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sábado, 3 de outubro de 2015

REFLECTIR O QUÊ? TALVEZ SE JUSTIFIQUE UMA REFLEXÃO SOBRE O PRESIDENTE DA REPÚBLICA!


O Professor Doutor Cavaco Silva, passados quase dez anos, ainda não se apercebeu que já tomou posse do cargo de Presidente da República. E que tem um mandato maioritário do povo português. Em nome do Estado, os seus assessores deveriam sensibilizá-lo para as suas responsabilidades. 



Faltar às comemorações do 05 de Outubro, segundo um comunicado, tendo por base a justificação que precisa de "se concentrar na reflexão sobre as decisões que terá de tomar nos próximos dias", constitui uma atitude própria de quem não está bem (politicamente) e que precisa de ajuda. Que assim seja, em nome da solidariedade, da tolerância, da compreensão, avisem-no, nem que seja através de um desenho, que o 05 de Outubro é o DIA DA IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA. E que ele representa a República. Se não gosta, sugira uma alteração Constitucional que venha a possibilitar um referendo entre a República e a Monarquia. Argumentar com essa treta de uma hipotética reflexão sobre as decisões a tomar decorrentes do acto eleitoral de amanhã, parece-me incompreensível e desprezível. Trata-se de uma grosseira mentira, pois há muito que de Belém se conhecem os vários cenários possíveis.
Ou será que o Presidente não precisa de qualquer chamada de atenção, apenas tem MEDO de se apresentar na Praça do Município e, eventualmente, ser visado pelo Povo que costuma encher a Praça? Como se o Povo não soubesse respeitar as instituições... Seja como for nem a terminar o mandato tem um pingo de respeito por quem o elegeu e no quadro Constitucional em que foi eleito. 
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 6 de outubro de 2012

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA CHOROU SOBRE O LEITE DERRAMADO


Nos seus mandatos, recordo por não ser de somenos importância, nomeou cinco ministros da Educação (João de Deus Pinheiro, Roberto Carneiro, Diamantino Durão, Couto dos Santos e Manuela Ferreira Leite), provocando, assim, uma grande instabilidade na política educativa. Nunca tivemos um período tão conturbado, à excepção de algum trabalho meritório do ministro Roberto Carneiro. Se há vinte e sete anos o Presidente tivesse lançado, em todas as variáveis, as bases de um sistema inteligente, articulado, sistémico e portador de futuro, hoje, Portugal estaria a colher os frutos do investimento. Por isso, entendo as palavras do Presidente como de circunstância, de má consciência, de choro sobre o leite derramado, até de arrependimento pelo que não soube fazer. As palavras ditas ficam bem mas não resolvem o drama global da qualificação deficitária e das oportunidades que devem ser criadas aos jovens e que ele, no período crucial da nossa recente história não soube desenhar. O Presidente parece que se esqueceu que a Escola está a jusante e que os professores não podem ser remediadores sociais.
 
 
O sistema educativo está como a bandeira!
Não só as políticas educativas,
mas uma grande parte de todas as outras.
O Senhor Presidente da República já nos habituou a um tipo de discurso que nem adianta nem atrasa. Fala do conhecido e do óbvio para mais tarde vir dizer... "eu avisei". O problema é que aparecem, de imediato, os políticos de serviço a elogiarem a sua prestação discursiva, não a comentarem com frontalidade as palavras ditas, mas a dizerem qualquer coisa no quadro daquilo que se convencionou designar por atitude politicamente correcta. 
Interrogar-se sobre o que ele disse, fazer um apelo à memória, ir ao baú das suas responsabilidades, ao porquê das situações, enfim, como diz o povo, "tá quieto". Poucos se metem por aí, talvez porque se trata do Senhor Presidente da República. Ora, uma coisa é o respeito institucional pela primeira figura do País, outra, com elevação e delicadeza, o comentário, até porque não pode nem deve estar imune à observação e escrutínio das atitudes e das palavras ditas. A sua intervenção de ontem tem muito que se lhe diga. Li-a e lamento-a. Simplesmente porque, sendo o dia 5 de Outubro, para além de uma data comemorativa da implantação da República, Dia do Professor, o Presidente entendeu dirigir-se aos professores, à Escola e aos jovens. Até aí, tudo bem! Só que procurou um tema cujo seu activo político tem muito a ver com o desastre em que o sistema educativo está mergulhado. Não esqueço e, por isso, lamento, que o Presidente toque num assunto face ao qual, aquando da sua passagem pela liderança do governo, pois foi primeiro-ministro durante dez anos, não assumiu as preocupações ontem enunciadas. Nos seus mandatos, recordo por não ser de somenos importância, nomeou cinco ministros da Educação (João de Deus Pinheiro, Roberto Carneiro, Diamantino Durão, Couto dos Santos e Manuela Ferreira Leite), provocando, assim, uma grande instabilidade na política educativa. Nunca tivemos um período tão conturbado, à excepção de algum trabalho meritório do ministro Roberto Carneiro. Se há vinte e sete anos o Presidente tivesse lançado, em todas as variáveis, as bases de um sistema inteligente, articulado, sistémico e portador de futuro, hoje, Portugal estaria a colher os frutos do investimento. Por isso, entendo as palavras do Presidente como de circunstância, de má consciência, de choro sobre o leite derramado, até de arrependimento pelo que não soube fazer e pela falta de visão que demonstrou. A mesma ausência de um sentido prospectivo se fez sentir na política do mar e na política da agricultura. Hoje manda o País olhar para a riqueza do mar, mas foi no seu tempo que a nossa frota pesqueira levou um rude golpe! E quem não se lembra do abandono dos campos produtivos!
Ora, as palavras ontem ditas sobre o problema da Educação ficam bem mas não resolvem o drama global da qualificação deficitária e das oportunidades que devem ser criadas aos jovens e que ele, repito, no período crucial da nossa recente história não soube desenhar. O Presidente parece que se esqueceu que a Escola está a jusante e que os professores não podem ser remediadores sociais. E são. A Escola está, neste momento, desvirtuada da sua missão e os professores mandados porta fora, como se não fossem necessários no combate ao défice de conhecimento. O presidente esquece-se que o "produto" (o aluno), que chega à escola reflecte não só a ausência de políticas de família sérias e justas, mas também a desregulação do mundo laboral. Concomitantemente, esquece-se que não compete aos professores resolverem o problema da rede escolar, a arquitectura dos currículos e o desnorte programático. E se há, hoje, indicadores muito graves ao nível das taxas de abandono, insucesso e graves lacunas na formação profissional, tal fica a dever-se a muitos anos de desinvestimento na educação e de uma tentação governativa pela não descentralização do processo educativo, antes concentrando, através de exigências burocráticas, todo o País num só edifício, em Lisboa . Salvam-se, obviamente, muitos e bons estudantes que, entretanto, têm de procurar lá fora, a convite do governo (emigrem!) aquilo que o País não consegue aproveitar para o seu desenvolvimento. Em suma, quando o Presidente diz que “todos somos chamados a refletir sobre a escola que queremos”, tal reflexão discursiva deveria tê-la tido há quase trinta anos. Hoje estaríamos bem melhores. Mas vamos sempre a tempo, porque o futuro não termina amanhã! Porém, enquanto cidadão, não posso aceitar que o Presidente faça abordagens como se todo o povo tivesse memória curta.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

OH RES PÚBLICA, POR ONDE ANDARÁS?



Ao desvirtuar os seus princípios orientadores, a “coisa pública” passou a ser a propriedade de alguns, pelo que o ideal republicano, o bem comum morre aos pedaços. Hoje estamos entregues a vários directórios internacionais que determinam a formação académica, o que comer, o que vestir e até em quem votar. Veja-se o caso dessa organização Bilderberg, de contornos secretos, onde cento e trinta políticos determinam quem ocupa os lugares de relevo, no fundo, quem na lista dos subservientes, está em condições de obedecer às lógicas de um poder que corresponda à vontade dos senhores do mundo.

Vivemos tempos de turbulência e de conflito entre o Norte e o Sul, entre o interior e o litoral, entre o global e o local e, para esta configuração, nascida do desvirtuamento do exercício político, a República precisava de Homens e Mulheres com capacidade de restaurar a credibilidade, o ser antes do ter e, no essencial, a Democracia. Ao desvirtuar os seus princípios orientadores, a “coisa pública” passou a ser a propriedade de alguns, pelo que o ideal republicano, o bem comum morre aos pedaços. Hoje estamos entregues a vários directórios internacionais que determinam a formação académica, o que comer, o que vestir e até em quem votar. Veja-se o caso dessa organização Bilderberg, de contornos secretos, onde cento e trinta políticos determinam quem ocupa os lugares de relevo, no fundo, quem na lista dos subservientes, está em condições de obedecer às lógicas de um poder que corresponda à vontade dos senhores do mundo. Os líderes deixaram de ser os mais capazes, mas quem interessa em um determinado momento. Numa lógica destas, a praxis desta República só pode coexistir na mentira, na farsa, na fraude, na corrupção, na morte dos valores, na traição aos direitos, na asfixia da diversidade em função de uma teórica coesão. E todos somos enganados no menu vistoso da oferta e das oportunidades, todavia, sabe-se que o menu está envenenado. Aplaudimos a oferta sem que nos apercebamos da engrenagem que por detrás dela se esconde.
Na República pela qual me guio, o Homem não constrói a arma da sua destruição social, antes preocupa-se com os princípios éticos, com a pobreza, a fome, o desemprego, as assimetrias, as fortunas mal explicadas, em um combate pela incultura como terreno fofo para a sementeira de tudo quanto agride o próprio Homem. A República não é sinónima de ausência de humanismo, de fraternidade e de igualdade e não pode ser confundida com liberalismo. Pelo contrário, assume o contraponto e reage a uma sociedade sustentada no princípio de “nada mais certo no futuro que o emprego incerto”. Os princípios republicanos não assentam nessa perversidade dos ombros políticos que se encolhem perante a violência de uma sociedade onde se apregoam mais direitos do que justiça.A República não está esgotada em contraponto a outros regimes. Ela, mais do que nunca, precisa é de mais Povo, do afastamento dos actuais líderes e mentores da desgraça global e local, precisa de Homens e de Mulheres livres, capazes de gerarem o novo com criatividade, gente com traço humanista, que saiba impor uma nova ordem económica, social e cultural, e de interpretar o desenvolvimento ao serviço do ser humano e não dos egoísmos que matam. A República passa por aqui, por uma terra de gente humilde mas que ainda não soube se libertar do Senhorio. Humilde porque a escola chegou mas a educação não; a luz chegou mas incapaz de iluminar a consciência cívica; a estrada foi oferecida mas não a via do conhecimento e da cultura. Caso para dizer, oh Res pública, por onde andarás?
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

IDEAIS DA REPÚBLICA SUSPENSOS ATÉ 11 DE OUTUBRO

Não se trata de uma reserva ou crítica em função do meu posicionamento partidário, mas confesso que tenho muita dificuldade em perceber o Senhor Presidente da República. É uma figura muito estranha da nossa República. Já não me refiro às últimas trapalhadas que envolveram Belém mas a muitas outras situações as quais, do meu ponto de vista, não são nada abonatórias do alto cargo que exerce. É que não basta dizer-se presidente de todos os portugueses, mais importante é aquilo que deriva da sua atitude política. Recordo, por exemplo, a muito pouco abonatória visita oficial à Madeira onde prescindiu de ouvir as várias correntes de opinião em sede da Assembleia Legislativa, antes optou por um jantar com óbvios discursos de circunstância e de enaltecimento à maioria que governa a Região. Paradoxalmente, recordo, ainda, a interrupção das férias para falar ao País sobre o Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores, demonstrando com essa atitude e pelos desabafos então feitos, as suas enormes reservas sobre as Autonomias insulares. São tantas as situações que, hoje, o Presidente não se livra de ouvir da boca da maioria dos comentadores de rádio e de televisão sérias críticas ao seu desempenho.
Hoje, 05 de Outubro, comemorativo da República, não se dirigiu à Câmara de Lisboa, antes refugiou-se no Palácio de Belém. Não participou porque o período é de eleições autárquicas. Pergunto, o que tem a ver uma coisa com a outra? Será que, parafraseando a Drª Manuela F. Leite que, num determinado contexto, falou da suspensão da Democracia por seis meses, temos, também, que "suspender" os ideais da República até ao dia 11 de Outubro? Não saberá o Presidente falar ao País, enquanto figura insuspeita e respeitada, dos valores que devem nortear a Nação Portuguesa, sem se imiscuir no debate partidário em curso? Não o poderia fazer no lugar certo, porque simbólico, da mesma maneira que o fez do interior do Palácio de Belém? Com as mesmas palavras? Entendo que o Presidente demonstraria a sua independência estando lá, no sítio certo, onde foi hasteada a Bandeira de todos nós e aí proferindo o discurso que entendesse por apropriado.
O Presidente foi eleito com 51% dos votos expressos. Significa que 49% nunca estiveram com ele. Na prática o Presidente tem vindo a dar razão aos 49%. Não é, de facto, o Presidente em que toda a população se reveja. Duvido que este que é o 19º Presidente da República, consiga fazer um segundo mandato como Presidente de todos os Portugueses.