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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

UM CORTE DE 43% NAS TRANSFERÊNCIAS PARA A REGIÃO "JUSTIFICOU" O VOTO FAVORÁVEL DO PSD-M NO ORÇAMENTO DE ESTADO!


Interessante, muito curioso! Falam e falam do governo da República e, no momento da verdade, metem o rabinho entre as pernas e provam que são iguais. Ontem, os quatro deputados do PSD eleitos pelo círculo da Madeira (Guilherme Silva, Hugo Velosa, Correia de Jesus e Cláudia Aguiar) votaram, favoravelmente, o Orçamento de Estado para 2014. E vieram depois com aquela lengalenga que iriam apresentar uma declaração de voto, quando, todos sabemos, que uma declaração de  voto  não vale nada, pois o que fica para a História é o voto em plenário. A declaração de voto é  uma treta, senhores deputados. É evidente que não podiam fazer outra coisa, eu sei, pois o rabo está amarrado em várias pontas e a dignidade política tinha de ser, uma vez mais, vendida a pataco. Conclusão, tudo farinha do mesmo saco. De bem longe atiram as pedras e ofendem, depois, tornam-se adversativos... mas, porém, todavia, contudo! Como se, por aqui, os eleitores continuassem com uma venda nos olhos. Estão convencidos que, Setembro passado, foi um episódio. Não foi. O sismo de 7.4 será pior em 2015. 



A Madeira ainda está refém destes senhores que a (des)governam e estes senhores estão reféns das políticas da dupla Passos/Portas. Tantas fizeram ao longo de tantos anos que, agora, a questão do dinheirinho impede-os de concretizarem os verdadeiros interesses do povo desta região. Ao votarem favoravelmente o Orçamento de Estado, acabaram por votar contra o povo da Madeira, simplesmente porque este Orçamento de Estado é pavoroso para os portugueses em geral e, em particular, para os madeirenses. A dupla austeridade para os que vivem na ilha da Madeira e tripla austeridade para os que vivem no Porto Santo, tiveram a benção daqueles quatro deputados do PSD. Para mim trata-se de uma atitude política inqualificável. Afinal, aqueles sistemáticos ataques aos "senhores de Lisboa", aos "cubanos", aos do "rectângulo" não passaram  da Ponta de S. Lourenço. Agacharam-se e permitiram que impusessem as regras, melhor dizendo, os eleitos do PSD aceitaram e o povo da Região que se lixe! Intolerável, quando a situação é grave, muito grave, quando há desemprego e pobreza e quando o tecido económico está completamente esfarrapado. Politicamente, vergaram-se, venderam-se, não sei se por medo dos processos disciplinares por contrariarem a disciplina de voto, se por receio da imposição de novas regras constrangedoras. Certo é que voltaram as costas aos madeirenses e portosantenses. Políticos destes não interessam. São políticos que defendem os seus interesses pessoais ou de grupo partidário e não os interesses de quem os elegeu. Sinto uma revolta contra esta gentinha sem coluna política, que vê a Região a esvair-se e que tendem para dois comportamentos: um, aqui, para consumo interno, outro, em Lisboa, para agradar àqueles que, neste momento, têm quase todo o País contra eles. 
Ouvi o Deputado Guilherme Silva falar de interesses "relevantes" que justificaram o voto favorável. Quais? Será que o corte de 43% nas transferências para a Madeira é um assunto relevante? Oh Senhor Deputado, aposente-se, já completou 70 anos de idade, portanto, deixe os madeirenses em paz. Chega de tanta hipocrisia política.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 3 de novembro de 2013

ORÇAMENTO DE ESTADO E OS CARTEIRISTAS PROFISSIONAIS


Há tempos, através da televisão, assisti a uma reportagem sobre carteiristas. A peça retratava várias situações na baixa lisboeta, ali próximo, curiosamente, onde estão instalados vários ministérios. Da perícia à rapidez até à dissimulação, o carteirista profissional levava tudo num ápice. Ora, entre o Orçamento de Estado para 2014, apresentado pelo governo e um carteirista profissional, sinceramente, venha o diabo e escolha. O ataque é semelhante, apenas diverge no campo da legalidade. Enquanto, se apanhado, o primeiro fica a contas com a Justiça, os mentores do segundo passam incólumes e até se apresentam contra o Tribunal Constitucional. Os primeiros podem ser presos, os segundos em liberdade ficam. Entre a ilegalidade de um acto que corresponde a um roubo e a legalidade de um orçamento que, também sorrateiramente, rapa a carteira, pergunto, qual a diferença? A consolação fica na notícia de Agosto passado: "carteirista assalta economista da troika. Albert Jaeger, economista austríaco do Fundo Monetário Internacional (FMI) residente em Lisboa, foi assaltado por um carteirista quando passeava de eléctrico".


Entretanto, ontem li, no DN-Madeira, uma excelente opinião da Drª Manuela Parente, Psicóloga. O artigo reflecte sobre o caminho que o País está a seguir. Caminho muito preocupante. Escolhi algumas passagens que me pareceram incisivas e esclarecedoras. Aqui ficam: 
"(...) Em nome da dívida e da vontade do governo em cumprir metas estabelecidas em papel, Portugal passou a ser mais um dos países onde as pessoas valem muito pouco, sendo apenas consideradas números que se movimentam em tabelas financeiras, em linhas idênticas aos icebergs onde o visível é apenas o que importa valorizar. O que não se vê não é produtivo, logo está totalmente isento de qualquer investimento. (...) Estou certa de que os resultados desta corrida financeira e desta obsessão orçamental vai dar origem a situações gravíssimas de desiquilíbrio social, visíveis no passado e no presente, noutros lugares do mundo. (...) Como tal os estragos, que já começaram a se efectuar, com tendência para se agravarem, vão a curto prazo deixar o país numa situação muitíssimo mais difícil do que a que já se encontra no presente momento. Não é necessário dar exemplos porque eles são já tão óbvios que só mesmo um pequeno grupo de gente mal crescida prefere ignorar. Tenho visto alguns debates televisivos, poucos, mas os suficientes para ficar profundamente incomodada e triste com as palavras e raciocínios que saem da boca de gente cuja formação académica e educação de valores e princípios está muito aquém das necessidades do país. (...) A lei da selva chegou de novo a Portugal. A cadeia alimentar traça o destino só que no caso concreto o alimento é o poder económico. Quem tem mais lidera e explora quem tem menos e abate, se for necessário, o que considera desperdício. Em nome de qualquer coisa, que não é boa coisa, estamos a caminhar para um sistema perverso e promotor de doença. (...) O que está a acontecer no país é uma agressão à dignidade humana. Face a determinados argumentos da classe politica na tentativa de justificar o absurdo, só consigo sentir desprezo e uma total desconsideração. (...)"

Já agora, deixo também um vídeo sobre carteiristas profissionais. Este é um daqueles que "rouba" apenas como espectáculo. O "desgraçado" ficou sem nada, nem com a gravata, enquanto um simples papel e muito paleio o distraia. O debate do Orçamento de Estado não está a ser muito diferente. 

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

EM TEMPO DE DEBATE DO ORÇAMENTO DE ESTADO... A ENTREVISTA DE JOSÉ SÓCRATES AO EXPRESSO.


Passos Coelho sempre disse que não sabia de nada. “Mentiu, e deixou que outras pessoas mentissem. Ele sabe o que me disse. Um dia contarei esta história toda, não agora, aqui.” “Quando cheguei a Bruxelas, pedi o apoio da Comissão e do BCE, por escrito. O Barroso achou, como eu, que estava feito. Só faltava o papel, que os serviços do Barroso foram fazer. Aquilo foi discutido no Conselho e decidiu-se que Portugal não ia pedir ajuda. Houve uma intervenção manhosa do primeiro-ministro da Holanda, e eu, muito irritado, até lhe pedi que ele dissesse quanto é que Portugal lhe devia, porque não estava para ficar-lhe a dever um tostão nem aturar-lhe o calvinismo reles. Nunca tinha havido uma discussão daquelas no Conselho, e ele calou-se. É votado, e a Merkel vira-se para mim e diz: parabéns! O Barroso diz: conseguimos! Estava genuinamente satisfeito, e eu estava mais aliviado. Veio o Trichet, e eu disse-lhe que havia que estar de olho nos mercados. Desde que aprovássemos o PEC4, diz o Trichet, apoiar-nos-iam. Às quatro de cá ou cinco e meia de lá, o Barroso avisa-me, surpreendido, que o PSD vai chumbar isto. Telefono para Lisboa e sei que o Passos Coelho vai convocar uma conferência de imprensa. O Barroso sabia o que isto nos tinha custado. Os filhos da mãe da direita em Portugal deram cabo de uma solução apenas para ganharem eleições. Nunca contei com isto.”


Li a extensa entrevista que Clara Ferreira Alves fez a José Sócrates, ex-Primeiro-Ministro. Do meu ponto de vista constitui uma peça muitíssimo importante para conhecermos a História. Que ali não se esgota, obviamente. Tal como a páginas tantas sublinha, um dia contará outros aspectos. Fala com as palavras certas, por vezes saindo daquilo que se designa por "politicamente correcto" mas devidamente coontextualizadas, chama os bois pelo nome e passa toda a sua vida a limpo, desde as infâmias de natureza privada e íntima até às questões de Estado. Foram seis anos de ataques miseráveis e de muitas histórias forjadas, daí que, neste momento, mais do que o político, é um homem que, ofendido, depois de um  silêncio de dois anos, vem contar parte daquilo que a esmagadora maioria desconhece. Os visados que venham contrapor. Só que ainda não vieram. Poderá significar que engoliram, em "seco". 
Entretanto decorre o debate, na generalidade, do Orçamento de Estado para 2014. Ontem, os mesmos que mergulharam o país na situação que estamos a viver, chumbando o PEC IV, os mesmos que querem que o PS adira à "Reforma do Estado", esses mesmos deveriam ler a entrevista de José  Sócrates e pronunciarem-se. Acho que devem ter uma palavra a dizer. Andam calados que nem ratos, mas sempre de metralhadora em punho! Por mim estou esclarecido, embora gostasse de ter conhecimento de outras histórias ainda não contadas. 
Deixo aqui um  excerto, com a devida vénia à Jornalista e ao Expresso. Vale pena ler toda a entrevista aqui. 
"(...) E não ganhou com políticas eleitoralistas, como o aumento dos funcionários públicos, fatura que agora o país paga? “Em 2009, fizemos uma política anticíclica, de estímulos à economia, segundo as recomendações do FMI e de todos os países europeus. Evitar o desemprego e as falências. Medidas que, em 2009, a direita achava pouco. Mesmo no orçamento restritivo de 2010, depois da crise grega. Houve duas crises, a de Wall Street e a das dívidas soberanas na Europa. E é aí que a direita começa a falar na despesa, como se eles não tivessem proposto muito mais. Lutámos com todas as nossas forças para não pedir ajuda, tive consciência do que nos ia acontecer se o fizéssemos. A direita dizia que as instância externas só nos iriam ajudar a corrigir os erros de trinta anos. Passos Coelho dizia: porque não governar com o FMI? No ano 2010, enfrentei todas as dificuldades. Apesar de muitas instituições terem baixado os braços em 2011, construí uma solução com a ajudar de muita gente que conhecia na Europa, de forma que pudéssemos ter um programa em que o BCE nos ajudasse na manutenção de juros aceitáveis. E não tive o ‘consentimento’ da senhora Merkel para isso, não há consentimentos, nunca aceitei este discurso do protetorado. Negociei com a Comissão Europeia e com o Conselho a elaboração de um Programa de Estabilidade e Crescimento em que nos comprometíamos com exigências orçamentais, ajudando-nos no financiamento. Travei dois meses de combate, a seguir às presidenciais. Diziam que não íamos conseguir colocar dívida e conseguimos. Negociei com a Europa e com Barroso e com o BCE a solução. Se eles estivessem de acordo, assinavam por baixo. Foi difícil. A parte final foi o jantar com a Merkel, e fui a Berlim, porque ela teve a decência de me convidar. Noutro jantar ficara ao lado dela e ela disse-me que gostaria de dar uma palavra em defesa do nosso país e dar um sinal claro aos mercados. Nunca lhe pedi para ir a Berlim. A estratégia era o chamado Comprehensive Approach, não deixar pontas soltas. O problema era saber onde é que a Europa marcava a linha vermelha, com Portugal dentro ou com Portugal fora. Em fevereiro ou março de 2011, a Grécia e a Irlanda já estavam em programa. A Europa não queria mais ninguém. Em Berlim, tudo muito formal, conversámos e fomos jantar. A Merkel está do outro lado com aquele estupor do ministro das Finanças, o Schäuble, que foi agora corrido. Todos os dias esse filho da mãe punha notícias nos jornais contra nós. E ligávamos para o gabinete da Merkel, e ela, com quem me dava bem, dizia que vinha do gabinete do ministro das Finanças. No jantar, ela pô-lo ao lado para o comprometer. Disse: devo ser a única na Alemanha que acha que vocês não precisam de ajuda! Eu respondo-lhe que não se trata apenas de Portugal, se houvesse mais um caso de falhanço era mau para nós e para a Europa. E disse que propusera o PEC previamente negociado com o BCE e com a Comissão, de forma a evitá-lo. O programa era restritivo para contar com o apoio do BCE. Merkel respondeu: é mesmo isso! Contei-lhe que o [Jean-Claude] Trichet [diretor do BCE] queria mais duas coisas, legislação do trabalho, e não cedi. Ela disse-me para lhe dar uma dessas duas, porque precisávamos do BCE. Eu tinha dito ao Barroso que aquilo tinha de ser assinado por todos. O Barroso esteve sempre do nosso lado e defendeu Portugal, foi um patriota. Construí muito disto com ele, por aproximações. Só se portou mal mais tarde. Regresso de Berlim e acho que temos isto feito! Tínhamos uma semana para concluir o negócio. Em Portugal, foi a semana da tomada de posse do PR e da moção de censura do Bloco. Aquilo tinha de ser aprovado naquele dia. Chamei o Passos Coelho para lhe dar conta da situação, tínhamos que salvar Portugal.”
INVIABILIZAÇÃO DO PEC IV
Passos Coelho sempre disse que não sabia de nada. “Mentiu, e deixou que outras pessoas mentissem. Ele sabe o que me disse. Um dia contarei esta história toda, não agora, aqui.” “Quando cheguei a Bruxelas, pedi o apoio da Comissão e do BCE, por escrito. O Barroso achou, como eu, que estava feito. Só faltava o papel, que os serviços do Barroso foram fazer. Aquilo foi discutido no Conselho e decidiu-se que Portugal não ia pedir ajuda. Houve uma intervenção manhosa do primeiro-ministro da Holanda, e eu, muito irritado, até lhe pedi que ele dissesse quanto é que Portugal lhe devia, porque não estava para ficar-lhe a dever um tostão nem aturar-lhe o calvinismo reles. Nunca tinha havido uma discussão daquelas no Conselho, e ele calou-se. É votado, e a Merkel vira-se para mim e diz: parabéns! O Barroso diz: conseguimos! Estava genuinamente satisfeito, e eu estava mais aliviado. Veio o Trichet, e eu disse-lhe que havia que estar de olho nos mercados. Desde que aprovássemos o PEC4, diz o Trichet, apoiar-nos-iam. Às quatro de cá ou cinco e meia de lá, o Barroso avisa-me, surpreendido, que o PSD vai chumbar isto. Telefono para Lisboa e sei que o Passos Coelho vai convocar uma conferência de imprensa. O Barroso sabia o que isto nos tinha custado. Os filhos da mãe da direita em Portugal deram cabo de uma solução apenas para ganharem eleições. Nunca contei com isto.”
Quando é que os banqueiros o encostaram à parede? “Vim para Portugal na esperança de que mudassem de ideias. Vejo o Presidente a dizer que não foi consultado, o Passos a dizer que não sabia, e telefonei ao Lacão e disse que íamos fazer como o Cortés, incendiar as naus. Se eles chumbassem o PEC4, demitia-me. Quando se percebe que eles não iam aprovar e que ia haver uma crise política, as taxas de juro dispararam para 14%. Não havia condições para ir ao mercado. Em 15 dias, os juros passaram de 7% para 14%.”
Acha que fez bem em se demitir? Tinha dito que nunca se demitiria. “Aquilo foi tão irresponsável e out of the blue que não tinha outra solução. Fiz bem e acho que o devia ter feito antes. O erro foi, em 2009, ter aceite um Governo minoritário. Quem ia adivinhar que íamos ter uma crise das dívidas soberanas?” Dizem que ele não tentou verdadeiramente coligar-se. “Uma coisa são factos e outra opiniões. Tentei coligar-me com a Manuela Ferreira Leite, e ela disse: o nosso mandato é de oposição. Perguntei o mesmo ao Paulo Portas e ao BE e ao PCP.” Como é que ele admitia que o PCP ou o BE ficassem numa coligação com o PEC4? “Eu fiz a pergunta. Eu tinha um Governo minoritário com um programa de consolidação pela frente. Só tinha medo disso, não temia coligações.” (...)"
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

"TORTURA EM DEMOCRACIA PELA VIA ORÇAMENTAL"


Numa das últimas edições do DN-Madeira o Dr. Gonçalo Maia Camelo, advogado, escreveu um artigo de opinião que designou por "Tortura em democracia pela via orçamental". Nem mais, basta ter presente a sequência de maldades que o povo tem vindo a sofrer nos últimos dois anos e aquelas que se aproximam por via do Orçamento de 2014. E perante os sinais de pobreza em crescimento, a emigração forçada, uma juventude sem esperança e reformados e pensionistas a servirem de almofada aos graves problemas que as famílias andam a suportar, a Ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque disse, na SIC, "que os portugueses não se devem sentir injustiçados" e o Presidente da República, esquece-se do juramento que fez de cumprir e fazer cumprir a Constituição da República, permitindo que o povo fique entregue à bicharada. Ainda vai estudar, diz ele, quanto custa adiar uma decisão ao submeter ao Tribunal Constitucional o Orçamento para fiscalização preventiva da constitucionalidade de algumas normas. Como se o País não pudesse funcionar um ou dois meses por duodécimos! A pressa em aprovar o Orçamento tem prioridade sobre o espezinhamento que está a ser perpetrado ao povo. Já percebi... os mercados, não é?


Deixo aqui um excerto do citado artigo de opinião, para que os leitores tenham noção dos seguintes "horrores":

"(...) - Redução adicional de 2,5% a 12% das remunerações dos funcionários públicos (em sentido amplo, e sem quaisquer restrições) superiores a € 600 e inferiores a € 2.000, e de 12% para as que excedam este último valor;
- Proibição quase absoluta de promoções e progressões na carreira;
- Proibição da renovação de contratos a termos e da contratação de novos trabalhadores para funções públicas;
- Suspensão dos complementos de pensões pagos por empresas públicas;
- Manutenção da Contribuição Extraordinária de Solidariedade devida pelos pensionistas e reformados;
- Sujeição das subvenções vitalícias dos ex-políticos a prova da condição de recursos, sendo suspensas ou reduzidas as de valor superior a € 2.000,00;
- Proibição total, incluindo os membros dos Governos Regionais e os Deputados das Assembleias Legislativas, de acumulação de pensões com vencimentos relativos a funções públicas;
- Aumento da idade mínima de aposentação para os 65 anos;
- Contribuições de 5% e 6% sobre os subsídios de doença e de desemprego;
- Recálculo (e diminuição) do valor das pensões de sobrevivência superiores a € 2.000,00, sendo de salientar que, ao contrário do - atabalhoadamente - anunciado pelo Governo, este não será o único "corte" de que estas pensões serão alvo, estando pendente na Assembleia da República uma outra Proposta de Lei que prevê a redução, generalizada e incondicional, das pensões de valor superior a € 419,00 em 10%;
- Manutenção de sobretaxa de IRS no valor de 3,5%;
- Alargamento do Imposto de Selo sobre os "imóveis de luxo" aos terrenos para construção;
- Criação de taxas adicionais para as viaturas de categoria A e B, que poderão atingir um valor máximo de € 68,85, bem como de uma taxa adicional de € 500 ou € 250 para os veículos a gasóleo mais poluentes;
- Manutenção em vigor do adicional às taxas do ISP, na gasolina e no gasóleo;
- Aumento da taxa de audiovisual, com reflexo na factura da electricidade;
- Aumento do imposto sobre o tabaco;
- Aumento generalizado das taxas de imposto sobre a cerveja, os produtos intermédios e as bebidas espirituosas;
- Eliminação da cláusula de salvaguarda do IMI aplicável aos prédios urbanos objecto de avaliação geral, que passam a pagar IMI, nos termos gerais, a partir do próximo ano".
Ilustração: Google Imagens.

sábado, 12 de outubro de 2013

UMA POPULAÇÃO DEPRIMIDA E DE BRAÇOS CAÍDOS


Olho em redor e o que mais vejo é gente de braços caídos. Já não apenas os desempregados, os que vivem de mão estendida perante as instituições de solidariedade social, os empresários cheios de problemas por resolver, os reformados e pensionistas diariamente espoliados, mas mesmo aqueles que, ainda tendo ainda trabalho, sentem o roubo às escâncaras perpetrado de forma legal! Transversalmente, de médicos a engenheiros, de arquitectos a advogados, de professores às restantes profissões que servem a sociedade de uma ou de outra forma, até à juventude e aos mais idosos, o que por aí se vê é, claramente, uma população deprimida, sem esperança, de braços caídos, lamentando-se do saque, do dinheiro que não chega para as despesas normais e obrigatórias, da ida às parcas economias amealhadas com sacrifício, obrigada a trabalhar mais horas sem equivalência no produto do seu trabalho, pessoas que trabalham sete meses por ano para entregar ao Estado, pessoas que vêem negados os limitados direitos sociais e sem armas para combater este intencional caminho para a pobreza.


Há muitos anos, não me recordo quem terá dito ou onde li, mas guardei em memória, a pergunta: o que é um pessimista? A resposta: é um optimista com muita experiência! Trata-se de um jogo de palavras, é certo, misturadas com um certo humor. A verdade, porém, é que muitas vezes sinto-me por aí enquadrado, quando tento olhar para o futuro fazendo um esforço para acreditar que este será, apenas, um ciclo da vida e que outros virão devolvendo a esperança, simultaneamente, sinto-me invadido por um certo pessimismo. É que, debaixo dos nossos olhos de actores/observadores, correm situações que, dificilmente poderão ser normalizadas a tempo de assistirmos à felicidade que as pessoas têm direito. O poder da engrenagem internacional, a força trituradora que varre o Mundo, a guerra económica e financeira que esmaga e reduz o ser humano a uma simples peça da poderosa máquina, as largas avenidas do capitalismo selvagem onde meia-dúzia passeia, impondo as regras mais egoístas e desumanas, conduz-me a esse estado de pessimismo, sobretudo à pergunta, como nos libertarmos destas amarras? 
Olho em redor e o que mais vejo é gente de braços caídos. Já não apenas os desempregados, os que vivem de mão estendida perante as instituições de solidariedade social, os empresários cheios de problemas por resolver, os reformados e pensionistas diariamente espoliados, mas mesmo aqueles que, ainda tendo trabalho, sentem o roubo às escâncaras perpetrado de forma legal! Transversalmente, de médicos a engenheiros, de arquitectos a advogados, de professores às restantes profissões que servem a sociedade de uma ou de outra forma, até à juventude e aos mais idosos, o que por aí se vê é, claramente, uma população deprimida, sem esperança, de braços caídos, lamentando-se do saque, do dinheiro que não chega para as despesas normais e obrigatórias, da ida às parcas economias amealhadas com sacrifício, obrigada a trabalhar mais horas sem equivalência no produto do seu trabalho, pessoas que trabalham sete meses por ano para entregar ao Estado, pessoas que vêem negados os limitados direitos sociais e sem armas para combater este intencional caminho para a pobreza.
O que fazer, como sair desta colossal mentira que nos vendem, a tal que configura a terrível frase que nos transmite a ideia que temos de pagar "porque vivemos acima das nossas possibilidades? Mas quem é que viveu? O cidadão dos € 600,00? O pensionista dos € 200,00? O desgraçado do agricultor ou do pescador? O empresário que gerou postos de trabalho e que pagou com língua de palmo todos os impostos, taxas, segurança social, IVA, pagamentos especiais por conta, etc.? Aquele que, honestamente, estudou, lutou, formou os filhos, que nunca deu um passo na vida superior à sua perna? Ou aquele que aufere salários de seis, sete ou mais empresas ou instituições a que pertence?  Ou os senhores dos bancos, dos offshor, os que pagam juros a 1% e vendem o dinheiro a 6, 7 por cento? Ou a corja que manipulou e gerou BPN's, BPP e outras situações? Ou os gestores de grandes empresas que auferem salários absolutamente pornográficos?
O povo não é cego. Por vezes deixa-se ir, só que o copo da tolerância continua a encher. Há sinais que não podem ser escamoteados, dizem os médicos e os economistas. Estamos face a uma população deprimida e de braços caídos. Uma população sem esperança que começa a ter medo do dia seguinte. Vem aí o Orçamento de Estado e nada de bom vem a caminho. Sabe-se que mais uma severa punição cairá sobre o povo. Até quando o povo aceitará um castigo por causas que não lhe podem ser imputadas, é a questão que coloco.
Ilustração: Google Imagens.