferro nivelador do empobrecimento, num primeiro momento, lembrar-se-á o leitor, com o primeiro ministro Passos Coelho a assumir que tínhamos de empobrecer, mas agora, com o governo a mostrar-se espantado com o crescimento do desemprego. Contradições, dirão alguns, os menos familiarizados com o que se esconde para além dos discursos, política suja, baixa e insensível, estão a chegar à conclusão milhões de outros, ao descobrirem que o discurso da austeridade apenas é gerador de obscena riqueza para a ditadura dos mercados. Perguntar-se-á, mas haverá solução? Obviamente que sim, desde que se parta do princípio que as pessoas estão em primeiro lugar. O primeiro ativo de uma Nação é a pessoa, é ela que pode gerar riqueza, bem-estar e sucesso. São esses milhões enquadrados em empresas que podem gerar crescimento económico e não o espezinhamento destes ao serviço de poucos que jogam na multiplicação das suas incalculáveis fortunas.
Os próximos tempos serão de expetativa por toda a Europa. Há poucos meses fala-se mais de austeridade do que de crescimento económico. Hoje, a própria Alemanha, dando sinais de algum embaraço com a vitória de Holland, já propôs um pacto de crescimento, mantendo, todavia, o Tratado Orçamental. Mas isto não vai ficar por aí, acredito. O Tratado será revisto e renegociado, pelo que, a arrogância da direita alemã que teve em Sarkozy um aliado, deixará de ter campo livre para esse perigoso domínio da Senhora Merkel.
Oiça bem: o Senhor é o culpado
da situação a que a Madeira chegou.

Regresso à Região para uma outra abordagem, no fundo, a que mais me interessa. Quando está aos olhos de todos que a austeridade, só por si, apenas conduz ao empobrecimento, tal não pode servir para branquear os monumentais erros estratégicos cometidos na Madeira pelos sucessivos governos de Alberto João Jardim. Não venha ele agora dizer: estão a ver, estamos a ser castigos por medidas de austeridade, estamos sufocados, quando precisamos é de "massa monetária" (expressão dele) em circulação, blá, blá, blá, blá... Não, porque aqui o problema foi e é outro, a Madeira está a sofrer as consequências do despesismo, da loucura política de gastar à tripa forra o que tinha e o que não tinha, está a pagar as consequências de uma política que não foi projetada no sentido de salvaguardar o futuro. O problema aqui é outro, pelo que, necessário se torna, beneficiar de um outro enquadramento e solução. A Madeira viveu ficticiamente por culpa exclusiva de um governo e de um partido que, criminosamente, atirou a Região para uma situação de colapso, apesar de ter tido à sua disposição meios mais do que suficientes para que as suas contas estivessem equilibradas. Por isso, para um problema diferente terão de existir soluções diferentes. Aqui, joga-se, fundamentalmente, a mudança para um outro poder capaz de devolver a esperança aos madeirenses, através da renegociação do Plano de Ajustamento Financeiro, conjugado com as medidas que conduzam ao crescimento da sua frágil economia. Este PSD-Madeira já demonstrou que não é capaz. è o centro do problema e não a solução. Que a vitória de Holland não sirva, pois, aqui, salvaguardadas as proporções, para branquear erros, sobretudo quando o eleito presidente francês assume que a "austeridade não é uma fatalidade".
Ilustração: Google Imagens.

4 comentários:

Anónimo disse...

O mundo, DOS HOMENS, já decidiu que temos de nivelar os nossos rendimentos e o nosso bem estar pela realidade asiática; o mundo, DA CONSCIÊNCIA (no qual me incluo), procrastina este desfecho.
Por isso, Sr. Professor, Marine Le Pen sintetizou com prodigiosa síntese, o que eu também penso: que o Sr. Holland será um bluff.
Cumprimentos.
V.D´A.

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Trata-se uma opinião, respeitável, mas apenas isso.
Há que esperar. Mal comparadamente, só depois de aberto se verá. Tal como os melões!!!
Aguardemos. Prefiro manter a esperança de um novo tempo, de justiça e valores sociais.

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Estou tentado a concordar em parte com o comentador acima, embora por razões diversas.
A grande questão é esta: será que Hollande vai conseguir mandar alguma coisa?
A propósito, vejamos o Presidente Obama. Tantas esperanças para, mutatis mutandis, acabar por fazer o mesmo que os antecessores.

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
É verdade, o mundo da política assume contornos que nos fazem desacreditar. Eu e o meu Caríssimo Amigo, porventura ainda temos uma réstia de esperança, num mundo melhor, mais equilibrado e de maior respeito pelos cidadãos.
Quero manter essa janela de esperança, tal como a explicação da utopia que um dia li: a utopia está ali, no horizonte. Dou dez passos e o horizonte afasta-se dez passos; dou vinte e ele afasta-se vinte. Para que serve a utopia? Exatamente para isso... para caminhar!
Um abraço.