segunda-feira, 28 de maio de 2012

MOÇÃO DE CENSURA: OU ASSUME OU DEMONSTRA QUE É UM FRACO


Mas também pode comparecer e, ao primeiro sinal de uma oposição frontal e contundente, assumir que não há condições e pôr-se pela porta fora. É uma possibilidade. Aliás, a vergonhosa e desprestigiante decisão de colocar polícias por interior e no exterior da Assembleia pode, eventualmente, ter esse significado. Não excluo que a Brigada de Intervenção Rápida da PSP não esteja em prontidão, não vá a coisa descambar como aconteceu com a vaia no Estádio dos Barreiros ou no hemiciclo entre os próprios deputados.  E pode acontecer uma outra hipótese, pela ausência do presidente do governo, toda a oposição abandonar o hemiciclo com ou sem retirada da Moção de Censura, uma vez que o principal responsável pelo governo não está presente. Finalmente, entre muitas outras, o "chefe" pode argumentar uma urgente reunião em Bruxelas... São hipóteses e divagações da minha parte.

Pode acontecer que a cadeira fique vazia!
Amanhã, no Parlamento da Madeira, debater-se-á a Moção de Censura ao governo regional. A grande questão é a de saber se o presidente do governo marcará ou não presença. Em todas as Moções de Censura anteriores nunca se dignou responder perante o órgão de governo próprio de quem depende. Normalmente manda para lá um secretário que se encarrega, durante uma manhã, de fazer uma série de números de circo em defesa do presidente enclausurado na "quinta". Mas, desta vez, penso que tocará fininho, pois toda a oposição, com as suas diferenças, está apostada em colocar o presidente perante factos e determinar as respostas que eventualmente tem para o futuro imediato. Mesmo com um "regimento" de debate elaborado e aprovado pelo PSD (coisa que arrepia qualquer democrata), onde o presidente dispõe de tempo ilimitado para o encerramento do debate, estou convencido que ele não comparecerá. Ele está num dilema: se marcar presença será "bombardeado" como nunca aconteceu pois o rol de casos é tão grande que, por aproximação ao boxe, funcionará como um saco. Neste caso tem que possuir argumentos suficientes e capacidade para justificar as suas políticas, distante de falácias como a maçonaria, o Sócrates, o lóbi gay e o governo da República, entre outras; se fugir demonstrará fraqueza, incapacidade, medo de ser confrontado, culpas no cartório, desrespeito pela Assembleia, enfim, cobardia política. É neste dilema que se encontra. 
Bom, mas também não é de excluir que decida comparecer e, ao primeiro sinal de uma oposição frontal e contundente, assumir que não há condições e pôr-se pela porta fora. É uma possibilidade. Aliás, a vergonhosa e desprestigiante decisão de colocar polícias no interior e no exterior da Assembleia pode, eventualmente, ter esse significado. Não excluo que a Brigada de Intervenção Rápida da PSP (BIR) não esteja em prontidão, não vá a coisa descambar como aconteceu com a vaia no Estádio dos Barreiros ou no hemiciclo entre os próprios deputados. E pode acontecer uma outra hipótese, pela ausência do presidente do governo, toda a oposição abandonar o hemiciclo com ou sem a retirada da Moção de Censura, uma vez que o principal responsável pelo governo não está presente. Finalmente, entre muitas outras, o "chefe" pode argumentar uma urgente reunião em Bruxelas... São hipóteses e divagações da minha parte.
Agora, de uma coisa estou certo, é que este é um momento determinante, pois esta Moção de Censura constituirá um marco e poderá vir a determinar, a prazo não muito longo, a demissão do presidente, não apenas pelo efeito da pressão dos deputados na Assembleia, mas também pela sucessiva degradação das condições de vida do povo e pelo "saco de gatos" que é hoje a vida interna do PSD-Madeira, partido extremamente dividido, onde a par de subliminares críticas públicas, abertas e frontais, outras existirem, silenciosas mas mortíferas. Certo também estou que o silêncio do Presidente da República começa a ser politicamente interpretado como cúmplice do que aqui se passa.
Amanhã, logo se verá.
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Posso estar enganado, mas não vejo que Jardim tenha alguma coisa a ganhar com a comparência. A menos que a cegueira e o pavor o levem a ir à ALR só para despejar uma carrada de insultos e impropérios.
O que, diga-se em abono da verdade, só será vantajoso para as oposições...

João André Escórcio disse...

Caríssimo,
Parece estar confirmada a sua ausência. O problema de tudo isto é a ausência de sentido crítico da nossa população. Politicamente há uma espécie de coma profundo, e uma sociedade não tem quaisquer hipóteses de sobrevivência e de desenvolvimento.
Sabe, há um ditado julgo que chileno que diz: "povo pequeno, problema grande". Esta palavra "pequeno" tem muito que se lhe diga!