sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

ALUNOS UNIVERSITÁRIOS DESPEM-SE PARA AJUDAR ALUNOS CARENCIADOS


Ao ponto que isto chegou! A necessidade de alunos da Universidade do Minho (entretanto parece que, rapidamente, a iniciativa se espalhou por todo o país), deixarem-se fotografar em nu discreto, a fim de produzirem calendários que visam angariar fundos para atenuar as dificuldades financeiras dos colegas. Não tenho qualquer preconceito relativamente à iniciativa. O nu pode ser artístico e, portanto, de acordo com o que vi, a qualidade supera aquilo que poderia ser considerado uma mera irreverência dos jovens. O que me preocupa é uma outra coisa: é o que a Constituição da República sublinha e aquilo que o governo faz.


Artigo 73.º
Educação, cultura e ciência
1. Todos têm direito à educação e à cultura.
2. O Estado promove a democratização da educação e as demais condições para que a educação, realizada através da escola e de outros meios formativos, contribua para a igualdade de oportunidades, a superação das desigualdades económicas, sociais e culturais, o desenvolvimento da personalidade e do espírito de tolerância, de compreensão mútua, de solidariedade e de responsabilidade, para o progresso social e para a participação democrática na vida colectiva.
O que o governo faz é exactamente o contrário. Alinha no Processo Bolonha, reduzindo as Licenciaturas para três anos (por um lado, desresponsabiliza-se do financiamento, por outro, ajuda ao pensamento único), aplica uma propina anual aos estudantes, a qual ultrapassa os € 1.000,00, reduz os apoios da Acção Social e explora os Mestrados com propinas absolutamente disparatadas. Pelo meio cresce o financiamento aos privados e reduzem, substancialmente, as verbas para a investigação científica. 
Tenho um Amigo de provecta idade que, ainda ontem, me dizia no meio da nossa longa cavaqueira: apetece-me dizer-lhes tudo terminando em "uta". De facto, ao ponto a que isto chegou. Na Educação é assim e, na Saúde, decorre um banco farmacêutico para recolha de medicamentos visando a entrega em instituições de solidariedade social. Um governo "uta", cuja caracterização máxima está na declaração da ministra das Finanças: "Não se pode ter tudo"! Já agora uma sugestão: que todos os membros do governo se dispam. Homens e mulheres. O problema, certamente, é que ninguém comprará os calendários.
Ilustração: Google Imagens.

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