Ao desvirtuar os seus princípios orientadores, a “coisa pública” passou a ser a propriedade de alguns, pelo que o ideal republicano, o bem comum morre aos pedaços. Hoje estamos entregues a vários directórios internacionais que determinam a formação académica, o que comer, o que vestir e até em quem votar. Veja-se o caso dessa organização Bilderberg, de contornos secretos, onde cento e trinta políticos determinam quem ocupa os lugares de relevo, no fundo, quem na lista dos subservientes, está em condições de obedecer às lógicas de um poder que corresponda à vontade dos senhores do mundo.

Na República pela qual me guio, o Homem não constrói a arma da sua destruição social, antes preocupa-se com os princípios éticos, com a pobreza, a fome, o desemprego, as assimetrias, as fortunas mal explicadas, em um combate pela incultura como terreno fofo para a sementeira de tudo quanto agride o próprio Homem. A República não é sinónima de ausênci
a de humanismo, de fraternidade e de igualdade e não pode ser confundida com liberalismo. Pelo contrário, assume o contraponto e reage a uma sociedade sustentada no princípio de “nada mais certo no futuro que o emprego incerto”. Os princípios republicanos não assentam nessa perversidade dos ombros políticos que se encolhem perante a violência de uma sociedade onde se apregoam mais direitos do que justiça.A República não está esgotada em contraponto a outros regimes. Ela, mais do que nunca, precisa é de mais Povo, do afastamento dos actuais líderes e mentores da desgraça global e local, precisa de Homens e de Mulheres livres, capazes de gerarem o novo com criatividade, gente com traço humanista, que saiba impor uma nova ordem económica, social e cultural, e de interpretar o desenvolvimento ao serviço do ser humano e não dos egoísmos que matam. A República passa por aqui, por uma terra de gente humilde mas que ainda não soube se libertar do Senhorio. Humilde porque a escola chegou mas a educação não; a luz chegou mas incapaz de iluminar a consciência cívica; a estrada foi oferecida mas não a via do conhecimento e da cultura. Caso para dizer, oh Res pública, por onde andarás?

Ilustração: Google Imagens.
1 comentário:
Caro André Escórcio,
No link seguinte uma entrevista que dá para reflectir...
Um Abraço
http://videos.sapo.pt/JoFz521LdtWURRpTF1YY
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