Excelente o trabalho publicado pelos jornalistas Élvio Passos e Ana Luísa Correia sobre o tema a fome na Madeira. Quase 29.000 madeirenses contaram com apoio alimentar ao longo do ano de 2013. E "a vergonha leva à preferência pelos vales, em detrimento das refeições". Nada de estranhar, uma vez que, segundo vários estudos, a pobreza atinge mais de 30% da população. O Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados (PCAAC) e Programa de Emergência Alimentar (PEA) não expressam toda a verdade. Mas a importância deste trabalho do DIÁRIO é que surge no mesmo período em que o governo regional apresentou o 16º volume das "obras" da propalada "Madeira Nova" e, em contraponto, vimos o estado de abandono e de miséria de uma família, no concelho da Calheta, onde vive o menino Daniel, alegadamente, vítima de rapto. Por um lado, a fome e a exclusão social, por outro, a incoerência política de uns governantes que não têm um pingo de vergonha na cara e apresentam um livro, com pompa e circunstância, com as fotografias das inaugurações. É a inversão das prioridades no seu esplendor, como se as pessoas comessem e vivessem melhor com as megalomanias dos senhores que sobrevivem, politicamente (e não só), à custa do paleio e do esmagamento dos madeirenses e portosantenses. O Dr. Jaime Freitas que, alegadamente, é o secretário da Educação, aqui sim, ao contrário do que disse na apresentação do livro das "obras", deveria perceber que "uma imagem vale mais que mil palavras"... a imagem da pobreza sem controlo.
Quando alguém, para matar a fome, é apanhado em flagrante furto, é detido e fica a contas com a Justiça. Mas quem governa, que não tem atenção ao colectivo, que deixa que a fome aconteça, não fica sob a alçada dessa mesma Justiça! Que incoerência! Quando a fome é pública e notória e vimos um governo mais preocupado com as lutas partidárias internas, questiono se certa gente não deveria ser julgada. Julgada não apenas nas urnas, mas na Justiça. Simplesmente porque o exercício da política não pode nem deve ser neutro, tampouco pode funcionar com o anúncio de preocupações, ao estilo Bernardete Vieira, onde se destaca o cumprimento com o chapéu dos outros. Importante seria, porque na História ficaria, levantar a voz e dizer em alto e bom som que o rei vai nu, que tem de existir uma estratégia política que acabe com o drama de centenas de famílias e milhares de pessoas. Uma voz que não estivesse apenas preocupada com as receitas da segurança social, mas com a transformação dessas receitas em políticas sociais concretas, que os seus amigos na Assembleia Legislativa da Madeira CHUMBAM.

Nota:
O secretário dos Assuntos Sociais e a presidente da Segurança Social que leiam o FB de Sara Medeiros André, ex-deputada do PSD-Madeira. O desabafo é significativo. E se não conseguirem perceber, demitam-se, coisa que há muito já deveriam ter feito. Deixo aqui um aperitivo: "(...) Tenham vergonha!!!!! Estou profundamente envergonhada por esta gente que se julga "de sabedoria superior"... Já começa a fartar esta "merda" ... desculpem o desabafo!!!!
Ilustração: Google Imagens.
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