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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

CONGRESSO DO MPLA E A CHOCANTE HIPOCRISIA POLÍTICA


Sei de tantas empresas portuguesas que labutam em Angola. E sei de quantos portugueses emigraram e por lá andam sobrevivendo, muitos com salários em atraso. Sei, também, que nas relações entre Estados Soberanos todo o cuidado é pouco em função de retaliações e olhares desconformes. Tudo isto implica cautelas e bom senso em função de interesses muito complexos. Mas, confesso, choca-me a hipocrisia política. E porquê?


Não apenas pelos ataques sistemáticos da comunicação social angolana a Portugal (quem os faz ou manda publicar), mas pela substancial diferença ideológica da generalidade dos partidos políticos portugueses relativamente ao que se passa em Angola. Um país potencialmente riquíssimo, o segundo maior produtor de petróleo de África, porém com a mais alta taxa de mortalidade infantil do mundo abaixo dos 5 anos. Um país onde uns fazem fortunas quase incalculáveis (a filha do presidente Eduardo dos Santos é um exemplo), mas onde a pobreza tornou-se paisagem. Um país de conhecida corrupção. Um país onde se esmaga a livre opinião, prende-se e pune-se por ser opositor. Apesar desta amostra do pano, com distinta lata, os seus dignitários políticos apresentaram na moção estratégica enunciando princípios como: reforçar a Democracia; assegurar a inclusão política de todos os cidadãos, sem discriminações; edificar um Estado Democrático e de Direito, forte, moderno, coordenador e regulador da vida económica e social; promover o desenvolvimento humano e a qualidade de vida dos Angolanos com a erradicação da fome e da pobreza extrema; incentivar a criação de emprego remunerador e produtivo, elevando a qualificação e a produtividade. Só lendo...
É neste contexto hipócrita que os partidos políticos portugueses, à excepção do BE (li que não foi convidado), voaram rumo a Angola para "celebrarem" a vitória de Eduardo dos Santos. Ao ponto do representante do CDS/PP Hélder Amaral não ter feito por menos: o CDS tem "muitos mais pontos em comum" com MPLA. E o que dizer da hipocrisia suprema de Paulo Portas que, julgava eu, estava para o MPLA como CDS, em Portugal, estava para o PCP?
Abomino este tipo de política.
Ilustração: Google Imagens.

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