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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

É PARA ISTO QUE O JORNAL DA MADEIRA SERVE!


E quando o articulista (AJJ) fala em "celebrar e afirmar a Autonomia Política conquistada", pergunto, qual Autonomia, quando ela está completamente hipotecada por muitos anos? Neste contexto, "fazer as leis que entenda adequadas", para não estarmos "à mercê de leis imbecis de um Estado decadente"? Mas que leis, quando o historial é de fazê-las à medida dos interesses partidários e de conhecidos grupos? Afinal, onde é que anda "a canalha à solta"? Afinal, onde estão os "abutres", quem é que, diariamente, aproveita o poder para de tudo fazer um "miserável aproveitamento político"? Quem são os "bandalhos" e onde se encontram os "recalcamentos doentes e os ódios patológicos que lhes marcam uma vida decepcionada"? Quem é que tem razões substantivas para dizer, em alto e bom som, "estamos fartos"? E os madeirenses e portosantenses o que é que têm a ver com os problemas internos do PSD, para que o Chão da Lagoa seja um ajuste contra "a doença do cinismo, da falsidade, da hipocrisia, o culto satânico de meter facas nas costas"?

 
Ele que explique as causas do "buraco",
quem beneficiou com as suas
tresloucadas políticas
e como é que a Fundação Social Democrata
tem um património de 12,7 milhões de Euros.
É para isto que o Jornal da Madeira serve, para a propaganda. Ontem, apesar de tantos serem os problemas que preocupam os madeirenses e portosantentes, o articulista Dr. Alberto João Jardim, Presidente do Governo Regional da Madeira, ao invés de uma abordagem séria, global ou sectorial, às múltiplas questões com as quais Madeira está confrontada, preferiu escrever sobre o nada. A "festa" do Chão da Lagoa, para uma região aflita, é zero, é nada, pois não resolve os problemas do desemprego ou a complexa situação do tecido empresarial. As empresas e as pessoas não comem discursos linguareiros, não se alimentam da ilusória "capacidade e força do Povo" (...) "comprovada ao longo da História", tampouco de repetidas frases onde se fala de "comportamentos criminosos" dos de lá. Isso é conversa de treta. Até porque "os inimigos do Povo Madeirense", bem vistas as coisas, estão neste governo regional. E quando o articulista fala em "celebrar e afirmar a Autonomia Política conquistada", pergunto, qual Autonomia, quando ela está completamente hipotecada por muitos anos? Neste contexto, "fazer as leis que entenda adequadas", para não estarmos "à mercê de leis imbecis de um Estado decadente". Mas que leis, quando o historial é de fazê-las à medida dos interesses partidários e de conhecidos grupos? Afinal, onde é que anda "a canalha à solta"? Afinal, onde estão os "abutres", quem é que, diariamente, aproveita o poder para de tudo fazer um "miserável aproveitamento político"? Quem são os "bandalhos" e onde se encontram os "recalcamentos doentes e os ódios patológicos que lhes marcam uma vida decepcionada"? Quem é que tem razões substantivas para dizer, em alto e bom som, "estamos fartos"? E os madeirenses e portosantenses o que é que têm a ver com os problemas internos do PSD, para que o Chão da Lagoa seja um ajuste contra "a doença do cinismo, da falsidade, da hipocrisia, o culto satânico de «meter facas nas costas"?
É para isto que serve o Jornal da Madeira. Um jornal pago por todos os contribuintes madeirenses para que uma força partidária faça a sua propaganda. Custa mais de três milhões por ano esta brincadeira. E o Senhor Presidente da República continua a assobiar para o lado.
NOTA:
Todas as palavras e expressões entre aspas constam do citado artigo de opinião.
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

FALTA DE CORAGEM E OUSADIA PARA MUDAR A MADEIRA


Há valores que são absolutamente escandalosos, não só porque atentam contra as prioridades sociais, mas porque acabam por subverter as próprias regras da Democracia. Ninguém entenderá que havendo uma legião de pobres em crescendo, existindo necessidades básicas por resolver, subsistindo milhares de facturas por liquidar, empresários aflitos, escolas sem dinheiro para cumprirem os seus projectos educativos, que um partido, porque tem 33 deputados, receba quase quatro milhões de euros, limpinhos...

É urgente a
Reforma do Parlamento
3,9 milhões de Euros recebe o PSD-Madeira, por ano, de transferências da Assembleia Legislativa da Madeira. Um valor exorbitante, verdadeiramente obsceno. Empiricamente, não tenho a menor dúvida relativamente a esta matéria: o exercício da democracia, para que ela funcione de facto, tem os seus custos. E neste pressuposto, penso que é melhor a subvenção pública suportar alguns encargos do que o financiamento privado. Julgo que é menor a distorção e maior a transparência. Confesso que nunca me dediquei a estudar as variáveis deste processo, mas é uma convicção baseada na experiência político-partidária. Mas há limites. Há valores que são absolutamente escandalosos, não só porque atentam contra as prioridades sociais, mas porque acabam por subverter as próprias regras da Democracia. Ninguém entenderá que havendo uma legião de pobres em crescendo, existindo necessidades básicas por resolver, subsistindo milhares de facturas por liquidar, empresários aflitos, escolas sem dinheiro para cumprirem os seus projectos educativos, que um partido, porque tem 33 deputados, receba quase quatro milhões de euros, limpinhos, isto é, com todos os seus Deputados pagos e todos os serviços da Assembleia disponíveis sem pagarem um cêntimo. É obsceno no campo das prioridades. Mas há um outro aspecto, o da subversão da Democracia. Numa legislatura, mais de 15 milhões de euros entram nos cofres partidários, o que significa uma abastança que permite,
Dinheiro público ao serviço
da propaganda e da compra
dos silêncios.
depois, faustosas campanhas eleitorais, grandes festarolas por cada sítio da Região, cartazes, comícios pagos a peso de ouro, cabazes, provavelmente cheques, enfim, campanhas que colocam, logo à partida, a força de uns contra a incapacidade dos outros. São "armas" completamente diferentes. Como se não chegasse a existência de um Jornal da Madeira, as rádios locais e a subtil "compra" do serviço público de rádio e televisão, como se isso não bastasse, repito, ainda por cima, no momento de campanha, o dinheiro tudo subverte. É por isso que entendo que a Região deve partir, urgentemente, para uma REFORMA DO PARLAMENTO. Tudo isto tem de ser revisto. Quem tem mais Deputados, obviamente, que qualquer critério destinará mais dinheiro para esses grupos, mas o bom senso aconselhará que os domínios do obsceno não sejam invadidos. O exercício da política no plano da Democracia tem regras. O dinheiro não deve servir para pagar o supérfluo, concretamente, sedes partidárias por freguesia e outras, muitas outras situações que alegadamente existem que apenas servem para controlar e dominar o Povo.
Não sei como é possível (se calhar sei!), ainda ontem, a Fundação Social Democrata ter disponibilizado bolsas de estudo a 300 alunos da Universidade da Madeira. Por um lado, eu diria, óptimo, porque vêm atenuar as gravíssimas vidas que muitas famílias levam, consequência do desemprego e da pobreza a que este governo regional conduziu a Região. Por outro, não deixa de constituir um vergonhoso aproveitamento do dinheiro para fazer uma claríssima acção política. De onde vem o dinheirinho da Fundação? Das doações, certamente. De quem, não sei!
Como habitualmente,
 falou e falou
e ninguém questionou.
Só toca e canta a solo.
O que sei é que têm tudo controlado e sabem onde semear a mensagem e colher os votos. É ali, nos jovens universitários, a maioria com capacidade eleitoral,  que a troco de uns euros, segundo o presidente, "dará para parte da refeição na cantina", que se encena um comício para falar, não dos problemas da Madeira, gerados na órbita das suas responsabilidades políticas, mas do País, do "inimigo externo", pela "falta de coragem e ousadia para mudar Portugal". O problema está sempre fora, está sempre nos outros e não cá dentro, porque aqui sobressaem, apenas, mentes brilhantes.
E os jovens, infelizmente, vão nesta conversa. Enquanto, por todo o lado, a juventude é sinal de esperança, é ela que se apresenta reivindicativa, que vem para a rua e exige comportamentos adequados e defensores do seu futuro, aqui, deixa-se injectar e anestesiar neste ram-ram que serve a alguns. E se pensassem que há "falta coragem e ousadia para mudar a Madeira?" Pensem nisso, meus caros. Recebam a bolsa mas não se demitam nem vendam a sua consciência cívica.
Ilustração: Google Imagens.