Adsense

Mostrar mensagens com a etiqueta Governo Madeira 2011/2015. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Governo Madeira 2011/2015. Mostrar todas as mensagens

sábado, 16 de maio de 2015

MAS QUAIS COMPROMISSOS SENHOR PRESIDENTE DO GOVERNO?



Afirmou o Presidente do Governo Regional da Madeira: "Vamos com toda a calma discutir no parlamento [da Madeira] este programa de governo, estamos abertos e não temos qualquer dogma relativamente às contribuições das outras forças políticas desde que não ponham em causa os compromissos que assumimos com os madeirenses".
Não me considero uma pessoa desinformada, porque acompanho com muita atenção o dia-a-dia político e, não dei conta que tivesse sido assumido qualquer compromisso com os madeirenses e portosantenses, aquando da recente campanha eleitoral. O que li e o que à caixa de correio me chegou foram generalidades à mistura com muitas banalidades. Este "Programa de Governo", agora sujeito a debate, é, assim, o "primeiro compromisso" e sobre esse muito haverá a dizer no tempo próprio. Venha o debate.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 3 de maio de 2015

O FUTEBOL PROFISSIONAL DEVE PERTENCER À ECONOMIA E NÃO À EDUCAÇÃO


Directamente ao assunto, apenas, repito, apenas, em um caso particular. Ficará para depois uma análise mais detalhada sobre os sistemas educativo e desportivo. Li que, no próximo Orçamento Regional, o "desporto" na sua vertente profissional, terá um corte de, grosso modo, quinhentos mil euros. Fiquei estupefacto sobretudo pelo carácter isolado da medida. Quando esperava por uma decisão política global, para que todos possamos perceber o que é que este governo pretende dos sistemas educativo e desportivo, saiu um tiro no escuro, politiqueiro, porque não acompanhado de um pensamento sobre a compaginação ou interface dos dois sistemas. Apontam para quinhentos, como poderiam ser quatrocentos ou seiscentos. A razão substantiva que deveria determinar uma determinada decisão política, essa não existe ou, no mínimo, não foi divulgada.



Por outro lado, começo a ficar com o pressentimento que continuam a mexer na roda do prato para que o essencial continue como sempre esteve. E a pergunta surge, inevitavelmente: que justificação existe para que o "desporto" na sua vertente profissional continue no âmbito da secretaria da Educação? Então as sociedades anónimas desportivas (SAD) não são empresas de direito privado, constituídas por acionistas? Então, se são, não deveriam estar sob a "tutela" da secretaria da Economia? Devem ou não ser analisadas como qualquer outra empresa? As SAD até podem estar cotadas em bolsa! Que tem a ver o sistema Educativo com o âmbito do "desporto", repito, na sua vertente profissional? Se esta área de desempenho empresarial é importante ou não para a Região, deve competir à Economia defini-la na compaginação com todas as outras áreas empresariais e no quadro das prioridades da Região. Simplesmente porque na vida empresarial não podem existir uns e outros. A Educação tem a função específica de dinamização do desporto educativo escolar, fundamentalmente, no sector público, onde, de facto, os meios têm sido irrisórios para o trabalho que tem de ser realizado. 
Regressarei ao assunto, mas esta secretaria da Educação começa mal. Curiosamente, uma das primeiras intervenções do anterior secretário foi uma visita aos clubes Marítimo e Nacional. Passados quatro anos, o recém empossado secretário começa por uma decisão sobre os mesmos clubes. E aqui vamos. Aguardo pelo programa de governo para 2015/2019. 
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 2 de maio de 2015

A TERRÍVEL REALIDADE DA AUTONOMIA MADEIRA TEM O DOBRO DAS INSTITUIÇÕES DE SOLIDARIEDADE SOCIAL RELATIVAMENTE AO NÚMERO DE FREGUESIAS!



Li a entrevista da Drª Isabel Jonet na edição de hoje do DN-Madeira. Disse o que já sabíamos, mas sempre relevante: "(...) Temos, hoje em dia, um conjunto de 104 instituições de solidariedade social na região autónoma, 52 das quais têm protocolo com o Banco Alimentar (...) Temos um protocolo com 52 instituições da Madeira. Actualmente, através das instituições, apoiamos com alimentos aproximadamente 11.000 mil pessoas". Quem são os responsáveis políticos?
"Paz, pão, povo e liberdade
Todos sempre unidos
No caminho da verdade" (...)
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

PRESSÃO ALTA SOBRE OS POLÍTICOS


Recebi uma interessante mensagem que a páginas tantas refere: “(…) não será de deixar o governo provar para depois criticá-lo?”. Meu caro, penso que não. Todos nós temos uma experiência de vida e todos nós que, de uma maneira ou de outra, acompanhamos o dia-a-dia político, sabemos que os silêncios, o arrastar dos designados “estados de graça” são péssimos para a democracia. É desde o primeiro dia, não no pressuposto do combate pelo combate político, sem eira nem beira, que os políticos devem sentir essa pressão. Lembra-se, por exemplo, do que disse Passos Coelho antes de ser eleito? E o que ele fez logo a seguir? E aquele que ficou conhecido pelo “irrevogável”? E aqueles que, na Região, conduziram-na na lógica “ou nós ou o caos”? Aqueles que estrangularam o livre pensamento, algumas vezes subtilmente, outras, descaradamente, ao longo de quase quarenta anos, bloquearam as instituições públicas e privadas, conduzindo o povo no princípio da obediência cega e do medo? Se o travão tivesse sido colocado logo de início teria acontecido o mesmo? Julgo que não. Daí que, da minha experiência política, considere que não deve haver nem “estados de graça” nem contemplações.


Assumiram, livremente fizeram as suas escolhas, tomaram posse, pressuponho que estudaram e dominam os dossiês, logo exige-se-lhes rigor, trabalho e uma visão sobre o futuro que, alegadamente, desejam construir. Quando, pelos primeiros acordes se descobre a musiquinha que querem tocar, quando a pele de cordeiro deixa transparecer o lobo, parece-me elementar que não se deixe o marfim correr. Desde os excessos às omissões, sublinho. É esta a minha atitude. Mais, ainda. O que de bom fizerem, porque há sempre decisões correctas, nem essas devem ser motivo de elogio político. Os eleitos estão lá para cumprir mandatos, programas, enfim, para trabalhar em prol do crescimento e do desenvolvimento do país, da região, da Câmara ou da Junta de Freguesia. Ninguém lhes pediu e são pagos para cumprir. Em toda a minha actividade política nunca esperei reconhecimento, da mesma forma que, como docente, cumpri todas as exigências do sistema educativo, mesmo quando não concordava com os retrógrados procedimentos. Na política não se deve permitir espaço para o erro. Aliás, pelos sucessivos escândalos que colocam os políticos em um baixo grau de aceitação popular, enquanto cidadão, entendo que os devemos colocar em pressão contínua. Porque o exercício da política é um assunto muito sério. Não é uma passerelle de vaidades. É nesta dialéctica que se constrói a democracia e se promove o tendencial bem-estar das populações. O julgamento é feito nas urnas, de quatro em quatro anos. E esse julgamento, pelo menos em teoria, envolve o poder, mas também a oposição. Ambos são julgados.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 18 de março de 2015

COLÉGIOS JESUÍTAS DIZEM NÃO AO ENSINO TRADICIONAL


Os outros avançam e nós retrocedemos. Dizem os sucessivos ministros da Educação que desejam combater o abandono e o insucesso, só que, na prática as suas medidas, pela análise dos resultados, têm valido zero. Ao contrário da implementação de medidas tendentes a criar uma escola para os tempos que atravessamos, as políticas têm vindo a reforçar tudo o que caracterizou o passado nascido da Sociedade Industrial. A medida mais evidente do desnorte é a implementação dos exames no 1º, 2º e 3º ciclos. Sobre esta matéria tanto que já foi escrito, traduzindo alertas, experiências e políticas de sucesso desenvolvidas por outros países. Agora, são os colégios jesuítas da Catalunha que estão a eliminar o modelo de ensino baseado em currículos organizados por disciplinas, exames e horários. As salas transformaram-se em espaços de trabalho em que os alunos adquirem os conhecimentos realizando projectos em conjunto. Vale a pena ler o texto que me chegou.


Barcelona, 5 mar (EFE).- Los colegios de jesuitas de Cataluña, en los que estudian más de 13.000 alumnos, han comenzado a implantar un nuevo modelo de enseñanza que ha eliminado asignaturas, exámenes y horarios y ha transformado las aulas en espacios de trabajo donde los niños adquieren los conocimientos haciendo proyectos conjuntos.
Los jesuitas, que en Cataluña cuentan con ocho colegios, han diseñado un nuevo modelo pedagógico en el que han desaparecido las clases magistrales, los pupitres, los deberes y las aulas tradicionales, en un proyecto que ha comenzado en quinto de primaria y primero de ESO en tres de sus escuelas y que se irá ampliando al resto.
"Con el actual modelo de enseñanza tradicional, los alumnos se están aburriendo y están desconectando del sistema, sobre todo a partir de sexto de primaria", ha explicado el director general de la Fundación Jesuitas Educación (FJE) de Cataluña, Xavier Aragay.
El nuevo modelo incluye la creación de una nueva etapa intermedia entre la primaria y la secundaria, que la conforman los cursos quinto y sexto de primaria y primero y segundo de ESO.
Para llevar a cabo el proyecto, que lleva por nombre "Horizonte 2020", los jesuitas han derribado las paredes de sus aulas y las han transformado en grandes espacios para trabajar en equipo, unas ágoras en las que hay sofás, gradas, mucha luz, colores, mesas dispuestas para trabajar en grupo y acceso a las nuevas tecnologías.
En los tres colegios que están experimentando esta novedad han juntado las dos clases de 30 alumnos en una sola de 60, pero, en vez de un profesor por cada 30, tienen tres profesores para 60.
Los tres profesores acompañan todo el día a los alumnos y tutorizan los proyectos en los que trabajan, a través de los cuales adquieren las competencias básicas marcadas en el currículo.
"No hay asignaturas, ni horarios, al patio se sale cuando los alumnos deciden que están cansados", ha explicado Aragay, que, en los seis primeros meses de experimentación, ya ha constatado que "el método funciona" y ha reanimado a los estudiantes.
"Transformar la educación es posible", ha remarcado el director general, que reconoce que el cambio es "radical" y que dos de cada tres de los 1.500 profesores de sus escuelas ha estado a favor.
Según Aragay, "en la escuela es donde más se habla de trabajo en equipo y donde menos se practica", cosa que se soluciona con este método, "que también palía unos currículos excesivos que nunca se imparten completos".
Antes de implementarlo, los jesuitas recogieron 56.000 ideas de alumnos, padres y madres y profesores para mejorar la educación. "Educar no es sólo transmitir conocimientos", ha señalado el director general adjunto de la FJE, Josep Menéndez.
El proyecto impulsa "las inteligencias múltiples y sacar todo el potencial" de los alumnos y que hagan las actividades de aprendizaje según sus capacidades.
"Hemos transformado la educación para que el alumno sea el protagonista, para que haya verdadero trabajo en equipo y los estudiantes descubran cuál es su proyecto vital, qué quieren hacer en la vida y enseñarles a reflexionar, porque van a vivir en una época que les va a desconcertar", ha argumentado Aragay.
Los alumnos comienzan la jornada con 20 minutos de introspección y reflexión para plantearse los retos de la jornada y finalizan con otros 20 minutos de discusión sobre si han conseguido los objetivos.
Las asignaturas han sido sustituidas por proyectos. "Por ejemplo, si hacemos un proyecto sobre el imperio romano, pues aprendemos arte, historia, latín, religión y geografía", ha detallado Menéndez, y si hay que aprender raíces cuadradas para llevar a cabo otro proyecto, los alumnos pueden acudir a las unidades didácticas.
"Aprenden mucho mejor si ven que lo que aprenden tiene una aplicación práctica", ha defendido Aragay.
Los proyectos, en los que también se implican padres y madres, se realizan un 33 % en catalán, un 33 % en castellano y un 33 % en inglés.
Aunque no hay asignaturas, para cumplir con lo establecido legalmente también ponen notas, pero puntúan primero las competencias de cada alumno y luego, mediante un algoritmo, las transforman en notas por materias para que consten en el expediente.
Según Aragay, en los seis meses de experiencia han encontrado casos de alumnos que "antes se inventaban que tenían fiebre para no acudir a clase y ahora quieren venir aunque tengan fiebre".
Con esta nueva pedagogía, que también aplican a los más pequeños de P3 y P4, "en vez de mirar el BOE o el DOGC, miramos la cara de los niños y les ayudamos a desarrollar su proyecto vital, a descubrir sus talentos, a encontrar sentido a lo que hacen, a lo que quieren conseguir, a saber interpretar, a reflexionar, a cuestionar. Junto con la familia e internet, intentamos construir personas".

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

GRANDE LIÇÃO DO PROFESSOR JOSÉ PACHECO. O SECRETÁRIO REGIONAL DA EDUCAÇÃO FALTOU!


A organização pertenceu ao "Núcleo Madeira da Educação Viva" (Ilha Verde - Educação em Liberdade). Foram três horas de conversa com o Professor José Pacheco que passaram num ápice. Eram 21:30 e ainda o anfiteatro estava cheio de professores ávidos de mais histórias e mais conteúdos entre a escola velha que temos e uma escola nova que todos ansiamos. José Pacheco é o mentor da criação da Escola da Ponte, na Vila das Aves, única no País e que tem servido de paradigma para outras experiências em outros países. Na Finlândia e no Brasil, por exemplo. A perseguição por parte do Ministério da Educação tem sido vergonhosa, não pelos resultados dos estudantes, mas porque o paradigma de escola sai fora dos cânones definidos. Trata-se de uma nova escola onde todos aprendem muito mais do que no ensino tradicional, através de um grande sentido de pertença dos seus professores. Ali, naquela escola pública, o paradigma é diferente das outras: não existem turmas, horários formais, toques de entrada e de saída e aulas leccionadas de forma tradicional. Ali existe vida, vivência, convivência e aprendizagem estruturada. Já não é o que era, porque o Ministério continua a preferir as práticas metodológicas do Século XIX, com Professores do Século XX embora os alunos sejam do Século XXI. É muito difícil romper com uma mentalidade assente em rotinas de toca-entra-toca-sai, do professor que debita, cumpre o programa e os alunos, passivamente, assistem. 


A propósito, aqui deixei, em tempos, uma frase do Professor João Barroso, da Universidade de Lisboa. Ainda ontem, no meio da conversa com José Pacheco essa frase bailou-me na cabeça. Cito-a de cor: já não faz sentido aquela escola onde tudo se passa nos mesmos lugares, ao mesmo tempo e da mesma maneira. A escola não pode ser uma colecção de salas de aula e o ensino uma repetição de actividades pré-formatadas e iguais para todos. É contra essa Escola vazia de significado que o Professor José Pacheco luta há quarenta anos. Hoje, vive no Brasil onde é acarinhado e respeitado.
O mais dramático é sentir a existência de uma sala cheia de professores, que pagaram para ouvi-lo, que "aguentaram" três horas de conversas e histórias profundas, o que significa que esses professores não estão acomodados, mas sentir que aqueles de quem dependem as mudanças tivessem primado pela ausência. O secretário da Educação e os directores regionais responsáveis pela Educação na Madeira, não se dignaram ouvir quem sabe por experiência vivida e quem tem uma proposta que rompe com a actual escola divorciada das questões da diversidade, da desigualdade e do conhecimento. Absolutamente LAMENTÁVEL. 
Obrigado aos organizadores (Ilha Verde) pela oportunidade que me deram de escutar o Colega José Pacheco.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

SINOS QUE TOCAM PERANTE A SURDEZ POLÍTICA


Só pode estar para sair uma solução que venha de encontro à esperança que muitos madeirenses e portosantenses alimentam. Faço por não acreditar que o estridente som que os sinos estão a provocar, não incomode todos quantos não sofrem de surdez política profunda. Os dias passam-se, os mesmos de sempre fazem, calmamente, a cama onde querem voltar a deitar-se e, do outro lado, a quem compete mostrar e demonstrar a força de uma alternativa, tudo parece calminho e sem perturbações. Só pode estar em curso, penso eu, uma mobilização espectacular junto da sociedade madeirense. Quero acreditar nisso e escrevo sem qualquer ponta de ironia. Só pode ser isso, pois ao pior momento de sempre do PSD-Madeira recuso-me aceitar que àquele corresponda o pior momento de sempre da oposição. Se assim não for, tal constituirá a maior derrota da sociedade madeirense e portosantense e dos respectivos partidos e movimentos que a enquadra.


A partir do dia 12 o governo regional entrará em gestão corrente até à tomada de posse do novo governo. Significa isto que a contagem decrescente, há muito iniciada, entrará, agora, em um ritmo alucinante. Pergunto, apenas, porque tarda a resposta política? Será estratégica? É que nunca vi nada assim!
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

E AGORA?


Os dados estão irreversivelmente lançados. Os madeirenses e portosantenses sabem, doravante, no plano político, o menu das próximas eleições legislativas. De um lado, o PSD-M com uma nova liderança, do outro, o CDS-PP e, a julgar pelo já divulgado, uma coligação à esquerda. Integrando quem e liderada por quem, não se sabe. Ou bem me engano ou estamos face a uma oportunidade perdida. Isto é, os dados levam-me a deduzir que se correm dois entre outros riscos: primeiro, embora pintado de fresco, a possibilidade de continuação do jardinismo. Os mesmos que geraram a gravíssima situação da Região, com perda quase total da sua AUTONOMIA em variadíssimos domínios, poderão vir a ser os mesmos que, travestidos, se apresentam como salvadores; segundo, a possibilidade de uma coligação de interesses pós-eleitoral entre o PSD-M e o CDS-Madeira a qual, pode vir a garantir uma maioria absoluta na Assembleia. Simplesmente porque, à esquerda, é crível que o CDS-PP não desejará juntar forças. E se assim for, adeus alternativa política.


O PS-Madeira não quis partir para um acordo com o CDS e restantes partidos, porque não conseguiu ultrapassar as diferenças e as desinteligências nascidas no decorrer das últimas autárquicas e essa situação, presumo, pode vir a ser fatal. E o jardinismo que é, como se sabe, muito mais complexo e extenso que o seu criador, poderá ter, desta feita, um largo terreno fofo para cavar. 
Quem não tem memória curta sabe o que foram os anos de PSD na Câmara do Funchal. Já não falo sequer da dívida superior a noventa milhões de euros, falo, sobretudo, da descaracterização do Funchal e da sua peculiar identidade histórico-cultural, o pavoroso e insustentável panorama das zonas altas, as questões relacionadas com a mobilidade, as sistemáticas violações ao Plano Director Municipal e a ausência de rigoroso planeamento urbanístico. E tudo isto aconteceu, obedecendo a interesses de variadíssima ordem, às pressões, à incapacidade de dizer não ao governo regional. A postura foi a de manter sempre um ar fleumático, imperturbável enquanto tudo ia acontecendo.
Portanto, a questão é agora saber se os madeirenses se deixarão enrolar pelo discurso e pelas palavras de circunstância, para enfeitar, para transmitir uma sensação de ruptura que, estou certo, nunca acontecerá. O jardinismo é um extenso e pesado polvo, tem ramificações em todo o lado, porque há milhares de dependentes, directos e indirectos, dessa máquina pacientemente montada. Parafraseando Vasco Santana dir-se-á que palavras e programas há muitos! A nova liderança irá, certamente, mexer nas bordas do prato, como convém, procederá a alterações, mas o coração da máquina baterá ao ritmo dos últimos quarenta anos. Aliás, estiveram todos envolvidos, aplaudiram, chumbaram milhares de propostas da oposição, desde a Assembleia Legislativa até às Assembleias Municipais e de Freguesia, esmagaram adversários políticos, silenciaram, perseguiram, criaram situações abstrusas na comunicação social, compraram uma herdade, enfim, fizeram o que quiseram e entenderam e, agora, surgem como se fossem puros e com uma auréola imaculada! Não são e muitas contas políticas têm no cartório! Incompreensivelmente, os mesmos de ontem estão hoje aí a querer disputar o futuro. 
A pobreza que espere sentada, os empresários que mantenham a angústia diária, os desempregados que espreitem a possibilidade da emigração, quem tem facturas por liquidar que continue à espera, a escola pública que aguente e o sistema de saúde que aguarde, porque a força dos interesses político-partidários obstará qualquer sentido de verdadeira e consistente mudança. 
Defendo que qualquer MUDANÇA nunca é feita a partir dos que sempre estiveram, mas a partir de quem está fora e que pode trazer a inovação, a criatividade, a capacidade de negociação, a independência, o serviço público com alma, o sentido do equilíbrio, o respeito pelos princípios e valores do desenvolvimento, no essencial, a definição de um rumo ideológico portador de futuro. Portanto, neste processo, lamento que a oposição e todos aqueles da nossa sociedade, pessoas independentes e de valor, que podem operacionalizar esse novo rumo, se mantenham amorfas como se nada tivesse a ver com elas. Irão chorar sobre o leite derramado.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 30 de novembro de 2014

UM GOVERNO COM POLÍTICAS EM ZIG-ZAG... AFINAL, É NECESSÁRIO UM NOVO HOSPITAL


O governo regional da Madeira tem o dever de explicar-se. Afinal, que razões substantivas, as verdadeiras, levaram a abandonar o projecto do novo hospital, em S. Rita, investir nos terrenos anexos ao velho hospital, acabar com quase toda a iniciativa privada convencionada, com quase toda a capacidade instalada (o direito à saúde está muito para além do local onde é prestado) e apostar em um hospital de sucessivos remendos. O governo tem o dever de contar TODA A VERDADE e não apenas a verdade conveniente. 


Recordo o que já escrevi em 2011:
"(...) Podem acrescentar o que quiserem, podem expropriar terrenos de bananeiras, casario, etc., porque o que ali estão a fazer são efectivamente remendos. Fica melhor, pois fica. Torna-se mais operacional em determinadas áreas, ninguém coloca em causa. Mas não deixa de constituir um remendo. Dizem as Ordens dos Médicos e dos Enfermeiros, dizem os Sindicatos, dizem os especialistas em construções hospitalares, dizem os que zelam pela SEGURANÇA, só o Secretário diz, por conveniência política, exactamente o contrário, para contornar o clamoroso erro que foi a não construção do novo hospital. A posição do governo regional é, de facto, delirante! "(...) Em 2001, a ex-Secretária dos Assuntos Sociais e Saúde, Drª Conceição Estudante, declarava que a opção ia para um novo hospital; em 2003, o Presidente do Governo assumiu que o vai construir em sete anos e que é prioritário; em 2004, o presidente do governo disse que, se for eleito, gostaria de inaugurar o novo hospital até 2008; em 2005, o presidente do Conselho de Administração do HCF assumiu que o actual hospital estava fora de prazo e em Dezembro foi anunciado o concurso público e, logo a seguir,que oito consórcios mostraram-se interessados; em 2006 foi dito que a obra avançava no final de 2008; em 2007, o actual secretário assumiu que a construção do novo hospital estava decidida, definitiva e irrevogavelmente. A partir de 2008, o PSD começou a oferecer sinais de dúvida, com o Deputado Jaime Ramos a dizer que o novo hospital não era uma necessidade urgente e básica; no entanto, o presidente do governo continuou a sublinhar que a prioridade era um novo hospital. Daí para cá constatou-se o recuo, todavia, de trapalhada em trapalhada (...)".
Finalmente, 13 ANOS DEPOIS, o governo volta a referir que é necessário. Então, o que se passou, que interesses estiveram em jogo e que interesses estão hoje em jogo? Certamente que não são os interesses dos utentes.
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 15 de novembro de 2014

SEMPRE FOI ASSIM: O INTERESSE POLÍTICO SOBREPÕE-SE À CIÊNCIA



DN-MADEIRA edição de hoje:
Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra nota falta de rigor e de fundamentação nas opções técnicas que constam do projecto de construção dos 12 açudes nas três grandes ribeiras do Funchal. “Parece obedecer a critérios fundamentalmente empíricos”. (...) Estudo denuncia “estimativas grosseiras” que dão uma ideia errada de precisão.
Sempre foi assim. Os homens e mulheres de ciência, os catedráticos, face às opções do governo regional, raramente ou nunca foram considerados. Pelo contrário, o rol de ofensas enche páginas. Não estranharei que, agora, no caso dos açudes, como na recente obra na Avenida do Mar, tal como em outras (Lugar de Baixo, como exemplo maior), todos quantos chamaram à atenção voltem a ser visados de uma forma reles. Relembro que, relativamente à obra sobre o "aterro", o "chefe" disse: "grite quem gritar" é mesmo para ser realizado!
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

"A TIRANIA ESTÁ IMPARÁVEL"


Na minha página de fb li dois comentários. O Padre José Luís Rodrigues, a propósito do despedimento da Jornalista Lília Bernardes, escreveu: "A tirania está imparável"; Fátima Alves Andrade exclamou: "estou fora de Portugal e, pergunto-me, o que se está a passar no meu querido país?" Respondo: não se trata apenas de excesso de poder, mas de um poder que se tornou opressor. As duas situações combinam-se, entrelaçam-se e são fabricadas de forma inteligentemente perversa. Os "donos" de todos nós, essa maldita máfia elegantemente vestida e bem falante, militante política ou não, portadora de um discurso que, pela repetição, convence os incautos, sabem como conduzir à "tirania", mantendo, em simultâneo, uma parte do povo a bater palmas. Ora, o que se está a passar no país não é mais do que um dente da complexa roda dentada, bem oleada e pacientemente mantida pela engrenagem institucional à escala europeia e mundial. É por isso que "a tirania está imparável", não respeitando nem princípios nem valores humanistas. Para os tiranos o dinheiro não tem pátria e, sem pejo algum, consideram "lixo" países e povos que trabalham cada vez com menos direitos, geram riqueza para entregá-la aos novos piratas. Silenciosamente, encostam povos à parede, deixando-os com salários de miséria, onde ter trabalho não significa não ser pobre. Gente que deixa as receitas médicas no balcão das farmácias e olha para o lado e vê filhos e netos em angústia permanente, perante a frieza dos que assumiram a responsabilidade de governar! Ai se não fossem as instituições de solidariedade social a partir do gesto daqueles que repartem o pouco que têm em sistemáticos peditórios públicos!


Triste país que se deixa espezinhar por gente que entra por aí adentro e impõe a austeridade sinónima de manutenção e agravamento da pobreza; triste país cujo povo permite a "tirania imparável", porque não sabe destrinçar a mentira do discurso político face à realidade; triste país cujo povo sucumbe ao bonitinho de uma qualquer praça quando a praça das suas vidas está completamente ameaçada; triste país que permite que uma qualquer Merkel nos venha dizer, mentindo, que temos licenciados a mais; triste país que aceita ouvir uma Christine Lagarde dizer que a austeridade foi longe demais e, logo de seguida, permite que os técnicos da sua instituição (FMI) venham dizer que necessário se torna mais austeridade; triste país que tem um Presidente da República que olha e não vê, vira-se para o lado e não ouve e que permite que o governo fira, sistematicamente, a Constituição da República, como se fosse aceitável apresentar Orçamentos de Estado inconstitucionais; triste país cujo povo assiste, impávido, à venda de empresas estratégicas necessárias ao seu desenvolvimento; triste país que tem um sistema educativo conducente, por omissão, aos interesses dessa máfia, porque os currículos e programas assumem uma carga formatadora do pensamento único que lhes interessa; triste país que aceita, como norma orientadora que, no futuro, "nada será mais certo que o emprego incerto", facilitando o despedimento, espalhando a miséria  e o capitalismo selvagem; triste país cujo povo acomoda-se ao saque sobre os salários e pensões, permitindo que o governo torne medidas temporárias em definitivas; triste país cujo povo assiste ao roubo em bancos, paga o desvario e não se revolta na rua; triste país que diz combater a pobreza, mas mantém o padrão da desigualdade; triste país que assiste e se acomoda à emigração de mais de cem mil pessoas por ano; triste país que vê o interior abandonado, envelhecido e onde as escolas deixam de funcionar; triste país que despede professores, limita os cuidados de saúde e impõe duplas tributações na acessibilidade à educação e à saúde; triste país que se verga e aceita a situação de colónia e que se mostra incapaz de mostrar os dentes à União Europeia. É por tudo isto e muito mais que a "tirania está imparável".
Mas tenhamos atenção que a globalização não é apenas FINANCEIRA. A globalização é também de tomada de consciência dos direitos. E os focos de instabilidade estão a acontecer um pouco por todo o lado. O povo, revoltado, está a sair às ruas e a encher as praças. Porque eles, os piratas, ainda não perceberam que a sua estabilidade depende da estabilidade de todos os outros.
Ilustração:  Google Imagens.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

PRAÇA DO POVO E O POVO ENGANADO


Respeito, totalmente, todos aqueles que consideram notável a obra hoje inaugurada. O "aterro" deu lugar a um espaço moderno e de circulação das pessoas. Repito, respeito quem olha para esse espaço e, hoje, bate palmas. Não é a minha posição. Ao longo do tempo, desde há três, quatro anos, que tenho seguido as posições técnicas e científicas de muitos observadores que se debruçaram sobre esta obra e não bastasse isso, transporto um posicionamento de total respeito pela natureza e pelo ímpar recorte da baía do Funchal. Preferia, portanto, que o governo tivesse tido em conta as inúmeras chamadas de atenção e que não tivesse cedido ao alegadamente mais fácil. E tanto assim é que, curiosamente, já falam na indispensabilidade do prolongamento da Pontinha em 400 metros, exactamente para protecção do que agora foi inaugurado. 


Politicamente, por múltiplas razões, considero um desaforo do presidente do governo falar de “um acto (inaugural) de esperança”, “símbolo de esperança” esta dita "Praça do Povo" para que todos deixem de se "mortificar" sobre a vida que levam. Como se as pessoas pudessem viver do ar e da imagem bonitinha de um espaço. Tudo isto tem muito que se lhe diga, eu sei, mas oxalá que a natureza seja "amiga" e que nunca ali aconteça um Lugar de Baixo de triste memória, cuja responsabilidade pertence ao vice-presidente João Cunha e Silva. Natureza amiga também a montante e que o 20 de Fevereiro de 2010 nunca se repita. Mas sei que a História não é  assim que narra.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

A DEGRADAÇÃO DA PISCINA DO PORTO SANTO É UM ACTO POLITICAMENTE CRIMINOSO


Chamaram-me à atenção para uma reportagem da RTP-Madeira sobre a piscina de 25 metros do Porto Santo. Espreitei-a no respectivo sítio da internet. Dei com uma vergonha, com um acto "multi-criminoso" como referiu um dos entrevistados. Inaugurada com pompa e circunstância, custando € 1.800.000,00, há dois anos que se encontra encerrada e em óbvia degradação. Não tenho dúvidas, politicamente, trata-se de uma situação criminosa. Não é apenas a do Porto Santo que está fechada! Existem outras por aí, entre as muitas construídas sem o necessário planeamento que respondesse a perguntas simples quanto estas: porquê, para quê, como, quando? E como alguém já o disse: "ninguém vai preso", apesar de terem brincado com o dinheiro dos contribuintes. Nos próximos anos, não apenas pelas piscinas construídas, mas para todas as "obras do regime", visando a manutenção, serão necessários muitos milhões de euros. E como esse bem, o dinheiro, será cada vez mais escasso, a degradação e subaproveitamento das infraestruturas construídas crescerão na mesma proporção. Se isto não é um crime político o que será?


Grave, ainda, é o facto das piscinas, quando bem construídas e bem geridas, no mínimo, não darem prejuízo. Conheço muitos exemplos, mesmo em tempo de crise económica e financeira. A natação é das poucas modalidades desportivas que sempre garantiram um retorno. Pode não ser lucrativa, mas prejuízo não dá. Mas para que isso aconteça há uma questão básica para além das preocupações no decorrer da construção: a capacidade de gestão. Esse é um factor essencial, mesmo no caso do Porto Santo onde existem limitações muito significativas, desde o número de residentes à disponibilidade financeira da população face a uma despesa não prioritária. Só que o secretário da Educação nada sabe sobre esta matéria. Em uma escala de 0 a 10 coloco-o no zero! E quando estas situações estão a acontecer, que impossibilitam milhares de alunos de toda a Região (algumas centenas no Porto Santo) de terem acesso, no plano educativo, a uma infraestrutura desportiva, o político Jaime Freitas, ainda ontem, deslocou-se à Calheta (Madeira) para "ajudar" a apresentar e apoiar a "Rampa do Paúl" no quadro do "fenómeno desportivo" madeirense. Uma rampa que coloca na estrada algumas (poucas) dezenas e uma legião de espectadores! Por isso, ainda não percebi o que é que ele entende por "fenómeno desportivo", pois não há sítio onde vá que não aplique tal designação. 
Sobre o Porto Santo (cujos problemas não se circunscrevem à piscina) ao longo do dia não disse nem uma palavra. Ali não existe "fenómeno desportivo" algum! Parafraseando uma expressão pejorativa bem conhecida, eu diria que quando não se sabe até as piscinas atrapalham...
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 25 de outubro de 2014

A REGIÃO DA MADEIRA NA ONDA DOS INTERESSES


Duas notas:
Jaime Ramos candidato! Como dizem os brasileiros... só contaram p'ra você. Um candidato que não quer ser candidato a presidente do governo. Espantoso? Não, não tem nada de especial. Trata-se de uma necessidade em função, por um lado, da pressão dos interesses externos, onde muitos que comem à mesa do orçamento precisam de alguém que os alimente. E o exercício da política, sabe-se pela práxis de muitos anos, está cheio de estrategos que falam do povo, todavia, esse povo não passa de um mero instrumento nas suas mãos. Por outro, não menos importante, é a divisão interna claramente combinada. Quando perguntam a Alberto João Jardim sobre a candidatura de Jaime Ramos, e ele, mostrando-se "surpreendido", responde: “(...) Por acaso surpreendeu. Eu pensava que ele estava a brincar". Ora, na política o que parece é! Jardim deixou, como soe dizer-se, o rabo de fora. Jaime faz assim parte de um xadrez político que conjuga interesses internos com outros externos, ambos extremamente poderosos. O futuro esclarecerá.

A outra nota que quero aqui destacar tem a ver com a proposta de revisão constitucional e os respectivos tiros de pólvora seca de Jardim. Disse: “(...) É possível caminhos de esperança. É possível renovar o 25 de Abril, 40 anos depois.” Pergunto: De que caminhos de esperança fala quando deixa Madeira com perda quase total de Autonomia, uma dívida impagável, várias gerações com o futuro hipotecado, mais de 30% de pobres, um tecido empresarial encostado à parede, uma Educação sem norte, etc.! De que esperança fala este homem que se atreve a falar do 25 de Abril, mas não o comemora? Que umas vezes "dá foguetes" no dia 24 e em outros momentos empurra a data para o dia 26? Às vezes, não querendo ser malcriado, nem ofensivo, apetece-me dizer: e se fosse dar banho ao cão? Fala de "colonialistas", quando os temos na Madeira contra os próprios madeirenses.
Ilustração: Google Imagens. 

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

CONFORMISMO OU LUTA POLÍTICA?


Quarenta anos de extenuante luta de toda a oposição, chega-se ao momento do corte radical com o passado, o momento de mudar de orientação política, olho em redor e vejo toda a oposição conformada. Assisto a um PSD-M completamente esfrangalhado, com seis candidaturas em luta pelo poder interno, destilando ódios acumulados, um presidente do governo exausto e politicamente de rastos, que já não diz coisa com coisa, olho em redor e vejo toda a oposição conformada. Assisto à publicitação de um programa de um candidato, programa que está muito para além de uma mera liderança interna, que aposta já nas linhas estratégicas do desenvolvimento para a Madeira e Porto Santo e olho em redor e vejo toda a oposição conformada.


Posso, eventualmente, não estar a perceber os motivos de um certo silêncio quando, na lógica do comportamento político, este seria tempo de contraponto aberto e propositivo. Se existe trabalho de bastidores entre as diversas oposições, se existe ou não um qualquer plano estratégico concertado, se existe, repito, ele mantém-se para além da cortina e, portanto, indecifrável. O que é sensível é a presença diária do PSD, dos candidatos envolvidos com o jardinismo até ao pescoço, mas que agora renegam-no, com a maior desfaçatez, como se nunca tivessem nada a ver com aquilo! 
Ora, esta ausência de uma oposição consistente face a um momento de uma desejável mudança política, pode significar que o jardinismo ou os filhos do jardinismo voltem a ganhar mais três ou quatro legislaturas. É que isto já não vai com alguns outdoors, espalhados pela Região, chamando à atenção para alguns aspectos. A população deseja, certamente, saber das pessoas em quem possam depositar com convicção o seu voto, querem programas e desejam credibilidade. Por isso, como oposicionista ao jardinismo, lamento o sensível conformismo, quando cada vez se torna mais provável a realização de eleições antecipadas daqui por cinco ou seis meses!
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

OS QUE AINDA VÃO NASCER QUE PAGUEM AS OPÇÕES TRESLOUCADAS DO GOVERNO REGIONAL


O DIÁRIO colocou em título: “Governo adia calotes até ao ano 2034”. O secretário Ventura Garcês reagiu: “(...) Ou terá de ser apenas a geração actual a pagar todas as infra-estruturas que ficam para as gerações vindouras? (...)". Falou, portanto, de "custos inter-geracionais relativamente aos pagamentos de 68 empreitadas e de pelo menos cinco acordos de regularização de dívidas a empresas de construção. Espantoso! Eu, tal como a esmagadora maioria dos madeirenses e portosantenses, que nunca deu um passo superior à perna, questiono de forma muito simples e directa: o Dr. Ventura Garcês, na sua vida familiar, fez alguma vez investimentos para serem suportados pelos filhos, netos e bisnetos? 


Mas que argumento esse, de responsabilizar quem nada teve a ver com as opções tresloucadas de hoje? Senhor Dr. Ventura Garcês, a questão central designa-se por PLANEAMENTO. E esse planeamento deveria ter envolvido vários princípios do DESENVOLVIMENTO. Enumero, alguns: o princípio da prioridade estrutural, da transformação graduada, do equilíbrio, da integração, da coerência, da participação, da globalidade e da optimização dos meios, entre outros. E cada um destes princípios tem um conceito que não cabe aqui explanar. E sabe o Dr. Ventura Garcês quais as vantagens que justificam a existência do planeamento? Vou, humildemente, dizer-lhe algumas: exactamente para ter um controlo sobre o futuro, ter capacidade para diagnosticar as situações, uma visão de conjunto sobre os problemas, a detecção antecipada dos problemas, a intervenção na causa dos problemas, evitar situações isoladas e desarticuladas, a determinação das prioridades,a obrigatoriedade de trabalhar por objectivos, a integração das políticas sectoriais nas políticas gerais e a coordenação da gestão corrente.
Percebeu, Senhor Secretário? Aprendi isto na Faculdade já tem muitos anos!
O que se passou foi que o planeamento não existiu no tempo das "vacas gordas". "Planeavam" no adro das igrejas à saída das Missas, porque o que contava era a eleição seguinte e não a geração seguinte. O Senhor sabe que foi e é assim. Portanto, a sua atitude de atirar para os vindouros, para os que ainda não nasceram, a irresponsabilidade política dos sucessivos governos PSD, que têm origem no século passado, é, no mínimo, abusiva e, politicamente, escandalosa.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

AINDA O PORTO DO FUNCHAL


Há dias em que uma pessoa sente a gravidade dos problemas com maior intensidade. Revolta, gera repulsa e até apetece dar um par de estalos em certos políticos de trazer por casa. Desculpem os leitores a minha franqueza e espontaneidade, há políticos que metem nojo, pela permanente aldrabice discursiva, pela atitude de quero, posso e mando, pela sobranceria que apresentam, pelo dislate, pelos seus comportamentos que vomitam ódio a todos quantos de forma fundamentada chamam à atenção com os argumentos do conhecimento. E isto porquê? Ao invés do prolongamento do cais (Pontinha) preferiram, contra tudo e todos, fazer um novo cais que agora se revela problemático. Uma vez mais esconderam o conhecimento que já possuíam, admitindo agora prolongar a Pontinha mais 500 metros, como forma de protecção do cais junto à Avenida do Mar. Serão, contas por alto, mais de 40 milhões. Um encargo que custará milhões aos falidos cofres da Região, se considerarmos que a nova obra poderá beneficiar de uma comparticipação europeia. 


E ninguém é responsabilizado e ninguém é julgado! Pegam no dinheiro dos contribuintes e utilizam-no como se deles fosse. Disse Alberto João Jardim no dia 17 Fevereiro de 2011: "(...) O projecto anunciado para a zona do aterro é mesmo para avançar, grite quem gritar". Era a resposta a Raimundo Quintal que, no dia anterior, lembrava que parece que "o mar é facilmente moldável pela vontade do Governo Regional, que o Governo Regional é o escultor que molda o mar como se molda o barro". Tem sido assim em tanta obra, por incúria e por irresponsabilidade. 
O artigo de opinião do Dr. Miguel de Sousa, hoje publicado no DN-Madeira, de certa forma explica a engrenagem. Não trás nada de novo, é certo, porque a própria oposição tem denunciado os esquemas maquiavélicos, mas tem o condão da palavra sair de dentro, do bunker das hostes social-democratas. Esta gente tem de ser corrida da cena política, dando lugar a uma nova geração de políticos que coloque as pessoas no centro das decisões. Simplesmente porque tudo isto é mau de mais.
Ilustração: Google Imagens.  

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

GOVERNO APROVA ALIENAÇÃO DAS ACÇÕES DAS SAD. SÓ AGORA? UM ASSUNTO PROPOSTO EM 2007!


Agora "choram baba e ranho", andam todos aflitos, alguns com responsabilidades na hierarquia política a saltarem do navio e dirigentes do desporto que foram empurrados para a megalomania, que hoje começam a ver os seus nomes manchados, inclusive, no Banco de Portugal. Gente que esteve de boa fé e que, agora, sente que ninguém os protege. Uma vergonha! Mas nada do que está a acontecer não foi por falta de avisos. Desde os primórdios dos anos 80 que o financiamento ao desporto, em geral, e, mais tarde, a criação das Sociedade Anónimas Desportivas, foi motivo de algumas reflexões e aconselhamento sobre os erros que estavam a ser cometidos. Na Assembleia Legislativa, entre 1996 e 2000 este assunto foi exaustivamente tratado sem qualquer sucesso. A maioria PSD encarregou-se de chumbar todas as propostas. Mais tarde, entre 2007 e 2011, o mesmo aconteceu. Portanto, a decisão agora tomada de alienação das participações no capital social das SAD's, só peca por tardia. Em 2007, o grupo parlamentar do PS propôs dois anos de adaptação a um novo regime que entraria em vigor em 2009/2010. O projecto em causa foi chumbado. Em 2010 o grupo parlamentar voltou a equacionar o problema, projetando a alienação de tais participações até 31 de Dezembro de 2012. Foi preciso o Ministério das Finanças impor. Já não paciência para aturar tanta arrogância de um partido e de um homem! Ficam aqui os artigos dos diplomas apresentados e chumbados.


Projecto apresentado em 2007
Artigo 52.o
Objecto
1. (...)
2. (...)
3. Os clubes desportivos participantes em competições desportivas de natureza profissional ou com praticantes que exerçam a actividade desportiva como profissão exclusiva ou principal, sujeitas ao regime jurídico contratual, não podem beneficiar, nesse âmbito, de apoios ou comparticipações financeiras por parte da Região e das autarquias locais, sob qualquer forma, salvo no tocante à construção de infra-estruturas ou equipamentos desportivos e respectiva manutenção, reconhecidas pelo membro do governo responsável pela área do desporto.
3. No âmbito da aplicação do número anterior, considerando-se a necessidade de um período de adaptação ao novo regime, estipula-se a época desportiva de 2009-2010 para a entrada em vigor do número anterior.
a) No cumprimento do número anterior, o governo regional alienará as suas participações nas Sociedades Anónimas Desportivas.

Projecto apresentado em 2010
Artigo 47.o
Sociedades desportivas
1. São sociedades desportivas as pessoas colectivas de direito privado, constituídas sob a forma de sociedade anónima, cujo objecto é a participação em competições desportivas, a promoção e organização de espectáculos desportivos e o fomento ou desenvolvimento de actividades relacionadas com a prática desportiva profissionalizada no âmbito de uma modalidade, nos termos da lei.
2. O governo regional alienará as participações sociais que a Região Autónoma da Madeira detém nas Sociedades Anónimas Desportivas até 31 de Dezembro de 2012. 
Ilustração: Google Imagens

terça-feira, 14 de outubro de 2014

QUATRO ANOS PERDIDOS NO SISTEMA EDUCATIVO


Com ironia sublinho que estranhei, desta vez, que os dois presidentes do Marítimo e do Nacional não tivessem sido convidados para a efeméride. Prevaleu o bom senso da direcção da Escola Básica e Secundária Bispo D. Manuel Ferreira Cabral, ao contrário do que aconteceu em idêntica cerimónia na Escola Francisco Franco. Completamente a despropósito, fosse porque motivo fosse, fosse qual fosse a justificação, considero ininteligível uma escola convidar dois presidentes de clubes do futebol profissional da Madeira para o aniversário de uma escola. Naquele dia onde se celebra mais um ano da instituição, todas as iniciativas devem estar voltadas para a comunidade escolar. Trata-se de um dia especial, durante o qual a cerimónia solene tem de assumir uma qualidade irrepreensível, ao nível da intervenção, através de uma oração de sapiência. É o dia de distinguir professores, alunos, funcionários, pais e colaboradores. Nunca "o dia" do futebol profissional!


Entretanto, em Santana, o secretário Jaime Freitas lá foi para nada dizer, ou melhor, dizer coisas que só ele sabe o significado e intenção. Por exemplo: "(...) a escola enquanto organização pensante, tem que se pensar e projectar-se a si própria, e tem que pensar que novas respostas e novas funções pode assumir na comunidade onde se insere". Sinceramente, não entendo o que ele quer dizer com isto, quando toda a liberdade está coarctada, a iniciativa diminuída e o "Regime de Autonomia, Gestão e Administração" é hoje uma caricatura. A Escola sobre a qual tem responsabilidades regionais, não dispõe de meios, está bloqueada por uma infernal papelada burocrática que não permite que alguém pense. Há estudos que provam que mais de 90% do tempo dos gestores de uma escola destina-se a resolver o imediato, o tido como urgente, as reuniões obrigatórias, ficando uma percentagem mínima para pensar o futuro. E veio o secretário falar de uma escola "pensante". Só pode estar a brincar, a dizer generalidades ou, pura e simplesmente não sabe o que está a proferir. Basta ter presente uma das suas declarações: "(...) o alargamento dos seus públicos, a procura de novas respostas, é também um desafio que se põe às escolas dos nossos dias". Diz isto da boca para fora como se as direcções executivas tivessem alguma margem de manobra, inclusive, financeira, para entrar em domínios que lhes estão vedados por múltiplas razões. E ele sabe que é assim, porque até fugindo-lhe a língua para a verdade, complementou: "(...) o desafio colocado às escolas não é "alargar por alargar, mas um alargar criterioso". Isto é, não alarguem muito, vão ali até à esquina e regressem, façam alguma coisita, mas cuidado, lembrem-se que não temos orçamento, lembrem-se que devemos milhões aos fornecedores e lembrem-se que outros milhões são para entregar àqueles senhores do futebol profissional que estiveram na Francisco Franco! E por aqui fico. Já não há paciência.
Ilustração: Google Imagens.