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quinta-feira, 10 de abril de 2014

PARA O GOVERNO REGIONAL DA MADEIRA A FOME PODE ESPERAR. OU SERÁ MAIS UM NÚMERO DE VINGANÇA POLÍTICA?


Só há uma palavra para caracterizar a atitude do Instituto de Segurança Social da Madeira (ISSM) relativamente ao que li na peça do jornalista Orlando Drumond (DN-Madeira), relativamente ao corte de apoios ao Pólo Sócio-Comunitário de Machico: NOJO. Não há outra palavra. Talvez porque o PSD perdeu as últimas autárquicas naquele concelho, logo, toca a encostar a população à parede. E logo da forma mais miserável: através da fome, relata o DIÁRIO. Ora, o Programa de Emergência Alimentar (PEA) não surge por mero acaso. Ele é, obviamente, consequência de necessidades sentidas e, portanto, de famílias que batem à porta das instituições. O Provedor da Santa Casa da Misericórdia, Senhor Luís Delgado, em declarações corajosas, confessou que a ideia que resulta de tudo isto é que "os valores decididos para Machico foram uma penalização política", que conduziu à retirada do prato a 95% dos agregados que frequentavam a cantina social. O Provedor desafiou a tutela a explicar-se: "(...) como, com tanta falta de verbas e tantos pedidos, como é que a Segurança Social irá solucionar o problema, tanto mais que a verba que o Pólo irá receber diminuiu e as pessoas continuam com graves problemas de comida" e "quais os critérios de atribuição dos valores concedidos às instituições". Quem decide, presumo que seja a presidente da Segurança Social da Madeira, tem as refeições do dia garantidas, pois aufere um salário superior ao de Primeiro-Ministro (base) fora as despesas de representação. Por isso, é um NOJO, sabendo-se que há fome, que há gente a contar cêntimos, enquanto os decisores políticos contam milhares. Políticos que se comportam de forma tão insensível deveriam ter, todos os dias, à sua porta em ruidosa manifestação, os pobres e excluídos, as crianças e os idosos, os desempregados e os familiares dos que emigram.


Não se brinca com a fome porque esta não pode esperar. Leio no trabalho do jornalista Orlando Drumond: em Machico "(...) se em Janeiro eram apoiadas 104 famílias, entre cantina e vales, em Fevereiro o Governo retirou esse direito a dois terços das famílias carenciadas, indicando apenas 35 agregados. Número que voltou a ser reduzido em Março para 24 famílias. Já este mês registou-se novo corte avassalador, retirando da lista do apoio de emergência alimentar 75% dos beneficiários, pelo que restam apenas 6 agregados com o aval do Governo (...)". Isto é uma VERGONHA, um escândalo que deveria levar, imediatamente, à demissão da presidente do Instituto de Segurança Social da Madeira. Se tivesse um pingo de vergonha era isso mesmo que fazia, a tomar como verídicas todas as declarações publicadas sobre esta matéria. Para já, tem o dever de se explicar e mais do que a dita Senhora, tem o dever de sair da concha, da escuridão política, o secretário regional dos Assuntos Sociais. 
O Programa de Emergência Alimentar (PEA) é um programa nacional "(...) que deve ser cumprido integralmente em todo o território nacional, sem excepções", vincou o Provedor da Santa Casa, Senhor Luís Delgado. O dinheiro não é do governo regional, não sai do orçamento da região, não pertence à presidente do instituto, não pertence ao secretário, não pertence ao presidente do governo, não pertence ao PSD, pertence sim ao povo que pagou impostos para que a solidariedade  aconteça. Que haja rigor na atribuição, obviamente que sim; que haja cruzamento de dados para que uma dada família não receba de várias instituições, claro que sim, o que ninguém entente é que seja isso que esteja a acontecer, quando 95% passou a sentir a dor da fome. Será que quem assim decide dorme descansado(a)? Talvez durma, porque a obediência política cega. Sinto uma revolta interior que me leva a dizer que a JUSTIÇA, seja ela qual for e produzida por quem quer que seja, um dia, será servida em prato frio. Aí tomarão consciência dos erros cometidos. Que gente infame!
NOTAS:
1. Isto acontece no mesmo período em que o Jornal Oficial dá conta da atribuição de 12,5 milhões ao desporto regional. Primeiro, a bola, depois a "bola" no estômago.
2. O esclarecimento do Instituto de Segurança Social da Madeira, hoje publicado, do meu ponto de vista nada esclarece. As declarações do Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Machico não são postas em causa, de onde se pode concluir a existência de uma defesa política muito esfarrapada. Aliás, se há dinheiro, que razões levaram ao corte de 95% dos que frequentavam a cantina social?
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

UM DIA HAVERÁ JUSTIÇA


Excelente o trabalho publicado pelos jornalistas Élvio Passos e Ana Luísa Correia sobre o tema a fome na Madeira. Quase 29.000 madeirenses contaram com apoio alimentar ao longo do ano de 2013. E "a vergonha leva à preferência pelos vales, em detrimento das refeições". Nada de estranhar, uma vez que, segundo vários estudos, a pobreza atinge mais de 30% da população. O Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados (PCAAC) e Programa de Emergência Alimentar (PEA) não expressam toda a verdade. Mas a importância deste trabalho do DIÁRIO é que surge no mesmo período em que o governo regional apresentou o 16º volume das "obras" da propalada "Madeira Nova" e, em contraponto, vimos o estado de abandono e de miséria de uma família, no concelho da Calheta, onde vive o menino Daniel, alegadamente, vítima de rapto. Por um lado, a fome e a exclusão social, por outro, a incoerência política de uns governantes que não têm um pingo de vergonha na cara e apresentam um livro, com pompa e circunstância, com as fotografias das inaugurações. É a inversão das prioridades no seu esplendor, como se as pessoas comessem e vivessem melhor com as megalomanias dos senhores que sobrevivem, politicamente (e não só), à custa do paleio e do esmagamento dos madeirenses e portosantenses. O Dr. Jaime Freitas que, alegadamente, é o secretário da Educação, aqui sim, ao contrário do que disse na apresentação do livro das "obras", deveria perceber que "uma imagem vale mais que mil palavras"... a imagem da pobreza sem controlo.
 

Quando alguém, para matar a fome, é apanhado em flagrante furto, é detido e fica a contas com a Justiça. Mas quem governa, que não tem atenção ao colectivo, que deixa que a fome aconteça, não fica sob a alçada dessa mesma Justiça! Que incoerência! Quando a fome é pública e notória e vimos um governo mais preocupado com as lutas partidárias internas, questiono se certa gente não deveria ser julgada. Julgada não apenas nas urnas, mas na Justiça. Simplesmente porque o exercício da política não pode nem deve ser neutro, tampouco pode funcionar com o anúncio de preocupações, ao estilo Bernardete Vieira, onde se destaca o cumprimento com o chapéu dos outros. Importante seria, porque na História ficaria, levantar a voz e dizer em alto e bom som que o rei vai nu, que tem de existir uma estratégia política que acabe com o drama de centenas de famílias e milhares de pessoas. Uma voz que não estivesse apenas preocupada com as receitas da segurança social, mas com a transformação dessas receitas em políticas sociais concretas, que os seus amigos na Assembleia Legislativa da Madeira CHUMBAM
Ah, eu sei, houve um que levantou a voz, disse a verdade, e foi escorraçado, o Dr. Roque Martins! Pela sua frontalidade aqui estou a citá-lo. De outros(as) não rezarão a História, obviamente. O ex-dirigente da Segurança Social, em 2007, sem papas na língua, assumiu: "hoje a Segurança Social é única e exclusivamente uma caixa onde o poder político da Madeira põe a sua clientela" e que quem paga os custos do seu funcionamento é o Orçamento de Estado (...) "a República paga tudo". Falou da existência de 22% de pobreza quando já era, nessa altura, muito superior. Foi corrido, é certo, mas ficou a memória de um homem frontal. BV, tal como o secretário da Segurança Social, ambos deveriam saber, que isto não se resolve com acções caritativas, ou como pede o Senhor Bispo, com muita fé, resolve-se sim com políticas sérias, com opções que respeitem a dignidade do ser humano, com propostas económicas que visem a dinâmica do tecido empresarial e a consequente empregabilidade, resolve-se através de políticas educativas capazes de romperem com o círculo vicioso da pobreza e resolve-se com políticos que não sejam de vão de escada ou que façam do exercício da política uma profissão. Quem assim se comporta deveria ser julgado, porque, para mim, é muito menos grave quem rouba uma peça de fruta para sobreviver, relativamente àqueles que colocam outros à fome e, entretanto, enriquecem. Um dia haverá Justiça. Estou certo disso. Pena tenho que o fotógrafo madeirense João Pestana, não tenha menos uns "anitos" e sobretudo paciência para fotografar e fazer o álbum da "Madeira Nova" envergonhada, remetendo-o, depois, ao "único importante" e seus sequazes. Ele, como escreveu o meu Amigo Danilo Matos,que "fotografou a Cidade como ninguém, com arte, com paixão, com vida (...)".
Nota:
O secretário dos Assuntos Sociais e a presidente da Segurança Social que leiam o FB de Sara Medeiros André, ex-deputada do PSD-Madeira. O desabafo é significativo. E se não conseguirem perceber, demitam-se, coisa que há muito já deveriam ter feito. Deixo aqui um aperitivo: "(...) Tenham vergonha!!!!! Estou profundamente envergonhada por esta gente que se julga "de sabedoria superior"... Já começa a fartar esta "merda" ... desculpem o desabafo!!!!
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 7 de abril de 2013

A FOME - A ARREPIANTE REALIDADE!


Vou ficar por aqui porque o que me apetece dizer ultrapassaria, certamente, o respeito que tenho por quem aqui passa os olhos sobre o que escrevo. Sinto uma profunda revolta quando o sentimento que tenho é que a Madeira poderia estar a passar ao lado desta gravíssima crise. Sentindo-a, obviamente que sim, mas de forma moderada e com controlo sobre a situação. Numa única palavra: DEMITA-SE. Vá embora, deixe-nos da mão, vá para longe e goze o tempo de vida que lhe resta. Porque ninguém aqui fica para semente. Não aprofunde o mal que a todos está ocasionar. Tudo tem o seu tempo e o senhor já teve o seu... tempo que já deveria ter terminado há vinte anos!

Que falta de respeito pelo ser humano.
Nem um sítio onde possam estar sentados
e com alguma privacidade. Revoltante.
Poucas palavras para descrever ou caracterizar a primeira página da edição de hoje do DN-Madeira: "Fome na Rua". A fotografia, as pessoas de várias idades, os gestos de solidariedade dos voluntários, no seu conjunto, acabam por assumir uma tonalidade arrepiante. E perante aquilo que há muito se conhece, vem o presidente do governo regional, em contexto mais abrangente da economia e das finanças da Região, dizer que quem arranjou este problema que o resolva. Mas não foi ele o presidente do governo que liderou de forma absolutíssima, durante 35 anos dos 37 que o PSD está no poder? Não foi ele que se intitulou de "único importante"? Não foi ele que gerou uma teia de interesses que veio a determinar a existência de riquíssimos em oposição a uma legião de pobres? Não foi ele que espingardeou com toda a gente e que fez tábua rasa de todos os avisos?
Vou ficar por aqui porque o que me apetece dizer ultrapassaria, certamente, o respeito que tenho por quem aqui passa os olhos sobre o que escrevo. Sinto uma profunda revolta quando o sentimento que tenho é que a Madeira poderia estar a passar ao lado desta gravíssima crise. Sentindo-a, obviamente que sim, mas de forma moderada e com controlo sobre a situação. Numa única palavra: DEMITA-SE. Vá embora, deixe-nos da mão, vá para longe e goze o tempo de vida que lhe resta. Porque ninguém aqui fica para semente. Não aprofunde o mal que a todos está ocasionar. Tudo tem o seu tempo e o senhor já teve o seu... tempo que já deveria ter terminado há vinte anos!
Ilustração: FOTO DN -  OCTÁVIO PASSOS/ASPRESS, com a devida vénia.