terça-feira, 29 de maio de 2012

PRIMEIRA VITÓRIA: JARDIM JÁ ERA!


Um povo claramente espoliado pelo PSD/CDS ao nível nacional, um povo que, na Madeira, tem um governo PSD que o arruinou, pergunto, como pode ainda conceder 43,9% de intenções de voto àqueles que o encostaram à parede, a um partido que colocou 22.000 no desemprego e que lançou a fome entre milhares de famílias? Como é possível, questionará qualquer pessoa minimamente atenta ao que por aqui se passa. Será que este povo está a ser verdadeiro ou as intenções de voto espelham outros sentimentos como, por exemplo, o de medo? Uma coisa parece-me certa: é que JARDIM JÁ ERA!  

Acabou o Carnaval!
Parafraseando o filme "Canção de Lisboa", onde Vasco Santana, com humor, diz "chapéus há muitos" eu também diria, no caso da sondagem hoje publicada que "sondagens há muitas". Não estou com isto a colocar em causa o rigor dos números apresentados, mas a minha dúvida sobre a verdadeira intenção do povo. Ora, um povo claramente espoliado pelo PSD/CDS ao nível nacional, um povo que, na Madeira, tem um governo PSD que o arruinou, pergunto, como pode ainda conceder 43,9% de intenções de voto àqueles que o encostaram à parede, a um partido que colocou 22.000 no desemprego e que lançou a fome entre milhares de famílias? Como é possível, questionará qualquer pessoa minimamente atenta ao que por aqui se passa. Será que este povo está a ser verdadeiro ou as intenções de voto espelham outros sentimentos como, por exemplo, o de medo? Se está a ser verdadeiro, é evidente que se conhecem as causas daquele posicionamento. Provém da incultura e do analfabetismo político, de uma Igreja que não quer tocar nas feridas (Jornal da Madeira, por exemplo), do controlo de todo o associativismo, da acção directa de uma legião de peões com os seus pequenos e grandes interesses. Se não está a ser verdadeiro, mesmo considerando as ditas fragilidades, a história é outra, logo se verá num próximo acto eleitoral. Aí, no acto solitário da opção, daquela cruzinha pessoal inscrita no boletim de voto, obter-se-á a verdadeira consciência política. No entanto, para toda a Madeira, independentemente dos resultados desta sondagem publicada pelo DN-Madeira, pode-se para já concluir que esta maioria do PSD está em queda ao perder a maioria na Assembleia Legislativa da Madeira. Na projecção dos resultados perderia três deputados aos actuais 25. 
Quanto ao sentido de voto no CDS/PP, sinceramente, não o valorizo em demasia. É minha opinião, que valerá o que vale, que o crescimento de um deputado parece-me muito frágil. Também logo se verá. Aos poucos, os mesmos que terão dito, agora, que votariam na direita, perceberão que não existe diferença ideológica entre o PSD e o CDS assenta em pequenos detalhes e que a Madeira precisa de uma ruptura com este passado e presente de tragédia. Eu diria que, na Madeira, já basta de 84 anos de conjuntura política situada no domínio da direita política. Com as diferenças substanciais entre uma ditadura feroz e uma roupagem democrática, onde a perseguição é, agora, subtilmente "científica", a verdade é que Salazar esteve 48 anos e Jardim já está há 36. É tempo da Região procurar uma alternativa fora daquele quadro político e não o digo por uma questão de posicionamento político pessoal, afirmo-o a partir da minha leitura europeia (e não só) cujas políticas de direita conduziram ao estado em que todo o velho continente se encontra. Estamos face ao maior ataque contra as pessoas e contra os seus direitos. Inquestionável.
Seja como for penso ser extemporâneo um certo cantar de galo, alguns se sentirem na crista da onda, pois mais sensato será aguardar pelas autárquicas. Uma coisa parece-me certa: é que JARDIM JÁ ERA!  
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Afinal as coisas começam visivelmente a mudar. A atitude tomada há horas pelos deputados das oposições mostra, finalmente, grande dignidade e firmeza. Algo que há muito lhe ando a sugerir aqui neste seu blogue.
Quanto a Jardim ele "Já era" desde o momento em que lhe viram o buraco (honni soit qui mal y pense...). Daí para a frente, o que ele diz e (não) faz é apenas um acelerar para o abismo.

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
A compaginação da sondagem com a atitude da oposição face à Moção de Censura, começa a clarificar muita coisa. Mas levará o seu tempo.